Conexão Montréal #3 – Comprando uma bici

A cidade de Montréal é um ótimo lugar para ciclistas, com 600 km em rede de vias para bikes. Montréal é a segunda cidade no mundo mais receptiva para bicicletas. Só perde em transporte ativo para Portland, isto quer dizer que apesar dos diversos investimentos anuais em ciclovias, ciclofaixas, bicicletários, conexões com outros meios de transporte (como metrô e trem), etc. a cidade americana ainda ganha em estrutura.

Estava cansada de ver todo mundo pedalando para todo canto e também de ter que pegar o metrô sempre. Era hora de comprar uma bicicleta. Como vocês sabem eu não sou rica para comprar uma bicicleta nova, que são um pouco mais baratas (sem fazer conversão) aqui do que no Brasil. Então, a minha opção era comprar uma bicicleta usada. Fui em diversas lojas, mas não achava nada direcionado para a minha relação custo benefício.

Foi aí que descobri os dois sites mais usados de vendas de garagem online: Craigslist e o Kijiji. Em ambos, você encontra qualquer coisa. Isso é um tanto complicado, por isso no Kijiji, deve-se ativar o sistema de busca para detalhar a pesquisa e achar o que você realmente está precisando. No Craiglist a coisa é muito mais simples, você entra e aparecem todas categorias possíveis, daí, você seleciona a sua e abre a lista diária de anúncios. Alguns têm fotos e diretrizes geográficas do proprietário. A maioria tem um número de telefone para você ligar ou a possibilidade de responder o anunciante por e-mail. O complicado destes sites é que você pode tomar vários bolos. Eu fiquei no Mile End meia hora esperando o proprietário. Dois dias depois,  vi a bici e nem tava tão boa quanto na foto.

ariel, minha bikeFoi o meu companheiro que acabou encontrando a bike exata para mim, ela é vermelha, uma speed feminina tchecoslovaca, o proprietário morava perto da minha casa e custava $150 dólares canadenses. Nos encontramos duas vezes, a primeira foi para ver a bicicleta, nos encontramos na esquina da Maisonneuve que é uma grande avenida que corta todo o centro e tem ciclovia, foi nela que peguei a bici para dar uma volta. Na manhã seguinte, fechamos negócio. O cara me deu algumas dicas sobre roubos de bicis, me ensinou a trocar de velocidade e me disse onde ficava a bicicletaria mais perto donde a gente estava.

Cadeado U-lock

E agora, pasmem! O cadeado custou a metade da do valor da bicicleta. Os cadeados aqui vêm ficando cada vez mais especiais por causa dos roubos. Eu comprei um do tipo Ulock com uma corda de aço porque provavelmente, minha bici vai dormir sempre na rua. Estes sites são muito interessantes, mas todo mundo se lembra daquela história de uma garota que achou sua própria bicicleta a venda no Craiglist? Esta história aconteceu aqui no Canadá, em Vancouver.

Conexão Montréal #2 – Rolê de Bixi

Logo na chegada ao Canadá, a gente é meio que obrigado a fazer as coisas tradicionais relacionadas a Québec e ao país. Coisa de turista, mas muito legal mesmo assim. Então, minha amiga, uma brasileira que vive aqui há dois anos, me convidou para irmos de bixi no Parc e depois comermos uma “poutine” tradicional do Québec. Já estava há duas semanas sem pedalar então já alimPonto de chegada e partidaentava uma certa fissura. A bixi é um sistema de compartilhamento de bicicletas públicas e existe no mundo inteiro. Esta concepção foi uma ideia de diminuir o uso de automóveis na cidade, melhorando a qualidade de vida e incentivando a prática corporal (prometo explicar isso melhor num outro post). Desde 2008, o serviço é oferecido e sustentado pela energia solar e tem sua comunicação por rede de internet sem fio.

Esta amiga que já vive em Montréal há um tempo é super animada para dar um pedal. Mas não a imagino nunca trocando um pneu e sujando a mão de graxa, porque ela é uma fina! As bixis são perfeitas para ela. Estão espalhadas em pequenos terminais por toda a cidade. No caso dela e de tantas outras pessoas que  alugam anualmente ou por toda a temporada quente, até o inverno, é muito prático e fácil, pois você ganha um cartão específico para retirá-la. A partir de dezembro, o serviço das bixis e todas ciclofaixas e ciclovias são fechadas por causa da neve e viram estacionamentos de carros.

O preço como vocês podem ver é legal. Por um dia é um pouco caro, CAD $ 7, ou ainda dá para usar por 3 dias a 15 dólares canadenses. O melhor negócio é fazer o plano de $82,50 por ano ou $37 por mês, isto é, somente entre a primavera e o outono. Bom, inserimos o cartão de crédito no guichê ao lado do bicicletário de bixis, para usar 24h o serviço, mas ficam retidos $250 do seu crédito durante 3 dias por garantia de perda ou roubo da bixi. Depois de terminada a transação, a máquina imprimiu um código que ao ser digitado na trava da bixi a libera.

BixisAntes de retirar a bicicleta de aluguel,  regulei seu banco na altura do meu osso do quadril e vi se os pneus estavam calibrados. Daí, foi só pedalar até o destino. Se a jornada for muito longa, temos que trocar de bixi pois o trânsito com ela só fica válido durante 45min, não foi o nosso caso. Pedalamos só por ciclovia do bairro Petite Italie até o Parc La Fontaine, 5km num caminho super seguro e que, mesmo com as paradas para as fotos, durou 30min. No caminho, uma pequena subidinha, mas as suas 3 velocidades (“vitesses”) deram conta do recado para a gente chegar sem transpirar.Aviso

A própria bixi é super educativa, pois é cheia de avisos, tais como, “Siga no sentido da circulação e mantenha à direita”; “Não esqueça: as calçadas são reservadas para os pedestres”. No Parc tinha um outro terminal de bixis e foi só prender a bixi de acordo com o aviso “Importante: No retorno, assegure-se que a luz verde se acenda depois de ter trancado a bicicleta no ponto de parada”. Todos estes avisos estão em inglês e francês, as duas línguas oficiais daqui. Existem rumores que o serviço das bixis aqui vai ser totalmente privado, pois agora é ainda uma parte pública. A verdade é que saiu daqui para o mundo e hoje está presente em várias cidades. Depois de todo o passeio, estava morrendo de fome e pronta para atacar, ops, quis dizer, abastecer!

Conexão Montréal #1 – Primeiras Experiências

Meu nome é Viviane, sou uma estudante de mestrado em Educação na UFSC e estou fazendo sanduíche de pesquisa em Montréal na UdeM, Québec, Canadá. Conversei muito com o Fabiano, fundador deste espaço e cicloativista de Florianópolis, sobre como a cidade aqui é receptiva para bicicletas. Como estou no meu período de adaptação, não sei fazer outra coisa que não seja comparar a cidade de onde eu vim com esta onde estou aproveitando a deixa do diálogo e a vontade de trocar experiências, eu e o anfitrião do “Bicicleta na Rua” decidimos abrir um espaço educativo para contar nossas vivências com a bicicleta em várias cidades no mundo. Ele com as suas andanças pela Europa, e eu, aqui, no Canadá.

A minha amiga que me recebeu aqui tem uma speed Peugeot dos anos 60, ela tem muito amor pela bici porque foi da mãe dela. Mas, mesmo assim, ela me emprestou para eu ver um apartamento num bairro vizinho. Foi muito bom, para começar porque nunca andei de speed e a coluna fica bem retinha e a respiração, por consequência, fica bem sincronizada com o movimento do pedal.

No caminho, já na saída peguei a ciclovia e fui direto. Em cada cruzamento, tem um semáforo; na Rue Boyer tem um sinal para pedestres e outro para bicicletas. Outras ruas, sem ciclovia, geralmente têm um sinal só para todos. Todo mundo para no sinal, não tem nenhum danadinho que atravessa fora do verde. Me contaram que se você atravessa no vermelho e a polícia vê, você é multado. Uma infração para pedestres e ciclistas custa 37 dólares canadenses (uma grana preta).

Continuando o relato, passei por um túnel para chegar a Avenida que eu procurava e mesmo sem ciclopista, tinha bastante espaço para mim. Num canto, os carros estacionados e quase um metro da marcação da pista, tranquilidade total. Photo1065Na cidade, nem todos ciclistas usam capacetes ou equipamentos de segurança. Mas eu tava bem devagar, apesar da potência da máquina emprestada.

Cheguei no lugar, e na frente da casa tinha um pequeno pique preto com símbolos de bicis, tipo, estacione aqui.

São os sinalizadores do sistema de estacionamento de carros na rua. Para vocês verem, o mesmo espaço é compartilhado, só que de bike você não paga nada, é só achar um espaço livre. É bem comum ver pequenos bicicletários nas calçadas próximas aos caminhos exclusivos das bicicletas, digo assim pois, tem as ciclovias, ciclofaixas, ciclopistas, etc. Neste dia, eu fiz uns 3km e não senti medo de nenhum carro ou de transitar por aqui de bicicleta, daí, decidi: quero ter uma speed também.

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