Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito

– A reunião lotou o Café dos Esportes. Faltou cadeira, demonstrando o interesse da população no tema.

– Alexandre, atleta da IronMind, passou por ambos os ciclistas instantes antes. Os ciclistas estavam na grama, circulando após o guard rail. Foram atingidos na grama, a 4,5m! O ciclista falecido, Emílio Delfino Carvalho de Souza voou sobre o carro, parando próximo a Alexandre.

– O motorista Lucas Collovini estaria com pulseirinha de balada e com forte cheiro etílico

– Há apenas 4 bafômetros em Florianópolis. Um ciclista que treinava no domingo, ao passar na saída de uma balada (a Pacha), viu policiais militares controlando o trânsito, ajudando os motoristas, alguns visivelmente alterados, a saírem das noitadas.

– A juíza Ana Luísa Schmidt Ramos estava de plantão no dia do acidente do Rodrigo Lucianetti. Foi a primeira noite da Lei Seca na cidade. Ela, à época, não pedalava. Começou a usar a bicicleta há um ano e meio. No dia, morreram duas pessoas (um motociclista foi o outro). Ela, desde o princípio, considerou o caso como homicídio doloso.

– Os advogados do motorista Thiago Luiz Stabile queriam que os ciclistas Lucianetti e Marcelo Godoy realizassem exames de sangue. Achavam que uma barrinha de cereal fosse maconha… Obviamente, ambos não estavam drogados, ao contrário de Thiago, que se encontrava alcoolizado.

– Uma das declarações mais comoventes veio de João Paulo Garibaldi, aluno da nona fase da Medicina, que afirmou que estavam todos consternados e manifestou a solidariedade e disposição do Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALIMED) em colaborar no que for possível.

– Declarações da Polícia Militar Rodoviária quando de ligações de ciclistas que, no acostamento, observaram veículos cujos motoristas aparentam estar embriagados têm sido desencorajadoras, ocasionando inação deste órgão e ineficácia na aplicação da Lei Seca, além de impunidade no trânsito.

Encaminhamentos:

– Exigir que as autoescolas obrigatoriamente passem a ministrar conteúdos da legislação referente à circulação de bicicletas. Pedir a obrigatoriedade de uma questão referente à bicicleta no exame do DETRAN.

– Pedir a marcação da data do júri popular do motorista que atropelou Rodrigo Lucianetti.

– Marcar reunião no Ministério Público e outros órgãos.

– Exigir mais bafômetros para o Estado e efetiva fiscalização nas rodovias estaduais, com o cumprimento da Lei Seca já.

– Triatletas participarão da competição no sábado com faixas pretas no braço, uma vez que não poderão comparecer à Bicicletada.

– Próxima reunião no Café dos Esportes na terça-feira que vem, às 19h, para marcar uma megamanifestação em prol da vida no trânsito, possivelmente o Pedal do Silêncio.

Floripa discute impunidade no trânsito

Nesta terça-feira, dia 7 de fevereiro, às 19h, no Café dos Esportes, anexo à Della Bikes, na R. Juvêncio Costa nº 269, a IronMind, equipe pela qual treinava Rodrigo Machado Lucianetti, morto por um motorista embriago em agosto de 2008 na SC-402, em Jurerê, e homenageado com a primeira ghost bike (bicicleta-fantasma) de Florianópolis, vai acontecer reunião para se tratar de ações contra a impunidade no trânsito e a responsabilização por sinistros.

No acidente que aconteceu ontem na SC-401, que vitimou Emílio Delfino Carvalho de Souza, estudante de Medicina de 21 anos, e que feriu seu amigo Nicolas Paolo Zanela, um dos integrantes da equipe não foi vitimado por detalhes.

O motorista do Fiesta que o atropelou afirmou ter dormido ao volante e já foi liberado. Não se tem notícia de que a polícia, que retirou o motorista da cena do acidente para evitar um linchamento, tenha lavrado um termo de constatação de embriguez.

O corpo de Emílio será enviado a Jacareí, onde reside sua família.

Sentimento extravasado

Nesta sexta-feira, em meio à Bicicletada Floripa, deparamo-nos com o Roberto Lemos, da IronMind, equipe da qual já cheguei a participar e pela qual estavam treinando os triatletas Rodrigo Lucianetti Machado e Marcelo Occhialini Godoy, quando um guri praticamente da minha idade, embrigado, atingiu-os no acostamento na pista contrária, causando a morte de Rodrigo e graves sequelas ao Marcelo.

Semana passada, o caso foi à frente. Abordei um ciclista com a camisa da IronMind na ciclovia da Av. Beira-Mar Norte no mesmo momento em que acontecia uma audiência sobre o caso. Alguns minutos depois, alguém me passa um celular mostrando a mensagem abaixo.


De fato, os ânimos exaltados não deixam de expressar uma sensação de alívio e, quiçá, o fim da impunidade para os crimes de trânsito que tanto fazem temer aqueles que fazem da bicicleta seu meio de vida, de lazer e/ou de locomoção.

Saiba mais:

Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo.
Para não esquecer – Primeira ghost bike de Florianópolis – reportagem do Diário Catarinense, versão impressa, sobre a Passeata pela Vida.
Começa julgamento do jovem embriagado que assassinou triatleta após Lei Seca – o Jornal Notícias do Dia alerta sobre a primeira audiência do caso em questão.
Ato pede segurança para ciclistas – vídeo do programa SC no Ar.
Passeata faz homenagem a triatleta morto ao ser atropelado por motorista bêbado – reportagem do Diário Catarinense sobre a Passeata pela Vida.
Motorista embriagado provoca morte de ciclista em Florianópolis – reportagem do Diário Catarinense sobre a tragédia dos ciclistas.
Papo no Deinfra: sobre bicicletas em acostamento e o caso de Jurerê – conteúdo do Bicicleta na Rua mostra que se pensava em retirar as bicicletas-fantasmas dos locais onde foram instaladas.

Veja também:

Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região. O caso em questão inaugura a lista. O último falecimento ocorreu neste mês em ciclofaixa recém-inaugurada.

Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular

Notícia publicada no blogue do Moacir Pereira em 19 de janeiro de 2012, às 16h41, que pode ser vista também neste link.

A sentença de pronúncia proferida em Ação Penal Pública ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) contra Thiago Luiz Stabile, por homicídio consumado e por tentativa de homicídio, foi mantida pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. A sentença de pronúncia determina o julgamento do réu perante o Tribunal do Júri. Thiago é acusado de, sob efeito de álcool, atropelar dois ciclistas, tendo causado a morte de um dele. A denúncia apresentada pela 36ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital narra que, em agosto de 2008, Thiago conduzia seu automóvel em alta velocidade na Rodovia SC-402, no sentido Centro-Jurerê, quando, nas proximidades do clube “El Divino”, passou para a pista contrária, atropelou e matou Rodrigo Machado Lucianetti e causou lesões corporais graves em Marcelo Occhialini Godoy.

Consta na denúncia do Ministério Público que o acusado tentou fugir do local, mas não conseguiu em função dos danos sofridos em seu automóvel. No momento em que foi abordado pela Polícia Militar, o teste de alcoolemia de Thiago revelou a concentração de 0,73 mg/l de álcool por litro de ar expelido nos pulmões.

A defesa apelou para tentar reverter a pronúncia, ao argumento de que não houve apreciação de suas teses, entre elas a de abuso de poder dos policiais que algemaram o réu, além do fato de o juiz sentenciante não ser o mesmo que presidiu a instrução dos autos. Requereu, ainda, a absolvição sumária ou, em último caso, a desclassificação dos crimes para homicídio não intencional. Todos os itens foram rechaçados pela câmara.

“A existência de indícios consistentes, apontando o acusado como autor do delito, é suficiente para autorizar o envio do feito à sessão plenária do júri”, disse o desembargador Carlos Alberto Civinski, relator do recurso. Para ele, “é incabível a absolvição sumária, fundada na alegação de [ausência] de embriaguez, uma vez que há indícios de autoria diante dos depoimentos colhidos dos policiais militares que realizaram o flagrante e de testemunhas que presenciaram a abordagem policial, além do teste de alcoolemia realizado logo após os fatos”. Cabe recurso da decisão.

Saiba mais:

Para não esquecer – Primeira ghost bike de Florianópolis – reportagem do Diário Catarinense, versão impressa, sobre a Passeata pela Vida.
Começa julgamento do jovem embriagado que assassinou triatleta após Lei Seca – o Jornal Notícias do Dia alerta sobre a primeira audiência do caso em questão.
Ato pede segurança para ciclistas – vídeo do programa SC no Ar.
Passeata faz homenagem a triatleta morto ao ser atropelado por motorista bêbado – reportagem do Diário Catarinense sobre a Passeata pela Vida.
Motorista embriagado provoca morte de ciclista em Florianópolis – reportagem do Diário Catarinense sobre a tragédia dos ciclistas.
Papo no Deinfra: sobre bicicletas em acostamento e o caso de Jurerê – conteúdo do Bicicleta na Rua mostra que se pensava em retirar as bicicletas-fantasmas dos locais onde foram instaladas.

Veja também:

Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região. O caso em questão inaugura a lista. O último falecimento ocorreu neste mês em ciclofaixa recém-inaugurada.

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