Nous sommes Charlie Hebdo

Nós temos opções perante a diferença.

Podemos dialogar com ela.

Podemos integrar as opiniões contrárias.

Podemos buscar um consenso.

Podemos, em casos inconciliáveis, respeitar a existência da diferença.

E respeitar a existência do outro.

O que se viu na França nesta quinta-feira, 7 de janeiro, foi uma das mais cruéis demonstrações de ódio que pode ocorrer.

Foi uma exemplificação do desejo pela não existência do outro.

Como se o outro não pudesse existir, com suas opiniões divergentes.

As sátiras de Charlie Hebdo não poupavam nada. Valores ocidentais, cristãos, islâmicos. Nada.

Mas era ela uma publicação que manifestava idéias de uma minoria, assim como este blogue quando surgiu.

Particularmente, não acredito em limites para o humor.

Uma piada pode ter graça ou não tê-la.

Os cartuns de Charlie tinham muita graça para uns e muito pouca graça para outros.

Mas Charlie, com sua arma-caneta, não tirava o direito dos outros em existir.

O atentado de hoje não teve graça alguma – ao menos, para ninguém que preze pela existência da vida alheia, com sua variedade de formas, crenças e pensamentos.

Os tiros de hoje não tiveram graça.

Pensando bem, talvez haja sim um limite para o humor: que ele não tire a preciosidade da vida.

Visto sob esta ótica, o humor de Charlie Hebdo era superior ao não-humor das balas na carne humana que hoje atravessaram os ares de sua redação;

O atentado não é suficiente para calar a voz de quem diferente pensa.

Pode amedrontar, mas não emudecer.

O efeito, provavelmente, será ainda o contrário do esperado: mais canetas cortarão o ar em desenhos repletos de opiniões.

A mera caneta de Charlie é mais poderosa do que as armas que lhe tentaram calar.

Porque, metaforicamente, nesta quinta-feira, todos somos Charlie Hedbo.

charlie hebdo

Saiba mais no Le Monde:

Attentat contre « Charlie Hebdo » : Charb, Cabu, Wolinski et les autres, assassinés dans leur rédaction

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