Relato do Passeio Ciclístico da Lagoa

Quando eu saí da reunião da AMPOLA em que foi decidida a realização do Passeio Ciclístico da Lagoa da Conceição, mal poderia imaginar o sucesso que ele teria.

Nos dias anteriores, consertei o pneu da minha bike e mandei-a para a revisão. Às vésperas, comecei a preparar uma plaquinha para chamar a atenção e separei o meu apito. Instantes antes de sair de casa, vesti meu colete refletivo e, minutos depois, dirigia-me ao ponto de encontro do passeio, na sede da Associação de Moradores do Porto da Lagoa, distante 13km. Lá, terminei de montar minha bicicleta e minha plaquinha e coloquei a camiseta em alusão à ciclista Márcia Prado. Termina aqui a minha história pessoal.

Acontece que havia bastante gente mesmo na concentração. Grupos de crianças e adolescentes conversavam ao lado ou sobre as suas bicicletas. Repórteres procuravam a quem entrevistar em meio ao mar de duas rodas. Algumas pessoas portavam mensagens às costas: “Na Osni de bike é um perigo”, “A pé ou de bike na Osni? Tás tolo?!”, “- Poluição, + Exercício físico!!!”, “Passeio na Osni é só para carros?”. Teve também a célebre “Seja gentil com o ciclista PORRA!!!”, ironia inspirada nesta placa dos Sombra Bikers.

Pessoas concentradas na sede da AMPOLA. Foto: Caminhos do Sertão.

Pessoas concentradas na sede da AMPOLA. Foto: Caminhos do Sertão.

A palavra da população. Foto: Ciclista Fabiano.

A palavra da população. Foto: Ciclista Fabiano.

Placas de ironia e de informação. Foto: Ana Carolina Vivian.

Placas de ironia e de informação. Foto: Ana Carolina Vivian.

Mídia: Patrola. Foto: Ciclista Fabiano.

Mídia: Patrola. Foto: Ciclista Fabiano.

Às 15h30 saímos e logo estávamos a caminho do centrinho da Lagoa. Éramos, então, 144 ciclistas, sendo que mais gente chegou pedalando durante o percurso. Contávamos com o apoio de duas motocicletas da Guarda Municipal de Florianópolis (GMF), que íam à frente dos ciclistas, e com mais uma outra viatura atrás.

Parando e observando à beira da Lagoa, era impossível não perceber a diferença da Osni Ortiga ocupada pelos ciclistas, um espaço público servindo à saúde, bem-estar e sociabilização da população, e da Osni Ortiga imediatamente após à viatura da GMF, um espaço público privatizado por uma máquina de 1ton que carregava, em mais de três quartos (75%) das vezes, apenas uma única pessoa, situação antiecológica, antissociabilizante e estimuladora do sedentarismo e de seus males.

A Osni Ortiga embelezada, servindo à saúde e ao lazer da população. Foto: Caminhos do Sertão.

A Osni Ortiga embelezada, servindo à saúde e ao lazer da população. Foto: Caminhos do Sertão.

Eu perguntava às pessoas em volta sobre o passeio. A sensação de bem-estar era unânime. “Podia ter isso sempre!”, disse-me Neuza, uma mulher com roupa clara. “Pedalar assim é tão bom!”, falava uma moça de camisa lilás.

Tomando o centrinho da Lagoa, onde mais ciclistas se juntavam ao grupo, a curiosidade nas lojas e bares era geral. E olha que a Lagoa já é naturalmente cheia de bicicletas…

No centrinho da Lagoa. Foto: Caminhos do Sertão.

No centrinho da Lagoa. Foto: Caminhos do Sertão.

A primeira parada deu-se próximo ao Terminal de Integração da Lagoa (TILAG). Fato desconhecido da população: O TILAG tem bicicletário! São mais de 30 vagas! No dia, apenas duas magrelas dividiam o espaço com cinco motos e alguns bancos “de praça” e poltronas de madeira (!).

Passagem pelo TILAG. Foto: Caminhos do Sertão.

Passagem pelo TILAG. Foto: Caminhos do Sertão.

Motos no bicicletário? Foto: Ciclista Fabiano.

Motos no bicicletário? Foto: Ciclista Fabiano.

Banco no bicicletário? Foto: Ciclista Fabiano.

Banco no bicicletário? Foto: Ciclista Fabiano.

Metade do caminho percorrido, era hora de voltar.

Logo ao readentrarmos a Osni Ortiga, amostra da imprudência dos motoristas e desconhecimento dos motoqueiros quanto à legislação de trânsito. Atrás do carro da GMF, cerca de quatro estressadinhos (estresse?? quem mandou não estar de bike! rsrs) buzinavam forte, ao que o meu apito fazia “coro” para uma melhor consonância dos sons…

Alguns desses, contrários às ordens da guarda, passaram a viatura e seguiram na contramão. Um deles por muito pouco não acertou algumas das crianças!

Quanta infantilidade por trás de um volante! Infelizmente, quem pedala na região sabe: esse não foi um caso isolado.

Dessa vez, a GMF foi atrás. Mas é uma pena que tem pipocado casos em Santa Catarina onde apenas um corpo ao lado de uma bicicleta é encontrado, enquanto motoristas covardes fogem sem prestar os primeiros socorros.

Uma parada sob o pôr-do-Sol à beira da Lagoa, água pra todo mundo e brindes sorteados.

Bicicletas à beira da Lagoa da Conceição. Foto: Ciclista Fabiano.

Bicicletas à beira da Lagoa da Conceição. Foto: Ciclista Fabiano.

Finalizou-se o passeio no retorno à sede da AMPOLA. Destaque para a Guarda Municipal, que, mesmo após umas críticas quando do começo do passeio, se redimiu completamente e foi ovacionada ao sair.

O passeio acabou por aí, mas eu, o Juliano e o casal Ana Carolina e André fomos ainda assistir ao ocaso do Sol na trilha de acesso ao Gravatá, onde nos alimentamos com o lanche que o Juliano comprou com o vale-compras que recém-ganhara.

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A caminho do Gravatá. Foto: Ciclista Fabiano.

A volta ao lar ainda me reservaria mais uma surpresa, mas isso vai ficar para uma ocasião mais oportuna.

Por Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

Veja como foi o primeiro Passeio Ciclístico da Lagoa.

Relatos:

Bicicleta na Rua
Jornal da Lagoa
Jornal Notícias do Dia
Movimento Ciclovia na Lagoa Já

Fotos:

Ana Carolina Vivian
Caminhos do Sertão
Ciclista Fabiano

Vídeos:

Bicicleta na Rua
Daniel de A. Costa
Lagoa Virtual
Patrola – RBS TV/Globo

Problemática:

Bicicleta na Rua
Caminhos do Sertão
Jornal da Lagoa
Jornal Notícias do Dia
Movimento Ciclovia na Lagoa Já

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