Novos prédios em Joinville deverão ter bicicletário

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 30 de abril de 2011 (pág. 8). Você pode ver a matéria no site do periódico aqui ou a versão on line aqui. As respostas para a enquete “O que você acha da nova lei que obriga estacionamentos a reservarem vagas para bicicletas?” podem ser conferidas aqui.

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Agora é lei ter bicicletário em prédio comercial


ESTACIONAMENTO

Mais espaço para a sua zica

Nova lei impõe que prédios em construção devem ter bicicletário. Medida vale para prédios comerciais, de serviços e de uso institucional.

Se você costuma pedalar e quase nunca encontra lugar para guardar sua bike com segurança em Joinville, esta realidade vai mudar: desde segunda-feira, parte dos projetos de alvará de construção que for levada à Prefeitura deve reservar espaço para bicicletários.

A medida foi imposta como lei complementar e vale para prédios comerciais, de serviços e de uso institucional. Ou seja: lojas, escritórios, clínicas, restaurantes e escolas devem ser obrigados a permitir que os ciclistas guardem suas bikes em locais próprios, com uso de cadeados e correntes.

Mas a nova lei só se aplica aos projetos encaminhados ao poder público a partir desta semana. Assim, quem tem a obra pronta ou em construção não vai precisar fazer mudanças. Os novos projetos terão de garantir espaços para os bicicletários que variam conforme o número de vagas para carros.

Se houver dez vagas de estacionamento para carros, por exemplo, o responsável pela obra terá de reservar a área de uma vaga, ou 12 m², para as bicicletas. A lei complementar prevê que, quanto maior a quantidade de vagas para carros, maior a área do bicicletário.

Como as mudanças da lei só vão ser percebidas daqui a algum tempo, o pedreiro Francisco Chaves, 43 anos, deve continuar pensando duas vezes antes de sair de casa em duas rodas. “Dependendo do compromisso, deixo a bicicleta em casa. Tem dias que é difícil achar lugar na rua”, reclama.

Francisco Chaves vai aos compromissos de bicicleta, mas às vezes não acha vaga. Foto: Claudia Baartsch.

Quando está trabalhando, ele prefere cadear a Monark nos arredores da obra. “Daí não tem perigo de alguém levar embora.” O risco de roubo é outra preocupação entre aqueles que andam de zica e não têm onde deixá-la.

Reportagem de “AN” em 2010 mostrou que Joinville é campeã em números absolutos de furtos e roubos de bicicletas no Estado.

 (veja em PDF)

Saiba mais

A lei não determina o modelo nem o material que deve ser usado para a instalação dos bicicletários. Apenas exige que as construções possibilitem aos usuários a utilização de dispositivo de segurança como cadeados, correntes e correias.

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A mobilidade e as cidades

O texto abaixo foi publicado na edição impressa do periódico Diário Catarinense de 08 de setembro de 2011 (pág. 12). Você pode vê-lo no site do DC aqui ou em pdf aqui.

Artigo

Carros e cidades

O problema do trânsito nas grandes cidades é um tema que cada vez mais frequente. Muitos são os motivos apontados para o caos, que parece não ter mais solução. Mas o que alguns ainda não atentaram é que os setores da construção e arquitetura também influenciam o crescimento das cidades e também a quantidade de carros que circulam nelas. Há espaço para toda a frota de veículos? Buscando atender a esta demanda, escritórios de arquitetura e construtoras têm projetado prédios que contemplam um número maior de vagas, por exigência da legislação, agravando ainda mais a já complicadíssima situação do trânsito.

Órgãos governamentais solicitam, quase sempre, a construção de garagens com um número maior de vagas. Para diversos empreendimentos, a justificativa usada é a de que grande parte das pessoas virá trabalhar usando automóvel. Isto nos remete a outro problema. São Paulo, por exemplo, tem menos de 20% de seu território verticalizado. Com um mercado imobiliário altamente inflacionado, tanto em novas unidades quanto usadas, as pessoas são obrigadas a sair da região central da metrópole, em função dos altos preços praticados, e a procurar alternativas fora de São Paulo. Elas vêm à capital somente para trabalhar, fazer compras, cumprir compromissos… Isso causa um aumento da circulação de carros e, consequentemente, maiores congestionamentos, mais poluição do ar e uma significativa diminuição da qualidade de vida.

Bons exemplos estão mais próximos de nós do que imaginamos. Saindo do lugar comum que toma como referência grandes metrópoles como Paris, Londres ou Nova York, que são de países desenvolvidos, podemos citar a Cidade do México. A capital possui um sistema de metrô com mais de 200 quilômetros de trilhos, que atende a 5 milhões de pessoas diariamente e a passagem custa menos do que R$ 0,40. Já a malha do metrô paulistano tem modestos 70,5 quilômetros. Com um transporte público bem estruturado e com incentivo ao uso regular de bicicletas por meio de ciclovias, a Cidade do México conseguiu tirar milhares de carros das ruas e, assim, sair da lista das 10 cidades mais poluídas do mundo.

Por Itamar Berezin*

* Itamar Berezin é arquiteto e urbanista

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