Uma justa homenagem

Amanhã, sábado, 19 de dezembro, ocorrerá o primeiro teste oficial do que vai se tornar o primeiro percurso de cicloturismo do Estado de São Paulo. O projeto de lei que o institui já foi aprovado na Câmara Municipal paulistana e leva o nome de Rota Cicloturística Márcia Prado.

É uma justa homenagem à cicloativista Márcia Prado, que acabou morrendo após ser atropelada por um ônibus em plena Av. Paulista em 14 de janeiro deste ano. Três dias antes, um domingo, nós e mais 16 ciclistas fizéramos grande parte do percurso dessa rota, saindo da mesma estação Grajaú da linha esmeralda da CPTM, cruzando a represa Billings de balsa duas vezes, trasladando-nos pela Ilha do Bororé, que então sentia os primeiros impactos das obras do Rodoanel e adentrando a Estrada de Manutenção (ou Estrada de Serviço da Dersa).  Ousadamente, sinalizamos suas bifurcações, seus caminhos, suas entradas e saídas principais.

Com a nova sinalização, não havia mais como se perder nas bifurcações da Estrada de Manutenção.

Apesar de a Manutenção já ter sido planejada para, no futuro, virar um atrativo cicloturístico, a previsão não se concretizara. Ciclistas, pedestres, corredores, a nenhum deles foi planejada uma maneira segura de cruzar as escarpas entre a metrópole e o mar. Enquanto as opções “peabiríticas” lhes eram fechadas, surgiam na paisagem enormes obras de aço e concreto, destinadas ao meio mais ineficiente de locomoção.

Durante a sinalização, divertiamo-nos e imaginávamo-nos no futuro. Observávamos os detalhes da Estrada de Manutenção. Devaneávamos sobre os locais onde os ciclistas poderiam fitar a paisagem, contemplando-a. Sugeríamos pontos onde poderiam ser instalados paraciclos para os viajantes fatigados recomporem seus fôlegos em meio a uma refeição.

Um mirante para contemplar-se a natureza nos arredores da metrópole.

No fundo, pensávamos que tudo o que estávamos fazendo não era ainda para ser desfrutado em nossa geração, mas sim pela de nossos filhos e netos. Pensávamos vírgula. Alguém não achava isso.

– Eu vou poder descer de bike pela Imigrantes!

Márcia dissera, com todas as letras, que ela mesma teria o gosto de ver o fruto de nosso trabalho. Quase passamos a acreditar nisso quando, ao finalizarmos a sinalização, saímos pelo último acesso à Imigrantes e tivemos a pista toda só para nós (iria começar a Operação Subida, invertendo parte do sentido do fluxo de automóveis; foi bem nessa hora que reaparecemos na Imigrantes).

Márcia Prado em local por onde passará a Rota Cicloturística Márcia Prado. É uma das últimas fotos que tenho dela.

A última lembrança que tenho dela em vida foi retratada num quadro do Marcelo Siqueira, pintado enquanto descansávamos numa praia de Santos.

Três dias depois, vi-a pela televisão, recoberta por um saco negro, desfalecida, imóvel, sem vida. Ao seu lado, a mesma bicicleta e o mesmo capacete vermelho com os quais ela pôde ter a onírica sensação de que seus desejos – os nossos desejos – fossem virar realidade.

Hoje somos mais confiantes: eles realizar-se-ão.

No asfalto: "Futuro acesso". Profecia ou não, será por aí que adentraremos a Estrada de Manutenção no NIP Bike.

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

CicloBR >> Rota Márcia Prado

Apocalipse Motorizado >> Rota Cicloturística Márcia Prado, o novo caminho do mar

Destak >> A história da Rota Márcia Prado

Clipping Rota Cicloturística Márcia Prado

Por falar em Imigrantes…

eco?vias_logoÉ uma pena que mentalidades demoram a mudar. Que o diga a Rede Globo, em cujo programa SPTV 2ª Edição de 03 de março, veiculou a triste matéria de uma pessoa atropelada no acostamento da Imigrantes e, ao final dela, cometeu equívocos lastimáveis ao afirmar que ciclistas e pedestres não devem transitar pelo acostamento, o que contradiz o Código de Trânsito Brasileiro (lembremos que não há calçadas e muito menos ciclovias nas pistas do Sistema Anchieta-Imigrantes).

Muita gente acredita que o acostamento da rodovia é um lugar inseguro para se realizar atividades de transporte ativo, seja caminhar, seja  pedalar. Entretanto, a maioria simplesmente se esquece de que não são as pessoas que representam o perigo às suas próprias vidas, mas sim os motoristas desatentos que colocam outras vidas em risco, a Polícia Militar Rodoviária paulista que não coibe os excessos de velocidade praticados na Imigrantes e até mesmo coloca vidas em perigo (sem contar que ela desconhece a legislação pertinente), a ARTESP que se contradiz sobre o assunto e não protege os seus usuários (além de não respeitar os seus princípios) e a Ecovias que impede ilegalmente os ciclistas de pedalarem até a Baixada Santista.

Sugestões

O que se pode fazer para não oferecer riscos aos pedestres e ciclistas que necessitem utilizar as rodovias, direito que lhes é garantido? Em primeiro lugar, campanhas de educação no trânsito são fundamentais. A fiscalização em cima de veículos automotores são importantes para coibir infrações de trânsito que possam acarretar em acidentes ou diminuir a fluidez das vias. Em questão de infraestrutura, a descida aos municípios do litoral central paulista conta com um grande aliado: a Estrada de Manutenção, que já foi projetada visando a, no futuro, ser um roteiro cicloturístico. Há três pontos na rodovia dos Imigrantes que são emblemáticos para o ciclista alcançar a Estrada de Manutenção. Talvez o mais emblemático – e provavelmente mais perigoso – seja justamente no km 40,8, onde há a Via de Acesso à Anchieta. O que a Ecovias pode fazer aí são elevados que permitam aos ciclistas chegarem em segurança 500m à frente, no mesmo acostamento da pista que desce ao litoral. Nesse lado, há uma das entradas para a Manutenção.

Outras possibilidades levam em consideração a construção de passarelas  interligadas com 4 saídas: em cada uma das duas pistas antes e logo depois da Via de Acesso. Isso evitaria os pontos mais críticos do km 41, não expondo os ciclistas a riscos, e, ao mesmo tempo, não prejudicaria o fluxo dos demais veículos na rodovia.

Sonho. Imaginação. Devaneio.

Veja mais:

Bicicletada Interplanetária 2008

Mais da Interplanetária – Esses motoristas…

Sabem, às vezes as pessoas assistem aos nossos vídeos postados no Youtube. Apesar de o vídeo sobre a Bicicletada Interplanetária mais visto ter sido aquele em que a própria Ecovias se enrola (pelo menos dentre aqueles que disponibilizei),  um comentário no primeiro vídeo, quando eu ainda estava a alguns quilômetros dos mais de 200 ciclistas que íam ao litoral, obrigou-me a fornecer uma resposta, que replico abaixo.

é divertidoo né? voces gostam de bicicleta. néé?
eu quero não quero nem ver a hora que um caminhão ou um carro sair pro acostamento pra desviar de algo na pista ou até mesmo sem querer e matar uns 3 de voces por acidente. Será que só assim vocês ciclistas vão tomar conciencia que estrada não é lugar de voces ficarem se divertindo de bicicleta. Não to aqui pra dar lição de moral, cada um sabe o que faz, é só um conselho de Amigo.

Diante disso, resolvi fazer-lhe um conselho e uns lembretes:

Na verdade, é divertido sim! Andar de bicicleta é muito mais divertido (e rápido) do que estar em um automóvel parado nos 21km de congestionamento que teve a mesma via dia desses. Sendo sincero, eu também não quero ver essa hora. Afinal, não quero ver um crime cometido na minha frente.

Será que vocês, motociclistas, motoristas e caminhoneiros vão ler os livrinhos da autoescola e saber que os ciclistas (e skatistas e patinadores e pedestres) têm direitos e preferências em relação a vocês? A gente estava sim se divertindo, mas ainda mais: estávamos nos deslocando! Eu, pelo menos, saí de Florianópolis para ir para a Praia Grande, cheguei no mesmo dia e, coincidentemente, encontrei centenas de ciclistas. Se tivesse ônibus de Florianópolis para Praia Grande, até pensava em ir de busão, mas na falta dele, vou fazer cumprir os meus direitos. A estrada não é lugar de motoristas irresponsáveis e motociclistas idem realizarem suas manobras “radicais” que colocam vidas de outrem em risco. A rodovia só é perigosa porque as pessoas desrespeitam a vida de outrens. É praticamente impossível um ciclista colocar a vida de outra pessoa em risco.

Eu queria muito que cada um soubesse o que faz, assim eu poderia ir de bicicleta a Santos sem que tivesse um policial transgressor de regras em meu caminho e com a certeza de que os automóveis me respeitariam e não atentassem contra a minha vida.

Se por ventura, você passar, seja numa rodovia ou numa rua tranqüila por um ou vários ciclistas, reduza a velocidade de seu automóvel, passe a 1,5m dele(s) e – por que não? – cumprimente-o(s).

Num futuro não muito distante, é você quem pode estar de bicicleta naquela mesma situação. Provavelmente seus filhos e seguramente seus netos passarão por situação semelhante apoiados no selim de uma bicicleta.

Não estou aqui para dar lição de moral, é só um conselho de amigo.

Por Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

Cobertura completa do “Bicicleta na Rua”

(I) Interplanetária – O período precedente
(II) Interplanetária – Rodas a girar rumo ao litoral
(III) Interplanetária – As primeiras infrações da PMR e os bloqueios
(IV) Quantos ciclistas tinham, afinal?
(V) Interplanetária – Perseguição policial
(VI) Interplanetária – Ciclistas são impedidos de pedalarem até o litoral
(VII) Interplanetária – Policiais cumprem horas extras para bloquear descida de ciclistas ao litoral
(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis
(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral
(X) Interplanetária – Bares amigo e não amigo dos ciclistas
(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos
(XII) Interplanetária – Bloqueio dos Caminhos do Mar
(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca
(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção
(XV) Interplanetária – Santos, enfim!
(XVI) Interplanetária – Faltam bicicletários no Litoral Plaza Shopping
(XVII) Interplanetária – O retorno a São Paulo

Veja também

Bicicletada Interplanetária 2008

Relatos:

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Fotos:

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(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção

No Rancho da Pamonha, exaustos, paramos. Tiramos ambas rodas da minha bicicleta. O pneu dianteiro, que até então estava bom, foi para o lugar do traseiro. O André procurou por mais furos na câmara do outro pneu. Foram-se os últimos remendos.

Ciclista Fabiano.

Remendos no Rancho da Pamonha. Foto: Ciclista Fabiano.

Esperávamos poder tomar café e descansar lá no Rancho da Pamonha, mas ele só abriria às 10h30min. Limpamos um pouco nossas magrelas, sujas de terra, e apenas esperamos o policial rodoviário que fica na base da PMR improvisada em frente ao Rancho atender um viajante motorizado e seguimos para a Manutenção. Eram quase 7h.

Ciclista Fabiano.

Bicicleta enlameada. Foto: Ciclista Fabiano.

Pela contramão, seguimos no acostamento até o começo da Estrada de Manutenção, hoje sinalizada. Com facilidade e velocidade, seguimos por ela.

A Estrada de Manutenção, também conhecida pelas comunidades lindeiras como Estrada de Serviço, ou ainda como Estrada do Dersa, é percorrida todo final de semana por dezenas de cicloturistas. Um de seus começos situa-se a cerca de 2km do Rancho da Pamonha, na Imigrantes. Ela termina em uma das sedes do Parque Estadual da Serra do Mar (Núcleo Itutinga-Pilões).

O começo da Manutenção é ruim, com várias bifurcações, chão pedregoso e, até então, nenhuma sinalização. Depois vira uma estrada asfaltada, com pequenos trechos de paralelepípedos e com uma cobertura de limo em vários pontos.

Ciclista Fabiano.

Começo da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Pois bem, pouco antes de começar o asfalto liso, meu pneu furou mais uma vez. Era o mesmo pneu, agora na roda dianteira. Utilizamos uma câmara velha remendada que o André carregava consigo. Teria que torcer para mais nada acontecer.

Ciclista Fabiano.

Câmara furada bastante remendada. Foto: Ciclista Fabiano.

Mas realmente não era meu dia de sorte. Logo após a primeira descida vi que meus freios não estavam funcionando direito. O André deu uma ajeitada. Mais próximo do nível do mar, ficamos sabendo o que estava ocorrendo.

Acontece que meus freios estavam nas últimas. Dois deles já estavam mostrando seus suportes de ferro. Um desses ferros havia feito um corte na lateral do pneu. Por isso, a câmara furava com qualquer coisinha. O problema não era ela, era o pneu, que não estava utilizável devido às péssimas condições dos freios.

Esta era a situação em que se encontrava o melhor dos freios.

Esta era a situação em que se encontrava o melhor dos freios.

Diante dessas circunstâncias, o inevitável aconteceu. O pneu furou mais uma vez. Não me restavam mais câmaras ou remendos. Sorte foi que o André havia lido um livro sobre o que fazer nessas situações extremas. Retiramos a câmara. Pegamos folhas secas, abundantes às margens da Manutenção, e enchemos o pneu com elas. Deu certo. E pude, de fato, descer ao litoral.

Ciclista Fabiano.

Pneu Vegano. André insere folhas secas no pneu. Foto: Ciclista Fabiano.

A estrada tem apenas uma pista para subir e uma para descer, mas praticamente não circulam automóveis por ela (vimos apenas quatro). Sem contar que a velocidade máxima permitida chega a apenas 40km/h. Entretanto, o visual dela é incrível! As escarpas da Serra do Mar entrecortadas pelo concreto que sustenta as pontes da Anchieta e da Imigrantes. Ao longe, as povoações a habitar à beira do Atlântico.

Ciclista Fabiano.

Paisagem vista ao longo da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Ciclista Fabiano.

Estrada eleva-se por entre os morros da Serra do Mar. Foto: Ciclista Fabiano.

Volta e meia, você cruza, por baixo, as autopistas. Em um dos trechos você fica na mesma altura delas. Mas seja lá onde você estiver, a natureza estará te acompanhando.

Ciclista Fabiano.

Por sob as pontes, o verde impera. Foto: Ciclista Fabiano.

Ciclista Fabiano.

É muito mais belo pedalar-se pela Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Do meu pneu, as folhas saíam aos poucos. Passamos a preenchê-lo com folhas verdes, em especial de helicônias e bananeiras, cujas folhas têm grande dimensão. Meu pneu esvaziava-se cada vez mais rápido. Eu já deixava até minhas espátulas nos bolsos de meu agasalho, tamanha era a freqüência com que as necessitava.

André Pasqualini.

Folhas de bananeira salvaram o dia. Foto: André Pasqualini.

Há muitas fontes de água ao longo da Manutenção. Essas fontes, bicas e cachoeiras possuem água própria para o consumo. Elas abastecem os municípios da Baixada Santista. Uma das grandes fontes de contaminação dessas águas deriva dos rituais de macumbaria, cujos vestígios podem ainda ser vistos em vários pontos da estrada.

Ciclista Fabiano.

A melhor vista da fonte d’água. Ainda assim, notam-se requícios de macumbaria. Foto: Ciclista Fabiano.

Um dos pontos pelos quais se passa, que pode até ser visto pelos motoristas ao longe, é uma fantástica e refrescante cachoeira, onde é possível até banhar-se (apesar de não ser recomendado pelo autor deste blogue).

Ciclista Fabiano.

Cachoeira ao lado da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Ciclista Fabiano.

Cachoeira ao lado da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Faltando poucos quilômetros para a saída da Imigrantes, meu pneu estava bastante deformado. Uma meia-volta na roda e o pneu – e as folhas – saía para um lado. Mais meia-volta e o resto do pneu saía para o lado oposto. Tentei pôr mais folhas, mas não adiantou. Passei algumas centenas de metros a carregar a bicicleta apenas com sua roda traseira apoiada no asfalto, empinada, conduzida por mim a pé.

Ciclista Fabiano.

Não era possível nem completar uma volta na roda sem que o pneu saísse. Foto: Ciclista Fabiano.

O André estava na minha frente. Ele chegou na sede do Parque Estadual da Serra do Mar, onde foi proibido de passar (leia o relato dele) e retornou, terminando por me encontrar.

Ele colocou folhas de bananeira para preencher todo o pneu. Não deu certo. Enquanto colocávamos mais folhas, quem nós encontramos? O Nicolas! Francês residente em São Paulo, ele estivera na Interplanetária. Voltara com um grupo pela Imigrantes, mas não agüentou. Enfiou-se no mato, próximo à represa, jantou num tipo de Pesque & Pague e dormira lá perto (leia o relato dele, em francês). Junto dele estava um rapaz que viera de Araraquara para descer ao litoral. Ele estava num grupo de uns 40 ciclistas. Estes vieram de ônibus até o Rancho da Pamonha. De lá, foram pelo acostamento na contramão até a Manutenção. Ele quisera ir um pouco mais rápido que os demais.

A idéia que este ciclista de Araraquara teve foi improvisar um manchão com uma das câmaras usadas. Primeiro, retiramos todas as folhas do pneu. Depois, com um remendo que me foi cedido, arrumamos uma das câmaras furadas. Outra câmara foi cortada. Inflou-se um pouco a câmara recém-remendada e ajeitou-se no pneu. Nos pontos críticos, como onde o freio fizera um rasgo e onde havia calombos, envolveu-se a câmara com a outra que fora cortada, protegendo-a. Por fim, fechou-se o pneu e encheu-se-o. Deu certo!

Ciclista Fabiano.

André, Nicolas e o ciclista de Araraquara improvisando um manchão. Foto: Ciclista Fabiano.

Seguimos pedalando nós quatro. Era muito bom não sentir as ondulações do pneu e da disposição das folhas nele. Enfim, era bom não ficar balançando para cima e para baixo com a bicicleta com pneus veganos.

Uma pessoa que passara por mim quando eu estava a pé avisara-me em qual das inúmeras saídas da Manutenção teríamos que subir para as rodovias. Dito e feito. Saímos ao final do último túnel da Imigrantes nova.

Lá, os carros saíam a cerca de 80km/h. Tínhamos acostamento, mas este desapareceria pouco à frente. Depois, ainda havia uma trifurcação: à direita, iríamos para Praia Grande, Mongaguá ou Itanhaém. No centro, o rumo era Cubatão, Guarujá e litoral  norte. À esquerda, Santos, São Vicente ou Praia Grande (de novo).

Fomos pela esquerda e, logo após a trifurcação, meu pneu furou – só para variar… Perguntando para os moradores, soubemos que ali perto havia uma bicicletaria. Fui para lá sozinho enquanto o André e o Nicolas foram para Santos. Eram 11h30.

Dirigi-me à bicicletaria. Passei por ruelas de areia e terra batida em meio a uma população de baixa renda.

A bicicletaria, na verdade, era um dono de bar. Em princípio, ele queria apenas trocar a câmara. Eu, já ciente de meu problema, insisti num pneu novo (os freios troquei depois). Ele mandou uma pessoa ir buscar lá em outra loja um modelo parecido com o meu. Eu aproveitei a sombra do bar de Cubatão. Refresquei-me por lá  e descansei (quase cochilei).

Gastei R$ 25,00 pelo pneu dianteiro e mais R$ 10,00 pela câmara. Vi depois que a câmara que me foi colocada não é a mais apropriada para o meu tipo de pneu (26×1.5), mas, mesmo após outras duas pedaladas até Santos, ela não me deu problemas.

Às 12h30, voltei à estrada. Iria para Santos antes de dormir na Praia Grande.

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(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos

Durante o jantar, fiquei sabendo que alguns dos ciclistas haviam chegado a Santos. Àquela hora da noite, eles já haviam retornado a São Paulo.

Eles haviam conseguido fugir dos bloqueios da Polícia Militar Rodoviária utilizando-se das faixas mais à esquerda da rodovia. Pegaram vácuo de caminhão, foram ofuscados pelos carros em volta e, assim, conseguiram chegar ao Rancho da Pamonha. Mal tendo tempo para descansar, adentraram a Estrada de Manutenção , onde encontraram um grupo de ciclistas que viera de Santos para recepcionar-nos.

Abaixo, esses intrépidos ciclistas:

Mathias, Alessandro, Jorge e Lukamikaze.

Mathias, Alessandro, Jorge e Lukamikaze em Santos.

Confira abaixo a reportagem de O Globo, uma das melhores feitas pela imprensa sobre a Bicicletada Interplanetária.

Publicada em 08/12/08 às 7h50min.

Só quatro ciclistas conseguiram completar ‘bicicletada’ até Santos

Tribuna Digital 

SÃO PAULO – Apenas quatro ciclistas conseguiram completar um passeio de bicicleta da Avenida Paulista a Santos, programado para sábado. O grupo, de 300 ciclistas, saiu às 7h da capital rumo à Rodovia dos Imigrantes no passeio batizado de Bicicletada Interplanetária. O percurso foi idealizado pelo movimento Bicicletada, que busca divulgar a bicicleta como um meio de transporte e criar condições favoráveis para o uso.

De acordo com uma participante, policiais militares escoltaram os ciclistas até a Rodovia dos Imigrantes. No entanto, quando chegou à rodovia, o grupo foi impedido de seguir viagem pela Polícia Rodoviária, que bloqueou o local. Segundo os ciclistas, os policiais alegavam que, por se tratar de um evento, a Polícia deveria ter sido previamente comunicada. Os ciclistas se aglomeraram no acostamento e o congestionamento chegou a 16 km.

– Não se tratava de um evento. Não havia organização nem lista de inscrição – disse uma participante.

Os ciclistas, que foram liberados após algumas horas, enfrentaram novo bloqueio policial no pedágio. Cerca de 20 viaturas da Polícia Rodoviária, com policiais armados, esperavam o grupo no local.

– Foi um absurdo. Parecia que éramos bandidos. Tinha até batalhão de choque, policiais com armas e escudos – conta a participante.

O grupo estava no Km 40 da Imigrantes quando, em mais um bloqueio, os policiais proibiram o prosseguimento da viagem. Apenas quatro furaram o bloqueio e chegaram a Santos.

Neste domingo, nenhum membro da Polícia Militar Rodoviária quis comentar o assunto.

Código de Trânsito Brasileiro O Artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro dispõe: “Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”.

A Bicicletada é um movimento no Brasil e em Portugal inspirado na Massa Crítica, onde ciclistas se juntam para reinvidicar seu espaço nas ruas. Segundo o site da organização, não há líderes ou estatutos, o que leva a variações de postura e comportamento, de acordo com os participantes de cada localidade ou evento.

Dentre a pluraridade de motes, está o lema “um carro a menos”, usado principalmente para tentar obter um maior respeito dos veículos motorizados que trafegam nas ruas saturadas das grandes cidades. Outro slogan do grupo é o “Nós somos o trânsito”. A idéia é deixar claro aos motoristas que a bicicleta é apenas mais um componente da mobilidade urbana e que merece o devido respeito.

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(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral

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Baixada Santista deixa de receber quase R$13 mil.

Fabiano Faga Pacheco para o Bicicleta na Rua

O Governo do Estado de São Paulo, através da Polícia Militar Rodoviária paulista, desembolsou cerca de R$ 16 550,00 para impedir cerca de 200 ciclistas de irem pedalando de São Paulo a Santos. Eles se reuniram num encontro chamado Bicicletada Interplanetária, combinado pela internet, e pretendiam chegar à Baixada Santista de bicicleta pela rodovia dos Imigrantes.

Para se chegar a esse valor, foram considerados apenas os ônus com combustível e com o salário dos funcionários. Considerou-se que cada viatura percorria 10km com 1L de gasolina. Para as motocicletas, o rendimento estimado foi de 35km/L. O preço da gasolina foi dado como R$2,30. O salário foi estimado com base em uma jornada de trabalho semanal de 40h, utilizando-se os valores dispostos aqui.

Segundo os cálculos, o McDonald’s e as demais lojas localizadas próximas ao Frango&Fritas deixaram de arrecadar R$ 2 100,00 , aproximadamente. Seria lá onde os ciclistas almoçariam antes de prosseguirem viagem até Santos.

Já a Baixada Santista deixou de arrecadar cerca de R$ 12 775,00 no final de semana. Foram levados em conta gastos com refeições, transporte intermunicipal (com a passagem de ônibus fixada em R$ 15,00), hospedagem e com consertos de bicicletas. Considerando apenas os gastos com alimentação até a manhã de domingo 7 de dezembro, a região deixou de receber mais de 7,7 mil reais. A rede hoteleira deixou de faturar mais de R$ 2 300,00.

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

Cobertura completa do “Bicicleta na Rua”

(I) Interplanetária – O período precedente
(II) Interplanetária – Rodas a girar rumo ao litoral
(III) Interplanetária – As primeiras infrações da PMR e os bloqueios
(IV) Quantos ciclistas tinham, afinal?
(V) Interplanetária – Perseguição policial
(VI) Interplanetária – Ciclistas são impedidos de pedalarem até o litoral
(VII) Interplanetária – Policiais cumprem horas extras para bloquear descida de ciclistas ao litoral
(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis
(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral
(X) Interplanetária – Bares amigo e não amigo dos ciclistas
(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos
(XII) Interplanetária – Bloqueio dos Caminhos do Mar
(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca
(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção
(XV) Interplanetária – Santos, enfim!
(XVI) Interplanetária – Faltam bicicletários no Litoral Plaza Shopping
(XVII) Interplanetária – O retorno a São Paulo

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(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis

Antes, gostaria de mostrar como foi a chegada à balança no km 28:

Pois bem, ficamos cerca de duas horas parados, ouvindo as maiores besteiras possíveis. Os policiais viviam a mudar seus discursos. Falaram que os organizadores deveriam ter comunicado a Ecovias do evento. Mas não era um evento organizado, eram apenas vários ciclistas deslocando-se para o litoral com o meio de transporte mais racional que existe! Enquanto ficávamos todos sem sombra ou água fresca, terminando com a pouca água envasada da balança de caminhões, e 4 pessoas passavam mal, o coronel Eliziário falava que era seu dever zelar pela vida das pessoas. Concordo! Enquanto motos e automóveis passavam acima da velocidade máxima permitida em frente aos nossos olhos, os policiais viravam a face, diziam os absurdos que bicicleta não podia circular em rodovias e esqueciam-se do óbvio em questão de segurança: quando quer se proteger efetivamente alguém, deve-se eliminar a ameaça e não o ameaçado. Em outras palavras: se os carros impingem perigo à vida das pessoas, que se providencie que estes não as ameacem mais, em vez de proibi-las de andar – ou pedalar – nas ruas. Mas, pela velocidade com que os condutores passavam à nossa frente, dá para se perceber a ignorante opção dos policiais.

Mila Molina.

Ciclistas divertem-se com uma bola de rúgbi. Foto: Mila Molina.

Ciclista Fabiano

A única fonte d’água potável da balança. Foto: Ciclista Fabiano

Silvio DM.

Estas eram praticamente os únicos locais sombreados para os 200 ciclistas aglomerados na balança. Foto: Silvio DM.

http://picasaweb.google.com/ciclista.fabiano/BicicletadaInterplanetRia0607122008#5278353693762547394

Fileira de bicicletas na balança da Imigrantes. Foto: Ciclista Fabiano.

Aproximadamente às 11h30, aqueles que ainda restavam (mais de 100) foram escoltados até o km 40,8 , no acesso à Interligação (Via de Acesso Imigrantes-Anchieta), após o McDonald’s.

Rodrigo Navarro.

Ciclistas deixam a balança da Imigrantes. Foto: Rodrigo Navarro.

Pouco à frente, havia uma placa R-12 (as temidas R-12!). A jornalista Renata Falzoni foi uma das que sugeriu que desmontássemos de nossas bicicletas e, como pedestres, prosseguíssemos. A polícia rodoviária, conhecedora da lei como só ela, declarou que quem passasse da placa com a bicicleta, a pé ou sobre o selim, seria preso. Era lei nova, recém-inventada. Uma versão do abuso de autoridade policial, o qual deixava de ser proibido.

Ciclista Fabiano.

Ciclistas são bloqueados no km 41 da Imigrantes. Foto: Ciclista Fabiano.

Como visto, a gente não poderia seguir de bicicleta. Para continuar com nossas magrelas, teríamos que voltar. Inclusive pela contramão no acostamento. Sim, era mais uma lei recém-inventada.

Vários voltaram para São Paulo ou seguiram para Santos embarcados em um dos ônibus da Expresso Brasileiro que foram chamados pelos ciclistas. A maioria pagou R$11,80, pôs a bike no bagageiro e ajeitou-se numa das poltronas do ônibus.

Ciclista Fabiano.

Ciclistas colocam as bicicletas no ônibus. Foto: Ciclista Fabiano.

Eu fiquei. Não tinha outra opção afinal. Teria que repousar na Praia Grande.

Às 14h40min, após conversas com políticos e administradores via celular, recebemos a notícia de que a Secretaria do Meio Ambiente havia nos liberado para poder descermos a Imigrantes de bicicleta.

Pouco mais de quatro horas depois, chegou a ordem da Secretaria dos Transportes para que os criminosos policiais que ainda nos impediam de descer nos escoltassem até Santos. Entretanto, o 2º tenente da PM Luís Antonio Caria Cajaíba avisou-nos que não iria cumprir a determinação de seus superiores. É, mais uma nova lei tinha acabado de surgir na mente dele, e ele a estava apenas cumprindo. Avisou pelo rádio de que não havia mais nenhum ciclista ali. Puxa, que legal, além de criminoso e mentiroso policial, ele estava a trabalho não fazendo nada de útil à sociedade que lhe fornece o soldo.

Mas ele tinha lá seus motivos. Semanas antes, ele havia trocado as seguintes mensagens com a cicloativista Márcia Regina de Andrade Prado (saudosa Márcia, quantas saudades de ti!):

“SECRETARIA DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA SEGURANÇA PÚBLICA
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
São Bernardo do Campo, 07 de novembro de 2008.
MENSAGEM Nº 1BPRv-010/114/08
Do Comandante do 4º Pelotão da 1ª Companhia  do 1º Batalhão de Polícia Rodoviária
À Sra Marcia Regina de Andrade Prado
Assunto: Resposta a reclamação.

Em resposta à reclamação efetuada por Vossa Senhoria em 07 de agosoto de 2008 à Ouvidoria da Polícia, informamos que:

– o tráfego de bicicletas pela SP 160 (Rodovia dos Imigrantes) é permitido do seu início ao quilômetro 40,8 (início da descida da serra), pois a partir deste quilômetro há uma sinalização vertical de regulamentação R-12, proibindo o trânsito de ciclistas, restrição esta imposta pela Autoridade de trânsito competente, que no caso das rodovias estaduais em nosso estado é o Superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem-DER.

– as normas de circulação obedecem o Código de Trânsito Brasileiro em seu artigo 58.

– caso o grupo de ciclistas do qual a senhora faz parte queira descer o trecho de serra terá que solicitar autorização para o Superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem nos termos da Portaria SUP/DER-100-08/10/1998, portaria esta que está em harmonia com os artigos 67 e 95 da lei nº 9503 de 23 de setembro de 1997-CTB.


– ocorrendo qualquer abuso por parte de Policiais Militares do Estado de São Paulo em desacordo com a lei, solicito anotar data, horário, local, nome do policial e prefixo da viatura e de imediato nos fornecer tais informações para as medidas legais a serem adotadas.

LUIS ANTONIO CARIA CAJAÍBA
2º TENENTE PM COMANDANTE

Transmissão:
Sd PM 116175-0 Damasceno
Aux P/1 – 3º e 4º Pel

Obviamente, ele não poderia deixar que os ciclistas o humilhassem, obrigando-o, após 12h proibindo-os de descerem, a escoltá-los até Santos. Não, isso não era nem um pouco bom para o seu ego. Afinal, qual era a importância de cumprir seu dever para com os cidadãos se o seu ego estava sob ameaça?

Note-se também que é permitida a prática do ciclismo até o quilômetro 40,8. Por que, então, fomos barrados no km 28?

Por que, então, esse fiel cumpridor da lei que protege a vida alheia quase tirou a minha? (mais aqui)

É, fiquei surpreso ao voltar para casa e, ao olhar os vídeos, notar que foi esse mesmo criminoso policial que estava na viatura que quase me atropelara.

Pois bem, já havia mais de quatro horas que saíra a liberação para que pudéssemos ir à praia. Nesse meio tempo, vários ciclistas já haviam voltado. Apesar de vários policiais terem afirmado que quem retornasse a São Paulo teria uma viatura escoltando-o, vários pequenos grupos retornaram desacompanhados. Alguns voltaram pela Estrada de Itaquaquecetuba, como o Alexandre Loschiavo, passando pela represa de Guarapiranga. Outros tantos foram até o McDonald’s e logo depois retornaram para onde estávamos.

Ciclista Fabiano.

Ciclistas resistem até quase às 19h na Imigrantes. Foto: Ciclista Fabiano.

Resolvemos recuar um pouco; nós, 17 sobreviventes, fomos pela Interligação. Mal havíamos saído e havia uma viatura no retorno à Imigrantes (a gente seguiria reto). Eles implicaram alguns minutos conosco. Deu tempo para as viaturas que de longe nos seguiriam sem sabermos surgirem atrás de nós.

Escoltaram-nos, então, 3 viaturas. Uma em especial, a de número R-01190 (placa EAZ 8035), era péssima!

O vídeo foi feito após eles simplesmente deixarem alguns ciclistas sem proteção num trecho de ponte sem acostamento. Sobre o resto dessa escolta, dê uma olhada aqui.

O fato foi que nos deixaram no começo do trecho urbano do bairro Riacho Grande, em São Bernardo do Campo.

Leonardo Américo Cuevas Neira.

Ciclistas pedalam até Riacho Grande. Foto: Leonardo Américo Cuevas Neira.

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(VII) Interplanetária – Policiais cumprem horas extras para bloquear descida de ciclistas ao litoral

Dezenas de policiais que estavam de folga, além de outros que seguiram além de seu turno, voltaram ao batente no dia 6 de dezembro para impedir que 200 ciclistas que saíram de São Paulo chegassem a Santos.

Em cenas patéticas, várias viaturas fecharam vias de acesso à Imigrantes (SP-160), bloqueando o trânsito de bicicletas e causando lentidão e congestionamentos na circulação de todos os demais veículos.

Oficiais de menor patente afirmavam que seguiam ordens superiores. O coronel da PM Eliziário Ferreira Barbosa disse que cumpria as leis, quando claramente agia ilegalmente (saiba mais aqui e aqui).

Vários ciclistas mostraram-se indignados, como se pode ver abaixo.

Eduardo di Gregório, gerente de operações da Ecovias, afirmou que a concessionária desconhecia da intenção dos ciclistas de descer ao litoral, apesar de ter dito que acompanhava a movimentação deles desde a concentração na Av. Paulista (a mais de 10km do início do trecho sob concessão da empresa), como se pode perceber no vídeo abaixo.

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(VI) Interplanetária – Ciclistas são impedidos de pedalarem até o litoral

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Policiais cometem atos ilegais, desrespeitam ordens superiores e impedem centenas de ciclistas de chegarem ao litoral

 
Fabiano Faga Pacheco para o Bicicleta na Rua

Cerca de 200 ciclistas que saíram de São Paulo a fim de aproveitar o final de semana em Santos foram impedidos de prosseguir até o litoral paulista por funcionários da concessionária Ecovias, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, e por viaturas da Polícia Militar Rodoviária Estadual (PMRE).

Os ciclistas ficaram retidos no km 28 da rodovia dos Imigrantes na balança de pesagem dos caminhões. No local, cerca de duas dezenas de viaturas da PMRE, além de seis motocicletas e outras duas viaturas da Polícia Militar, além de dois carros da Ecovias, ocuparam uma faixa de acostamento de aproximadamente 300m de extensão, além de porções da pista da direita da rodovia. Com essas medidas, formou-se um congestionamento de 16km devido ao bloqueio parcial das pistas e à curiosidade dos motoristas que passavam pelo local. A operação também dificultou a chegada de ajuda em um acidente no km 31, além de ter inutilizado a balança para a pesagem dos caminhões.

Represão militar e ilegalidade

Ignorando a Constituição Federal, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e uma declaração da ARTESP (Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo) de que é permitido transitar de bicicleta pela Imigrantes (Protocolo nº 104711), os policiais obrigaram os ciclistas a entrarem na área da balança. Um cinturão com 5 viaturas e 5 policiais tentou impedir os ciclistas de prosseguir. Desmontando das bicicletas, os ciclistas ergueram seu veículo e, com ele, passaram pela grama adjacente. A maioria já havia passado quando um policial lançou um jato de gás pimenta sobre um grupo de ciclistas que estava a pé com suas magrelas ao lado. O policial fugiu enquanto os olhos de uma dezena de cidadãos ardiam devido ao gás.

A poucos metros dali todos os ciclistas foram impedidos de seguir viagem. Os argumentos usados pelos policiais não se sustentavam diante de ávidos ciclistas que conheciam a legislação de cor. Soldados, cabos, sargentos e tenentes diziam que cumpriam ordens superiores e demonstravam claro desconhecimento das leis às quais deveriam zelar. O coronel Eliziário  Ferreira Barbosa afirmou que cumpria o artigo 1º do CTB que, em seu parágrafo 5º, diz: “Os órgãos e entidades de trânsito pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito darão prioridade em suas ações à defesa da vida, nela incluída a preservação da saúde e do meio-ambiente.” Quando questionado, porém, sobre a vida e a saúde dos participantes que estavam quase desmaiando (àquela altura, duas garotas) devido ao elevado calor e à insolação das 11h, e à falta de sombras do lugar, ele afirmou que isso já não era seu problema, por ela não estar na pista.

Os policiais orientavam os ciclistas a darem meia-volta e seguirem pelo acostamento, na contramão, de volta a São Paulo, num claro desconhecimento da legislação – que afirma, no Art. 58 do CTB, justamente o contrário.

Eduardo Di Gregório, gerente de operações da Ecovias, apareceu no km 28 para conversar com os ciclistas, que se mantinham firmes. Apesar de estar acompanhando a movimentação dos ciclistas desde a Avenida Paulista, portanto a mais de 10km do começo do trecho sob concessão da Ecovias, ele afirmou que a empresa desconhecia o fato de que ciclistas iriam descer ao litoral. Disse, ainda, que os organizadores do evento não pediram permissão à concessionária. Inúmeros participantes que estavam lá afirmaram que a Bicicletada Interplanetária não era um evento e nem tinha organizadores (como aliás, encontra-se escrito no site www.bicicletada.org). Di Gregório afirmou ainda que, mediante requerimento, já havia bloqueado a passagem de carros pela Anchieta e liberado-a para a descida de um único ciclista. Entretanto, para o dia-a-dia, o deslocamento por bicicleta para o litoral não seria permitido, desrespeitando a decisão da ARTESP, órgão que deveria fiscalizar a concessionária. Quando questonado se, caso as pessoas fizessem esse pedido, elas conseguiriam a liberação para irem a Santos, ele desconversou e disse que o pedido seria analizado. Ao checar-se legislação pertinente, descobre-se que, em caso de evento feito na rodovia, deve-se efetuar o pagamento de todas as despesas com PMRE e gastos da concessionária. Ou seja, para a Ecovias, se alguém quiser transitar com sua bicicleta para o litoral, terá que ser em um evento e ainda terá que pagar pelas despesas geradas com escolta e policiamento. A concessionária não deu nenhuma outra alternativa para os ciclistas descerem para a Baixada Santista. Contrariamente à Constituição Federal, que assegura o direito de ir e vir dos cidadãos, e ao CTB, que, em seu Art. 21, item II, diz que “compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios […] promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas”, estes não poderiam seguir para o litoral.

Liberação

Um grupo de ciclistas conseguiu liberação para ir até o km 36, no McDonald’s às margens da Imigrantes. Um ciclista, mostrando hematomas recém-adquiridos, afirmou que fora agredido por um policial que simplesmente o pegara pelo braço sem falar nada anteriormente e sem que o ciclista tivesse reagido contra ele.

Marcas da agressão ao ciclista.

Marcas da agressão ao ciclista.

Após esperarem por duas horas no km 28 da Imigrantes, os demais ciclistas foram escoltados até o km 40,8 e, de lá, teriam que, de ônibus, retornar a São Paulo ou seguir até Santos.  Poderiam, também, retornar pedalando pela Via de Acesso Anchieta-Imigrantes ou pelo acostamento da Imigrantes, independentemente de usar a mão ou a contramão. Dois ônibus da empresa Expresso Brasileiro, um em direção à capital e outro à Baixada Santista, estacionaram para levar os ciclistas a seus destinos. Os policiais embasaram-se na placa R-12 (“Proibido o trânsito de bicicletas”) para proibirem os ciclistas de seguirem, mas a placa baseava em uma legislação estadual antiga e atualmente não mais em vigor.

Cerca de 40 ciclistas permaneceram. Às 14h40min, a Secretaria do Meio Ambiente expediu uma ordem que autorizava os ciclistas a descerem até o litoral. A Secretaria de Transportes acatou a ordem e obrigou os policiais da PMRE a escoltarem os ciclistas até Santos.

Após alegar durante quase quatro horas que ainda não lhe havia chegado a ordem liberando a descida das bicicletas pela Imigrantes, às 18h30min, o segundo tenente da PM Luís Antonio Caria Cajaíba falou aos ciclistas que não acataria a ordem e, pelo rádio, afirmou aos superiores que não havia mais nenhum ciclista, que todos já haviam retornado.

Escolta

Os últimos 17 ciclistas retornaram de bicicleta até Riacho Grande, em São Bernardo do Campo, escoltados por três viaturas da PMRE/TOR (Tático Ostensivo Rodoviário). A forma como ocorreu a escolta foi bastante criticada pelos ciclistas. Um veículo ia no acostamento à frente deles. Os outros dois seguiam ora ao lado, ora atrás e ora entre as bicicletas. Houve reclamações de que os policiais do veículo nº R-01109 (placa EAZ 8035) agrdeiram verbalmente alguns dos ciclistas.

Em trechos onde não havia acostamentos, como pontes, a escolta foi sofrível – a PMRE/TOR permitiu que automóveis de passeio circulando acima de 100km/h passassem a centímetros dos ciclistas. No acesso a Riacho Grande, uma via de acesso foi fechada para os automóveis para que os ciclistas pudessem atingir o perímetro urbano do município.

Dos mais de 200 ciclistas que saíram de São Paulo, apenas 7 chegaram ao litoral pedalando.

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(V) Interplanetária – Perseguição policial

Passado o km 21 da rodovia dos Imigrantes, as cenas que se seguiram foram, lastimamente, muito parecidas às dos filmes policiais. Uma dezena de viaturas da Polícia Militar Rodoviária do Estado de São Paulo (PMR) passaram pelo nosso lado. Depois as encontraríamos no km 28.

Na minha frente, vi um carro da PMR (nº R-01104, placa EAZ 8411) ziguezagueando entre o acostamento e a pista da direita, bloqueando o trânsito de um ciclista. A viatura reduziu sua velocidade e o ciclista tentou passar por ela pelo resto do acostamento (esse restinho do acostamento não dava nem 0,8m). A viatura, então, foi fechando o ciclista, por sinal, de modo bastante irresponsável.

Eu, vendo esta cena, acelerei. Devido aos bloqueios policiais nos quilômetros anteriores, a pista da direita da rodovia, ao lado do acostamento, estava vazia.  Fui passando a viatura. Ela acelerou, esquecendo-se do outro ciclista, e passou a ficar com metade do veículo no acostamento e metade na outra pista. Eu abri de tal forma que a viatura não conseguiria fechar o outro ciclista e eu ao mesmo tempo (essa manobra é conhecida como ‘V’). Passei, então, a viatura pela sua esquerda. Voltei a pedalar no acostamento, entretanto próximo à delimitação à sua esquerda (entre o acostamento e a pista da rodovia). A viatura encontrava-se atrás de mim. Pela sua direita, passou o ciclista que antes ela bloqueara. Pela esquerda, uns outros 3 ou 4 ciclistas passaram-na.

A viatura, sem dar sinal de mudança de pista, o que acontece freqüentemente, foi entre a primeira e a segunda faixas à direita e passou-me.

Voltou ao acostamento, mais uma vez sem sinalizar, tentando, ilegalmente, impedir-me de prosseguir. A viatura reduziu sua velocidade e voltou a ziguezaguear. Em vez de ir pelo resto do acostamento que sobrava, acelerei e fui passando a viatura pela pista da direita da rodovia. Irresponsavelmente –  mais uma vez – a viatura acompanhou-me e, rente a mim, começou a jogar o carro para a esquerda, quase lançando-me à segunda pista da rodovia. Eu freei e a viatura prosseguiu, voltando a ziguezaguear na minha frente. Eles voltaram a reduzir e tentei prosseguir o meu caminho pelo acostamento. Qual não foi a minha surpresa quando eles começaram a ir para a direita, fechando-me e jogando-me próximo à valeta, à grama, ao muro e à cerca de proteção (dependendo do trecho). Eu freei novamente e prossegui pela esquerda da viatura, acelerando e conseguindo emparelhar-lhe e passá-la utilizando a primeira pista da rodovia (que continuava sem passar veículos). A viatura seguiu-me e, criminosamente, virando o carro à esquerda, lançou-me à segunda pista da rodovia bem no instante em que um caminhão passava em alta velocidade, seguido por um veículo de passeio, nessa pista. Os policiais da viatura, assustados, pararam o veículo, primeiro transversalmente, e depois prosseguiram. Eu, com habilidade, desviara do caminhão e da viatura e fui em direção ao acostamento. A viatura seguiu-me ao acostamento, fechando-me. Eu sai de minha bicicleta e tirei fotos do veículo potencialmente assassino e filmei os momentos seguintes, segundos após o motorista dirigir-me palavras de baixo calão não condizentes com sua postura de funcionário público e ironizar o fato de ele quase ter me matado. Ficou claro que aquela pessoa necessita ser melhor treinada para exercer a sua profissão.

Mas a Interplanetária não acabou por aí. Gás pimenta, agressões físicas e crimes cometidos pela polícia e pela Ecovias ainda ocorreriam nas próximas 2h.

Bruno Gola.

“Mais informações vocês conferem aqui no ‘Bicicleta na Rua'”. Foto: Bruno Gola.

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

Cobertura completa do “Bicicleta na Rua”

(I) Interplanetária – O período precedente
(II) Interplanetária – Rodas a girar rumo ao litoral
(III) Interplanetária – As primeiras infrações da PMR e os bloqueios
(IV) Quantos ciclistas tinham, afinal?
(V) Interplanetária – Perseguição policial
(VI) Interplanetária – Ciclistas são impedidos de pedalarem até o litoral
(VII) Interplanetária – Policiais cumprem horas extras para bloquear descida de ciclistas ao litoral
(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis
(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral
(X) Interplanetária – Bares amigo e não amigo dos ciclistas
(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos
(XII) Interplanetária – Bloqueio dos Caminhos do Mar
(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca
(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção
(XV) Interplanetária – Santos, enfim!
(XVI) Interplanetária – Faltam bicicletários no Litoral Plaza Shopping
(XVII) Interplanetária – O retorno a São Paulo

Veja também

Bicicletada Interplanetária 2008

Relatos:

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Fotos:

Bruno Gola
Ciclista Fabiano (chegou a Santos)
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Macaco Véio (chegou a Santos)
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Rodrigo Navarro (chegou a Santos)
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Fabiano Faga Pacheco {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7} {8} {9} {10} {11} {12} {13} {14} {15} {16} {17} {18} {19} {20} {21} {22} {23} {24} {25} {26} {27} {28} {29} {30} {31} {32} {33} {34} (chegou a Santos)
Guilherme Sanches
jlpinha {1} {2} {3} {4}
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(IV) Interplanetária – Quantos ciclistas tinham, afinal?

O vídeo abaixo foi feito por um dos participantes logo após o pedágio de Diadema. Ele mostra a dimensão da Bicicletada Interplanetária.

Foram contados por este ciclista 200 participantes. Isto sem contar aqueles que voltaram durante os primeiros bloqueios e aqueles que ainda estariam por vir.

O vídeo abaixo é para mostrar que as mulheres também se fizeram presentes na Interplanetária. E não eram poucas!

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

Cobertura completa do “Bicicleta na Rua”

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(III) Interplanetária – As primeiras infrações da PMR e os bloqueios

Quando me encontrava próximo às centenas de ciclistas, encontrei  o Alexandre Loschiavo, do Sampa Bike Tour (leia o relato dele). Na verdade, fui encontrado por ele. Pedalamos juntos os poucos quilômetros que nos restavam.

Alexandre Loschiavo.

Fui encontrado em meio à Imigrantes. Foto: Alexandre Loschiavo.

Repare no primeiro vídeo que a viatura nº R-01176  (placa DVG 5475) da Polícia Militar Rodoviária (PMR) estadual descumpriu o Código de Trânsito Brasileiro. Irei, para facilitar a percepção delas, listar essas infrações:

(I) Passar a menos de 1,5m do ciclista (Art.201);

(II) Não reduzir a velocidade competível com a segurança ao passar por ciclista (Art.220);

(III) Fazer conversão sem sinalizar (Art. 35);

(IV) Andar no acostamento sem necessidade (Art.193).

Encontramos os ciclistas parados no pedágio entre Diadema e São Bernardo do Campo.

Mais de uma dezena de viaturas bloqueavam a passagem e causavam um pequeno congestionamento de automóveis de cerca de 2km (como pôde ser visto nos vídeos).

Leonardo Motta.

Ciclistas parados no pedágio de Diadema. Foto: Leonardo Motta.

Acontece que essa não era a primeira vez que os ciclistas eram compulsoriamente impedidos de prosseguir. Parece que a PMR chegara a bloquear até as pistas anteriormente somente para barrá-los. Eles desmontaram de suas bicicletas e, como pedestres, levaram suas magrelas pela grama para, alguns metros à frente, retomarem seus direitos, como cidadãos, de se locomoverem na rodovia utilizando o meio de transporte mais inteligente que existe.

Leonardo Motta.

Bloqueio anterior da Polícia Militar Rodoviária. Foto: Leonardo Motta.

Rodrigo Navarro.

Ciclistas pisam a grama para depois voltarem ao acostamento. Foto: Rodrigo Navarro.

André Pasqualini.

Ciclistas retornam ao acostamento. Foto: André Pasqualini.

Ayrton Sena da Silva.

Ciclistas trafegam pelo acostamento da Imigrantes. Foto: Ayrton Sena da Silva.

Depois, ao chegarem ao pedágio, haviam sido proibidos de prosseguirem novamente.

Lá,  eu fui, a pé e com minha bicicleta ao lado, passando pelas viaturas da PM e da PMR.

Fui seguido por mais e mais ciclistas até que todos prosseguiram.

Ciclista Fabiano.

Ciclistas passam o pedágio de Diadema. Foto: Ciclista Fabiano.

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(II) Interplanetária – Rodas a girar rumo ao litoral

Enquanto centenas de pessoas se aglomeravam na Praça do Ciclista, o ônibus que me trazia a São Paulo ainda não havia chegado na Rodoviária do Tietê.

André Pasqualini.

Ciclistas reunidos na Praça do Ciclista. Foto: André Pasqualini.

Às 7h, os ciclistas saíram da região da Bela Vista, pedalando em direção à Vila Mariana (na estação Santa Cruz do metrô havia uma pequena concentração de ciclistas esperando para se juntarem à Massa Crítica) e ao Jabaquara, antes de adentrarem a SP-160 (Imigrantes). Escoltando-os, estavam ao menos 2 viaturas da Polícia Militar e um veículo da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), além de, como viríamos a saber a posteriori um funcionário da concessionária Ecovias.

Silvio DM.

Ciclistas partem da Praça do Ciclista. Foto: Silvio DM.

Rodrigo Navarro.

Ciclistas pedalam na Bicicletada Interplanetária. Foto: Rodrigo Navarro.

Rodrigo Navarro.

Ciclistas pedalam na Bicicletada Interplanetária. Foto: Rodrigo Navarro.

Aproximadamente às 7h30, o ônibus da 1001 que me trazia de Florianópolis parou. Além da minha bagagem (que, por sinal, era muita), trouxera a minha bicicletada também. Por pior que estivesse me sentindo nas semanas que se antecederam, não poderia perder a Bicicletada Interplanetária. Meu pai encontrou-me próximo aos telefones públicos dentro da rodoviária. Ele me havia trazido isotônicos, frutas e barras de cereal para agüentar a aventura. Alonguei-me lá mesmo na rodoviária. Na mochila, coloquei também uma bela blusa e uma bandeira do Brasil. Vesti minha camiseta de ciclista e meu colete refletor. Despedi-me de meu pai, que voltaria para casa com minha bagagem. Pus meu capacete e, às 8h, rumei a Santos.

Ciclista Fabiano.

Minha bicicleta sendo descarregada do ônibus. Foto: Ciclista Fabiano.

Sai da Av. Cruzeiro do Sul e continuei pela Av. do Estado. O trânsito estava carregado e tranqüilamente ia ultrapassando os carros, ônibus e caminhões. Estes, ao descarregarem, provocavam uma lentidão ainda maior no tráfego de automóveis, que, em excesso, já estupiam as vias. Virei na Av. Dom Pedro e, lá, já sem grande fluxo de automóveis, os veículos andavam em altas velocidades. Às vezes, altas até demais. Constantemente, demasiadamente próximos a mim. Nessas horas é que é bom ser um ciclista urbano relativamente experiente para não se intimidar e ocupar de 1/3 a 1/2 da pista. Deu para evitar muitas finas desse jeito.

Continuei pela Av. Ricardo Jafet e, em seguida, pela Imigrantes. Nesta rodovia, percebe-se claramente que o ciclista é muito bem-vindo.

Ciclista Fabiano

Foto: Ciclista Fabiano.

A placa acima (R-12 – “Proibido trânsito de bicicletas“) foi colocada com base em uma legislação estadual antiga e já fora de vigor. Atualmente, a placa é ilegal, como está bem explicado no CicloBR.

Às 9h10, liguei para o André Pasqualini (do CicloBR). Os ciclistas estavam no km18 da Imigrantes, cerca de 12km à minha frente.

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(I) Interplanetária – O período precedente

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Inspirados na Ciemmona, uma Bicicletada que acontece na cidade italiana de Roma, na qual cerca de 1500 ciclistas pedalam até o balneário de Ostia, distante 30 km (mais no Apocalipse Motorizado), alguns ciclistas de São Paulo deram a idéia de fazer um encontro semelhante na capital paulistana. O dia, definido após intensos debates e discussões, ficou sendo 6 de dezembro de 2008, sábado. A data favoreceria os estudantes, visto que grande parte deles já estaria em férias, e também as pessoas mais velhas, que ainda deveriam estar na cidade e sem grandes preocupações com as festividades natalinas.

logo-interplanetária-2008-12-06-v3

O direito de descerem as escarpas da Serra do Mar são assegurados pela Constituição Federal e pelo Código de Trânsito Brasileiro, como foi bem demonstrado no CicloBR.

logo-interplanetaria-2008-12-06-v2

Mesmo assim, alguns desses ciclistas foram atrás da Ecovias, que alegou que a Artesp (Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo) era o órgão estadual que poderia nos fornecer a informação sobre a mobilidade por bicicleta no Sistema Anchieta-Imigrantes. A Artesp pronunciou-se e afirmou ser permitido o deslocamento por bicicleta pela Imigrantes, conforme o protocolo 104711, transcrito abaixo:

A ARTESP Agência de Transporte do Estado de São Paulo é responsável pela fiscalização dos serviços prestados pelas concessionárias de rodovias e pelas empresas de transporte intermunicipal de passageiros. Os esclarecimentos a respeito desses serviços são deveres desta agência e um direito dos usuários.

Portanto, em resposta à solicitação, feita para esta Ouvidoria, a ARTESP esclarece que o tráfego de bicicletas é autorizado na Rodovia dos Imigrantes, SP-160.

A Ouvidoria agradece o contato. Com a participação da sociedade a ARTESP terá, cada vez mais, a oportunidade de exercer o papel fiscalizador para melhorar os serviços prestados aos usuários.

Logo da Bicicletada Interplanetária 2008, versão 4

Com as palavras da Artesp e a legislação de trânsito na ponta da língua, centenas de ciclistas reuniram-se na Praça do Ciclista, na Av. Paulista com a Av. Consolação, a partir das 6h da manhã e, às 7h, saíram todos rumo ao litoral, contando com escolta voluntária de veículos da CET e da Polícia Militar.

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