Ônibus & ciclistas: bom exemplo e mau exemplo

Desde o abalroamento que acabou resultando na morte da estudante de Oceanografia Lylyan Karlinski Gomes, no primeiro dia deste mês, muitas movimentações foram feitas a fim de se equacionar a relação complementar que o transporte coletivo e a bicicleta deveriam ter no dia a dia.

Se a avaliação das articulações desse último mês são positivas, vemo-nos ainda distante de uma situação ideal.

Confira o seguimento do bom exemplo que a Canasvieiras vem conduzindo e a péssima atitude de um motorista da Insular neste fim de julho.

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Empresas de ônibus mexem-se após morte de ciclista

As empresas-irmãs Transporte Coletivo Estrela e Insular Transporte Coletivo lançaram, em 11 de julho, nota à imprensa informando que os ônibus que fizerem as linhas UFSC passaram a contar com monitoramento por câmeras de segurança. Ela foi lançada 10 dias após a morte da jovem Lylyan Karlinski Gomes, que faleceu após ser atingida por um coletivo da empresa Insular.

Segue abaixo a nota das empresas na íntegra:

Buscando pela melhoria de atendimento e segurança dos nossos usuários, a Empresa Insular implantará em todos os veículos que fazem as linhas UFSC o sistema de câmeras.

A solicitação destes equipamentos já foi e em breve todos estes veículos estarão sendo monitorados.

Quais as vantagens de um veículo monitorado para você, usuário de transporte coletivo?

– A empresa estará sempre ciente da forma que foi executado todo o percurso diariamente. Podendo assim efetuar uma cobrança maior de seus colaboradores envolvidos.

– O motorista que opera em um sistema monitorado busca sempre a melhor forma de conduzir o veículo. O que aumenta a segurança e o conforto de todos os usuários

– O sistema atua como inibidor de assaltos. O que trará mais segurança para você.

– Qualquer evento que ocorrer durante a viagem poderá ser apurado de forma concreta.

Assessoria de imprensa.
Transporte Coletivo Estrela
Insular Transporte Coletivo

Segundo membros de movimentos por melhorias no transporte coletivo, as câmeras não melhorarão as condições de trabalho para motoristas e cobradores. Apesar de úteis para evitar furtos, elas serviriam apenas para avaliar o comportamento dos empregados das empresas. Se, por um lado, isso é bom para se evitar imprudências ao volante, por outro não modifica a lógica que leva alguns motoristas a cometerem infrações de trânsito para conseguirem cumprir os curtos horários entre duas viagens subseqüentes.

Ainda assim, vale lembrar que diversas reclamações perante motoristas da empresa Insular ocorrem em trajetos do sul da Ilha de Santa Catarina, não nas proximidades da UFSC.

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3 segundos é a diferença entre uma ultrapassagem segura e um assassinat. Motorista: você pe um profissional do transporte público, não um piloto de corrida.

Estudante de Oceanografia não resiste e falece após ser atingida por ônibus em Florianópolis

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O semestre está quase terminando para os alunos da Universidade Federal de Santa Catarina. Mas a manhã de 1º de julho de 2013 ficará na memória de toda a vida acadêmica de uma turma do curso da universidade. Próximo do horário de início das aulas, às 8h20, uma das alunas do primeiro ano do curso de Oceanografia ainda não havia chegado à aula. Não o faria mais.

Lylyan Karlinski Gomes tinha 20 anos de idade. Pouco tempo antes, trouxera a bicicleta de sua cidade natal, Porto Alegre, para poder usá-la em Florianópolis. Foi neste fatídico dia que, com a mesma bicicleta, seguia rumo à universidade. Próximo da rótula da Trindade, onde a UFSC faz fronteira com a Praça Santos Dumont, até bem pouco tempo atrás local certo dos happy hours dos estudantes que aproveitavam o Bar do Pida para relaxar após os estudos, um motorista relaxou ao volante.

O condutor do ônibus da empresa Insular não viu a ciclista, que seguia no sentido do tráfego, conforme preza a lei. A distância que aproxima (o 1,5m que o motorista deve se afastar do ciclista para ultrapassá-lo) não existiu. Lylyan foi parar sob o coletivo, sendo percebida antes pelo cobrador do que pelo motorista. Sofreu lesões no lado esquerdo, resistiu à primeira parada cardiorrespiratória, mas não aguentou e faleceu pouco após chegar ao Hospital Universitário.

Lylyan Karlinski Gomes, com humor ao pedalar. Fonte: Divulgação / Facebook.

Lylyan Karlinski Gomes, com humor ao pedalar. Fonte: Divulgação / Facebook.

Não são poucos os agentes que contribuíram para que o bom humor e otimismo da jovem Lylyan se esvaísse. Embora muito se tenha comentado sobre bicicleta nos últimos anos, nenhuma ciclovia ou ciclofaixa decente saiu na região da Bacia do Itacorubi conforme os ciclistas esperavam, incluindo a da Rod. Admar Gongaza. Até mesmo as ciclofaixas do Centro ficaram aquém do que prediziam os seus projetos originais.

Por outro lado, muito pouco se avançou em relação ao comportamento dos condutores de veículos coletivos no trânsito. Exatos quatro meses antes, em 1º de março, um veículo da mesma empresa, Insular, atropelou a cicloativista e bike anja Thaís Suzana Schadech no sul da Ilha. Já na noite do dia 05 de março, mesmo sob chuva, cerca de 15 ciclistas fizeram uma manifestação diferente no Terminal de Integração do Rio Tavares. No evento intitulado “Motorista, sua pressa = minha vida?”, foram entregues panfletos aos motoristas e cobradores dos ônibus da Insular. As promessas de outrora de reciclagem e re-educação de motoristas parecem ontem não ter surtido efeito.

Com essa situação, faz-se necessário que também a prefeitura atue, fazendo cumprir o item 16 do Termo de Compromisso com os Ciclistas, em que o chefe do executivo prometia:

“Fiscalizar a qualificação do profissional condutor de veículo de transporte coletivo, visando a evitar conflitos entre ônibus e ciclistas, por meio de cursos práticos como os ministrados no município de São Paulo”

Além disso, é necessária uma postura mais pró-ativa de órgãos como a própria universidade e o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, que conta com estudos para melhoramentos cicloviário e peatonal no local. Resta saber agora se as promessas de ciclovias ligando as universidades, tão propagadas em janeiro deste ano, não serão apenas palavras ao ar, mas que se tornarão realidade, contribuindo para que fatalidades como a que vitimou Lylyan nunca mais voltem a acontecer nos arredores do antro acadêmico.

Fabiano Faga Pacheco

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