“Não há forma mais eficiente de melhorar o mundo do que pedalar”

Uma interessante matéria publicada pela Ciencia Seminal, em 24 de junho de 2013, mostra como a bicicleta pode ajudar no desenvolvimento de uma cidade.

De acordo com a secretária de transporte, obras públicas e água de Amsterdã, Tineke Huizinga-Heringa, foi a cultura da bicicleta que levou os Países Baixos serem exemplos em questão econômica, política e social.

– Está claro que as bicicletas melhoraram nosso nível de vida. Desde que construímos as pistas cicláveis, percebemos um crescimento substancial do país. Cada um desses 400km foram uma garantia de avanço para a civilização – diz.

De acordo com a secretária, não apenas os níveis de poluentes e contaminantes são menores, como também os seus habitantes se tornaram mais sofisticados, educados, com maior moral e inteligência desde que passaram a utilizar a bicicleta.

Tineke Huizinga-Heringa. Foto: ANP.

Tineke Huizinga-Heringa. Foto: ANP.

O impacto do uso da bicicleta, afirma ela, é indiscutível.

– Temos demonstrado que nossas bicicletas nos tem levado a ser um dos países mais desenvolvidos do mundo.

Ainda conforme Huizinga-Heringa, que em 2009 elaborou um relatório sobre o uso da bicicleta nos Países Baixos, não há melhor forma de mudar o mundo do que usando a bicicleta.

– O que nos mudou não foi o nível acadêmico, nem a economia saneada, os parlamentares, ou nosso avançado sentido moral, tampouco a legitimação de direitos individuais. Tudo isso veio após as bicicletas. Inclusive, a população em geral se tornou mais bela e sexualmente ativa após pedalar mais horas ao dia.

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Holandeses pretendem dar a volta ao mundo em bicicleta

O segundo dia do Fórum Mundial da Bicicleta, em Porto Alegre, em 24 de fevereiro, contou com a presença do casal holandês (ou melhor, neerlandês) Hilde de Leeuw e Tos Alles.

Há nove meses na estrada, eles estão fazendo uma viagem sem gastar uma gota de gasolina. Depois de passar por França, Portugal e Espanha, o casal conseguiu ajuda para cruzar o Atlântico de uma maneira inusitada: num veleiro. Em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, conheceram um brasileiro que seguiria para Recife (PE) a bordo da pequena embarcação e atravessaram o oceano. Se, para Tos, a viagem serviu para descobrir os enjôos trazidos pelo ondular do barco, Hilde lá viu no azul do Atlântico um de seus locais inesquecíveis.

Desembarcando na costa brasileira, seguiram rumo ao sul, passando por Alagoas, Bahia, Minas Geras, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina, antes de chegarem a Porto Alegre, onde sua estadia já se prolongava por mais de duas semanas. Na capital gaúcha, estiveram na instalação da bicicleta-fantasma (ghost bike) do menino Gustavo Luiz da Rosa Silva, de apenas 6 anos.

No Brasil, os locais que Hilde descreve como fantásticos são a cachoeira do Garapiá, em Maquiné (RS), e a região de Taperoá (BA).

De acordo com o casal, viajar permitiu-lhes maior autocrítica sobre a questão da sustentabilidade. De fato, nas próximas paradas, no Uruguai e na Argentina, pretendem ficar na rede de fazendas sustentáveis WWOOF (World Wide Oppotunities on Organic Farms), onde almejam trabalhar e adquirir conhecimentos sobre agricultura orgânica e agroecologia.

Apesar do dinheiro curto – se dependessem apenas dele para se manter na estrada, viajariam por apenas mais 3 meses -, eles ainda querem conhecer o mundo de bicicleta. E iniciativas como o WWOOF e redes de colaboradores ajudam-nos a irem cada vez mais longe.

Como fato histórico, contaram que as crises do petróleo tiveram conseqüências especialmente danosas na economia dos Países Baixos, com seguidos racionamentos de combustível, obrigando o governo a propiciar estímulos a outras formas de deslocamento, dentre as quais o pedalar.

Para acompanhar a viagem de Tos & Hilde, basta ficar por dentro do site www.filosofietsen.nl (em neerlandês).

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