(Mobilidade nas Cidades) Caminhar e pedalar salvam vidas

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O médico da UNIMED e pesquisador da UDESC Tales de Carvalho fez uma compilação de diversos estudos dos últimos anos para fazer um paralelo entre a saúde e a mobilidade urbana. E foi categórico:

– Ser regularmente ativo salva vidas!

Para ele, formas de mobilidade que incluam o caminhar e o pedalar devem ser incentivadas. E mesmo quem usa o transporte coletivo não fica de fora dos benefícios. Afinal, quem pega o ônibus também acaba tendo que caminhar.

E não precisa ser adepto da academia ou ter boa forma física: um estudo de 2001 detectou que 40min diários eram suficientes para reduzir em 31% a mortalidade de cardiopatas. Além disso, outro estudo detectou que, a partir de 50min/dia de atividade física, ocorre regressão de lesóes coronarianas em pacientes aterioscleróticos.

Os benefícios à saúde pública ficam evidentes. A cada US$ 5.000,00 gastos em programas de reabilitação cardíaca (prevenção) economiza-se US$126.000,00 em cirurgia de angioplastia, por exemplo. Sem contar os benefícios físicos e emocionais gerados pela primeira frente ao quadro de recuperação lenta da operação invasiva.

Tales também mostrou outro estudo, de 2002, que compara os benefícios da atividade física entre pessoas cardíacas e não-cardíacas. Em ambos os grupos, quanto mais ativas fossem as pessoas, menor o risco de morte, tanto para cardíacos quanto para pessoas normais. Inclusive, o estudo demonstrou que o risco de morte é maior para pessoas não-cardíacas sedentárias do que para cardíacos ativos.

Sobre o Floribike, sistema de aluguel de bicicletas que está em licitação em Florianópolis, o médico vê como uma oportuniade excelente de gerar impactos positivos na saúde física e mental dos moradores, além de contribuir para a redução dos poluentes no ar.

Tales de Carvalho falou dos benefícios da inserção da atividade física intrínseca aos deslocamentos. Foto: Fabricio Sousa.

Tales de Carvalho falou dos benefícios da inserção da atividade física intrínseca aos deslocamentos. Foto: Fabricio Sousa.

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O Dopping no Ciclismo Profissional

Marcelo Sgarbossa, ex-ciclista profissional, abordou nesta quinta-feira, 23 de fevereiro, no Fórum Mundial da Bicicleta, em Porto Alegre, sobre o freqüente uso de dopping por ciclistas.

A mais comum substância usada no dopping é a EPO (Eritopoietina). Ela não aumenta a explosão muscular, mas sim a capacidade de captação de oxigênio pelos tecidos. Os tratamentos que envolviam o uso de EPO para melhorar a performance do ciclista demora cerca de um mês para dar os resultados esperados. Além de EPO, envolvia também aspirina, para dar maior fluidez ao sangue, cuja viscosidade a EPO aumenta. Além disso, o tratamento provoca sonolência. “Você chegava ao alojamento e via os atletas parecendo zumbis”, disse Sgarbossa.

O ciclista conta que, durante uma competição, é normal você perder cerca de 7L de líquido por dia, deixando, dessa forma, seu sangue mais concentrado. Essa perda de líquidos, associada ao uso de EPO, já provocou morte de ciclistas por parada cardiorrespiratória no meio de algumas provas.

Quanto à EPO, que estimula a produção de glóbulos vermelhos no nosso sangue, Sgarbossa explica que o hematócrito normal de uma pessoa varia de 40% a 50% de volume de glóbulos vermelhos em relação ao volume de sangue. Acima desse valor, é considerado dopping por uso de EPO.

Dificilmente, hoje em dia, um atleta vai bem nas competições durante o ano todo. Os tratamentos são feitos para que o ciclista esteja no auge durante dois ou três meses durante o ano, na prova de sua preferência. Um rodízio mensal é feito nas equipes de forma que durante todo o ano algum atleta esteja em condições ótimas de competir.

O hormônio do crescimento (growth hormone) também é outra substância utilizada. Provoca aumento nas extremidades do corpo: mãos, pés, nariz, orelha, dedos, braços, pernas, pênis. Possui efeito mesmo após as pessoas pararem naturalmente de crescer.”Você vê um atleta de 23 anos que num ano calçava 41 e, no seguinte, passou a 43″. O crescimento das extremidades provoca deformações no corpo, dando-o uma aparência estranha.

É mais comum na Europa. Na Itália, por exemplo, onde o ciclismo é idolatrado, é comum pais levarem os filhos adolescentes ao médico para ver se algo pode ser feito para que seu filho adquira um biótipo físico típico de um ciclista profissional.

É muito difícil você prevenir novas formas de se dopar um atleta. “Primeiro vem o dopping, depoi a cura”, diz Sgarbossa. A partir do momento em que uma substãncia que melhora o rendimento de um atleta é considerada dopping, são buscadas novas formas de camuflá-la para obter o mesmo rendimento sem que ela seja detectada nos exames, reclama.

Pedalar para o trabalho fortalece o coração

O hábito de ir de bicicleta ao trabalho ajuda a previnir problemas cardiovasculares, apontou  o trabalho de conclusão de curso intitulado “Comparação da modulação autonômica cardíaca entre indivíduos sedentários e ciclistas”, de Henrique Machert Pereira Bruno e Hidalina Rodrigues de Macedo, do curso de Educação Física da Universidade São Judas Tadeu.

No estudo, foram avaliadas 8 pessoas sedentárias e 7 ciclistas que utilizam a bicicleta em seu cotidiano. Eles tiveram que ficar 24h sem realizar atividade física para a realização dos exames sangüíneos e de avaliação cardíaca.

Não houve diferença significativa entre sedentários e ciclistas quanto a colesterol, glicemia, triglicérides e pressão arterial, mas foi observada uma redução na freqüência dos batimentos cardíacos nos ciclistas, explicitada no aumento dos intervalos R-R (entre assístoles cardíacas) no eletrocardiograma, bem como um menor balanço simpato-vagal. Isto ocorreu devido ao aumento da ação do sistema nervoso parassimpático. A diminuição da freqüência cardíaca previne diversos problemas do coração, como infarto.

A prática regular de exercício físico tem se mostrado eficaz na proteção ao sistema cardiovascular. O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A realização de atividades moderadas, como pedalar 30min por dia, diminui a incidência delas.

Ciclistas na Av. Paulista: pedalar ao trabalho, além de prazeroso, faz bem ao coração. Foto: Polly Rosa.

Ciclistas na Av. Paulista: pedalar ao trabalho, além de prazeroso, faz bem ao coração. Foto: Polly Rosa.

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