Recursos para ciclovias em Florianópolis são usados para outros fins

Conteúdo Especial - Bicicleta na RuaApenas na segunda gestão de Dario Berger, quase R$ 15 milhões que iriam para obras cicloviárias foram usados para outras funções

Foi publicado no Diário Oficial de Florianópolis, no dia 19 de julho, o Decreto nº 11.878, que realoca recursos do orçamento para obras em Florianópolis. E alguns desses recursos dizem respeito ao interesse dos ciclistas do município.

Para a “construção e reforma de calçadas e ciclovias”, por exemplo, foram anulados recursos da importância de R$ 600 mil. Não estão especificados os locais diretamente afetados.

Já é a terceira vez que recursos são retirados para projetos e obras cicloviárias em 2013. Em março deste ano, o Decreto nº 11.310 já havia anulado R$ 500 mil e, em junho, o Decreto nº 11.639havia realocado R$ 6 mil de “divulgação e campanha educativa para o uso da bicicleta” e outros R$ 4 mil de “Micro-Rede Cicloviária” para outras ações. Em compensação, em fevereiro, foram destinados R$ 160 mil reais em recursos próprios para as obras da ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição, atualmente em construção.

Não é a primeira vez que o município anula orçamento para obras em passeios e ciclovias. Em 2010, o então prefeito Dario Elias Berger (PMDB), por meio do Decreto nº 8.241, destinou R$ 2 milhões inicialmente previstos para ciclovias para a Operação Tapete Preto/Cinza, projeto de asfaltamento e pavimentação de ruas. Para piorar, nenhuma das obras em novas ruas cumpriu a Lei Complementar Municipal nº 78, que afirma:

Art. 7º Nas novas vias públicas deverá ser implantado sistema cicloviário, conforme estudo prévio de viabilidade física e sócio-econômica, sendo considerado no mínimo a implantação de faixa compartilhada devidamente sinalizada. […]

Art. 8° Os projetos e os serviços de reforma para alargamento, estreitamento e retificação do sistema viário existente a data desta Lei, contemplarão a implantação de sistema cicloviário conforme estudo prévio de viabilidade física e sócio-econômica, sendo considerado no mínimo a implantação de faixa-compartilhada devidamente sinalizada.

Se a mudança de recursos de ciclovias para o Tapete Preto foi algo bastante comum, há casos mais graves. Em 2007, foram retirados R$ 420 mil de projetos de ciclovias e calçadas para a realização do Carnaval do ano seguinte, por exemplo. Outros casos são igualmente emblemáticos. Em 2011, R$ 1 milhão da revitalização das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego, nos bairros Agronômica e Centro, nas quais estavam previstas ciclofaixas, foram alocados no projeto da Rodovia Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha. Acontece que, durante a execução das obras, houve mudanças profundas na revitalização desta última e a ciclovia prevista não foi feita, transformando-se num suposto passeio compartilhado sem sinalização, que acabou virando local irregular de estacionamento de automóveis.

A importância de determinados projetos para a administração municipal ficou evidente na realocação de recursos. Em 2011, um decreto destinou recursos de ciclovias para a construção do elevado do Trevo da Seta. Além disso, no mesmo ano, outros R$ 2 milhões da revitalização da Rodovia João Gualberto Soares, tão esperada desde 2008 pelos moradores do Rio Vermelho, acabaram indo para a construção do elevado do Rita Maria.

Trocando em miúdos, a política municipal de mobilidade urbana, expressa pela vontade do prefeito em exercício, desqualificou projetos cicloviários em prol de projetos que visavam ao estímulo do uso do automóvel particular. Não à toa os congestionamentos se agravaram neste mesmo período.

Um levantamento exclusivo mostra como os decretos do chefe do poder executivo municipal realocaram recursos que dizem respeito à política cicloviária municipal a partir de 2007. Estão contabilizados os gastos previstos para “Construção e Reforma de Calçadas e Ciclovias”, “Construção e Recuperação de Calçadas, Praça, Jardins e Ciclovias”, além de recursos destinados à microrrede cicloviária, ao Plano Cicloviário de Florianópolis e a “Divulgação e Campanha Educativa para o uso da Bicicleta”. Também estão contabilizados projetos que envolvem a construção de ciclovias e ciclofaixas, como o caso das revitalizações das ruas Bocaiúva, Frei Caneca, Trompowsky, Almirante Lamego, Ver. Osni Ortiga e Rod. João Gualberto Soares. Não estão contados recursos para a R. Dep. Antônio Edu Vieira, nem a projetos que inicialmente previam ciclovias mas que acabaram sem tê-las, como ocorreu com as rodovias Baldicero Filomeno e Haroldo Soares Glavan. Foi tomado o cuidado para não incluir alguns projetos que se mostraram exclusivos de recapeamento. Confira abaixo os valores

2007

Decreto nº 4.703 – destina R$ 100.000,00
Decreto nº 4.879 – destina R$ 500.000,00
Decreto nº 5.056 – destina R$ 2.600.000,00, sendo R$ 1 milhão do Ministério das Cidades
Decreto nº 5.363 – anula R$ 420.000,00
Decreto nº 5.414 – anula R$ 70.000,00
Decreto nº 5.437 – anula R$ 70.000,00

Total:
Destinados R$ 3,2 milhões
Anulados R$ 560 mil
Saldo R$ 2 milhões e 640 mil

2008

Decreto nº 5.557 – destina R$ 200.000,00 e anula R$ 200.000,00
Decreto nº 5.612 – anula R$ 400.000,00 em recursos da CAF (Cooperação Andina de Fomento)
Decreto nº 5.677 – anula R$ 44.900,00 para ciclovia em Coqueiros
Decreto nº 5.740 – destina R$ 350.000,00
Decreto nº 5.959 – destina R$ 500.000,00
Decreto nº 6.056 – destina R$ 500.000,00
Decreto nº 6.156 – destina R$ 60.000,00 para o continente
Decreto nº 6.230 – destina R$ 40.000,00
Decreto nº 6.311 – anula R$ 20.000,00 para ciclovia na Vargem Grande
Decreto nº 6.339 – anula R$ 320.000,00
Decreto nº 6.388 – anula R$ 79.000,00
Decreto nº 6.389 – anula R$ 40.000,00 do Plano Cicloviário de Florianópolis

Total:
Destinados
R$ 1,65 milhão
Anulados R$ 1 milhão e 103,9 mil
Saldo R$ 546,1 mil

2009

Decreto nº 6.468 – anula R$ 80.000,00 de ciclovia na orla continental
Decreto nº 6.551 – destina R$ 635.000,00 e anula R$ 135.000,00
Decreto nº 7.055 – destina R$ 270.000,00
Decreto nº 7.144 – anula R$ 13.000,00 do Plano Cicloviário de Florianópolis
Decreto nº 7.158 – anula R$ 13.500,00
Decreto nº 7.445 – anula R$ 300.000,00
Decreto nº 7.494 – anula R$ 1.400.000,00
Decreto nº 7.555 – anula R$ 200.000,00
Decreto nº 7.563 – anula R$ 65.000,00
Decreto nº 7.590 – destina R$ 200.000,00
Decreto nº 7.593 – anula R$ 1.000.000,00 de convênio com o BADESC
Decreto nº 7.626 – anula R$ 1.500,00 do Plano Cicloviário de Florianópolis
Decreto nº 7.684 – anula R$ 125.000,00, sendo R$ 95 mil de ciclovia na orla continental
Decreto nº 7.786 – destina R$ 500.000,00 de convênio com o BADESC
Decreto nº 7.827 – anula R$ 240.000,00
Decreto nº 7.967 – anula R$ 1.400.000,00 de convênio com o Governo do Estado

Total:
Destinados
R$ 1,605 milhão
Anulados R$ 4,973 milhões
Saldo R$ 3 milhões e 368 mil negativos

2010

Decreto nº 8.006 – anula R$ 700.000,00
Decreto nº 8.107 – anula R$ 900.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego
Decreto nº 8.119 – anula R$ 200.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga
Decreto nº 8.226 – destina R$ 60.000,00, e anula R$ 19.990,00 de ciclovia na orla continental
Decreto nº 8.241 – anula R$ 1.000.000,00, e outros R$ 500.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego e R$ 500.000,00 da Trompowsky, de convênio com o BADESC
Decreto nº 8.459 – anula R$ 100.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego e R$300.000,00 da Trompowsky
Decreto nº 8.514 – anula R$ 2.000.000,00
Decreto nº 8.520 – anula R$ 50.000,00 da avenida Trompowsky
Decreto nº 8.523 – anula R$ 200.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga
Decreto nº 8.527 – anula R$ 100.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga e R$ 500.000,00 da João Gualberto Soares
Decreto nº 8.612 – anula R$ 6.800,00
Decreto nº 8.637 – anula R$ 54.000,00 da microrrede cicloviária e R$ 5.000,00 de campanha educativa

Total:
Destinados R$ 60 mil
Anulados R$ 7 milhões e 76,79 mil
Saldo R$ 7 milhões e 16,79 mil negativos

2011

Decreto nº 8.699 – anula R$ 1.000.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego, de convênio com o BADESC
Decreto nº 8.769 – anula R$ 200.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego, de convênio com o Governo do Estado
Decreto nº 8.796 – anula R$ 90.000,00
Decreto nº 8.838 – anula R$ 2.000.000,00 da João Gualberto Soares, de convênio com o BADESC
Decreto nº 8.850 – destina R$ 115.000,00, e anula R$ 5.000,00 de ciclovia na orla continental
Decreto nº 9.355 – anula R$ 36.000,00

Total:
Destinados R$ 115 mil
Anulados R$ 2 milhões e 331 mil
Saldo R$ 2 milhões e 216 mil negativos

2012

Decreto nº 9.836 – anula R$ 200.000,00
Decreto nº 10.022 – anula R$ 150.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga
Decreto nº 10.035 – anula R$ 25.000,00 da microrrede cicloviária e R$ 1.000,00 de campanha educativa
Decreto nº 10.097 – anula R$ 120.000,00
Decreto nº 10.171 – anula R$ 333.450,00 da João Gualberto Soares, de convênio com a CASAN
Decreto nº 10.339 – anula R$ 800.000,00
Decreto nº 10.382 – anula R$ 450.000,00
Decreto nº 10.478 – destina R$ 1.750.000,00 para a ciclovia da Osni Ortiga, por meio dos Convênios Nº 8071/2012 e Nº 9604/2012
Decreto nº 10.526 – anula R$ 24.000,00
Decreto nº 10.624 – anula R$ 500.000,00
Decreto nº 10.628 – anula R$ 380.000,00, e outros R$ 350.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego
Decreto nº 10.651 – anula R$ 350.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga e R$ 250.000,00 da Trompowsky

Total:
Destinados R$ 1,75 milhão
Anulados R$ 3 milhões 933,45 mil
Saldo R$ 2 milhões e 183,45 mil negativos

No total, desde 2007, ao menos R$ 9.490.000,00 foram incluídos por decreto em projetos cicloviários e R$20.138.140,00 foram anulados para essa finalidade. Ou seja, ao todo, mais de R$ 10,5 milhões previstos para obras que englobavam melhoramento em ciclovias e passeios saíram de suas previsões no orçamento municipal com destino a outras ações nos últimos seis anos e meio. O período mais crítico foi durante a segunda gestão de Dario Berger. Entre 2009 e 2012, R$ 3.530.000,00 do orçamento entravam para projetos cicloviários, enquanto outros R$ 18.314.240,00 foram retirados. Apenas nesses quatro anos, quase R$ 14,8 milhões deixaram de ser investidos em ciclovias.

A maior parte desse trânsito de dinheiro ocorreu em orçamentos relativos à Secretaria Municipal de Obras, o que mostra o caráter fundamental que esse órgão teve – ou deveria ter tido – para a construção de pistas cicláveis em Florianópolis. Outros órgãos tiveram bem menos destaque na realocação de recursos, como foi o caso da Secretaria Municipal do Continente e do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), sendo que este último teve apenas verbas cortadas, nenhuma acrescida.

É importante notar como essa maneira de gestão retirou o caráter fundamental do planejamento urbano, que foi notadamente sabotado ao longo da gestão de Dario Berger. A ausência de recursos para se planejar pode ter sido de fundamental importância para a não-destinação de verbas para obras fundamentais de mobilidade urbana por bicicleta.

Os decretos são uma forma de o chefe do poder executivo deliberar sobre questões que são de sua alçada. E a mudança na aplicação de recursos lhe foi respaldada pela legislação municipal, com a aprovação pela Câmara de Vereadores de dispositivos que autorizam essa realocação de recursos pelo prefeito.

As formas pelas quais ocorreram o sumiço de verbas em torno da bicicleta, nos últimos anos, entretanto, demonstram justamente que a cidade viveu no improviso, completamente sentida pela ausência do planejar. Obras discutidas nas comunidades que poderiam ter saído em questão de meses passaram anos sem se fazer serem notadas, justamente por dispositivos legais como esses.

Os dados referentes a esse levantamento não levam em consideração o total de recursos previstos quando da formulação do orçamento municipal e tampouco quanto ao que foi de fato efetivamente aplicado, mas demonstram como as modificações no orçamento feitas pelo prefeito afetaram negativamente a segurança de ciclistas e pedestres ao longo dos últimos anos em nossa cidade.

Com os mais de R$ 10 milhões retirados do orçamento, a cidade poderia não estar hoje defasada em 40km de pistas cicláveis, número que só se fez aumentar nesse período.

Agora, com novo governo, resta ainda saber se a demanda reprimida de ciclistas, que gira em torno de 70% a 74% da população florianopolitana, vai ver novamente o desvio sistemático de recursos que iriam para a segurança do pedalar sendo utilizados para outras finalidades.

Guarda Municipal está multando veículos estacionados sobre as novas ciclofaixas de Florianópolis

A matéria abaixo foi originalmente publicada na versão on line do Jornal Notícias do Dia, em 27 de dezembro de 2012, às 16h31. Consta também do jornal impresso, edição de Florianópolis, no dia 28 de dezembro (págs. 5 e 24). Você também pode lê-la matéria no site do ND aqui. A versão abaixo é um misto de ambas.

 Motoristas estacionam e circulam em locais exclusivos para os ciclistas

Invasão nas ciclofaixas. Ciclistas precisam desviar de carros e caminhões na via que deveria ser livre para o fluxo de bicicletas.

Quem usa a bicicleta como meio de transporte em Florianópolis precisa estar sempre atento aos veículos que circulam pelas avenidas e a falta de cuidado e distância necessária dos motoristas. Porém em alguns pontos, mesmo havendo ciclofaixa, quem pedala não está seguro e precisa muitas vezes desviar de carros caminhões e até disputar espaço no local que deveria ser exclusivo a ciclistas com motociclistas.

Andando pelo Centro da Capital em poucos minutos é possível observar o desrespeito em diversas ruas. As vias com muitos prédios e estabelecimentos comerciais são as mais desafiadoras aos ciclistas. Na rua Frei Caneca, a equipe do Notícias do Dia flagrou um caminhão estacionado em cima da ciclofaixa.

O motorista Jó Nakao, que é funcionário de uma transportadora, estava dentro do veículo e com o pisca alerta ligado. “Precisamos fazer carga e descarga e mudanças, mas aqui é impossível estacionar. Se fico do outro lado os ônibus quase batem na gente e nos prédios ou não tem espaço para caminhão ou não deixam entrar, infelizmente é nossa única opção”, justificou.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

Cerca de 500 metros à frente, outro flagrante. Um carro de uma empresa prestadora de serviços estacionado em frente a outro prédio, em cima da ciclofaixa. As justificativas são as mesmas: falta de local para carga e descarga ou o famoso “é só um minutinho”.

Porém, de acordo com a subcomandante da guarda municipal Maryanne Mattos, não há desculpa que justifique a infração. Segundo ela estar dentro do veículo com pisca alerta ligado e sair logo que é alertado não impede o registro da infração e aplicação da multa, que é de R$ 127,69. Para os veículos de carga, quando não há local livre para estacionamento, é possível pedir autorização ao IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) para estacionar em data e horário específico.

Ciclistas pedem mais fiscalização e consciência dos motoristas

Rosana Klotz Glienke é moradora do Centro e há poucos meses deixou de usar a bicicleta como meio de transporte por causa da insegurança. Ela costumava levava as filhas para escola de bicicleta, mas agora só usa para passeio. Ontem ela seguia com as filhas Sandy e Giulia e a amiga Jessica, pela ciclofaixa, mas estava indo em direção à Beira-mar, onde não precisam desviar de carros, ônibus nem caminhões. O marido dela ia trabalhar diariamente de bicicleta, mas desistiu depois de quase ser atropelado por duas vezes. “O medo nos fez mudar de hábito e infelizmente voltamos para o carro. Precisa fiscalização e multa, mas principalmente consciência das pessoas. Com o desrespeito que há, hoje andamos só para curtir e passear”.

José Carlos Ferreira Junior trabalha como entregador de compras de um supermercado da região Central e, enquanto se deslocava até a casa de um cliente na rua Duarte Schutel, Centro, precisou desviar três vezes de carros e caminhões parados sobre a ciclofaixa. Ele conta que por sorte nunca se acidentou, mas já viu outros colegas machucados e até a bicicleta precisou ser trocada por acidentes provocados pela falta de respeito de motoristas à faixa destinada aos ciclistas.

A empresa instalou até uma buzina no guidão da bicicleta para chamar a atenção quando necessário. “É complicado, tem muita entrada e saída de veículos transversais à faixa. Não sei adianta, mas talvez colocar mais sinalização e fiscalizar mais poderia ajudar. Mas percebo que quando a polícia vem os motoristas saem mas logo voltam”, lamentou.

Segundo Maryanne em apenas um período do dia fazendo ronda no Centro da Capital os guardas flagram mais de dez infrações deste tipo, a maioria em locais de comércio e no período da noite em ruas onde há bares. “A gente pede pra retirar e multa, e os motoristas reclamam dizendo que é falta de bom senso porque já estão retirando o veículo. Mas eles é que não tiveram bom senso na hora de parar ali”, afirmou.

Saiba Mais:
De acordo com o inciso VIII do artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro, estacionar veículo no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público é infração grave. A penalidade é multa de R$127,68 e cinco pontos na CNH. A medida administrativa que deve ser aplicada é a remoção do veículo.

Letícia Mathias

Trabalhadores em Bicicletada

Vai acontecer nesta sexta-feira, 27 de abril, com concentração na pista de skate da Trindade a partir das 18h e saída em torno das 20h, mais uma edição da Bicicletada de Florianópolis!

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A Bicicletada ocorrerá em percurso decidido na hora pelos participantes e a pedalada será em ritmo leve, propício para a família. E mais uma vez ela será temática, antecipando o Dia do Trabalhador, mostrando que ciclista também contribui – e muito! – para a economia!

Arte: Tina Merz

Novos e velhos problemas

O mês de abril veio e trouxe com ele tristes novidades para os ciclistas da cidade. Se o recapeamento da Rua Frei Caneca foi verificado na última edição da Bicicletada, a ciclofaixa que existia por ali sumiu e está para ser feita com dimensões ainda menores!

Enquanto o Projeto Rotas Inteligentes, em sua Rota 43, prevê a ciclofaixa com 1,80m e, seguindo lei municipal, pintada na cor vermelha, deixando ainda pista para circulação de ônibus à direita com 3,10m de largura, o que está para sair está invertendo a largura da pista para ônibus com a de automóveis, além de diminuir a ciclofaixa e não pintá-la de vermelho.

De modo semelhante, a ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus não foi refeita após mais de 6 meses do recapeamento da Av. Luiz Boiteux Piazza, que se seguiu à implantação do esgotamento sanitário.

Outros dois fatos marcaram um abril de reclamações ciclísticas: a ausência de bicicletário no Centro Administrativo estadual, no bairro Saco Grande, e a piora considerável na capa asfáltica da ciclofaixa da Fazenda do Rio Tavares, que foi inaugurada há dois anos e ainda hoje apresenta postes no caminho dos ciclistas.

Buraco na ciclofaixa da Fazenda do Rio Tavares, próximo ao terminal de ônibus TIRIO. Foto: Thaís Suzana Schadech.

Desrespeito desterrense eternizado na internet

O Google Street View disponibiliza, desde o dia 27 de setembro, imagens de ruas de cidades catarinenses. Desde esse dia, Florianópolis, Lages, Rio do Sul, Joinville, São Bento do Sul e Jaraguá do Sul podem ser visualizadas com essa ferramenta.

Para saber mais sobre como utilizar o GSV, clique aqui.

O legal do Google Street View é que você pode, sem sair de casa, observar os arredores de um lugar que você vá visitar. É ótimo, também, para conhecer a infraestrutura ao redor de um hotel ou pousada que você pretende ficar durante uma viagem. Ou ainda percorrer um itinerário sabendo as cenas que você vai ver em seus lados esquerdo e direito.

Em Florianópolis, percorrendo o trecho das ciclofaixas da Agronômica (R. Frei Caneca e R. Rui Barbosa) e da R. Bocaiúva, utilizando dos recursos do Google Street View, podemos perceber que algumas cenas que os ciclistas enfrentam no seu dia-a-dia foram captadas pelas câmeras do carrinho do Google.

Cenas essas que, por maior fiscalização do Poder Público, poderiam deixar de ocorrer, mas que, após anos, continuam a dificultar o pedalar e a garantir sobrevida aos crimes de trânsito praticados no Estado.

Vamos começar, então, por uma imagem mais simples e menos indignante. O buraco aí de cima foi feito durante uma reforma em estabelecimento próximo. Esse trecho foi o único que ainda não foi arrumado. Mesmo tendo-se passado meses. Infelizmente, não se recorda da empreiteira responsável por isso.

Tem-se, sempre, a idéia simples de que, se alguém destrói uma rua durante uma obra, vai ao término deixá-la, no mínimo, igual a como estava antes. Infelizmente não foi o caso.

 

Este caminhão, da Frilatos, estacionou sobre calçada e ciclofaixa, sem espaço para pedestres, cadeirantes ou ciclistas.

Esta cena registrada é a mais legal do percurso. Mostra uma bicicleta presa em frente a um prédio, com uma placa de traslado de bicicleta e a ciclofaixa na R. Frei Caneca em frente.

Esta é a pior cena de todas. Podem ser observadas várias infrações. Apesar dos carros e caminhão sobre o passeio, chega a enojar a motocicleta escapando do congestionamento, cortando caminho pela ciclofaixa. Cena assim já foi registrada também por um repórter fotográfico de um dos maiores jornais de circulação local.


Apesar de o Hotel Majestic ter uma boa área para carga e descarga, é comum observar caminhões parados sobre passeio e ciclofaixa na R. Heitor Luz.

Desde a implantação da ciclofaixa da R. Bocaiúva, quase nunca se observou a ciclofaixa vazia em frente ao Kay’Skidum, ao lado do BeiraMar Shopping.

Em cidades com melhor qualidade de vida, todos cuidam pelo seu espaço externo e os estabelecimentos mesmos responsabilizam-se por manter com visual agradável sua fachada externa. Uma ciclofaixa possibilita uma melhor visualização do comércio, melhorando a freqüência de novos clientes. Em Florianópolis, além de um bolsão de estacionamento na rua paralela, vários estabelecimentos possuem convênios com estacionamentos próximos.

 

Na R. Bocaiúva, foram mais dois automóveis registrados pelas lentes do Google em plena ciclofaixa. O segundo, curiosamente, parou ao lado de um estacionamento…

Reflexos de uma sociedade ainda subdesenvolvida culturalmente.

6 Anos? Lá vou eu!

A Bicicletada Floripa completou no mês de outubro 6 anos desde a sua primeira edição, em 03 de outubro de 2002. Em 2008, a Bicicletada Floripa foi realizada na última sexta-feira do mês, como tem acontecido desde abril. E a última sexta caiu no dia 31, em pleno Halloween! Estava pronta a festa!

logo-bicicletada-floripa-out-2008-v1

Com tanta coisa para se comemorar, tema nesta Bicicletada não faltou. A festa de aniversário tinha tudo para ter uma temática interessante. Era um dia de festejar mais um ano de existência,desse movimento sem líderes ou organizadores. Era dia de fantasiar-se de bruxa, fantasma, caveira, numa clara alusão às recentes bicicletas-fantasmas (“ghost bikes”) implantadas na cidade, nos locais onde ciclistas faleceram vitimados por veículos motorizados.

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Como o Halloween não faz parte das festividades nacionais, sendo [mais] uma festa importada, havia um motivo para os nacionalistas convictos também participarem da Bicicletada. Coincidência ou não, em 31 de outubro é comemorado, no país, o Dia do Saci. E foi com essa mescla de folclore nacional, aniversário e dia das bruxas que ocorreu a Bicicletada Floripa de outubro.

Na concentração, em frente ao CCE/Básico e à Concha Acústica da UFSC, os participantes não ficaram parados. Tinham máscaras a colocar . . .

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano.

… chapéus de aniversário para pôr por sobre o capacete ou em suas cabeças …

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

… adereços para as bicicletas …

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

… sangue [falso] para se mancharem.

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Até com uma transeunte à caráter nos deparamos …

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

… e, com ela, vieram os fotógrafos e os curiosos.

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Enfim, às 19h30, saímos. Pegamos a Lauro Linhares e fomos até a ciclofaixa da Agronômica.

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Em plena ciclofaixa, flagrante de desrespeito. Um carro estava parado na ciclofaixa, no trecho da  Rua Rui Barbosa próximo à Travessa do Rouxinol, às 19h41, na saída de uma loja. E agora, por onde passa o ciclista? Quando eu desviei do carro, indo à rua, quase fui pego por um automóvel, justamente por não estar na ciclofaixa. Ou seja, dependendo de alguns motoristas, eu não posso usar a rua nem a ciclofaixa, sob o risco de ser prensado entre dois veículos. Até quando isso vai acontecer? Quando poderemos ser respeitados e não sofrer intentos contra nossas vidas nas vias?

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

De resto, o pedal lúdico foi bem tranqüilo. Paramos ao final da ciclofaixa, próximo ao Shopping Beira-Mar. Enquanto alguns aproveitavam para descansar, outros conversavam e panfletavam nas ruas. Muitas gostosuras (balas de iogurte) foram entregues nos semáforos.

Seguimos pela Rua Bocaiúva e, na Av. Prof. Othon Gama D’Eça, pegamos a ciclovia da Beira-Mar Norte, rumo à ponte.

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Na ciclovia, um garoto pedalando fez jus a uma deliciosa balinha.

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Fomos até o começo da ponte. A idéia era ir até o Parque de Coqueiros, mas optou-se por retornar. Pegamos o caminho de volta pela ciclovia, passamos perto do Shopping e lá,saímos da ciclovia para voltar a pedalar na rua. Aí um tiozinho nos acompanhou por um bom trecho. Pegamos a Lauro Linhares e retornamos tranqüilos em direção à UFSC.

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

E assim terminou mais uma Bicicletada Floripa. Percurso leve, tranqüilo, cheio de monstros, mas sem maiores sustos no caminho.

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano

Aguardo ansioso a última sexta-feira de novembro!

Mais fotos:

Ciclista Fabiano

Diego Hartmann

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