Exibição de “Bike vs Cars” em Florianópolis

Diálogos Urgentes debate a “mobilidade urbana” com sessão comentada do doc. “Bikes vs Cars”

A mobilidade urbana é um grande desafio das cidades contemporâneas em todo o mundo e um tema urgente a ser discutido pela sociedade. Para fomentar a reflexão sobre este assunto, o Sesc em Santa Catarina promove na próxima edição do projeto Diálogos Urgentes, no dia 28/06, sessão do documentário “Bikes vs Cars”, do cineasta sueco Fredrik Gertten, seguida por debate com convidados ligados ao tema do filme e comunidade. A programação é gratuita e acontece toda última quarta-feira do mês nos teatros do Sesc em Chapecó, Florianópolis, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville, Lages e Laguna, às 19h. (+http://ww2.sesc-sc.com.br/evento/3458/null)

“Bikes vs Cars” apresenta um novo modo de mobilidade urbana. O roteiro também discute a enorme cadeia econômica dependente do carro e mostra como a indústria automobilística influencia nas políticas públicas das cidades e como a bicicleta começa a mudar uma parte desse jogo. Gravado em São Paulo (Brasil), Los Angeles (EUA), Toronto (Canadá) e Copenhague (Dinamarca), o audiovisual mostra realidades completamente diferentes, desde a luta por incluir o uso da bicicleta no dia a dia das pessoas em São Paulo até Copenhague, cidade que é referência internacional em mobilidade urbana.

O projeto Diálogos Urgentes iniciou em abril e segue até novembro, com o objetivo de favorecer o diálogo entre grupos, coletivos, agentes, estudantes e sociedade. As obras audiovisuais selecionadas para exibição levantam temáticas como loucura e arte, bullying, racismo, mobilidade urbana, feminismo, ditadura militar, formação do indivíduo, entre outros, que serão debatidos por convidados ligados aos assuntos e comunidade.

“Com esta ação, o Sesc abre um espaço de diálogo na sociedade. As temáticas em pauta se tornam cada vez mais urgentes de serem debatidas, para que a reflexão traga novos horizontes ao mundo contemporâneo. Promover essas discussões, por meio do cinema, estimula o cidadão no que diz respeito ao desenvolvimento da sua percepção do mundo e incentiva a formação de uma consciência crítica”, declara Maria Teresa Piccoli, gerente de Cultura do Sesc/SC.

SINOPSE “BIKES VS CARS”
Em tempos de uma crise generalizada, é necessário relacionar algumas discussões no que tange ao clima, recursos naturais e cidades. A indústria automobilística cresce desenfreadamente. Ciclistas militantes buscam mudanças radicais na mobilidade das grandes cidades. As diferenças no uso de bicicletas e de carros são gritantes em comparação entre algumas cidades, como São Paulo e Copenhague. Direção: Fredrik Gertten; Gênero: Documentário; Nacionalidade: Suécia.

Mais informações:

Sesc em Chapecó – Rua Brasília, 475-D – J. Itália (49) 3319.9100
Sesc em Florianópolis (Prainha) – Travessa Syriaco Atherino, 100 – Centro, (48) 3229.2200
Sesc em Itajaí – Rua Almirante Tamandaré, 259 – Centro (47) 3249.3850
Sesc em Jaraguá do Sul – Rua Jorge Czerniewicz, 633 (47) 3275.7800
Sesc em Joinville – Rua Itaiópolis, 470 – Centro (47) 3441.3300
Sesc em Lages – Av. Dom Pedro II, 1693 (49) 3222.3936
Cine Teatro Mussi em Laguna – Rua Osvaldo Cabral, 165 – Centro Histórico (48) 3644.015

Fonte: SESC SC, em 22 de junho de 2017.

Anúncios

Bicicletada Nacional: em todo Brasil, ciclistas vão às ruas pedindo mais segurança e eqüidade no trânsito

Até agora, trinta e oito cidades (Itajaí, Balneário Camboriú, São Lourenço, Campinas e Piracicaba são as que não constam no cartaz abaixo) irão realizar Bicicletadas, pedaladas, protestos e/ou manifestações de indignação pela situação em que os ciclistas do país se encontram:desencorajados pelo trânsito perigoso que privilegia injustificadamente o fluxo automotor, relegados a segundo plano na formulação de políticas públicas voltadas à mobilidade, constrangidos pela ameaça diária e constante ao seu hábito saudável e, por algumas vezes, esquecidos tombados no asfalto, quando a situação poderia ser evitada.

Em apenas um dia, ao menos cinco ciclistas morreram no Brasil. Além da bióloga e cicloativista Julie Dias, em São Paulo, faleceram indivíduos em Marituba (PA), Brasília, Pomerode (SC) e Camaragibe (PE).

Cansados de esperar pacientemente pela solução de situações que lhes impingem risco, ciclistas vãos às ruas, ao mesmo tempo, em diferentes partes do Brasil, chamar atenção para o descaso que a mobilidade por bicicleta ainda enfrenta neste país.

Sugere-se que se vá de preto.

BICICLETADA NACIONAL

Aracaju (SE): Concentração a partir das 19h30, saída às 20h, Mirante da Treze de Julho;
http://www.facebook.com/events/189511917819107/

Balneário Camboriú (SC): 20h, Praça Tamandaré;

Belém (PA): Concentração a partir das 18h no Centro Arquitetônico de Nazaré – CAN. Saída às 19h30;

Belo Horizonte (MG): 19h, Praça da Estação;

Brasília (DF): 19h, Praça das Bicicletas (Museu Nacional);
http://www.facebook.com/events/263072160435461/

Campinas (SP): 19h, Praça Arautos da Paz – Lagoa do Taquaral;
http://www.facebook.com/events/312190452167988/

Campo Grande (MS): 18h, Praça do Ciclista (rotatória da Avenida Duque de Caxias com a Afonso Pena);
http://www.facebook.com/events/282569125145597/

Cascavel (PR): 18h30/19h, reunião em frente à Catedral para fazer uma panfletagem e apitaço;

Caxias do Sul (RS): 19h, em frente à Prefeitura Municipal;
http://www.facebook.com/events/371954129490520/

Cuiabá (MT): 20h, Praça 8 De Abril (em frente do Choppão);
http://www.facebook.com/events/255342117881035/

Curitiba (PR): 19h, Pátio da Reitoria (UFPR) Amintas de Barros (entre Dr. Faivre e Gen. Carneiro);
http://www.facebook.com/events/188615161246812/

Florianópolis (SC): 19h, Skate Park Trindade (em frente ao Shopping Iguatemi);
http://www.facebook.com/events/125659387560391/

Gramado (RS): 19h, Praça Major Nicoletti;

Itajaí (SC): 20h, Av. Sete de Setembro nº 1089;

João Monlevade (MG): 19h, Praça do Povo;

João Pessoa (PB): 19h, Busto de Tamandaré (Praia do Cabo Branco, final da Av. Epitácio Pessoa)
http://www.facebook.com/events/123970004397594/

Jundiaí (SP): Embaixo do pontilhão na Av. 9 de Julho;

Laranjeiras do Sul (PR): 19h, em Frente ao Lodi – Casa do Ciclista;

Londrina (PR): 19h, ponte da Av. Higienópolis (Lago 2);

Maceió (AL): 20h, Corredor Vera Arruda;

Manaus (AM): 19h30, Parque dos Bilhares (lado da Constantino Nery);

Maringá (PR): 19h, Praça da Catedral;
http://www.facebook.com/events/189134974528650/

Natal (RN): 19h, Calçadão do Midway (Av. Salgado Filho);

Parnamirim (RN): 19h30, Posto BR (Aguinelo), Cohabinal;

Pelotas (RS): 20h, em frente ao teatro 7 de Abril;

Piracicaba (SP): 19h30, Rua Bernardino de Campo nº 52 – Bairro Alto (em frente ao Fórum de Piracicaba);

Ponta Grossa (PR): 19h30, no Parque Ambiental;
http://www.facebook.com/events/309611795760654

Porto Alegre (RS): 19h, Largo Zumbi dos Palmares (EPATUR);
http://www.facebook.com/events/347944488583219/

Recife (PE): 19h, Praça do Derby;
http://www.facebook.com/events/325505750831153/

Rio de Janeiro (RJ): 18h30, na Cinelândia (em frente ao Cine Odeon);
http://www.facebook.com/events/288811831192660/

Salvador (BA): 19h, Largo da Mariquita;

Santa Maria (RS): Concentração a partir das 18h15, Largo da Gare;

Santo André (ABC – SP): 19h, Praça do Ciclista – Av. Perimetral;
http://www.facebook.com/groups/217308051626659/

São Lourenço (MG): 19h, Praça da Federal;

São Luís (MA): 19h, Praça do Rodão (Cohab);

São Paulo (SP): 19h, Praça do Ciclista (Av. Paulista X Rua da Consoloção);

Timbó (SC): 19h, em frente ao marco zero do Velotour (em frente do restaurante Thapyoka);

Vitória (ES): 19h, na Praça dos Namorados até a Praia de Camburi.

Outros países:

Caracas (Venezuela): 19h, desde la Plaza Brión de Chacaíto hasta Bellas Artes.
http://www.facebook.com/events/359258877438627/

Saiba mais:

Ciclistas promovem Bicicletada Nacional – Brasil de Fato

Cinco ciclistas mortos em um dia. Mas jamais vão deter a Primavera – Ir e Vir de Bike

Um apelo e sobre Fulanos, outros e etc – De Camelo

Morreu pedalando atrapalhando o tráfegoBicicleta na Rua

(Conexão Sul 2011) Dia 2 – Porto Belo – Balneário Piçarras

Ao abrir minha barraca imediatamente após escrever sobre o dia de ontem, percebi que a névoa espairecera, sinalizando o dia bom que recém-iniciava. Eu dormira na barraca do Max da Roberta (estudante de Geografia), que, solitária, virara depósito de bugigangas da galera.

Acordei com alguém me chamando para poder pegar algo que deixara lá dentro. Rumores de que eu havia chegado surgiam. Saí da barraca e veio a primeira descoberta do dia: o rio ao lado do qual acampáramos era uma lagoa! A Ana Carol e o André Costa, da loja/site/blogue Pedarilhos, também estavam lá. A Ana, em 2009, venceu o Desafio Intermodal de Florianópolis, conduzindo a sua bicicleta feminina com cestinha, e seu trabalho de conclusão de curso em Moda envolveu a “Adequação do vestuário para o ciclista urbano”. Eles aproveitaram o sábado livre para passearem com o grupo.

O café comunal envolvia café esquentado na hora num fogareiro, pão, queijo e tomate. Eu, em especial, fui tomar um misto de café pingado com cafés curtos no mesmo posto do dia anterior. Utilizei-me também do banheiro para passar um creme-protetor-suavizante-hidratante-redutor-de-atrito nas partes baixas. O mercado principal do Trevo do Perequê somente abria às 9h. Retornei ao acampamento, onde me aprontei para a saída. Vesti meu uniforme brasileiro recém-ganho de meus pais. Para a minha surpresa, pude perceber que eu seria o único na viagem a vestir as camisetas de ciclistas. O grupo anda mais de boa quanto à roupa e até mesmo os bagageiros são, de certa forma, improvisados. O Marcelo, colega da Oceanografia para quem já cheguei inclusive a dar monitoria há alguns anos, passou o dia a pedalar de chinelos! E ainda tirava sarro da gente, pobres escravos dos tênis!

O grupo total era composto por 23 pessoas. Além do casal Ana e André, e do Marcelo, havia ainda mais um rapaz e duas garotas da Geografia e o restante, da Biologia. Eram 10 guris e 13 garotas compartilhando a experiência única dessa aventura.

No posto, enchemos os pneus da bike e despedimo-nos do casal. Eu ainda passei no mercado para assegurar parte do lanche antes de sair. Pouco depois das 9h, dirigiamo-nos para Itapema.

            Se no dia anterior ninguém chegou a ter problemas com a bike, hoje foi um pouco diferente. O pneu da Júlia Silveira (Conchinha) foi murchando aos poucos durante a noite. Não muito longe do Trevo do Perequê, foi a vez da futura geógrafa Bruna ver sua bicicleta avariada. Grande parte do grupo parou para acudi-la, mas quem seguia muito à frente não chegou a saber a tempo do ocorrido. Nessa parada, tivemos o primeiro trio de flautistas do dia, com o Max, Guilherme (Guimo, da Geografia) e Tomaz sendo acompanhados pelo Panda, tocando sua…. bomba de encher pneus! O urucum que vários passaram no corpo e no rosto pela manhã dava um tom mais ritualístico às perguntas e respostas toadas em meio a cantigas nacionais.

Como ocorreu em boa parte do caminho, atravessamos uma ponte e lá começava outra cidade, agora Itapema. Observamos a Meia Praia, e o Max, a Conchinha e o Diogo não hesitaram em mergulhar.

Na principal rua do município, havia uma ciclofaixa. Interessante notar como as cidades priorizam seus cidadãos de maneiras diferentes. Sabiamente, a ciclofaixa situa-se entre a calçada e as vagas de estacionamento do comércio, impedindo o avanço dos automóveis sobre a ciclofaixa, mesmo para simples traslados. Vários cruzamentos são sinalizados indicando claramente a preferência do ciclista. As vagas permitem tanto a parada de automóveis quanto de motos e veículos de serviço (como ambulâncias), tudo bem demarcado. Em alguns trechos da praia também há passeio compartilhado com pedestres e automóveis (estes mais raros). A cidade parece estar evoluindo nas questões de mobilidade, mas pode ainda melhorar mais. O pavimento da ciclofaixa está bem mais deteriorado do que o das faixas para automóveis, com desníveis importantes. Outra coisa legal de Itapema é a presença de ciclofaixas bidirecionais em trechos de fluxo automotor único e chega a ser, também, curiosa a presença de um cruzamento com semáforos para ciclistas e, em outro tempo, uma sinaleira para pedestres. É interessante também o final da ciclofaixa, sendo o tráfego do ciclista misturado ao automotor quase que naturalmente.

Os bicicletários que vi em Meia Praia não são bons, embora seu design dê uma sensação de terem estilo. Esses modelos foram atualmente rejeitados numa das reuniões do Pró-Bici, com bons argumentos contrários. De lá, pegamos uma estrada em direção a Balneário Camboriú. Passamos por umas praias cheias de surfistas, ainda em Itapema e eu ainda agora custo a acreditar que, para eles, naquela condição, o mar não estava revolto. Vários morrinhos tiveram que ser vencidos antes da entrada do Balneário mais movimentado do Estado. Passamos de bike por um túnel (algo que, por sinal, a Ecovias não deixa fazer) e evitamos a Interpraias, fugindo do acesso à Praia das Laranjeiras (mais um morrinho….). O interessante nessa parte do caminho foram as placas, com publicidades de uma cueca comestível sabor chocolate para matar o desejo delas, além de um restaurante tirolês que jurava servir um autêntico café da manhã alemão (ok, Tirol é um estado alemão austríaco). Uma parada para reagrupar e melhorar o ânimo fez-se necessária antes de adentrar a Avenida Atlântica, a beira-mar do balneário. Antes, a idéia era fazer uma parada maior na cidade e a tática acabou mudando (ao meu ver equivocadamente) para tentar se chegar o mais longe e depois comer bem. Simplesmente passamos pelo charmoso balneário, mal prestando atenção em sua praia, sua gente. A brisa marinha retirou uma parte do cansaço e fez todos seguirem mais animados. Mas… apenas com o café-da-manhã! Isso já havia feito uma diferença na entrada de Balneário Camboriú e, com o mais severo morro do dia, a fadiga e a fome começaram a se agravar. A subida desse morro gerou uma rápida descida que culminou numa estrada em obras, com muita poeira sendo soerguida o tempo todo. Em Itajaí, foi gostoso pedalar à beira do Rio Itajaí-Açu, junto a muitos parques e áreas verdes. Foi também a realização do singelo sonho da Cândice, que sempre quis conhecer o porto da cidade, por sinal um dos mais movimentados de Santa Catarina.

No centro de Itajaí, ocorriam provas de bike cross e a idéia de comer no Mercado Público da cidade naufragou com o cedo fechamento deste no domingo. Pagamos R$ 1,30 para cruzar o rio no ferry-boat. Após o traslado estávamos em plena ciclofaixa no município de  Navegantes. O perfil dessa ciclofaixa é parecido com vários trechos de Itapema, sem, entretanto, conseguir ser tão bom quanto o daquela cidade. A ciclofaixa é grudada na calçada, entre esta e um espaço de estacionamentos. Toda a extensão da rua que liga o ferry-boat ao mar tem mão única. Entretanto, a ciclofaixa, bidirecional, não apresenta as medidas mínimas para 1 (uma) bicicleta. Nem mesmo o bom senso a consideraria de tal maneira. É muito estreita! Essa disposição costuma refletir hierarquização e desigualdade na cidade, em que o ciclista, em grande número, é simplesmente retirado da rua e jogado à estreita ciclofaixa, enquanto as três pistas para automóveis ficam subutilizadas.  A chamada de atenção por policiais na cidade, embora por vezes necessária, aumentou-me essa percepção. Muitos ciclistas usam a rua na contramão para se dirigirem ao ferry-boat. Pode não ser o mais seguro, mas, na cabeça deles, é o que faz mais sentido.

Pode-se dizer que almoçamos aí. Numa padaria, deliciamo-nos com os mais diversos gostos e sabores. Eu aproveitei para encher as minhas garrafas de água. O ritmo da pedalada melhorou muito depois da alimentação.

A restinga da praia de Navegantes parece bem cuidada. Uma estrada reta, plana e contínua fez-nos seguir ao norte. Vários carros buzinaram para gente, dando-nos apoio e estima para ir em frente. Como nota triste, um deles quase fez um grupo que ficou à frente – por sinal, onde eu estava – de pinos de boliche, ultrapassando sem a menor consciência dois veículos. A estrada tem apenas duas pistas e nenhum acostamento, de tal modo que somos obrigados a enfrentar o ainda árduo compartilhamento de vias. Algumas pessoas trilham seu próprio caminho em meio ao mato cerrado ao redor. Chegando no bairro de Gravatá, um acostamento de lajotas não nos foi acolhedor. Paramos para reunir o pessoal próximo a um posto de guarda-vidas, onde o Tomaz resolveu subir de maneira pouco conveniente. Mas a “inconveniência” atingiu limiares muito mais baixos, como na foto abaixo (DSC07975, a ser colocada ainda, aguardem). A praia imprópria parecia espelhar a ocupação próxima de alguns hotéis e/ou residências, ajudando-nos a refletir por que Santa Catarina têm níveis de saneamento básico tão inexpressivos quando levamos em conta a sua qualidade de vida. Interessante foi também uma placa oficial constando o nome do município (NaveGATES). Nessa parada, foram hilárias as cenas de alongamento dos ciclistas! A água, revolta, não estava convidativa.

Chegamos a Penha, todo pedalando bem próximos. Em vários trechos há ciclofaixa, uma linha demarcada meio avermelhada no asfalto. Às vezes, ela vira acostamento ou estacionamento de lojas antes de voltar oficialmente a ser ciclofaixa. Muito buraco, desníveis, bueiros dão o tom. A temperatura do cair da tarde e do ambiente com mais árvores próximas fica amena, ao contrário do tensionante mormaço das rodovias do Sol à pino. Passamos pelo parque temático Beto Carrero World. Mesmo sendo um referencial arquitetônico em meio à monotonia semiurbana, teve gente que não reparou em sua existência. A ciclofaixa continua a incomodar e toda hora temos que sair dela para nos desviar dos obstáculos da pavimentação. O tratamento próximo aos pontos de ônibus, em que uma ciclovia passa por trás da cabine, foi adequada, embora um poste – e bem atrás de um ponto de ônibus – tenha dado as caras, quase nos causando um acidente.

Um escultura estranha deu-nos o adeus da cidade, a poucos metros de onde uma ponte se encarregaria de transportar-nos até Balneário Piçarras. Andamos um pouco e, às 16h30 exatamente, estávamos defronte à casa do Fábio, um amigo de alguns dos viajantes que cedeu o terreno da casa para armarmos as barracas e as duchas para nos banharmos.

Enquanto uma parte já montava a barraca e tomava banho coletivo na ducha externa de águas frias, 14 deles foram à praia, distante duas quadras (ou uma quadra e uma restinga), eu incluso. Entrei na água gelada e logo começou a bater cãibra. Alonguei-me um pouco antes de retornar. A praia dissipativa, de tombo, estava bravia, possibilitando inúmeros jacarés num turbilhão de marolas. De tão fria a água do mar nem me foi tão difícil banhar-me na ducha.

Todos limpos, fizemos uma roda de massagens, tendo os participantes recebidos dezenas de dedos, apalpos, pegadas, pressões, numa relaxante terapia grupal que rendeu diversas risadas.

Pedimos 6 pizzas grandes (e ganhamos mais uma doce), totalizando mais de 7 pedaços para cada um, engolidos por todos com certa dificuldade, ao custo de 10 reais por cabeça. O Panda, a namorada e a Cândice optaram por preparar o jantar, com um saboroso miojo regado de salada.

Recarreguei o notebook, a bateria da câmera fotográfica e o celular. O que mais faz falta por aqui onde estamos é um banheiro. Imediatamente antes de escrever este texto, baixei e ajustei minhas fotos de ontem e de hoje, e com o Max e a Bruna fiquei conversando fitando o mar.

Ao longo do dia, além dos 200mL de café no posto, bebi cerca de 2,5L de água, além de um gatorade, 450mL de caldo de cana e uns 300mL de suco de uva, ambos últimos em Navegantes, hidratando-me mais que no dia anterior. Comi, além das pizzas, quatro pães com queijo, uma barra de cereal, duas de proteína e dois géis de carboidrato (GU) e um SUUM junto com água. Espero amanhã conseguir me alimentar melhor, com frutas e saladas. Por enquanto, meu organismo está dando conta, mas estamos apenas no começo da viagem e prevenir é realmente melhor do que remediar.

Agora já todos dormem, a despeito de barulhos estranhos vindos de uma ou outra barraca, enquanto eu aqui, ao relento, tremo de frio. Já passou um pouquinho de meu horário de recarregar as energias.

Fabiano Faga Pacheco

Balneário Piçarras, segunda-feira, 20 de junho de 2011, às 1h57min.

Para comemorar pedalando o Dia do Trabalhador

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on line do periódico Diário Catarinense em 30 de abril de 2011 (às 10h12). Você pode ler a matéria no site do DC aqui.

MÚSICA

Passeios ciclísticos em 20 cidades de SC comemoram o dia do trabalhador, no domingo

Concerto gratuito encerra o dia com marchas e canções militares, hinos, músicas populares e eruditas

Ruas e avenidas de 20 cidades de todas as regiões de Santa Catarina serão tomadas, neste domingo, no dia do trabalhador, por passeios ciclísticos e diversas atividades de lazer, recreativas e culturais abertas à comunidade. O Dia do Pedal, promovido pela segunda vez pelo Serviço Social do Comércio (Sesc/SC), incentiva a adoção de hábitos saudáveis.

A data foi escolhida com o intuito de celebrar o dia do trabalhador e promover uma opção de lazer aliando a integração com a família e a promoção da qualidade de vida. Participantes de todas as regiões do Estado serão incentivados a praticar a atividade de uma forma divertida e descontraída. No ano passado, em sua primeira edição, o Dia do Pedal reuniu cerca de 20 mil pessoas em 15 cidades catarinenses.

Para encerrar, a Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais faz uma apresentação no trapiche da Avenida Beira-Mar Norte. O concerto — que faz parte das comemorações do dia do trabalhador — terá marchas e canções militares, hinos, músicas populares e eruditas e será gratuito e aberto ao público.

A banda tem suas raízes na Brigada Real da Marinha e é, atualmente, composta por dois maestros e 110 músicos formados e aperfeiçoados na Escola de Música do Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, do Corpo de Fuzileiros Navais, sediado no Rio de Janeiro.

Entre as grandes personalidades do cenário musical brasileiro e internacional que foram integrantes das bandas de música dos fuzileiros destacam-se o professor e maestro Oswaldo Passos Cabral, autor do Poema Sinfônico Riachuelo, que retrata as glórias da Marinha do Brasil na Batalha Naval do Riachuelo e, como professor e regente, o maestro Francisco Braga, autor da música do Hino a Bandeira e patrono das bandas de música da Marinha.

Veja onde serão realizados os passeios ciclísticos:

Blumenau
Horário: A partir das 7h30min
Local: Parque Vila Germânica

Brusque
Horário: A partir das 8h
Local: SESC Brusque

Caçador
Horário: A partir das 8h30min
Local: Parque Central José Adami

Canoinhas
Horário: A partir das 13h30min
Local: Prefeitura Municipal

Chapecó
Horário: A partir das 9h
Local: Praça Coronel Ernesto Bertaso

Concórdia
Horário: A partir das 13h
Local: Prefeitura Municipal

Criciúma
Horário: A partir das 8h
Local: SESC Criciúma

Florianópolis
Horário: A partir das 15h
Local: Trapiche da Beira-Mar Norte

Itajaí
Horário: A partir das 7h30min
Local: Supermercado Forte Atacadista

Jaraguá do Sul
Horário: A partir das 8h
Local: SESC Jarágua do Sul

Joaçaba
Horário: A partir das 13h30min
Local: Praça da Catedral

Lages
Horário: A partir das 8h30min
Local: Supermercado Alvorada

Laguna
Horário: A partir das 8h
Local: Praça Julio Villa

Rio do Sul
Horário: A partir 7h30
Local: SESI Rio do Sul

São Bento do Sul
Horário: A partir das 8h30
Local: SESC São Bento do Sul

São José
Horário: A partir das 8h
Local: Beiramar de São José

São Miguel do Oeste
Horário: A partir das 13h
Local: Praça Walnir Bottaro Daniel

Tijucas
Horário: A partir das 7h30min
Local: SESC Tijucas

Tubarão
Horário: A partir das 8h
Local: SESC Tubarão

Xanxerê
Horário: A partir das 8h30min
Local: SESC Xanxerê

Saiba mais:

Dia do Pedal SESC em São José e em Florianópolis

Ciclista já conheceu mais de 3000 cidades com a sua bicicleta

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, versão do Vale do Rio Tijucas, em 31 de dezembro de 2009 e 1º de janeiro de 2010 (pág. A1). A matéria pode ser vista também em .png aqui.

Notícias do Dia - logo

Gente.

Oito anos de pedaladas pelo país

Na estrada desde outubro de 2001, Luiz Carlos Rodrigues, 54 anos, completa pela segunda vez o trajeto do Oiapoque ao Chuí. O ciclista esteve esta semana em Tijucas para fazer reparos na bicicleta e, na sequência, seguir pedalando até Itajaí, onde reside oficialmente. Os planos do ciclista, que já foi pedreiro, é passar a virada do ano em casa.

Luiz já visitou de bicicleta 3.265 cidades, em oito países da América Latina. “Eu não passo simplesmente pelas cidades. Gosto de parar, conhecer as pessoas, culturas e tradições”, conta. Tijucas fez parte do roteiro do ciclista pela terceira vez e ele garante que sempre foi muito bem recepcionado aqui. No final da segunda viagem pedalando para cruzar o país, Luiz revela que está terminando de produzir um livro com as histórias que vivenciou.

“Recordações de um sonho realizado” será lançado dia 10 de fevereiro. “Conhecer o país de bicicleta foi uma lição de vida para mim. No livro conto um pouco sobre meu sonho, minha vida e minha loucura”, confessa. Luiz é gaúcho, mas catarinense de coração. Entre todas as praias no litoral brasileiro que já conheceu, garante que as catarinenses são as mais belas: “Garopaba não se compara a nenhuma outra praia do Brasil”.

Ciclista. Luiz Carlos passou por Tijucas antes de seguir para casa, em Itajaí. Foto: Allex W. Farias/ND.

%d blogueiros gostam disto: