(Mobilidade nas Cidades) Caminhar e pedalar salvam vidas

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O médico da UNIMED e pesquisador da UDESC Tales de Carvalho fez uma compilação de diversos estudos dos últimos anos para fazer um paralelo entre a saúde e a mobilidade urbana. E foi categórico:

– Ser regularmente ativo salva vidas!

Para ele, formas de mobilidade que incluam o caminhar e o pedalar devem ser incentivadas. E mesmo quem usa o transporte coletivo não fica de fora dos benefícios. Afinal, quem pega o ônibus também acaba tendo que caminhar.

E não precisa ser adepto da academia ou ter boa forma física: um estudo de 2001 detectou que 40min diários eram suficientes para reduzir em 31% a mortalidade de cardiopatas. Além disso, outro estudo detectou que, a partir de 50min/dia de atividade física, ocorre regressão de lesóes coronarianas em pacientes aterioscleróticos.

Os benefícios à saúde pública ficam evidentes. A cada US$ 5.000,00 gastos em programas de reabilitação cardíaca (prevenção) economiza-se US$126.000,00 em cirurgia de angioplastia, por exemplo. Sem contar os benefícios físicos e emocionais gerados pela primeira frente ao quadro de recuperação lenta da operação invasiva.

Tales também mostrou outro estudo, de 2002, que compara os benefícios da atividade física entre pessoas cardíacas e não-cardíacas. Em ambos os grupos, quanto mais ativas fossem as pessoas, menor o risco de morte, tanto para cardíacos quanto para pessoas normais. Inclusive, o estudo demonstrou que o risco de morte é maior para pessoas não-cardíacas sedentárias do que para cardíacos ativos.

Sobre o Floribike, sistema de aluguel de bicicletas que está em licitação em Florianópolis, o médico vê como uma oportuniade excelente de gerar impactos positivos na saúde física e mental dos moradores, além de contribuir para a redução dos poluentes no ar.

Tales de Carvalho falou dos benefícios da inserção da atividade física intrínseca aos deslocamentos. Foto: Fabricio Sousa.

Tales de Carvalho falou dos benefícios da inserção da atividade física intrínseca aos deslocamentos. Foto: Fabricio Sousa.

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(Mobilidade nas Cidades) Íntegra da palestra de Gil Peñalosa

(Mobilidade nas Cidades) “As pessoas devem usar o transporte público pelos seus benefícios”

(Mobilidade nas Cidades) O foco da mobilidade não é a fluidez

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(Mobilidade nas Cidades) Vídeos sobre o Fórum Internacional

(Mobilidade nas Cidades) Abertura do terceiro Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana

Começa amanhã o 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana

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(Mobilidade nas Cidades) Íntegra da palestra de Gil Peñalosa

Confira abaixo, praticamente na íntegra, a palestra que Guillermo Peñalosa proferiu durante o 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, no dia 3 de abril, em Florianópolis.

Ideal para políticos, gestores e quem não pôde conferir de perto a brilhante explanação do colombiano.

Colaborou Bruno Negri

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O transporte coletivo também foi tema de debates durante o 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, realizado nos dias 3 e 4 de abril em Florianópolis.

Laurindo Junqueira, ao lançar a pergunta “Qual a cidade que queremos?”, mostrou diversas formas de se utilizar o território urbano, dependendo do modelo de urbe que se deseja ter. Queremos uma cidade de passagem, em que altos fluxos de velocidade dividem a cidade ao meio, permitindo o escoamento de mercadorias, ou queremos uma cidade-estar, em que as relações ocorrem dentro do espaço urbano, com Zonas 30 e locais de baixa velocidade?

Para a primeira opção, rodovias agressivas teriam que conviver com corredores de ônibus ou outro sistema de transporte coletivo. Para a segunda, o transporte coletivo de maior velocidade ocorreria nos entornos dos espaços de convivência, com integração importante com o transporte cicloviário.

Elencando os prós e contras de cada modelo, tendo como base o passado e o presente do município de São Paulo, Junqueira disse que o custo de um sistema de transporte coletivo que opere a 10km/h é o dobro de um cuja velocidade média seja de 30km/h, sendo importante a implantação de um corredor exclusivo para melhorar a eficácia financeira do transporte. Entretanto, outros fatores devem ser considerados para se tomar a melhor decisão técnica. Um dos motivos é que, com o aumento da velocidade dos ônibus nos corredores, sobe também o número de acidentes, em especial com ciclistas e pedestres.

Além disso, a implantação de corredores de ônibus cobre a demanda por um período de 10 a 15 anos, em média. Em São Paulo, os últimos corredores duraram apenas 4 anos até a lotação. Já o metrô supre a demanda por até 50 anos, segundo Junqueira.

Laurindo Junqueira questiona qual o tipo de cidades em que nós queremos viver. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Laurindo Junqueira questiona qual o tipo de cidades em que nós queremos viver. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Estudando a ampliação do metrô de Beijing às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2008, a urbanista Yumi Yamawaki, da seccional paranaense da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-PR), esclarece que deve-se prestar mais atenção com as estações onde há maior embarque e desembarque de pessoas, que nem sempre são aquelas onde há maior fluxo de pessoas, que geralmente são as estações de passagem ou de baldeação. São nas estações de embarque e desembarque onde deve haver melhores formas de integração com outros modais de transporte.

Já Ricardo Fonseca, da AsBEA-SC, cita Gustavo Restrepo para resumir:

– Muito se fala em números, mas pouco em cidadãos. As pessoas devem usar o transporte público pelos seus benefícios, e não pela falta de opção ou por necessidade.

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Emilio Merino comentou sobre as políticas nacionais de mobilidade urbana no primeiro dia do 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, realizado em Florianópolis no período de 3 e 4 de abril.

Fazendo um paralelo com o histórico brasileiro, Emilio foi taxativo quanto aos cuidados que devemos ter com projetos que envolvam as Parcerias Público-Privadas (PPPs). Citou o caso do sistema de transporte coletivo de massa de Porto Alegre, em que as empresas iriam ser responsáveis por 90% das obras e da operação, mas que não deu certo. Afirma que a proporção ideal das PPPs para obras de transportes fica próxima de 60% para o setor privado e 40% para o setor público.

Ele cita como principais antecedentes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) a criação do Grupo de Estudos para a Integração da Política de Transportes (GEIPOT) e da Empresa Brasileira dos Transportes Urbanos (EBTU) nos anos 1970s como embrião do que viria a ser o marco para o transporte nas cidades. Foi nessa época que começaram a aparecer os primeiros BRTs (Bus Rapid Transit) e os primeiros corredores de ônibus.

Crítico do baixo investimento em infraestrutura no Brasil, de apenas 2,03% do PIB, Merino afirmou que, desde janeiro de 2012, o foco que se deve dar no trânsito foi modificado, com a sanção da Lei Federal nº 12.587, que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Segundo ele, no planejamento tradicional de transporte, o foco é a fluidez. Agora, no planejamento da mobilidade urbana, o foco são as pessoas, o transporte não-motorizado, o transporte coletivo e a democracia participativa.

Para o futuro, Merino afirmou que já corre no Legislativo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que assegura aos cidadãos o direito inalienável à mobilidade urbana, que é muito mais profundo do que simplesmente o direito de ir e vir. Saiba mais aqui.

Emilio Merino afirmou que o foco da mobilidade urbana não é a fluidez. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Emilio Merino afirmou que o foco da mobilidade urbana não é a fluidez. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

 

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(Mobilidade nas Cidades) “Precisamos parar de falar e começar a agir”, diz Gil Peñalosa

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(Mobilidade nas Cidades) “Precisamos parar de falar e começar a agir”, diz Gil Peñalosa

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Guillermo Peñalosa criticou a inação de governantes perante os problemas de seu povo.

A palestra de Gil Peñalosa no Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, proferida na manhã do dia 3 de abril, foi saudada de pé por parte do público que ocupava o auditório do Hotel Majestic, em Florianópolis.

Enfático, o ex-secretário de Parques, Esportes e Recreação da cidade de Bogotá, ao mesmo tempo em que mostrava as mudanças proporcionadas na capital colombiana – e em outras cidades do mundo -, cobrava dos políticos a busca por uma melhor gestão dos recursos públicos.

– Os cidadãos nos pagam para fazer, não para arranjar desculpas de por que não foi feito – disse.

Sobre a mobilidade urbana, Gil comentou que nos últimos anos temos pensado as cidades para os carros.

– Se estimulamos o uso do carro, veremos carros. Se estimulamos o caminhar, veremos pedestres. Se propiciamos o pedalar, ciclistas é o que observaremos.

Ele comentou as iniciativas de sua gestão, como as ciclovias de domingo. Para ele, iniciativas como essas são importantes, pois faz com que as pessoas percebam que determinados lugares não são tão distantes quanto se pensara, e que se pode chegar a eles de bicicleta ou caminhando.

Além disso, houve a criação de 280km de ciclovias permanentes em 3 anos. Com isso, a participação das bicicletas no número total de viagens saltou de 0,5% para 5%.

Estímulo ao caminhar e ao pedalar

Em um dos pontos mais curiosos da palestra, fazendo uma ligação com a palestra de Gustavo Restrepo duranto o I Seminário da Cidade de Florianópolis, Peñalosa afirmou que com US$ 90 milhões investidos em ciclovias fez mais pessoas se locomoverem em Bogotá do que com os US$ 2 bilhões investidos no transporte coletivo de Medellín, apresentado por Restrepo.

De acordo com ele, num país onde 40.610 pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito é absolutamente essencial investir em calçadas e ciclovias, pois o caminhar e o pedalar são a única forma de mobilidade individual para:

70% das pessoas do mundo,
todos os jovens e crianças.

Mas ele alerta que apenas pintar uma linha branca no asfalto e dizer que aquilo é uma pista ciclável não adianta: os carros ocupam o local. Tem que ter algum tipo de separação física.

Peñalosa defende que o governo subsidie o uso do espaço público com a finalidade de trazer as pessoas para as ruas. Cita como exemplo a baixa de impostos para estabelecimentos como floriculturas e bancas de jornais, desde que estes se comprometam a ficar abertos durante períodos não comuns nos meios comerciais.

Com medidas como essas, ele conseguiu com que mais pessoas caminhassem e aproveitassem os espaços culturais da cidade. Num lugar onde antes o índice de roubos era elevado, afugentando os moradores, um estabelecimento induzido a funcionar durante todo o final de semana, iluminando a região, possibilitou que, mesmo à meia-noite, os cidadãos não mais temessem e pudessem ser vistos caminhando.

Para Gil Peñalosa, devemos estimular o caminhar e o pedalar. Foto: Fabricio Sousa.

Para Gil Peñalosa, devemos estimular o caminhar e o pedalar. Foto: Fabricio Sousa.

Gestão pública

Gil Peñalosa listou 5 coisas fundamentais para que não apenas se debata sobre mobilidade, mas que também se comece a agir para tornar o desejável possível.

Em primeiro lugar, é necessário ter sentido de urgência. Vivemos uma situação de saúde caracterizada pela crise da obesidade, com todos os problemas a ela relacionados. Além disso, a população continua crescendo, bem como a expectativa de vida. Como lidaremos hoje com os problemas que estarão refletidos amanhã na saúde da população?

Além disso, de acordo com Peñalosa, com o êxito econômico uma coisa piora: a mobilidade, “desde que ela esteja baseada no automóvel privado”.

Em segundo lugar, é vital o compromisso político. Deve-se, para isso, criar um pacto e pensar em ruas para se construir comunidades, não segregá-las.

Por fim, três condições são básicas para que esse pacto social dê certo. A liderança é uma delas. É necessário que se tome a dianteira e vá atrás das condições.

Os realizadores no setor público, servidores, técnicos e funcionários, são essenciais. Eles que estarão por trás das ações públicas, independente dos governantes. São elos para a continuidade dos bons processos entre gestões diferentes.

Por fim, a participação cidadã é intrínseca ao processo. Sem o respaldo dos moradores, nenhuma obra se estruturaliza permanentemente, nenhum planejamento urbano de longo prazo se solidifica.

Florianópolis surda

O sentido de urgência ainda não parece ter chegado a parte do cerne da administração municipal de Florianópolis.

Mesmo com a representante do Ministério das Cidades dando bronca pelos poucos projetos catarinense inscritos no Programa de Aceleração do Crescimento – Pavimentação e Qualificação de Vias Urbanas (PAC 3) em palestra no dia 4 de abril, Florianópolis deixou de enviar, no dia seguinte, o projeto da rede cicloviária do Centro para receber recursos da União, num total de R$ 3.624.883,16.

A assessoria jurídica, ao tomar ciência do fato, cadastrou internamente o projeto para, quando houver programas do governo federal, poder viabilizar fundos para a rede cicloviária do Centro. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano também irá tomar ação semelhante. As outras formas de disponibizar recursos para a Microrrede Centro são através da licitação do Floribike ou prevendo recursos no orçamento do erário municipal.

Enquanto isso, sente-se pouco seguro o ciclista novato, estimulado – por afinidade ou pelo crescente congestionamento – a deslocar-se em bicicleta pela cidade.

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(Mobilidade nas Cidades) Vídeos sobre o Fórum Internacional

Diversas matérias em redes de televisão foram gravadas durante a realização do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, que aconteceu nos dias 3 e 4 de abril em Florianópolis. Assista abaixo a algumas delas:

Entrevista com o organizador Hamilton Lyra Adriano. Conteúdo exibido originalmente no programa SC no Ar, da RIC Record SC,  em 2 de abril de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

Entrevista com Halan Moreira, presidente da Associação Brasileira de Monotrilhos. Conteúdo exibido originalmente no Bom Dia Santa Catarina, da RBS TV SC,  em 3 de abril de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

Ton Daggers fala sobre a necessidade segurança viária aos ciclistas, com a construção de ciclovias e medidas de acalmia de tráfego, bem como apóia a implantação do Floribike. Conteúdo exibido originalmente no Jornal do Almoço, da RBS TV SC,  em 3 de abril de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

Entrevista com Guillermo Peñalosa, citando exemplos de Nova York, Copenhagen, Melbourne e Bogotá. Conteúdo exibido originalmente no RBS Notícias, da RBS TV SC,  em 3 de abril de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

(Mobilidade nas Cidades) Abertura do terceiro Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana

Diversos representantes do Governo do Estado de Santa Catarina e das prefeituras da Grande Florianópolis fizeram-se presentes na abertura deste terceiro Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana.

Compuseram a mesa no cerimonial de abertura o vice-presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Forianópolis (ViaCiclo) Daniel de Araújo Costa, o presidente da Câmara de Vereadores de Florianópolis César Luiz Belloni Faria, o secretário de Estado Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis Renato Hinnig, o deputado estadual José Milton Scheffer, representando a Assembléia Legislativa, o secretário municipal De Transportes, Mobilidade e Terminais Valmir Humberto Piacentini, representando a Prefeitura de Florianópolis e Hamilton Lyra Adriano, da ShopConsult, empresa organizadora do Fórum.

César Faria, Renato Hinnig, Hamilton Lyra, José Milton Scheffer e Daniel Costa na mesa de abertura do 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

César Faria, Renato Hinnig, Hamilton Lyra, José Milton Scheffer e Daniel Costa na mesa de abertura do 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Representantes de empresários, de organizações sociais e das prefeituras de Palhoça, Ilhota e Santo Amaro da Imperatriz também estiveram no auditório do Hotel Majestic, no Centro de Florianópolis.

Citando a pesquisa do Instituto MAPA/RBS, Daniel Costa afirmou que 82% das pessoas das 10 maiores cidades catarinense estariam dispostas a utilizar mais o transporte coletivo se este fosse mais eficiente e que 70% das pessoas afirmaram que gostariam de utilizar mais o modal ciclístico.

Já Renato Hinnig fez questão de ressaltar a importância da bicicleta. Segundo ele, mesmo sendo um dos modais com menor participação no número de deslocamento, é positivamente surpreendente que uma associação de ciclistas consiga co-organizar um evento tão importante como esse fórum.

Afirmou estar abismado por saber que nenhum município da Grande Florianópolis tem um plano viário e que está se buscando recursos para a realização de uma ampla pesquisa de origem e destino. Cobrou também a realização de consórcios intermunicipais na Grande Florianópolis. Segundo Renato, a região está perdendo muitos recursos da União destinados a este tipo de parceria, visto que não existe sequer um consórcio entre os municípios da região.

Obs.: Texto escrito originalmente em 03 de abril de 2013.

Regalo neerlandês

Esta é a quingentésima postagem deste blogue.

Em vez de falar de algumas novidades implementadas nas últimas semanas, de algumas que estão por vir e do apoio institucional que se recebeu, optamos por falar de uma honraria que o Bicicleta na Rua recebeu.

Nos últimos dias, aconteceu em Florianópolis a terceira edição do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. Dentre os palestrantes, o holandês Ton Daggers, da rede Cities for Mobility (Cidades pela Mobilidade).

Retornando a Florianópolis, onde já esteve por diversas vezes, inclusive na segunda edição do Fórum, em 2011, e na primeira Semana Internacional da Bicicleta, em 2009, Ton Daggers abordou a mobilidade por bicicleta e por pedelec, que, segundo ele, são as verdadeiras bicicletas elétricas.

Ao final do primeiro dia de palestras, instigado por uma leitora, dedicou parte da noite para a leitura deste blogue.

No dia seguinte, fez questão de agraciar o Bicicleta na Rua, com um presente: um porta-lápis de madeira em formato de cargobike, um modelo de bicicleta elétrica cargueira, que vem sendo utilizada para o serviço de transporte de mercadorias em cidades européias. Para ele, foi com muito orgulho que presenteava este blogue pelo seu trabalho.

Cargobike presenteada por Ton Daggers para o Bicicleta na Rua pelo trabalho em prol da mobilidade ciclística. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Cargobike presenteada por Ton Daggers para o Bicicleta na Rua pelo trabalho em prol da mobilidade ciclística. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

– – – * – – – // – – – * – – –

Devido à conexão inconstante com a internet durante o evento, as matérias sobre esse incrível Fórum não puderam ser repassadas com o mesmo vigor que as palestras tiveram. Apenas pelo Youtube os conteúdos foram atualizados com certa agilidade. Mas isso não foi de todo ruim. Uma outra leitora deste blogue e que também esteve presente nas palestras sobre determinados assuntos, encontrou importantes incoerências entre o apresentado e a realidade, notadamente numa das frases de maior impacto proferidas no Fórum. Se não fosse pela ajuda dessa leitora, certamente essa confrontação não teria ocorrido. Até segunda-feira, quase toda a cobertura do Fórum deverá estar disponível aqui no WordPress.com.

– – – * – – – // – – – * – – –

A pequena homenagem de Ton Daggers a este blogue foi recebida com uma visível emoção. Afinal, não são só quase 5 anos, 500 textos e mais de 200.000 visitas de um veículo de comunicação de uma das menos populosas capitais brasileiras. É todo um conjunto de pensamentos, ações, práticas e referenciais que compõem o conceito deste site.

Ton certamente conhecia a situação de Florianópolis antes de 2008 e a tem visto mudar ao longo de suas visitas durante os anos. Tem visto, também, as diversas manifestações de ativistas pela bicicleta surgirem e ganharem fôlego com o tempo. Novas caras e velhos rostos unidos, mesclados por um mesmo ideal de mobilidade que alie o transporte ativo ao coletivo no planejamento do uso do solo. Mescaldos, afinal por um mesmo ideal de cidade, voltada para a convivência e o encontro: um lugar para se estar, não simplesmente para se passar.

Diante dessa consideração, o Bicicleta na Rua só tem a dizer:

– Valeu, Ton!

[- ¿Y puedo darte un abrazo?]

Começa amanhã o 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana

Nos dias 3 e 4 de abril de 2013, no Hotel Majestic, em Florianópolis, acontecerá a terceira edição do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, retornando a Santa Catarina após um ano de ausência. Assim como nas primeiras edições, o Bicicleta na Rua estará lá, cobrindo de forma multimídia o evento, com fotos, vídeos, micropostagens e textos, usando as plataformas Ipernity, Youtube, WordPress.com e Twitter.

Confira abaixo o release do evento e a programação prévia.

“O Fórum Internacional Sobre Mobilidade Urbana 2013 colocará em debate a questão da mobilidade nas cidades de médio e grande portes, já assinalando prováveis conduções a pequenos municípios.  O evento trará especialistas do Brasil e do Exterior para abordar com amplidão temas como Acessibilidade, Planejamento Urbano nas cidades, Ciclofaixas, Equipamentos, Infra Estrutura (pontes, tuneis, vias, inteligencia), Logistica e Abastecimento, Tecnologias modais de transporte (BRTs, VLTs, Transporte Maritimo, Cable Cars), e o Futuro das Cidades.

Excelente oportunidade para promover a troca de experiências entre os diversos atores e debater soluções viáveis para o problema da Mobilidade Urbana nas grandes cidades.

Gil Penalosa GIL PENALOSA do Canadá, Principal Key note na abertura do evento dia 3 de Abril e que fará CURSO ESPECIAL dia 05 de Abril dirigido a Prefeitos, Secretários de Municípios e de Estado e a Dirigentes Publicos e Privados – GARANTA JÁ A SUA VAGA.

Serão convidados, além de profissionais especialistas de vários locais do Brasil e exterior, empresas como a Austríaca Doppelmayr e outras  para que possam mostrar suas aplicações de sucesso em todo o mundo.  A importância de que eventos deste nivelamento possam mostrar exemplos bem sucedidos por todo o mundo, nos ajuda a encurtar caminhos sobre as melhores soluções para cada localidade especificamente.  Junto com as empresas convidadas, Bancos e Investidores que poderão fomentar a viabilização de cada projeto.

Ton Daggers TON DAGGERS – da Holanda vem nos mostrar como se criou a maior Rede de Ciclovias do Mundo a partir de Amsterdam.

Ocorrerão Rodadas de Negócios onde serão colocados frente a frente, os projetos,  prováveis executores, profissionais consultores e/ou especialistas, e as fontes de geração de recursos.  Será necessário o agendamento prévio com empresas, especialistas e fomentadores para que todos possam ser plenamente atendidos.  Salas especiais serão montadas com esta finalidade.  Conforme o caso, o evento poderá trazer mediadores para as negociações  e consultas.

Na oportunidade da reunião de Municípios e Estados, empresas de Consultoria farão sua abordagem inicial sobre a Lei Federal 12.587 que trata das Politicas Nacionais sobre Mobilidade Urbana em amostragem sobre como os gestores públicos podem conduzir sua gestão em projetos de viabilização e aplicação em cada localidade.

A exemplo de 2011 e 2012 será apresentado aos participantes dados técnicos sobre a TripMobility – Missão Técnica e Empresarial Alemanha + Inglaterra + França 2013 com visita e participação no World Congress da Rede Cities for Mobility.  Serão mostrados os objetivos e visitas da Missão, como foram as ocorrências anteriores, características técnicas, condução do grupo  e suas regras, assim como espaço de tempo para dúvidas dos presentes.  A operadora e a organização farão dentro do evento promoção em valores especiais para reserva e fechamento nesta delegação.  A Missão segue em fins de Junho de 2013 e os pacotes deverão estar finalizados e pagos até meados de Maio de 2013.

SERVIÇO:

Local: Hotel Majestic Florianópolis
Endereço:  Av. Rubens de Arruda Ramos
Cidade:  Florianópolis
Estado: Santa Catarina
Data: 03 e 04 de Abril de 2013 – Dia 05 de Abril Curso Independente com Gil Peñalosa
Horário:  Das 09h00 às 12h00 e das 14h00 às 19h00
Portal:  www.mobilidadenascidades.com.br
Número de Participantes: 400

Público: Empresários, Empresas de Infra Estrutura, Gestores públicos e privados, acadêmicos, Bancos de Fomento e investidores.

Formato:  Palestras com especialistas, Apresentação de exemplos e casos de sucesso por empresas especializadas internacionais,  Salas paralelas com Rodadas de negócios entre Prefeituras/ Estados X Especialistas/ Empresas Especializadas X Bancos de Fomento/ Investidores (inscrições antecipadas).”

PROGRAMAÇÃO

DIA 03/04
08:30 10:00 Lobby
10:00 10:30 Auditório Principal Cerimonial Cerimonial de Abertura
10:00 18:00 Lobby Mostra de Expositores e Patrocinadores
10:30 12:00 Auditório Principal Palestra 1 (tradução simultânea Inglês/ Espanhol) Inaugural com Guillermo Penalosa – Origem:  Canadá
12:00 14:00 Almoço Livre
14:00 20:00 Sala 1 Rodada de Negócios Escala indisponível no momento
13:30 14:30 Auditório Principal Palestra 2 (Fundamento) Lei Federal 12597 – Politicas Nacionais de Mobilidade Urbana com Emilio Merino da TrensUrb
14:30 15:30 Auditório Principal Palestra 3 O Papel dos Arquitetos no Desenho das Cidades: Perspectiva Urbana – ASBEA – Associação dos Escritórios de Arquitetura do Brasil – Seção SC com Ricardo Fonseca & Seção Paraná com Orlando Ribeiro com participação especial de Giovanni Bonetti, Vice-Presidente AsBea Nacional
15:30 16:15 Auditório Principal Palestra 4 Doppelmayr, com Rafael Lemos –  “A utilização de teleféricos e People Movers como alternativas de transporte urbano”. Origem:  Áustria
16:15 16:35 Lobby Coffee Break
16:35 17:10 Auditório Principal Palestra 5
Palestrante: Dr. Tales de Carvalho. Assunto: A Saúde e a Mobilidade Urbana.  Especialista da Unimed Grande Florianópolis
17:10 18:00 Auditório Principal Palestra 6 (tradução simultânea Inglês/ Espanhol) Amsterdam – da Teoria a pratica como se formou a maior rede do mundo de ciclovias – com Ton Daggers – Movilization – Origem: Holanda
18:00 Encerramento
19:30 21:30 Lobby Coquetel A confirmar
Dia 04/04
10:00 19:00 Lobby Mostra de Expositores e Patrocinadores
09:00 10:00 Auditório Principal Palestra 7 O Ministério das Cidades e as Obras do PAC. Projetos, aplicações com Técnico do Ministério das Cidades
10:00 11:00 Auditório Principal Palestra 8 O Ministério do Turismo fomentando a Mobilidade Urbana em centros turisticos de Excelencia com Técnico do Ministério do Turismo
11:00 12:00 Auditório Principal Palestra 9 (pocket talk)  BADESC – Plano Santa Catarina de Fomento, exemplo para o Brasil.  Com João Paulo Kleinubing, Predidente do Badesc
14:00 20:00 Sala 1 Rodada de Negócios Escala indisponível no momento
14:00 14:40 Auditório Principal Palestra 10 Coaching para Gestão de Alto desempenho, com Marta Ribeiro, Brasil
14:40 15:15 Auditório Principal Palestra 11 Consórcio QUARK e as soluções em transporte por multimodais, PODSIT, BARCAS DE TRANSPORTE MARÍTIMO & MONOTRILHOS com Halan Moreira
15:15 15:40 Auditório Principal Palestra 12  “Qual é a vocação da cidade? Florianópolis e São Paulo – estudo comparativo” com Laurindo Junqueira
15:40 16:15 Auditório Principal Palestra 13  “Desafios da implantação do Sistema Monotrilho: O caso da  Linha 15 -Prata – Metrô São Paulo”com Paulo Sérgio Amalfi Meca
16:15 16:30 Lobby Coffee Break
16:30 17:15 Auditório Principal Palestra 14  “O transporte metroferroviário na América Latina e as tendências tecnológicas” com Conrado Grava de Souza
17:30 18:00 Lobby Retirada dos Certificados Nas secretarias do evento
18:30 19:00 Lobby Coquetel  A confirmar
Palestras em Espera Parcerias Público/ Privadas e Concessões em setores de Mobilidade Urbana e Transporte
Portos e Aeroportos com gestão Privada Eficiente e de Alto desempenho
Verticalização das Cidades e a Mobilidade Urbana com Sinduscon SC
Conteúdo de palestras e quantidade de palestrantes poderá ser alterado sem comunicação prévia. Veículo oficial de comunicação é o site do evento. Somente a comissão organizadora libera matérias e confirmações para imprensa, sites e agência para produção comercial e editorial relativos ao evento.

Ciclofaixa na SC-401: Deinfra diz que está dentro das normas. Ciclistas protestam.

Desde a semana anterior à inauguração da duplicação da rodovia SC-401, trecho entre o trevo de Jurerê e Canasvieiras, tenho ouvido constantes reclamações de todo tipo de ciclista e cidadão possível quanto à ciclofaixa.

Moradores da região contam que fizeram o recuo dos terrenos e esperavam uma obra decente, tal qual uma ciclovia. Ciclistas esportistas, em especial atletas que competem no triatlo, reclamam da impossibilidade de ultrapassagem segura e do perigo constante que é tocarem os tachões que dividem a ciclofaixa do acostamento.

Ciclistas cotidianos, por sua vez, reclamam da falta de critérios. Para as pistas, foram mantidas a distância de 3,5m para cada faixa de rolamento. O acostamento, diminuto, ficou com 1,5m e a ciclofaixa unidirecional, com outros 1,5m.

Os problemas, apontados pelos próprios ciclistas estão nas pontes e no elevado próximo à comunidade de Vargem Pequena, além do próprio tipo de via ciclística. As recomendações para vias cujas velocidades sejam superiores a 50km/h é a construção de ciclovia, segregada espacialmente por uma barreira física da pista de rolamento de veículos automotores. O tratamento dado também no elevado foi considerado pífio e completamente inadequado.

É interessante que nos últimos três anos, Florianópolis sediu três grandes eventos sobre mobilidade, com profissionais renomados mundialmente: Semana Internacional da Bicicleta (2009), Fórum Internacional sobre Mobilidade nas Cidades (2010) e Fórum das Américas sobre Mobilidade nas Cidades (2011). Em nenhum deles houve a presença de profissionais do DEINFRA. Daí resulta o desconhecimento técnico desse órgão em lidar com a mobilidade urbana como um todo, de forma integrada.

Guillermo Peñalosa, da 8-80 Cities, afirmou que devemos pensar a cidade para todas as pessoas, sejam elas de 8 ou até de 80 anos. Se você deixar o seu filho ou o seu pai sair à rua, com o modal possível a eles, sem se preocupar com a questão da violência no trânsito, então você terá uma cidade acessível. Deve-se planejar a cidade dessa maneira, afinal!

Infelizmente, não é esse o caso da ciclofaixa da SC-401. Não dá para se considerar seguro um trecho como aquele. No Brasil mesmo, temos o exemplo de Praia Grande, que modificou a forma de as bicicletas transitarem em ambas as marginais da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55), tornando muito mais seguro e eficiente tanto a mobilidade por bicicleta quanto pelo automóvel.

Nas oficinas técnicas da Semana Internacional da Bicicleta, o renomado arquiteto brasileiro Antonio Carlos de Mattos Miranda propôs uma solução à Via Expressa (BR-282) para o tráfego de ciclistas, com ciclovia abaixo do nível das pistas, de forma a evitar que ciclistas sejam atingidos por qualquer saída de pista de um ébrio motorista.

Recentemente, o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (DEINFRA), Paulo Roberto Meller, afirmou que a ciclofaixa da SC-401 estava dentro das normas. Hoje, disse ainda que se alguém falar que estava fora da norma, que lhe provasse e afirmou ainda haver um grupo criando polêmica sobre a rodovia.

De fato, há um grupo criando uma polêmica: o grupo dos que viram uma via ciclística mal projetada, o grupo dos arquitetos e engenheiros que pensam a cidade como um todo, o grupo dos especialistas estrangeiros, não entendendo como, após tantas horas dedicadas a passar instruções num país terceiromundista, vêm uma obra ser finalizada da maneira como foi e, por fim, o grupo dos ciclistas que se viram PREJUDICADOS por uma ciclofaixa que não atende aos verdadeiros fins da mobilidade urbana por bicicleta.

Visando a ilustrar toda essa situação, os florianopolitanos não puderam deixar de se manifestar sobre a irônica situação em que se depararam:

Por hora, sem uma percepção detalhada de toda a obra, mas com o projeto executivo em mãos, o Bicicleta na Rua aponta já o primeiro erro do projeto, elaborado pela empresa SOTEPA – Sociedade Técnica de Estudos, Projetos e Assessoria. A pista é tratada nominalmente como ciclovia, mesmo sendo oficialmente uma ciclofaixa. A diferença entre ambos encontra-se em leis tanto federais, quanto estaduais e municipais. Mais uma prova de que os ciclistas foram relegados a escanteio. Mais uma vez.

Atualizado em 13 de fevereiro de 2012, às 23h45.

Saiba mais:

SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do último acidente no Jornal Notícias do Dia.
Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Desrespeito às normas técnicas de segurança no trânsito põem em risco a vida de usuários da bicicleta.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.

Veja também:

Charge – Pedalando com segurança na SC-401

(Mobilidade nas Cidades) Florianópolis será premiada por revitalização nos Ingleses

A matéria abaixo foi publicada originalmente pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, em 27 de abril de 2011, neste link.

Prefeitura recebe prêmio na Alemanha

Premiação – ações de transporte alternativo – acontece no 5º Congresso Mundial de Mobilidade Urbana em Stuttgart, na Alemanha, em julho.

Florianópolis foi uma das cidades escolhidas pelo programa Cities For Mobility para receber premiação no 5º Congresso Mundial de Mobilidade Urbana, que acontece de três a cinco de Julho em Stuttgart, na Alemanha.

O relações pública da cidade que vai sediar o evento,  Patrick Daude, esteve hoje no gabinete do vice-prefeito e secretário dos Transportes, Mobilidades e Terminais, João Batista Nunes, anunciando a premiação.

O vice-prefeito (à esquerda) e o alemão Patrick Daude. Foto: Mauro Vaz.

O prêmio confere ações de transporte alternativo desenvolvido pela prefeitura no balneário de Ingleses e que foi apresentado em Stuttgart, em 2009, na 3ª Conferência Mundial.

O cotidiano do balneário, com crianças usando a bicicleta para ir à aula,  mulheres ao salão de beleza, jovens  pedalando até  praia com a prancha de surf ao lado da bike reproduzido em VT empolgou  especialistas do mundo inteiro reunidos na conferência.

O vice-prefeito ficou satisfeito com a notícia e garantiu a presença da delegação da Prefeitura de Florianópolis, em julho, Stuttgart, durante o congresso mundial da mobilidade.

Após o encontro com o vice-prefeito, Patrick seguiu para o Teatro Pedro Ivo, onde está acontecendo o Fórum de Mobilidade Urbana.

No aniversário da cidade, prefeito Dário Berger (à direita) e secretário de governo, Gean Loureiro (ao centro), participaram de passeio ciclistico. Foto: Mauro Vaz.

Saiba mais:

(Mobilidade nas Cidades) As lições do Fórum

(Mobilidade nas Cidades) Cities-for-Mobility opina e dá sugestões de como melhorar a mobilidade urbana de Florianópolis

(Mobilidade nas Cidades) Para melhorar a cidade

Florianópolis espera contar com bicicletas públicas em 2012

(Mobilidade nas Cidades) As lições do Fórum

O artigo abaixo foram originalmente publicadas na edição impressa do periódico Diário Catarinense, em 29 de abril de 2011 (pág. 3 do caderno Variedades). Você pode lê-lo no site do DC aqui.

Diário Catarinense

CONTEXTO

Escutai os gringos

Escrevo e envio este texto na terça-feira à noite, depois do primeiro dia do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. Na quarta, haveria outra rodada de palestras, encerrando o evento.

Alguns dos maiores pesquisadores mundiais do assunto estavam no Teatro Pedro Ivo, expondo suas ideias cosmopolitas para uma plateia de pouco mais de cem pessoas sem “nenhum vereador ou prefeito da Grande Florianópolis”, como notou, no Jornal do Almoço, o repórter Rafael Faraco.

As falas foram inspiradoras. Não pretendo resumir um conteúdo tão complexo. Quero apenas lembrar alguns pontos para arrancar disso uma reflexão.

O inglês Rodney Tolley dirige o projeto Walk21. Sua defesa do ato de caminhar, longe de ser ingênua, é uma lufada de bom senso. Andar, lembra, não se trata apenas da ida de “a” para “b”, mas da exploração do que há pelo caminho. Ignorada no último século, a caminhada como séria opção de mobilidade urbana vive um renascimento, merecendo conferências pelo planeta e programas especiais em cidades como Londres, Nova York, Copenhague, Barcelona. Não é o caso de criar andarilhos, mas de incentivar caminhadas em distâncias razoáveis para colocar mais pessoas nas ruas, gerando ambientes gregários, saudáveis e seguros. As cidades engajadas fazem um grande levantamento de informações úteis para os pedestres, proíbem os carros em algumas vias aos domingos e assim por diante.

O holandês Ton Daggers falou das famosamente bem-sucedidas experiências do seu país com as bicicletas – inclusive as elétricas, cada vez mais difundidas por lá e aliás já disponíveis por aqui. Na Holanda, terra de 18 milhões de bikes para 16 milhões de habitantes, há cada vez mais cyclo routes, as rodovias para as bicicletas, muitas vezes paralelas às autoestradas. Há dois anos dirigi rapidamente por Amsterdã e, diante de estacionamentos de R$ 350/dia e olhares nativos de desprezo, percebi o que é o carro para eles. A hierarquia se inverte: pedestres e ciclistas, felizmente, mandam no território.

O alemão Niklas Sieber explorou a questão dos transportes coletivos – custos, novidades, prós e contras, ótimas e péssimas experiências de mobilidade em cidades diversas. Um dos termos do momento sobre o assunto é “ transporte multimodal”, a articulação entre diversos meios de locomoção. Pela manhã, na palestra de abertura do Fórum o colombiano Gil Peñalosa deixou um frase ecoando pelo ambiente: “Cada cidade encontra uma razão para dizer que não vai mudar”. Alheio a desculpas assim, ele e seu irmão Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, revolucionaram o transporte por aquelas bandas.

Nisso voltamos aos nossos políticos. Pois é, eles não estavam no evento. Devem considerar as ideias dos estudiosos muito ripongas para a nossa realidade. Lamento que pensem assim, mas compreendo por que isso acontece. Que estímulo tem um prefeito para ser arrojado em termos de mobilidade urbana e por exemplo taxar a circulação de automóveis pelo centro, se o apedrejaríamos por isso? A cultura local não ajuda. No Brasil, o ônibus é visto como um veículo para estudantes e semifracassados em geral. Ignora-se que na Europa um chefe de grande empresa vá trabalhar de metrô ou bicicleta pública.

Fui ao Fórum de ônibus, mas até hoje deixei bem menos o carro na garagem do que podia. Sou um egoísta idiota – e aposto que, nesse quesito, a maioria dos leitores desse texto também é. Fica então o convite para admitirmos que hábitos de vida inteira possam ser justamente os mais errados. Vamos lá: www.walk21.com.

Thiago Momm

Saiba mais:

(Mobilidade nas Cidades) Cities-for-Mobility opina e dá sugestões de como melhorar a mobilidade urbana de Florianópolis

(Mobilidade nas Cidades) Para melhorar a cidade

Florianópolis espera contar com bicicletas públicas em 2012

(Mobilidade nas Cidades) Cities-for-Mobility opina e dá sugestões de como melhorar a mobilidade urbana de Florianópolis

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, em 26 de abril de 2011 (pág. 4). Alguns pequenos equívocos foram corrigidos no próprio texto. Você pode também ler a matéria original na íntegra em .pdf: {pág. 4}  {contracapa}.

Opção para o trânsito

Especialistas do país e do mundo estarão em Florianópolis hoje e amanhã participando do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. Os espaços públicos da Capital estão voltados para os carros. Autoridade alemã diz que não há infraestrutura para priorizar as bicicletas.

Duas Rodas. Alemão Patrick Daude representa Stuttgart
e mantém contato com Florianópolis.

Mobilidade Urbana

Transporte entra em debate

Evento sobre trânsito nas cidades inicia hoje, na Capital

Florianópolis – Transporte público  por meio de ciclovias é um dos temas do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana realizado em Florianópolis nesta terça e quarta-feira. A Capital recebe diferentes especialistas nacionais e internacionais no assunto. Um deles é Patrick Daude, coordenador do Cities For Mobility, maior entidade privada do planeta que trata sobre mobilidade urbana e sediada em Stuttgart, na Alemanha.

Daude também integra a equipe de política da prefeitura e câmara daquela cidade. Como representante do prefeito de Stuttgart, ele faz uma espécie de intercâmbio com a Prefeitura da Capital há cinco anos e já percebeu os principais problemas da cidade. “Há vontade em mudar, mas é um caminho difícil. Percebemos o predomínio do espaço público para carros. No entanto, falta estrutura para optar pela bicicleta. E não basta infraestrutura, é preciso educação especialmente para demonstrar respeito ao ciclista”, lembra.

Prioridade. Para Patrick Daude, o uso de bicicletas deveria ser incentivado. Foto: Lucas Sampaio/Arquivo/ND.

Para o alemão, o transporte público por meio de ônibus também precisa de melhorias. “Os terminais são bons e os ônibus são atémodernos. Mas falta integração tarifária em toda a região”, diz. Outro problema é a falta de informações dentro dos terminais e nos pontos de ônibus. “Para onde vai? Qual linha? Poderia haver um mapa mostrando todo o percurso. Vejo que os telões ficam com até um minuto de publicidade. Imagine você chegar atrasado, querendo pegar um ônibus e ter que esperar até um minuto para ver qual é a próxima linha”, alerta.

Quanto às opções de acesso à Ilha, Daude diz que “se for para criar outro espaço, que se dê prioridade ao transporte público.”

Prefeitura da Capital prevê investimento
em “bicicletas públicas”

A prefeitura de Florianópolis planeja marcar o aniversário da cidade de 2011 2012 com a inauguração do sistema de transporte por bicicletas públicas, uma espécie de aluguel de bicicletas de baixa tarifa para complementar o sistema de transporte público feito por ônibus. O convite para o estudo do modelo foi feito pela empresa Icnita Emovity, de Barcelona.

De acordo com a diretora de Planejamento do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), Vera Lúcia Gonçalves da Silva, a empresa espanhola estudou modelos de bicicletas públicas no mundo todo e apresentou uma proposta ao município. “Os testes seriam feitos em dois eixos principais, a avenida Beira-mar Norte ligando à UFSC, e a avenida Hercílio Luz, no Centro”, diz.

Maiara Gonçalves

(Mobilidade nas Cidades) Para melhorar a cidade

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, em 25 de abril de 2011 (pág. 7). Você pode também ler a matéria em .pdf aqui.

Mobilidade urbana

Oportunidade para aprender

Fórum vai reunir especialistas de países que já solucionaram o problema

Florianópolis – Cerca de mil pessoas devem participar do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, que será realizado em Florianópolis amanhã e quarta-feira, com a presença de especialistas de países como Alemanha, Holanda e Inglaterra. Apesar de sediar o evento, a Capital catarinense terá mais a aprender que a ensinar, segundo avaliação da coordenadora do CicloBrasil, grupo da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) que pesquisa o assunto, Giselle Xavier.

Pata Giselle, que vai liderar o painel “A questão da Mobilidade Urbana nas Cidades Catarinenses”, quem trabalha na área terá a chance de conhecer soluções adotadas em outros lugares e discutir como adaptá-las à realidade local. A Dinamarca, que tem municípios mais montanhosos que Florianópolis, é uma referência. “Lá, além de o transporte público ser eficientíssimo, a bicicleta é usada em larga escala. Nos pontos mais íngremes, há até espécies de elevadores para ajudar os ciclistas”, conta.

Essa qualidade superior da mobilidade urbana em nações mais desenvolvidas é explicada pela história. “Na Holanda, houve uma saturação do trânsito nos anos 70. Hoje, as pessoas se locomovem basicamente com bicicletas e meios de transporte públicos. Mas isso porque aprenderam que eles são mais rápidos”, diz Giselle. No Brasil, e especificamente na Ilha, o aprendizado está ocorrendo agora.

Mudança tem que partir da população, diz especialista

Em Florianópolis, o ponto inicial para a melhoria da mobilidade urbana é fazer mais gente utilizar transporte público e bicicleta, afirma a especialista da Udesc. Mas, ao contrário do que normalmente se diz, Giselle acredita que esse processo deve começar pela população, e não pelo poder público”. O governo responde às pressões dos cidadãos”, explica.

Para que isso aconteça, ela sugere um desafio: “As classes mais altas precisam andar de ônibus, como fazem quando viajam para o exterior”, argumenta. Giselle calcula que, se dois em cada dez homens de classe média-alta passassem a usar o transporte público, o sistema melhoraria em duas semanas. “Essas pessoas têm mais voz, são as formadoras de opinião.”

Paliativo. Por enquanto, a solução para quem precisa enfrentar as constantes filas que se formam na região é a paciência. Foto: Marcelo Bittencourt/ND.

Mas os governantes não ficam isentos de responsabilidade nessa discussão. “Eles precisam entender que é necessário investir com planejamento. Aqui, se faz uma ciclovia aqui e outra ali, sem ligação entre elas. Depois, se pergunta por que a sociedade não usa”, observa.

Anita Martins

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