Notícia sobre a segunda bicicleta-fantasma de Florianópolis

Enquanto pendurávamos a placa na bicicleta-fantasma em homenagem a Hector Cesar Galeano, em Canasvieiras, Florianópolis, um senhor, também de bicicleta, parou para observar. Como ainda acontece nesta Ilha cada vez mais multifacetada, começou a conversar. Disse que havia uma bicicleta igualzinha àquela ao seu sobrinho alguns quilômetros para trás na mesma rodovia.

Isso mesmo! Aquele senhor era tio de Rodrigo Wilmar da Costa, morto por um motorista embriagado no acostamento da SC-401. Aparentemente, sua vontade de pedalar não diminuíra com o acidente, como pôde-se notar pela magrela que o acompanhava naquele sábado pela manhã.

Apontou o lugar exato em que o argentino Hector Galeano foi atingido, logo após uma baia para um ponto de ônibus ainda inexistente. Reclamou da ciclofaixa na SC-401, afirmando que ela não lhe traz maior segurança, afirmando ser necessária uma barreira física contínua que a separe da pista. Em sua visão, os tachões em nada ajudam os ciclistas.

Trouxe, também, notícias vindas do incidente com seu sobrinho. A família recebeu um dinheiro do seguro. Sobre o motorista, que, além de ébrio, conduzia um veículo furtado e com placas clonadas, não soube dizer o que se passara.

Em sua última manhã, Rodrigo recusara uma carona para seguir de bicicleta o percurso que nunca chegaria a completar.

“Espero que a ghost bike em homenagem a ele tenha sido a última”, diz nora de ciclista atropelado em ciclofaixa em Canasvieiras

“Sou a nora de Hector Cesar Galeano. Venho em meio dessa mensagem agradecer pela homenagem que foi feita no dia 12 para meu sogro. Poucos sabem, mas a família de Hector mora nos Ingleses, em Florianópolis. Ele deixou 2 filhos e um neto que o amavam muito e que sentem imensa falta de seu sorriso e seus abraços sempre cheios de amor. Eu, meu marido e meu filho agradecemos!!!

Segue foto do Hector Galeano junto com o neto.

Espero que a Ghost Bike instalada em homenagem a ele na SC-401 tenha sido a última!

 Raquel Rosa Guimarães “


Relatos da Instalação da Bicicleta-fantasma
Pedala Floripa

Fotos
Audálio Marcos Vieira Júnior
Fabiano Faga Pacheco
Guilherme Peres

Vídeos
Audálio Marcos Vieira Júnior
Guilherme Peres 

Saiba mais:

Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana –  A ghost bike de Hector Cesar Galeano foi a segunda do final de semana.
Florianópolis terá duas Bicicletadas neste fim de semana – Divulgação oficial da  Mobilização por mais segurança e menos mortes na Ilha de Santa Catarina.
SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – Reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.
Bicicletas-fantasmas em Florianópolis para o mundo saber – As primeiras ghost bikes da Grande Florianópolis são divulgadas para o mundo. A cidade foi a terceira cidade brasileira a contar com essa homenagem.

Veja também:

Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
“Os ferimentos do meu filho não foram leves”, diz mãe de ciclista atingido na SC-401 – Desabafo da mãe de Nicolas Paolo Zanella, o outro ciclista atropelado na SC-401.
Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Charge – Pedalando com segurança na SC-401
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do último acidente no Jornal Notícias do Dia.
Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.

Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana

No domingo, outro ciclista foi atropelado.

A instalação da bicicleta-fantasma (ghost bike) no último domingo, dia 12 de fevereiro, em Canasvieiras, em homenagem ao ciclista Hector Cesar Galeano (19/12/1957 – 03/01/2012), morto por um motorista embriagado foi a segunda naquele final de semana na capital catarinense. Na véspera, na mesma rodovia SC-401, outra bicicleta-fantasma relembra o acidente que vitimou Emílio Delfino Carvalho de Souza e feriu Nicolas Paolo Zanella.

Ghost bike em Canasvieiras relembra Hector Cesar Galeano, atropelado por um motorista embriagado no começo do ano. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Cinqüenta e sete ciclistas estiveram presentes nessa homenagem. Moradores do bairro, triatletas e pessoas que usam a bicicleta no dia-a-dia promoveram a homenagem. “Esperamos que as pessoas se conscientizem e que esta seja a última bicicleta-fantasma desta cidade”, falou Audálio Marcos Vieira Júnior.

Mais de cinqüenta ciclistas partem de Canasvieiras. Foto: Guilherme Peres.

A bicicleta-fantasma, toda pintada de branco, foi pendurada num poste na SC-401, a 200m do Trevo de Canasvieiras, sentido centro-bairro, onde Hector foi atingido enquanto pedalava pela ciclofaixa construída com a recente duplicação das pistas da rodovia. No local, também foi pintada no asfalto, no acostamento, uma estrella negra (estrela-negra), simbolizando a vida perdida.

Estrela-negra embranqueia o asfalto da SC-401 em Canasvieiras. Foto: Guilherme Peres.

Inauguração do bicicletário do TICAN

Os ciclistas partiram do Trevo de Canasvieiras e foram rumo ao sul, ocupando a ciclofaixa e o acostamento da região, observando os problemas na obra recém-inaugurada, de forma a serem propositivos e contribuírem para a sua melhoria.

Além da sinalização vertical errônea e deficiente, abrigos de ônibus foram feitos sobre a ciclofaixa e a travessia de algumas das pontes não oferece a menor condição de segurança ao ciclista. A medição com trena indicou que os automóveis não conseguem parar com segurança no acostamento de, no máximo, 1,5m, considerando desnível da pista de rolamento e tachões, obrigando-os a estacionarem sobre a ciclofaixa.

Paradas de ônibus sobre a ciclofaixa obrigam os ciclistas a desviarem de obstáculos. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Os ciclistas passaram sobre o elevado dos Ingleses e, na metade da pedalada, “inauguraram” o novo bicicletário do Terminal de Integração de Canasvieiras, com capacidade para mais 30 bicicletas, com relativa segurança.

Faltou espaço no bicicletário do TICAN. Foto: Guilherme Peres.

Quinta bicicleta-fantasma da Grande Florianópolis

Com mais essas duas, chegam a cinco as bicicletas-fantasmas instaladas na Grande Florianópolis. Destas, 4 foram feitas em homenagem a ciclistas atropelados por motoristas embriagados.

A primeira, na SC-402, em Jurerê, lembra o triatleta Rodrigo Machado Lucianetti, morto em 3 de agosto de 2008. O motorista, Thiago Luiz Stabile, vai a júri popular em sentença publicada mais de três anos após o acidente. Marcelo  Occhialini Godoy, também atropelado, passou por inúmeras cirurgias e ainda sofre com problemas psicológicos decorrentes deste acidente. A boa notícia é que, este ano, deve voltar às atividades físicas.

Bicicleta-fantasma em Jurerê é a única das outras três que está em pé. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Ainda em 2008, em 13 de setembro Rodrigo Wilmar da Costa foi atingido no acostamento na mesma SC-401 onde houve as manifestações da última semana. O motorista, embriagado, com veículo furtado e placas clonadas, foi liberado após pagar fiança de R$2500,00. A bicicleta-fantasma em sua homenagem foi furtada.

Por fim, ainda em 2008, Esaú Roberto de Medeiros foi atropelado por um motociclista às margens da BR-101, em Biguaçu. Sua bicicleta-fantasma, a mesma com a qual pedalava, foi retirada do local por sua família, a pedido do motociclista, visto que Esaú pedalava pela contramão quando foi atingido.

Atropelamento

Por volta das 22h30min do mesmo domingo em que a bicicleta-fantasma de Hector foi erguida, Robson da Silva, 20 anos, foi atropelado na Av. Beira-Mar Norte, próximo à Av. Prof. Othon Gama D’Eça, e foi levado em estado gravíssimo ao Hospital Celso Ramos. Não se tem notícias do seu atual quadro de saúde.

 Fabiano Faga Pacheco

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Audálio Marcos Vieira Júnior
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Saiba mais:

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Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente com o Emílio.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do último acidente no Jornal Notícias do Dia.
Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.
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Charge – Pedalando com segurança na SC-401
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.

Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias

Os manuais internacionais e até mesmo os brasileiros expressam bem que em locais onde a velocidade máxima permitida for superior a 50km/h, a pista ciclável deve ser segregada da via por meio de barreiras físicas contínuas.

As explicações para isso estão, em parte, relacionadas a pesquisas sobre índice de letalidade em acidentes. A 30km/h as chances de uma pessoa sobreviver a um acidente variam de 85% e 95%. Já entre 60km/h e 80km/h, esses índices variam de 30% a 15% apenas.

Mas, ao contrário do que recomendam as normas técnicas nacionais e internacionais, observamos a implantação inadequada de algumas vias ciclísticas em plena capital catarinense, Estado eleito pela quinta vez o melhor destino turístico do Brasil, razão pela qual fica incompreensível o desprezo no tratamento de sua infraestrutura cicloviária.

Na recém-inagurada ciclofaixa da rodovia SC-401, observamos, além de irregularidades legais no que diz respeito ao tratamento de pistas cicláveis nas chamadas “obras de arte” (leia-se: pontes e viadutos), um total desconhecimento de como inserir a bicicleta numa rodovia. O projeto de duplicação da pista, feito pela empresa SOTEPA – Sociedade Técnica de Estudos, Projetos e Assessoria, contém falhas, no mínimo, grosseiras e que, indiscutivelmente, contribuiu para que um ciclista perdesse a vida apenas duas semanas depois da inauguração da obra.

Morador de Canasvieiras, Hector Cesar Galeano, de 54 anos, nascido na Argentina, foi vítima de sua escolha pelo uso da bicicleta, da negligência e falta de contingente da Polícia Militar Rodoviária Estadual em coibir abusos e da execução de um projeto de engenharia pífio que não permitiu a segurança de um ciclista em casos, infelizmente tão comuns, de embriaguez ao volante.

Clique sobre a imagem para ver a matéria do Jornal Notícias do Dia de 5 de janeiro deste ano (pág. 4) ou aqui para ler o conteúdo on line Diário Catarinense.

Infelizmente, a Rodovia das Mortes vai continuar fazendo de ciclistas suas vítimas por ainda mais algum tempo.

Fazenda do Rio Tavares

Recentemente, as ciclofaixas da Fazenda do Rio Tavares e do Campeche têm sido alvos de constantes críticas quanto à atuação da Polícia Militar Rodoviária Estadual, em especial durante as operações de reversão de faixas.

Infelizmente, a presença constante de policiais não inibe situações como a presenciada no vídeo abaixo:

O celta branco não se envergonhou em se utilizar do mísero acostamento, cuja largura também é incompatível com a velocidade da via, outrossim não seguindo padrões tanto nacionais quanto internacionais, e da pequena ciclofaixa, inaugurada oficialmente em 23 de março de 2010, mas que, quase dois anos depois, ainda não foi completada e apresenta inúmeros postes no caminho.

Indignante.

Atualizado em 13 de fevereiro de 2012, às 23h46.

Veja também:

Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.

(Vídeo) Conversas Cruzadas: Ciclovias em Florianópolis

Versão completa do programa Conversas Cruzadas exibido em 8 de dezembro de 2011 na TVCOM SC.

Na mesa, Giselle Pacenko, presidente da Organização Manos do Asfalto, Diogo Carvalho, estudante de Administração Pública na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e criador do blogue No Trajeto, Daniel de Araújo Costa, presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), e Vera Lúcia Gonçalves da Silva, diretora de planejamento do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF).

Veja também:

(Vídeo) Debatendo mobilidade urbana em Florianópolis
(Vídeo) Enrique Peñalosa – Investimentos em calçadas, ciclovias e transporte público melhoraram a mobilidade em Bogotá

Ciclistas de Florianópolis, Itapema e Porto Alegre inconformados

O último mês tem sido extremamente difícil para os ciclistas das cidades catarinenses de Itapema e Florianópolis e da capital gaúcha Porto Alegre. Seguidos acontecimentos na política e nos tribunais contribuíram muito para essa situação.

Florianópolis, SC

Os ciclistas de Florianópolis permanecem indignados. Além de perderem ciclovias durante o ano, vêm obras anunciadas em acabamento sofrível para se pedalar. A ciclovia do Rod. Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, está sendo feita sem respeitar o projeto executivo, com claro prejuízo aos ciclistas. A ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus foi retirada devido a obras de recapeamento e implantação de dutos de saneamento básico e não será reimplementada até o final do ano. Além disso, a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga, no Itacorubi, que está sendo feita pela CELESC e deveria ter ficado pronta em janeiro de 2010, está sofrível a ponto de metade dos ciclistas pedalarem nas ruas. No Campeche, a Polícia Militar Rodoviária Estadual manda os carros estacionarem da ciclofaixa da Av. Pequeno Príncipe e hostiliza os ciclistas que passam pelo trecho nesse período, chegando a gritar “atropela mesmo” aos veículos automotores, sem fornecer opção ao deslocamento por bicicleta, conforme denúncias que chegaram a este blogue.

Como se não bastasse tudo isso, o governo do Estado não está implantando ciclovia na SC-405, no Rio Tavares, mesmo com determinação judicial para isso e, na SC-401, entre Canasvieiras e Ingleses, o acostamento foi dividido para dar lugar a uma ciclofaixa, em total contrasenso e inobediência ao projeto executivo e às normas internacionais. Nessa via, a velocidade máxima, de 80km/h, não é respeitada por 93% dos motoristas, que comumente trafegam a mais de 100km/h, com a anuência da fiscalização da própria Polícia Militar Rodoviária Estadual que põe ciclistas em risco também no sul da Ilha.

Esse é o clima pesado com que se iniarão as comemorações da Bicicletada Floripa de Natal, cuja concentração será na praça de skate em frente ao Shopping Iguatemi, a partir das 18h, com saída prevista para às 19h em ritmo tranqüilo e destino definido na hora pelos participantes. Festeje essa pedalada com sua família, seus amigos e aqueles que você quer que estejam sempre ao seu lado!

As leis de trânsito são respeitadas e, em caso de chuva, a Bicicletada está automaticamente CONFIRMADA.

Itapema, SC

Itapema já foi citada aqui como cidade amiga da bicicleta, justamente pela ciclofaixa da Avenida Nereu Ramos. Pois bem, a ciclofaixa de parte dessta rua foi retirada num projeto urbanístico que não se pode chamar de pífio, mas que certamente contém equívocos importantes que, a médio prazo, prejudicarão o trânsito da cidade e não vai resolver o problema de mobilidade dela, como já se poderá observar nesta temporada de verão. A ciclofaixa foi retirada para abertura de nova pista de automóveis, mantendo-se vagas de estacionamento e criando-se um corredor para ônibus, táxis, veículos de emergência e motocicletas. Os ciclistas podem utilizar-se, nesse trecho, de ciclofaixa do Parque Calçadão, à beira-mar.

Em outras palavras, Itapema, sem dúvida, deu um passo na contramão da história. Rebaixou a bicicleta de veículo de deslocamento para brinquedo de lazer, dificultando e tornando perigoso o trânsito de bicicletas em plena área comercial e de serviços da cidade. Deve-se salientar, também, que a audiência pública que definiu essas alterações não contou com presença participativa de ciclistas e que a decisão da prefeitura não se baseia em sólido estudo técnico, uma vez que são desconhecidos os números de veículos automotores e de transporte ativo que transitam na cidade nesse trecho e nem se conhecem os impactos que essas alterações trarão às vias adjacentes.

Se bem fiscalizadas, essas alterações ainda deixarão Itapema à frente da maioria das cidades catarinenses em termos de mobilidade, mas ainda assim se constitui num retrocesso em termos de política pública. O ideal era que a implantação da pista exclusiva para ônibus e veículos oficiais e coletivos ocorrer no leito carroçável, utilizando-se, para isto, uma das pistas utilizadas pelos veículos automotores.

Saiba mais:

População de Itapema decide mudanças na Avenida Nereu Ramos

Porto Alegre, RS

Parece piada, mas não é! Mais uma dessas pérolas surgiuvinda direta do caso do bancário Ricardo José Neis, que atropelou e feriu ao menos 16 ciclistas durante a Bicicletada de Porto Alegre, num ato que provocou manifestaçõesem prol das vítimas em vários países.

O promotor de justiça Fábio Roque Sbardellotto, do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, enviou o seguinte ofício abaixo em que escreveu:

Senhor Comandante:
Com a honra de cumprimentá-lo, e com o escopo de instruir o Inquérito Civil supra, instaurado para “investigar potencial infração a ordem urbanística em razão de irregularidades nos eventos organizados pelo grupo de ciclistas Massa Crítica, nesta Capital”, solicito que informe, no prazo de 30 dias, o nome de todos os componentes do grupo e do representante, se houver, bem como indique de que maneira o grupo atua e comprove, conforme preceitua o artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, a prévia comunicação às autoridades competentes antes da realização dos encontros, com a indicação de trajetos, para possibilitar a organização do trânsito local.”

Oras, para bom entendido, o desconhecimento de causa do promotor chega a provocar risos. A começar pelo fato de que não existe um grupo de ciclistas chamado Massa Crítica, que é uma coincidência rizomática. Não existe necessidade de comunicação às autoridades, ao contrário do que afirma o juiz, e nem representantes e nem componentes de grupo, até pelo fato de não haver grupo.

Os motoristas saindo de seus trabalhos ou residências, inúmeros ao mesmo tempo, por uma coincidência da organização econômica e social vigente não precisam avisar às autoridades que ajudarão a provocar congestionamentos no trânsito. As “autoridades competentes” já sabem disso! Quando vizinhos vão a uma mesma festa, ou os torcedores saem dos estádios de futebol, não comunicam sua saída. Simplesmente o fazem. Que sentido faria, então, os ciclistas comunicarem que vão se deslocar pelas ruas da cidade, por ventura com outros ciclistas? Nenhum!

Enquanto isso, Ricardo Neis segue livre em sua casa. O seu processo deve acabar em júri popular.

Os ciclistas, como não poderia deixar de ser, aproveitaram-se das palavras do promotor para inspirarem-se no tema da Bicicletada de dezembro, que deve ocorrer nesta sexta-feira.

A concentração ocorrerá no Largo Zumbi dos Palmares, a partir das 18h30. A saída será às 19h, aproximadamente, em destino que qualquer um pode escolher na hora.

Saiba mais:

AI-5 de novo? MP investiga a Massa Crítica de Porto Alegre

SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, em 18 de janeiro de 2011 (pág. 3). Você pode também ler a matéria em .pdf: {capa} {pág.3}.

Risco do trânsito no acostamento

SC-401. Liberação para automóveis tira espaço de pedestres e ciclistas

Devido ao grande fluxo de automóveis na temporada, o acostamento da SC-401 foi liberado ao tráfego. Ciclistas e pedestres ficaram sem espaço. Apesar do Código de Trânsito proteger o ciclista, a polícia diz que a prioridade é o veículo.

SC-401. Liberação do acostamento da rodovia obriga ciclistas a trafegar em meio aos veículos.

FLORIANÓPOLIS – Utilizar bicicleta como meio de transporte na Capital nunca foi fácil, pois muitas ciclovias não são interligadas e grande parte dos motoristas não respeita os ciclistas. Com o início da temporada, a situação piorou. Além da quantidade de veículos ter aumentado e da postura das pessoas ter se tornado mais descompromissado, o acostamento do trecho não duplicado da SC-401, usado como alternativa por quem pedala na estrada, que liga o Norte da Ilha e o Centro, foi liberado para o trânsito nos horários em que o movimento se intensifica.

O analista de sistemas Audálio Vieira Júnior, de 37 anos, é um dos ciclistas que passam pelo local diariamente. Morador dos Ingleses, ele sai de casa toda manhã às 6h40 e chega ao trabalho, no Itacorubi, às 7h40, tendo 20 minutos para guardar a bike, apelidada de guerreira, e tomar um banho no vestiário antes do expediente. Às 17h, ele faz o caminho inverso.

A rotina, desenvolvida devido à insatisfação com o transporte público e à necessidade de praticar exercício físico, já dura dois anos e não é quebrada nem por chuva ou frio. A alteração na SC-401 não o fez desistir de usar a bicicleta para ir trabalhar, mas o deixou apreensivo. “O acostamento não é seguro, mas é o que existe. Sem isso, ficamos muito mais expostos a acidentes”, reclama. Segundo o Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), a construção de ciclovias ao longo de toda a SC-401 está prevista no projeto de duplicação da via. No entanto, como o governador Raimundo Colombo suspendeu todo os planos estaduais por 120 dias para revê-los, pode haver modificações no projeto.

Hoje, a Capital tem cerca de 40 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. O vice-prefeito e secretário Municipal de Transportes, João Batista Nunes, diz que a intenção é aumentar esse número para 80 quilômetros até 2013.

Acostamento livre para carros até março

De acordo com o sargento da Polícia Rodoviária Estadual Rafael Nicoleit, a situação não deve mudar até o fim da temporada. “O pessoal precisa entender a questão da fluidez do trânsito. Não podemos privilegiar poucos ciclistas em detrimento de milhares que se locomovem com carros”, afirma.

Não podemos privilegiar poucos ciclistas em detrimento de milhares que se locomovem com carros
Rafael Nicoleit,

sargento da Polícia Rodoviária Estadual

O presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis, Daniel de Araújo Costa, rebate. “Eles estão privilegiando pessoas que andam sozinhas de carro em detrimento de um monte de pedestres e ciclistas que circulam naquela região.”

Audálio Júnior. Trajeto perigoso. Foto: Fernando Mendes/ND.

Ciclovias e ciclofaixas
Hoje, a Capital tem cerca de 40 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. A prefeitura pretende aumentar este número para 80 quilômetros até 2013.

Anita Martins

Propaganda saudável

Essa veio da lista de e-mail do Duas Rodas.

Em Canasvieiras, no norte da Ilha de Santa Catarina, um comerciante trocou sua poluidora motocicleta e passou a fazer propaganda de seu estabelecimento  com uma espécie de “bike sonora”. Na caixa sobre o bagageiro, alto-falantes movidos a bateria para divulgar o empreendimento, que tem o sugestivo nome de Cia da Saúde.

Com a opção, ele passou a se exercitar e poupou o nosso ar, o meio ambiente e ainda economizou uma graninha. Na foto abaixo é o próprio comerciante que se encontra no selim.

Em Canasvieiras, comerciante trocou a moto pela bicicleta. Foto: Alexandre Francisco Souza.

Em Canasvieiras, comerciante trocou a moto pela bicicleta. Foto: Alexandre Francisco Souza.

Novas ciclovias em Florianópolis

A reportagem abaixo já é meio antiga. Ela é da edição de junho de 2008 do jornal universitário Zero. A matéria pode ser vista também em .pdf aqui ou aqui.

Zero junho 2008

Florianópolis ganha novas ciclovias

Embora promova maior segurança para ciclistas e motoristas, transtorno provocado pelas obras gera discussões

O projeto Florianópolis – cidade amiga da bicicleta, lançado em 2007 pela prefeitura municipal, está provocando divergências. O pacote de obras prevê a construção de oito ciclovias em pontos distintos da cidade, totalizando 18.360 metros de extensão, quase o dobro da área existente hoje. Todas as obras já estão em execução e o transtorno causado é inevitável: bloqueio temporário das vias e congestionamento.

Alguns moradores e motoristas que circulam pelas áreas beneficiadas com as ciclovias não aprovam os problemas decorrentes. “Me diga, para que esse transtorno todo? Eu não vou abdicar do meu direito de sair de carro para ir a qualquer lugar! Suar numa bicicleta para ir ao trabalho… Nem morto!”, disse um motorista de um Renault Clio prata sobre a faixa exclusiva para ciclistas em construção na rua Delminda Silveira, no bairro Agronômica.

A opinião do condutor ilustra bem um dos obstáculos enfrentados pelo projeto: a resistência que muitas pessoas têm em relação ao uso da bicicleta como meio de transporte urbano e diário. Para tentar amenizar essa situação, a prefeitura já iniciou a distribuição de panfletos, nas regiões próximas às obras, para orientar e alertar motoristas, ciclistas e pedestres sobre os benefícios do uso da bicicleta para o trânsito, meio-ambiente e a própria saúde dos condutores.

Mas não são apenas as pessoas que não utilizam as ciclovias que têm queixas sobre as obras. Vários ciclistas reclamam que elas estão sendo construídas em locais errados, como Antônio Carlos Silveira, morador da região do Campeche, que terá acesso por uma ciclovia construída em todo o percurso da avenida Pequeno Príncipe. “Para chegar em casa, eu tenho que pegar a Gramal (rua que cruza a Pequeno Príncipe). Lá os carros andam em alta velocidade, mesmo com as lombadas, além de a rua ser estreita, fazendo com que os carros passem muito próximos da guia, por isso é grande o risco pra quem quer pedalar por lá”, conta Silveira.

O pacote do IPUF prevê 18.360 metros de vias para bicicletas

A arquiteta do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), Vera Lúcia Gonçalves, explica que em algumas ruas, como a Gramal, é impossível construir faixas exclusivas devido ao espaço. Os critérios avaliados para decidir que vias receberão as ciclovias consideram basicamente o fluxo de pessoas e de veículos motorizados que circulam pelo trecho diariamente, a velocidade média registrada e o espaço disponível para a adaptação, que muitas vezes é insuficiente para a execução da obra.

Apesar de não agradar a todos, Milton Della Giustina, presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (Via Ciclo) e ex-ciclista profissional, acredita que as ciclovias em construção são o primeiro passo para a massificação do uso da bicicleta e o começo de uma conscientização da população sobre o que é o trânsito. “Os motoristas têm que entender que quanto mais espaço deixarem para os ciclistas, mais espaço sobrará para eles, e isso também diminuirá o trânsito”, diz Giustina, que também destaca a bicicleta como meio de transporte ecologicamente correto e mais saudável.

Movimentos sociais

A construção das faixas exclusivas é apenas parte de um projeto que objetiva criar uma malha cicloviária consistente, eficiente e segura. Para atingir essa meta são necessárias medidas que vão muito além das obras da prefeitura. Convencer as pessoas de que andar de bicicleta é viável requer uma série de alterações no ambiente urbano: infra-estrutura adequada, maior segurança no trânsito e conscientização dos condutores de veículos automotores – que devem entender que os ciclistas têm o mesmo direito de utilização das vias e são beneficiados pelas leis de trânsito.

Na capital de Santa Catarina, a ausência de ciclovias em ruas de grande movimento obriga motoristas e ciclistas a disputarem espaço no trânsito. Apenas a construção de faixas exclusivas para bicicletas não resolve o problema. Foto: Thiago Prado Neris.

Na capital de Santa Catarina, a ausência de ciclovias em ruas de grande movimento obriga motoristas e ciclistas a disputarem espaço no trânsito. Apenas a construção de faixas exclusivas para bicicletas não resolve o problema. Foto: Thiago Prado Neris.

Para tentar resolver esses problemas, surgiram movimentos sociais para pressionar a sociedade e a administração pública a favor de um transporte que facilite a mobilidade e o acesso aos mais diversos locais respeitando as necessidades dos moradores e a conservação ambiental. Em Florianópolis, grupos de moradores participam das discussões sobre o Plano Diretor que definirá as diretrizes para o crescimento urbano da capital.

Um dos mais ativos é formado pelos representantes dos bairros que compõem a Bacia do Itacorubi: Itacorubi, Trindade, Santa Mônica, Córrego Grande e Pantanal. Em documento encaminhado à administração municipal pelas lideranças das comunidades – em média, 30 pessoas -, fica clara a preferência às bicicletas como meio de transporte mais acessível e cômodo para a região.

Um Plano Diretor que priorize a bicicleta e o transporte público também pode reduzir os gastos com obras de duplicação de vias e construção de elevados, muito mais altos do que os recursos que seriam destinados à adaptação de uma região às ciclofaixas, cujo custo fica em média em R$ 100 mil por quilômetro em vias já existentes, e em torno de R$ 150 mil em terreno nu. É possível construir dez quilômetros de ciclovias com o valor gasto em um de capeamento asfáltico.

Outra proposta do grupo é o movimento Estaciona e Pega Ônibus (Epô). A idéia é que os terminais de ônibus sejam interligados com bolsões de estacionamento em lugares estratégicos, como o desativado Terminal de Integração do Saco dos Limões (TISAC) e o mal aproveitado estacionamento do Centro de Integração e Cultura (CIC). Os bolsões próximos aos terminais seriam um incentivo aos condutores de carros e motocicletas para que parem seus veículos e peguem um ônibus para percorrer as distâncias mais longas.

Os bolsões de estacionamento já existem em países como a Holanda e a Inglaterra, que adotaram medidas para priorizar o uso da bicicleta e do transporte público. No Brasil, Curitiba também executou o projeto e é a campeã brasileira de quilometragem exclusiva para os ciclistas: 122 quilômetros. Além disso, a prefeitura de Curitiba planeja implantar um sistema de aluguel de bicicletas, como o que já é utilizado em Paris, por exemplo.

Cauê Azevedo

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