Fórmula secreta da mobilidade urbana

Bem fácil de compreender!

charge - Formula secreta

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charge - Armandinho 2013-08-29 Abastecimento

A charge acima, de autoria do cartunista Alexandre Beck, foi divulgada no dia 29 de agosto de 2013.

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charge - Armandinho DC 2013-07-31

A charge acima, de autoria do cartunista Alexandre Beck, foi publicada na pág. 6 do caderno Variedades do periódico Diário Catarinense de 31 de julho de 2013. Veja em PDF aqui.

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O vídeo abaixo, do Copenhagenize, mostra como seriam as propagandas de automóveis caso a indústria mostrasse realmente os resultados dos produtos que vende.

São “apenas” 1,2 milhão de mortes e 50 milhões de feridos. A cada ano!

Pois é… se comerciais de carros fossem baseados em fatos, não em ficção, as coisas seriam bem diferentes!

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Propaganda saudável

Para você que é mãe

A Ritmos das Cidades – Rede Pró Infraestrutura, Trânsito, Mobilidade e Segurança convida a todos, em especial às mães para a “MÃEnifestação pela segurança dos ciclistas de Florianópolis, seus filhos” neste domingo, a partir das 14h, em frente ao supermercado Comper, na Trindade, a poucos metros de onde ocorreu um incidente que vitimou uma ciclista e estudante da Universidade Federal de Santa Catarina.

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Veja abaixo o depoimento da parceira Claudia de Siervi:

Eu sou Claudia, mãe de três ciclistas, esposa de ciclista. Eu quero viver em um mundo mais sustentável, eu me orgulho de ser parte de uma família que faz tudo pra contribuir com um mundo mais humano, mais limpo e consciente. Mas sinto muito medo, todo dia, quando meus filhos saem de casa com suas bikes, que são pra eles como uma amiga mesmo. Não aceito mais esta situação e vou estar nesta mãenifestação declarando minha indignação e exigindo medidas urgentíssimas.

A mãenifestação espelha-se no movimento das Mães da Plaza de Mayo, que existe com muita força, desde o fim da ditadura militar, na Argentina. A ditadura teve fim em 1983 e estas corajosas mães passaram a ocupar a Praça em frente à Casa Rosada, em Buenos Aires, exigindo notícias do paradeiro de seus filhos desaparecidos. Elas aparecem nas manifestações sempre vestindo um lenço branco na cabeça o que acabou por se tornar o símbolo do movimento. Inspiradas nestas lutadoras mães, tomamos emprestado o símbolo e pedimos a todas as participantes da MÃEnifestação de domingo que venham COM UM LENÇO BRANCO NA CABEÇA.

Será com flores, orações e a força de nossos corações que as mães dos jovens usuários da bicicleta de Florianópolis irão prestar homenagem àquela que poderia ser nossa filhinha, Lylyan Karlinski Gomes. Aos 20 anos, cheia de alegria e beleza humana, a Lylyan perdeu a vida por ter escolhido a bicicleta como meio de transporte, dia 1º julho, segunda feira. Nós estaremos lá também para exigir que o prefeito de Florianópolis dê início imediato à implantação de uma rede cicloviária que ofereça segurança aos nossos jovens que utilizam a bicicleta diariamente para ir à escola, à universidade e às suas atividades, TODAS importantíssimas em suas vidas e desenvolvimento.

Somos mães que enfrentam diariamente a angústia de ver nossos filhos partirem para as ruas com o coração cheio de sonhos e fé na sustentabilidade de sua escolha, com suas bicicletas. Há angústia porque sabemos que os riscos são imensos: motoristas, de toda forma de veículos, desprezam a fragilidade do ciclista.

BASTA! Nossos filhos são tesouros, são diamantes e devem ser protegidos, respeitados AGORA!

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(Mobilidade nas Cidades) O foco da mobilidade não é a fluidez

bicicleta_na_rua3-joel pacheco

Emilio Merino comentou sobre as políticas nacionais de mobilidade urbana no primeiro dia do 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, realizado em Florianópolis no período de 3 e 4 de abril.

Fazendo um paralelo com o histórico brasileiro, Emilio foi taxativo quanto aos cuidados que devemos ter com projetos que envolvam as Parcerias Público-Privadas (PPPs). Citou o caso do sistema de transporte coletivo de massa de Porto Alegre, em que as empresas iriam ser responsáveis por 90% das obras e da operação, mas que não deu certo. Afirma que a proporção ideal das PPPs para obras de transportes fica próxima de 60% para o setor privado e 40% para o setor público.

Ele cita como principais antecedentes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) a criação do Grupo de Estudos para a Integração da Política de Transportes (GEIPOT) e da Empresa Brasileira dos Transportes Urbanos (EBTU) nos anos 1970s como embrião do que viria a ser o marco para o transporte nas cidades. Foi nessa época que começaram a aparecer os primeiros BRTs (Bus Rapid Transit) e os primeiros corredores de ônibus.

Crítico do baixo investimento em infraestrutura no Brasil, de apenas 2,03% do PIB, Merino afirmou que, desde janeiro de 2012, o foco que se deve dar no trânsito foi modificado, com a sanção da Lei Federal nº 12.587, que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Segundo ele, no planejamento tradicional de transporte, o foco é a fluidez. Agora, no planejamento da mobilidade urbana, o foco são as pessoas, o transporte não-motorizado, o transporte coletivo e a democracia participativa.

Para o futuro, Merino afirmou que já corre no Legislativo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que assegura aos cidadãos o direito inalienável à mobilidade urbana, que é muito mais profundo do que simplesmente o direito de ir e vir. Saiba mais aqui.

Emilio Merino afirmou que o foco da mobilidade urbana não é a fluidez. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Emilio Merino afirmou que o foco da mobilidade urbana não é a fluidez. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

 

Saiba mais:

(Mobilidade nas Cidades) “Precisamos parar de falar e começar a agir”, diz Gil Peñalosa

(Mobilidade nas Cidades) Vídeos sobre o Fórum Internacional

(Mobilidade nas Cidades) Abertura do terceiro Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana

Começa amanhã o 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana

(Mobilidade nas Cidades) “Precisamos parar de falar e começar a agir”, diz Gil Peñalosa

bicicleta_na_rua3-joel pacheco

Guillermo Peñalosa criticou a inação de governantes perante os problemas de seu povo.

A palestra de Gil Peñalosa no Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, proferida na manhã do dia 3 de abril, foi saudada de pé por parte do público que ocupava o auditório do Hotel Majestic, em Florianópolis.

Enfático, o ex-secretário de Parques, Esportes e Recreação da cidade de Bogotá, ao mesmo tempo em que mostrava as mudanças proporcionadas na capital colombiana – e em outras cidades do mundo -, cobrava dos políticos a busca por uma melhor gestão dos recursos públicos.

- Os cidadãos nos pagam para fazer, não para arranjar desculpas de por que não foi feito – disse.

Sobre a mobilidade urbana, Gil comentou que nos últimos anos temos pensado as cidades para os carros.

- Se estimulamos o uso do carro, veremos carros. Se estimulamos o caminhar, veremos pedestres. Se propiciamos o pedalar, ciclistas é o que observaremos.

Ele comentou as iniciativas de sua gestão, como as ciclovias de domingo. Para ele, iniciativas como essas são importantes, pois faz com que as pessoas percebam que determinados lugares não são tão distantes quanto se pensara, e que se pode chegar a eles de bicicleta ou caminhando.

Além disso, houve a criação de 280km de ciclovias permanentes em 3 anos. Com isso, a participação das bicicletas no número total de viagens saltou de 0,5% para 5%.

Estímulo ao caminhar e ao pedalar

Em um dos pontos mais curiosos da palestra, fazendo uma ligação com a palestra de Gustavo Restrepo duranto o I Seminário da Cidade de Florianópolis, Peñalosa afirmou que com US$ 90 milhões investidos em ciclovias fez mais pessoas se locomoverem em Bogotá do que com os US$ 2 bilhões investidos no transporte coletivo de Medellín, apresentado por Restrepo.

De acordo com ele, num país onde 40.610 pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito é absolutamente essencial investir em calçadas e ciclovias, pois o caminhar e o pedalar são a única forma de mobilidade individual para:

- 70% das pessoas do mundo,
- todos os jovens e crianças.

Mas ele alerta que apenas pintar uma linha branca no asfalto e dizer que aquilo é uma pista ciclável não adianta: os carros ocupam o local. Tem que ter algum tipo de separação física.

Peñalosa defende que o governo subsidie o uso do espaço público com a finalidade de trazer as pessoas para as ruas. Cita como exemplo a baixa de impostos para estabelecimentos como floriculturas e bancas de jornais, desde que estes se comprometam a ficar abertos durante períodos não comuns nos meios comerciais.

Com medidas como essas, ele conseguiu com que mais pessoas caminhassem e aproveitassem os espaços culturais da cidade. Num lugar onde antes o índice de roubos era elevado, afugentando os moradores, um estabelecimento induzido a funcionar durante todo o final de semana, iluminando a região, possibilitou que, mesmo à meia-noite, os cidadãos não mais temessem e pudessem ser vistos caminhando.

Para Gil Peñalosa, devemos estimular o caminhar e o pedalar. Foto: Fabricio Sousa.

Para Gil Peñalosa, devemos estimular o caminhar e o pedalar. Foto: Fabricio Sousa.

Gestão pública

Gil Peñalosa listou 5 coisas fundamentais para que não apenas se debata sobre mobilidade, mas que também se comece a agir para tornar o desejável possível.

Em primeiro lugar, é necessário ter sentido de urgência. Vivemos uma situação de saúde caracterizada pela crise da obesidade, com todos os problemas a ela relacionados. Além disso, a população continua crescendo, bem como a expectativa de vida. Como lidaremos hoje com os problemas que estarão refletidos amanhã na saúde da população?

Além disso, de acordo com Peñalosa, com o êxito econômico uma coisa piora: a mobilidade, “desde que ela esteja baseada no automóvel privado”.

Em segundo lugar, é vital o compromisso político. Deve-se, para isso, criar um pacto e pensar em ruas para se construir comunidades, não segregá-las.

Por fim, três condições são básicas para que esse pacto social dê certo. A liderança é uma delas. É necessário que se tome a dianteira e vá atrás das condições.

Os realizadores no setor público, servidores, técnicos e funcionários, são essenciais. Eles que estarão por trás das ações públicas, independente dos governantes. São elos para a continuidade dos bons processos entre gestões diferentes.

Por fim, a participação cidadã é intrínseca ao processo. Sem o respaldo dos moradores, nenhuma obra se estruturaliza permanentemente, nenhum planejamento urbano de longo prazo se solidifica.

Florianópolis surda

O sentido de urgência ainda não parece ter chegado a parte do cerne da administração municipal de Florianópolis.

Mesmo com a representante do Ministério das Cidades dando bronca pelos poucos projetos catarinense inscritos no Programa de Aceleração do Crescimento – Pavimentação e Qualificação de Vias Urbanas (PAC 3) em palestra no dia 4 de abril, Florianópolis deixou de enviar, no dia seguinte, o projeto da rede cicloviária do Centro para receber recursos da União, num total de R$ 3.624.883,16.

A assessoria jurídica, ao tomar ciência do fato, cadastrou internamente o projeto para, quando houver programas do governo federal, poder viabilizar fundos para a rede cicloviária do Centro. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano também irá tomar ação semelhante. As outras formas de disponibizar recursos para a Microrrede Centro são através da licitação do Floribike ou prevendo recursos no orçamento do erário municipal.

Enquanto isso, sente-se pouco seguro o ciclista novato, estimulado – por afinidade ou pelo crescente congestionamento – a deslocar-se em bicicleta pela cidade.

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A farra legal

Elemento cultural trazido por açorianos e modificado ao longo das gerações em Santa Catarina, a Farra do Boi foi proibida em todo território nacional a partir de 1998. A perseguição e a violência ao touro, praticada por quem acredita estar, com isso, metaforicamente expulsando os demônios do corpo e se livrando dos pecados cometidos, embora ilegais, ainda são comuns no litoral catarinense, incluindo em sua capital, Florianópolis.

O mesmo ódio que exala dos olhos dos farristas emana da impaciência diária de certos motoristas. Em vez de um touro, ciclistas e pedestres fazem-se de alvo. O não compartilhamento das ruas, seja pela total insapiência da lei, seja pela pressa de um dia mal planejado, deixa as suas vítimas. Motociclistas, ciclistas e pedestres, atingidos em cheio pela arma metálica, na penitência cotidiana da rotina, quedam-se sem voz, emudecem sem poder explicitar as verdades das ruas, os reais acontecimentos. As suas vidas, tiradas sem nenhum lamento, numa cruel e satânica resposta a um objetivo maior: a pressa, o ego, o eu, o não-nós. Anti(auto)vida prestando-se mais que a convivência. Nos erros do passado, o pseudoperdão para mais erros no futuro.

Basta! Basta da Farra do Boi! Basta da Farra das Ruas!

Uma nova farra é proposta para substitui-las. Uma farra de convivência, uma farra de carinho, uma farra de sentimentos, uma Farra Legal!

A Massa Crítica/Bicicletada Floripa vem a março com uma proposta de expandir o entusiasmo a uma reflexão cultural. A repensar os valores da modificação da açoriana Farra do Boi e da tão autêntica Farra das Ruas. Duas farras emblemáticas. Duas farras que deixam jorrar o fúnebre gosto da morte de inocentes.

Bem diferente da Boicicletada, a farra das bicicletas, a alegria contagiante das ruas.

Entre nesta nova onda, venha farrear de maneira legal!

Florianopolis 2013-03-29 BoicicletadaArte: Naiara Lima, sobre imagem de Taylor Simpson

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Fernanda Lago: Florianópolis tem que deixar de ser “carro-dependente”

O texto abaixo foi originalmente publicado no periódico Diário Catarinense, versão impressa, na quinta-feira, 06 de dezembro de 2012, na página 3 do caderno Variedades. Pode ser lida também neste link.

Cronica - Fernanda Lago DC 2012-12-06 Dependentes

(Veja em PDF)

Contexto

Dependentes

Fernanda Lago

Cada vez mais as cidades do mundo, falo das urbanizadas, obviamente, restringem o acesso dos carros nas suas áreas centrais. Várias metrópoles optam por privilegiar o trânsito de pedestres e veículos pequenos, mais individualizados, como a bicicleta, o skate, o patinete, o patins e até as motinhos, vespas e afins, feitas para, no máximo, duas pessoas ocuparem. E em contrapartida, estão a impedir que os tentáculos do trânsito mais pesado espalhem-se sobre os espaços públicos como se fossem os únicos, ou os mais importantes componentes de uma cidade. Assim, torna-se mais comum pensar, planejar e implantar meios de transportes alternativos e de veículos coletivos e públicos, tão fundamentais para o fluxo das coisas.

Queiram ou não, os carros, os tais veículos de passeio, hoje são objetos obsoletos. Projetados idealmente para o uso comum de quatro a seis passageiros, mas a grande maioria carrega apenas um, o próprio motorista.

Duvida? Faça um passeio mais atento por sua cidade, seu bairro e conte, num curto espaço, pode ser apenas cinco minutos, ou alguns metros, quantos veículos, feitos para mais ocupantes, passam com apenas uma pessoa nele. Fiz isto, a título de pesquisa não científica, na segunda-feira, às sete e meia da noite, na rua geral do Córrego Grande e fiquei impressionada, pois numa sequência de apenas um minuto, os 15 carros que passaram no sentido contrário, tinham somente o condutor como ocupante. Haja desperdício!

Arte: Felipe Parucci.

O jornalista Gilberto Dimenstein utiliza uma expressão muito boa para definir o apego e o uso excessivo dos carros nos espaços urbanos. Segundo ele, vivemos em cidades “carro-dependentes”. Título justo e merecido, já que é bem mais comum do que possa supor qualquer filosofia ver o cidadão fazer uso do seu carro para se deslocar até a academia de ginástica mais próxima, a fim correr na esteira, ou para ir até a padaria da esquina, a locadora e por aí afora. Somos uma sociedade de viciados em carros, ao ponto de crer que a vida será melhor, mais feliz, com mais amigos e namoradas, dependendo do modelo que o nosso dinheiro possa bancar, ou não. Chegamos ao estágio de confundir veículo motorizado com ego.

Mas agora, que vivemos a insustentabilidade, o que realmente importa é saber como vamos sair dela. Alguns locais mais civilizados passaram a adotar a proibição de carros e outros veículos, em detrimento do pedestre e dos ciclistas. Exemplos como Nova York, que em cinco anos criou 450 quilômetros de ciclovias e fechou várias praças aos carros, entre elas a famosa Times Square e, apesar das críticas fervorosas, o comércio cresceu e a cidade toda comemora, inclusive os turistas brasileiros ávidos pelas andanças atrás dos melhores preços e produtos à venda. Lá, o transporte público também melhorou com a ampliação dos corredores de ônibus.

Mais perto, aqui na América do Sul, a Colômbia chegou na frente. Bogotá, antes conhecida como a capital mundial do narcotráfico, hoje é exemplo em desenvolvimento social e mobilidade urbana. O caminho foi longo, mas a cidade melhorou quando priorizou os espaços públicos com a ampliação de calçadas, ciclovias e parques. As áreas de estacionamentos da cidade foram reduzidas, apesar das reclamações dos donos dos carros.

Em Florianópolis, assistimos, principalmente pelas redes sociais, uma briga séria e feia, a dos “com carros” contra os “com bicicletas” e vice-versa, enquanto algumas áreas de estacionamento estão se tornando ciclofaixas, para felicidade de alguns e ódio de outros. Pena que a mobilidade não se restrinja apenas a isto. Aliás, vou gostar ainda mais de morar aqui quando as ciclovias tiverem começo, meio e fim, o transporte público for eficiente, o centro da cidade priorizar o pedestre e quando deixarmos de ser “carro-dependentes”.

Charge – Pedalando com segurança na SC-401


A charge acima foi publicada no Jornal Notícias do Dia, edição da Grande Florianópolis, no dia 6 de fevereiro de 2012. A autoria dela é de César Nogueira.

Uma homenagem crítica ao acidente que vitimou Emílio Delfino Carvalho de Souza e feriu Nicolas Paolo Zanella na rodovia SC-401, em Florianópolis, em 5 de fevereiro.

Saiba mais:

SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do último acidente no Jornal Notícias do Dia.
Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados - Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.

Veja também:

Charge – Ponte Hercílio Luz: Um dia ela cansa de esperar
Charge – Ano novo, problema velho
Charge – Na inauguração da ciclofaixa de lazer…
Charge – Dia Mundial Sem Carro
Charge – Semana Mundial Sem Carros
Charge – Acessibilidade

Charge – Fins do mundo

(Charges) Atropelamento da Massa Crítica de Porto Alegre

(Charges) Ciclista Noel

Charge – A Faixa de Gaza é mais segura que a faixa de pedestres

Charge – É só não usar como um selvagem!

Charge – Na Ressacada, só de bicicleta

Charge – Não chegue antes na escola, filho!

Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis

Charge – A Ilha tá afundando

SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, no dia 07 de fevereiro de 2012 (pág. 3). Você também pode ler a matéria no site do ND aqui. Veja em PDF: {capa} e {pág. 3}.

  

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Violência assusta

SC-401 teve duas mortes de ciclista só este ano, e número preocupa a PM Rodoviária 

Rodovia da morte para ciclistas

SC-401. Em 37 dias de 2012, número de ciclistas mortos já é igual ao total dos últimos três anos.

A soma de mortes envolvendo ciclistas na SC-401, neste ano, já é igual ao total registrado nos últimos três anos. Em apenas 37 dias de 2012, duas pessoas morreram e uma ficou ferida na rodovia. Nos 19,5 quilômetros, do Itacorubi ao Norte da Ilha, apenas 6.5 mil metros têm faixa destinada às bicicletas. Ainda assim, o uso é compartilhado com pedestres e veículos que aguardam reparos. O Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura) não prevê a construção de mais ciclovias na estrada.

Segundo o relações públicas da PMRv (Polícia Militar Rodoviária), major Fábio José Martins, o número de acidentes envolvendo ciclistas preocupa. “A quantidade de pessoas com bicicletas cresceu muito, mas há poucas ciclovias. Vamos começar a trabalhar essa questão”, prometeu.

No último domingo, às 9h30min, Emilio D. C. de Souza trafegava pelo km 18,2, trecho sem ciclovia, da SC-401 quando foi atingido por um automóvel. Ele chegou a ser levado para o Hospital Celso Ramos, mas morreu no começo da tarde. Outro ciclista ficou ferido no acidente. O motorista do veículo Forde Fiesta, Lucas Collovini, 29 anos, se recusou a fazer o teste de bafômetro e a ceder sangue para a realização do exame, que comprovaria a embriaguez. Como ele prestou socorro às vítimas, foi liberado. Collovini se limitou a informar que dormiu ao volante.

O presidente do Deinfra, Paulo Meller, acredita que o acidente foi uma fatalidade. “Não temos projetos para fazer ciclovia naquele ponto. Esse caso foi um acidente. Ele saiu da pista. A ciclofaixa não evitaria o acidente”, justificou Meller. Em relação ao trecho recém-duplicado da SC-401, onde ciclistas e pedestres têm que dividir espaço com carros quebrados, Meller garante que o projeto é adequado. “Está dentro das normas”, defendeu.

Denúncia. Gilbert de Oliveira, 36 anos, disse que se os ciclistas andam no acostamento são jogados para a pista pelos motoristas dos carros que saem das lojas existentes ao longo da SC-401. Foto: Alexandro Albornoz / ND.

“Os motoristas não têm paciência”

O motorista Gilbert de Oliveira, 36 anos, utiliza a bicicleta sempre que pode. Mas ele reclama que falta respeito dos condutores. “Quando você está no acostamento, os carros que saem das lojas ao longo da via ficam empurrando a gente para a pista. Os motoristas não têm paciência com quem está de bicicleta”, reclamou.

Para o major Fábio José Martins, a velocidade permitida na SC-401 é incompatível à realidade da Capital. “É uma rodovia acima da média urbana. Os ciclistas têm que evitar esse local, principalmente o trecho sem ciclovia”, avisou o policial rodoviário.

Flagrante. Rapaz se arrisca ao cruzar SC-401, justamente onde há uma passarela para pedestres. Foto: Alexandro Albornoz / ND. 

Pedestres também correm risco

Os pedestres também correm risco diário ao utilizar a SC-401. Porém, em alguns casos, são eles que colocam em risco a vida dos usuários da estrada. Ontem, a reportagem do Notícias do Dia flagrou uma pessoa atravessando a pista sob uma passarela. Números do setor de estatística da Polícia Rodoviária Militar revelam que cinco pedestres morreram na via no ano passado. Outras 15 pessoas ficaram feridas. Neste ano, não houve mortes.

O trecho recém-duplicado da rodovia, inaugurado em dezembro, tem 8,4 quilômetros de faixa destinada a pedestres e ciclistas e uma passagem subterrânea. Ainda há o elevado da Vargem Pequena. Durante a temporada, 68 mil veículos trafegam diariamente pela SC-401.

Everton Palaoro

Saiba mais:

A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados - Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.

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(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
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Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do último acidente no Jornal Notícias do Dia.
Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.

Rio Tavares: obras começam sem ciclovia

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 31 de maio de 2011 (pág. 25). Você pode ler a matéria no site do DC aqui. Faz parte de uma série de matérias e conteúdos relativos ao descaso com os ciclistas que transitam pela região. Erratas e situações reversas serão bem vindas.

Dois fatos importantes aconteceram após a publicação dessa reportagem. O Tribunal de Justiça deu ganho de causa à ação movida pela ViaCiclo. O Deinfra recorreu e não há previsão de ciclovia. Segundo o projeto conceitual do IPUF, estava prevista a nova pista e o acostamento em apenas um dos lados, que é o que está efetivamente sendo feito. Além disso, ciclovia, arborização e passeios constavam nos planos no órgão municipal.

E DAÍ?

Começa a ampliação na SC-405

Projeto da terceira pista com 2,3 quilômetros, que vai ligar o Trevo da Seta e o Bairro Rio Tavares, não prevê uma ciclovia

Começaram ontem as obras para a ampliação da SC-405. O projeto, orçado em R$ 3 milhões, não prevê uma ciclovia. De acordo com a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), a lei determina que toda obra de reforma ou expansão de rodovias tenha um espaço para a circulação de pedestres e ciclistas.

Por isso, a ViaCiclo entrou com ação civil pública pedindo ciclovias e ciclofaixas na SC-405. O Deinfra foi intimado a prestar esclarecimentos e, segundo informou, o órgão não é obrigado a fazer a ciclovia até a decisão final do Tribunal de Justiça.

O presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura, Paulo Meller, diz que as obras da SC-405 só incluem acostamentos e bolsões para ônibus. Meller defende que a licitação, sem previsão de espaço para a circulação de bicicletas, foi feita há dois anos. Segundo ele, não se pode fugir “uma linha” do projeto. Mas ele destaca que as obras para a duplicação da Diomício de Freitas, que leva ao Aeroporto Internacional Hercílio Luz, incluirão ciclovias.

Segundo a Polícia Rodoviária, apesar da obra da SC-405 não exigir desvios no trânsito, ontem, o congestionamento no local chegou a 5 quilômetros por volta das 9h.

Obra, orçada em R$ 3 milhões, deve ficar pronta em dezembro.

Para o presidente do Deinfra, Paulo Meller, o fluxo de carros deve ficar mais complicado na região até o fim das obras, previsto para dezembro.

– Além dos carros, terão as máquinas trabalhando, o que dificulta ainda mais o trânsito. Mas será um transtorno momentâneo – afirma.

As obras envolvem a construção de uma terceira faixa em 2,3 quilômetros de extensão entre o Trevo da Seta e o Bairro Rio Tavares. Serão três faixas de 3,5 metros e dois acostamentos de 1,5 metros cada um. Ontem, iniciou-se a fase de limpeza da região e os muros no entorno começaram a ser demolidos para, depois, os postes de energia elétrica serem retirados. A sinalização do local está a cargo da empresa vencedora da licitação, a Sulcatarinense. A ordem de serviço para os trabalhos foi assinada com a empresa em fevereiro de 2009.

O atraso de quase dois anos, segundo Meller, deveu-se aos processos judiciais para a indenização das terras dos moradores da região. Das 93 desapropriações, cinco ainda estão da Justiça, mas não devem atrapalhar as obras. A PMRv recomenda cautela redobrada para os motoristas que trafegam na região e pede para que os curiosos não parem no local. Quando as obras estiverem prontas, duas pistas devem ficar no sentido bairro-Centro, enquanto uma faixa ficará no sentido Centro-bairro. A ampliação deve faciliar a circulação dos 33 mil carros que passam pela rodovia diariamente.

Poesia – Culto à caixa

Soneto do culto aos carros

“Situação não poderia haver pior”

Um dia desses vi em fila estacionadas
De algum pedestre a ocupar o nobre espaço
Tão grandes caixas de borracha, vidro e aço
Em tom vermelhas, brancas, pretas, prateadas

E lá no fundo é grande o esforço que eu faço
De compreender como tais caixas são amadas
Mais que pessoas, que estão capacitadas
De dar um beijo, um olhar ou um abraço

E se uma delas precisar de área maior
Pode ocupar-se o local das bicicletas
Que são os donos de suas caixas cultuadores

Situação não poderia haver pior
Ter que abrir mão de poucos metros aos atletas
Pois suas caixas são de fato seus amores

Krishna Simpson

Retirado do Jornal Ponte Velha, de 09 de setembro de 2009.
Cena fotografada na ciclofaixa e calçada da Rua Bocaiúva, em Florianópolis, SC, em 29 de setembro de 2010, às 22h00.

UFSC discute “Sociedade do Automóvel”

Em apoio ao Dia Mundial sem Carro (22/09) e à Semana da Mobilidade Sustentável Floripa 2010 o GEABio (Grupo de Educação e Estudos Ambientais da Biologia/UFSC) promove:

Exibição e discussão do filme:

Sociedade do Automóvel

Data: 23 de setembro, às 18h30.
Local:
UFSC, sala CCB 508, ao lado do CABio.

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