Pratique ciclismo sem riscos à saúde

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Saiba como evitar lesões causadas pela prática incorreta do ciclismo

Problemas mais comuns são as tendinites nos joelhos e as hérnias de disco

Mais que adrenalina e velocidade, o ciclismo pode permitir uma sensação única de liberdade para quem pratica. Considerado o sétimo esporte mais saudável pela revista Forbes, em 2010, a modalidade proporciona resistência cardiorespiratória, força e resistência muscular, flexibilidade, além do gasto calórico, mas pode ser aliado de danos corporais se praticado de maneira incorreta, excessiva ou se acontecerem quedas graves. Entre as ocorrências estão a fascite plantar, a parestesia peniana, as lesões musculares e a lombalgia — que se não for tratada pode evoluir para uma hérnia de disco.

O fisioterapeuta Giuliano Martins, diretor regional da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABRC), explica como isso acontece:

— As dores nas costas são decorrentes da posição mal ajustada do ciclista sobre a bicicleta. Os músculos que podem ser afetados são os glúteos, piriforme, isquiotibiais paravertebrais, multífidos e o quadrado lombar. Este último está localizado entre primeira vértebra lombar e vai até a segunda vértebra sacal, conhecidas como L1 e S2. Por isso que a escolha e a regulagem correta do equipamento são importantes para evitar as lombalgias, e futuramente, as hérnias de disco.

Alongamento e fortalecimento muscular estão entre as principais recomendações preventivas para quem pretende praticar ciclismo. Foto: Eduardo Schaucoski / Divulgação.

Alongamento e fortalecimento muscular estão entre as principais recomendações preventivas para quem pretende praticar ciclismo. Foto: Eduardo Schaucoski / Divulgação.

Martins explica que outro problema muito comum nos joelhos são as tendinites.

— O movimento de pedalar é feito principalmente pelo quadríceps mais especificamente pelo vasto medial. Uma pedalada com técnica errada ou pedalada com muita sobrecarga (subidas, pedaladas travadas) vai sobrecarregar esta musculatura e pode causar lesões. É importante escolher o tamanho de quadro correto ao tamanho de cada pessoa e observar as regulagens e os ajustes para o corpo. Outro conselho é evitar pedalar em marchas muito pesadas para não sobrecarregar os joelhos e realizar aquecimentos antes e alongamentos depois dos exercícios — esclarece.

Inseridos no grupo de risco, os sedentários devem ter cuidados redobrados na hora da prática esportiva.

— Estas pessoas possuem uma grande fraqueza nos músculos. Estes músculos são os responsáveis por manter a coluna estabilizada e a postura sobre a bicicleta é fator determinante no surgimento de lesões cervicais e lombares, por isso a musculatura fortalecida é essencial — destaca Martins.

Segundo o especialista, em casos de hérnia de disco, o recomendado é tratar o paciente com fisioterapia e a técnica de RMA (Reconstrução Músculo Articular da Coluna Vertebral), que reúne também as mesas de tração e flexo-descompressão.

— A dica para a prevenção de qualquer dano, além do fortalecimento, é sempre se alongar antes e após o exercício, fazer abdominais, repouso adequado e, é claro, saber o próprio limite — completa.

Conheça outras lesões e como evitá-las:

Lesões musculares

Ocorrem principalmente no tríceps sural e nos quadríceps, em geral por, overuse (excesso de uso). Alongue-se diariamente após os exercícios.

— Procure praticar musculação para promover o fortalecimento dos grupos musculares envolvidos no ciclismo.

— Descanse depois de treinos muito árduos e de competições. O repouso deve fazer parte de seu treinamento.

Parestesia peniana

É a dormência e falta de sensibilidade na região entre as pernas, que vai apoiada no selim da bicicleta. Nas mulheres ocorre a parestesia dos grandes lábios. O nervo, quando submetido a uma compressão por longo período de tempo, passa a ter menor sinal de impulso nervoso, o que leva a perda de sensibilidade temporária. Não há relatos de perda de potência devido ao ciclismo. Cada um deve conhecer o limite de tempo que pode ficar sentado sobre o veículo. Para iniciantes, apenas 20 minutos podem gerar incômodos.

— Use bermuda de ciclismo com o forro feito de uma espuma de alta densidade, mesmo em aulas de ciclismo indoor.

— Procure adquirir um selim vazado no centro que ajuda a aliviar a pressão nessa região.

Fascite plantar

É a sensação de queimação na planta do pé, dor na parte posterior da sola ao tocar o chão. Geralmente o pior momento da dor acontece durante os primeiros passos pela manhã ou durante o início da corrida. Dentre os fatores predisponentes encontram-se a falta de alongamento e aquecimento, mais comum em pés cavos, obesidade, pronação e supinação excessivas e idade avançada.

— Procure usar sapatilhas próprias para ciclismo.

Fonte: Vida e Saúde / Diário Catarinense on line, em 23 de outubro de 2013, às 7h01.

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Conexão Montréal #3 – Comprando uma bici

A cidade de Montréal é um ótimo lugar para ciclistas, com 600 km em rede de vias para bikes. Montréal é a segunda cidade no mundo mais receptiva para bicicletas. Só perde em transporte ativo para Portland, isto quer dizer que apesar dos diversos investimentos anuais em ciclovias, ciclofaixas, bicicletários, conexões com outros meios de transporte (como metrô e trem), etc. a cidade americana ainda ganha em estrutura.

Estava cansada de ver todo mundo pedalando para todo canto e também de ter que pegar o metrô sempre. Era hora de comprar uma bicicleta. Como vocês sabem eu não sou rica para comprar uma bicicleta nova, que são um pouco mais baratas (sem fazer conversão) aqui do que no Brasil. Então, a minha opção era comprar uma bicicleta usada. Fui em diversas lojas, mas não achava nada direcionado para a minha relação custo benefício.

Foi aí que descobri os dois sites mais usados de vendas de garagem online: Craigslist e o Kijiji. Em ambos, você encontra qualquer coisa. Isso é um tanto complicado, por isso no Kijiji, deve-se ativar o sistema de busca para detalhar a pesquisa e achar o que você realmente está precisando. No Craiglist a coisa é muito mais simples, você entra e aparecem todas categorias possíveis, daí, você seleciona a sua e abre a lista diária de anúncios. Alguns têm fotos e diretrizes geográficas do proprietário. A maioria tem um número de telefone para você ligar ou a possibilidade de responder o anunciante por e-mail. O complicado destes sites é que você pode tomar vários bolos. Eu fiquei no Mile End meia hora esperando o proprietário. Dois dias depois,  vi a bici e nem tava tão boa quanto na foto.

ariel, minha bikeFoi o meu companheiro que acabou encontrando a bike exata para mim, ela é vermelha, uma speed feminina tchecoslovaca, o proprietário morava perto da minha casa e custava $150 dólares canadenses. Nos encontramos duas vezes, a primeira foi para ver a bicicleta, nos encontramos na esquina da Maisonneuve que é uma grande avenida que corta todo o centro e tem ciclovia, foi nela que peguei a bici para dar uma volta. Na manhã seguinte, fechamos negócio. O cara me deu algumas dicas sobre roubos de bicis, me ensinou a trocar de velocidade e me disse onde ficava a bicicletaria mais perto donde a gente estava.

Cadeado U-lock

E agora, pasmem! O cadeado custou a metade da do valor da bicicleta. Os cadeados aqui vêm ficando cada vez mais especiais por causa dos roubos. Eu comprei um do tipo Ulock com uma corda de aço porque provavelmente, minha bici vai dormir sempre na rua. Estes sites são muito interessantes, mas todo mundo se lembra daquela história de uma garota que achou sua própria bicicleta a venda no Craiglist? Esta história aconteceu aqui no Canadá, em Vancouver.

Bicicleta é parte da solução para melhorar mobilidade urbana em Florianópolis

As reportagens abaixo foram originalmente publicadas na edição impressa do periódico Diário Catarinense, em 29 de maio de 2009 (pág. 25). Você pode ver as matérias no site do DC aqui e aqui.

Diário Catarinense

Trânsito no limite

Uma aliada da boa saúde e do ambiente

Bicicletas são alternativas que podem garantir mais segurança e agilidade

Diminuir a poluição e deixar o sedentarismo de lado. É certo que é menos cômodo, mas deixar o carro na garagem e adotar a bicicleta traz um ganho social ainda mais amplo: contribuir para a diminuição dos congestionamentos nos grandes centros urbanos.

Na Capital, considerando o tempo de deslocamento, optar pelo carro, na maioria das vezes, não é o mais vantajoso. O teste, chamado de desafio intermodal, foi feito em setembro do último ano pela Associação de Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) com dois grupos de bicicletas, motos, carros e ônibus, saindo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e chegando ao Largo da Alfândega, no Centro.

Preferência legal dos ciclistas nem sempre é respeitada entre os motoristas. Foto: Diego Redel.

Preferência legal dos ciclistas nem sempre é respeitada entre os motoristas. Foto: Diego Redel.

Um grupo foi pelo trajeto Norte e outro, pelo Sul. Em ambos, as bicicletas chegaram primeiro. Os tempos de deslocamento também foram os mais baixos em cada grupo.

No trajeto Sul, a bicicleta conseguiu a maior velocidade média em seu grupo, de 20,58 km/h. No Norte, a moto alcançou a maior velocidade média, mas a bicicleta ficou em segundo.

No levantamento final, a ViaCiclo chegou ao comparativo de gasto de R$ 5,14 para o carro que fez o trajeto Norte, enquanto as bicicletas não tiveram custos. Contando todas as variáveis – incluindo a avaliação dos participantes – as bicicletas tiveram a melhor média final: nota 8,96 da bicicleta do trajeto Norte contra 2,71 do carro do trajeto Norte.

Lei dá prioridade aos ciclistas

Para o diretor administrativo da ViaCiclo, André Soares, o desafio ratifica o que já se imaginava:

– Não foi surpresa para nós a bicicleta ser mais eficiente perante os itens determinados. O teste já tem sido feito em outras cidades, e o resultado é sempre positivo para esse meio de locomoção.

Além do que foi estudado no teste, Soares também destacou a facilidade de estacionar a bicicleta. Com um cadeado, o ciclista consegue amenizar o perigo de roubo. Como ele lembrou, o risco também existe para os carros.

Soares ressaltou, ainda, que falta segurança aos ciclistas e nem sempre a lei de trânsito – que dá a preferência a quem está de bicicleta – é cumprida.

Mesmo assim, os ciclistas já perceberam que a opção pode ser a melhor no trânsito. Jader Asanuma está vendendo sua motocicleta por medo de um acidente. A opção foi pela bicicleta.

– Faço compras para o restaurante onde trabalho de bicicleta. É muito diferente uma queda de moto e uma queda de bicicleta. Fico ligado nos cruzamentos e geralmente dou o lado, mas de bicicleta é mais tranquilo – afirmou.

Por Lilian Simioni

Pedalando. Capital possui 18,5km de ciclovias e ciclofaixas.(Veja em .pdf)

Mudança cultural é passo obrigatório

O colombiano Ricardo Montezuma, que trabalha com a questão da mobilidade urbana, com foco no transporte por bicicletas em várias cidades do mundo, palestrou em uma convenção ontem, na Capital. Ele apontou três fatores como essenciais para que uma sociedade adote a bicicleta como meio de transporte.

A mudança cultural de pessoas que usam bicicletas e de quem usa carros, inclusive com aportes financeiros, é o primeiro ponto. Depois, Montezuma destacou a vontade política e a infraestrutura de planejamento.

Para ele, na maioria das cidades da América Latina os problemas de falta de segurança são os primeiros que inibem o uso do meio de transporte. Montezuma lembrou que é importante destacar o que já existe na cidade. Em Florianópolis, por exemplo, ele citou a ciclovia da Avenida Hercílio Luz. O passo seguinte é persistir com os projetos, incrementando as ações sem buscar pretextos para abandonar o plano.

– Se a ciclovia não funciona bem é porque algo está errado. Não é possível fazer uma cidade onde todos andam de carros, mas é possível fazer uma cidade em que todos andem de bicicleta, a pé ou de transporte coletivo – avaliou.

Capital tem projeto para mais de 27 quilômetros

Segundo a arquiteta do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf), Vera Lúcia da Silva, em Florianópolis a projeção é positiva. Entre ciclovias e ciclofaixas executadas, em execução ou para serem aprovadas, são aproximadamente 27,4 quilômetros de extensão no programa chamado Rotas Inteligentes.

– É fundamental o investimento em campanhas educacionais para a sensibilização da população sobre as vantagens no uso da bicicleta e o trânsito seguro – concluiu.

Dicas para iniciantes

> Faça o trajeto inicialmente em um domingo, dia com menor movimento de carros

> Observe e estude as ruas, os cruzamentos e as faixas de pedestres. Compare as rotas e identifique qual a melhor. A locomoção diária de bicicleta exige conhecimento e habilidade

> Para tornar a locomoção mais agradável, encontre alguém para fazer a rota com você. Isso cria um vínculo de socialização

> Utilize uma bicicleta adequada, regulada e confortável

> Conheça as leis de trânsito, que são favoráveis ao ciclista

> Onde não houver ciclovia, tenha cuidado. Ande do lado direito, mas permita que o motorista enxergue que você está na rua

> É conveniente o uso de capacete e espelho retrovisor

> Prepare-se e persista ao longo do tempo

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