Escola do Rio Tavares promoverá passeio ciclístico

A Escola Básica Municipal João Gonçalves Pinheiro, localizada na Rua Silvio Lopes de Araújo, no bairro Rio Tavares, em Florianópolis, irá realizar neste sábado, 8 de agosto, um passeio ciclístico pelas ruas principais da planície do Campeche. A concentração começará às 8h, com saída prevista para às 9h. Participam da organização, além do professor Wladson Dalfovo e a sua Turma 81, a empresa de cicloturismo Caminhos do Sertão, o Bike Anjo Floripa e o projeto Bicicleta na Escola.

A pedalada, aberta ao público, faz parte de um trabalho integrado de desenvolvimento educacional, político e ambiental dos alunos, sem deixar de buscar um apelo da comunidade e dos governantes para o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte seguro, eficiente e não poluente.

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Florianopolis 2015-08-08 Rio Tavares

A planície do Campeche é um dos locais mais propícios ao pedalar de toda a Ilha de Santa Catarina. De formação sedimentar e com geomorfologia moldada pela erosão eólica, a região foi uma das primeiras bacias cicloviárias estudadas no país. Há quase uma década a geógrafa e hoje professora do Instituto Federal Catarinense (IFC), campus Camboriú Roberta Raquel propôs uma microrrede cicloviária abrangendo toda a região. Por todo o percurso pelo qual os alunos passarão deveriam haver ciclovias, de acordo com o Projeto Rotas Inteligentes, gestado desde 1997 pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF).

As ciclofaixas que existem hoje, na Av. Pequeno Príncipe e no trecho da SC 405 na Fazenda do Rio Tavares, foram construídas entre 2008 e 2010 e receberam muito pouca manutenção. Até o começo deste mês, havia trechos inteiros dessas ciclofaixas recobertas por areia. Em 2012, a Av. Campeche foi revitalizada, sem, entretanto, implantação de estrutura cicloviária. A SC406, apesar de ter uma emenda orçamentária para se buscar recursos da União, não tem sequer projeto técnico-executivo em formulação.

O que as crianças de hoje querem é mostrar que não pretendem relegar a bicicleta às suas aventuras pueris. Almejam sensibilizar população e políticos para que mantenham a segurança de usar a bicicleta sem que os seus futuros sejam postos em risco.

Novas solicitações durante a “Prefeitura no Bairro”

No dia 1º de agosto de 2015, houve a 53ª edição da “Prefeitura no Bairro”. Assim como em janeiro e em julho de 2013, desta vez estive no Saco dos Limões para repassar aos representantes públicos uma coletânea das necessidades ciclísticas reclamadas ao longo do último mês.

Confira abaixo como foram as conversas:

Companhia Melhoramentos da Capital

A COMCAP é a responsável pelos serviços de limpeza urbana de Florianópolis. Na véspera do evento, a Bicicletada Floripa passou pelo Campeche e verificou que, em inúmeros locais, a ciclofaixa da Av. Pequeno Príncipe simplesmente fica tomada pela areia. Alguns trechos simplesmente estão impedaláveis para certos tipos de bicicleta.

O representante do órgão ainda brincou que era uma forma de se fazer trilha urbana antes de avisar que vai providenciar a limpeza e manutenção da ciclofaixa.

Areia domina pontos da ciclofaixa da Av. Pequeno Príncipe. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Areia domina pontos da ciclofaixa da Av. Pequeno Príncipe. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Ciclistas pedalam na areia na ciclofaixa do Campeche. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Ciclistas pedalam na areia na ciclofaixa do Campeche. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Secretaria de Obras

Fui atendido pelo secretário Rafael Hahne, com quem abrimos diálogo há alguns anos e que recentemente voltou a ocupar a secretaria de Obras. Lá abordamos questões cicloviárias referentes às vias R. Dante de Pata, Av. Gov. Ivo Silveira, Av. Pref. Waldemar Vieira e Av. Jorge Lacerda.

Em julho, a Prefeitura anunciou que estavam prontas as obras das Ruas Padre Rohr e Dante de Pata, ambas contando com ciclovias. Entretanto, fotos retiradas do local mostram que não há nenhuma pista ciclável nessa última via, localizada em Ingleses.

Vista da Rua Dante de Pata em 27 de julho de 2015. Foto: Gustavo Paulo.

Vista da Rua Dante de Pata em 27 de julho de 2015. Foto: Gustavo Paulo.

Fui informado de que a revitalização da rua foi desmembrada em duas partes. A primeira, que foi a concluída, tratou-se da repavimentação asfáltica da via. A ciclovia estaria incluída na segunda parte, que se trata das obras complementares. Infelizmente, não há previsão para estas serem iniciadas.

Quanto à Av. Gov. Ivo Silveira, tratei de uma questão mais técnica. Conversando com um arquiteto responsável pelo projeto da obra, tanto eu quanto o IPUF observamos que, com a construção de travessias elevadas nas vias ortogonais à Ivo Silveira, mantendo ciclovia e passeio em um mesmo nível nos cruzamentos, diversos problemas de desenho urbano seriam satisfeitos. Conversando com o Floripa Acessível no mesmo dia, foi-me relatado uma menor incidência de quedas, em especial por pessoas idosas, sem contar o aumento da acessibilidade para cadeirantes. Diferentemente do que a Prefeitura anunciara pelas redes sociais, entretanto, a Ivo Silveira não terá essas travessias elevadas nas ortogonais. O secretário e um engenheiro que lhe acompanhara apontaram que eles discutiram isso tecnicamente e verificaram dois “problemas”: (1) as faixas elevadas reduziriam a velocidade dos carros que fossem adentrá-las, aumentando congestionamentos; e (2) as faixas elevadas aumentariam o número de acidentes com ciclistas e pedestres, pois estes tenderiam a ser mais propensos a serem atropelados, por não perceberem que estão em cruzamentos elevados.

Achei estranho que a responsabilidade pela segurança de ciclistas e pedestres ficou exclusivamente com os entes mais frágeis do trânsito, enquanto a que imputa o dano ficou permitida uma maior velocidade.

A secretaria informou ainda que está aberta para mostrar projetos relativos às avenidas Pref. Waldemar Vieira e Jorge Lacerda, dentre outros. Por ora, estou no aguardo da ligação combinada.

Prefeito e secretário de Obras ouvem população no Saco dos Limões. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Prefeito e secretário de Obras ouvem população no Saco dos Limões. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Prefeitura Municipal

Foi por pouco que não deu, mas consegui ser recebido pelo prefeito Cesar Souza Júnior (PSD). Muita coisa a se falar em tempo tão diminuto. Primeiramente, demonstrei apoio à idéia da revitalização do bairro José Mendes de acordo com projeto do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF). Em seguida, demonstrei preocupação com a restrição de acesso ao órgão num momento em que justamente foi solicitado auxílio de ciclistas para georreferenciamento de ciclovias da cidade e para execução de obras de pintura e sinalização das pinturas das ciclofaixas que já existem. Afirmou-me que é ilegal barrar-me acesso ao órgão e demonstrou preocupação com o sumiço de toda a documentação da Pró-Bici.

Passamos a tergiversar sobre as obras da SC-403, em Ingleses. Demonstrei preocupação com a circulação de pedestres e ciclistas, já que o acostamento foi transformado em via de trânsito automotor, sem o menor cuidado às formas ativas de deslocamento. Ele concordou e afirmou que está caótica a situação nessas obras. Solicitou o agendamento de uma visita ao local, na qual me chamaria e a outros ciclistas para acompanhar-lhe.

Em seguida, falamos sobre o cumprimento do “Termo de Compromisso com os Ciclistas”, assinado durante a campanha eleitoral. Chamei-lhe atenção de dois itens:

(1) até agora não tivemos projeto de lei, que tem que ser de autoria do Executivo, para destinação de 20% do Fundo Municipal de Trânsito para obras cicloviárias;

(2) não foi cumprida e promessa de construção de 40km de pistas cicláveis nos primeiros 18 meses de governo. Quanto a isso, o prefeito afirmou que deve chegar bem próximo a essa meta até o fim do mandato e que conta com recursos do PAC, onde foram inseridas diversas obras que contam com ciclovias em seus projetos.

Câmara de Vereadores

Quatro vereadores prestigiaram a “Prefeitura no Bairro” no Saco dos Limões: Jaime Tonello (PSD), Ed (PSB), Professor Felipe (PDT) e Lino Peres (PT). O Professor Felipe pegou uma cópia do “Termo de Compromisso com os Ciclistas original para anexar às justificativas de seu projeto de lei que trata sobre “bike racks“.

Secretaria de Mobilidade Urbana

O secretário Vinicius Cofferri solicitou agilidade no relatório que vai subsidiar a revitalização das ciclofaixas já existentes na cidade.

Ministério das Cidades

A servidora técnica Maria Lúcia Mendonça Santos esteve presente, compartilhando experiências adquiridas ao longo desses últimos anos na esfera federal.

Fabiano Faga Pacheco

Rodas entre o asfalto e a areia

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Bicicletada Floripa de janeiro teve irreverência e críticas à ausência de ciclovias e à implantação de bicicletários inadequados

A tradicional Massa Crítica de Florianópolis contou com mais de 50 ciclistas em sua primeira edição de 2013. Fazendo alusão às férias e ao mar, cumpriu a promessa e foi à praia!

Arte: Fabricio Sousa

No caminho até à próxima praia do Campeche, ciclistas fantasiados, de sunga, chinelos ou bermudão, não se eximiram em realizar críticas à ausência de espaço reservado à circulação de ciclistas e apoio da população.

Na primeira Bicicletada de 2013, ciclistas de Florianópolis pedalam observando o pôr do Sol.

Na primeira Bicicletada de 2013, ciclistas de Florianópolis pedalam observando o pôr do Sol. Foto: Fabiano Faga Pacheco

Pelo caminho até o sul da Ilha, uma volta no parque da Costeira do Pirajubaé deixou crianças e adolescentes perplexos.

Passagem de ciclistas por parque da Costeira impressionou os mais jovens.

Passagem de ciclistas por parque da Costeira impressionou os mais jovens. Foto: Fabiano Faga Pacheco

Uma ciclovia fora prometida no Rio Tavares e deve começar a ser construída logo após a temporada de verão, ou seja, daqui uma quinzena. Apesar da promessa, por decisão judicial, já deveria existir ao menos uma ciclofaixa no local desde junho, e uma ciclovia deveria ter ficado pronta no começo deste mês.

No Rio Tavares, a principal via do bairro, a rodovia SC-405, foi ampliada, sem considerar, entretanto as travessias para pedestres nem a circulação de bicicletas. Na época apontada como grande parte da solução para os congestionamentos diários no local, a ampliação acabou, ao contrário, trazendo mais problemas de mobilidade na bacia do Campeche, com o aumento do número de automóveis, mas não de ônibus, circulando por ela. Em menos de um ano, a faixa adicional já se tornou insuficiente para a demanda de veículos motorizados individuais que trafegam por ela. Ao mesmo tempo, triplicou-se o número de acidentes com ciclistas e pedestres.

Não faltaram bicicletas ornamentadas motivos florais.

Não faltaram bicicletas ornamentadas motivos florais. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Ocupando uma das faixas da via no sentido Centro-Sul, os ciclistas viram-se obrigados a ficarem em meio ao trânsito, atrás de uma fila de automóveis que insistia em parar. Os gritos de “Cadê a ciclovia!?” entoados foram logo aplaudidos por moradores da região, bem como por diversos motoristas que os viam passar.

Com acostamento intermitente, ciclistas aguardam atrás dos automóveis a sua vez de se deslocar.

Com acostamento intermitente, ciclistas aguardam atrás dos automóveis a sua vez de se deslocar. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

A passagem pela Av. Pequeno Príncipe, o principal acesso ao Campeche, também rendeu boas críticas às condições precárias que a falta de manutenção da ciclofaixa acarretou, resultando em cada vez mais buracos e amontoados de areia.

O banho de mar, compartilhado por cerca de 15 ciclistas nas águas incomumente tranquilas da praia, antecedeu um protesto rápido contra os paraciclos instalados ao final da praia.

Parte dos ciclistas na praia do Campeche.

Parte dos ciclistas na praia do Campeche. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Revitalizada há poucos meses, o acesso à praia não contou pista ciclável, conforme determina a Lei Municipal 78/2001, e teve 22 paraciclos entorta-rodas instalados. O modelo municipal, considerado adequado pelos ciclistas, pode ser encontrado aqui.

Bicicletas ao chão em protesto contra bicicletário inadequado instalado no Campeche.

Bicicletas ao chão em protesto contra bicicletário inadequado instalado no Campeche. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

No dia seguinte, durante o evento “Prefeitura nos Bairros”, o secretário de Obras e vice-prefeito João Amin (PP) afirmou que irá rever esses paraciclos e instalar um modelo mais adequado.

Saiba mais sobre a Bicicletada Floripa de janeiro

Fotos:

Eduardo Xavier
Fabiano Faga Pacheco
(também no Facebook)
Fabricio Sousa
Stefano Maccarini

Vídeos:

Daniel de Araújo Costa
Fabiano Faga Pacheco

Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias

Os manuais internacionais e até mesmo os brasileiros expressam bem que em locais onde a velocidade máxima permitida for superior a 50km/h, a pista ciclável deve ser segregada da via por meio de barreiras físicas contínuas.

As explicações para isso estão, em parte, relacionadas a pesquisas sobre índice de letalidade em acidentes. A 30km/h as chances de uma pessoa sobreviver a um acidente variam de 85% e 95%. Já entre 60km/h e 80km/h, esses índices variam de 30% a 15% apenas.

Mas, ao contrário do que recomendam as normas técnicas nacionais e internacionais, observamos a implantação inadequada de algumas vias ciclísticas em plena capital catarinense, Estado eleito pela quinta vez o melhor destino turístico do Brasil, razão pela qual fica incompreensível o desprezo no tratamento de sua infraestrutura cicloviária.

Na recém-inagurada ciclofaixa da rodovia SC-401, observamos, além de irregularidades legais no que diz respeito ao tratamento de pistas cicláveis nas chamadas “obras de arte” (leia-se: pontes e viadutos), um total desconhecimento de como inserir a bicicleta numa rodovia. O projeto de duplicação da pista, feito pela empresa SOTEPA – Sociedade Técnica de Estudos, Projetos e Assessoria, contém falhas, no mínimo, grosseiras e que, indiscutivelmente, contribuiu para que um ciclista perdesse a vida apenas duas semanas depois da inauguração da obra.

Morador de Canasvieiras, Hector Cesar Galeano, de 54 anos, nascido na Argentina, foi vítima de sua escolha pelo uso da bicicleta, da negligência e falta de contingente da Polícia Militar Rodoviária Estadual em coibir abusos e da execução de um projeto de engenharia pífio que não permitiu a segurança de um ciclista em casos, infelizmente tão comuns, de embriaguez ao volante.

Clique sobre a imagem para ver a matéria do Jornal Notícias do Dia de 5 de janeiro deste ano (pág. 4) ou aqui para ler o conteúdo on line Diário Catarinense.

Infelizmente, a Rodovia das Mortes vai continuar fazendo de ciclistas suas vítimas por ainda mais algum tempo.

Fazenda do Rio Tavares

Recentemente, as ciclofaixas da Fazenda do Rio Tavares e do Campeche têm sido alvos de constantes críticas quanto à atuação da Polícia Militar Rodoviária Estadual, em especial durante as operações de reversão de faixas.

Infelizmente, a presença constante de policiais não inibe situações como a presenciada no vídeo abaixo:

O celta branco não se envergonhou em se utilizar do mísero acostamento, cuja largura também é incompatível com a velocidade da via, outrossim não seguindo padrões tanto nacionais quanto internacionais, e da pequena ciclofaixa, inaugurada oficialmente em 23 de março de 2010, mas que, quase dois anos depois, ainda não foi completada e apresenta inúmeros postes no caminho.

Indignante.

Atualizado em 13 de fevereiro de 2012, às 23h46.

Veja também:

Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.

Ciclistas de Florianópolis, Itapema e Porto Alegre inconformados

O último mês tem sido extremamente difícil para os ciclistas das cidades catarinenses de Itapema e Florianópolis e da capital gaúcha Porto Alegre. Seguidos acontecimentos na política e nos tribunais contribuíram muito para essa situação.

Florianópolis, SC

Os ciclistas de Florianópolis permanecem indignados. Além de perderem ciclovias durante o ano, vêm obras anunciadas em acabamento sofrível para se pedalar. A ciclovia do Rod. Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, está sendo feita sem respeitar o projeto executivo, com claro prejuízo aos ciclistas. A ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus foi retirada devido a obras de recapeamento e implantação de dutos de saneamento básico e não será reimplementada até o final do ano. Além disso, a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga, no Itacorubi, que está sendo feita pela CELESC e deveria ter ficado pronta em janeiro de 2010, está sofrível a ponto de metade dos ciclistas pedalarem nas ruas. No Campeche, a Polícia Militar Rodoviária Estadual manda os carros estacionarem da ciclofaixa da Av. Pequeno Príncipe e hostiliza os ciclistas que passam pelo trecho nesse período, chegando a gritar “atropela mesmo” aos veículos automotores, sem fornecer opção ao deslocamento por bicicleta, conforme denúncias que chegaram a este blogue.

Como se não bastasse tudo isso, o governo do Estado não está implantando ciclovia na SC-405, no Rio Tavares, mesmo com determinação judicial para isso e, na SC-401, entre Canasvieiras e Ingleses, o acostamento foi dividido para dar lugar a uma ciclofaixa, em total contrasenso e inobediência ao projeto executivo e às normas internacionais. Nessa via, a velocidade máxima, de 80km/h, não é respeitada por 93% dos motoristas, que comumente trafegam a mais de 100km/h, com a anuência da fiscalização da própria Polícia Militar Rodoviária Estadual que põe ciclistas em risco também no sul da Ilha.

Esse é o clima pesado com que se iniarão as comemorações da Bicicletada Floripa de Natal, cuja concentração será na praça de skate em frente ao Shopping Iguatemi, a partir das 18h, com saída prevista para às 19h em ritmo tranqüilo e destino definido na hora pelos participantes. Festeje essa pedalada com sua família, seus amigos e aqueles que você quer que estejam sempre ao seu lado!

As leis de trânsito são respeitadas e, em caso de chuva, a Bicicletada está automaticamente CONFIRMADA.

Itapema, SC

Itapema já foi citada aqui como cidade amiga da bicicleta, justamente pela ciclofaixa da Avenida Nereu Ramos. Pois bem, a ciclofaixa de parte dessta rua foi retirada num projeto urbanístico que não se pode chamar de pífio, mas que certamente contém equívocos importantes que, a médio prazo, prejudicarão o trânsito da cidade e não vai resolver o problema de mobilidade dela, como já se poderá observar nesta temporada de verão. A ciclofaixa foi retirada para abertura de nova pista de automóveis, mantendo-se vagas de estacionamento e criando-se um corredor para ônibus, táxis, veículos de emergência e motocicletas. Os ciclistas podem utilizar-se, nesse trecho, de ciclofaixa do Parque Calçadão, à beira-mar.

Em outras palavras, Itapema, sem dúvida, deu um passo na contramão da história. Rebaixou a bicicleta de veículo de deslocamento para brinquedo de lazer, dificultando e tornando perigoso o trânsito de bicicletas em plena área comercial e de serviços da cidade. Deve-se salientar, também, que a audiência pública que definiu essas alterações não contou com presença participativa de ciclistas e que a decisão da prefeitura não se baseia em sólido estudo técnico, uma vez que são desconhecidos os números de veículos automotores e de transporte ativo que transitam na cidade nesse trecho e nem se conhecem os impactos que essas alterações trarão às vias adjacentes.

Se bem fiscalizadas, essas alterações ainda deixarão Itapema à frente da maioria das cidades catarinenses em termos de mobilidade, mas ainda assim se constitui num retrocesso em termos de política pública. O ideal era que a implantação da pista exclusiva para ônibus e veículos oficiais e coletivos ocorrer no leito carroçável, utilizando-se, para isto, uma das pistas utilizadas pelos veículos automotores.

Saiba mais:

População de Itapema decide mudanças na Avenida Nereu Ramos

Porto Alegre, RS

Parece piada, mas não é! Mais uma dessas pérolas surgiuvinda direta do caso do bancário Ricardo José Neis, que atropelou e feriu ao menos 16 ciclistas durante a Bicicletada de Porto Alegre, num ato que provocou manifestaçõesem prol das vítimas em vários países.

O promotor de justiça Fábio Roque Sbardellotto, do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, enviou o seguinte ofício abaixo em que escreveu:

Senhor Comandante:
Com a honra de cumprimentá-lo, e com o escopo de instruir o Inquérito Civil supra, instaurado para “investigar potencial infração a ordem urbanística em razão de irregularidades nos eventos organizados pelo grupo de ciclistas Massa Crítica, nesta Capital”, solicito que informe, no prazo de 30 dias, o nome de todos os componentes do grupo e do representante, se houver, bem como indique de que maneira o grupo atua e comprove, conforme preceitua o artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, a prévia comunicação às autoridades competentes antes da realização dos encontros, com a indicação de trajetos, para possibilitar a organização do trânsito local.”

Oras, para bom entendido, o desconhecimento de causa do promotor chega a provocar risos. A começar pelo fato de que não existe um grupo de ciclistas chamado Massa Crítica, que é uma coincidência rizomática. Não existe necessidade de comunicação às autoridades, ao contrário do que afirma o juiz, e nem representantes e nem componentes de grupo, até pelo fato de não haver grupo.

Os motoristas saindo de seus trabalhos ou residências, inúmeros ao mesmo tempo, por uma coincidência da organização econômica e social vigente não precisam avisar às autoridades que ajudarão a provocar congestionamentos no trânsito. As “autoridades competentes” já sabem disso! Quando vizinhos vão a uma mesma festa, ou os torcedores saem dos estádios de futebol, não comunicam sua saída. Simplesmente o fazem. Que sentido faria, então, os ciclistas comunicarem que vão se deslocar pelas ruas da cidade, por ventura com outros ciclistas? Nenhum!

Enquanto isso, Ricardo Neis segue livre em sua casa. O seu processo deve acabar em júri popular.

Os ciclistas, como não poderia deixar de ser, aproveitaram-se das palavras do promotor para inspirarem-se no tema da Bicicletada de dezembro, que deve ocorrer nesta sexta-feira.

A concentração ocorrerá no Largo Zumbi dos Palmares, a partir das 18h30. A saída será às 19h, aproximadamente, em destino que qualquer um pode escolher na hora.

Saiba mais:

AI-5 de novo? MP investiga a Massa Crítica de Porto Alegre

Bicicletada dupla em Florianópolis – Em prol dos ciclousuários do Rio Tavares

A Bicicletada, por definição, não tem um roteiro pré-definido. Vai dos participantes que estiverem no ponto de encontro a sua definição. Entretanto, desde 2009 não se via tamanha insatisfação dos ciclistas de Florianópolis como se observa agora. Naquele ano, a comunidade da Lagoa da Conceição apareceu em peso, exigindo ciclovia na Av. Ver. Osni Ortiga, no Porto da Lagoa. As últimas notícias dessa ciclovia são animadoras: em setembro, a Secretaria de Obras entregou o Relatório Ambiental Preliminar (RAP) à Fundação do Meio Ambiente (FATMA). Dessa maneira, logo após a temporada de verão devem começar as obras do passeio e ciclovia.

Este ano, apesar de tudo, as insatisfações dos ciclistas têm aumentado enormemente deste meados do ano. Uma seqüência de omissões têm sido a responsável por tudo. Apesar de inaugurada em 2010, a ciclofaixa do Rio Tavares ainda não foi finalizada – há nove postes em trechos de poucas centenas de metros – e estudos feitos este ano colocam em dúvida se o lado da pista escolhido é aquele que o ciclista usa no dia a dia.

A ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus enfrenta problemas similares: postes ainda estão no meio da pista, que enfrenta, ainda, problemas de acessibilidade no principal cruzamento. Além disso, a pista foi, recentemente, quebrada para a instalação de importantes obras de saneamento básico.

A demora na apresentação dos projetos da ciclovia circum-universitária deixa apreensivos os estudantes da Bacia do Itacorubi, que convivem com situações diárias em que suas vidas são colocadas em risco. Ademais, a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga está muito, mas muito mesmo, aquém das expectativas suscitadas nos ciclistas em 2009.

Ciclistas não reconhecem a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga, no Itacorubi, como pista ciclística. A preferência de vários por se usar a rua indica que a ciclovia não cumpre adequadamente sua função. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Some-se a isto a omissão da fiscalização, que permite que automóveis estacionem em todas as vias ciclísticas da cidade, e está pronta toda uma situação tensa, prestes a entrar em ebulição.

O estopim da revolta dos ciclistas está na não construção de ciclovia na ampliação da rodovia SC-405 no Rio Tavares. Apesar de estar nos projetos municipais, os órgãos estaduais rejeitaram a mobilidade por bicicleta, colocando, dessa maneira, a vida dos ciclistas que trafegam pelo bairro em risco, não dando opção para o tráfego em ambos os sentidos da via, e optando por estacionamento do que por ciclovia e calçada. Os ânimos exaltaram-se ainda mais depois que o Estado de Santa Catarina recorreu de decisão do Ministério Público que incluía ciclovia na obra. Não é por outro motivo que não buscarem permanecer vivos que os ciclistas estão tremendamente descontentes.

Ciclistas arriscam-se por simplesmente deslocarem-se no Rio Tavares. A situação para eles tende a piorar. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Tal situação gerou que o trajeto da Bicicletada Floripa de dezembro não poderia ser outro que não aquele que passasse pelo Rio Tavares. É o que diz o “inconsciente coletivo”, para citar as palavras do cicloativista André Pasqualini, fundador do Instituto CicloBR.

Assim é que a Bicicletada do Bigode, tema escolhido para festejar mais esta edição,  acaba sendo ainda mais significativa. O “bigode”, sugerido para ser utilizado pelos participantes das intervenções lúdicas, proporciona ainda mais significações. Espera-se que Santa Catarina seja muito mais do que um Maranhão do Sul, e ouça os apelos pela vida de seus habitantes.

O ritmo da pedalada é leve, respeitando os limites físicos de todos os participantes. As leis de trânsito serão todas respeitadas no que vale ao conceito de Massa Crítica.

A saída será às 19h da praça de Skate em frente ao Shopping Iguatemi, na Trindade. A concentração tem início às 18h. Para quem vier do sul da Ilha ou da Lagoa da Conceição, a concentração será na Igreja São João Vianey, ao lado do Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares, às 18h. Às 19h, eles sairão em direção ao Trevo da Seta, próximo do qual ambos os grupos devem se encontrar.

Na ocasião, a deputada estadual Angela Albino (PCdoB) garantiu presença no evento, que é aberto a todos, sejam políticos ou não. A Bicicletada também conta com o apoio do Conselho Local de Saúde da Fazenda do Rio Tavares.

No sábado, a pedalada continua

“Gostaríamos de convidá-lo a participar da Mobilização pela Ciclovia na SC-405!

Como sabemos, o trecho do Rio Tavares está atualmente em obras, com a construção de uma nova pista pelo governo de Santa Catarina, que insiste em executar obras impensadas em todo o contexto da mobilidade urbana da região. A ausência de estudos do tráfego, a não construção de ciclovias, a não destinação da terceira pista para utilização exclusiva pelo transporte coletivo mostram que o planejamento urbano foi voltado exclusivamente para o automóvel, criando barreiras ao comércio local, prejudicando os ciclistas, pedestres e os usuários de transporte público.

Sabemos que a solução para a mobilidade urbana passa pelo binômio bike+ônibus, e não é o que está acontecendo na região. Como prova disso, o governo recentemente recorreu de Ação Civil Pública que determinou a implantação de ciclovia no trecho em obras em um ano, apesar de manifestações dos moradores, ciclistas, urbanistas e arquitetos. Além disso, nosso governador tem ignorado uma lei estadual (Lei 15168/2010) que OBRIGA a inclusão de ciclovia nas reformas de rodovias estaduais, indo na contramão de exemplos bem sucedidos em outros estados brasileiros e em outros países.

Precisamos nos mobilizar contra esse descaso com os ciclistas e com todos os meios de transporte coletivo em Florianópolis!”

Saiba mais:

Site, Facebook, Orkut e Blogue da Bicicletada Floripa.

(Mobilidade nas Cidades) Entrevista com Dário Berger

Conteúdo Especial - Bicicleta na Rua

Dário Berger, prefeito de Florianópolis, participou da cerimônia de abertura do I Fórum das Américas sobre Mobilidade nas Cidades, realizado na capital catarinense entre os dias 22 e 24 de março deste ano. Após discursar para os participantes, ele nos concedeu a seguinte entrevista, transcrita integralmente abaixo.

Como você prevê que estará a questão da mobilidade em Florianópolis ao final da sua gestão?

Eu diria que substancialmente melhor, mais ampliada do que quando eu evidentemente assumi a Prefeitura. Sabe que nós construímos o Elevado do Itacorubi, o Elevado de Campinas, estamos construindo agora o Elevado do Trevo da Seta e vamos construir o Elevado do Rita Maria, que são gargalos importantes e fundamentais de congestionamento que provocam enormes filas. Além disso, nós estamos investindo na mobilidade urbana como conceito de cidade, entendeu? Não é só a construção de elevados. Nós estamos pensando no pedestre, melhorando as calçadas para as pessoas caminharem, nós estamos investindo em ciclovias, para ter um novo meio de transporte alternativo, e nós estamos pensando em um outro modal de transporte urbano, que seria o metrô de superfície, que está sendo estudado e que, mais cedo ou mais tarde, terá que ser implantado. Além disso, nós estamos revitalizando os principais balneários com essa infraestrutura, proporcionando, assim, maior conforto e maior segurança em praticamente a cidade inteira.

Quais ciclovias você acredita que serão, de fato, implementadas em Florianópolis nos próximos anos?

Bem, hoje eu acabei de inaugurar a ciclovia do Campeche que liga o Rio Tavares. Mas agora nós vamos fazer a terceira pista da SC-405, que liga o Trevo da Seta até o Rio Tavares. A partir desse momento será construída  também uma nova ciclovia. Então você vem do Campeche até o centro da cidade por um sistema alternativo de ciclovia, porque você pega a Via Expressa Sul, que já existe a ciclovia, e vem até o centro da cidade por  uma ciclovia, liga com a Beira-Mar. Você pode observar que a Beira-Mar está completamente em obras, nós estamos fazendo todo o enrocamento, vamos ampliar as calçadas e vamos remodelar a ciclovia. Além disso, nós temos projetado todas as nossas rotas de tal forma que possam obedecer à pavimentação da rua, ao melhoramento da rua, mas também com as calçadas e com as ciclovias. Acho que nós estamos avançando bastante, acho que demos um primeiro passo e, daqui para frente, essa questão da mobilidade observada mais como um desenho urbano, e não só como a criação de novas ruas para  veículos. A nossa prioridade tem sido também colocar as pessoas em primeiro lugar em detrimento dos motores e dos veículos.

A ciclovia da Bocaiúva foi inaugurada há quase um ano. Ela, ainda hoje, não foi finalizada e volta e meia é difícil você passar por ela, justamente porque volta e meia há carros estacionados lá. A ciclovia do Rio Tavares ainda tem alguns postes no meio do caminho. Você pode falar o vai ser melhorado nas ciclovias e sobre a Osni Ortiga, vagamente falar na Osni Ortiga e no Itacorubi, que já devia ter saído no começo do ano?

Bem, a Osni Ortiga é um obra extremamente importante, uma reivindicação antiga, e a minha opinião é que nós temos que, em primeiro lugar, fazer é uma nova ponte na Lagoa da Conceição, de tal maneira que nós possamos oxigenar a lagoa pequena, porque a lagoa pequena tem só um canalzinho ali que a alimenta, que tem provocado grandes prejuízos à fauna e à flora daquela região. Concomitantemente com isso, nós temos um projeto de acesso alternativo à Avenida das Rendeiras para a Joaquina. E também temos já o projeto concluído da ciclovia da Osni Ortiga. Infelizmente, não existe recurso para que a gente possa fazer tudo ao mesmo tempo. Se nós tivéssemos essa possibilidade, meu desejo era que eu pudesse fazer todos esses projetos, implantar de uma forma imediata e bastante rápida. Mas, como você pode ver, a cidade está em constante transformação. Se você observar, na Avenida Hercílio Luz se criou um espaço urbano completamente diferente, mais aprazível, inclusive agora passa a ser uma alameda cultural. Se você vai para Canasvieiras, o centro de Canasvieiras foi todo remodelado também, com ciclovia, com calçadas e com passeio. Se você vai para Ingleses também. Se você agora vai para Cacupé, Santo Antônio e Sambaqui nós estamos também reconstruindo todos os nossos principais balneários. E evidentemente que temos um longo caminho a percorrer. E a outra questão que você me diz o seguinte. Ainda existem carros que estão estacionando em cima da ciclovia, ainda existem alguns postes que precisam ser removidos. São questões conjunturais que demandam, em primeiro lugar, uma alteração de concepção de utilização dos espaços urbanos. Acho que nós precisamos ter mais consciência, nós precisamos aprimorar, nós precisamos rever conceitos, reavaliar as nossas posições de tal maneira que a gente possa efetivamente construir a cidade que todos nós desejamos, que é uma cidade com mais espaços públicos, com mais verde, com mais qualidade para nos locomovermos, que seja de bicicleta, seja a pé, seja caminhando, ou seja com veículos, construindo os elevados, construindo as avenidas, de maneira que as pessoas possam se locomover com segurança e rapidez.

A ciclovia do Itacorubi e de Coqueiros, que estavam para sair, como é que está a questão delas?

Essa questão é como eu te digo, uma questão muito cultural. Existe uma reação muito grande de um segmento da sociedade que prefere que se mantenha o estacionamento a se fazer as ciclovias. Coqueiros, por exemplo, é uma via gastronômica e se utiliza aquele espaço para estacionamento para utilizar os principais restaurantes da orla. Então, isso tudo tem o seu tempo. O prefeito não é o imperador. O prefeito tem o poder da palavra e o poder do convencimento. A gente muitas vezes faz o projeto, mas tem dificuldade para implantar o projeto. E tem dificuldade até para fazer as pessoas compreenderem o projeto, como é o caso do nosso Plano Diretor, que nós fizemos agora que é democrático e participativo.

Dário Berger em entrevista para o Bicicleta na Rua durante o Fórum das Américas de Mobilidade nas Cidades. Foto: Juliana Diehl.

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“Nós precisamos rever conceitos de tal maneira que a gente possa efetivamente construir uma cidade com mais qualidade para nos locomovermos, que seja de bicicleta, seja caminhando, ou seja com veículos, construindo os elevados, construindo as avenidas, de maneira que as pessoas possam se locomover com segurança e rapidez.”

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“O Plano Diretor que nós elaboramos é um encanto! As pessoas de repente estão meio preocupadas porque não tiveram tempo de analisar profundamente ainda todos os detalhes que norteiam o Plano Diretor.

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Como está a parceria do governo do Estado com Florianópolis para que passe um trem pela Ponte Hercílio Luz?

O projeto de viabilidade econômica está em licitação. Vamos definir o traçado, definir a viabilidade econômica e depois, evidentemente, buscar os parceiros para a implantação do metrô de superfície, que possa atender, sobretudo, à região metropolitana, que seria, principalmente, nesse primeiro momento, São José e Florianópolis. Depois, São José, Palhoça, Biguaçu e Florianópolis.

Especificamente em Florianópolis tem alguma idéia de por que locais ele passaria?

Passa pela Ponte Hercílio Luz. A princípio, temos vários estudos. Poderíamos utilizar o próprio sistema viário existente como poderíamos usar a Beira-Mar Continental, ligando à Beira-Mar de São José em Barreiros, porque um dos grandes projetos que tem que sair do papel nos próximos anos é mais uma ligação entre a ilha e o continente. Como você pode observar há um saturamento de acesso entre a ilha e o continente. Sobretudo porque, se você observar no mapa, nós temos apenas o acesso sul de entrada da ilha. Você vem do sul do Estado, você vem de Criciúma, você vem de Porto Alegre, você vem de Palhoça, você entra e a tendência de você é ir para o Sul da ilha. O que que nós precisamos? Nós precisamos criar um novo acesso de entrada e de saída da ilha. Quem vem de Joinville, quem vem de Curitiba, quem vem de Biguaçu, entra por esse acesso norte, pega a Beira-Mar Norte e, evidentemente, vem para o norte, criando, então, esses dois acessos. Isso seria através de um túnel, que já está sendo projetado também. E o metrô de superfície pode passar pela Ponte Hercílio Luz ou pode passar pelo túnel ou pode passar por  outra alternativa. Esses estudos ainda são preliminares e estão sendo discutidos com os técnicos do governo do Estado e com os técnicos da prefeitura.

Na Ilha, ficaria onde? Chegaria à universidade ou à Lagoa? Ou está meio obscuro ainda?

A princípio, se faria algo como o que existe em Paris, seria uma périphérie. Seria um círculo que passa pela Beira-Mar, circula a Deputado Antônio Edu Vieira e volta pelo centro da cidade, fazendo esse grande contorno da Bacia do Itacorubi, alimentando-se, então, depois, com os ramais pro sul, pro norte, pro leste da ilha, de acordo com a necessidade.

Como seria a questão do transporte sustentável no novo Plano Diretor Participativo?

O transporte sustentável é sempre uma exigência e um desafio para os administradores públicos. O transporte sustentável é um problema aqui em Florianópolis como é um problema em Joinville, um problema também em Stuttgart – se não é um problema ainda maior -, como é um problema em Paris. Na verdade, a mobilidade urbana e o transporte sustentável é realmente o grande desafio para as civilizações do futuro. Você vê que cidades consagradas, como é o caso de Stuttgart, que é um modelo de gestão, mesmo assim, nos horários de picos, nas principais vias, existe um congestionamento significativo como o nosso. E por quê? Porque a qualidade de vida vai aumentando, no mundo inteiro vai aumentando, e muito embora você tenha transporte alternativo, de metrô, de trem de superfície, de ciclovia e de outros transportes, mesmo assim existe uma dificuldade enorme de buscar uma sustentabilidade no transporte coletivo. E como é que se busca isso? Com essas alternativas, com você ampliando as formas de acesso que a população terá para se locomover. E não só através do carro pop, e sim o do transporte coletivo, seja ele marítimo, seja ele de bicicleta, seja ele a pé ou seja ele através de metrôs, seja metrô de superfície ou seja metrô subterrâneo. E acho que esse é o desafio das grandes cidades e Florianópolis já está partindo desse patamar de uma grande cidade.

O Plano Diretor que nós elaboramos é um encanto! Comparado ao plano diretor atual com o Plano Diretor proposto pela nossa administração, este é 75% aproximadamente mais restritivo do que o atual. Então não existe motivo nenhum para preocupação com relação à implantação do novo Plano Diretor. Não seria eu, um cidadão menos ajuizado de elaborar um Plano Diretor que não buscasse a sustentabilidade da cidade para os próximos dez, vinte, trinta anos. Então eu deixaria como estava. Eu não seria desavisado e inconseqüente de levar uma proposta para a sociedade e para a Câmara de Vereadores que não tivesse esse viés de sustentabilidade. Só o tempo dirá.

As pessoas de repente estão meio preocupadas porque não tiveram tempo de analisar profundamente ainda todos os detalhes que norteiam o Plano Diretor, que foi construído de forma democrática e participativa. A partir do momento em que todos tiverem conhecimento do Plano, você vai ver que o Plano tende a ser uma unanimidade, porque foi construído com uma leitura democrática e participativa das comunidades. E depois nós juntamos isso tudo um projeto de lei. E esse Plano Diretor, é bom que eu diga para você e para todos os cidadãos de Florianópolis o seguinte: esse  não é o Plano definitivo e acabado. Ele é susceptível de alterações, de sugestões, de supressões, de melhoramentos, e cujo fórum pode ser ainda através da prefeitura. Nós ainda estamos recebendo até o dia 30 todas as sugestões. Os que tiverem sugestões para fazer podem fazer por escrito, justificando devidamente até o dia 30. Nós vamos receber essas sugestões e podemos incorporar já à proposta do Plano Diretor ou encaminhar anexo ao nosso Plano Diretor que nós elaboramos, enviando à Câmara de Veradores, para que já tenha essas informações preliminares, essas sugestões comunitárias que precisam ser levadas em consideração no momento da aprovação.

Então eu queria dizer para vocês com relação ao Plano Diretor que não há motivo para preocupação. Há motivo sim de preocupação das grandes construtoras. O Plano Diretor diretor privilegia as áreas verdes, os parques, os espaços públicos, redefine a ocupação do solo de tal forma que seja mais racional, mais equilibrada, ao contrário do que aconteceu ao longo da história de Florianópolis, com as construções dos paredões que vocês conhece hoje aí. Então, eu queria dizer para vocês que essa tentativa de nós entregarmos o Plano Diretor para a Câmara de Vereadores, houve uma pequena reação dizendo assim, com uma expectativa de que o Plano Diretor possa desconfigurar a nossa cidade e proporcionar uma insegurança e um crescimento desordenado ou exagerado de nossa cidade. Pelo contrário: ele é extremamente restritivo.

Agora, evidentemente que nós também não podemos estancar o desenvolvimento da cidade. Porque a cidade, quer queira ou quer não queira, ela tem que crescer para algum lugar, você está compreendendo? Não existe a gente colocar um marco zero por aqui e dizer o seguinte: ‘bem, a partir de agora, não se constrói mais nada, não se faz mais nenhum prédio, não se faz mais nenhuma casa’. Isso não existe. Esse Plano Diretor tem as suas regras, os seus procedimentos e é o que  nós estamos propondo. Como eu te falei, ele não é acabado, nós não temos o objetivo de ter descoberto o melhor Plano Diretor. Ele vai para a Câmara de Vereadores, será novamente amplamente discutido com toda a sociedade, que poderá fazer sugestões. E a Cãmara terá todo o direito de ampliar, de melhorar, de alterar e fazer com que a gente possa ter um Plano Diretor que atenda à grande maioria da população.

Saiba mais:

Acompanhe mais notícias sobre o 1º Fórum das Américas Sobre Mobilidade nas Cidades

Veja também:

Florianópolis: Plano Diretor NÃO Participativo

Chuva atrasa ciclovias no Campeche e Rio Tavares

Notícia vinda direto da edição de domingo, 23 de novembro de 2008, do Diário Catarinense (veja a matéria no site do DC aqui):

Diário Catarinense

Obras

Uma simples caminhada pode se tornar um perigo

Mais atenção enquanto calçada e ciclovia não forem concluídas

Para os moradores do Campeche, em Florianópolis, só disposição não basta na hora de fazer uma caminhada ou andar de bicicleta. Enquanto as obras de construção de calçadas e ciclovia na região não ficam prontas, é preciso olhos atentos e uma dose de malabarismo para não transformar um passeio em acidente de trânsito.

Ao menos deverá ser assim até o final do verão, para quando a prefeitura planeja a conclusão das obras de construção de calçamento e ciclovia na Avenida Pequeno Príncipe e Rio Tavares. A previsão da Secretaria de Obras é que os trabalhos na Pequeno Príncipe se encerrem no final de fevereiro; no Rio Tavares, no final de maio.

Por enquanto, o pedestre que transita pela região encontra exemplos do melhor e do pior da infra-estrutura urbana. No trecho que se estende entre o Marco do Campeche e a Escola Básica Brigadeiro Eduardo Gomes, na Avenida Pequeno Príncipe, as lajotas e o asfalto pintados de vermelho indicam a existência de um ponto seguro – e ideal – para se caminhar e pedalar. Mas quando a placa indica o fim da única etapa já concluída das obras municipais, é preciso atenção redobrada para disputar um canto do asfalto com os veículos. Há três meses adepta da bicicleta como veículo de transporte pelo bairro onde mora, Cristiana Zalamena já levou alguns sustos.

– Domingo quase fui atropelada quando um carro desviou pelo acostamento – contou.

Adepta da bicicleta para locomoção, Cristiana Zalamena quase foi atropelada quando carro desviou pelo acostamento. Foto: Daniel Conzi.

Adepta da bicicleta para locomoção, Cristiana Zalamena quase foi atropelada quando carro desviou pelo acostamento. Foto: Daniel Conzi.

A chuva intensa do último mês também se transformou num problema a mais nos pontos onde as obras estão paradas, especialmente no Rio Tavares, nas proximidades do terminal de ônibus. Quem anda por ali cruza com o barro trazido com a terra removida e muitas pedras.

– Com os buracos está ainda mais perigoso. Quem não está acostumado a andar por aqui se atrapalha – disse Marco Braga, que assim como Cristiana se acostumou a andar de bicicleta pelo bairro.

Chuva alterou o prazo de entrega

A chuva resulta em mais pedras no caminho tanto para transeuntes quanto para os responsáveis pela execução das obras. Segundo o secretário-adjunto Luiz Américo Medeiros, esse foi um dos motivos pela mudança no prazo de entrega da ciclovia e calçada do Rio Tavares, inicialmente prevista para o final do ano. Outra razão é a limitação do horário de trabalho.

– Nós temos um problema sério de desvio de trânsito ali. Além disso, a PRF pediu que nós reduzíssemos o trabalho das 9h30min às 16h30min. Por isso a obra não flui – explicou.

As duas obras foram iniciadas em março e, juntas, estão orçadas em aproximadamente R$ 1,6 milhão.

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