Prefeito de Florianópolis faz avaliação de propostas de mobilidade

O Jornal Notícias do Dia, versão da Grande Florianópolis, publicou em suas páginas do bíduo 1º e 2 de abril de 2017 uma entrevista com o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (PMDB). Na matéria, que pode ser conferida aqui, o prefeito fala para o repórter Felipe Alves sobre o andamento de 26 promessas feitas durante a sua campanha eleitoral após os primeiros três meses de governo.

Enquanto era candidato ao posto de alcaide da capital catarinense, Gean Loureiro foi um dos signatários da “Carta de Compromisso com a Mobilidade Ciclística de Florianópolis”, que foi uma das ações do Projeto Bicicleta nas Eleições, promovido na cidade pela Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) com o apoio da União de Ciclistas do Brasil (UCB). A matéria traz trechos que falam sobre a mobilidade urbana, que foram separados no enxerto copiado abaixo.

Aos três meses de administração, Gean Loureiro avalia andamento de propostas

Separamos 26 propostas feitas pelo prefeito de Florianópolis no ano passado para saber o que será executado.

Neste dia 1º de abril, Gean Loureiro (PMDB) completa o primeiro trimestre à frente da Prefeitura de Florianópolis. O Notícias do Dia separou 26 propostas concretas de diversas áreas apresentadas por Gean durante a campanha eleitoral para saber se, passados os três primeiros meses, será possível efetivar as promessas apresentadas em campanhas. […]

Ex-vereador, deputado estadual, deputado federal e presidente da Fatma, Gean não esconde que dedicou sua trajetória política para estar no cargo em que ocupa hoje. “Eu não posso fraquejar agora diante das dificuldades, senão não estou preparado para ser prefeito”, alega.

AS PROPOSTAS DE CAMPANHA

MOBILIDADE URBANA

– Implantar o Plano de Mobilidade Urbana

“Estamos fazendo estudos para encaminhar. O plano tem que ser debatido para ser construído, mas tem ações que já começam a ser colocados em prática através dos modais que estamos discutindo. Queremos nesse ano ter o plano encaminhado”.

Aterro da Baía Sul. Foto: Flávio Tin/ND.

– Implantar novas ciclovias

“Pedimos para Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento e Desenvolvimento Urbano fazer um estudo das rotas cicloviárias e também novas oportunidades de espaços para os ciclistas. Já estamos na fase de estudos da pista da Beira-Mar Norte aos domingos, que deve iniciar em abril. Mas estamos definindo rotas para ciclovias e tentando estabelecer parcerias e formatos para poder concretizar. Não temos meta específica, mas vamos fazer o máximo possível”.

– Ampliar o número de corredores exclusivos ou preferenciais para transporte coletivo

“Isso é o Rapidão [BRTs], que já começamos este mês. Nossa ideia é realizar até 2019 todo o anel viário central e, a partir daí, ampliar para os troncos dos eixos norte, sul e continente”.

– Construir um bicicletário municipal

“Estamos definindo pontos específicos que possam dar segurança e condição de deixar as bicicletas, por que se não fizer isso você não estimula o uso. Estão sendo definidos os pontos e vai ser feito em parceria com a iniciativa privada”.

– Implantar estacionamento de carros e bicicletas junto aos terminais de integração

“Isso deve entrar como parte da estrutura das obras do anel viário. A ideia é poder ter deslocamento de algumas pessoas que possam ir de carro até esses locais e, a partir daí, utilizar o transporte coletiva, não se deslocando até o centro da cidade. Fazemos o levantamento dos terrenos da prefeitura para poder adequar e fazer essa modelagem”.

– Implantar projeto de bicicleta compartilhada

“Estamos fazendo um novo formato de edital, pois o último deu deserto [sem interessados]. É preciso ter um atrativo maior. Em qualquer parceria público-privada se não tiver algo que se tenha retorno, a empresa não se atrai”.

INFRAESTRUTURA

– Construção do elevado do Rio Tavares em 2017

“Estamos fazendo a continuidade da obra e continuamos avançando. Teve dificuldade com o financiamento e a SPU, mas já vencemos. Esse é um compromisso sagrado para a gente realizar. Temos uma expectativa de execução da obra para até março do ano que vem e a gente está tentando antecipar para ver se consegue entregar até o fim do ano. Aprovamos o projeto das PPPs para a desapropriação sem tirar dinheiro da prefeitura. Sobre a outorga, estamos intermediando para poder concretizar”.

Elevado do Rio Tavares. Foto: Flávio Tin/ND

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

– Implantar o Plano Diretor

“Nosso prazo para enviar para a Câmara é até 31 de maio. Reativamos o Núcleo Gestor e estamos cumprindo os prazos. Não sei se vamos ter o melhor Plano Diretor, por que é uma lei especial que o prefeito cumpre os prazos. Obviamente que a decisão é do Núcleo Gestor e do Ipuf, mas a decisão final é da Câmara de Vereadores”.

Florianópolis. Foto: Daniel Queiroz/ND.

(Vídeo) Entrevista com Enrique Peñalosa no Conversas Cruzadas

Programa Conversas Cruzadasexibido originalmente em 7 de outubro de 2013, pela TVCOM SC.

O âncora Renato Igor entrevista o ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Florianópolis, Dalmo Vieira Filho, e o professor Daniel Pinheiro, do curso de Administração Pública da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) .

Peñalosa esteve em Florianópolis para palestrar na terceira edição do Fronteiras do Pensamento, no auditório da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). Em debate. gestão pública para a mobilidade, com enfoque no transporte coletivo e no uso das bicicletas, com vistas a tornar a cidade mais agradável para se viver e seus habitantes, mais felizes.

Veja os vídeos originais:   {Bloco 1}   {Bloco 2}   {Bloco 3}   {Bloco 4}

Saiba mais:

A mobilidade e as cidades: as lições de Bogotá
(Vídeo) Enrique Peñalosa – Investimentos em calçadas, ciclovias e transporte público melhoraram a mobilidade em Bogotá
(Mobilidade nas Cidades) Íntegra da palestra de Gil Peñalosa
(Mobilidade nas Cidades) “Precisamos parar de falar e começar a agir”, diz Gil Peñalosa

Veja também:

(Vídeo) Bicicletas-fantasmas em Florianópolis
(Vídeo) Conversas Cruzadas: Ciclovias em Florianópolis

Desrespeito com os pedestres em São José

Notícias do Dia - logo v2

Pedestres encontram dificuldade para transitar por ruas do Kobrasol e Campinas, em São José

Quem transita a pé por ruas de bairros como Kobrasol e Campinas, em São José, encontra uma série de dificuldades pelo caminho. A falta de espaço público reservado para pedestres ou até mesmo a obstrução de locais que são de passagem de pedestres são problemas diários enfrentados por quem se aventura a andar a pé em meio às lojas e aos carros.

Em determinados locais do Kobrasol, como na Avenida Lédio João Martins, por exemplo, os lojistas utilizam as calçadas como se fossem estacionamentos particulares onde, em muito locais, os pedestres acabam prejudicados pela falta de espaço para transitar.

Segundo o guarda municipal de São José, Eduardo de Oliveira, a questão é complicada pela falta de regulamentação específica. “Não há uma definição clara de onde fica exatamente o espaço para passeio público em alguns locais”. De acordo com ele, em algumas situações o tamanho do carro interfere diretamente na fiscalização, já que os carros maiores correm o risco de tomarem conta de toda a calçada, não sobrando espaço para os pedestres.

“As pessoas são espremidas nas pequenas calçadas. Entendo que temos muitos carros nas ruas, mas acho falta de respeito com os pedestres”, criticou a professora Silvia Berro, 35 anos, durante um passeio com o filho na avenida Central do Kobrasol.  A doceira Crisleine Schelemper, 33, também sofre cada vez que sai de casa com o carrinho de bebê.  “Os automóveis estão muito em cima das pessoas. Pela quantidade de público que caminha por aqui todos os dias creio que sejam necessárias algumas mudanças em prol de quem está a pé”, pediu.

Só no calçadão os pedestres conseguem caminhar com tranquilidade. Foto: Rosane Lima / ND.

Só no calçadão os pedestres conseguem caminhar com tranquilidade. Foto: Rosane Lima / ND.

O aposentado Cesar dos Santos, 68, acredita que as calçadas estão cada vez menores. “A disputa com os veículos só aumenta. Escapei de atropelamento por duas vezes. O poder público precisa tomar atitudes”, pede o morador do bairro Kobrasol.

De acordo com Priscila Godinho, comandante da guarda municipal de São José, ao longo dos anos os próprios lojistas fizeram obras em frente a seus estabelecimentos e cada um fez isso de acordo com suas necessidades, sem um controle específico. Há casos em que, em frente a uma loja não há nenhum espaço para pedestre e, em outros, há até duas calçadas (uma próxima à rua e outra próxima à loja). “O fiscalizador fica sem ter o que fazer, pois a infraestrutura do local não colabora”, avalia Priscila.

A secretária Andréa Pacheco, da Secretaria de Segurança, Trânsito e Defesa Social de São José apresentou no dia 18 de outubro uma proposta para a prefeita Adeliana Dal Pont para tentar resolver estes problemas. Segundo Andréa, a proposta prevê alterações viárias em Campinas e Kobrasol, alterações do fluxo de trânsito e aumento de calçadas. Na Avenida Lédio João Martins, por exemplo, o objetivo é padronizar a calçada, permitindo que os pedestres caminhem em frente às lojas sem obstáculos. “Vamos priorizar os pedestres e os ciclistas com o aumento das calçadas. O objetivo é levar os pedestres próximos às lojas, estimulando o comércio.”

Soluções serão discutidas com moradores

O primeiro entrave para a Prefeitura é definir se a área onde os carros estacionam na Lédio João Martins é pública ou privada. Esta questão será debatida com o Ministério Público no próximo dia 31. A partir daí, o objetivo da Secretaria de Segurança, Trânsito e Defesa Social é discutir as alterações com as associações de moradores de Campinas e Kobrasol e, a partir daí, implementar as medidas.

Silvia Berro e Crisleine Schelemper enfrentam dificuldades com carrinhos de bebê. Foto: Rosane Lima / ND.

Silvia Berro e Crisleine Schelemper enfrentam dificuldades com carrinhos de bebê. Foto: Rosane Lima / ND.

“Essas questões são muito controversas. Em relação aos estacionamentos, alguns lojistas são a favor de multar e outros são contra. Vamos propor que sejam feitas obras de aumento das calçadas para dar mais espaço aos carros, pedestres e incluir estes espaços na Zona Azul para dar rotatividade de clientes aos lojistas”, comenta Andréa.

A guarda municipal contabiliza que as principais infrações em São José são relacionadas a estacionamento irregular, atrapalhando o fluxo de automóveis e pedestres. Somente em setembro, 696 pessoas foram notificadas na cidade por infringirem normas relacionadas a estacionamento. Os que estacionam em local proibido estão em primeiro lugar (188 notificações), seguido por estacionar sobre calçadas (162) e estacionar em carga e descarga (42). As multas variam de R$ 50 a R$ 120, dependendo da infração, e geram de 4 a 7 pontos na carteira do motorista.

Lei municipal específica para farmácias e bancos

A lei n° 2907, de 1996, garante estacionamento temporário e rotativo de veículos em frente a farmácias e drogarias localizadas em São José, desde que haja placas de sinalização específica, no limite máximo de 15 minutos. O benefício também é estendido aos estabelecimentos bancários, onde o usurário pode ficar estacionado por até 30 minutos.

O que diz a lei

O capítulo 4 do Código de Posturas do Município de São José, de 1966, que discorre sobre trânsito público, garante que:

Art. 86 – O trânsito, de acordo com as leis vigentes, é livre, e sua regulamentação tem por objetivo manter a ordem, a segurança e o bem-estar dos transeuntes e da população em geral.

Artigo 87 – É proibido embaçar ou impedir, por qualquer meio, o livre trânsito de pedestres ou veículos nas ruas, praças, passeios, estradas e caminhos públicos, exceto para efeito de obras públicas ou quando exigências policiais o determinarem.

Felipe Alves
(colaborou Alessandra Oliveira)

Fonte: Jornal Notícias do Dia, versão da Grande Florianópolis, de 30 de outubro de 2013.

Charge – Estacionamento lagunar

charge - Zé Dassilva DC 2013-10-21 Estacionamento lagunar

Um acontecimento aparentemente banal virou charge nas mãos de Zé Dassilva, na pág. 3 do Diário Catarinense de 21 de outubro de 2013. Veja em PDF.

O local é a Lagoa da Conceição, mas a metáfora pode ser ampliada para toda Florianópolis e, mesmo, para as demais cidades brasileiras.

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Conexão Montréal #1 – Primeiras Experiências

Meu nome é Viviane, sou uma estudante de mestrado em Educação na UFSC e estou fazendo sanduíche de pesquisa em Montréal na UdeM, Québec, Canadá. Conversei muito com o Fabiano, fundador deste espaço e cicloativista de Florianópolis, sobre como a cidade aqui é receptiva para bicicletas. Como estou no meu período de adaptação, não sei fazer outra coisa que não seja comparar a cidade de onde eu vim com esta onde estou aproveitando a deixa do diálogo e a vontade de trocar experiências, eu e o anfitrião do “Bicicleta na Rua” decidimos abrir um espaço educativo para contar nossas vivências com a bicicleta em várias cidades no mundo. Ele com as suas andanças pela Europa, e eu, aqui, no Canadá.

A minha amiga que me recebeu aqui tem uma speed Peugeot dos anos 60, ela tem muito amor pela bici porque foi da mãe dela. Mas, mesmo assim, ela me emprestou para eu ver um apartamento num bairro vizinho. Foi muito bom, para começar porque nunca andei de speed e a coluna fica bem retinha e a respiração, por consequência, fica bem sincronizada com o movimento do pedal.

No caminho, já na saída peguei a ciclovia e fui direto. Em cada cruzamento, tem um semáforo; na Rue Boyer tem um sinal para pedestres e outro para bicicletas. Outras ruas, sem ciclovia, geralmente têm um sinal só para todos. Todo mundo para no sinal, não tem nenhum danadinho que atravessa fora do verde. Me contaram que se você atravessa no vermelho e a polícia vê, você é multado. Uma infração para pedestres e ciclistas custa 37 dólares canadenses (uma grana preta).

Continuando o relato, passei por um túnel para chegar a Avenida que eu procurava e mesmo sem ciclopista, tinha bastante espaço para mim. Num canto, os carros estacionados e quase um metro da marcação da pista, tranquilidade total. Photo1065Na cidade, nem todos ciclistas usam capacetes ou equipamentos de segurança. Mas eu tava bem devagar, apesar da potência da máquina emprestada.

Cheguei no lugar, e na frente da casa tinha um pequeno pique preto com símbolos de bicis, tipo, estacione aqui.

São os sinalizadores do sistema de estacionamento de carros na rua. Para vocês verem, o mesmo espaço é compartilhado, só que de bike você não paga nada, é só achar um espaço livre. É bem comum ver pequenos bicicletários nas calçadas próximas aos caminhos exclusivos das bicicletas, digo assim pois, tem as ciclovias, ciclofaixas, ciclopistas, etc. Neste dia, eu fiz uns 3km e não senti medo de nenhum carro ou de transitar por aqui de bicicleta, daí, decidi: quero ter uma speed também.

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