Palestras da audiência pública sobre sistema cicloviário de Florianópolis

Confira as apresentações na íntegra das palestras apresentadas na audiência pública sobre o sistema cicloviário, que ocorreu em 13 de agosto de 2013, na Câmara de Vereadores de Florianópolis.

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Audiência pública sobre o sistema cicloviário de Florianópolis

Está confirmado para 13 de agosto, uma terça-feira, a audiência pública sobre os projetos cicloviários do município de Florianópolis que foram desenvolvidos dentro de seus quadros técnicos.

A audiência pública ocorrerá no plenarinho da Câmara de Vereadores de Florianópolis, na Rua Anita Garibaldi n°35, no Centro, quase ao lado da catedral, às 14h.

A sua realização ocorrerá no âmbito das comissões de Meio Ambiente e de Viação, Obras Públicas e Urbanismo e da Frente Parlamentar pela Mobilidade Urbana Sustentável.

Confira abaixo a chamada do vereador proponente, Pedro de Assis Silvestre, o Pedrão (PP), e a confirmação no Diário Oficial de Florianópolis

Diario Oficial de Florianopolis 2013-07-31CÂMARA MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS

EDITAL DE AUDIÊNCIA PÚBLICA Nº 047/2013. O Presidente da Câmara Municipal de Florianópolis, no cumprimento das atribuições que lhe confere o inciso II do art. 14 da Resolução n. 811, de 03 de dezembro de 2002, publica o presente edital de Audiência Pública, a ser realizada no âmbito das Comissões de Meio Ambiente, de Viação Obras Públicas e Urbanismo e da Frente Parlamentar de Mobilidade Urbana, no local, data, horário e assunto a seguir relacionados: Data: 13 de agosto de 2013. Local: Plenarinho da Câmara Municipal de Florianópolis – rua Anita Garibaldi, 35, 1º andar – Centro. Horário: 14 horas. Assunto: debater apresentação dos projetos ligados ao sistema cicloviário do Município de Florianópolis, em atendimento ao Requerimento n. 463/2013, de autoria do Senhor Vereador Pedro de Assis Silvestre. Câmara Municipal de Florianópolis, em 29 de julho de 2013. Vereador Tiago Silva – 1° Vice – Presidente.

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Uma interessante matéria publicada pela Ciencia Seminal, em 24 de junho de 2013, mostra como a bicicleta pode ajudar no desenvolvimento de uma cidade.

De acordo com a secretária de transporte, obras públicas e água de Amsterdã, Tineke Huizinga-Heringa, foi a cultura da bicicleta que levou os Países Baixos serem exemplos em questão econômica, política e social.

– Está claro que as bicicletas melhoraram nosso nível de vida. Desde que construímos as pistas cicláveis, percebemos um crescimento substancial do país. Cada um desses 400km foram uma garantia de avanço para a civilização – diz.

De acordo com a secretária, não apenas os níveis de poluentes e contaminantes são menores, como também os seus habitantes se tornaram mais sofisticados, educados, com maior moral e inteligência desde que passaram a utilizar a bicicleta.

Tineke Huizinga-Heringa. Foto: ANP.

Tineke Huizinga-Heringa. Foto: ANP.

O impacto do uso da bicicleta, afirma ela, é indiscutível.

– Temos demonstrado que nossas bicicletas nos tem levado a ser um dos países mais desenvolvidos do mundo.

Ainda conforme Huizinga-Heringa, que em 2009 elaborou um relatório sobre o uso da bicicleta nos Países Baixos, não há melhor forma de mudar o mundo do que usando a bicicleta.

– O que nos mudou não foi o nível acadêmico, nem a economia saneada, os parlamentares, ou nosso avançado sentido moral, tampouco a legitimação de direitos individuais. Tudo isso veio após as bicicletas. Inclusive, a população em geral se tornou mais bela e sexualmente ativa após pedalar mais horas ao dia.

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Verificação pessoal na Lagoa

No último dia 11 de julho, o prefeito de Florianópolis Cesar Souza Júnior (PSD) e o vice João Antônio Heinzen Amin Helou (PP) foram pessoalmente verificar como andam as obras da primeira fase da construção de ciclovia na R. Ver. Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição.

Por uma rede social, o prefeito mandou a seguinte foto:

Cesar Souza Jr 2013-07-11

Segue a legenda: “Hoje pela manhã, junto do vice-prefeito e Secretário de Obras, João Amin, fui verificar o início das obras da ciclovia da Rua Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição. A obra é uma reivindicação antiga dos moradores da região, e esta etapa tem prazo de 120 dias para ficar pronta.”

A primeira fase da obra envolve aterro e enrocamento às margens do cartão-postal de Florianópolis, para implantação de passeio, deques e ciclovia e também foi noticiada posteriormente no site da Prefeitura Municipal, replicado abaixo.

Prefeito e secretário supervisionam obras

Ciclovia da Osni Ortiga e calçamento de ruas foram algumas das obras conferidas

Prefeito César Souza Júnior e o secretário Municipal de Obras João Amin estiveram na manhã de hoje supervisionando as obras da ciclovia da Rua Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição. Obra há muito esperada pela comunidade agora ela já é visível a quem passa pela via, com os trabalhos em ritmo intenso. A primeira parte dos serviços, que corresponde à preparação da área, deve levar 120 dias.

A ciclovia terá 2,40 metros de largura e o passeio dois metros, sendo que as duas vias serão separadas por um canteiro de 0,60 metros. As vias vão iniciar a 630 metros da Avenida das Rendeiras, no ponto em que a via começa a margear a Lagoa da Conceição, e seguirão até o entroncamento da Rua Laurindo Januário da Silveira no Porto da Lagoa. Vale lembrar que a obra só se concretizou graças a emenda do deputado Edison Andrino junto ao governo do Estado e que vai cobrir metade dos custos totais da ciclovia.

César Souza Júnior, João Amin, diretor Renato Geske e engenheiro Paulo Machado fiscalizaram os trabalhos na Lagoa da Conceição. Foto: Rodrigo Viegas.

César Souza Júnior, João Amin, diretor Renato Geske e engenheiro Paulo Machado fiscalizaram os trabalhos na Lagoa da Conceição. Foto: Rodrigo Viegas.

Outras obras – Além da ciclovia da Osni Ortiga prefeito e secretário também conferiram a condição da Servidão Nova Esperança, no Campeche, que se encontra em processo de calçamento e da Rua Recanto das Gaivotas, no Rio Tavares, esta já concluída. Também supervisionaram as obras de recuperação de parte do Canal Buriti, no Parque São Jorge.

Atualizado em 12 de julho de 2013, às 4h58.

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Começarão as obras da ciclovia na Lagoa da Conceição!

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Passeio ciclístico acontecerá após assinatura da ordem de serviço da primeira fase da obra, que deve terminar em 120 dias.

Primeira fase do projeto está licitada. Foto: Arquivo/PMF.

Primeira fase do projeto está licitada. Foto: Arquivo/PMF.

Neste sábado, dia 29 de junho, a Secretaria Municipal de Obras pretende dar início à primeira fase da ciclovia da Rua Vereador Osni Ortiga, uma das principais vias de acesso à Lagoa da Conceição. De posse da licença ambiental e agora com a autorização do Patrimônio da União, a obra, orçada em R$ 4,5 milhões, começa a virar realidade. Esta fase de implantação dos trabalhos deve levar aproximadamente 120 dias para conclusão.

O projeto contempla 2,8 quilômetros de ciclovia e passeio, que serão feitos no lado direito da rua no sentido Lagoa – Rio Tavares. A ciclovia terá 2,40 metros de largura e o passeio, dois metros. Eles serão separados da pista para carros por um canteiro de 0,60 metro. As vias vão iniciar a 630 metros da Avenida das Rendeiras, no ponto em que a Rua Osni Ortiga começa a margear a Lagoa da Conceição, e seguirão até o entroncamento da Rua Laurindo Januário da Silveira, no Porto da Lagoa. As pistas das vias serão de blocos de concreto tipo paver.

Ciclovia será construída por quase 3km na Rua Vereador Osni Ortiga. Foto: Edu Cavalcanti / Agencia RBS.

Ciclovia será construída por quase 3km na Rua Vereador Osni Ortiga. Foto: Edu Cavalcanti / Agencia RBS.

Na avaliação do secretário de Obras João Amin, “esta primeira fase das obras da ciclovia – muro e aterro – começa a se materializar com o apoio do deputado estadual Edison Andrino, que através de emenda junto ao governo do Estado conseguiu recursos iniciais da ordem de mais de um milhão de reais.” Ainda segundo Amin, “já contratamos um Programa de Monitoramento Ambiental para assegurar que a região não sofra danos e a segunda fase da ciclovia entra agora em processo de licitação”.

Ciclovia é uma antiga reivindicação de moradores do Porto da Lagoa. Foto: Marco Santiago / ND.

Ciclovia é uma antiga reivindicação de moradores do Porto da Lagoa. Foto: Marco Santiago / ND.

Vanessa Trindade, moradora da Osni Ortiga e ciclista, considera o início das obras muito importante. “Tenho bicicleta em casa, mas não ando porque acho perigoso. A ciclovia é um desejo antigo dos moradores”, comemora.

Pedestres e ciclistas, moradores da região, planejam se reunir em um ato, que inclui caminhada pela Rua Vereador Osni Ortiga, começando às 15h e, em seguida, acompanhar a assinatura da ordem de serviço, prevista para as 15h30. Como é uma promessa antiga que está sendo cumprida, a intenção é demonstrar apoio e exigir que a ciclovia seja adequada.

Moradores usam a Turma da Mônica para mostrar como deve ficar ciclovia na Lagoa da Conceição. Imagem: Movimento Ciclovia na Lagoa Já.

Moradores usam a Turma da Mônica para mostrar como deve ficar ciclovia na Lagoa da Conceição. Imagem: Movimento Ciclovia na Lagoa Já.

O biólogo Daniel Araújo faz parte da organização do ato e é um dos criadores do “Movimento Ciclovia na Lagoa já” em parceria com a Associação de Moradores do Porto da Lagoa (Ampola). Ele conta que a construção desta ciclovia, acompanhada de passeio, é imprescindível para a segurança: “Nesta via os motorizados transitam em alta velocidade, causando risco de morte aos usuários e afastando as pessoas, a ciclovia vai proporcionar mais mobilidade urbana, com segurança, e atrair usuários, trazendo mais saúde para a cidade”.

Florianopolis 2013-06-29 Lagoa da Conceicao

Fontes: Prefeitura Municipal de Florianópolis (20 de junho de 2013), Jornal Notícias do Dia (28 de junho de 2013, 20h22) e Diário Catarinense (28 de junho de 2013, 19h24).

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Mobilização por calçada e ciclovia na Barra do Sul vem desde 2007

bicicleta_na_rua3-joel pacheco

Um pedido simples arrasta-se já por mais de cinco anos. Calçadas e ciclovias na região da Barra do Sul, em Florianópolis, ainda teimam em não surgir na paisagem bucólica que compreende quatro comunidades do sul da Ilha de Santa Catarina.

As mobilizações do que seria o primeiro Plano Diretor Participativo da capital catarinense promoveram a primeira sistematização das necessidades e demandas das comunidades de Caiacanga-açú, Tapera da Barra do Sul, Caieira da Barra do Sul e Naufragados.

Em documento datado provavelmente de dezembro de 2007, a Sociedade Amigos da Barra do Sul mostra os resultados dos encontros que abrangem a área de cerca de 4.000 moradores.

Dentre as diretrizes, advindas de oficinas temáticas e reuniões desse sub-núcleo do Distrito do Ribeirão da Ilha, duas têm relação com a bicicleta.

Referindo-se ao tema de “Infraestrutura Social”, no assunto “Esporte”, encontramos:

Reserva de áreas e contrução de quadras poliesportivas, campos de futebol, pistas de bicicross em todas as comunidades

Na reunião que ocorreu em 24 de maio de 2012, outra demanda também foi citada pelos jovens: pistas de skate. De fato, a bicicleta e o skate são facilmente percebidos na paisagm local, apesar dos perigos de sua débil estrutura viária.

No tema “Mobilidade”, o assunto “Ciclovias” aparece com destaque:

Criação de uma ciclovia na Caiacanga ao longo da rodovia

Dentre as inúmeras demandas do documento, esta foi das poucas que tiveram uma resposta. Já iniciaram os estudos para a implantação de pista ciclável nas localidades da Tapera e Caieira da Barra do Sul, embora o trecho ainda não chegue à Caiacanga.

O local tem altíssimo potencial cicloturístico. Muitos ciclistas optam por fazer o trajeto de Florianópolis ao sul de Palhoça pela travessia de barco que existe na Caieira da Barra do Sul, em vez de enfrentarem as altas velocidades e paisagens cinzas das margens da BR-101.

Ainda assim, cinco anos se passaram e a paisagem está longe de se modificar. Quanto tempo, afinal, pode-se levar para ficar  pronto de menos de cinco quilômetros de ciclovia? Quanto tempo um governo pode se fazer de negligente em não proporcionar segurança aos alunos das escolas que vão para lá de bicicleta? Quantos acidentes, com os respectivos impactos na saúde física e psicológica, do cidadão e da gestão, irão ocorrer até que alguma providência seja tomada?

Os antiexemplos da Barra do Sul e da Lagoa da Conceição são reflexos emblemáticos de uma omissão estatal que não pode se deixar acontecer.

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Moradores vão atrás de calçada e ciclovia para o sul de Florianópolis

Ciclofaixas do Centro de Florianópolis são sinalizadas

A notícia abaixo foi divulgada pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, em 1° de março de 2013, aqui. Com esta nova sinalização vertical, os agentes de trânsito poderão fiscalizar as infrações de estacionamento, parada e trânsito de veículos automotores sobre as ciclofaixas do Centro.

IPUF implanta sinalização cicloviária no Centro

Instalação das placas nas ciclofaixas foi realizada na última quinta-feira, 28.

O Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, através da Diretoria de Operações de Trânsito, implantou, no dia 28 de fevereiro, a sinalização de trânsito exclusiva para bicicleta nas ruas Trompowsky e Dom Joaquim, no Centro da Capital.

O Diretor de Operações, Adriano Melo, acompanhado do Engenheiro Wagner e da Arquiteta Vera Lúcia, fiscalizaram os serviços executados pelo departamento de trânsito do IPUF.

As ações para a continuidade da implantação da política cicloviária no município são parte das metas traçadas pelo Prefeito Cesar Souza Júnior e dirigidas pelo Superintendente do IPUF Dalmo Vieira Filho.

Instalação de sinalização cicloviária. Foto: Divulgação / IPUF.

Instalação de sinalização cicloviária. Foto: Divulgação / IPUF.

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Guarda Municipal está multando veículos estacionados sobre as novas ciclofaixas de Florianópolis

Prefeitura no Bairro recebe demandas de ciclistas

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No último sábado de janeiro, a Prefeitura Municipal de Florianópolis recebeu mais de 300 reivindicações de seus cidadãos. Pela quarta vez em 2013, a “Prefeitura no Bairro” aproximou políticos e moradores na tentativa de aprimorar a gestão pública e conhecer mais de perto os anseios de quem habita a capital catarinense.

Em duas das versões anteriores, em Canasvieiras e no Campeche, já tinha havido reivindicações por parte de pessoas que andam de bicicleta. Dessa vez, no bairro Pantanal, eu fui lá levar diversas demandas dos mais variados segmentos ciclísticos para serem apreciados pelos secretários, vereadores e pelo chefe do Executivo. De bicicleta, pouco após às 10h30, cheguei à tenda montada no terreno da Eletrosul.

Prefeitura no Bairro recebeu demandas por ciclovias em Florianópolis.

Prefeitura no Bairro recebeu demandas por ciclovias em Florianópolis.

Confira abaixo um resumo com as conversas.

Secretaria do Continente

O atual secretário João Batista Nunes (PSDB) reconheceu-me logo de chegada. Propus-lhe um planejamento de curto, médio e longo prazo para a melhoria das condições ciclísticas nos bairros não-ilhéus.

A curto prazo, pode-se realizar a instalação de bicicletários adequados em parques e prédios públicos, além de se realizar os acessos à única ciclovia urbana da região, a Av. Poeta Zininho (Beira-mar do Estreito). Por incrível que pareça, a obra, inaugurada no último aniversário da cidade após anos de construção, não contempla os acessos à ciclovia em seu começo nem em seu final.

Para médio prazo, a retirada da gaveta de projetos como a revitalização da orla de Coqueiros, por sinal uma das promessas de campanha do ex-prefeito Dário Berger (PMDB), e o aproveitamento dos estudos cicloviários feitos por técnicos holandeses possibilita uma ampliação importante da malha cicloviária em uma região densamente ocupada.

Por fim, o sistema de bicicletas coletivas de Florianópolis (Floribike) pode sofrer sua primeira ampliação agregando a porção continental e a definição de pontos de aluguel de bicicletas por lá é uma medida de longo prazo que pode, desde já, tomar forma.

O secretário afirmou que no final de fevereiro pretende se reunir com o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e com ciclistas para alavancar a questão.

Secretaria de Obras

O secretário de Obras e vice-prefeito João Amin (PP) recebeu de braços abertos para poder falar sobre diversos problemas que hoje afligem os ciclistas de Florianópolis.

Primeiramente, entreguei cópia de um ofício da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) solicitando a retirada das tachas laterais da R. Dep. Antonio Edu Vieira, a principal rua do Pantanal. Instaladas após o asfaltamento da via, esses refletores instalados na linha branca próxima ao meio-fio são desnecessários, não cumprindo função para o tráfego automotor, mas prejudicando enormemente o fluxo de ciclistas. Em determinados locais, os ciclistas chegam a perder 40cm de uma faixa onde poderiam transitar, tendo que conduzirem suas bicicletas mais para o meio da rua, colocando-se em risco maior e prejudicando, também, o fluxo de automóveis. Na véspera mesmo, minha caramanhola caíra da bicicleta por causa da trepidação que essas tachas ocasionam.

Tratando ainda do Pantanal, solicitei uma revisão do projeto de pseudoduplicação da R. Dep. Antonio Edu Vieira, que certamente mais afetar negativamente o tráfego de ciclistas e pedestres.

Tachas prejudicam o trânsito de bicicletas no bairro Pantanal.

Tachas prejudicam o trânsito de bicicletas no bairro Pantanal.

Sobre o bicicletário do Campeche, cujos paraciclos são sofríveis, a resposta foi rápida: “Vamos arrumá-los!”, falou. Um dos técnicos da Obras ao seu lado, afirmou que eles não haviam encontrado um modelo para o Brasil, tendo tido bastante dificuldade em definir um estacionamento de bicicletas melhor. Falei-lhe sobre o modelo padrão de Florianópolis, no qual chega a caber mais bicicletas, no mesmo espaço ocupado pelos paraciclos atuais, e com um custo aproximadamente igual.

Paraciclo no Campeche é considerado inadequado pelos ciclistas.

Paraciclo no Campeche é considerado inadequado pelos ciclistas.

A reformulação da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) também foi motivo de conversa, visto que é quase certa a presença alguém da secretaria de Obras nela.

O secretário pediu ajuda para a resolução dos problemas com as ciclofaixas na região central, dispôs-se a receber-me e a um grupo variado de ciclistas em sua secretaria e afirmou que em finais de fevereiro vai tratar com o IPUF sobre os projetos que já existem lá para poderem ser implantados em Florianópolis.

A legislação municipal, que prevê a implantação de pista ciclável em todas as novas ruas de Florianópolis, foi tema de debate também. Desrespeitada veementemente pelo governo anterior, e Lei Complementar Nº 78/2001 foi sancionada pela mãe do atual vice-prefeito, Angela Amin.

Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano

Por uma questão de viagem do titular Dalmo Vieira Filho, Rodolfo Matte ocupou-se em ouvir os moradores pela SMDU e por suas divisões e autarquias, incluindo a Secretaria Executiva de Serviços Públicos (SESP), a Fundação de Meio Ambiente (FLORAM) e o IPUF.

Levei-lhe ao conhecimento este artigo sobre as ciclofaixas de lazer, contendo diretrizes para que a implantação do projeto tenha sucesso.

Relembrei também um pedido de ciclistas que fora prometido ser cumprido até outubro do ano passado: a instalação de placas de advertência para a manutenção da distância de 1,5m do ciclista nas pistas com mais de uma faixa de rolamento por sentido.

Falamos brevemente sobre a Pró-Bici, situada dentro do IPUF, que pode contribuir enormemente para a ampliação decente das pistas cicláveis em Florianópolis.

Câmara de Vereadores

O vereador Celso Sandrini (PMDB) é um dos apoiadores do processo de revitalização da Caieira da Barra do Sul e da Taperinha, em projeto que prevê a implantação de ciclovias, calçadas e áreas verdes. Afirmou que a comunidade está ansiosa pelo projeto. Disse ainda que as pessoas de seu gabinete estão em férias e que após fevereiro vai agendar reunião no IPUF para essa revitalização e para a implantação da Casa Açoriana.

Prefeitura Municipal

Fui o penúltimo a conversar com o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD). Levei-lhe o convite de campanha do Bike Anjo Floripa de pedalar na cidade com integrantes do grupo, ao que disse com honestidade a uma assessora: “Tou devendo isso. Foi compromisso da campanha ainda. Anota aí! Estou precisando mesmo pedalar um pouquinho.”

Prefeito conversa com a comunidade. Ao fundo, ciclista em conversa com o secretário de Obras e vice-prefeito, com técnicos atentos. Foto: Martinho Ghizzo / PMF.

Prefeito conversa com a comunidade. Ao fundo, ciclista em conversa com o secretário de Obras e vice-prefeito, com técnicos atentos. Foto: Martinho Ghizzo / PMF.

Sobre o edital do Floribike, que estava em sua mesa pronto para publicação, afirmou que estava encaminhando para a área jurídica tudo o que havia sobre editais e licitação. Por sinal, poucos dias depois, uma reunião foi agendada pela administração municipal para dar encaminhamento ao projeto.

Por fim, sobre a necessária atualização da Pró-Bici, disse-lhe que uma proposta de composição deve chegar em suas mãos em março, permitindo agilidade nos processos que envolvem a circulação de bicicletas

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

Prefeitura no Bairro recebe grande público no Pantanal

Florianópolis entra na moda das ciclofaixas de lazer

DC 2013-01-10 p.6 Ciclofaixas de Lazer

A reportagem abaixo foi publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense, em 10 de janeiro de 2013. Você pode lê-la também no site do DC aqui ou aqui. Veja em PDF. Pequenos erros já foram corrigidos ao longo do texto.

PEDALADAS INICIAIS

Meta é mais 30km de ciclovias em um ano

Plano da Secretaria de Desenvolvimento Urbano representa um aumento de 70% da atual malha.

Se depender da vontade dos técnicos da prefeitura, Florianópolis deve chegar em janeiro de 2014 com 30km a mais de ciclovias, um aumento de 70% em relação à atual malha cicloviária de 43km da Capital. A meta foi estipulada pelo prefeito Cesar Souza Junior (PSD) e pelo secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Dalmo Vieira Filho.

Segundo o secretário, a equipe de técnicos da pasta deve começar nos próximos dias a detalhar os projetos de criação das chamadas ciclofaixas de lazer, que reservam trechos de ruas e avenidas para o ciclismo em determinados horários e dias da semana, e das ciclovias fixas que serão reformuladas ou construídas nos próximos anos.

– Já fizemos várias reuniões para discutir o assunto, e creio que não teremos dificuldades em criar as ciclofaixas. Nossa maior preocupação é garantir segurança e infraestrutura de qualidade para os ciclistas, estimulando mais gente a pedalar. Acidentes não poderão acontecer – afirma o novo secretário.

Pelos planos da prefeitura, serão criadas ciclofaixas no Continente, no Centro, na Trindade e nas regiões do Saco da Lama e de Cacupé. Entre as ciclovias, a prioridade total é o trecho da chamada Bacia do Itacorubi, que atenderia à demanda de alunos da Udesc e da UFSC que usam a bicicleta como meio de transporte.

Antes de concluir os projetos, Dalmo diz que pretende conversar com entidades e associações que atuam na área, pedindo conselhos e ideias de melhorias às propostas.

– Já temos vários projetos que estão sendo desenvolvidos no Ipuf, mas precisamos conversar com essas entidades antes de começar nossas ações. Temos pessoas pensando em como deve ficar o trânsito, para evitar reclamações dos motoristas, por exemplo. Tudo precisa ser muito bem pensado e planejado – explica Dalmo.

DC 2013-01-10 Ciclofaixas de Lazer fig.1 (Veja em PDF)

Para o integrante do grupo de ciclistas Bike Anjo Fabrício Sousa, qualquer medida que atenda à demanda reprimida na cidade é bem-vinda, ainda que considere haver demora em executar projetos relativamente simples e baratos.

– Claro que o ideal é haver mais ciclovias com separação dos carros, mas a colocação de ciclofaixas de lazer já é uma ação a se comemorar. Floripa tem todo o jeito para isso, o próprio turismo seria beneficiado com mais ciclovias – afirma.

Militante questiona ciclofaixa de lazer

O presidente da ViaCiclo, principal entidade de ciclousuários do município, Daniel de Araújo Costa, diz que a criação de ciclofaixas de lazer não é a solução ideal para ajudar a melhorar os gargalos de mobilidade urbana da Capital catarinense.

– É uma coisa meio estranha, para funcionar só aos domingos. Você acaba sem a opção de se deslocar de bicicleta como um meio de transporte no seu dia a dia. A ciclofaixa não deve servir só com fins de entretenimento, é preciso termos mais ciclovias de transporte urbano – argumenta.

Larissa Guerra

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Charge – Na inauguração da ciclofaixa de lazer…
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Guarda Municipal está multando veículos estacionados sobre as novas ciclofaixas de Florianópolis

A matéria abaixo foi originalmente publicada na versão on line do Jornal Notícias do Dia, em 27 de dezembro de 2012, às 16h31. Consta também do jornal impresso, edição de Florianópolis, no dia 28 de dezembro (págs. 5 e 24). Você também pode lê-la matéria no site do ND aqui. A versão abaixo é um misto de ambas.

 Motoristas estacionam e circulam em locais exclusivos para os ciclistas

Invasão nas ciclofaixas. Ciclistas precisam desviar de carros e caminhões na via que deveria ser livre para o fluxo de bicicletas.

Quem usa a bicicleta como meio de transporte em Florianópolis precisa estar sempre atento aos veículos que circulam pelas avenidas e a falta de cuidado e distância necessária dos motoristas. Porém em alguns pontos, mesmo havendo ciclofaixa, quem pedala não está seguro e precisa muitas vezes desviar de carros caminhões e até disputar espaço no local que deveria ser exclusivo a ciclistas com motociclistas.

Andando pelo Centro da Capital em poucos minutos é possível observar o desrespeito em diversas ruas. As vias com muitos prédios e estabelecimentos comerciais são as mais desafiadoras aos ciclistas. Na rua Frei Caneca, a equipe do Notícias do Dia flagrou um caminhão estacionado em cima da ciclofaixa.

O motorista Jó Nakao, que é funcionário de uma transportadora, estava dentro do veículo e com o pisca alerta ligado. “Precisamos fazer carga e descarga e mudanças, mas aqui é impossível estacionar. Se fico do outro lado os ônibus quase batem na gente e nos prédios ou não tem espaço para caminhão ou não deixam entrar, infelizmente é nossa única opção”, justificou.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

Cerca de 500 metros à frente, outro flagrante. Um carro de uma empresa prestadora de serviços estacionado em frente a outro prédio, em cima da ciclofaixa. As justificativas são as mesmas: falta de local para carga e descarga ou o famoso “é só um minutinho”.

Porém, de acordo com a subcomandante da guarda municipal Maryanne Mattos, não há desculpa que justifique a infração. Segundo ela estar dentro do veículo com pisca alerta ligado e sair logo que é alertado não impede o registro da infração e aplicação da multa, que é de R$ 127,69. Para os veículos de carga, quando não há local livre para estacionamento, é possível pedir autorização ao IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) para estacionar em data e horário específico.

Ciclistas pedem mais fiscalização e consciência dos motoristas

Rosana Klotz Glienke é moradora do Centro e há poucos meses deixou de usar a bicicleta como meio de transporte por causa da insegurança. Ela costumava levava as filhas para escola de bicicleta, mas agora só usa para passeio. Ontem ela seguia com as filhas Sandy e Giulia e a amiga Jessica, pela ciclofaixa, mas estava indo em direção à Beira-mar, onde não precisam desviar de carros, ônibus nem caminhões. O marido dela ia trabalhar diariamente de bicicleta, mas desistiu depois de quase ser atropelado por duas vezes. “O medo nos fez mudar de hábito e infelizmente voltamos para o carro. Precisa fiscalização e multa, mas principalmente consciência das pessoas. Com o desrespeito que há, hoje andamos só para curtir e passear”.

José Carlos Ferreira Junior trabalha como entregador de compras de um supermercado da região Central e, enquanto se deslocava até a casa de um cliente na rua Duarte Schutel, Centro, precisou desviar três vezes de carros e caminhões parados sobre a ciclofaixa. Ele conta que por sorte nunca se acidentou, mas já viu outros colegas machucados e até a bicicleta precisou ser trocada por acidentes provocados pela falta de respeito de motoristas à faixa destinada aos ciclistas.

A empresa instalou até uma buzina no guidão da bicicleta para chamar a atenção quando necessário. “É complicado, tem muita entrada e saída de veículos transversais à faixa. Não sei adianta, mas talvez colocar mais sinalização e fiscalizar mais poderia ajudar. Mas percebo que quando a polícia vem os motoristas saem mas logo voltam”, lamentou.

Segundo Maryanne em apenas um período do dia fazendo ronda no Centro da Capital os guardas flagram mais de dez infrações deste tipo, a maioria em locais de comércio e no período da noite em ruas onde há bares. “A gente pede pra retirar e multa, e os motoristas reclamam dizendo que é falta de bom senso porque já estão retirando o veículo. Mas eles é que não tiveram bom senso na hora de parar ali”, afirmou.

Saiba Mais:
De acordo com o inciso VIII do artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro, estacionar veículo no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público é infração grave. A penalidade é multa de R$127,68 e cinco pontos na CNH. A medida administrativa que deve ser aplicada é a remoção do veículo.

Letícia Mathias

Ausência de seguranças para o ciclista é tema de Podcast na Rádio UDESC

No dia 04 de setembro de 2012, às 18h, a Rádio Educativa UDESC Florianópolis FM 100.1 MHz exibiu um podcast especial sobre segurança cicloviária em Florianópolis. A matéria, feita por Iuri Barcelos, abordou, além da falta de respeito com os ciclistas no trânsito, os problemas para quem quer pedalar na Avenida Madre Benvenuta, no Santa Mônica,onde um ciclista havia falecido na semana anterior, a necessidade de interligação entre as pistas cicláveis existentes, a implementação do sistema de aluguel de bicicletas (Floribike) e os benefícios que o ciclismo diário oferece à saúde.

Veja também:

Aluguel de bicicletas de Florianópolis é tema de Podcast
Bicicleta é destaque no Diário Catarinense
Florianópolis congestionada

 

(Vídeo) Bicicletas-fantasmas em Florianópolis

Programa Conexão TVCOM exibido originalmente em 06 de setembro de 2012, às 18h30, pela TVCOM SC, abordando a instalação da bicicleta-fantasma no Santa Mônica, em homenagem a José Lentz Neto, bem como a situação das ciclovias em Florianópolis.

Nele, a repórter Larissa Schmidt entrevista Fabiano Faga Pacheco, membro da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo).

A versão acima é da reprise exibida em 07 de setembro, às 11h.

Saiba mais:

Morte no Santa Mônica poderia ter sido evitada. Ghost bike será instalada hoje. – “Sem ciclovias, sem uma vida”, conteúdo do Diário Catarinense.
Bicicletada Floripa de agosto homenageia ciclista morto em local que deveria ter ciclovia há 6 anos –  A omissão municipal fez sua vítima no bairro Santa Mônica.
“Espero que a ghost bike em homenagem a ele tenha sido a última”, diz nora de ciclista atropelado em ciclofaixa em Canasvieiras – O desejo da família de Hector Galeano não se realizou.
Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana – A ghost bike de Hector Cesar Galeano foi a segunda do final de semana.
Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
Florianópolis terá duas Bicicletadas neste fim de semana – Divulgação oficial da Mobilização por mais segurança e menos mortes na Ilha de Santa Catarina.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
Bicicletas-fantasmas em Florianópolis para o mundo saber – As primeiras ghost bikes da Grande Florianópolis são divulgadas para o mundo. A cidade foi a terceira cidade brasileira a contar com essa homenagem.

Veja também:

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(Vídeo) Debatendo mobilidade urbana em Florianópolis
(Vídeo) Enrique Peñalosa – Investimentos em calçadas, ciclovias e transporte público melhoraram a mobilidade em Bogotá

Morte no Santa Mônica poderia ter sido evitada. Ghost bike será instalada hoje.

A reportagem abaixo foi publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense, de quarta-feira, 05 de setembro de 2012. Você pode lê-la também no site do DC aqui ou no do Hora de Santa Catarina aqui. Veja em PDF.

PROTESTO EM BRANCO

Representante dos usuários de ciclovias da Grande Florianópolis, Daniel Costa conclui a pintura da bicicleta que será colocada no local onde morreu um ciclista, na Capital. Foto: Daniel Conzi.

MOBILIDADE URBANA

Sem ciclovias, sem uma vida

Enquanto IPUF e incorporadora não chegam a um acordo para criar faixa, ciclista sofre acidente fatal no último dia de trabalho.

A morte de um ciclista na Avenida Madre Benvenuta, em Florianópolis, na última sexta-feira, aconteceu em um local onde deveria existir uma ciclovia, conforme o Termo de Ajustamento de Conduta assinado pela incoporadora que construiu o Shopping Iguatemi.

Devido a esse acidente, a sexta bicicleta fantasma será instalada em Florianópolis nesta quarta-feira, às 19h30min. Criado em 2003, nos Estados Unidos, o movimento se espalhou pelo mundo, colocando bicicletas brancas onde ciclistas sofrem acidentes fatais.

O homenagem será em memória a José Lentz Neto, ciclista que foi atropelado a poucos metros da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), onde foi servidor por 42 anos. Aos 60 anos, Lentz voltava para casa depois de seu último dia de trabalho. Tinha acabado de se aposentar. Ele era técnico-administrativo de Desenvolvimento e trabalhava na Central de Documentação. Segundo a filha Amanda, que estuda na Udesc, ele fez uma cirurgia de redução de estômago há alguns anos e começou a andar de bicicleta em busca de qualidade de vida.

José ia de bicicleta para a Udesc. Foto: Arquivo pessoal.

A discussão entre ciclovia e ciclofaixa

Daniel de Araújo Costa, presidente da Associação de Ciclousuários da Grande Florianópolis (Viaciclo), participou da organização de uma bicicletada, que será realizada antes após a colocação da bicicleta fantasma.

Chamada de Ride of Silence, passeio do silêncio, em tradução literal, o protesto tem o objetivo de cobrar a construção da ciclovia (com meio-fio para proteção dos ciclistas) na Madre Benvenuta, como proposto quando o Shopping Iguatemi foi construído. A incorporadora Pronta, maior acionista do shopping, assinou um Termo de Ajustamento de Conduta se comprometendo a construir ciclovia e ciclofaixa. Segundo o advogado da Pronta, Alexandre Araújo, o problema é que o termo de compromisso prevê a construção de ciclofaixa (com pintura indicando trânsito de bicicletas), e o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf) entendeu que no local seria construída uma ciclovia.

— É um local onde o metro quadrado é muito caro. Para fazer uma ciclovia seria preciso desapropriar terrenos, alterar calçadas, é uma obra de milhões e não é o que nos comprometemos a fazer — disse Alexandre.

Daniel de Araújo Costa, da ViaCiclo, pintou de branco a bicicleta fantasma que será instalada hoje, na Capital, em homenagem a José Lentz Neto. Foto: Daniel Conzi.

Processo vem desde 2006

O shopping foi inaugurado em 2006, desde então o processo sobre a ciclovia tramita na Justiça Federal. Enquanto isso, acidentes no local somam-se às estatísticas.

Segundo o Ipuf, o acordo feito com o Shopping Iguatemi, em audiência pública realizada em 2008, quando o processo corria na Justiça, é que o projeto realizado seria elaborado pelo Ipuf e pago pelo shopping. Conforme o instituto, mesmo sem alterações no trânsito da Madre Benvenuta, 400 metros de ciclovia já poderiam ter sido feitos, incluindo o trecho vizinho da Udesc, onde ocorreu o acidente fatal, e o trecho que foi feito, na Avenida Beira-Mar.

Conforme o instituto, existem fatores no projeto do Ipuf que encarecem o projeto, como iluminação e canteiros, mas o trecho de 300 metros entre a Udesc e o posto Petrobras já poderia ter ciclovia, não é necessária nenhuma modificação no trânsito para essa parte da obra. Desde o início de 2012, segundo a Polícia Rodoviária Militar, no Estado foram registrados 90 acidentes envolvendo ciclistas, 20 fatais.

Opinião DC

A implantação da ciclovia na Av.Madre Benvenuta , se foi prometida, precisa ser executada. Segundo acordo firmado com a municipalidade, a ciclovia seria de responsabilidade do shopping Iguatemi. Mas uma questão semântica (ciclovia ou ciclofaixa), com argumentos técnicos , está transformando a celeuma, na verdade, num jogo de empurra que envolve o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF). A burocracia lerda pode ser tão letal quanto o trânsito violento. O poder público e o setor privado precisam se unir para parar de contabilizar mortos.

Roberta Ávila

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Bicicletada Floripa de agosto homenageia ciclista morto em local que deveria ter ciclovia há 6 anos

José Lentz Neto começou a usar a bicicleta por motivos de saúde. Acima de seu peso ideal, seu médico recomendou a prática de atividades físicas pouco após ele ser submetido a uma delicada operação. Como tantas outras pessoas, optou pela magrela. Servidor da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), José preparava-se para as últimas horas antes da tão sonhada aposentadoria.

A cerca de 300m da UDESC, numa sexta-feira ensolarada pelo meio-dia a omissão do poder público e a imperícia de um motociclista tiraram-lhe a vida aos 60 anos. José Lentz Neto encontrava-se no sentido correto do fluxo, na Av. Madre Benvenuta, no Santa Mônica, em direção à Trindade, quando ocorreu o sinistro.

Este poderia ser um caso isolado, se não fosse o quinto caso de ciclista morto na Grande Florianópolis desde o começo do ano, o terceiro na capital catarinense, sendo o primeiro fora das rodovias federais e estaduais que cortam a região. A sua morte foi mais um caso da omissão do poder público para lidar com a mobilidade por bicicleta e com a frágil relação dos ciclistas para com os demais veículos. No dia seguinte, outro ciclista, Cloves Irineu Caetano seria vitimado por um ônibus próximo ao Terminal de Integração de Canasvieiras (TICAN).

A ciclovia que não estava ali

Desde 2006, quando foi inaugurado o Shopping Iguatemi, que recortou cinco vezes a ciclovia da Av. Beira-Mar Norte, com a instalação de semáforos para ciclistas que não permitem o pedalar contínuo, tamanha a preferência ofertada aos automóveis, há dinheiro para a construção de ciclovia na Av. Madre Benvenuta. São R$2 milhões destinados pelo shopping por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Após o shopping ter contratado uma consultoria que afirmou ser possível fazer “ciclovia” na região com apenas R$90 mil, algo completamente fora dos padrões nacionais e da própria legislação municipal, houve contestação de dois dos projetos de ciclovia, planejados pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e por urbanistas formados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sendo que o parecer de um professor da mesma instituição levou a uma intervenção do Ministério Público Federal (MPF), que paralisou a implementação de uma ciclovia que estavasendo projetada conjuntamente pelo IPUF e a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo).

Nesse meio tempo, surgiram iniciativas isoladas, que visavam à construção de ciclovia bidirecional no canteiro central, sem a arborização, mas, para tanto, seria necessária redução das faixas de rolamento de automóveis em 40cm de cada lado da via. Faltou a vontade política em encontrar soluções para enfrentar realmente os problemas da mobilidade urbana.

Numa região que possui 5,9% dos deslocamentos feitos mediante bicicleta, o maior percentual dentre as ruas da cidade, segundo o estudo “Diagnóstico cicloviário de Florianópolis”, feito pelo IPUF, e um impasse pela construção de uma ciclovia que ligaria os principais campus universitários da cidade, a morte de José Lentz Neto poderia ter sido evitada.

Flash Mob

A mesma sexta-feira que tombou mais um ciclista, uniu dezenas de outros na Bicicletada. Embora estupefatos pela inesperada notícia, avisada durante a concentração, 65 ciclistas dirigiram-se ao local. Ocupando uma das faixas da Av. Madre Benvenuta, os ciclistas e suas bicicletas deitaram sobre o asfalto em uma homenagem. Em silêncio, chamaram a atenção dos motoristas que passavam para o fato de que a bicicleta é um veículo e, componente frágil do trânsito, merece ser respeitada.

Houve apoio generalizado pelos que passavam por ambos os lados da via, que não se registraram pontos de engarrafamento.

Ciclistas deitam sobre o asfatlo no local do acidente. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

A Bicicletada continuou seu percurso pela Rod. Admar Gonzaga (Itacorubi), R. Veras Linhares de Andrade, R. João Pio Duarte Silva (Córrego Grande), R. Delfino Conti, R. Lauro Linhares (Trindade), R. Delminda Silveira, R. Dr. Carlos Corrêa, Av. Gov. Irineu Bornhausen (Agronômica), Av. Prof. Henrique da Silva Fontes, R. Pres. Gama Rosa, R. Lauro Linhares e Av. Madre Benvenuta (Trindade), terminando o percurso pouco antes das 21h.

A alegria e a irreverência chamavam a atenção dos motoristas e dos transeuntes com gritos de “Pra não infartar, tem que pedalar” e, como desejos gerais, “Mais bicicletas! Menos Carros!” e “Cadê a Ciclovia!? Cadê a Ciclovia!?”

Fotos:
Fabiano Faga Pacheco
João Paulo Tudeschini

Fabiano Faga Pacheco

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Porto Alegre e as bicicletas

Um dos painéis do Fórum Mundial da Bicicleta, realizado em 24 de fevereiro, na capital gaúcha, abordou “Porto Alegre e as Bicicletas – Problemas e Soluções”, contando com a presença de Régulo Ferrari, técnico da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Na platéia, o diretor-presidente da EPTC e também secretário municipal de Mobilidade Urbana, Vanderlei Luis Cappellari. Com uma certa infelicidade, o que os participantes puderam observar é que há mais problemas do que soluções a caminho.

As discussões do primeiro Plano Diretor Cicloviário (PDC) de Porto Alegre datam de 1981. Consultores afirmaram, entretanto, que um PDC era desnecessário, alegando haver legislação federal e municipal (neste caso, o próprio Plano Diretor Municipal) suficiente. Reforçavam, entretanto, que seria interessante um instrumento, tal qual o PDC, para ocasionar pressão política para a implementação de ciclovias.

A estratégia utilizada para as primeiras ciclovias do município acabou sendo a de iniciar por locais onde houvesse menor interferência no deslocamento dos modais motorizados.

Desencontros

A ciclovia da Av. Beira-Rio não saiu pela falta de conexão entre diferentes órgãos. A EPTC fez o calçadão, largo, com mais de 10m. A ciclovia, ao lado, seria feita por uma empresa de saneamento básico. Ao final do prazo, a empresa buscou a EPTC, tentando ver se haveria algum projeto para eles executarem. Desconhecendo o fato, afirmou que não. A realidade hoje não conta com essa ciclovia permanente. E projetos continuam desconhecidos.

O ar que tu respiras

Porto Alegre é a segunda capital do país, apenas após São Paulo (SP), em pior qualidade do ar. Como o município não conta com indústrias importantes no que tange ao lançamento de poluentes no ar, visto que sua economia é movida principalmente por serviços e comércios, grande parte dessa poluição vem do escapamento de automóveis.

Pesquisas para o futuro e realidade do presente

Em 2003, foi realizada em Porto Alegre uma ampla pesquisa da Origem-Destino (OD). Quatro anos depois, foram divulgados os dados de contagens e entrevistas, inclusive com ciclistas, sobre mobilidade na cidade. Entretanto, isso não foi suficiente para a implementação de novas ciclovias. E parece que nem o recente atropelamento coletivo de ciclistas da Massa Crítica fez-se alterar substancialmente a situação. Em média, pouco mais de 100m de ciclovias são implantados por ano em Porto Alegre. Número pífio que coloca a cidade em situação ridícula quando se trata de mobilidade sustentável.

Atualmente, a capital gaúcha conta com menos de 8km de ciclovias ditas permanentes e cerca de 15km voltadas para o lazer de domingo, sendo que parte destas últimas também foi desativada devido à falta de material humano para conter os estacionamentos irregulares de moradores sobre a pista ciclável. Moradores estes que, diga-se de passagem, não foram consultados sobre a implantação da ciclofaixa para o lazer.

São estas as ciclovias ditas permanentes:

2,0 km –> Diário de Notícias
1,2 km –> Ipanema
4,6 km –> Restinga

Total: enxutos 7,8 km.

Para completar, Régulo afirmou que “a metologia rodoviarista não deve ser aplicada à cidade”. Esse método funciona sob demanda e não serve para zonas urbanas onde a carência de ciclistas pode indicar, acima de tudo, uma demanda fortemten reprimida de potenciais usuários da bicicleta.

Fabiano Faga Pacheco
(Colaborou Juliana Diehl)

Saiba mais:

Saiba mais sobre o Plano Cicloviário de Porto Alegre – 25/2/2008

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