Ciclistas de Florianópolis, Itapema e Porto Alegre inconformados

O último mês tem sido extremamente difícil para os ciclistas das cidades catarinenses de Itapema e Florianópolis e da capital gaúcha Porto Alegre. Seguidos acontecimentos na política e nos tribunais contribuíram muito para essa situação.

Florianópolis, SC

Os ciclistas de Florianópolis permanecem indignados. Além de perderem ciclovias durante o ano, vêm obras anunciadas em acabamento sofrível para se pedalar. A ciclovia do Rod. Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, está sendo feita sem respeitar o projeto executivo, com claro prejuízo aos ciclistas. A ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus foi retirada devido a obras de recapeamento e implantação de dutos de saneamento básico e não será reimplementada até o final do ano. Além disso, a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga, no Itacorubi, que está sendo feita pela CELESC e deveria ter ficado pronta em janeiro de 2010, está sofrível a ponto de metade dos ciclistas pedalarem nas ruas. No Campeche, a Polícia Militar Rodoviária Estadual manda os carros estacionarem da ciclofaixa da Av. Pequeno Príncipe e hostiliza os ciclistas que passam pelo trecho nesse período, chegando a gritar “atropela mesmo” aos veículos automotores, sem fornecer opção ao deslocamento por bicicleta, conforme denúncias que chegaram a este blogue.

Como se não bastasse tudo isso, o governo do Estado não está implantando ciclovia na SC-405, no Rio Tavares, mesmo com determinação judicial para isso e, na SC-401, entre Canasvieiras e Ingleses, o acostamento foi dividido para dar lugar a uma ciclofaixa, em total contrasenso e inobediência ao projeto executivo e às normas internacionais. Nessa via, a velocidade máxima, de 80km/h, não é respeitada por 93% dos motoristas, que comumente trafegam a mais de 100km/h, com a anuência da fiscalização da própria Polícia Militar Rodoviária Estadual que põe ciclistas em risco também no sul da Ilha.

Esse é o clima pesado com que se iniarão as comemorações da Bicicletada Floripa de Natal, cuja concentração será na praça de skate em frente ao Shopping Iguatemi, a partir das 18h, com saída prevista para às 19h em ritmo tranqüilo e destino definido na hora pelos participantes. Festeje essa pedalada com sua família, seus amigos e aqueles que você quer que estejam sempre ao seu lado!

As leis de trânsito são respeitadas e, em caso de chuva, a Bicicletada está automaticamente CONFIRMADA.

Itapema, SC

Itapema já foi citada aqui como cidade amiga da bicicleta, justamente pela ciclofaixa da Avenida Nereu Ramos. Pois bem, a ciclofaixa de parte dessta rua foi retirada num projeto urbanístico que não se pode chamar de pífio, mas que certamente contém equívocos importantes que, a médio prazo, prejudicarão o trânsito da cidade e não vai resolver o problema de mobilidade dela, como já se poderá observar nesta temporada de verão. A ciclofaixa foi retirada para abertura de nova pista de automóveis, mantendo-se vagas de estacionamento e criando-se um corredor para ônibus, táxis, veículos de emergência e motocicletas. Os ciclistas podem utilizar-se, nesse trecho, de ciclofaixa do Parque Calçadão, à beira-mar.

Em outras palavras, Itapema, sem dúvida, deu um passo na contramão da história. Rebaixou a bicicleta de veículo de deslocamento para brinquedo de lazer, dificultando e tornando perigoso o trânsito de bicicletas em plena área comercial e de serviços da cidade. Deve-se salientar, também, que a audiência pública que definiu essas alterações não contou com presença participativa de ciclistas e que a decisão da prefeitura não se baseia em sólido estudo técnico, uma vez que são desconhecidos os números de veículos automotores e de transporte ativo que transitam na cidade nesse trecho e nem se conhecem os impactos que essas alterações trarão às vias adjacentes.

Se bem fiscalizadas, essas alterações ainda deixarão Itapema à frente da maioria das cidades catarinenses em termos de mobilidade, mas ainda assim se constitui num retrocesso em termos de política pública. O ideal era que a implantação da pista exclusiva para ônibus e veículos oficiais e coletivos ocorrer no leito carroçável, utilizando-se, para isto, uma das pistas utilizadas pelos veículos automotores.

Saiba mais:

População de Itapema decide mudanças na Avenida Nereu Ramos

Porto Alegre, RS

Parece piada, mas não é! Mais uma dessas pérolas surgiuvinda direta do caso do bancário Ricardo José Neis, que atropelou e feriu ao menos 16 ciclistas durante a Bicicletada de Porto Alegre, num ato que provocou manifestaçõesem prol das vítimas em vários países.

O promotor de justiça Fábio Roque Sbardellotto, do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, enviou o seguinte ofício abaixo em que escreveu:

Senhor Comandante:
Com a honra de cumprimentá-lo, e com o escopo de instruir o Inquérito Civil supra, instaurado para “investigar potencial infração a ordem urbanística em razão de irregularidades nos eventos organizados pelo grupo de ciclistas Massa Crítica, nesta Capital”, solicito que informe, no prazo de 30 dias, o nome de todos os componentes do grupo e do representante, se houver, bem como indique de que maneira o grupo atua e comprove, conforme preceitua o artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, a prévia comunicação às autoridades competentes antes da realização dos encontros, com a indicação de trajetos, para possibilitar a organização do trânsito local.”

Oras, para bom entendido, o desconhecimento de causa do promotor chega a provocar risos. A começar pelo fato de que não existe um grupo de ciclistas chamado Massa Crítica, que é uma coincidência rizomática. Não existe necessidade de comunicação às autoridades, ao contrário do que afirma o juiz, e nem representantes e nem componentes de grupo, até pelo fato de não haver grupo.

Os motoristas saindo de seus trabalhos ou residências, inúmeros ao mesmo tempo, por uma coincidência da organização econômica e social vigente não precisam avisar às autoridades que ajudarão a provocar congestionamentos no trânsito. As “autoridades competentes” já sabem disso! Quando vizinhos vão a uma mesma festa, ou os torcedores saem dos estádios de futebol, não comunicam sua saída. Simplesmente o fazem. Que sentido faria, então, os ciclistas comunicarem que vão se deslocar pelas ruas da cidade, por ventura com outros ciclistas? Nenhum!

Enquanto isso, Ricardo Neis segue livre em sua casa. O seu processo deve acabar em júri popular.

Os ciclistas, como não poderia deixar de ser, aproveitaram-se das palavras do promotor para inspirarem-se no tema da Bicicletada de dezembro, que deve ocorrer nesta sexta-feira.

A concentração ocorrerá no Largo Zumbi dos Palmares, a partir das 18h30. A saída será às 19h, aproximadamente, em destino que qualquer um pode escolher na hora.

Saiba mais:

AI-5 de novo? MP investiga a Massa Crítica de Porto Alegre

Aluguel de bicicletas de Florianópolis deve ficar pronto em novembro de 2012

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na versão on line do Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, em 28 de setembro de 2011. Você também pode também ler a matéria no site do ND aqui . As pequenas correções foram feitas direto no texto.

Florianópolis terá serviço de aluguel de bicicletas em novembro de 2012

Projeto será semelhante ao do Rio de Janeiro conhecido como Samba.

Seguindo o exemplo de cidades como Paris, Barcelona e Rio de Janeiro, a Capital de Santa Catarina passará a oferecer aluguel de bicicletas na região central da cidade e nos bairros Agronômica, Trindade, Itacorubi e Córrego Grande. O Floribike terá 111 estações e 1.395 bicicletas. A expectativa é de que o serviço passe a operar em novembro de 2012.

O primeiro passo para implantação foi dado nessa quinta-feira com o anúncio do projeto e da audiência pública que definirá o conteúdo do edital de licitação. De acordo com a diretora de planejamento do Ipuf, Vera Lúcia Gonçalves da Silva, serão necessários seis meses para definir o edital, habilitar as empresas canditadas e anunciar a vencedora. Depois disso, são mais oito meses para implantação.

A diretora de planejamento explica que o Floribike funcionará por concessão, ou seja, a prefeitura cederá o espaço público para instalação das estações e a empresa vencedora arcará com os custos dos equipamentos. Os pontos de aluguel de bicicletas já foram definidos, no entanto, ainda não se sabe qual tecnologia será utilizada e qual será o valor do aluguel.

No entanto, Vera Lúcia lembra que o Floribike será semelhante ao sistema de aluguel de bicicletas do Rio de Janeiro, implantado em 2008 e conhecido como Samba (Solução Alternativa para Mobilidade por Bicicleta de Aluguel). Nele, o usuário ganha os primeiros trinta minutos de uso e partir daí paga R$ 10 pela diária, R$ 30 pela semana e R$ 350 para o ano inteiro. Na maioria dos casos, o pagamento é feito com cartão de crédito.

Meta é desafogar o trânsito

Entre os benefícios do aluguel de bicicletas para a mobilidade urbana de Florianópolis está a diminuição do uso do carro e do ônibus em pequenas distâncias (em um raio de 5km). “A pessoa usa o veículo para as longas distâncias, como do Norte ao Centro ou do Sul ao Centro, e na região central se descola de bicicleta”, comenta Vera Lúcia.

O Floribike foi dividido em dois núcleos: o central e o universitário. O primeiro terá 66 estações e 830 bicicletas e inclui pontos como o Ticen (Terminal de Integração do Centro) e ruas e avenidas como Beira-mar, Bocaíuva, Almirante Lamego, Othon Gama D’eça, Mauro Ramos, Rio Branco, Paulo Fontes e Felipe Schimidt.

Já o núcleo universitário, que engloba os bairros Itacorubi, Córrego Grande e Trindade, terá 45 estações com 565 unidades e inclui ruas e avenidas como Gov. Irineu Bornhausen, Lauro Linhares, Titri (Terminal de Integração da Trindade), rodovia Ademar Gonzaga e avenida Madre Benvenuta (Udesc).

Pontos de aluguel de bicicletas

Núcleo central (66 estações com 830 bicicletas)

– Av. Beiramar (trapiche) – 2 estações de 15 unidades.
– Rua Bocaiúva/Almirante Lamego – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Prof.Othon Gama D’eça – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Beira-mar – 2 estações de 15 unidades.
– Rua Bocaiúva – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Trompowsky– 1 estação de 15 unidades.
– Rua Bocaiúva (entorno do Shopping Beiramar) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Mauro Ramos – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Rio Branco – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Beiramar (Entre a Avenida Rio Branco e a Rua Des. Arno Hoeschl) – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Desembargador Arno Hoeschl – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Rio Branco – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Rio Branco (próximo ao Angeloni) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Prof. Othon Gama D’eça – 2 estações de 10 unidades.
– Avenida Rio Branco (1° Regimento da Polícia Militar) – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Santo Inácio de Loyola – 1 estação de 15 unidades.
– Largo Benjamin Constant – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Hercílio Luz– 1 estação de 15 unidades.
– Av. Mauro Ramos – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Adolfo Konder– 1 estação de 15 unidades.
– Av. Paulo Fontes (Encontro com a Rua Hoepcke) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Paulo Fontes (Rodoviária Rita Maria) – 3 estações de 25 unidades.
– Rua Padre Roma – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Felipe Schmidt (Largo Fagundes) – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Osmar Cunha – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Deodoro – 2 estações de 10 unidades.
– Largo da Catedral – 2 estações de 15 unidades.
– Rua Marechal Guilherme – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Hercílio Luz – 2 estações de 10 unidades.
– Praça Getúlio Vargas – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Hercílio Luz – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Mauro Ramos (Instituto Federal de Educação) – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Paulo Fontes (Acesso ao Ticen) – 3 estações de 15 unidades.
– Rodovia Governador Gustavo Richard – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Paulo Fontes – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Procurador Abelardo Gomes – 2 estações de 10 unidades.
– Terminal Urbano de Florianópolis – 2 estações de 15 unidades.
– Praça Tancredo Neves – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Hercílio Luz (Instituto Estadual de Educação) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Mauro Ramos (Instituto Estadual de Educação) – 2 estações de 10 unidades.

Núcleo universitário (45 estações com 565 unidades)

– Av. Beira-mar (Praça Governador Celso Ramos) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Beira-mar (Praça República da Grécia) – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Rui Barbosa – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Gov. Irineu Bornhausen – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Gov. Irineu Bornhausen (Teatro do CIC) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Lauro Linhares – 1 estação de 15 unidades.
– Titri – 2 estações de 15 unidades.
– Rodovia Admar Gonzaga – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Willian Richard Schisler Filho – 1 estação de 15 unidades.
– Rodovia Admar Gonzaga – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Madre Benvenuta (Udesc) – 3 estações de 15 unidades.
– Rodovia Amaro Antônio Vieira – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Henrique da Silva Fontes – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Madre Benvenuta – 2 estações de 10 unidades.
– Rodovia Admar Gonzaga (Celesc) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Lauro Linhares (Esquina com a Av. Madre Benvenuta) – 1 estação de 15 unidades.
– Rodovia Ademar Gonzaga (Entre a Rua Vera Linhares de Andrade e Avenida Buriti) – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Lauro Linhares (Praça Santos Dumont) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Delfino Conti – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Henrique as Silva Fontes – 2 estações de 15 unidades.
– Rua João Pio Duarte da Silva (Parque Ecológico Córrego Grande) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua João Pio Duarte da Silva (Encontro com a Rua Mto. Aldo Krieger) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Cap. Romualdo de Barros – 2 estações de 10 unidades.
– Rua João Pio Duarte da Silva – 2 estações de 10 unidades.
– Praça Edison P. do Nascimento – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Dep. Antonio Edu Vieira (Eletrosul) – 1 estação de 15 unidades.

Aline Rebequi

Saiba mais:

Florianópolis espera contar com bicicletas públicas em 2012

Veja também:

(Bicicultura) Jornal Bom Dia – Sorocaba terá mais ciclovias
(Bicicultura) Serttel aborda a iniciativa das bicicletas públicas

(Mobilidade nas Cidades) Entrevista com Dário Berger

Conteúdo Especial - Bicicleta na Rua

Dário Berger, prefeito de Florianópolis, participou da cerimônia de abertura do I Fórum das Américas sobre Mobilidade nas Cidades, realizado na capital catarinense entre os dias 22 e 24 de março deste ano. Após discursar para os participantes, ele nos concedeu a seguinte entrevista, transcrita integralmente abaixo.

Como você prevê que estará a questão da mobilidade em Florianópolis ao final da sua gestão?

Eu diria que substancialmente melhor, mais ampliada do que quando eu evidentemente assumi a Prefeitura. Sabe que nós construímos o Elevado do Itacorubi, o Elevado de Campinas, estamos construindo agora o Elevado do Trevo da Seta e vamos construir o Elevado do Rita Maria, que são gargalos importantes e fundamentais de congestionamento que provocam enormes filas. Além disso, nós estamos investindo na mobilidade urbana como conceito de cidade, entendeu? Não é só a construção de elevados. Nós estamos pensando no pedestre, melhorando as calçadas para as pessoas caminharem, nós estamos investindo em ciclovias, para ter um novo meio de transporte alternativo, e nós estamos pensando em um outro modal de transporte urbano, que seria o metrô de superfície, que está sendo estudado e que, mais cedo ou mais tarde, terá que ser implantado. Além disso, nós estamos revitalizando os principais balneários com essa infraestrutura, proporcionando, assim, maior conforto e maior segurança em praticamente a cidade inteira.

Quais ciclovias você acredita que serão, de fato, implementadas em Florianópolis nos próximos anos?

Bem, hoje eu acabei de inaugurar a ciclovia do Campeche que liga o Rio Tavares. Mas agora nós vamos fazer a terceira pista da SC-405, que liga o Trevo da Seta até o Rio Tavares. A partir desse momento será construída  também uma nova ciclovia. Então você vem do Campeche até o centro da cidade por um sistema alternativo de ciclovia, porque você pega a Via Expressa Sul, que já existe a ciclovia, e vem até o centro da cidade por  uma ciclovia, liga com a Beira-Mar. Você pode observar que a Beira-Mar está completamente em obras, nós estamos fazendo todo o enrocamento, vamos ampliar as calçadas e vamos remodelar a ciclovia. Além disso, nós temos projetado todas as nossas rotas de tal forma que possam obedecer à pavimentação da rua, ao melhoramento da rua, mas também com as calçadas e com as ciclovias. Acho que nós estamos avançando bastante, acho que demos um primeiro passo e, daqui para frente, essa questão da mobilidade observada mais como um desenho urbano, e não só como a criação de novas ruas para  veículos. A nossa prioridade tem sido também colocar as pessoas em primeiro lugar em detrimento dos motores e dos veículos.

A ciclovia da Bocaiúva foi inaugurada há quase um ano. Ela, ainda hoje, não foi finalizada e volta e meia é difícil você passar por ela, justamente porque volta e meia há carros estacionados lá. A ciclovia do Rio Tavares ainda tem alguns postes no meio do caminho. Você pode falar o vai ser melhorado nas ciclovias e sobre a Osni Ortiga, vagamente falar na Osni Ortiga e no Itacorubi, que já devia ter saído no começo do ano?

Bem, a Osni Ortiga é um obra extremamente importante, uma reivindicação antiga, e a minha opinião é que nós temos que, em primeiro lugar, fazer é uma nova ponte na Lagoa da Conceição, de tal maneira que nós possamos oxigenar a lagoa pequena, porque a lagoa pequena tem só um canalzinho ali que a alimenta, que tem provocado grandes prejuízos à fauna e à flora daquela região. Concomitantemente com isso, nós temos um projeto de acesso alternativo à Avenida das Rendeiras para a Joaquina. E também temos já o projeto concluído da ciclovia da Osni Ortiga. Infelizmente, não existe recurso para que a gente possa fazer tudo ao mesmo tempo. Se nós tivéssemos essa possibilidade, meu desejo era que eu pudesse fazer todos esses projetos, implantar de uma forma imediata e bastante rápida. Mas, como você pode ver, a cidade está em constante transformação. Se você observar, na Avenida Hercílio Luz se criou um espaço urbano completamente diferente, mais aprazível, inclusive agora passa a ser uma alameda cultural. Se você vai para Canasvieiras, o centro de Canasvieiras foi todo remodelado também, com ciclovia, com calçadas e com passeio. Se você vai para Ingleses também. Se você agora vai para Cacupé, Santo Antônio e Sambaqui nós estamos também reconstruindo todos os nossos principais balneários. E evidentemente que temos um longo caminho a percorrer. E a outra questão que você me diz o seguinte. Ainda existem carros que estão estacionando em cima da ciclovia, ainda existem alguns postes que precisam ser removidos. São questões conjunturais que demandam, em primeiro lugar, uma alteração de concepção de utilização dos espaços urbanos. Acho que nós precisamos ter mais consciência, nós precisamos aprimorar, nós precisamos rever conceitos, reavaliar as nossas posições de tal maneira que a gente possa efetivamente construir a cidade que todos nós desejamos, que é uma cidade com mais espaços públicos, com mais verde, com mais qualidade para nos locomovermos, que seja de bicicleta, seja a pé, seja caminhando, ou seja com veículos, construindo os elevados, construindo as avenidas, de maneira que as pessoas possam se locomover com segurança e rapidez.

A ciclovia do Itacorubi e de Coqueiros, que estavam para sair, como é que está a questão delas?

Essa questão é como eu te digo, uma questão muito cultural. Existe uma reação muito grande de um segmento da sociedade que prefere que se mantenha o estacionamento a se fazer as ciclovias. Coqueiros, por exemplo, é uma via gastronômica e se utiliza aquele espaço para estacionamento para utilizar os principais restaurantes da orla. Então, isso tudo tem o seu tempo. O prefeito não é o imperador. O prefeito tem o poder da palavra e o poder do convencimento. A gente muitas vezes faz o projeto, mas tem dificuldade para implantar o projeto. E tem dificuldade até para fazer as pessoas compreenderem o projeto, como é o caso do nosso Plano Diretor, que nós fizemos agora que é democrático e participativo.

Dário Berger em entrevista para o Bicicleta na Rua durante o Fórum das Américas de Mobilidade nas Cidades. Foto: Juliana Diehl.

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“Nós precisamos rever conceitos de tal maneira que a gente possa efetivamente construir uma cidade com mais qualidade para nos locomovermos, que seja de bicicleta, seja caminhando, ou seja com veículos, construindo os elevados, construindo as avenidas, de maneira que as pessoas possam se locomover com segurança e rapidez.”

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“O Plano Diretor que nós elaboramos é um encanto! As pessoas de repente estão meio preocupadas porque não tiveram tempo de analisar profundamente ainda todos os detalhes que norteiam o Plano Diretor.

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Como está a parceria do governo do Estado com Florianópolis para que passe um trem pela Ponte Hercílio Luz?

O projeto de viabilidade econômica está em licitação. Vamos definir o traçado, definir a viabilidade econômica e depois, evidentemente, buscar os parceiros para a implantação do metrô de superfície, que possa atender, sobretudo, à região metropolitana, que seria, principalmente, nesse primeiro momento, São José e Florianópolis. Depois, São José, Palhoça, Biguaçu e Florianópolis.

Especificamente em Florianópolis tem alguma idéia de por que locais ele passaria?

Passa pela Ponte Hercílio Luz. A princípio, temos vários estudos. Poderíamos utilizar o próprio sistema viário existente como poderíamos usar a Beira-Mar Continental, ligando à Beira-Mar de São José em Barreiros, porque um dos grandes projetos que tem que sair do papel nos próximos anos é mais uma ligação entre a ilha e o continente. Como você pode observar há um saturamento de acesso entre a ilha e o continente. Sobretudo porque, se você observar no mapa, nós temos apenas o acesso sul de entrada da ilha. Você vem do sul do Estado, você vem de Criciúma, você vem de Porto Alegre, você vem de Palhoça, você entra e a tendência de você é ir para o Sul da ilha. O que que nós precisamos? Nós precisamos criar um novo acesso de entrada e de saída da ilha. Quem vem de Joinville, quem vem de Curitiba, quem vem de Biguaçu, entra por esse acesso norte, pega a Beira-Mar Norte e, evidentemente, vem para o norte, criando, então, esses dois acessos. Isso seria através de um túnel, que já está sendo projetado também. E o metrô de superfície pode passar pela Ponte Hercílio Luz ou pode passar pelo túnel ou pode passar por  outra alternativa. Esses estudos ainda são preliminares e estão sendo discutidos com os técnicos do governo do Estado e com os técnicos da prefeitura.

Na Ilha, ficaria onde? Chegaria à universidade ou à Lagoa? Ou está meio obscuro ainda?

A princípio, se faria algo como o que existe em Paris, seria uma périphérie. Seria um círculo que passa pela Beira-Mar, circula a Deputado Antônio Edu Vieira e volta pelo centro da cidade, fazendo esse grande contorno da Bacia do Itacorubi, alimentando-se, então, depois, com os ramais pro sul, pro norte, pro leste da ilha, de acordo com a necessidade.

Como seria a questão do transporte sustentável no novo Plano Diretor Participativo?

O transporte sustentável é sempre uma exigência e um desafio para os administradores públicos. O transporte sustentável é um problema aqui em Florianópolis como é um problema em Joinville, um problema também em Stuttgart – se não é um problema ainda maior -, como é um problema em Paris. Na verdade, a mobilidade urbana e o transporte sustentável é realmente o grande desafio para as civilizações do futuro. Você vê que cidades consagradas, como é o caso de Stuttgart, que é um modelo de gestão, mesmo assim, nos horários de picos, nas principais vias, existe um congestionamento significativo como o nosso. E por quê? Porque a qualidade de vida vai aumentando, no mundo inteiro vai aumentando, e muito embora você tenha transporte alternativo, de metrô, de trem de superfície, de ciclovia e de outros transportes, mesmo assim existe uma dificuldade enorme de buscar uma sustentabilidade no transporte coletivo. E como é que se busca isso? Com essas alternativas, com você ampliando as formas de acesso que a população terá para se locomover. E não só através do carro pop, e sim o do transporte coletivo, seja ele marítimo, seja ele de bicicleta, seja ele a pé ou seja ele através de metrôs, seja metrô de superfície ou seja metrô subterrâneo. E acho que esse é o desafio das grandes cidades e Florianópolis já está partindo desse patamar de uma grande cidade.

O Plano Diretor que nós elaboramos é um encanto! Comparado ao plano diretor atual com o Plano Diretor proposto pela nossa administração, este é 75% aproximadamente mais restritivo do que o atual. Então não existe motivo nenhum para preocupação com relação à implantação do novo Plano Diretor. Não seria eu, um cidadão menos ajuizado de elaborar um Plano Diretor que não buscasse a sustentabilidade da cidade para os próximos dez, vinte, trinta anos. Então eu deixaria como estava. Eu não seria desavisado e inconseqüente de levar uma proposta para a sociedade e para a Câmara de Vereadores que não tivesse esse viés de sustentabilidade. Só o tempo dirá.

As pessoas de repente estão meio preocupadas porque não tiveram tempo de analisar profundamente ainda todos os detalhes que norteiam o Plano Diretor, que foi construído de forma democrática e participativa. A partir do momento em que todos tiverem conhecimento do Plano, você vai ver que o Plano tende a ser uma unanimidade, porque foi construído com uma leitura democrática e participativa das comunidades. E depois nós juntamos isso tudo um projeto de lei. E esse Plano Diretor, é bom que eu diga para você e para todos os cidadãos de Florianópolis o seguinte: esse  não é o Plano definitivo e acabado. Ele é susceptível de alterações, de sugestões, de supressões, de melhoramentos, e cujo fórum pode ser ainda através da prefeitura. Nós ainda estamos recebendo até o dia 30 todas as sugestões. Os que tiverem sugestões para fazer podem fazer por escrito, justificando devidamente até o dia 30. Nós vamos receber essas sugestões e podemos incorporar já à proposta do Plano Diretor ou encaminhar anexo ao nosso Plano Diretor que nós elaboramos, enviando à Câmara de Veradores, para que já tenha essas informações preliminares, essas sugestões comunitárias que precisam ser levadas em consideração no momento da aprovação.

Então eu queria dizer para vocês com relação ao Plano Diretor que não há motivo para preocupação. Há motivo sim de preocupação das grandes construtoras. O Plano Diretor diretor privilegia as áreas verdes, os parques, os espaços públicos, redefine a ocupação do solo de tal forma que seja mais racional, mais equilibrada, ao contrário do que aconteceu ao longo da história de Florianópolis, com as construções dos paredões que vocês conhece hoje aí. Então, eu queria dizer para vocês que essa tentativa de nós entregarmos o Plano Diretor para a Câmara de Vereadores, houve uma pequena reação dizendo assim, com uma expectativa de que o Plano Diretor possa desconfigurar a nossa cidade e proporcionar uma insegurança e um crescimento desordenado ou exagerado de nossa cidade. Pelo contrário: ele é extremamente restritivo.

Agora, evidentemente que nós também não podemos estancar o desenvolvimento da cidade. Porque a cidade, quer queira ou quer não queira, ela tem que crescer para algum lugar, você está compreendendo? Não existe a gente colocar um marco zero por aqui e dizer o seguinte: ‘bem, a partir de agora, não se constrói mais nada, não se faz mais nenhum prédio, não se faz mais nenhuma casa’. Isso não existe. Esse Plano Diretor tem as suas regras, os seus procedimentos e é o que  nós estamos propondo. Como eu te falei, ele não é acabado, nós não temos o objetivo de ter descoberto o melhor Plano Diretor. Ele vai para a Câmara de Vereadores, será novamente amplamente discutido com toda a sociedade, que poderá fazer sugestões. E a Cãmara terá todo o direito de ampliar, de melhorar, de alterar e fazer com que a gente possa ter um Plano Diretor que atenda à grande maioria da população.

Saiba mais:

Acompanhe mais notícias sobre o 1º Fórum das Américas Sobre Mobilidade nas Cidades

Veja também:

Florianópolis: Plano Diretor NÃO Participativo

Reunião pode definir o futuro de ciclovia no Itacorubi

O gabinete do vereador Márcio de Souza (PT-SC), de Florianópolis, convida a população da Bacia do Itacorubi para uma reunião ampliada em que serão debatidas as compensações e benefícios para a região em virtude da nova subestação das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).

A reunião está marcada para acontecer às 19h na Escola Básica Padre Anchieta, situada à R. Rui Barbosa nº 525, na Agronômica (veja o mapa).

Mas o que isso tem a ver com os ciclistas, afinal?

É simples. Para interligar o sistema de energia elétrica dessa nova subestação ao sistema de transmissão e distribuição de energia nacional, cabos de alta tensão passarão por baixo da ciclovia, que será diretamente afetada e precisará ser refeita.

Acontece que a reconstrução da ciclovia, que ia ficar a cargo da Celesc, passou a ser responsabilidade da prefeitura. Apesar de a Celesc precisar danificar a ciclovia e o calçadão da Av. Beira-Mar Norte, ela não desembolsará centavo sequer para a sua reconstrução.

Itacorubi

Como forma de compensação, a Celesc prometeu construir 1200m de ciclovias no Itacorubi, conectando o final da ciclovia da Av. da Saudade à sua subestação Trindade, no bairro do Córrego Grande, passando pela SC-404 (Rodovia Admar Gonzaga), pelas avenidas Itamarati e San Marino e pelas ruas Vera Linhares de Andrade e Maestro Aldo Krueger (Fig.1).

Fig.1 - A ciclovia seguiria o caminho dos cabos subterrâneos, ligando a ciclovia da Av. da Saudade à ciclovia existente em frente ao campus da UDESC e, de lá, seguindo até a subestação Trindade, no bairro Córrego Grande.

Apesar de ter divulgado a construção dessa ciclovia (veja o folder), a Celesc, entretanto, parece que não pretende concretizá-la. Ao final da ciclovia da Av. da Saudade o que se observa é que as calçadas (também inclusas na compensação) já começaram a ser refeitas, enquanto a construção da ciclovia ainda não apresenta sinais de que seguirá em frente.

A presença de ciclistas e cicloativistas nessa reunião pode ajudar a mudar esse quadro, contribuindo para que, no futuro, a almejada ciclovia realmente exista.

Celesc promete construir ciclovia no Itacorubi, em Florianópolis

Logo Bicicleta na Rua

Trecho de 1200m será construído na Rodovia Admar Gonzaga.

Por Fabiano Faga Pacheco

As Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) anunciaram que irão construir cerca de 1200m de ciclovias na SC-404 (Rodovia Admar Gonzaga), conectando a ciclovia da Av. da Saudade à ciclovia existente em frente ao campus da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) no Itacorubi.

A obra sairá como parte de uma compensação da empresa, que fará uma linha de transmissão subterrânea passando sob a ciclovia da Av. Beira-Mar Norte. Esse investimento visa evitar as constantes quedas de energia e “apagões” que acontecem na Ilha de Santa Catarina e acometem vários bairros de Florianópolis.

A Celesc também havia prometido a reconstrução da ciclovia da Beira-Mar Norte no mesmo lugar da atual, que será afetada pelas obras da companhia, mas a execução foi transferida para a prefeitura.

A nova ciclovia do Itacorubi deve ficar pronta até janeiro de 2010.

Saiba mais:

Confira o folder de divulgação das novas obras da Celesc.

Novas ciclovias em Florianópolis

A reportagem abaixo já é meio antiga. Ela é da edição de junho de 2008 do jornal universitário Zero. A matéria pode ser vista também em .pdf aqui ou aqui.

Zero junho 2008

Florianópolis ganha novas ciclovias

Embora promova maior segurança para ciclistas e motoristas, transtorno provocado pelas obras gera discussões

O projeto Florianópolis – cidade amiga da bicicleta, lançado em 2007 pela prefeitura municipal, está provocando divergências. O pacote de obras prevê a construção de oito ciclovias em pontos distintos da cidade, totalizando 18.360 metros de extensão, quase o dobro da área existente hoje. Todas as obras já estão em execução e o transtorno causado é inevitável: bloqueio temporário das vias e congestionamento.

Alguns moradores e motoristas que circulam pelas áreas beneficiadas com as ciclovias não aprovam os problemas decorrentes. “Me diga, para que esse transtorno todo? Eu não vou abdicar do meu direito de sair de carro para ir a qualquer lugar! Suar numa bicicleta para ir ao trabalho… Nem morto!”, disse um motorista de um Renault Clio prata sobre a faixa exclusiva para ciclistas em construção na rua Delminda Silveira, no bairro Agronômica.

A opinião do condutor ilustra bem um dos obstáculos enfrentados pelo projeto: a resistência que muitas pessoas têm em relação ao uso da bicicleta como meio de transporte urbano e diário. Para tentar amenizar essa situação, a prefeitura já iniciou a distribuição de panfletos, nas regiões próximas às obras, para orientar e alertar motoristas, ciclistas e pedestres sobre os benefícios do uso da bicicleta para o trânsito, meio-ambiente e a própria saúde dos condutores.

Mas não são apenas as pessoas que não utilizam as ciclovias que têm queixas sobre as obras. Vários ciclistas reclamam que elas estão sendo construídas em locais errados, como Antônio Carlos Silveira, morador da região do Campeche, que terá acesso por uma ciclovia construída em todo o percurso da avenida Pequeno Príncipe. “Para chegar em casa, eu tenho que pegar a Gramal (rua que cruza a Pequeno Príncipe). Lá os carros andam em alta velocidade, mesmo com as lombadas, além de a rua ser estreita, fazendo com que os carros passem muito próximos da guia, por isso é grande o risco pra quem quer pedalar por lá”, conta Silveira.

O pacote do IPUF prevê 18.360 metros de vias para bicicletas

A arquiteta do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), Vera Lúcia Gonçalves, explica que em algumas ruas, como a Gramal, é impossível construir faixas exclusivas devido ao espaço. Os critérios avaliados para decidir que vias receberão as ciclovias consideram basicamente o fluxo de pessoas e de veículos motorizados que circulam pelo trecho diariamente, a velocidade média registrada e o espaço disponível para a adaptação, que muitas vezes é insuficiente para a execução da obra.

Apesar de não agradar a todos, Milton Della Giustina, presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (Via Ciclo) e ex-ciclista profissional, acredita que as ciclovias em construção são o primeiro passo para a massificação do uso da bicicleta e o começo de uma conscientização da população sobre o que é o trânsito. “Os motoristas têm que entender que quanto mais espaço deixarem para os ciclistas, mais espaço sobrará para eles, e isso também diminuirá o trânsito”, diz Giustina, que também destaca a bicicleta como meio de transporte ecologicamente correto e mais saudável.

Movimentos sociais

A construção das faixas exclusivas é apenas parte de um projeto que objetiva criar uma malha cicloviária consistente, eficiente e segura. Para atingir essa meta são necessárias medidas que vão muito além das obras da prefeitura. Convencer as pessoas de que andar de bicicleta é viável requer uma série de alterações no ambiente urbano: infra-estrutura adequada, maior segurança no trânsito e conscientização dos condutores de veículos automotores – que devem entender que os ciclistas têm o mesmo direito de utilização das vias e são beneficiados pelas leis de trânsito.

Na capital de Santa Catarina, a ausência de ciclovias em ruas de grande movimento obriga motoristas e ciclistas a disputarem espaço no trânsito. Apenas a construção de faixas exclusivas para bicicletas não resolve o problema. Foto: Thiago Prado Neris.

Na capital de Santa Catarina, a ausência de ciclovias em ruas de grande movimento obriga motoristas e ciclistas a disputarem espaço no trânsito. Apenas a construção de faixas exclusivas para bicicletas não resolve o problema. Foto: Thiago Prado Neris.

Para tentar resolver esses problemas, surgiram movimentos sociais para pressionar a sociedade e a administração pública a favor de um transporte que facilite a mobilidade e o acesso aos mais diversos locais respeitando as necessidades dos moradores e a conservação ambiental. Em Florianópolis, grupos de moradores participam das discussões sobre o Plano Diretor que definirá as diretrizes para o crescimento urbano da capital.

Um dos mais ativos é formado pelos representantes dos bairros que compõem a Bacia do Itacorubi: Itacorubi, Trindade, Santa Mônica, Córrego Grande e Pantanal. Em documento encaminhado à administração municipal pelas lideranças das comunidades – em média, 30 pessoas -, fica clara a preferência às bicicletas como meio de transporte mais acessível e cômodo para a região.

Um Plano Diretor que priorize a bicicleta e o transporte público também pode reduzir os gastos com obras de duplicação de vias e construção de elevados, muito mais altos do que os recursos que seriam destinados à adaptação de uma região às ciclofaixas, cujo custo fica em média em R$ 100 mil por quilômetro em vias já existentes, e em torno de R$ 150 mil em terreno nu. É possível construir dez quilômetros de ciclovias com o valor gasto em um de capeamento asfáltico.

Outra proposta do grupo é o movimento Estaciona e Pega Ônibus (Epô). A idéia é que os terminais de ônibus sejam interligados com bolsões de estacionamento em lugares estratégicos, como o desativado Terminal de Integração do Saco dos Limões (TISAC) e o mal aproveitado estacionamento do Centro de Integração e Cultura (CIC). Os bolsões próximos aos terminais seriam um incentivo aos condutores de carros e motocicletas para que parem seus veículos e peguem um ônibus para percorrer as distâncias mais longas.

Os bolsões de estacionamento já existem em países como a Holanda e a Inglaterra, que adotaram medidas para priorizar o uso da bicicleta e do transporte público. No Brasil, Curitiba também executou o projeto e é a campeã brasileira de quilometragem exclusiva para os ciclistas: 122 quilômetros. Além disso, a prefeitura de Curitiba planeja implantar um sistema de aluguel de bicicletas, como o que já é utilizado em Paris, por exemplo.

Cauê Azevedo

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