(Mobilidade nas Cidades) “Precisamos parar de falar e começar a agir”, diz Gil Peñalosa

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Guillermo Peñalosa criticou a inação de governantes perante os problemas de seu povo.

A palestra de Gil Peñalosa no Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, proferida na manhã do dia 3 de abril, foi saudada de pé por parte do público que ocupava o auditório do Hotel Majestic, em Florianópolis.

Enfático, o ex-secretário de Parques, Esportes e Recreação da cidade de Bogotá, ao mesmo tempo em que mostrava as mudanças proporcionadas na capital colombiana – e em outras cidades do mundo -, cobrava dos políticos a busca por uma melhor gestão dos recursos públicos.

– Os cidadãos nos pagam para fazer, não para arranjar desculpas de por que não foi feito – disse.

Sobre a mobilidade urbana, Gil comentou que nos últimos anos temos pensado as cidades para os carros.

– Se estimulamos o uso do carro, veremos carros. Se estimulamos o caminhar, veremos pedestres. Se propiciamos o pedalar, ciclistas é o que observaremos.

Ele comentou as iniciativas de sua gestão, como as ciclovias de domingo. Para ele, iniciativas como essas são importantes, pois faz com que as pessoas percebam que determinados lugares não são tão distantes quanto se pensara, e que se pode chegar a eles de bicicleta ou caminhando.

Além disso, houve a criação de 280km de ciclovias permanentes em 3 anos. Com isso, a participação das bicicletas no número total de viagens saltou de 0,5% para 5%.

Estímulo ao caminhar e ao pedalar

Em um dos pontos mais curiosos da palestra, fazendo uma ligação com a palestra de Gustavo Restrepo duranto o I Seminário da Cidade de Florianópolis, Peñalosa afirmou que com US$ 90 milhões investidos em ciclovias fez mais pessoas se locomoverem em Bogotá do que com os US$ 2 bilhões investidos no transporte coletivo de Medellín, apresentado por Restrepo.

De acordo com ele, num país onde 40.610 pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito é absolutamente essencial investir em calçadas e ciclovias, pois o caminhar e o pedalar são a única forma de mobilidade individual para:

70% das pessoas do mundo,
todos os jovens e crianças.

Mas ele alerta que apenas pintar uma linha branca no asfalto e dizer que aquilo é uma pista ciclável não adianta: os carros ocupam o local. Tem que ter algum tipo de separação física.

Peñalosa defende que o governo subsidie o uso do espaço público com a finalidade de trazer as pessoas para as ruas. Cita como exemplo a baixa de impostos para estabelecimentos como floriculturas e bancas de jornais, desde que estes se comprometam a ficar abertos durante períodos não comuns nos meios comerciais.

Com medidas como essas, ele conseguiu com que mais pessoas caminhassem e aproveitassem os espaços culturais da cidade. Num lugar onde antes o índice de roubos era elevado, afugentando os moradores, um estabelecimento induzido a funcionar durante todo o final de semana, iluminando a região, possibilitou que, mesmo à meia-noite, os cidadãos não mais temessem e pudessem ser vistos caminhando.

Para Gil Peñalosa, devemos estimular o caminhar e o pedalar. Foto: Fabricio Sousa.

Para Gil Peñalosa, devemos estimular o caminhar e o pedalar. Foto: Fabricio Sousa.

Gestão pública

Gil Peñalosa listou 5 coisas fundamentais para que não apenas se debata sobre mobilidade, mas que também se comece a agir para tornar o desejável possível.

Em primeiro lugar, é necessário ter sentido de urgência. Vivemos uma situação de saúde caracterizada pela crise da obesidade, com todos os problemas a ela relacionados. Além disso, a população continua crescendo, bem como a expectativa de vida. Como lidaremos hoje com os problemas que estarão refletidos amanhã na saúde da população?

Além disso, de acordo com Peñalosa, com o êxito econômico uma coisa piora: a mobilidade, “desde que ela esteja baseada no automóvel privado”.

Em segundo lugar, é vital o compromisso político. Deve-se, para isso, criar um pacto e pensar em ruas para se construir comunidades, não segregá-las.

Por fim, três condições são básicas para que esse pacto social dê certo. A liderança é uma delas. É necessário que se tome a dianteira e vá atrás das condições.

Os realizadores no setor público, servidores, técnicos e funcionários, são essenciais. Eles que estarão por trás das ações públicas, independente dos governantes. São elos para a continuidade dos bons processos entre gestões diferentes.

Por fim, a participação cidadã é intrínseca ao processo. Sem o respaldo dos moradores, nenhuma obra se estruturaliza permanentemente, nenhum planejamento urbano de longo prazo se solidifica.

Florianópolis surda

O sentido de urgência ainda não parece ter chegado a parte do cerne da administração municipal de Florianópolis.

Mesmo com a representante do Ministério das Cidades dando bronca pelos poucos projetos catarinense inscritos no Programa de Aceleração do Crescimento – Pavimentação e Qualificação de Vias Urbanas (PAC 3) em palestra no dia 4 de abril, Florianópolis deixou de enviar, no dia seguinte, o projeto da rede cicloviária do Centro para receber recursos da União, num total de R$ 3.624.883,16.

A assessoria jurídica, ao tomar ciência do fato, cadastrou internamente o projeto para, quando houver programas do governo federal, poder viabilizar fundos para a rede cicloviária do Centro. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano também irá tomar ação semelhante. As outras formas de disponibizar recursos para a Microrrede Centro são através da licitação do Floribike ou prevendo recursos no orçamento do erário municipal.

Enquanto isso, sente-se pouco seguro o ciclista novato, estimulado – por afinidade ou pelo crescente congestionamento – a deslocar-se em bicicleta pela cidade.

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Artigo: uma reflexão crítica sobre as ciclofaixas de lazer de Florianópolis

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Diretrizes para o sucesso de vias temporárias visando à sua implantação futura de modo permanente

Recentemente, o periódico Diário Catarinense publicou interessante matéria sobre o aumento da quantidade de infraestrutura cicloviária em Florianópolis mediante a implantação de ciclofaixas de lazer, a exemplo da Ciclofaixa São Paulo e do Circuito Ciclofaixa, de Curitiba.

Pela reportagem, em um ano o tamanho da infraestrutura cicloviária da cidade aumentaria 70%, com a inclusão de 30km de ciclofaixas que funcionariam apenas aos domingos.

Origem das Ciclofaixas de Lazer

A idéia de se criar ciclofaixas provisórias é tipicamente brasileira. Surgiu em agosto de 2009, na cidade de São Paulo, então firmemente pressionada pela morte de ciclistas e por estudo de André Pasqualini que demonstrou que a cidade não possuía nenhum quilômetro de ciclovia utilizável na cidade. Numa cidade tomada por congestionamentos diários e cujo secretário de transportes solenemente ignorava a presença de ciclistas, em vez de construir uma ciclovia permanente, optaram por uma solução mais simples: fechar ruas ao tráfego automotor por uma manhã de domingo, quando o fluxo de veículos é menor. Encampada pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, a ciclofaixa paulistana de lazer ligava parques em meio a uma região aplainada.

Foi, de fato, um sucesso! A demanda reprimida por ciclovias era tão grande que houve mais de 9.000 ciclistas circulando em seu primeiro domingo de funcionamento, superando em 4.000 as expectativas.

As ciclofaixas de domingo foram copiadas por outras cidades. Além de Curitiba, Campinas e Ribeirão Preto também aderiram à iniciativa.

Problemas surgidos

Sobre Curitiba, temos um artigo exclusivo sobre sua polêmica. A iniciativa foi do Secretário Municipal de Esporte, Lazer e Juventide, Marcello Richa, filho do então governador do Paraná. De forma tímida, sem consulta a entidades de ciclistas ou mesmo grupos de pesquisadores cicloviários, pintou do lado esquerdo das vias 4km de ciclofaixas que funcionariam apenas um domingo por mês.

O intervalo entre cada Circuito Ciclofaixa, o fato de se localizar num lado da via onde normalmente não ocorre tráfego de ciclistas, a exígua extensão e o não cumprimento dos acordos de sua ampliação tornaram o Circuito Ciclofaixa extremamente vexatório.

Em Campinas, a ciclofaixa de lazer deixou de operar, muito embora reuniões estejam sendo feitas na nova administração para que ela possa voltar a ser operada.

Assim como São Paulo, a cidade de Ribeirão Preto conta com o apoio de um banco privado que possibilita uma série de atratividades aos usuários. Além de fiscais da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realizarem um bom trabalho de redimensionamento de trânsito, agentes coletam dados e realizam entrevistas (eu mesmo já participei de uma), fotos dos ciclistas são orgulhosamente exibidas em site próprio, oficinas realizam ajustes nas bicicletas dos participantes e mesmo parques que há muito estavam no papel foram inaugurados já sendo contemplados com as novas ciclofaixas. Enfim, os ciclistas têm a seu dispôr um caminho seguro e atrativos em seus destinos.

Falácia de números

Hoje, a coordenação da Ciclofaixa São Paulo é da Secretaria de Transportes. Mas do percurso original nenhum deles foi efetivado e mesmo a integração com a única ciclovia próxima inaugurada desde 2009 – a ciclovia da Marginal Pinheiros – continua pobre, com poucos avanços.

Entretanto, o município de São Paulo contabiliza as ciclofaixas de lazer em seus números “oficiais”. Nenhum urbanista sério diria hoje que São Paulo tem 230km de pistas cicláveis ao se referir à mobilidade urbana por bicicleta. Os números são bem menores, de em torno de 50km. Ao contrário do que diz a reportagem – e fontes falsas da Prefeitura de São Paulo -, 230km é a meta da cidade para 2016. Mas quase todo o cronograma envolve ciclovias em parques – além das ciclofaixas de lazer. Para o ciclista urbano que pedala em seu cotidiano, poucos avanços seriam percebidos e mesmo poucos dos novos trechos estão devidademente interconectados.

São Paulo coloca em sua conta as ciclorrotas (pinturas no asfalto, indicando a presença de ciclista, uma outra solução de fácil implantação), as vias dentro de parques e as ciclofaixas de lazer em dobro. Mesmo ida e volta sendo lado a lado no canteiro central, a prefeitura conta ambos os lados de forma separada.

Por isso, em nenhum estudo acadêmico os dados da prefeitura são contabilizados quando se trata de mobilidade urbana.

Esse artifício, de que Porto Alegre e Campinas também se utilizaram, não deve ser repetido em Florianópolis. Ciclofaixa de lazer não é de deslocamento, via de regra. Inclusive, pode ser prejudicial a quem se utiliza da bicicleta no dia a dia. A pintura no asfalto na faixa da esquerda faz com que muitos motoristas, nos demais dias da semana, lancem seus veículos contra os ciclistas que trafegam corretamente à direita, dizendo ser ali espaço dele, do motorista. Diversos casos assim foram relatados em São Paulo.

Ciclorrecreovias

A opção da ciclofaixa de domingo de Florianópolis deve levar em conta os atrativos para o uso da bicicleta e a possibilidade de efetivação diária do trecho. Nesse sentido vale a pena recordar os exemplos de Bogotá. Ambas as situações ocorreram e a bicicleta virou febre. Pistas para caminhada, corrida e pedalada, seguido por incentivos, como aulas de ginásticas ao ar livre, atendimentos de saúde básicos, como medição de pressão, programas de acompanhamento de saúde, a exemplo de pessoas que queriam perder massa, piqueniques nas áreas adjacentes: tudo isso contribuiu para o sucesso do programa da cidade. Diversas cidades adotaram o mesmo modelo, com destaque atualmente para Santiago, no Chile, e seu programa CicloRecreoVías.

No Brasil, as iniciativas ainda são tímidas. Destaques nacionais são o fechamento do Eixão, em Brasília, e de parte da Beira-Rio, em Porto Alegre. Em Santa Catarina, Joinville chegou a fechar a Av. Hermann August Lepper em 2009 e Florianópolis e Biguaçu contaram com Ciclovias de Domingo. Este último projeto, encabeçado pela Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), que também está contribuindo atualmente, mantém pouca semelhança com as novas ciclofaixas de lazer de Florianópolis, pré-denominadas Ciclofaixa de Domingo. Veja aqui um levantamento de iniciativas semelhantes no Brasil.

As ciclofaixas de lazer de Florianópolis estão começando de forma parcialmente correta. Há um pensamento importante nos atrativos. Pensa-se desde já em incluir um roteiro histórico-cultural pelo centro do município, em ligar parques, como o de Coqueiros, da Luz e do Córrego Grande, em propiciar condições para a realização de atividades ao ar livre e de saúde, focando na prevenção de doenças, bem como em feiras de artesanato e/ou similares, aproveitando também espaços como campos de futebol, praças e pistas de skate. Isso sem contar na música, simbolizada em rodas de samba e em projetos como a Sounds in da City, além das oficinas dos Bike Anjos para quem quiser dicas ou aprender a pedalar em meio ao trânsito.

Com isso, mesmo que as praias da região central e continental de Florianópolis permaneçam impróprias para banho, incentivos não devem faltar para quem quiser se aproveitar das ciclofaixas de lazer. Fora o trabalho árduo em coordenar essas diversas atividades, faltam ainda, entretanto, duas questões importantes: estacionamentos de bicicleta e ciclovias “de verdade”.

Do lazer ao cotidiano

São Paulo pecou em não efetivar parte de sua Ciclofaixa de Lazer para os demais dias da semana. Após mais de três anos, mais de 100.000 pessoas percorrem as ciclofaixas das zonas sul e oeste todo domingo. O estímulo ao uso da bicicleta foi-lhes dado. Mas a passagem de se pedalar por lazer para o trabalho encontra seus obstáculos.

Após uma queda em 2011, o número de acidentes fatais com ciclistas subiu em São Paulo. Também não era para menos: em cerca de 10 anos, aumentou 300% o número de pessoas que se locomovem de bicicleta em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas a infraestrutura paulistana permaneceu praticamente inalterada, apenas maquiada, enquanto o Rio investiu fortemente em infraestrutura, pesquisa e educação no trânsito.

Faz-se necessário, assim, que Florianópolis pense sua ciclofaixa de lazer de modo a que vários de seus trechos sejam transformados, de fato, em ciclovias para o ano inteiro. Aproveitar trechos de projetos que já existam, como é o caso de Coqueiros e da Av. Madre Benvenuta, e interligá-los à malha cicloviária já existente é imperial.

É fundamental também a pesquisa de coleta de dados. Ela deve ser fundamental para embasar tanto a efetivação das futuras pistas cicláveis quanto para que sejam feitas correções de traçado ou de atrativos. Como disse Guillhermo Peñalosa, no Fórum Internacional de Mobilidade nas Cidades, realizado em Florianópolis em 2011, precisamos pegar números que mostrem o antes e o depois, verificar a eficácia da ciclofaixa de lazer para o aumento do número de ciclistas e aí sim tomar a decisão de implementar de vez uma ciclovia ou ciclofaixa permanente.

Fundo Municipal de Trânsito

Parte das promessas do prefeito eleito Cesar Souza Júnior, a destinação de 20% do futuro Fundo Municipal de Trânsito para a construção de ciclovias não poderá ser usada para as ciclofaixas de lazer se não forem seguidas estas recomendações.

A criação de um fundo para gerir a mobilidade faz parte da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei Federal 12.587/2012). A destinação desses 20%, hoje estimados em cerca de R$8 milhões por ano, para a implantação de pistas cicláveis voltadas exclusivamente ao lazer não se insere dentro da lei federal.

Entretanto, se for parte de um processo para a consolidação da infraestrutura cicloviária urbana, envolvendo desde o início pesquisas de contagem volumétrica e entrevistas com usuário de bicicleta, esse recurso poderá ser parcialmente utilizado para essa destinação.

Os 74% dos habitantes que compõem a demanda reprimida no que tange ao uso da bicicleta apenas esperam que, ao contrário de São Paulo, essa efetivação não demore mais que 3 anos.

Fabiano Faga Pacheco

Florianópolis entra na moda das ciclofaixas de lazer

DC 2013-01-10 p.6 Ciclofaixas de Lazer

A reportagem abaixo foi publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense, em 10 de janeiro de 2013. Você pode lê-la também no site do DC aqui ou aqui. Veja em PDF. Pequenos erros já foram corrigidos ao longo do texto.

PEDALADAS INICIAIS

Meta é mais 30km de ciclovias em um ano

Plano da Secretaria de Desenvolvimento Urbano representa um aumento de 70% da atual malha.

Se depender da vontade dos técnicos da prefeitura, Florianópolis deve chegar em janeiro de 2014 com 30km a mais de ciclovias, um aumento de 70% em relação à atual malha cicloviária de 43km da Capital. A meta foi estipulada pelo prefeito Cesar Souza Junior (PSD) e pelo secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Dalmo Vieira Filho.

Segundo o secretário, a equipe de técnicos da pasta deve começar nos próximos dias a detalhar os projetos de criação das chamadas ciclofaixas de lazer, que reservam trechos de ruas e avenidas para o ciclismo em determinados horários e dias da semana, e das ciclovias fixas que serão reformuladas ou construídas nos próximos anos.

– Já fizemos várias reuniões para discutir o assunto, e creio que não teremos dificuldades em criar as ciclofaixas. Nossa maior preocupação é garantir segurança e infraestrutura de qualidade para os ciclistas, estimulando mais gente a pedalar. Acidentes não poderão acontecer – afirma o novo secretário.

Pelos planos da prefeitura, serão criadas ciclofaixas no Continente, no Centro, na Trindade e nas regiões do Saco da Lama e de Cacupé. Entre as ciclovias, a prioridade total é o trecho da chamada Bacia do Itacorubi, que atenderia à demanda de alunos da Udesc e da UFSC que usam a bicicleta como meio de transporte.

Antes de concluir os projetos, Dalmo diz que pretende conversar com entidades e associações que atuam na área, pedindo conselhos e ideias de melhorias às propostas.

– Já temos vários projetos que estão sendo desenvolvidos no Ipuf, mas precisamos conversar com essas entidades antes de começar nossas ações. Temos pessoas pensando em como deve ficar o trânsito, para evitar reclamações dos motoristas, por exemplo. Tudo precisa ser muito bem pensado e planejado – explica Dalmo.

DC 2013-01-10 Ciclofaixas de Lazer fig.1 (Veja em PDF)

Para o integrante do grupo de ciclistas Bike Anjo Fabrício Sousa, qualquer medida que atenda à demanda reprimida na cidade é bem-vinda, ainda que considere haver demora em executar projetos relativamente simples e baratos.

– Claro que o ideal é haver mais ciclovias com separação dos carros, mas a colocação de ciclofaixas de lazer já é uma ação a se comemorar. Floripa tem todo o jeito para isso, o próprio turismo seria beneficiado com mais ciclovias – afirma.

Militante questiona ciclofaixa de lazer

O presidente da ViaCiclo, principal entidade de ciclousuários do município, Daniel de Araújo Costa, diz que a criação de ciclofaixas de lazer não é a solução ideal para ajudar a melhorar os gargalos de mobilidade urbana da Capital catarinense.

– É uma coisa meio estranha, para funcionar só aos domingos. Você acaba sem a opção de se deslocar de bicicleta como um meio de transporte no seu dia a dia. A ciclofaixa não deve servir só com fins de entretenimento, é preciso termos mais ciclovias de transporte urbano – argumenta.

Larissa Guerra

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Charge – Na inauguração da ciclofaixa de lazer…

“Num trânsito que mata, inclusive ciclistas, prefeito de Curitiba vai inaugurar ciclovia que só funciona 1 vez por mês”

A charge acima é de autoria de Carlos Latuff, cartunista reconhecido internacionalmente, e pode ser vista também aqui.

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A polêmica da ciclofaixa de Curitiba

Neste domingo, 23 de outubro de 2011, deve entrar em operação o Circuito Ciclofaixa. Nos mesmos moldes da Ciclofaixa São Paulo, em que ruas normalmente destinadas ao tráfego automotor viram, aos domingos, uma opção de lazer para a cidade, o Circuito Ciclofaixa começará na região central de Curitiba com 4km, funcionando apenas no último domingo de cada mês, das 8h às 16h. A idéia é que até o dia 29 de março, aniversário da cidade, essa opção de lazer funcione todo domingo do mês. A prefeitura espera, com isso, começar a estimular o respeito aos ciclistas no trânsito.

Pelos ciclistas da cidade, que não foram ouvidos durante a tomada de decisão, o anúncio da ciclofaixa de um domingo por mês foi considerada uma piada de mau gosto. Acostumados a pedalar pela região central, que não conta com decentes infraestruturas cicloviárias, o Circuito Ciclofaixa sofreu muitas críticas.

Em várias ruas, a faixa, que contava, até anteontem pelo menos, com uma simples pintura vermelha na lateral e em entroncamentos, sem uma sinalização clara que indicasse a passagem de ciclistas, foi, ainda, construída no lado esquerdo das vias. No dia-a-dia, os ciclistas pedalam por essas ruas pelo lado direito. Temem, com razão, que sejam hostilizados nos demais dias do mês por não estarem no lado que a administração considerou o “certo” sem observar o comportamento dos ciclousuários.

Ademais, não há a mínima razão para crer que uma ciclofaixa de lazer uma vez por mês vá provocar mudanças no comportamento no trânsito, permitindo um sossegado compartilhamento da rua entre os diversos meios de transporte.

Infraestruturas cicloviárias mal-feitas ou mesmo a ausência de pistas cicláveis decentes podem levar ao óbito de ciclistas. Talvez o exemplo mais recente disso seja a morte do empresário Antonio Bertolucci, sócio da Lorenzetti, atropelado no cruzamento da Av. Sumaré com a Av. Dr. Arnaldo. A Av. Sumaré possui uma ciclovia no canteiro central, feita sem diálogos entre a prefeitura e a sociedade, que mal é usada pelos usuários da bicicleta e por um motivo simples: não é funcional.

Outro caso emblemático ocorreu em Garopaba. A retirada da então única ciclofaixa da cidade ocasionou 6 atropelamentos em 4 dias.

Conhecendo isso, e com o conhecimento de que Curitiba é a cidade proporcionalmente mais motorizada entre as sedes da Copa do Mundo 2014, fazem sentido aos preocupações dos ciclistas curitibanos.

Foi por isso que, na inauguração do Circuito Ciclofaixa, a Bicicletada Curitiba fará uma mobilização demonstrando a sua insatisfação com a proposta.

A reação da prefeitura às críticas foi imediata. Numa reunião com representantes de grupos de pedaladas no qual estavam, entre outros, o Cicloiguaçu, o Ciclovida e participantes da própria Bicicletada, a prefeitura de Curitiba justificou o Circuito Ciclofaixa. Ficou também decidido que os ciclistas fariam um relatório com suas impressões do circuito. Se as considerações forem levadas a sério e se essa reunião vai ser o início de uma futura domissão municipal de mobilidade urbana por bicicleta, nos moldes da que foi recém-criada em Florianópolis, ou mesmo de um departamento de mobilidade ativa, só o futuro dirá.

Enquanto isso, espera-se que uma nova abordagem seja tomada para permitir a inclusão, com segurança, da bicicleta no trânsito curitibano, bem como que a ciclofaixa acabe não prejudicando o pedalar cotidiano de quem já aderiu a essa forma de mobilidade na cidade.

Saiba mais:

Em Curitiba, ciclofaixa de lazer genérica vai funcionar em doses homeopáticas – o blogue Ir e Vir de Bike, ligado ao jornal Gazeta do Povo, tece algumas considerações bastante válidas sobre o Circuito Ciclofaixa.
Curitiba terá ciclofaixa de lazer – divulgação na Gazeta do Povo sobre a iniciativa da prefeitura.
Ciclistas convocam protesto contra ciclofaixa uma vez por mês – divulgação na Gazeta do Povo da manifestação dos ciclistas.
1º Circuito Ciclofaixa de Lazer de Curitiba será neste domingo – segundo a Prefeitura Municipal de Curitiba, o município conta com 120km de ciclovias e mais 22,4km estão em construção.
Ciclovias ligam Curitiba de ponta a ponta – segundo o Plano Diretor Cicloviário, Curitiba deverá ter 400km de ciclovias.
Região central terá domingo de lazer com o Circuito Ciclofaixa – matéria do Jornal do Estado mostra a preocupação evidenciada pelo grupo Cicloiguaçu com a inauguração da ciclofaixa. Veja aqui a chamada na capa.
As bicicletas e as estatísticas do governo Richa/Ducci a frente da prefeitura de Curitiba – entre janeiro de 2001 e setembro de 2011, foram 4.633 acidentes com ciclistas registrados em Curitiba, sendo 65 fatais.

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Setembro, mês da mobilidade

Setembro é tido no Brasil como o mês da mobilidade sustentável. Nos últimos anos, têm sido freqüentes os eventos e debates que reforçam essa idéia. Diversas cidades do país, por exemplo, envolvem-se politicamente na promoção de atividades durante o Dia Mundial Sem Carros, que ocorre em 22 de setembro. Há anos, grandes pedaladas ocorrem nesse dia em cidades como São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro. Com o trânsito cada vez mais caótico que tem assombrado até as médias cidades, fica premente que o planejamento urbano deve levar em conta alternativas aos meios de transporte que contemplem não apenas o automóvel.

Até a cidade estadunidense de Boston, conhecida por não ser amigável ao pedalar, está revendo seus conceitos e apostando em novas formas de deslocamento para seus cidadãos. Disponibilizou 600 bicicletas coletivas, investindo US$ 5,7 milhões para mudar sua imagem.

Outras cidades que, tradicionalmente, investiam preferencialmente na construção de novas pontes e rodovias estão se rendendo a mudar sua forma de pensar. Los Angeles, por exemplo, começa agora, tardiamente, a investir na requalificação de seu espaço urbano, incluindo a revitalização de passeios e a implantação de ainda tímidas ciclovias.

E já não era sem tempo! Os constantes engarrafamentos fizeram até que uma empresa de avião operasse vôos de um lado a outro da cidade por apenas US$ 4,00! O paradigma da rapidez dos veículos motorizados na cidade foi posto em cheque em julho deste ano. Numa espécie de Desafio Intermodal local, seis ciclistas desafiaram o avião e… chegaram com uma hora de antecedência!!!

Ainda assim, Los Angeles continua uma cidade dúbia! Mesmo com o fechamento para obras da principal rodovia americana, que passa pelo município, tendo ocasionado uma redução dos congestionamentos, os investimentos em sua ampliação superam em muito aqueles fornecidos à mobilidade por bicicleta e aos pedestres.

Enquanto algumas cidades ainda temem em enxergar em problemas as suas soluções, São Paulo, no último ano, tem trilhado um caminho mais próspero! Depois de a bicicleta ter chegado até à frente do helicóptero, no Desafio Intermodal realizado em 2009, vislumbram os ciclistas paulistanos um futuro melhor, embora ainda marcado de incertezas. A Ciclofaixa São Paulo, opção de lazer aos domingos, foi consideravelmente ampliada e, certeiramente, novos parques urbanos serão implantados no município ao longo de sua extensão. Pipocam projetos de  infraestrutura  cicloviária e, ao contrário de uma década atrás, quando planos cicloviários regionais foram criados e não saíram do papel, hoje São Paulo conta com forte pressão de associações de ciclistas para a implementação das melhorias.

A posição de Florianópolis também é dúbia. Enquanto são estudados novos locais para bicicletários, novas malhas cicloviárias e até mesmo um sistema de aluguel de bicicletas, vemos algumas obras fundamentais serem realizadas de maneira que não melhoram o trânsito e ainda colocam em risco a vida dos usuários da bicicleta. Exemplo mais gritante disso são as novas obras de nova pista na SC-405, no Rio Tavares. O aumento da velocidade dos automóveis nos trechos iniciais somados a uma diminuição de seu espaço de circulação põe em risco a vida dos ciclistas que trafegam pela região. Mesmo os planos do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) prevendo as novas obras, que incluem nova pista e acostamento, previam eles também passeios e ciclovia. O Ministério Público exigiu a construção de ciclovia em um ano no local, bem como a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) também se manifestou favorável aos ciclistas.

Outros exemplos da cidade refletem melhor o tom dúbio do discurso. Oficialmente inauguradas entre um e dois anos atrás, as ciclofaixas feitas ao final do próprio Rio Tavares e na Cachoeira do Bom Jesus ainda hoje não foram finalizadas. Postes são um obstáculo constante e perigoso em ambos os trechos. Ao mesmo tempo, no Ribeirão da Ilha, a tão sonhada ciclovia que consta no projeto executivo transmutou-se em passeio compartilhado que sofre, assim como a ciclofaixa da Rua Bocaiúva, constantes invasões por automóveis.

Dessa maneira, a mobilidade na cidade, tanto para quem anda de automóvel quanto para quem usa a bicicleta anseiam, ainda, medidas mais eficazes para rapidez e segurança dos usuários.

Os ciclistas depositam suas esperanças na integração intersetorial que o Pró-Bici trouxe consigo. A população em geral aguarda ainda a corajosa aposta no BRT (Bus Rapid Transit), apontado como uma plausível solução por especialistas estrangeiros e locais durante o Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. Para quem hoje consegue ver soluções de longo prazo em suas próprias cidades, fica claro que novas pontes não são o caminho para melhorar a mobilidade urbana e que apenas investimentos no binômio transporte ativo + transporte coletivo estão na resposta que equaciona as soluções de trânsito das cidades do futuro.

Chegamos agora no melhor período para se pensar a mobilidade de forma integrada e holística. Sem preconceitos. Sem medo de inovar. Setembro já chegou!

Fabiano Faga Pacheco 

(Vídeo) Enrique Peñalosa – Investimentos em calçadas, ciclovias e transporte público melhoraram a mobilidade em Bogotá

Reportagem da Renata Falzoni, pela ESPN, sobre a visita do político colombiano à ciclofaixa de lazer de São Paulo em dezembro de 2009.

O tema, entretanto, continua atual para todas as cidades brasileiras. Não será construindo mais pontes, viadutos e túneis ou duplicando pistas que a mobilidade urbana será melhorada, seja em Florianópolis, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Brasília, Recife ou em cidades de menor porte, como Guarapuava (PR), Jundiaí (SP), Caxias (RS) ou Pelotas (RS), para citas exemplos de locais que ainda podem fazer muito mais para o real transitar de seus cidadãos.

Campinas inaugurará ciclofaixa de lazer para os domingos e feriados

Neste domingo, a cidade paulista de Campinas inaugurará uma ciclofaixa de lazer. Com percurso total de 12km, a ciclofaixa funcionará aos domingos e feriados, das 7h às 13h. A cidade conta hoje com 14km de pistas cicláveis e copia iniciativa que teve absoluto sucesso em São Paulo. Na capital do Estado, a ciclofaixa que liga o Parque do Povo ao Parque Ibirapuera e Parque do Povo superou a estimativa de usuários da cidade, mostrando a grande demanda reprimida de ciclistas que existe na cidade.

A ciclofaixa de lazer que será recém-implantada é uma solução provisória, um paliativo para os problemas de sedentarismo e de trânsito que as metrópoles brasileiras e mesmo cidades de médio porte enfrentam. Aguarda-se que, no futuro, a vontade política em realmente sanar os problemas de mobilidade urbana das cidades invistam na implantação de facilidades aos usuários de transporte coletivo e em ciclofaixas e ciclovias permanentes aos cidadãos, para que estes possam utilizar de meios de transporte menos poluentes e contribuir para a real fluidez nos deslocamentos cotidianos.

Enquanto isso, torce-se para que começamos a vislumbrar o futuro.

Saiba mais:

Jus Brasil – Ciclofaixa Campinas – Cidadania em movimento entra em operação neste domingo

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