(Vídeo) Conversas Cruzadas: Ciclovias em Florianópolis

Versão completa do programa Conversas Cruzadas exibido em 8 de dezembro de 2011 na TVCOM SC.

Na mesa, Giselle Pacenko, presidente da Organização Manos do Asfalto, Diogo Carvalho, estudante de Administração Pública na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e criador do blogue No Trajeto, Daniel de Araújo Costa, presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), e Vera Lúcia Gonçalves da Silva, diretora de planejamento do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF).

Veja também:

(Vídeo) Debatendo mobilidade urbana em Florianópolis
(Vídeo) Enrique Peñalosa – Investimentos em calçadas, ciclovias e transporte público melhoraram a mobilidade em Bogotá

Ciclistas de Florianópolis, Itapema e Porto Alegre inconformados

O último mês tem sido extremamente difícil para os ciclistas das cidades catarinenses de Itapema e Florianópolis e da capital gaúcha Porto Alegre. Seguidos acontecimentos na política e nos tribunais contribuíram muito para essa situação.

Florianópolis, SC

Os ciclistas de Florianópolis permanecem indignados. Além de perderem ciclovias durante o ano, vêm obras anunciadas em acabamento sofrível para se pedalar. A ciclovia do Rod. Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, está sendo feita sem respeitar o projeto executivo, com claro prejuízo aos ciclistas. A ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus foi retirada devido a obras de recapeamento e implantação de dutos de saneamento básico e não será reimplementada até o final do ano. Além disso, a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga, no Itacorubi, que está sendo feita pela CELESC e deveria ter ficado pronta em janeiro de 2010, está sofrível a ponto de metade dos ciclistas pedalarem nas ruas. No Campeche, a Polícia Militar Rodoviária Estadual manda os carros estacionarem da ciclofaixa da Av. Pequeno Príncipe e hostiliza os ciclistas que passam pelo trecho nesse período, chegando a gritar “atropela mesmo” aos veículos automotores, sem fornecer opção ao deslocamento por bicicleta, conforme denúncias que chegaram a este blogue.

Como se não bastasse tudo isso, o governo do Estado não está implantando ciclovia na SC-405, no Rio Tavares, mesmo com determinação judicial para isso e, na SC-401, entre Canasvieiras e Ingleses, o acostamento foi dividido para dar lugar a uma ciclofaixa, em total contrasenso e inobediência ao projeto executivo e às normas internacionais. Nessa via, a velocidade máxima, de 80km/h, não é respeitada por 93% dos motoristas, que comumente trafegam a mais de 100km/h, com a anuência da fiscalização da própria Polícia Militar Rodoviária Estadual que põe ciclistas em risco também no sul da Ilha.

Esse é o clima pesado com que se iniarão as comemorações da Bicicletada Floripa de Natal, cuja concentração será na praça de skate em frente ao Shopping Iguatemi, a partir das 18h, com saída prevista para às 19h em ritmo tranqüilo e destino definido na hora pelos participantes. Festeje essa pedalada com sua família, seus amigos e aqueles que você quer que estejam sempre ao seu lado!

As leis de trânsito são respeitadas e, em caso de chuva, a Bicicletada está automaticamente CONFIRMADA.

Itapema, SC

Itapema já foi citada aqui como cidade amiga da bicicleta, justamente pela ciclofaixa da Avenida Nereu Ramos. Pois bem, a ciclofaixa de parte dessta rua foi retirada num projeto urbanístico que não se pode chamar de pífio, mas que certamente contém equívocos importantes que, a médio prazo, prejudicarão o trânsito da cidade e não vai resolver o problema de mobilidade dela, como já se poderá observar nesta temporada de verão. A ciclofaixa foi retirada para abertura de nova pista de automóveis, mantendo-se vagas de estacionamento e criando-se um corredor para ônibus, táxis, veículos de emergência e motocicletas. Os ciclistas podem utilizar-se, nesse trecho, de ciclofaixa do Parque Calçadão, à beira-mar.

Em outras palavras, Itapema, sem dúvida, deu um passo na contramão da história. Rebaixou a bicicleta de veículo de deslocamento para brinquedo de lazer, dificultando e tornando perigoso o trânsito de bicicletas em plena área comercial e de serviços da cidade. Deve-se salientar, também, que a audiência pública que definiu essas alterações não contou com presença participativa de ciclistas e que a decisão da prefeitura não se baseia em sólido estudo técnico, uma vez que são desconhecidos os números de veículos automotores e de transporte ativo que transitam na cidade nesse trecho e nem se conhecem os impactos que essas alterações trarão às vias adjacentes.

Se bem fiscalizadas, essas alterações ainda deixarão Itapema à frente da maioria das cidades catarinenses em termos de mobilidade, mas ainda assim se constitui num retrocesso em termos de política pública. O ideal era que a implantação da pista exclusiva para ônibus e veículos oficiais e coletivos ocorrer no leito carroçável, utilizando-se, para isto, uma das pistas utilizadas pelos veículos automotores.

Saiba mais:

População de Itapema decide mudanças na Avenida Nereu Ramos

Porto Alegre, RS

Parece piada, mas não é! Mais uma dessas pérolas surgiuvinda direta do caso do bancário Ricardo José Neis, que atropelou e feriu ao menos 16 ciclistas durante a Bicicletada de Porto Alegre, num ato que provocou manifestaçõesem prol das vítimas em vários países.

O promotor de justiça Fábio Roque Sbardellotto, do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, enviou o seguinte ofício abaixo em que escreveu:

Senhor Comandante:
Com a honra de cumprimentá-lo, e com o escopo de instruir o Inquérito Civil supra, instaurado para “investigar potencial infração a ordem urbanística em razão de irregularidades nos eventos organizados pelo grupo de ciclistas Massa Crítica, nesta Capital”, solicito que informe, no prazo de 30 dias, o nome de todos os componentes do grupo e do representante, se houver, bem como indique de que maneira o grupo atua e comprove, conforme preceitua o artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, a prévia comunicação às autoridades competentes antes da realização dos encontros, com a indicação de trajetos, para possibilitar a organização do trânsito local.”

Oras, para bom entendido, o desconhecimento de causa do promotor chega a provocar risos. A começar pelo fato de que não existe um grupo de ciclistas chamado Massa Crítica, que é uma coincidência rizomática. Não existe necessidade de comunicação às autoridades, ao contrário do que afirma o juiz, e nem representantes e nem componentes de grupo, até pelo fato de não haver grupo.

Os motoristas saindo de seus trabalhos ou residências, inúmeros ao mesmo tempo, por uma coincidência da organização econômica e social vigente não precisam avisar às autoridades que ajudarão a provocar congestionamentos no trânsito. As “autoridades competentes” já sabem disso! Quando vizinhos vão a uma mesma festa, ou os torcedores saem dos estádios de futebol, não comunicam sua saída. Simplesmente o fazem. Que sentido faria, então, os ciclistas comunicarem que vão se deslocar pelas ruas da cidade, por ventura com outros ciclistas? Nenhum!

Enquanto isso, Ricardo Neis segue livre em sua casa. O seu processo deve acabar em júri popular.

Os ciclistas, como não poderia deixar de ser, aproveitaram-se das palavras do promotor para inspirarem-se no tema da Bicicletada de dezembro, que deve ocorrer nesta sexta-feira.

A concentração ocorrerá no Largo Zumbi dos Palmares, a partir das 18h30. A saída será às 19h, aproximadamente, em destino que qualquer um pode escolher na hora.

Saiba mais:

AI-5 de novo? MP investiga a Massa Crítica de Porto Alegre

Bicicletada dupla em Florianópolis – Em prol dos ciclousuários do Rio Tavares

A Bicicletada, por definição, não tem um roteiro pré-definido. Vai dos participantes que estiverem no ponto de encontro a sua definição. Entretanto, desde 2009 não se via tamanha insatisfação dos ciclistas de Florianópolis como se observa agora. Naquele ano, a comunidade da Lagoa da Conceição apareceu em peso, exigindo ciclovia na Av. Ver. Osni Ortiga, no Porto da Lagoa. As últimas notícias dessa ciclovia são animadoras: em setembro, a Secretaria de Obras entregou o Relatório Ambiental Preliminar (RAP) à Fundação do Meio Ambiente (FATMA). Dessa maneira, logo após a temporada de verão devem começar as obras do passeio e ciclovia.

Este ano, apesar de tudo, as insatisfações dos ciclistas têm aumentado enormemente deste meados do ano. Uma seqüência de omissões têm sido a responsável por tudo. Apesar de inaugurada em 2010, a ciclofaixa do Rio Tavares ainda não foi finalizada – há nove postes em trechos de poucas centenas de metros – e estudos feitos este ano colocam em dúvida se o lado da pista escolhido é aquele que o ciclista usa no dia a dia.

A ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus enfrenta problemas similares: postes ainda estão no meio da pista, que enfrenta, ainda, problemas de acessibilidade no principal cruzamento. Além disso, a pista foi, recentemente, quebrada para a instalação de importantes obras de saneamento básico.

A demora na apresentação dos projetos da ciclovia circum-universitária deixa apreensivos os estudantes da Bacia do Itacorubi, que convivem com situações diárias em que suas vidas são colocadas em risco. Ademais, a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga está muito, mas muito mesmo, aquém das expectativas suscitadas nos ciclistas em 2009.

Ciclistas não reconhecem a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga, no Itacorubi, como pista ciclística. A preferência de vários por se usar a rua indica que a ciclovia não cumpre adequadamente sua função. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Some-se a isto a omissão da fiscalização, que permite que automóveis estacionem em todas as vias ciclísticas da cidade, e está pronta toda uma situação tensa, prestes a entrar em ebulição.

O estopim da revolta dos ciclistas está na não construção de ciclovia na ampliação da rodovia SC-405 no Rio Tavares. Apesar de estar nos projetos municipais, os órgãos estaduais rejeitaram a mobilidade por bicicleta, colocando, dessa maneira, a vida dos ciclistas que trafegam pelo bairro em risco, não dando opção para o tráfego em ambos os sentidos da via, e optando por estacionamento do que por ciclovia e calçada. Os ânimos exaltaram-se ainda mais depois que o Estado de Santa Catarina recorreu de decisão do Ministério Público que incluía ciclovia na obra. Não é por outro motivo que não buscarem permanecer vivos que os ciclistas estão tremendamente descontentes.

Ciclistas arriscam-se por simplesmente deslocarem-se no Rio Tavares. A situação para eles tende a piorar. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Tal situação gerou que o trajeto da Bicicletada Floripa de dezembro não poderia ser outro que não aquele que passasse pelo Rio Tavares. É o que diz o “inconsciente coletivo”, para citar as palavras do cicloativista André Pasqualini, fundador do Instituto CicloBR.

Assim é que a Bicicletada do Bigode, tema escolhido para festejar mais esta edição,  acaba sendo ainda mais significativa. O “bigode”, sugerido para ser utilizado pelos participantes das intervenções lúdicas, proporciona ainda mais significações. Espera-se que Santa Catarina seja muito mais do que um Maranhão do Sul, e ouça os apelos pela vida de seus habitantes.

O ritmo da pedalada é leve, respeitando os limites físicos de todos os participantes. As leis de trânsito serão todas respeitadas no que vale ao conceito de Massa Crítica.

A saída será às 19h da praça de Skate em frente ao Shopping Iguatemi, na Trindade. A concentração tem início às 18h. Para quem vier do sul da Ilha ou da Lagoa da Conceição, a concentração será na Igreja São João Vianey, ao lado do Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares, às 18h. Às 19h, eles sairão em direção ao Trevo da Seta, próximo do qual ambos os grupos devem se encontrar.

Na ocasião, a deputada estadual Angela Albino (PCdoB) garantiu presença no evento, que é aberto a todos, sejam políticos ou não. A Bicicletada também conta com o apoio do Conselho Local de Saúde da Fazenda do Rio Tavares.

No sábado, a pedalada continua

“Gostaríamos de convidá-lo a participar da Mobilização pela Ciclovia na SC-405!

Como sabemos, o trecho do Rio Tavares está atualmente em obras, com a construção de uma nova pista pelo governo de Santa Catarina, que insiste em executar obras impensadas em todo o contexto da mobilidade urbana da região. A ausência de estudos do tráfego, a não construção de ciclovias, a não destinação da terceira pista para utilização exclusiva pelo transporte coletivo mostram que o planejamento urbano foi voltado exclusivamente para o automóvel, criando barreiras ao comércio local, prejudicando os ciclistas, pedestres e os usuários de transporte público.

Sabemos que a solução para a mobilidade urbana passa pelo binômio bike+ônibus, e não é o que está acontecendo na região. Como prova disso, o governo recentemente recorreu de Ação Civil Pública que determinou a implantação de ciclovia no trecho em obras em um ano, apesar de manifestações dos moradores, ciclistas, urbanistas e arquitetos. Além disso, nosso governador tem ignorado uma lei estadual (Lei 15168/2010) que OBRIGA a inclusão de ciclovia nas reformas de rodovias estaduais, indo na contramão de exemplos bem sucedidos em outros estados brasileiros e em outros países.

Precisamos nos mobilizar contra esse descaso com os ciclistas e com todos os meios de transporte coletivo em Florianópolis!”

Saiba mais:

Site, Facebook, Orkut e Blogue da Bicicletada Floripa.

Charge – Na inauguração da ciclofaixa de lazer…

“Num trânsito que mata, inclusive ciclistas, prefeito de Curitiba vai inaugurar ciclovia que só funciona 1 vez por mês”

A charge acima é de autoria de Carlos Latuff, cartunista reconhecido internacionalmente, e pode ser vista também aqui.

Saiba mais:

A polêmica da ciclofaixa de Curitiba

Veja também:

Charge – Dia Mundial Sem Carro
Charge – Semana Mundial Sem Carros
Charge – Acessibilidade

Charge – Fins do mundo

(Charges) Atropelamento da Massa Crítica de Porto Alegre

(Charges) Ciclista Noel

Charge – A Faixa de Gaza é mais segura que a faixa de pedestres

Charge – É só não usar como um selvagem!

Charge – Na Ressacada, só de bicicleta

Charge – Não chegue antes na escola, filho!

Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis

Charge – A Ilha tá afundando

A polêmica da ciclofaixa de Curitiba

Neste domingo, 23 de outubro de 2011, deve entrar em operação o Circuito Ciclofaixa. Nos mesmos moldes da Ciclofaixa São Paulo, em que ruas normalmente destinadas ao tráfego automotor viram, aos domingos, uma opção de lazer para a cidade, o Circuito Ciclofaixa começará na região central de Curitiba com 4km, funcionando apenas no último domingo de cada mês, das 8h às 16h. A idéia é que até o dia 29 de março, aniversário da cidade, essa opção de lazer funcione todo domingo do mês. A prefeitura espera, com isso, começar a estimular o respeito aos ciclistas no trânsito.

Pelos ciclistas da cidade, que não foram ouvidos durante a tomada de decisão, o anúncio da ciclofaixa de um domingo por mês foi considerada uma piada de mau gosto. Acostumados a pedalar pela região central, que não conta com decentes infraestruturas cicloviárias, o Circuito Ciclofaixa sofreu muitas críticas.

Em várias ruas, a faixa, que contava, até anteontem pelo menos, com uma simples pintura vermelha na lateral e em entroncamentos, sem uma sinalização clara que indicasse a passagem de ciclistas, foi, ainda, construída no lado esquerdo das vias. No dia-a-dia, os ciclistas pedalam por essas ruas pelo lado direito. Temem, com razão, que sejam hostilizados nos demais dias do mês por não estarem no lado que a administração considerou o “certo” sem observar o comportamento dos ciclousuários.

Ademais, não há a mínima razão para crer que uma ciclofaixa de lazer uma vez por mês vá provocar mudanças no comportamento no trânsito, permitindo um sossegado compartilhamento da rua entre os diversos meios de transporte.

Infraestruturas cicloviárias mal-feitas ou mesmo a ausência de pistas cicláveis decentes podem levar ao óbito de ciclistas. Talvez o exemplo mais recente disso seja a morte do empresário Antonio Bertolucci, sócio da Lorenzetti, atropelado no cruzamento da Av. Sumaré com a Av. Dr. Arnaldo. A Av. Sumaré possui uma ciclovia no canteiro central, feita sem diálogos entre a prefeitura e a sociedade, que mal é usada pelos usuários da bicicleta e por um motivo simples: não é funcional.

Outro caso emblemático ocorreu em Garopaba. A retirada da então única ciclofaixa da cidade ocasionou 6 atropelamentos em 4 dias.

Conhecendo isso, e com o conhecimento de que Curitiba é a cidade proporcionalmente mais motorizada entre as sedes da Copa do Mundo 2014, fazem sentido aos preocupações dos ciclistas curitibanos.

Foi por isso que, na inauguração do Circuito Ciclofaixa, a Bicicletada Curitiba fará uma mobilização demonstrando a sua insatisfação com a proposta.

A reação da prefeitura às críticas foi imediata. Numa reunião com representantes de grupos de pedaladas no qual estavam, entre outros, o Cicloiguaçu, o Ciclovida e participantes da própria Bicicletada, a prefeitura de Curitiba justificou o Circuito Ciclofaixa. Ficou também decidido que os ciclistas fariam um relatório com suas impressões do circuito. Se as considerações forem levadas a sério e se essa reunião vai ser o início de uma futura domissão municipal de mobilidade urbana por bicicleta, nos moldes da que foi recém-criada em Florianópolis, ou mesmo de um departamento de mobilidade ativa, só o futuro dirá.

Enquanto isso, espera-se que uma nova abordagem seja tomada para permitir a inclusão, com segurança, da bicicleta no trânsito curitibano, bem como que a ciclofaixa acabe não prejudicando o pedalar cotidiano de quem já aderiu a essa forma de mobilidade na cidade.

Saiba mais:

Em Curitiba, ciclofaixa de lazer genérica vai funcionar em doses homeopáticas – o blogue Ir e Vir de Bike, ligado ao jornal Gazeta do Povo, tece algumas considerações bastante válidas sobre o Circuito Ciclofaixa.
Curitiba terá ciclofaixa de lazer – divulgação na Gazeta do Povo sobre a iniciativa da prefeitura.
Ciclistas convocam protesto contra ciclofaixa uma vez por mês – divulgação na Gazeta do Povo da manifestação dos ciclistas.
1º Circuito Ciclofaixa de Lazer de Curitiba será neste domingo – segundo a Prefeitura Municipal de Curitiba, o município conta com 120km de ciclovias e mais 22,4km estão em construção.
Ciclovias ligam Curitiba de ponta a ponta – segundo o Plano Diretor Cicloviário, Curitiba deverá ter 400km de ciclovias.
Região central terá domingo de lazer com o Circuito Ciclofaixa – matéria do Jornal do Estado mostra a preocupação evidenciada pelo grupo Cicloiguaçu com a inauguração da ciclofaixa. Veja aqui a chamada na capa.
As bicicletas e as estatísticas do governo Richa/Ducci a frente da prefeitura de Curitiba – entre janeiro de 2001 e setembro de 2011, foram 4.633 acidentes com ciclistas registrados em Curitiba, sendo 65 fatais.

Veja também:

São Paulo amplia sua ciclofaixa de lazer
Campinas inaugurará ciclofaixa de lazer para os domingos e feriados

Desrespeito desterrense eternizado na internet

O Google Street View disponibiliza, desde o dia 27 de setembro, imagens de ruas de cidades catarinenses. Desde esse dia, Florianópolis, Lages, Rio do Sul, Joinville, São Bento do Sul e Jaraguá do Sul podem ser visualizadas com essa ferramenta.

Para saber mais sobre como utilizar o GSV, clique aqui.

O legal do Google Street View é que você pode, sem sair de casa, observar os arredores de um lugar que você vá visitar. É ótimo, também, para conhecer a infraestrutura ao redor de um hotel ou pousada que você pretende ficar durante uma viagem. Ou ainda percorrer um itinerário sabendo as cenas que você vai ver em seus lados esquerdo e direito.

Em Florianópolis, percorrendo o trecho das ciclofaixas da Agronômica (R. Frei Caneca e R. Rui Barbosa) e da R. Bocaiúva, utilizando dos recursos do Google Street View, podemos perceber que algumas cenas que os ciclistas enfrentam no seu dia-a-dia foram captadas pelas câmeras do carrinho do Google.

Cenas essas que, por maior fiscalização do Poder Público, poderiam deixar de ocorrer, mas que, após anos, continuam a dificultar o pedalar e a garantir sobrevida aos crimes de trânsito praticados no Estado.

Vamos começar, então, por uma imagem mais simples e menos indignante. O buraco aí de cima foi feito durante uma reforma em estabelecimento próximo. Esse trecho foi o único que ainda não foi arrumado. Mesmo tendo-se passado meses. Infelizmente, não se recorda da empreiteira responsável por isso.

Tem-se, sempre, a idéia simples de que, se alguém destrói uma rua durante uma obra, vai ao término deixá-la, no mínimo, igual a como estava antes. Infelizmente não foi o caso.

 

Este caminhão, da Frilatos, estacionou sobre calçada e ciclofaixa, sem espaço para pedestres, cadeirantes ou ciclistas.

Esta cena registrada é a mais legal do percurso. Mostra uma bicicleta presa em frente a um prédio, com uma placa de traslado de bicicleta e a ciclofaixa na R. Frei Caneca em frente.

Esta é a pior cena de todas. Podem ser observadas várias infrações. Apesar dos carros e caminhão sobre o passeio, chega a enojar a motocicleta escapando do congestionamento, cortando caminho pela ciclofaixa. Cena assim já foi registrada também por um repórter fotográfico de um dos maiores jornais de circulação local.


Apesar de o Hotel Majestic ter uma boa área para carga e descarga, é comum observar caminhões parados sobre passeio e ciclofaixa na R. Heitor Luz.

Desde a implantação da ciclofaixa da R. Bocaiúva, quase nunca se observou a ciclofaixa vazia em frente ao Kay’Skidum, ao lado do BeiraMar Shopping.

Em cidades com melhor qualidade de vida, todos cuidam pelo seu espaço externo e os estabelecimentos mesmos responsabilizam-se por manter com visual agradável sua fachada externa. Uma ciclofaixa possibilita uma melhor visualização do comércio, melhorando a freqüência de novos clientes. Em Florianópolis, além de um bolsão de estacionamento na rua paralela, vários estabelecimentos possuem convênios com estacionamentos próximos.

 

Na R. Bocaiúva, foram mais dois automóveis registrados pelas lentes do Google em plena ciclofaixa. O segundo, curiosamente, parou ao lado de um estacionamento…

Reflexos de uma sociedade ainda subdesenvolvida culturalmente.

Setembro, mês da mobilidade

Setembro é tido no Brasil como o mês da mobilidade sustentável. Nos últimos anos, têm sido freqüentes os eventos e debates que reforçam essa idéia. Diversas cidades do país, por exemplo, envolvem-se politicamente na promoção de atividades durante o Dia Mundial Sem Carros, que ocorre em 22 de setembro. Há anos, grandes pedaladas ocorrem nesse dia em cidades como São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro. Com o trânsito cada vez mais caótico que tem assombrado até as médias cidades, fica premente que o planejamento urbano deve levar em conta alternativas aos meios de transporte que contemplem não apenas o automóvel.

Até a cidade estadunidense de Boston, conhecida por não ser amigável ao pedalar, está revendo seus conceitos e apostando em novas formas de deslocamento para seus cidadãos. Disponibilizou 600 bicicletas coletivas, investindo US$ 5,7 milhões para mudar sua imagem.

Outras cidades que, tradicionalmente, investiam preferencialmente na construção de novas pontes e rodovias estão se rendendo a mudar sua forma de pensar. Los Angeles, por exemplo, começa agora, tardiamente, a investir na requalificação de seu espaço urbano, incluindo a revitalização de passeios e a implantação de ainda tímidas ciclovias.

E já não era sem tempo! Os constantes engarrafamentos fizeram até que uma empresa de avião operasse vôos de um lado a outro da cidade por apenas US$ 4,00! O paradigma da rapidez dos veículos motorizados na cidade foi posto em cheque em julho deste ano. Numa espécie de Desafio Intermodal local, seis ciclistas desafiaram o avião e… chegaram com uma hora de antecedência!!!

Ainda assim, Los Angeles continua uma cidade dúbia! Mesmo com o fechamento para obras da principal rodovia americana, que passa pelo município, tendo ocasionado uma redução dos congestionamentos, os investimentos em sua ampliação superam em muito aqueles fornecidos à mobilidade por bicicleta e aos pedestres.

Enquanto algumas cidades ainda temem em enxergar em problemas as suas soluções, São Paulo, no último ano, tem trilhado um caminho mais próspero! Depois de a bicicleta ter chegado até à frente do helicóptero, no Desafio Intermodal realizado em 2009, vislumbram os ciclistas paulistanos um futuro melhor, embora ainda marcado de incertezas. A Ciclofaixa São Paulo, opção de lazer aos domingos, foi consideravelmente ampliada e, certeiramente, novos parques urbanos serão implantados no município ao longo de sua extensão. Pipocam projetos de  infraestrutura  cicloviária e, ao contrário de uma década atrás, quando planos cicloviários regionais foram criados e não saíram do papel, hoje São Paulo conta com forte pressão de associações de ciclistas para a implementação das melhorias.

A posição de Florianópolis também é dúbia. Enquanto são estudados novos locais para bicicletários, novas malhas cicloviárias e até mesmo um sistema de aluguel de bicicletas, vemos algumas obras fundamentais serem realizadas de maneira que não melhoram o trânsito e ainda colocam em risco a vida dos usuários da bicicleta. Exemplo mais gritante disso são as novas obras de nova pista na SC-405, no Rio Tavares. O aumento da velocidade dos automóveis nos trechos iniciais somados a uma diminuição de seu espaço de circulação põe em risco a vida dos ciclistas que trafegam pela região. Mesmo os planos do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) prevendo as novas obras, que incluem nova pista e acostamento, previam eles também passeios e ciclovia. O Ministério Público exigiu a construção de ciclovia em um ano no local, bem como a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) também se manifestou favorável aos ciclistas.

Outros exemplos da cidade refletem melhor o tom dúbio do discurso. Oficialmente inauguradas entre um e dois anos atrás, as ciclofaixas feitas ao final do próprio Rio Tavares e na Cachoeira do Bom Jesus ainda hoje não foram finalizadas. Postes são um obstáculo constante e perigoso em ambos os trechos. Ao mesmo tempo, no Ribeirão da Ilha, a tão sonhada ciclovia que consta no projeto executivo transmutou-se em passeio compartilhado que sofre, assim como a ciclofaixa da Rua Bocaiúva, constantes invasões por automóveis.

Dessa maneira, a mobilidade na cidade, tanto para quem anda de automóvel quanto para quem usa a bicicleta anseiam, ainda, medidas mais eficazes para rapidez e segurança dos usuários.

Os ciclistas depositam suas esperanças na integração intersetorial que o Pró-Bici trouxe consigo. A população em geral aguarda ainda a corajosa aposta no BRT (Bus Rapid Transit), apontado como uma plausível solução por especialistas estrangeiros e locais durante o Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. Para quem hoje consegue ver soluções de longo prazo em suas próprias cidades, fica claro que novas pontes não são o caminho para melhorar a mobilidade urbana e que apenas investimentos no binômio transporte ativo + transporte coletivo estão na resposta que equaciona as soluções de trânsito das cidades do futuro.

Chegamos agora no melhor período para se pensar a mobilidade de forma integrada e holística. Sem preconceitos. Sem medo de inovar. Setembro já chegou!

Fabiano Faga Pacheco 

(Conexão Sul 2011) Dia 4 – São Francisco do Sul – Itapoá

Durmimos bem dentro do casarão do avô do Diogo. Lá fora, as roupas não secaram. Minha toalha, que eu não chegara a lavar, parecia ter passado a noite toda em banho-maria, tão úmida estava desde a ducha fria de Balneário Piçarras.

O café da manhã envolveu pães, queijo, granola, geléia, doce de leite, uma fruta cítrica colhida na colina verde por detrás do casarão cujo nome ainda não me recordo, além de suco, leite e café. Foi uma refeição básica, mas suficiente. Retiramos as bikes, que durmiram todas na garagem. Fizemos uma roda para alongamento e a Júlia Silveira puxou a saudação ao Sol. Saímos tarde, pouco depois das 10h.

Roda de alongamento em São Francisco do Sul.

 Percorremos o caminho contrário até o final do perímetro urbano do município. A ciclofaixa unidirecional, como escrevi ontem, mostrou-se estreita e mal  sinalizada. A maioria dos ciclistas foi por ela, barrando quem vinha no fluxo correto. Eu me aventurei a andar na via pelo lado certo, dividindo emoções com os automóveis. Considero importante melhorar a sinalização da ciclovia e aumentar a largura dela nas subidas. Viramos à direita numa estrada de terra e depois à direita novamente para pegar a balsa que leva ao bairro Vila da Glória. Nesse caminho, um grupo de crianças gritava: “Vai ganhar! Vai ganhar!” para quem passava. Quando eu passei uniformizado e gritei: Quem vai ganhar é o Brasil”, pude ouvir, já distante algumas poucas dezenas de metros elas mudarem o coro para: “Bra-sil! Bra-sil! Bra-sil!”.

Mais um dia começa! Ciclistas pedalam pela ciclofaixa em São Francisco do Sul.

Ciclofaixa em São Francisco do Sul gera conflitos entre ciclistas no trânsito.

Estrada de terra leva à balsa à Vila da Glória.

A balsa custa RS 3,20 para as bicicletas. Pouco após a saída pudemos observar um golfinho na Baía da Babitonga. Alimentamo-nos mais um pouco. Juntamo-nos para aquecer-nos. Pintamo-nos com urucum. Eu fiz tentei fazer uma bicicleta numa panturrilha e um símbolo da Biologia na outra. Vários desenhos ficaram bem massa!

Vista da Baía da Babitonga.

Pintura: os dedos moldam o urucum em nossos corpos.

A estrada geral do bairro Vila da Glória tinha trechos de rochas, terra, cascalho e areia. Foi nela em que meu alforge “só caiu”! Foi a segunda vez que isso aconteceu em cinco dias. Os percursos de areia mostraram que o treinamento do dia anterior surtira efeito, embora isso não tenha impedido ninguém de deixar de se atolar na areia. Repetindo: “menos força, mais freqüência”.

A paisagem da estrada geral da Vila da Glória combina com o cicloturismo.

Paramos no centrinho de Vila da Glória para mais uma parada, desta vez numa padaria. Comprei achocolatado, enfim, e um suco, além de pães e queijo. Também usei o cartão para obter dinheiro nas mãos, já que estava praticamente duro. A escultura “A Árvore da Vida” relembrou rituais druidas antigos e fascinou a Júlia Silveira. Como que por mágica, quem nós encontramos por lá? Dois colegas nossos da Biologia: o Japa, hoje botânico que conheci no ENEB-2006em Porto Alegre, creio, e a Anelise Nuremberg, que muito já havia me falado sobre as belezas quase naturais recém-devastadas de Itapoá.

Igreja em Vila da Glória.

Estátua da Árvore da Vida relembra rituais druidas.

Vila da Glória parece um lugar bem calmo, em que vários barcos apoiados sobre a areia transmitiam-me uma tranqüilidade enorme. Após essa parada, começamos a enfrentar de vez a areia contínua. Entre tantas paradas obrigatórias a nós infligidas, foi bom podermos parar e reagrupar todo o grupo. Optou-se por pegar o asfalto ainda em implantação na estrada que liga ao complexo portuário.

Os desafios em se pedalar na areia não impediram os ciclistas de prosseguir viagem.

Entre brita, pedras soltas e asfalto acudi por socorro. Suspeitava-se que o meu pneu havia furado. Meu pneu é 1.5 e liso, o pior de todos os daqui para piso cheio de obstáculos. O Guimo rapidamente virou a minha bike e começamos a retirar a roda traseira. Após tirada a câmara, fui enchê-la e não constatei nenhum furo. Provavelmente devia estar murcha, mas terei que verificar isso certinho nos próximos dias. Em 10 minutos, minha roda traseira estava com câmara nova. Pode-se dizer que essa foi a troca do pneu não furado!

Rodovia em construção em Itapoá aumentou a especulação imobiliária e rasgou a Mata Atlântica, inclusive trechos com vegetação primária.

A troca do pneu não furado.

Não se constatou maiores problemas mecânicos do que este ao longo de todo o dia. Também não choveu na região de Joinville. Demos muita sorte duplamente!

Passamos por Jaguaruna rapidamente e não tenho nada de especial para poder relatar de lá.

O Porto de Itapoá parece que será enorme mesmo e vários guindastes muito grandes cruzaram a nossa vista. Exceto por um trecho curto de terra, as estradas que Itapoá pelas quais seguimos eram todas ou asfaltadas ou de paralelepípedo. As estradas novas não têm, de maneira geral, bons acostamentos. Prevejo, a médio prazo, que elas se tornem perigosíssimas ao ciclismo mantendo-se as atuais condições. O acostamento, no mínimo é necessário, quando não uma ciclovia, se considerarmos que, das cidades que percorremos até agora, ficou-me clara a sensação de que é em Itapoá onde, relativamente, vi mais ciclistas. As lojas de bicicletas são abundantes. As magrelas podem ser vistas tranqüilamente em cada quarteirão da cidade! A beira-mar não me parece estar respeitando a distância mínima da praia. Ainda assim, os equipamentos de ginástica e exercícios estão bem dispostos, há trechos com iluminação, uma restinga é mantida e ainda outros equipamentos de lazer, como quadras de grama e pista de skate, estão lá. Há espaço para uma ciclovia entre a calçada e a pista de rolamento. As calçadas do outro lado da rua precisam ser melhoradas e unificadas.

Futuramente, pode se acreditar que os ciclistas terão que fazer malabarismos para pedalarem pela estrada sem acostamento.

Instalação portuária de Itapoá em construção.

O perigo em se pedalar nas novas estradas pode ser facilmente solucionado. Basta a observação.

Nessa cidade cheia de bicicletas, até a propaganda de um banco trazia ciclistas como chamativo para a venda de seguro de vida!

Ficamos em Barra do Saí, bairro ao norte de Itapoá. Um ciclista de Curitiba, Marcel, que aproveitava a semana de folga para visitar a mãe, que escolheu a cidade para curtir a aposentadoria, encontrou para gente, após uma confusão de campings e Joões (era para ele ir num camping do João e foi em outro, também do João; deu tudo certo, mas ele só soube que o nosso camping não era o que ele queria nos levar depois), um lugar para se deitar, com banheiros e chuveiro quente! O camping na verdade é um gramado de futebol e quadra de vôlei de areia. O mantenedor deixou-se armar barracas lá. Além disso, há

O campo no qual acampamos.

Armei a barraca e fomos a Cecília, o Panda e eu para uma lan hause. Lá eu publiquei e agendei as postagens dos primeiros dias de viagem, baixei uma parte das fotos para o Multiply e conversei com minha mãe pelo Skype. Deixei o notebook lá carregando e fui comer num bar próximo. Muita cicloalucinação, cicloleseira (mais potente que a provocada por ervas aromáticas, disseram-me) fizeram a Cecília soltar refrigerante pelo nariz. Quantas bobagens ditas numa mesa! Parte da galera ficou jogando sinuca. X-eggs vegs depois, retornei à lan hause, pegando umas gotas isoladas de chuva e muito frio! Perdi a visita que fez ao grupo o Andrézinho, que entrou comigo na faculdade e agora trabalha com monitoramento de fauna na cidade.

Em uma lan hause, atualizando este blogue.

Fiquei lá até 23h10, saí, retornei porque esquecera o carregador da câmera fotográfica e dirigi-me ao camping. Todos já estavam deitados. Fui tomar banho, mas, não sei por quê, a água não esquentava. Fui ao outro banheiro unisex, ao lado, e nada! Ou melhor, havia uma perereca se equilibrando em meio aos fios do chuveiro!

Havia uma perereca no banheiro!

Acabei passando uma água fria no corpo, insuficiente – descobri depois – para retirar toda a tinta do urucum. O chão do banheiro está todo enlameado. Não há energia elétrica por lá para ligar a luz sequer. Iluminei-o com minha lanterna da bicicleta. Acho que dei azar.

Agora estou em minha barraca. Os cães daqui ladram forte. Latiram quando cheguei ao campo da lan hause, vindo com minha bicicleta. Amanhã a previsão é acordar cedo e dormir no Pontal de Paranapanema. Já temos combinado também de às 7h30 a padaria deixar pronta um café-da-manhã para nós. Espero que minha toalha seque desta vez.

Hoje bebi 1,9L de água, 450mL de suco, 450mL de bebida refrescante Del Valle e um pouco de café. Estou sem estoque de isotônicos. Além de pães, queijos, bolachas salgadas, bananas, e amendoins, foi só um SUUM, 1 barra de proteína, 1 de cereal light e 1,5 sachê de GU.

Pedalamos cerca de 80km no primeiro dia, 60km do segundo,70 kmno terceiro e 50km hoje. Começou imediatamente agora a chover.

Fabiano Faga Pacheco

Itapoá, quarta-feira, 22 de junho de 2011, às 2h12.

(Conexão Sul 2011) Dia 3 – Balneário Piçarras – São Francisco do Sul

No dia anterior a maior dificuldade foi, nitidamente, o vento nordeste, de fato o mais comum no litoral catarinense, que tentou, em vão, barrar-nos ao longo de todo o trecho percorrido. Neste terceiro dia de viagem, a dificuldade maior foi outra, menos convencional, mas tão ou mais difícil de se enfrentar quanto àquela.

Acordei bem mais cansado que no primeiro dia. As barracas estavam deixando o ajardinado. As roupas lavadas no dia anterior não haviam secado com a alta umidade da madrugada – e isso incluía todas as minhas roupas para o pedalar! Vesti e bermuda molhada, besuntada na toda poderosa maisena e uma pomada. A camisa fria fez-me tremer. Ajustei minhas outras roupas no bagageiro para poder secá-las enquanto pedalasse.

O café-da-manhã comunal, a preparação das bikes, a pintura dos rostos com o vermelho urucum, as primeiras pedaladas pouco após às 9h. A tudo isso sucedeu a nossa despedida de Piçarras.

Entramos cedo em Barra Velha. Os transeuntes de Piçarras de Barra Velha foram muito calorosos com a gente. Muitos “bons dias” foram distribuídos e retribuídos e muitas buzinas de apoio nos acompanharam.

A via de entrada de Barra Velha foi uma continuação de Piçarras, o acostamento áspero fazia-nos freqüentemente seguir pela pista, quase vazia das ruas da cidade. As águas revoltas da praia nos acompanharam. Em pouco tempo, adentramos uma ciclofaixa, na verdade, mais um acostamento que virou pista para uso da bicicleta. A sinalização não nos permitiu perceber se ela era bidirecional ou não, embora tenha largura para tal. Areia era comum em vários trechos e vários ciclistas voltavam pelo outro lado da pista, no mesmo sentido do fluxo automotor. Pegamos a marginal da BR-101 antes de seguir pela praia rumo ao centro da cidade. Além do mar bravio, constantemente enfrentado pelos pescadores, uma calçada ampla era seguida por 3 faixas para veículos e uma calçada irregular. Jerivás davam um aspecto tropical à praia e permitiam-nos sentir mais calmos em meio às águas agitadas.

Uma interação com os pescadores ocorreu no centro da cidade, que registrou o maior congestionamento de sua história, segundo fontes “fidedignas”: cinco veículos. Após pedalarmos por uma rua fechada aos automóveis, paramos num sacolão/loja de frutas e verduras, onde nos abastecemos com bananas, bergamotas (como o pessoal daqui costuma chamar tanto uma variedade de mexerica quanto a todas as tangerinas do mercado), achocolatados, bebidas refrescantes. Uma futura bióloga campeã no judô aparecia na contracapa de um dos jornais. Que ela valorize bastante a minha futura profissão!

Do nada, sentíamos que estávamos próximos à novaiorquina Ilha de Manhattan com a aproximação da Estátua da Liberdade de uma loja de departamentos. Mas o Guimo tratou de mostrar-nos a realidade brasileira sendo rebocado por um trator, enquanto flores eram surrupiadas.

Voltamos à BR-101, onde fomos parados por policiais rodoviários por alguns de nós estarmos andando em fila dupla no acostamento. Recomendou-nos seguir apenas em fila indiana nas BRs e a tomarmos bastante cuidado. Numa ponte próxima, ajudou-nos com uma eficiente escolta. Por sinal, todas as demais pontes pelas quais passamos não haviam espaço destinado à circulação de ciclistas e pedestres. Lamentável para um Estado que se considera desenvolvido. Passamos sem problemas pelo pedágio. Descansamos – bem – pouco depois das 12h30, no Sinuelo, onde se encontra um Memorial do Descobrimento, com réplica de naus, galiformes, entre os quais um belo exemplar de macho de faisão dourado. Garrafas d’água enchidas, futebol com fruta jogado, embaixadinhas tentadas, era hora de prosseguir. Mal sabíamos que começava ali a pior parte. A estradinha de terra não dava sinais de imediato do que ela se tornaria: um areial!

Não foram poucas as bicicletas barradas no primeiro trecho de areia fina, que mais era um treinamento para o que viria mais tarde. Uma estrada recém-asfaltada e com pesado tráfego de caminhões, emoldurada por cultivo de Pinus deu-nos agilidade até o próximo trecho. Areia, terra, areia, lama, areia, rochas, areia…. Todos, em algum momento, tiveram seus deslocamentos interrompidos pelos caprichos da natureza. No começo, pasto, banhados e muitas espécies exóticas acompanhavam-nos, sendo, após vários e vários quilômetros, sendo substituídos por exemplares nativos da restinga, manguezal e mata atlântica catarinense, além de insumos alimentares. Recomenda-se fortemente esse caminho a quem quer treinar técnica de pedalada para esse tipo de terreno, que consistiu basicamente em aumentar a freqüência da pedalada e reduzir a força aplicada/relação entre as marchas. Isso permitiu um maior giro para lidar com as adversidades presentes a cada metro rodado.

Os animais bem no meio da estradinha foram um show à parte, como o cavalo branco a nos encarar ou a portentosa vaca Mansinha e fitar-nos descaradamente! Próximo ao final da estradinha, uma figueira gigante dava mostras do que deveria ser a floresta antes da devastação certamente promovida.

Dentre os causos, o Max e a Bruna pararam para conversar com um morador da região e seu cachorrinho, que até ofereceu comida e hospedagem naquela terra distante de tudo muita coisa.

Por incrível que pareça, mesmo com o teste de fogo imposto aos componentes da bike, não foi registrado um só pneu furado sequer! A Júlia Locatelli teve o parafuso no bagageiro dianteiro caído ainda antes do Sinuelo. A Maiana, já no final da areia teve a cestinha dianteira pendida com a soltura de uma porca. Entre ambos, o Marcelo, da Oceanografia, que pedalava de chinelos, teve a ajuda de uma chave allen para regular a magrela e evitar algo pior.

No encontro como o paralelepípedo, o reencontro de todos! Chuva de squezzee, roda de capoeira, a alimentação e a tomada de rumo.

Passamos por Araquari rapidamente.

A BR-280 continua ruim para o tráfego de ciclistas. Os acostamentos são, em média, ruins, com declividade, pouca manutenção, pontes que se estreitam, fluxo veloz e pesado. De bom, o trem, a ponte, os corpos d´água, os jerivás, as bananas, as flores em pleno outono.

Na última parada para reagrupar um carro para e dele saem duas pessoas em direção a nós. O vereador de São Francisco do Sul Vilson Coruja (PPS) foi um dos vários que notaram nossa presença na estrada e parou para gravar uma notinha para a TVBE (Televisão Brasil Esperança).

O perímetro urbano de São Chico reservou-nos também uma ciclofaixa. por (muitas) vezes estreita, por outras de bom tamanho. Ela é apenas unidirecional, seguida por um faixa de rolamento para cada sentido e um espaço para estacionamento de automóveis. Ela abrangia também um trecho de subida. Aí, ela precisa ser reformulada e alargada, devido aos movimentos de corpo que o ciclista faz comumente em aclives. Lombadas também cortam a ciclofaixa, tanto na descida quanto na subida (!). Há ciclistas que pedalam na ciclofaixa no contrafluxo e outros que usam a faixa de rolamento de veículos para seguir no sentido oposto ao da ciclofaixa.

No decorrer do dia, foram apenas um GU e uma barra de proteína ingeridos, refletindo a maior ingestão de bananas e bergamotas, além de 1,35mL de bebida refrescante Del Valle, 1L de água, 0,5L de água com SUUM e 0,5L de suco.

Hoje estamos hospedados na imensa casa do avô do Diogo e do Tomaz, uma construção antiga alemã que me lembra um chalé eclético (com a palavra, os arquitetos). No alto do terreno de 1ha, uma goiabeira fez a festa de quem queria descansar ou fazer as suas macaquices após o longo pedal. O descanso na relva, as brigas entre homens e mulheres (elas venceram!), a abertura da casa, o banho quente – o primeiro da viagem -, a janta feita na hora (macarrão com molho branco, berinjela, salada, ovo, lentilha), a sobremesa (creme de abacate) no chão da sala-cafofo, devorada em minutos por 21 colheres, a massagem em conjunto, a música provinda do violão, as vozes acompanhando-a, cicloleseira. A galera já está cansada e hoje espero não ser o último novamente a dormir.

Fabiano Faga Pacheco

São Francisco do Sul, terça-feira, 21 de junho de 2011, às 0h14min.

(Conexão Sul 2011) Dia 2 – Porto Belo – Balneário Piçarras

Ao abrir minha barraca imediatamente após escrever sobre o dia de ontem, percebi que a névoa espairecera, sinalizando o dia bom que recém-iniciava. Eu dormira na barraca do Max da Roberta (estudante de Geografia), que, solitária, virara depósito de bugigangas da galera.

Acordei com alguém me chamando para poder pegar algo que deixara lá dentro. Rumores de que eu havia chegado surgiam. Saí da barraca e veio a primeira descoberta do dia: o rio ao lado do qual acampáramos era uma lagoa! A Ana Carol e o André Costa, da loja/site/blogue Pedarilhos, também estavam lá. A Ana, em 2009, venceu o Desafio Intermodal de Florianópolis, conduzindo a sua bicicleta feminina com cestinha, e seu trabalho de conclusão de curso em Moda envolveu a “Adequação do vestuário para o ciclista urbano”. Eles aproveitaram o sábado livre para passearem com o grupo.

O café comunal envolvia café esquentado na hora num fogareiro, pão, queijo e tomate. Eu, em especial, fui tomar um misto de café pingado com cafés curtos no mesmo posto do dia anterior. Utilizei-me também do banheiro para passar um creme-protetor-suavizante-hidratante-redutor-de-atrito nas partes baixas. O mercado principal do Trevo do Perequê somente abria às 9h. Retornei ao acampamento, onde me aprontei para a saída. Vesti meu uniforme brasileiro recém-ganho de meus pais. Para a minha surpresa, pude perceber que eu seria o único na viagem a vestir as camisetas de ciclistas. O grupo anda mais de boa quanto à roupa e até mesmo os bagageiros são, de certa forma, improvisados. O Marcelo, colega da Oceanografia para quem já cheguei inclusive a dar monitoria há alguns anos, passou o dia a pedalar de chinelos! E ainda tirava sarro da gente, pobres escravos dos tênis!

O grupo total era composto por 23 pessoas. Além do casal Ana e André, e do Marcelo, havia ainda mais um rapaz e duas garotas da Geografia e o restante, da Biologia. Eram 10 guris e 13 garotas compartilhando a experiência única dessa aventura.

No posto, enchemos os pneus da bike e despedimo-nos do casal. Eu ainda passei no mercado para assegurar parte do lanche antes de sair. Pouco depois das 9h, dirigiamo-nos para Itapema.

            Se no dia anterior ninguém chegou a ter problemas com a bike, hoje foi um pouco diferente. O pneu da Júlia Silveira (Conchinha) foi murchando aos poucos durante a noite. Não muito longe do Trevo do Perequê, foi a vez da futura geógrafa Bruna ver sua bicicleta avariada. Grande parte do grupo parou para acudi-la, mas quem seguia muito à frente não chegou a saber a tempo do ocorrido. Nessa parada, tivemos o primeiro trio de flautistas do dia, com o Max, Guilherme (Guimo, da Geografia) e Tomaz sendo acompanhados pelo Panda, tocando sua…. bomba de encher pneus! O urucum que vários passaram no corpo e no rosto pela manhã dava um tom mais ritualístico às perguntas e respostas toadas em meio a cantigas nacionais.

Como ocorreu em boa parte do caminho, atravessamos uma ponte e lá começava outra cidade, agora Itapema. Observamos a Meia Praia, e o Max, a Conchinha e o Diogo não hesitaram em mergulhar.

Na principal rua do município, havia uma ciclofaixa. Interessante notar como as cidades priorizam seus cidadãos de maneiras diferentes. Sabiamente, a ciclofaixa situa-se entre a calçada e as vagas de estacionamento do comércio, impedindo o avanço dos automóveis sobre a ciclofaixa, mesmo para simples traslados. Vários cruzamentos são sinalizados indicando claramente a preferência do ciclista. As vagas permitem tanto a parada de automóveis quanto de motos e veículos de serviço (como ambulâncias), tudo bem demarcado. Em alguns trechos da praia também há passeio compartilhado com pedestres e automóveis (estes mais raros). A cidade parece estar evoluindo nas questões de mobilidade, mas pode ainda melhorar mais. O pavimento da ciclofaixa está bem mais deteriorado do que o das faixas para automóveis, com desníveis importantes. Outra coisa legal de Itapema é a presença de ciclofaixas bidirecionais em trechos de fluxo automotor único e chega a ser, também, curiosa a presença de um cruzamento com semáforos para ciclistas e, em outro tempo, uma sinaleira para pedestres. É interessante também o final da ciclofaixa, sendo o tráfego do ciclista misturado ao automotor quase que naturalmente.

Os bicicletários que vi em Meia Praia não são bons, embora seu design dê uma sensação de terem estilo. Esses modelos foram atualmente rejeitados numa das reuniões do Pró-Bici, com bons argumentos contrários. De lá, pegamos uma estrada em direção a Balneário Camboriú. Passamos por umas praias cheias de surfistas, ainda em Itapema e eu ainda agora custo a acreditar que, para eles, naquela condição, o mar não estava revolto. Vários morrinhos tiveram que ser vencidos antes da entrada do Balneário mais movimentado do Estado. Passamos de bike por um túnel (algo que, por sinal, a Ecovias não deixa fazer) e evitamos a Interpraias, fugindo do acesso à Praia das Laranjeiras (mais um morrinho….). O interessante nessa parte do caminho foram as placas, com publicidades de uma cueca comestível sabor chocolate para matar o desejo delas, além de um restaurante tirolês que jurava servir um autêntico café da manhã alemão (ok, Tirol é um estado alemão austríaco). Uma parada para reagrupar e melhorar o ânimo fez-se necessária antes de adentrar a Avenida Atlântica, a beira-mar do balneário. Antes, a idéia era fazer uma parada maior na cidade e a tática acabou mudando (ao meu ver equivocadamente) para tentar se chegar o mais longe e depois comer bem. Simplesmente passamos pelo charmoso balneário, mal prestando atenção em sua praia, sua gente. A brisa marinha retirou uma parte do cansaço e fez todos seguirem mais animados. Mas… apenas com o café-da-manhã! Isso já havia feito uma diferença na entrada de Balneário Camboriú e, com o mais severo morro do dia, a fadiga e a fome começaram a se agravar. A subida desse morro gerou uma rápida descida que culminou numa estrada em obras, com muita poeira sendo soerguida o tempo todo. Em Itajaí, foi gostoso pedalar à beira do Rio Itajaí-Açu, junto a muitos parques e áreas verdes. Foi também a realização do singelo sonho da Cândice, que sempre quis conhecer o porto da cidade, por sinal um dos mais movimentados de Santa Catarina.

No centro de Itajaí, ocorriam provas de bike cross e a idéia de comer no Mercado Público da cidade naufragou com o cedo fechamento deste no domingo. Pagamos R$ 1,30 para cruzar o rio no ferry-boat. Após o traslado estávamos em plena ciclofaixa no município de  Navegantes. O perfil dessa ciclofaixa é parecido com vários trechos de Itapema, sem, entretanto, conseguir ser tão bom quanto o daquela cidade. A ciclofaixa é grudada na calçada, entre esta e um espaço de estacionamentos. Toda a extensão da rua que liga o ferry-boat ao mar tem mão única. Entretanto, a ciclofaixa, bidirecional, não apresenta as medidas mínimas para 1 (uma) bicicleta. Nem mesmo o bom senso a consideraria de tal maneira. É muito estreita! Essa disposição costuma refletir hierarquização e desigualdade na cidade, em que o ciclista, em grande número, é simplesmente retirado da rua e jogado à estreita ciclofaixa, enquanto as três pistas para automóveis ficam subutilizadas.  A chamada de atenção por policiais na cidade, embora por vezes necessária, aumentou-me essa percepção. Muitos ciclistas usam a rua na contramão para se dirigirem ao ferry-boat. Pode não ser o mais seguro, mas, na cabeça deles, é o que faz mais sentido.

Pode-se dizer que almoçamos aí. Numa padaria, deliciamo-nos com os mais diversos gostos e sabores. Eu aproveitei para encher as minhas garrafas de água. O ritmo da pedalada melhorou muito depois da alimentação.

A restinga da praia de Navegantes parece bem cuidada. Uma estrada reta, plana e contínua fez-nos seguir ao norte. Vários carros buzinaram para gente, dando-nos apoio e estima para ir em frente. Como nota triste, um deles quase fez um grupo que ficou à frente – por sinal, onde eu estava – de pinos de boliche, ultrapassando sem a menor consciência dois veículos. A estrada tem apenas duas pistas e nenhum acostamento, de tal modo que somos obrigados a enfrentar o ainda árduo compartilhamento de vias. Algumas pessoas trilham seu próprio caminho em meio ao mato cerrado ao redor. Chegando no bairro de Gravatá, um acostamento de lajotas não nos foi acolhedor. Paramos para reunir o pessoal próximo a um posto de guarda-vidas, onde o Tomaz resolveu subir de maneira pouco conveniente. Mas a “inconveniência” atingiu limiares muito mais baixos, como na foto abaixo (DSC07975, a ser colocada ainda, aguardem). A praia imprópria parecia espelhar a ocupação próxima de alguns hotéis e/ou residências, ajudando-nos a refletir por que Santa Catarina têm níveis de saneamento básico tão inexpressivos quando levamos em conta a sua qualidade de vida. Interessante foi também uma placa oficial constando o nome do município (NaveGATES). Nessa parada, foram hilárias as cenas de alongamento dos ciclistas! A água, revolta, não estava convidativa.

Chegamos a Penha, todo pedalando bem próximos. Em vários trechos há ciclofaixa, uma linha demarcada meio avermelhada no asfalto. Às vezes, ela vira acostamento ou estacionamento de lojas antes de voltar oficialmente a ser ciclofaixa. Muito buraco, desníveis, bueiros dão o tom. A temperatura do cair da tarde e do ambiente com mais árvores próximas fica amena, ao contrário do tensionante mormaço das rodovias do Sol à pino. Passamos pelo parque temático Beto Carrero World. Mesmo sendo um referencial arquitetônico em meio à monotonia semiurbana, teve gente que não reparou em sua existência. A ciclofaixa continua a incomodar e toda hora temos que sair dela para nos desviar dos obstáculos da pavimentação. O tratamento próximo aos pontos de ônibus, em que uma ciclovia passa por trás da cabine, foi adequada, embora um poste – e bem atrás de um ponto de ônibus – tenha dado as caras, quase nos causando um acidente.

Um escultura estranha deu-nos o adeus da cidade, a poucos metros de onde uma ponte se encarregaria de transportar-nos até Balneário Piçarras. Andamos um pouco e, às 16h30 exatamente, estávamos defronte à casa do Fábio, um amigo de alguns dos viajantes que cedeu o terreno da casa para armarmos as barracas e as duchas para nos banharmos.

Enquanto uma parte já montava a barraca e tomava banho coletivo na ducha externa de águas frias, 14 deles foram à praia, distante duas quadras (ou uma quadra e uma restinga), eu incluso. Entrei na água gelada e logo começou a bater cãibra. Alonguei-me um pouco antes de retornar. A praia dissipativa, de tombo, estava bravia, possibilitando inúmeros jacarés num turbilhão de marolas. De tão fria a água do mar nem me foi tão difícil banhar-me na ducha.

Todos limpos, fizemos uma roda de massagens, tendo os participantes recebidos dezenas de dedos, apalpos, pegadas, pressões, numa relaxante terapia grupal que rendeu diversas risadas.

Pedimos 6 pizzas grandes (e ganhamos mais uma doce), totalizando mais de 7 pedaços para cada um, engolidos por todos com certa dificuldade, ao custo de 10 reais por cabeça. O Panda, a namorada e a Cândice optaram por preparar o jantar, com um saboroso miojo regado de salada.

Recarreguei o notebook, a bateria da câmera fotográfica e o celular. O que mais faz falta por aqui onde estamos é um banheiro. Imediatamente antes de escrever este texto, baixei e ajustei minhas fotos de ontem e de hoje, e com o Max e a Bruna fiquei conversando fitando o mar.

Ao longo do dia, além dos 200mL de café no posto, bebi cerca de 2,5L de água, além de um gatorade, 450mL de caldo de cana e uns 300mL de suco de uva, ambos últimos em Navegantes, hidratando-me mais que no dia anterior. Comi, além das pizzas, quatro pães com queijo, uma barra de cereal, duas de proteína e dois géis de carboidrato (GU) e um SUUM junto com água. Espero amanhã conseguir me alimentar melhor, com frutas e saladas. Por enquanto, meu organismo está dando conta, mas estamos apenas no começo da viagem e prevenir é realmente melhor do que remediar.

Agora já todos dormem, a despeito de barulhos estranhos vindos de uma ou outra barraca, enquanto eu aqui, ao relento, tremo de frio. Já passou um pouquinho de meu horário de recarregar as energias.

Fabiano Faga Pacheco

Balneário Piçarras, segunda-feira, 20 de junho de 2011, às 1h57min.

(Vídeo) Bicicletada Floripa em apoio aos ciclistas da Massa Crítica de Porto Alegre

Vídeo feito pelo Diário Catarinense, publicado originalmente neste link.

Veja também:

Ciclistas de Florianópolis deitam no asfalto para relembrar atropelamento em Porto Alegre

Saiba mais:

Leia notícias selecionadas sobre o atropelamento da Massa Crítica de Porto Alegre e seus desdobramentos.
Massa Crítica – POA – Blogue da Bicicletada porto-alegrense.

Notícias relacionadas:

Bicicletada Floripa em homenagem a ciclistas de Porto Alegre divulgada no Diário Catarinense

Logo mais, Bicicletada em Florianópolis em prol dos ciclistas atropelados em Porto Alegre

Florianópolis terá, esta quinta, Bicicletada em apoio à Massa Crítica de Porto Alegre

(Vídeo) Ubatuba

O vídeo abaixo foi feito pela Prefeitura de Ubatuba há alguns anos atrás (provavelmente em 2007) e mostrava as dificuldades que os ciclistas enfrentavam e o que a prefeitura pretendia fazer para sanar esses problemas.

Via Blog Transporte Ativo.

São Paulo amplia sua ciclofaixa de lazer

De 5km, a CicloFaixa São Paulo ganhará mais 10km  de pistas exclusivas para as bicicletas. A partir deste domingo, dia 23 de janeiro, a ciclofaixa da capital paulista ligará os Parques Ibirapuera, das Bicicletas e do Povo ao Parque Villa-Lobos. O horário de funcionamento está mantido e será apenas aos domingos e feriados, das 7h às 14h. O novo trecho cruza o rio Pinheiros em dois pontos, um pela Ponte Cidade Jardim e outro pela Ponte Cidade Universitária.

Veja também:

Campinas inaugurará ciclofaixa de lazer para os domingos e feriados

Campinas inaugurará ciclofaixa de lazer para os domingos e feriados

Neste domingo, a cidade paulista de Campinas inaugurará uma ciclofaixa de lazer. Com percurso total de 12km, a ciclofaixa funcionará aos domingos e feriados, das 7h às 13h. A cidade conta hoje com 14km de pistas cicláveis e copia iniciativa que teve absoluto sucesso em São Paulo. Na capital do Estado, a ciclofaixa que liga o Parque do Povo ao Parque Ibirapuera e Parque do Povo superou a estimativa de usuários da cidade, mostrando a grande demanda reprimida de ciclistas que existe na cidade.

A ciclofaixa de lazer que será recém-implantada é uma solução provisória, um paliativo para os problemas de sedentarismo e de trânsito que as metrópoles brasileiras e mesmo cidades de médio porte enfrentam. Aguarda-se que, no futuro, a vontade política em realmente sanar os problemas de mobilidade urbana das cidades invistam na implantação de facilidades aos usuários de transporte coletivo e em ciclofaixas e ciclovias permanentes aos cidadãos, para que estes possam utilizar de meios de transporte menos poluentes e contribuir para a real fluidez nos deslocamentos cotidianos.

Enquanto isso, torce-se para que começamos a vislumbrar o futuro.

Saiba mais:

Jus Brasil – Ciclofaixa Campinas – Cidadania em movimento entra em operação neste domingo

Ilha Comprida oferece aluguel de bicicletas para a família

Por Fabiano Faga Pacheco

Ilha Comprida é uma cidade relativamente nova. Fundada em 1992, o município de cerca de 10.000 habitantes localizado no sul do Estado de São Paulo é um dos poucos que oferecem as condições necessárias para ser considerado uma Estância Balneária. Situado completamente dentro da Área de Proteção Ambiental de Ilha Comprida, a cidade de mesmo nome necessita de um ordenamento especial para que possa, futuramente, se manter adequada às variações na sua fisionomia, proporcionada pelos ventos abundantes que a constroem e descontroem diariamente.

Durante o verão, a população de Ilha Comprida é multiplicada. Estima-se que 250.00 pessoas tenham passado as festas de Natal e Reveillon por lá. E foi nesse contexto que surgiram as mais variadas diversões à beira-mar! Dentre elas, existem  postos onde se pode locar bicicletas.

Aluguel de bicicletas e outras atividades de lazer estão presentes no verão de Ilha Comprida.

Aluguel de bicicletas e outras atividades de lazer estão presentes no verão de Ilha Comprida.

Durante o verão, funcionam de quatro a cinco estandes onde qualquer pessoa pode alugar em triciclo pessoal ou uma carrocela para a família. Até cinco veículos podem ser colocados um atrás do outro, permitindo que todos andem conjuntamente. Cada acento em triciclo ou bicicleta costuma custa R$ 5,00 por hora, e o valor para uma carrocela, onde podem ir até quatro pessoas, sendo duas crianças à frente, é de R$ 15,00.

Um dos modelos de triciclo para se locar em Ilha Comprida.

Carrocelas: diversão para toda a família.

A Ilha Bike é a mais antiga a oferecer o serviço em Ilha Comprida. É também a única empresa que trabalha com aluguel de bicicletas mesmo na baixa temporada. Neste verão e Carnaval, a empresa conta com 150 veículos, entre bicicletas, triciclos e carrocelas. Já a Dream Bike conta com cerca de 100 bicicletas para esse verão.

Os pedalantes podem pedalar por toda a extensão da praia e da Av. Beira-Mar, sempre seguindo as leis de trânsito e sem tumultuá-lo. A balbúrdia causada por alguns grupos de turistas, aliada a uma cultura carro-dominante, quase inviabilizou a continuidade do sistema de locação de bicicletas em Ilha Comprida.

Os ciclistas – até 5 – dividem o espaço da rua com os demais veículos.

O sistema não está regulamentado e funciona por meio de uma parceria entre a prefeitura e os fornecedores desse serviço, que se utilizam de áreas na praia para alugarem as bicicletas. Não há ciclovias na cidade. Em Ilha Comprida, os ciclistas pedalam nas ruas mesmo, compartilhando o espaço com os demais veículos. A ciclofaixa mais próxima fica na cidade vizinha de Iguape, na Rod. Pref. Casemiro Teixeira, pequenos espaços azuis com cerca de 70cm pintados nos dois lados da pista dupla (com uma faixa em cada sentido). Iguape é caminho obrigatório para se chegar a Ilha Comprida. O único acesso terrestre ocorre por uma ponte unindo as duas cidades. Antigamente, os automóveis e pedestres seguiam por uma barca, que acabou desativada após a construção da ponte.

Ciclofaixa em rodovia de Iguape.

%d blogueiros gostam disto: