(Vídeo) Jornal do Almoço aponta os problemas e perigos na SC-401 em Florianópolis

Conteúdo exibido originalmente no Jornal do Almoço, da RBS TV SC,  em 29 de dezembro de 2015. Assista aqui à reportagem no site.

Fica a nota triste pela postura omissa do Departamento de Infraestrutura (DEINFRA/SC). Ao afirmar que novas obras virão apenas com recursos do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis (PLAMUS), o órgão ignora duas questões importantes.

A primeira é que o PLAMUS é um plano de pesquisa, diagnóstico e proposições, que foi encerrado em 5 de dezembro. Ele não prevê recursos. Em outras palavras, se o DEINFRA conta com esses recursos para a construção de calçadas e ciclovias, ele implicitamente indica que nada fará.

A segunda questão é que, já com o PLAMUS tendo sido apresentado diversas vezes, o próprio órgão usou recursos próprios para ampliar um trecho da própria SC-401, construindo uma nova faixa. Por ironia do destino, o trecho contemplado – sem a construção de infraestrutura para pedestres e ciclistas e sem respeito ao próprio PLAMUS – passa ao lado do cemitério Jardim da Paz, o mesmo em que Róger Bitencourt foi velado.

 

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Conexão Montréal #1 – Primeiras Experiências

Meu nome é Viviane, sou uma estudante de mestrado em Educação na UFSC e estou fazendo sanduíche de pesquisa em Montréal na UdeM, Québec, Canadá. Conversei muito com o Fabiano, fundador deste espaço e cicloativista de Florianópolis, sobre como a cidade aqui é receptiva para bicicletas. Como estou no meu período de adaptação, não sei fazer outra coisa que não seja comparar a cidade de onde eu vim com esta onde estou aproveitando a deixa do diálogo e a vontade de trocar experiências, eu e o anfitrião do “Bicicleta na Rua” decidimos abrir um espaço educativo para contar nossas vivências com a bicicleta em várias cidades no mundo. Ele com as suas andanças pela Europa, e eu, aqui, no Canadá.

A minha amiga que me recebeu aqui tem uma speed Peugeot dos anos 60, ela tem muito amor pela bici porque foi da mãe dela. Mas, mesmo assim, ela me emprestou para eu ver um apartamento num bairro vizinho. Foi muito bom, para começar porque nunca andei de speed e a coluna fica bem retinha e a respiração, por consequência, fica bem sincronizada com o movimento do pedal.

No caminho, já na saída peguei a ciclovia e fui direto. Em cada cruzamento, tem um semáforo; na Rue Boyer tem um sinal para pedestres e outro para bicicletas. Outras ruas, sem ciclovia, geralmente têm um sinal só para todos. Todo mundo para no sinal, não tem nenhum danadinho que atravessa fora do verde. Me contaram que se você atravessa no vermelho e a polícia vê, você é multado. Uma infração para pedestres e ciclistas custa 37 dólares canadenses (uma grana preta).

Continuando o relato, passei por um túnel para chegar a Avenida que eu procurava e mesmo sem ciclopista, tinha bastante espaço para mim. Num canto, os carros estacionados e quase um metro da marcação da pista, tranquilidade total. Photo1065Na cidade, nem todos ciclistas usam capacetes ou equipamentos de segurança. Mas eu tava bem devagar, apesar da potência da máquina emprestada.

Cheguei no lugar, e na frente da casa tinha um pequeno pique preto com símbolos de bicis, tipo, estacione aqui.

São os sinalizadores do sistema de estacionamento de carros na rua. Para vocês verem, o mesmo espaço é compartilhado, só que de bike você não paga nada, é só achar um espaço livre. É bem comum ver pequenos bicicletários nas calçadas próximas aos caminhos exclusivos das bicicletas, digo assim pois, tem as ciclovias, ciclofaixas, ciclopistas, etc. Neste dia, eu fiz uns 3km e não senti medo de nenhum carro ou de transitar por aqui de bicicleta, daí, decidi: quero ter uma speed também.

Recursos para ciclovias em Florianópolis são usados para outros fins

Conteúdo Especial - Bicicleta na RuaApenas na segunda gestão de Dario Berger, quase R$ 15 milhões que iriam para obras cicloviárias foram usados para outras funções

Foi publicado no Diário Oficial de Florianópolis, no dia 19 de julho, o Decreto nº 11.878, que realoca recursos do orçamento para obras em Florianópolis. E alguns desses recursos dizem respeito ao interesse dos ciclistas do município.

Para a “construção e reforma de calçadas e ciclovias”, por exemplo, foram anulados recursos da importância de R$ 600 mil. Não estão especificados os locais diretamente afetados.

Já é a terceira vez que recursos são retirados para projetos e obras cicloviárias em 2013. Em março deste ano, o Decreto nº 11.310 já havia anulado R$ 500 mil e, em junho, o Decreto nº 11.639havia realocado R$ 6 mil de “divulgação e campanha educativa para o uso da bicicleta” e outros R$ 4 mil de “Micro-Rede Cicloviária” para outras ações. Em compensação, em fevereiro, foram destinados R$ 160 mil reais em recursos próprios para as obras da ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição, atualmente em construção.

Não é a primeira vez que o município anula orçamento para obras em passeios e ciclovias. Em 2010, o então prefeito Dario Elias Berger (PMDB), por meio do Decreto nº 8.241, destinou R$ 2 milhões inicialmente previstos para ciclovias para a Operação Tapete Preto/Cinza, projeto de asfaltamento e pavimentação de ruas. Para piorar, nenhuma das obras em novas ruas cumpriu a Lei Complementar Municipal nº 78, que afirma:

Art. 7º Nas novas vias públicas deverá ser implantado sistema cicloviário, conforme estudo prévio de viabilidade física e sócio-econômica, sendo considerado no mínimo a implantação de faixa compartilhada devidamente sinalizada. […]

Art. 8° Os projetos e os serviços de reforma para alargamento, estreitamento e retificação do sistema viário existente a data desta Lei, contemplarão a implantação de sistema cicloviário conforme estudo prévio de viabilidade física e sócio-econômica, sendo considerado no mínimo a implantação de faixa-compartilhada devidamente sinalizada.

Se a mudança de recursos de ciclovias para o Tapete Preto foi algo bastante comum, há casos mais graves. Em 2007, foram retirados R$ 420 mil de projetos de ciclovias e calçadas para a realização do Carnaval do ano seguinte, por exemplo. Outros casos são igualmente emblemáticos. Em 2011, R$ 1 milhão da revitalização das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego, nos bairros Agronômica e Centro, nas quais estavam previstas ciclofaixas, foram alocados no projeto da Rodovia Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha. Acontece que, durante a execução das obras, houve mudanças profundas na revitalização desta última e a ciclovia prevista não foi feita, transformando-se num suposto passeio compartilhado sem sinalização, que acabou virando local irregular de estacionamento de automóveis.

A importância de determinados projetos para a administração municipal ficou evidente na realocação de recursos. Em 2011, um decreto destinou recursos de ciclovias para a construção do elevado do Trevo da Seta. Além disso, no mesmo ano, outros R$ 2 milhões da revitalização da Rodovia João Gualberto Soares, tão esperada desde 2008 pelos moradores do Rio Vermelho, acabaram indo para a construção do elevado do Rita Maria.

Trocando em miúdos, a política municipal de mobilidade urbana, expressa pela vontade do prefeito em exercício, desqualificou projetos cicloviários em prol de projetos que visavam ao estímulo do uso do automóvel particular. Não à toa os congestionamentos se agravaram neste mesmo período.

Um levantamento exclusivo mostra como os decretos do chefe do poder executivo municipal realocaram recursos que dizem respeito à política cicloviária municipal a partir de 2007. Estão contabilizados os gastos previstos para “Construção e Reforma de Calçadas e Ciclovias”, “Construção e Recuperação de Calçadas, Praça, Jardins e Ciclovias”, além de recursos destinados à microrrede cicloviária, ao Plano Cicloviário de Florianópolis e a “Divulgação e Campanha Educativa para o uso da Bicicleta”. Também estão contabilizados projetos que envolvem a construção de ciclovias e ciclofaixas, como o caso das revitalizações das ruas Bocaiúva, Frei Caneca, Trompowsky, Almirante Lamego, Ver. Osni Ortiga e Rod. João Gualberto Soares. Não estão contados recursos para a R. Dep. Antônio Edu Vieira, nem a projetos que inicialmente previam ciclovias mas que acabaram sem tê-las, como ocorreu com as rodovias Baldicero Filomeno e Haroldo Soares Glavan. Foi tomado o cuidado para não incluir alguns projetos que se mostraram exclusivos de recapeamento. Confira abaixo os valores

2007

Decreto nº 4.703 – destina R$ 100.000,00
Decreto nº 4.879 – destina R$ 500.000,00
Decreto nº 5.056 – destina R$ 2.600.000,00, sendo R$ 1 milhão do Ministério das Cidades
Decreto nº 5.363 – anula R$ 420.000,00
Decreto nº 5.414 – anula R$ 70.000,00
Decreto nº 5.437 – anula R$ 70.000,00

Total:
Destinados R$ 3,2 milhões
Anulados R$ 560 mil
Saldo R$ 2 milhões e 640 mil

2008

Decreto nº 5.557 – destina R$ 200.000,00 e anula R$ 200.000,00
Decreto nº 5.612 – anula R$ 400.000,00 em recursos da CAF (Cooperação Andina de Fomento)
Decreto nº 5.677 – anula R$ 44.900,00 para ciclovia em Coqueiros
Decreto nº 5.740 – destina R$ 350.000,00
Decreto nº 5.959 – destina R$ 500.000,00
Decreto nº 6.056 – destina R$ 500.000,00
Decreto nº 6.156 – destina R$ 60.000,00 para o continente
Decreto nº 6.230 – destina R$ 40.000,00
Decreto nº 6.311 – anula R$ 20.000,00 para ciclovia na Vargem Grande
Decreto nº 6.339 – anula R$ 320.000,00
Decreto nº 6.388 – anula R$ 79.000,00
Decreto nº 6.389 – anula R$ 40.000,00 do Plano Cicloviário de Florianópolis

Total:
Destinados
R$ 1,65 milhão
Anulados R$ 1 milhão e 103,9 mil
Saldo R$ 546,1 mil

2009

Decreto nº 6.468 – anula R$ 80.000,00 de ciclovia na orla continental
Decreto nº 6.551 – destina R$ 635.000,00 e anula R$ 135.000,00
Decreto nº 7.055 – destina R$ 270.000,00
Decreto nº 7.144 – anula R$ 13.000,00 do Plano Cicloviário de Florianópolis
Decreto nº 7.158 – anula R$ 13.500,00
Decreto nº 7.445 – anula R$ 300.000,00
Decreto nº 7.494 – anula R$ 1.400.000,00
Decreto nº 7.555 – anula R$ 200.000,00
Decreto nº 7.563 – anula R$ 65.000,00
Decreto nº 7.590 – destina R$ 200.000,00
Decreto nº 7.593 – anula R$ 1.000.000,00 de convênio com o BADESC
Decreto nº 7.626 – anula R$ 1.500,00 do Plano Cicloviário de Florianópolis
Decreto nº 7.684 – anula R$ 125.000,00, sendo R$ 95 mil de ciclovia na orla continental
Decreto nº 7.786 – destina R$ 500.000,00 de convênio com o BADESC
Decreto nº 7.827 – anula R$ 240.000,00
Decreto nº 7.967 – anula R$ 1.400.000,00 de convênio com o Governo do Estado

Total:
Destinados
R$ 1,605 milhão
Anulados R$ 4,973 milhões
Saldo R$ 3 milhões e 368 mil negativos

2010

Decreto nº 8.006 – anula R$ 700.000,00
Decreto nº 8.107 – anula R$ 900.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego
Decreto nº 8.119 – anula R$ 200.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga
Decreto nº 8.226 – destina R$ 60.000,00, e anula R$ 19.990,00 de ciclovia na orla continental
Decreto nº 8.241 – anula R$ 1.000.000,00, e outros R$ 500.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego e R$ 500.000,00 da Trompowsky, de convênio com o BADESC
Decreto nº 8.459 – anula R$ 100.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego e R$300.000,00 da Trompowsky
Decreto nº 8.514 – anula R$ 2.000.000,00
Decreto nº 8.520 – anula R$ 50.000,00 da avenida Trompowsky
Decreto nº 8.523 – anula R$ 200.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga
Decreto nº 8.527 – anula R$ 100.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga e R$ 500.000,00 da João Gualberto Soares
Decreto nº 8.612 – anula R$ 6.800,00
Decreto nº 8.637 – anula R$ 54.000,00 da microrrede cicloviária e R$ 5.000,00 de campanha educativa

Total:
Destinados R$ 60 mil
Anulados R$ 7 milhões e 76,79 mil
Saldo R$ 7 milhões e 16,79 mil negativos

2011

Decreto nº 8.699 – anula R$ 1.000.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego, de convênio com o BADESC
Decreto nº 8.769 – anula R$ 200.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego, de convênio com o Governo do Estado
Decreto nº 8.796 – anula R$ 90.000,00
Decreto nº 8.838 – anula R$ 2.000.000,00 da João Gualberto Soares, de convênio com o BADESC
Decreto nº 8.850 – destina R$ 115.000,00, e anula R$ 5.000,00 de ciclovia na orla continental
Decreto nº 9.355 – anula R$ 36.000,00

Total:
Destinados R$ 115 mil
Anulados R$ 2 milhões e 331 mil
Saldo R$ 2 milhões e 216 mil negativos

2012

Decreto nº 9.836 – anula R$ 200.000,00
Decreto nº 10.022 – anula R$ 150.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga
Decreto nº 10.035 – anula R$ 25.000,00 da microrrede cicloviária e R$ 1.000,00 de campanha educativa
Decreto nº 10.097 – anula R$ 120.000,00
Decreto nº 10.171 – anula R$ 333.450,00 da João Gualberto Soares, de convênio com a CASAN
Decreto nº 10.339 – anula R$ 800.000,00
Decreto nº 10.382 – anula R$ 450.000,00
Decreto nº 10.478 – destina R$ 1.750.000,00 para a ciclovia da Osni Ortiga, por meio dos Convênios Nº 8071/2012 e Nº 9604/2012
Decreto nº 10.526 – anula R$ 24.000,00
Decreto nº 10.624 – anula R$ 500.000,00
Decreto nº 10.628 – anula R$ 380.000,00, e outros R$ 350.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego
Decreto nº 10.651 – anula R$ 350.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga e R$ 250.000,00 da Trompowsky

Total:
Destinados R$ 1,75 milhão
Anulados R$ 3 milhões 933,45 mil
Saldo R$ 2 milhões e 183,45 mil negativos

No total, desde 2007, ao menos R$ 9.490.000,00 foram incluídos por decreto em projetos cicloviários e R$20.138.140,00 foram anulados para essa finalidade. Ou seja, ao todo, mais de R$ 10,5 milhões previstos para obras que englobavam melhoramento em ciclovias e passeios saíram de suas previsões no orçamento municipal com destino a outras ações nos últimos seis anos e meio. O período mais crítico foi durante a segunda gestão de Dario Berger. Entre 2009 e 2012, R$ 3.530.000,00 do orçamento entravam para projetos cicloviários, enquanto outros R$ 18.314.240,00 foram retirados. Apenas nesses quatro anos, quase R$ 14,8 milhões deixaram de ser investidos em ciclovias.

A maior parte desse trânsito de dinheiro ocorreu em orçamentos relativos à Secretaria Municipal de Obras, o que mostra o caráter fundamental que esse órgão teve – ou deveria ter tido – para a construção de pistas cicláveis em Florianópolis. Outros órgãos tiveram bem menos destaque na realocação de recursos, como foi o caso da Secretaria Municipal do Continente e do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), sendo que este último teve apenas verbas cortadas, nenhuma acrescida.

É importante notar como essa maneira de gestão retirou o caráter fundamental do planejamento urbano, que foi notadamente sabotado ao longo da gestão de Dario Berger. A ausência de recursos para se planejar pode ter sido de fundamental importância para a não-destinação de verbas para obras fundamentais de mobilidade urbana por bicicleta.

Os decretos são uma forma de o chefe do poder executivo deliberar sobre questões que são de sua alçada. E a mudança na aplicação de recursos lhe foi respaldada pela legislação municipal, com a aprovação pela Câmara de Vereadores de dispositivos que autorizam essa realocação de recursos pelo prefeito.

As formas pelas quais ocorreram o sumiço de verbas em torno da bicicleta, nos últimos anos, entretanto, demonstram justamente que a cidade viveu no improviso, completamente sentida pela ausência do planejar. Obras discutidas nas comunidades que poderiam ter saído em questão de meses passaram anos sem se fazer serem notadas, justamente por dispositivos legais como esses.

Os dados referentes a esse levantamento não levam em consideração o total de recursos previstos quando da formulação do orçamento municipal e tampouco quanto ao que foi de fato efetivamente aplicado, mas demonstram como as modificações no orçamento feitas pelo prefeito afetaram negativamente a segurança de ciclistas e pedestres ao longo dos últimos anos em nossa cidade.

Com os mais de R$ 10 milhões retirados do orçamento, a cidade poderia não estar hoje defasada em 40km de pistas cicláveis, número que só se fez aumentar nesse período.

Agora, com novo governo, resta ainda saber se a demanda reprimida de ciclistas, que gira em torno de 70% a 74% da população florianopolitana, vai ver novamente o desvio sistemático de recursos que iriam para a segurança do pedalar sendo utilizados para outras finalidades.

Secretário diz que rodovia em Florianópolis terá CICLOFAIXA

A rodovia SC-403, que liga o bairro dos Ingleses até a SC-401 em Canasvieiras está próxima de ser duplicada. Vai ganhar duas faixas de rolamento para cada sentido, além de novos acostamentos e pistas laterais. A surpresa ficou por conta da divulgação de que o local ganhará ciclofaixas, em vez de ciclovias.

Não se tem dúvida de que o secretário de Estado de Infraestrutura de Santa Catarina, Valdir Cobalchini (PMDB), tem tirado do papel obras viárias (em especial rodoviárias) importantes para o fluxo de mercadorias e pessoas. Entretanto, o acabamento geral dessas obras, em especial as que cruzam o perímetro urbano, tem deixado muito a desejar.

Em Florianópolis, duas obras são exemplos. A SC-401 foi duplicada, mas ao lado de onde os carros trafegam a 80km/h, os ciclistas contam com uma ciclofaixa que, em alguns trechos, chega a apenas 80cm e sem cuidado algum nos cruzamentos. Embora o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (DEINFRA) Paulo Meller tenha defendido a ciclofaixa como solução técnica, ela foi rechaçada por diversos técnicos de Florianópolis, do Brasil e até do mundo, envergonhando os catarinenses – mais pelas declarações do que pela obra em si, que também é lastimável.

Por outro lado, a SC-405, no Rio Tavares, que deveria ter ciclovia, foi ampliada, sendo que a nova pista sequer foi destinada à exclusividade do transporte coletivo. Previstas como obras fundamentais para acabar com os congestionamentos, ambas obras apenas jogaram o gargalo do trânsito poucos quilômetros à frente. Prova disso é que, logo no primeiro dia de semana, a SC-405 parou novamente. Hoje, os veículos ficam presos em duas faixas de rolamento, em vez de uma. E não será o elevado do Rio Tavares que vai adiantar.

Em janeiro de 2012, em reunião com ciclistas, junto ao secretário adjunto Paulo França, foram exibidas as normas técnicas consideradas adequadas pelos padrões nacionais (e internacionais) de pistas cicláveis dependendo do tipo de via. Além disso, tanto a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) quanto a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) dispuseram-se a ajudar nos projetos rodoviários que cortassem o município de Florianópolis.

Até hoje, não saiu a pista ciclável da SC-405, embora o projeto tenha sido feito de forma a implantar algo seguro às crianças das escolas da região num prazo de até seis meses. Quase um ano e meio depois, nada. Agora, novamente a parte técnica está sendo colocada de lado nos Ingleses. E mesmo os projetos solicitados pelos ciclistas, com a finalidade de auxílio, não foram mostrados.

No local, as faixas terão de 3,5m a 4m. Nas pistas para carros, claro. Com essas medidas, mesmo a velocidade máxima sendo de 80km/h, os veículos podem transitar a 120km/h. É uma solução de engenharia para possibilitar isso. Já para os ciclistas, que pedem 2,8m de ciclovias  em ambos os lados, que é a solução técnica propagada pelo Ministério das Cidades, não haverá isso. As ciclovias dos Ingleses não terão continuidade na SC-403. Num lugar onde poderia haver até arborização, optou-se por se fazer ciclofaixa. Na SC-401 foram 2 mortes de ciclistas somente ano passado e somente onde foi feita ciclofaixa. Pergunto-se: será que o governo de Santa Catarina espera que o aumento no número de mortes de ciclistas extenda-se às planícies da Vargem Grande e Ingleses do Rio Vermelho?

Confira abaixo a declaração de Valdir Cobalchini em seu Facebook:

ATENÇÃO:
O lançamento do edital para duplicação da SC 403, previsto para acontecer amanhã às 15 hs na rodovia será às 16 hs no gabinete do Governador Raimundo Colombo.

A duplicação da rodovia SC 403 terá 5,2 quilômetros de extensão, com um orçamento previsto de R$ 36.259.332,08, dos quais R$ 28 milhões serão do Governo, através do Ministério do Turismo. O trecho terá três elevados, sendo um na Vargem Grande, outro na Vargem do Bom Jesus e o terceiro para acesso a Cachoeira do Bom Jesus. Toda a via terá duas faixas de tráfego, dividas por uma mureta de concreto, e ainda 3,2 mil metros de vias laterais para atender o trânsito local.

O projeto ainda prevê duas passagem subterrâneas, sendo uma em frente a escola básica Luiz Cândido da Luz, eliminando o radar existente no local. E outra, será construída na Vila União. A nova SC 403 terá ainda dez paradas de ônibus e uma espera central para retorno, além de ciclofaixa para pedestres e ciclistas. A previsão de conclusão da obra é em 15 meses.

Vale a pena relembrar duas inserções publicadas aqui no Bicicleta na Rua:

“Nenhum ciclista até hoje obteve acesso aos projetos de pistas cicláveis na Transavaiana nem da SC-403. E os temores se justificam: basta olhar a ineficiência técnica da ciclofaixa da SC-401. E o aumento dos acidentes com ciclistas e pedestres na SC-405, no Rio Tavares. Nenhum acesso, nenhuma conversa, sequer passou por consulta da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) ou mesmo pela coordenação de projetos cicloviários da prefeitura de Florianópolis.

Temem os ciclistas que virem a trafegar por essas rodovias, inseridas dentro da urbe.” [Um ano e nada mudou]

Isso é uma ciclovia

Saiba mais:

Ciclofaixa na SC-401: Deinfra diz que está dentro das normas. Ciclistas protestam.

Charge – Pedalando com segurança na SC-401

(Vídeo) Pedestres têm dificuldade no Rio Tavares 

Ciclofaixas do Centro de Florianópolis são sinalizadas

A notícia abaixo foi divulgada pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, em 1° de março de 2013, aqui. Com esta nova sinalização vertical, os agentes de trânsito poderão fiscalizar as infrações de estacionamento, parada e trânsito de veículos automotores sobre as ciclofaixas do Centro.

IPUF implanta sinalização cicloviária no Centro

Instalação das placas nas ciclofaixas foi realizada na última quinta-feira, 28.

O Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, através da Diretoria de Operações de Trânsito, implantou, no dia 28 de fevereiro, a sinalização de trânsito exclusiva para bicicleta nas ruas Trompowsky e Dom Joaquim, no Centro da Capital.

O Diretor de Operações, Adriano Melo, acompanhado do Engenheiro Wagner e da Arquiteta Vera Lúcia, fiscalizaram os serviços executados pelo departamento de trânsito do IPUF.

As ações para a continuidade da implantação da política cicloviária no município são parte das metas traçadas pelo Prefeito Cesar Souza Júnior e dirigidas pelo Superintendente do IPUF Dalmo Vieira Filho.

Instalação de sinalização cicloviária. Foto: Divulgação / IPUF.

Instalação de sinalização cicloviária. Foto: Divulgação / IPUF.

Veja também:

Guarda Municipal está multando veículos estacionados sobre as novas ciclofaixas de Florianópolis

Artigo: uma reflexão crítica sobre as ciclofaixas de lazer de Florianópolis

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Diretrizes para o sucesso de vias temporárias visando à sua implantação futura de modo permanente

Recentemente, o periódico Diário Catarinense publicou interessante matéria sobre o aumento da quantidade de infraestrutura cicloviária em Florianópolis mediante a implantação de ciclofaixas de lazer, a exemplo da Ciclofaixa São Paulo e do Circuito Ciclofaixa, de Curitiba.

Pela reportagem, em um ano o tamanho da infraestrutura cicloviária da cidade aumentaria 70%, com a inclusão de 30km de ciclofaixas que funcionariam apenas aos domingos.

Origem das Ciclofaixas de Lazer

A idéia de se criar ciclofaixas provisórias é tipicamente brasileira. Surgiu em agosto de 2009, na cidade de São Paulo, então firmemente pressionada pela morte de ciclistas e por estudo de André Pasqualini que demonstrou que a cidade não possuía nenhum quilômetro de ciclovia utilizável na cidade. Numa cidade tomada por congestionamentos diários e cujo secretário de transportes solenemente ignorava a presença de ciclistas, em vez de construir uma ciclovia permanente, optaram por uma solução mais simples: fechar ruas ao tráfego automotor por uma manhã de domingo, quando o fluxo de veículos é menor. Encampada pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, a ciclofaixa paulistana de lazer ligava parques em meio a uma região aplainada.

Foi, de fato, um sucesso! A demanda reprimida por ciclovias era tão grande que houve mais de 9.000 ciclistas circulando em seu primeiro domingo de funcionamento, superando em 4.000 as expectativas.

As ciclofaixas de domingo foram copiadas por outras cidades. Além de Curitiba, Campinas e Ribeirão Preto também aderiram à iniciativa.

Problemas surgidos

Sobre Curitiba, temos um artigo exclusivo sobre sua polêmica. A iniciativa foi do Secretário Municipal de Esporte, Lazer e Juventide, Marcello Richa, filho do então governador do Paraná. De forma tímida, sem consulta a entidades de ciclistas ou mesmo grupos de pesquisadores cicloviários, pintou do lado esquerdo das vias 4km de ciclofaixas que funcionariam apenas um domingo por mês.

O intervalo entre cada Circuito Ciclofaixa, o fato de se localizar num lado da via onde normalmente não ocorre tráfego de ciclistas, a exígua extensão e o não cumprimento dos acordos de sua ampliação tornaram o Circuito Ciclofaixa extremamente vexatório.

Em Campinas, a ciclofaixa de lazer deixou de operar, muito embora reuniões estejam sendo feitas na nova administração para que ela possa voltar a ser operada.

Assim como São Paulo, a cidade de Ribeirão Preto conta com o apoio de um banco privado que possibilita uma série de atratividades aos usuários. Além de fiscais da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realizarem um bom trabalho de redimensionamento de trânsito, agentes coletam dados e realizam entrevistas (eu mesmo já participei de uma), fotos dos ciclistas são orgulhosamente exibidas em site próprio, oficinas realizam ajustes nas bicicletas dos participantes e mesmo parques que há muito estavam no papel foram inaugurados já sendo contemplados com as novas ciclofaixas. Enfim, os ciclistas têm a seu dispôr um caminho seguro e atrativos em seus destinos.

Falácia de números

Hoje, a coordenação da Ciclofaixa São Paulo é da Secretaria de Transportes. Mas do percurso original nenhum deles foi efetivado e mesmo a integração com a única ciclovia próxima inaugurada desde 2009 – a ciclovia da Marginal Pinheiros – continua pobre, com poucos avanços.

Entretanto, o município de São Paulo contabiliza as ciclofaixas de lazer em seus números “oficiais”. Nenhum urbanista sério diria hoje que São Paulo tem 230km de pistas cicláveis ao se referir à mobilidade urbana por bicicleta. Os números são bem menores, de em torno de 50km. Ao contrário do que diz a reportagem – e fontes falsas da Prefeitura de São Paulo -, 230km é a meta da cidade para 2016. Mas quase todo o cronograma envolve ciclovias em parques – além das ciclofaixas de lazer. Para o ciclista urbano que pedala em seu cotidiano, poucos avanços seriam percebidos e mesmo poucos dos novos trechos estão devidademente interconectados.

São Paulo coloca em sua conta as ciclorrotas (pinturas no asfalto, indicando a presença de ciclista, uma outra solução de fácil implantação), as vias dentro de parques e as ciclofaixas de lazer em dobro. Mesmo ida e volta sendo lado a lado no canteiro central, a prefeitura conta ambos os lados de forma separada.

Por isso, em nenhum estudo acadêmico os dados da prefeitura são contabilizados quando se trata de mobilidade urbana.

Esse artifício, de que Porto Alegre e Campinas também se utilizaram, não deve ser repetido em Florianópolis. Ciclofaixa de lazer não é de deslocamento, via de regra. Inclusive, pode ser prejudicial a quem se utiliza da bicicleta no dia a dia. A pintura no asfalto na faixa da esquerda faz com que muitos motoristas, nos demais dias da semana, lancem seus veículos contra os ciclistas que trafegam corretamente à direita, dizendo ser ali espaço dele, do motorista. Diversos casos assim foram relatados em São Paulo.

Ciclorrecreovias

A opção da ciclofaixa de domingo de Florianópolis deve levar em conta os atrativos para o uso da bicicleta e a possibilidade de efetivação diária do trecho. Nesse sentido vale a pena recordar os exemplos de Bogotá. Ambas as situações ocorreram e a bicicleta virou febre. Pistas para caminhada, corrida e pedalada, seguido por incentivos, como aulas de ginásticas ao ar livre, atendimentos de saúde básicos, como medição de pressão, programas de acompanhamento de saúde, a exemplo de pessoas que queriam perder massa, piqueniques nas áreas adjacentes: tudo isso contribuiu para o sucesso do programa da cidade. Diversas cidades adotaram o mesmo modelo, com destaque atualmente para Santiago, no Chile, e seu programa CicloRecreoVías.

No Brasil, as iniciativas ainda são tímidas. Destaques nacionais são o fechamento do Eixão, em Brasília, e de parte da Beira-Rio, em Porto Alegre. Em Santa Catarina, Joinville chegou a fechar a Av. Hermann August Lepper em 2009 e Florianópolis e Biguaçu contaram com Ciclovias de Domingo. Este último projeto, encabeçado pela Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), que também está contribuindo atualmente, mantém pouca semelhança com as novas ciclofaixas de lazer de Florianópolis, pré-denominadas Ciclofaixa de Domingo. Veja aqui um levantamento de iniciativas semelhantes no Brasil.

As ciclofaixas de lazer de Florianópolis estão começando de forma parcialmente correta. Há um pensamento importante nos atrativos. Pensa-se desde já em incluir um roteiro histórico-cultural pelo centro do município, em ligar parques, como o de Coqueiros, da Luz e do Córrego Grande, em propiciar condições para a realização de atividades ao ar livre e de saúde, focando na prevenção de doenças, bem como em feiras de artesanato e/ou similares, aproveitando também espaços como campos de futebol, praças e pistas de skate. Isso sem contar na música, simbolizada em rodas de samba e em projetos como a Sounds in da City, além das oficinas dos Bike Anjos para quem quiser dicas ou aprender a pedalar em meio ao trânsito.

Com isso, mesmo que as praias da região central e continental de Florianópolis permaneçam impróprias para banho, incentivos não devem faltar para quem quiser se aproveitar das ciclofaixas de lazer. Fora o trabalho árduo em coordenar essas diversas atividades, faltam ainda, entretanto, duas questões importantes: estacionamentos de bicicleta e ciclovias “de verdade”.

Do lazer ao cotidiano

São Paulo pecou em não efetivar parte de sua Ciclofaixa de Lazer para os demais dias da semana. Após mais de três anos, mais de 100.000 pessoas percorrem as ciclofaixas das zonas sul e oeste todo domingo. O estímulo ao uso da bicicleta foi-lhes dado. Mas a passagem de se pedalar por lazer para o trabalho encontra seus obstáculos.

Após uma queda em 2011, o número de acidentes fatais com ciclistas subiu em São Paulo. Também não era para menos: em cerca de 10 anos, aumentou 300% o número de pessoas que se locomovem de bicicleta em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas a infraestrutura paulistana permaneceu praticamente inalterada, apenas maquiada, enquanto o Rio investiu fortemente em infraestrutura, pesquisa e educação no trânsito.

Faz-se necessário, assim, que Florianópolis pense sua ciclofaixa de lazer de modo a que vários de seus trechos sejam transformados, de fato, em ciclovias para o ano inteiro. Aproveitar trechos de projetos que já existam, como é o caso de Coqueiros e da Av. Madre Benvenuta, e interligá-los à malha cicloviária já existente é imperial.

É fundamental também a pesquisa de coleta de dados. Ela deve ser fundamental para embasar tanto a efetivação das futuras pistas cicláveis quanto para que sejam feitas correções de traçado ou de atrativos. Como disse Guillhermo Peñalosa, no Fórum Internacional de Mobilidade nas Cidades, realizado em Florianópolis em 2011, precisamos pegar números que mostrem o antes e o depois, verificar a eficácia da ciclofaixa de lazer para o aumento do número de ciclistas e aí sim tomar a decisão de implementar de vez uma ciclovia ou ciclofaixa permanente.

Fundo Municipal de Trânsito

Parte das promessas do prefeito eleito Cesar Souza Júnior, a destinação de 20% do futuro Fundo Municipal de Trânsito para a construção de ciclovias não poderá ser usada para as ciclofaixas de lazer se não forem seguidas estas recomendações.

A criação de um fundo para gerir a mobilidade faz parte da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei Federal 12.587/2012). A destinação desses 20%, hoje estimados em cerca de R$8 milhões por ano, para a implantação de pistas cicláveis voltadas exclusivamente ao lazer não se insere dentro da lei federal.

Entretanto, se for parte de um processo para a consolidação da infraestrutura cicloviária urbana, envolvendo desde o início pesquisas de contagem volumétrica e entrevistas com usuário de bicicleta, esse recurso poderá ser parcialmente utilizado para essa destinação.

Os 74% dos habitantes que compõem a demanda reprimida no que tange ao uso da bicicleta apenas esperam que, ao contrário de São Paulo, essa efetivação não demore mais que 3 anos.

Fabiano Faga Pacheco

Florianópolis entra na moda das ciclofaixas de lazer

DC 2013-01-10 p.6 Ciclofaixas de Lazer

A reportagem abaixo foi publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense, em 10 de janeiro de 2013. Você pode lê-la também no site do DC aqui ou aqui. Veja em PDF. Pequenos erros já foram corrigidos ao longo do texto.

PEDALADAS INICIAIS

Meta é mais 30km de ciclovias em um ano

Plano da Secretaria de Desenvolvimento Urbano representa um aumento de 70% da atual malha.

Se depender da vontade dos técnicos da prefeitura, Florianópolis deve chegar em janeiro de 2014 com 30km a mais de ciclovias, um aumento de 70% em relação à atual malha cicloviária de 43km da Capital. A meta foi estipulada pelo prefeito Cesar Souza Junior (PSD) e pelo secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Dalmo Vieira Filho.

Segundo o secretário, a equipe de técnicos da pasta deve começar nos próximos dias a detalhar os projetos de criação das chamadas ciclofaixas de lazer, que reservam trechos de ruas e avenidas para o ciclismo em determinados horários e dias da semana, e das ciclovias fixas que serão reformuladas ou construídas nos próximos anos.

– Já fizemos várias reuniões para discutir o assunto, e creio que não teremos dificuldades em criar as ciclofaixas. Nossa maior preocupação é garantir segurança e infraestrutura de qualidade para os ciclistas, estimulando mais gente a pedalar. Acidentes não poderão acontecer – afirma o novo secretário.

Pelos planos da prefeitura, serão criadas ciclofaixas no Continente, no Centro, na Trindade e nas regiões do Saco da Lama e de Cacupé. Entre as ciclovias, a prioridade total é o trecho da chamada Bacia do Itacorubi, que atenderia à demanda de alunos da Udesc e da UFSC que usam a bicicleta como meio de transporte.

Antes de concluir os projetos, Dalmo diz que pretende conversar com entidades e associações que atuam na área, pedindo conselhos e ideias de melhorias às propostas.

– Já temos vários projetos que estão sendo desenvolvidos no Ipuf, mas precisamos conversar com essas entidades antes de começar nossas ações. Temos pessoas pensando em como deve ficar o trânsito, para evitar reclamações dos motoristas, por exemplo. Tudo precisa ser muito bem pensado e planejado – explica Dalmo.

DC 2013-01-10 Ciclofaixas de Lazer fig.1 (Veja em PDF)

Para o integrante do grupo de ciclistas Bike Anjo Fabrício Sousa, qualquer medida que atenda à demanda reprimida na cidade é bem-vinda, ainda que considere haver demora em executar projetos relativamente simples e baratos.

– Claro que o ideal é haver mais ciclovias com separação dos carros, mas a colocação de ciclofaixas de lazer já é uma ação a se comemorar. Floripa tem todo o jeito para isso, o próprio turismo seria beneficiado com mais ciclovias – afirma.

Militante questiona ciclofaixa de lazer

O presidente da ViaCiclo, principal entidade de ciclousuários do município, Daniel de Araújo Costa, diz que a criação de ciclofaixas de lazer não é a solução ideal para ajudar a melhorar os gargalos de mobilidade urbana da Capital catarinense.

– É uma coisa meio estranha, para funcionar só aos domingos. Você acaba sem a opção de se deslocar de bicicleta como um meio de transporte no seu dia a dia. A ciclofaixa não deve servir só com fins de entretenimento, é preciso termos mais ciclovias de transporte urbano – argumenta.

Larissa Guerra

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A polêmica da ciclofaixa de Curitiba
São Paulo amplia sua ciclofaixa de lazer
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Charge – Na inauguração da ciclofaixa de lazer…
Setembro, mês da mobilidade

Guarda Municipal está multando veículos estacionados sobre as novas ciclofaixas de Florianópolis

A matéria abaixo foi originalmente publicada na versão on line do Jornal Notícias do Dia, em 27 de dezembro de 2012, às 16h31. Consta também do jornal impresso, edição de Florianópolis, no dia 28 de dezembro (págs. 5 e 24). Você também pode lê-la matéria no site do ND aqui. A versão abaixo é um misto de ambas.

 Motoristas estacionam e circulam em locais exclusivos para os ciclistas

Invasão nas ciclofaixas. Ciclistas precisam desviar de carros e caminhões na via que deveria ser livre para o fluxo de bicicletas.

Quem usa a bicicleta como meio de transporte em Florianópolis precisa estar sempre atento aos veículos que circulam pelas avenidas e a falta de cuidado e distância necessária dos motoristas. Porém em alguns pontos, mesmo havendo ciclofaixa, quem pedala não está seguro e precisa muitas vezes desviar de carros caminhões e até disputar espaço no local que deveria ser exclusivo a ciclistas com motociclistas.

Andando pelo Centro da Capital em poucos minutos é possível observar o desrespeito em diversas ruas. As vias com muitos prédios e estabelecimentos comerciais são as mais desafiadoras aos ciclistas. Na rua Frei Caneca, a equipe do Notícias do Dia flagrou um caminhão estacionado em cima da ciclofaixa.

O motorista Jó Nakao, que é funcionário de uma transportadora, estava dentro do veículo e com o pisca alerta ligado. “Precisamos fazer carga e descarga e mudanças, mas aqui é impossível estacionar. Se fico do outro lado os ônibus quase batem na gente e nos prédios ou não tem espaço para caminhão ou não deixam entrar, infelizmente é nossa única opção”, justificou.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

Cerca de 500 metros à frente, outro flagrante. Um carro de uma empresa prestadora de serviços estacionado em frente a outro prédio, em cima da ciclofaixa. As justificativas são as mesmas: falta de local para carga e descarga ou o famoso “é só um minutinho”.

Porém, de acordo com a subcomandante da guarda municipal Maryanne Mattos, não há desculpa que justifique a infração. Segundo ela estar dentro do veículo com pisca alerta ligado e sair logo que é alertado não impede o registro da infração e aplicação da multa, que é de R$ 127,69. Para os veículos de carga, quando não há local livre para estacionamento, é possível pedir autorização ao IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) para estacionar em data e horário específico.

Ciclistas pedem mais fiscalização e consciência dos motoristas

Rosana Klotz Glienke é moradora do Centro e há poucos meses deixou de usar a bicicleta como meio de transporte por causa da insegurança. Ela costumava levava as filhas para escola de bicicleta, mas agora só usa para passeio. Ontem ela seguia com as filhas Sandy e Giulia e a amiga Jessica, pela ciclofaixa, mas estava indo em direção à Beira-mar, onde não precisam desviar de carros, ônibus nem caminhões. O marido dela ia trabalhar diariamente de bicicleta, mas desistiu depois de quase ser atropelado por duas vezes. “O medo nos fez mudar de hábito e infelizmente voltamos para o carro. Precisa fiscalização e multa, mas principalmente consciência das pessoas. Com o desrespeito que há, hoje andamos só para curtir e passear”.

José Carlos Ferreira Junior trabalha como entregador de compras de um supermercado da região Central e, enquanto se deslocava até a casa de um cliente na rua Duarte Schutel, Centro, precisou desviar três vezes de carros e caminhões parados sobre a ciclofaixa. Ele conta que por sorte nunca se acidentou, mas já viu outros colegas machucados e até a bicicleta precisou ser trocada por acidentes provocados pela falta de respeito de motoristas à faixa destinada aos ciclistas.

A empresa instalou até uma buzina no guidão da bicicleta para chamar a atenção quando necessário. “É complicado, tem muita entrada e saída de veículos transversais à faixa. Não sei adianta, mas talvez colocar mais sinalização e fiscalizar mais poderia ajudar. Mas percebo que quando a polícia vem os motoristas saem mas logo voltam”, lamentou.

Segundo Maryanne em apenas um período do dia fazendo ronda no Centro da Capital os guardas flagram mais de dez infrações deste tipo, a maioria em locais de comércio e no período da noite em ruas onde há bares. “A gente pede pra retirar e multa, e os motoristas reclamam dizendo que é falta de bom senso porque já estão retirando o veículo. Mas eles é que não tiveram bom senso na hora de parar ali”, afirmou.

Saiba Mais:
De acordo com o inciso VIII do artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro, estacionar veículo no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público é infração grave. A penalidade é multa de R$127,68 e cinco pontos na CNH. A medida administrativa que deve ser aplicada é a remoção do veículo.

Letícia Mathias

Fernanda Lago: Florianópolis tem que deixar de ser “carro-dependente”

O texto abaixo foi originalmente publicado no periódico Diário Catarinense, versão impressa, na quinta-feira, 06 de dezembro de 2012, na página 3 do caderno Variedades. Pode ser lida também neste link.

Cronica - Fernanda Lago DC 2012-12-06 Dependentes

(Veja em PDF)

Contexto

Dependentes

Fernanda Lago

Cada vez mais as cidades do mundo, falo das urbanizadas, obviamente, restringem o acesso dos carros nas suas áreas centrais. Várias metrópoles optam por privilegiar o trânsito de pedestres e veículos pequenos, mais individualizados, como a bicicleta, o skate, o patinete, o patins e até as motinhos, vespas e afins, feitas para, no máximo, duas pessoas ocuparem. E em contrapartida, estão a impedir que os tentáculos do trânsito mais pesado espalhem-se sobre os espaços públicos como se fossem os únicos, ou os mais importantes componentes de uma cidade. Assim, torna-se mais comum pensar, planejar e implantar meios de transportes alternativos e de veículos coletivos e públicos, tão fundamentais para o fluxo das coisas.

Queiram ou não, os carros, os tais veículos de passeio, hoje são objetos obsoletos. Projetados idealmente para o uso comum de quatro a seis passageiros, mas a grande maioria carrega apenas um, o próprio motorista.

Duvida? Faça um passeio mais atento por sua cidade, seu bairro e conte, num curto espaço, pode ser apenas cinco minutos, ou alguns metros, quantos veículos, feitos para mais ocupantes, passam com apenas uma pessoa nele. Fiz isto, a título de pesquisa não científica, na segunda-feira, às sete e meia da noite, na rua geral do Córrego Grande e fiquei impressionada, pois numa sequência de apenas um minuto, os 15 carros que passaram no sentido contrário, tinham somente o condutor como ocupante. Haja desperdício!

Arte: Felipe Parucci.

O jornalista Gilberto Dimenstein utiliza uma expressão muito boa para definir o apego e o uso excessivo dos carros nos espaços urbanos. Segundo ele, vivemos em cidades “carro-dependentes”. Título justo e merecido, já que é bem mais comum do que possa supor qualquer filosofia ver o cidadão fazer uso do seu carro para se deslocar até a academia de ginástica mais próxima, a fim correr na esteira, ou para ir até a padaria da esquina, a locadora e por aí afora. Somos uma sociedade de viciados em carros, ao ponto de crer que a vida será melhor, mais feliz, com mais amigos e namoradas, dependendo do modelo que o nosso dinheiro possa bancar, ou não. Chegamos ao estágio de confundir veículo motorizado com ego.

Mas agora, que vivemos a insustentabilidade, o que realmente importa é saber como vamos sair dela. Alguns locais mais civilizados passaram a adotar a proibição de carros e outros veículos, em detrimento do pedestre e dos ciclistas. Exemplos como Nova York, que em cinco anos criou 450 quilômetros de ciclovias e fechou várias praças aos carros, entre elas a famosa Times Square e, apesar das críticas fervorosas, o comércio cresceu e a cidade toda comemora, inclusive os turistas brasileiros ávidos pelas andanças atrás dos melhores preços e produtos à venda. Lá, o transporte público também melhorou com a ampliação dos corredores de ônibus.

Mais perto, aqui na América do Sul, a Colômbia chegou na frente. Bogotá, antes conhecida como a capital mundial do narcotráfico, hoje é exemplo em desenvolvimento social e mobilidade urbana. O caminho foi longo, mas a cidade melhorou quando priorizou os espaços públicos com a ampliação de calçadas, ciclovias e parques. As áreas de estacionamentos da cidade foram reduzidas, apesar das reclamações dos donos dos carros.

Em Florianópolis, assistimos, principalmente pelas redes sociais, uma briga séria e feia, a dos “com carros” contra os “com bicicletas” e vice-versa, enquanto algumas áreas de estacionamento estão se tornando ciclofaixas, para felicidade de alguns e ódio de outros. Pena que a mobilidade não se restrinja apenas a isto. Aliás, vou gostar ainda mais de morar aqui quando as ciclovias tiverem começo, meio e fim, o transporte público for eficiente, o centro da cidade priorizar o pedestre e quando deixarmos de ser “carro-dependentes”.

Trabalhadores em Bicicletada

Vai acontecer nesta sexta-feira, 27 de abril, com concentração na pista de skate da Trindade a partir das 18h e saída em torno das 20h, mais uma edição da Bicicletada de Florianópolis!

Confirme sua presença no Facebook!

A Bicicletada ocorrerá em percurso decidido na hora pelos participantes e a pedalada será em ritmo leve, propício para a família. E mais uma vez ela será temática, antecipando o Dia do Trabalhador, mostrando que ciclista também contribui – e muito! – para a economia!

Arte: Tina Merz

Novos e velhos problemas

O mês de abril veio e trouxe com ele tristes novidades para os ciclistas da cidade. Se o recapeamento da Rua Frei Caneca foi verificado na última edição da Bicicletada, a ciclofaixa que existia por ali sumiu e está para ser feita com dimensões ainda menores!

Enquanto o Projeto Rotas Inteligentes, em sua Rota 43, prevê a ciclofaixa com 1,80m e, seguindo lei municipal, pintada na cor vermelha, deixando ainda pista para circulação de ônibus à direita com 3,10m de largura, o que está para sair está invertendo a largura da pista para ônibus com a de automóveis, além de diminuir a ciclofaixa e não pintá-la de vermelho.

De modo semelhante, a ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus não foi refeita após mais de 6 meses do recapeamento da Av. Luiz Boiteux Piazza, que se seguiu à implantação do esgotamento sanitário.

Outros dois fatos marcaram um abril de reclamações ciclísticas: a ausência de bicicletário no Centro Administrativo estadual, no bairro Saco Grande, e a piora considerável na capa asfáltica da ciclofaixa da Fazenda do Rio Tavares, que foi inaugurada há dois anos e ainda hoje apresenta postes no caminho dos ciclistas.

Buraco na ciclofaixa da Fazenda do Rio Tavares, próximo ao terminal de ônibus TIRIO. Foto: Thaís Suzana Schadech.

Feliz Aniversário, Desterro!

Esta sexta-feira, 23 de março, Florianópolis comemora 286 anos de sua emancipação política. Como nos últimos anos, esta data é escolhida por seus representantes para se fazer inaugurações de obras. E algumas delas têm a ver com bicicleta.

Beira-Mar Continental

A Avenida Poeta Zininho, popularmente conhecida como Beira-Mar Continental ou Beira-Mar do Estreito, leva, nos 2,3km sem poesia de sua extensão, o nome do autor do hino oficial da cidade, o popular “Rancho de Amor à Ilha”. Neste novo aterro de um povo que infelizmente ainda não trata seus mares com carinho, constam ciclovias bidirecionais margeando o mar. Os ciclistas contam com iluminação, mas a arborização continua praticamente inexistente, diferindo muito da orla bastante freqüentada dos municípios paulistas de Santos e Praia Grande.

Os novos 2,3km de pistas cicláveis começam e terminam dispersos de outras estruturas cicloviárias, mas sem dúvida é uma opção interessante para os deslocamentos de passagem feitos em bicicleta. A maior parte de quem mora no antigo Balneário do Estreito, cuja balneabilidade ainda deixa a desejar, verá o trecho mais como uma opção de lazer do que de deslocamentos no dia a dia. Para esses, pistas cicláveis no binário R. Fulvio Aducci e R. Gen. Eurico Gaspar Dutra seriam essenciais.

Prevista para ser inaugurada em 2009, a obra demorou 8 anos para ser concluída. Em 2011, no Fórum das Américas sobre Mobilidade nas Cidades, Guillermo Peñalosa sugeriu que um trecho como aquele deveria ter a metade da quantidade de pistas, com a parcela restante recoberta por áreas verdes e de lazer.

De fato, não deve resolver a mobilidade do automóvel a médio e longo prazo, até por não estar integrada aos estudos que visam implantar um novo modelo de transporte coletivo (BRT, VLT ou monotrilho, segundo o secretário de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Renato Hinnig), mas para os ciclistas contribui de fato como uma opção nova tanto de lazer quanto de deslocamento.

A Beira-Mar Continental já foi oficialmente inaugurada, nesta quinta-feira, 22.

Nova iluminação na Beira-Mar Norte

Numa atitude que pegou os ciclistas de surpresa, a Prefeitura Municipal de Florianópolis anunciou:

“No Centro da cidade uma surpresa para os amantes da bicicleta: iluminação em led da ciclovia da Beira-Mar Norte.”

De fato, a iluminação é benvinda, proporciona melhor visão a um menor custo aos cofres públicos. Entretanto, deve-se considerar que a iluminação só deveria ser instalada após um projeto paisagístico que contemplasse arborização de seus canteiros, de forma a não atrapalhar a sinalização semafórica e não gerar sombreamento na nova iluminação.

Ciclovia na Lagoa

A revitalização da R. Ver. Osni Ortiga, no Porto da Lagoa, foi anunciada. Após a captação de recursos do Ministério das Cidades, será assinada, nos próximos dias, a ordem de serviço para iluminação, passeios, daques e ciclovia. É um antigo anseio da comunidade que tomou a forma que tem hoje em 2009, quando surgiu o Movimento Ciclovia na Lagoa Já.

Saiba mais:

Ciclovia da Osni Ortiga – Daniel Biólogo

Passeio Ciclístico

O SESC-SC convida a todos os interessados para o I Encontro de Ciclistas SESC. A saída e a chegada serão no SESC Prainha, na Travessa Syriaco Atherino nº100. A pedalada deve sair à 9h e seguir por um percurso de 4km pelo Centro da cidade, num trajeto fácil para pessoas de qualquer idade ou condição física.

Em outros aniversários

Em 23 de março de 2010, foi inaugurada, ainda incompleta, a ciclofaixa da Fazenda do Rio Tavares. Com nove postes de eletricidade no caminho dos ciclistas, até hoje nenhuma outra intervenção foi feita no local, permanecendo os obstáculos em seus mesmíssimos locais de dois anos atrás.

No ano passado, após um passeio ciclístico que contou com dezenas de pessoas, foi assinada a criação da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta, contendo atores da sociedade e representantes de entidades públicas de Florianópolis. A iniciativa foi elogiada em cidades como Tijucas, Recife e São Paulo. Completando um ano desde sua criação, a Pró-Bici deverá ser reformulada, a fim de melhor cumprir sua função sob os olhares constantes dos ciclistas da capital.

“Espero que a ghost bike em homenagem a ele tenha sido a última”, diz nora de ciclista atropelado em ciclofaixa em Canasvieiras

“Sou a nora de Hector Cesar Galeano. Venho em meio dessa mensagem agradecer pela homenagem que foi feita no dia 12 para meu sogro. Poucos sabem, mas a família de Hector mora nos Ingleses, em Florianópolis. Ele deixou 2 filhos e um neto que o amavam muito e que sentem imensa falta de seu sorriso e seus abraços sempre cheios de amor. Eu, meu marido e meu filho agradecemos!!!

Segue foto do Hector Galeano junto com o neto.

Espero que a Ghost Bike instalada em homenagem a ele na SC-401 tenha sido a última!

 Raquel Rosa Guimarães “


Relatos da Instalação da Bicicleta-fantasma
Pedala Floripa

Fotos
Audálio Marcos Vieira Júnior
Fabiano Faga Pacheco
Guilherme Peres

Vídeos
Audálio Marcos Vieira Júnior
Guilherme Peres 

Saiba mais:

Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana –  A ghost bike de Hector Cesar Galeano foi a segunda do final de semana.
Florianópolis terá duas Bicicletadas neste fim de semana – Divulgação oficial da  Mobilização por mais segurança e menos mortes na Ilha de Santa Catarina.
SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – Reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.
Bicicletas-fantasmas em Florianópolis para o mundo saber – As primeiras ghost bikes da Grande Florianópolis são divulgadas para o mundo. A cidade foi a terceira cidade brasileira a contar com essa homenagem.

Veja também:

Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
“Os ferimentos do meu filho não foram leves”, diz mãe de ciclista atingido na SC-401 – Desabafo da mãe de Nicolas Paolo Zanella, o outro ciclista atropelado na SC-401.
Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Charge – Pedalando com segurança na SC-401
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do último acidente no Jornal Notícias do Dia.
Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.

Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana

No domingo, outro ciclista foi atropelado.

A instalação da bicicleta-fantasma (ghost bike) no último domingo, dia 12 de fevereiro, em Canasvieiras, em homenagem ao ciclista Hector Cesar Galeano (19/12/1957 – 03/01/2012), morto por um motorista embriagado foi a segunda naquele final de semana na capital catarinense. Na véspera, na mesma rodovia SC-401, outra bicicleta-fantasma relembra o acidente que vitimou Emílio Delfino Carvalho de Souza e feriu Nicolas Paolo Zanella.

Ghost bike em Canasvieiras relembra Hector Cesar Galeano, atropelado por um motorista embriagado no começo do ano. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Cinqüenta e sete ciclistas estiveram presentes nessa homenagem. Moradores do bairro, triatletas e pessoas que usam a bicicleta no dia-a-dia promoveram a homenagem. “Esperamos que as pessoas se conscientizem e que esta seja a última bicicleta-fantasma desta cidade”, falou Audálio Marcos Vieira Júnior.

Mais de cinqüenta ciclistas partem de Canasvieiras. Foto: Guilherme Peres.

A bicicleta-fantasma, toda pintada de branco, foi pendurada num poste na SC-401, a 200m do Trevo de Canasvieiras, sentido centro-bairro, onde Hector foi atingido enquanto pedalava pela ciclofaixa construída com a recente duplicação das pistas da rodovia. No local, também foi pintada no asfalto, no acostamento, uma estrella negra (estrela-negra), simbolizando a vida perdida.

Estrela-negra embranqueia o asfalto da SC-401 em Canasvieiras. Foto: Guilherme Peres.

Inauguração do bicicletário do TICAN

Os ciclistas partiram do Trevo de Canasvieiras e foram rumo ao sul, ocupando a ciclofaixa e o acostamento da região, observando os problemas na obra recém-inaugurada, de forma a serem propositivos e contribuírem para a sua melhoria.

Além da sinalização vertical errônea e deficiente, abrigos de ônibus foram feitos sobre a ciclofaixa e a travessia de algumas das pontes não oferece a menor condição de segurança ao ciclista. A medição com trena indicou que os automóveis não conseguem parar com segurança no acostamento de, no máximo, 1,5m, considerando desnível da pista de rolamento e tachões, obrigando-os a estacionarem sobre a ciclofaixa.

Paradas de ônibus sobre a ciclofaixa obrigam os ciclistas a desviarem de obstáculos. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Os ciclistas passaram sobre o elevado dos Ingleses e, na metade da pedalada, “inauguraram” o novo bicicletário do Terminal de Integração de Canasvieiras, com capacidade para mais 30 bicicletas, com relativa segurança.

Faltou espaço no bicicletário do TICAN. Foto: Guilherme Peres.

Quinta bicicleta-fantasma da Grande Florianópolis

Com mais essas duas, chegam a cinco as bicicletas-fantasmas instaladas na Grande Florianópolis. Destas, 4 foram feitas em homenagem a ciclistas atropelados por motoristas embriagados.

A primeira, na SC-402, em Jurerê, lembra o triatleta Rodrigo Machado Lucianetti, morto em 3 de agosto de 2008. O motorista, Thiago Luiz Stabile, vai a júri popular em sentença publicada mais de três anos após o acidente. Marcelo  Occhialini Godoy, também atropelado, passou por inúmeras cirurgias e ainda sofre com problemas psicológicos decorrentes deste acidente. A boa notícia é que, este ano, deve voltar às atividades físicas.

Bicicleta-fantasma em Jurerê é a única das outras três que está em pé. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Ainda em 2008, em 13 de setembro Rodrigo Wilmar da Costa foi atingido no acostamento na mesma SC-401 onde houve as manifestações da última semana. O motorista, embriagado, com veículo furtado e placas clonadas, foi liberado após pagar fiança de R$2500,00. A bicicleta-fantasma em sua homenagem foi furtada.

Por fim, ainda em 2008, Esaú Roberto de Medeiros foi atropelado por um motociclista às margens da BR-101, em Biguaçu. Sua bicicleta-fantasma, a mesma com a qual pedalava, foi retirada do local por sua família, a pedido do motociclista, visto que Esaú pedalava pela contramão quando foi atingido.

Atropelamento

Por volta das 22h30min do mesmo domingo em que a bicicleta-fantasma de Hector foi erguida, Robson da Silva, 20 anos, foi atropelado na Av. Beira-Mar Norte, próximo à Av. Prof. Othon Gama D’Eça, e foi levado em estado gravíssimo ao Hospital Celso Ramos. Não se tem notícias do seu atual quadro de saúde.

 Fabiano Faga Pacheco

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Guilherme Peres 

Saiba mais:

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“Os ferimentos do meu filho não foram leves”, diz mãe de ciclista atingido na SC-401 – Desabafo da mãe de Nicolas Paolo Zanella, ciclista atropelado na SC-401.
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SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – Reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente com o Emílio.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
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A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.
Bicicletas-fantasmas em Florianópolis para o mundo saber – As primeiras ghost bikes da Grande Florianópolis são divulgadas para o mundo. A cidade foi a terceira cidade brasileira a contar com essa homenagem.

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Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.

Ciclofaixa na SC-401: Deinfra diz que está dentro das normas. Ciclistas protestam.

Desde a semana anterior à inauguração da duplicação da rodovia SC-401, trecho entre o trevo de Jurerê e Canasvieiras, tenho ouvido constantes reclamações de todo tipo de ciclista e cidadão possível quanto à ciclofaixa.

Moradores da região contam que fizeram o recuo dos terrenos e esperavam uma obra decente, tal qual uma ciclovia. Ciclistas esportistas, em especial atletas que competem no triatlo, reclamam da impossibilidade de ultrapassagem segura e do perigo constante que é tocarem os tachões que dividem a ciclofaixa do acostamento.

Ciclistas cotidianos, por sua vez, reclamam da falta de critérios. Para as pistas, foram mantidas a distância de 3,5m para cada faixa de rolamento. O acostamento, diminuto, ficou com 1,5m e a ciclofaixa unidirecional, com outros 1,5m.

Os problemas, apontados pelos próprios ciclistas estão nas pontes e no elevado próximo à comunidade de Vargem Pequena, além do próprio tipo de via ciclística. As recomendações para vias cujas velocidades sejam superiores a 50km/h é a construção de ciclovia, segregada espacialmente por uma barreira física da pista de rolamento de veículos automotores. O tratamento dado também no elevado foi considerado pífio e completamente inadequado.

É interessante que nos últimos três anos, Florianópolis sediu três grandes eventos sobre mobilidade, com profissionais renomados mundialmente: Semana Internacional da Bicicleta (2009), Fórum Internacional sobre Mobilidade nas Cidades (2010) e Fórum das Américas sobre Mobilidade nas Cidades (2011). Em nenhum deles houve a presença de profissionais do DEINFRA. Daí resulta o desconhecimento técnico desse órgão em lidar com a mobilidade urbana como um todo, de forma integrada.

Guillermo Peñalosa, da 8-80 Cities, afirmou que devemos pensar a cidade para todas as pessoas, sejam elas de 8 ou até de 80 anos. Se você deixar o seu filho ou o seu pai sair à rua, com o modal possível a eles, sem se preocupar com a questão da violência no trânsito, então você terá uma cidade acessível. Deve-se planejar a cidade dessa maneira, afinal!

Infelizmente, não é esse o caso da ciclofaixa da SC-401. Não dá para se considerar seguro um trecho como aquele. No Brasil mesmo, temos o exemplo de Praia Grande, que modificou a forma de as bicicletas transitarem em ambas as marginais da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55), tornando muito mais seguro e eficiente tanto a mobilidade por bicicleta quanto pelo automóvel.

Nas oficinas técnicas da Semana Internacional da Bicicleta, o renomado arquiteto brasileiro Antonio Carlos de Mattos Miranda propôs uma solução à Via Expressa (BR-282) para o tráfego de ciclistas, com ciclovia abaixo do nível das pistas, de forma a evitar que ciclistas sejam atingidos por qualquer saída de pista de um ébrio motorista.

Recentemente, o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (DEINFRA), Paulo Roberto Meller, afirmou que a ciclofaixa da SC-401 estava dentro das normas. Hoje, disse ainda que se alguém falar que estava fora da norma, que lhe provasse e afirmou ainda haver um grupo criando polêmica sobre a rodovia.

De fato, há um grupo criando uma polêmica: o grupo dos que viram uma via ciclística mal projetada, o grupo dos arquitetos e engenheiros que pensam a cidade como um todo, o grupo dos especialistas estrangeiros, não entendendo como, após tantas horas dedicadas a passar instruções num país terceiromundista, vêm uma obra ser finalizada da maneira como foi e, por fim, o grupo dos ciclistas que se viram PREJUDICADOS por uma ciclofaixa que não atende aos verdadeiros fins da mobilidade urbana por bicicleta.

Visando a ilustrar toda essa situação, os florianopolitanos não puderam deixar de se manifestar sobre a irônica situação em que se depararam:

Por hora, sem uma percepção detalhada de toda a obra, mas com o projeto executivo em mãos, o Bicicleta na Rua aponta já o primeiro erro do projeto, elaborado pela empresa SOTEPA – Sociedade Técnica de Estudos, Projetos e Assessoria. A pista é tratada nominalmente como ciclovia, mesmo sendo oficialmente uma ciclofaixa. A diferença entre ambos encontra-se em leis tanto federais, quanto estaduais e municipais. Mais uma prova de que os ciclistas foram relegados a escanteio. Mais uma vez.

Atualizado em 13 de fevereiro de 2012, às 23h45.

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Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Desrespeito às normas técnicas de segurança no trânsito põem em risco a vida de usuários da bicicleta.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.

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Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias

Os manuais internacionais e até mesmo os brasileiros expressam bem que em locais onde a velocidade máxima permitida for superior a 50km/h, a pista ciclável deve ser segregada da via por meio de barreiras físicas contínuas.

As explicações para isso estão, em parte, relacionadas a pesquisas sobre índice de letalidade em acidentes. A 30km/h as chances de uma pessoa sobreviver a um acidente variam de 85% e 95%. Já entre 60km/h e 80km/h, esses índices variam de 30% a 15% apenas.

Mas, ao contrário do que recomendam as normas técnicas nacionais e internacionais, observamos a implantação inadequada de algumas vias ciclísticas em plena capital catarinense, Estado eleito pela quinta vez o melhor destino turístico do Brasil, razão pela qual fica incompreensível o desprezo no tratamento de sua infraestrutura cicloviária.

Na recém-inagurada ciclofaixa da rodovia SC-401, observamos, além de irregularidades legais no que diz respeito ao tratamento de pistas cicláveis nas chamadas “obras de arte” (leia-se: pontes e viadutos), um total desconhecimento de como inserir a bicicleta numa rodovia. O projeto de duplicação da pista, feito pela empresa SOTEPA – Sociedade Técnica de Estudos, Projetos e Assessoria, contém falhas, no mínimo, grosseiras e que, indiscutivelmente, contribuiu para que um ciclista perdesse a vida apenas duas semanas depois da inauguração da obra.

Morador de Canasvieiras, Hector Cesar Galeano, de 54 anos, nascido na Argentina, foi vítima de sua escolha pelo uso da bicicleta, da negligência e falta de contingente da Polícia Militar Rodoviária Estadual em coibir abusos e da execução de um projeto de engenharia pífio que não permitiu a segurança de um ciclista em casos, infelizmente tão comuns, de embriaguez ao volante.

Clique sobre a imagem para ver a matéria do Jornal Notícias do Dia de 5 de janeiro deste ano (pág. 4) ou aqui para ler o conteúdo on line Diário Catarinense.

Infelizmente, a Rodovia das Mortes vai continuar fazendo de ciclistas suas vítimas por ainda mais algum tempo.

Fazenda do Rio Tavares

Recentemente, as ciclofaixas da Fazenda do Rio Tavares e do Campeche têm sido alvos de constantes críticas quanto à atuação da Polícia Militar Rodoviária Estadual, em especial durante as operações de reversão de faixas.

Infelizmente, a presença constante de policiais não inibe situações como a presenciada no vídeo abaixo:

O celta branco não se envergonhou em se utilizar do mísero acostamento, cuja largura também é incompatível com a velocidade da via, outrossim não seguindo padrões tanto nacionais quanto internacionais, e da pequena ciclofaixa, inaugurada oficialmente em 23 de março de 2010, mas que, quase dois anos depois, ainda não foi completada e apresenta inúmeros postes no caminho.

Indignante.

Atualizado em 13 de fevereiro de 2012, às 23h46.

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Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.

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