Conexão Montréal #4 – Bicicletada em Montréal

Sei que já faz um tempo a última Bicicletada, mas tenho que contar. Acabei de viver uma experiência muito bizarra na cidade, eu não imaginava que ia ser assim, foi realmente surpreendente. Toda última sexta-feira do mês, tem Bicicletada, ou “Masse Critique”. Para quem tem facebook dá para ver o evento aqui.

Saí do trabalho e peguei a Saint Urbain direto até a Maisonneuve, ambas têm ciclovia, foi easy. Peguei somente um pedaço do caminho sem, mas foi de boa. Estava bem frio, confesso, uns 7ºC. Cheguei na praça tinha 10 gatos pingados. De um lado os anglofónos e de outro os francófonos. Daí, já fui trocando ideia com a galera que fala francês porque eu falo muito mal inglês. Mas ninguém foi muito simpático, hábito comum no norte do mundo. Logo, saímos. Ninguém explicou nada e eu segui o fluxo. Eu perguntei para as pessoas como funcionava e me olharam com uma cara estranha “tipo, que pergunta é esta?!?”. Bom, eu segui pedalando e pensando que se houvesse um cara que nem o Fabiano deste lado de cá, eu não teria ficado no vácuo. Hehehe! Mas daí eu perguntei vocês puxam algum grito em inglês ou francês? E um senhor me respondeu “faz o que você quiser!”. Wow! Muito legal, pensei em ficar quieta e pedalar. Daqui a pouco, tinha um cara de fixa (eu vi uma 3 fixas durante a Bicicletada) que gritava um monte de coisa em inglês. Eu não entendia nada. Este cara puxou alguns gritos e também o caminho, ele parecia legal, mas não consegui trocar ideia com ele por causa da língua.

O mais engraçado foi quando o povo passou o primeiro farol vermelho bem na frente da polícia. Tipo, pensei, agora vou ser multada, sei lá. Mas nem rolou nada. Só que nós fizemos isso direto, andamos na contramão e passamos farol vermelho, andamos no meio do trânsito, no meio de pedestres atravessando na faixa. O oposto da impressão que eu tinha tido sobre a educação do trânsito na cidade, até as pessoas respeitam sinal vermelho, ficam paradas até a luz verde acender, independente da presença dos carros.

Manifestante qui pose.

Manifestante qui pose.

Aqui, eu vi a face anárquica da Massa Crítica. Bom, mas éramos poucos uns 30 no máximo. Depois eu vi na página do evento uma galera reclamando disso, que podia ser mais assim, ou mais assado. Sei lá! Cada um com os seus problemas é um lema do lado de cá do mundo.

Eu me apresentei para uma mina na hora que eu cheguei. E no meio do pedal ela me perguntou, e aí, que tá achando? Eu falei para ela que estava super anárquico para mim. Falei também que a gente gritava mais, e todo mundo junto, que somos mais certinhos no trânsito, paramos no sinal vermelho, não subimos na calçada e nem andamos na contramão.

 Aí ela me ensinou os gritos daqui “à qui la rue? la rue à nous!”, que quer dizer, “de quem é a rua? a rua é nossa!”. “Velo-rution!”. Eu escutava “happy friday!” ou “bon vendredi!”, aproveite a sexta. Também ouvi “vem pedalar! é bom para saúde”. “Le velo est bon pour la libido!”. E eu cantei os nossos para ela e traduzi alguns.

A gente gritou bastante depois, mas eu confesso que fiquei com medo da polícia. Só me imaginava presa ou multada. Mas não deu nada. A Bicicletada corria por várias ruas, se meteu no meio do trânsito, entre os carros e fazia muito barulho com gritos, sinetas, buzinas…. mas a impressão que eu tinha é que realmente, não tinha um porquê. Eu sei que o trânsito sempre pode ser melhor. Acho que dou mais valor para o que a gente em Floripa tem feito, todo mês tem um porquê para manifestar enorme. A gente se esforça e se organiza. Aqui a galera é certinha e tá de saco cheio, também é um bom motivo para tocar o foda-se e fechar a semana com um “happy friday!”. Bom, não preciso ter uma opinião fixa, porque estou aqui só de passagem.

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