Charge – Nunca se lembram dos passarinhos

charge - Armandinho DC 2013-08-01

A charge acima, de autoria do cartunista Alexandre Beck, foi publicada na pág. 6 do caderno Variedades do periódico Diário Catarinense de 1º de agosto de 2013. Veja em PDF aqui

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(Vídeos) Ciclofaixa de domingo leva ciclistas às ruas de Florianópolis

Acima, conteúdo exibido originalmente no Bom Dia Santa Catarina, da RBS TV SC,  em 29 de julho de 2013, logo após o primeiro dia de funcionamento da Ciclofaixa de Domingo em Florianópolis. Assista aqui à reportagem no site.

Abaixo, reportagem exibida no mesmo programa em 26 de julho, divulgada também aqui.

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Moradores do Continente aprovam Ciclofaixa de DomingoCiclofaixa de Domingo logo

Projeto Ciclofaixa de Domingo é ampliado

(Vídeo) Ciclofaixa de Domingo na Band

Conheça melhor o projeto Ciclofaixa de Domingo e Rua de Lazer

(Vídeo) Avaliação do primeiro dia da Ciclofaixa de Domingo é positiva

Ciclofaixa de Domingo tem grande participação da comunidade

Começa a funcionar o projeto Ciclofaixa de Domingo

Ciclofaixa de lazer de Florianópolis começa a funcionar domingo

Atividades da Ciclofaixa de Domingo de Florianópolis

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Artigo: uma reflexão crítica sobre as ciclofaixas de lazer de Florianópolis

Florianópolis entra na moda das ciclofaixas de lazer

Moradores do Continente aprovam Ciclofaixa de Domingo

Evento será permanente na região

Secretaria do Continente e Ipuf irão se reunir nesta semana para avaliar o primeiro domingo da ação

Moradores do Continente aderiram muito bem ao projeto Ciclofaixa de Domingo inaugurado neste fim de semana. Não houve registro de incidentes, nem de filas no trânsito por conta da maior movimentação de ciclistas por toda a orla de Coqueiros, Abraão e Itaguaçu. Nesta semana a Secretaria do Continente e o Ipuf deverão se reunir para avaliar o primeiro domingo da ação.

Para o secretário do Continente, João Batista Nunes, o Ciclovia de Domingo é um projeto que pode provocar uma importante mudança cultural na cidade, humanizando os espaços públicos e encontrando novos meios de transportes seja para o trabalho ou para o lazer.

“As pessoas vieram para rua, completaram o trajeto de cinco quilômetros com uma vista maravilhosa de nosso Continente, mostraram que a cidade pode mudar e é isso que queremos, uma Florianópolis mais humana”, disse João Batista.

Segundo o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano e superintendente do IPUF, Dalmo Vieira Filho, “a Ciclofaixa multiplica as opções de lazer para o florianopolitano e entra no conceito de praças eventuais que estamos pensando para a cidade. O próximo passo é integrá-la com a Av. Beira Mar Norte”, anuncia.

A iniciativa é a primeira virada no sentido de humanizar a cidade. Segundo o prefeito, não havia melhor região que o Continente para isso.

“Esperamos criar uma cultura nova, que não sirva apenas ao automóvel, levando a população a percorrer os espaços públicos.”

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Como funcionou

A Ciclofaixa foi devidamente sinalizada para uso dos ciclistas com faixa vermelha de rolamento e cones compreendendo um extensão de aproximadamente cinco quilômetros entre a Praia do Itaguaçu e a Beira Mar Continental (do Estreito).

A atividade da Ciclofaixa de Domingo, a partir de agora, será uma atividade permanente na região que compreende o Bairro de Coqueiros até a Beira Mar Continental e sempre estará abertas aos ciclistas das 8h às 17h.

A iniciativa teve o apoio da Unicred que contribuiu com os custos de implantação e disponibilizou cerca de 30 monitores para toda a extensão da ciclofaixa.

Fonte: Prefeitura Municipal de Florianópolis, em 28 de julho de 2013.

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Começa a funcionar o projeto Ciclofaixa de Domingo

Saiu no site da Prefeitura Municipal de Florianópolis em 28 de julho de 2013:

Ciclofaixa de Domingo é inaugurada no Continente

Projeto da Prefeitura tem como objetivo humanizar a cidade

Um cenário diferente pôde ser desfrutado no Bairro de Coqueiros, na região continental de Florianópolis,  neste domingo, 28 de julho: a inauguração da Ciclofaixa atraiu das 8 às 17 horas públicos de todas as idades.

Crianças, jovens, adultos e pessoas da terceira idade puderam circular no espaço de lazer com segurança, apoiados pelos monitores contratados e pela Guarda Municipal. A iniciativa da Prefeitura Municipal e do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, nas palavras do prefeito Cesar Souza Júnior, é a primeira virada no sentido de humanizar a cidade.

“Esperamos criar uma cultura nova, que não sirva apenas ao automóvel, levando a população a percorrer os espaços públicos.”

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Rodas entre o asfalto e a areia

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Bicicletada Floripa de janeiro teve irreverência e críticas à ausência de ciclovias e à implantação de bicicletários inadequados

A tradicional Massa Crítica de Florianópolis contou com mais de 50 ciclistas em sua primeira edição de 2013. Fazendo alusão às férias e ao mar, cumpriu a promessa e foi à praia!

Arte: Fabricio Sousa

No caminho até à próxima praia do Campeche, ciclistas fantasiados, de sunga, chinelos ou bermudão, não se eximiram em realizar críticas à ausência de espaço reservado à circulação de ciclistas e apoio da população.

Na primeira Bicicletada de 2013, ciclistas de Florianópolis pedalam observando o pôr do Sol.

Na primeira Bicicletada de 2013, ciclistas de Florianópolis pedalam observando o pôr do Sol. Foto: Fabiano Faga Pacheco

Pelo caminho até o sul da Ilha, uma volta no parque da Costeira do Pirajubaé deixou crianças e adolescentes perplexos.

Passagem de ciclistas por parque da Costeira impressionou os mais jovens.

Passagem de ciclistas por parque da Costeira impressionou os mais jovens. Foto: Fabiano Faga Pacheco

Uma ciclovia fora prometida no Rio Tavares e deve começar a ser construída logo após a temporada de verão, ou seja, daqui uma quinzena. Apesar da promessa, por decisão judicial, já deveria existir ao menos uma ciclofaixa no local desde junho, e uma ciclovia deveria ter ficado pronta no começo deste mês.

No Rio Tavares, a principal via do bairro, a rodovia SC-405, foi ampliada, sem considerar, entretanto as travessias para pedestres nem a circulação de bicicletas. Na época apontada como grande parte da solução para os congestionamentos diários no local, a ampliação acabou, ao contrário, trazendo mais problemas de mobilidade na bacia do Campeche, com o aumento do número de automóveis, mas não de ônibus, circulando por ela. Em menos de um ano, a faixa adicional já se tornou insuficiente para a demanda de veículos motorizados individuais que trafegam por ela. Ao mesmo tempo, triplicou-se o número de acidentes com ciclistas e pedestres.

Não faltaram bicicletas ornamentadas motivos florais.

Não faltaram bicicletas ornamentadas motivos florais. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Ocupando uma das faixas da via no sentido Centro-Sul, os ciclistas viram-se obrigados a ficarem em meio ao trânsito, atrás de uma fila de automóveis que insistia em parar. Os gritos de “Cadê a ciclovia!?” entoados foram logo aplaudidos por moradores da região, bem como por diversos motoristas que os viam passar.

Com acostamento intermitente, ciclistas aguardam atrás dos automóveis a sua vez de se deslocar.

Com acostamento intermitente, ciclistas aguardam atrás dos automóveis a sua vez de se deslocar. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

A passagem pela Av. Pequeno Príncipe, o principal acesso ao Campeche, também rendeu boas críticas às condições precárias que a falta de manutenção da ciclofaixa acarretou, resultando em cada vez mais buracos e amontoados de areia.

O banho de mar, compartilhado por cerca de 15 ciclistas nas águas incomumente tranquilas da praia, antecedeu um protesto rápido contra os paraciclos instalados ao final da praia.

Parte dos ciclistas na praia do Campeche.

Parte dos ciclistas na praia do Campeche. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Revitalizada há poucos meses, o acesso à praia não contou pista ciclável, conforme determina a Lei Municipal 78/2001, e teve 22 paraciclos entorta-rodas instalados. O modelo municipal, considerado adequado pelos ciclistas, pode ser encontrado aqui.

Bicicletas ao chão em protesto contra bicicletário inadequado instalado no Campeche.

Bicicletas ao chão em protesto contra bicicletário inadequado instalado no Campeche. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

No dia seguinte, durante o evento “Prefeitura nos Bairros”, o secretário de Obras e vice-prefeito João Amin (PP) afirmou que irá rever esses paraciclos e instalar um modelo mais adequado.

Saiba mais sobre a Bicicletada Floripa de janeiro

Fotos:

Eduardo Xavier
Fabiano Faga Pacheco
(também no Facebook)
Fabricio Sousa
Stefano Maccarini

Vídeos:

Daniel de Araújo Costa
Fabiano Faga Pacheco

Artigo: uma reflexão crítica sobre as ciclofaixas de lazer de Florianópolis

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Diretrizes para o sucesso de vias temporárias visando à sua implantação futura de modo permanente

Recentemente, o periódico Diário Catarinense publicou interessante matéria sobre o aumento da quantidade de infraestrutura cicloviária em Florianópolis mediante a implantação de ciclofaixas de lazer, a exemplo da Ciclofaixa São Paulo e do Circuito Ciclofaixa, de Curitiba.

Pela reportagem, em um ano o tamanho da infraestrutura cicloviária da cidade aumentaria 70%, com a inclusão de 30km de ciclofaixas que funcionariam apenas aos domingos.

Origem das Ciclofaixas de Lazer

A idéia de se criar ciclofaixas provisórias é tipicamente brasileira. Surgiu em agosto de 2009, na cidade de São Paulo, então firmemente pressionada pela morte de ciclistas e por estudo de André Pasqualini que demonstrou que a cidade não possuía nenhum quilômetro de ciclovia utilizável na cidade. Numa cidade tomada por congestionamentos diários e cujo secretário de transportes solenemente ignorava a presença de ciclistas, em vez de construir uma ciclovia permanente, optaram por uma solução mais simples: fechar ruas ao tráfego automotor por uma manhã de domingo, quando o fluxo de veículos é menor. Encampada pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, a ciclofaixa paulistana de lazer ligava parques em meio a uma região aplainada.

Foi, de fato, um sucesso! A demanda reprimida por ciclovias era tão grande que houve mais de 9.000 ciclistas circulando em seu primeiro domingo de funcionamento, superando em 4.000 as expectativas.

As ciclofaixas de domingo foram copiadas por outras cidades. Além de Curitiba, Campinas e Ribeirão Preto também aderiram à iniciativa.

Problemas surgidos

Sobre Curitiba, temos um artigo exclusivo sobre sua polêmica. A iniciativa foi do Secretário Municipal de Esporte, Lazer e Juventide, Marcello Richa, filho do então governador do Paraná. De forma tímida, sem consulta a entidades de ciclistas ou mesmo grupos de pesquisadores cicloviários, pintou do lado esquerdo das vias 4km de ciclofaixas que funcionariam apenas um domingo por mês.

O intervalo entre cada Circuito Ciclofaixa, o fato de se localizar num lado da via onde normalmente não ocorre tráfego de ciclistas, a exígua extensão e o não cumprimento dos acordos de sua ampliação tornaram o Circuito Ciclofaixa extremamente vexatório.

Em Campinas, a ciclofaixa de lazer deixou de operar, muito embora reuniões estejam sendo feitas na nova administração para que ela possa voltar a ser operada.

Assim como São Paulo, a cidade de Ribeirão Preto conta com o apoio de um banco privado que possibilita uma série de atratividades aos usuários. Além de fiscais da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realizarem um bom trabalho de redimensionamento de trânsito, agentes coletam dados e realizam entrevistas (eu mesmo já participei de uma), fotos dos ciclistas são orgulhosamente exibidas em site próprio, oficinas realizam ajustes nas bicicletas dos participantes e mesmo parques que há muito estavam no papel foram inaugurados já sendo contemplados com as novas ciclofaixas. Enfim, os ciclistas têm a seu dispôr um caminho seguro e atrativos em seus destinos.

Falácia de números

Hoje, a coordenação da Ciclofaixa São Paulo é da Secretaria de Transportes. Mas do percurso original nenhum deles foi efetivado e mesmo a integração com a única ciclovia próxima inaugurada desde 2009 – a ciclovia da Marginal Pinheiros – continua pobre, com poucos avanços.

Entretanto, o município de São Paulo contabiliza as ciclofaixas de lazer em seus números “oficiais”. Nenhum urbanista sério diria hoje que São Paulo tem 230km de pistas cicláveis ao se referir à mobilidade urbana por bicicleta. Os números são bem menores, de em torno de 50km. Ao contrário do que diz a reportagem – e fontes falsas da Prefeitura de São Paulo -, 230km é a meta da cidade para 2016. Mas quase todo o cronograma envolve ciclovias em parques – além das ciclofaixas de lazer. Para o ciclista urbano que pedala em seu cotidiano, poucos avanços seriam percebidos e mesmo poucos dos novos trechos estão devidademente interconectados.

São Paulo coloca em sua conta as ciclorrotas (pinturas no asfalto, indicando a presença de ciclista, uma outra solução de fácil implantação), as vias dentro de parques e as ciclofaixas de lazer em dobro. Mesmo ida e volta sendo lado a lado no canteiro central, a prefeitura conta ambos os lados de forma separada.

Por isso, em nenhum estudo acadêmico os dados da prefeitura são contabilizados quando se trata de mobilidade urbana.

Esse artifício, de que Porto Alegre e Campinas também se utilizaram, não deve ser repetido em Florianópolis. Ciclofaixa de lazer não é de deslocamento, via de regra. Inclusive, pode ser prejudicial a quem se utiliza da bicicleta no dia a dia. A pintura no asfalto na faixa da esquerda faz com que muitos motoristas, nos demais dias da semana, lancem seus veículos contra os ciclistas que trafegam corretamente à direita, dizendo ser ali espaço dele, do motorista. Diversos casos assim foram relatados em São Paulo.

Ciclorrecreovias

A opção da ciclofaixa de domingo de Florianópolis deve levar em conta os atrativos para o uso da bicicleta e a possibilidade de efetivação diária do trecho. Nesse sentido vale a pena recordar os exemplos de Bogotá. Ambas as situações ocorreram e a bicicleta virou febre. Pistas para caminhada, corrida e pedalada, seguido por incentivos, como aulas de ginásticas ao ar livre, atendimentos de saúde básicos, como medição de pressão, programas de acompanhamento de saúde, a exemplo de pessoas que queriam perder massa, piqueniques nas áreas adjacentes: tudo isso contribuiu para o sucesso do programa da cidade. Diversas cidades adotaram o mesmo modelo, com destaque atualmente para Santiago, no Chile, e seu programa CicloRecreoVías.

No Brasil, as iniciativas ainda são tímidas. Destaques nacionais são o fechamento do Eixão, em Brasília, e de parte da Beira-Rio, em Porto Alegre. Em Santa Catarina, Joinville chegou a fechar a Av. Hermann August Lepper em 2009 e Florianópolis e Biguaçu contaram com Ciclovias de Domingo. Este último projeto, encabeçado pela Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), que também está contribuindo atualmente, mantém pouca semelhança com as novas ciclofaixas de lazer de Florianópolis, pré-denominadas Ciclofaixa de Domingo. Veja aqui um levantamento de iniciativas semelhantes no Brasil.

As ciclofaixas de lazer de Florianópolis estão começando de forma parcialmente correta. Há um pensamento importante nos atrativos. Pensa-se desde já em incluir um roteiro histórico-cultural pelo centro do município, em ligar parques, como o de Coqueiros, da Luz e do Córrego Grande, em propiciar condições para a realização de atividades ao ar livre e de saúde, focando na prevenção de doenças, bem como em feiras de artesanato e/ou similares, aproveitando também espaços como campos de futebol, praças e pistas de skate. Isso sem contar na música, simbolizada em rodas de samba e em projetos como a Sounds in da City, além das oficinas dos Bike Anjos para quem quiser dicas ou aprender a pedalar em meio ao trânsito.

Com isso, mesmo que as praias da região central e continental de Florianópolis permaneçam impróprias para banho, incentivos não devem faltar para quem quiser se aproveitar das ciclofaixas de lazer. Fora o trabalho árduo em coordenar essas diversas atividades, faltam ainda, entretanto, duas questões importantes: estacionamentos de bicicleta e ciclovias “de verdade”.

Do lazer ao cotidiano

São Paulo pecou em não efetivar parte de sua Ciclofaixa de Lazer para os demais dias da semana. Após mais de três anos, mais de 100.000 pessoas percorrem as ciclofaixas das zonas sul e oeste todo domingo. O estímulo ao uso da bicicleta foi-lhes dado. Mas a passagem de se pedalar por lazer para o trabalho encontra seus obstáculos.

Após uma queda em 2011, o número de acidentes fatais com ciclistas subiu em São Paulo. Também não era para menos: em cerca de 10 anos, aumentou 300% o número de pessoas que se locomovem de bicicleta em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas a infraestrutura paulistana permaneceu praticamente inalterada, apenas maquiada, enquanto o Rio investiu fortemente em infraestrutura, pesquisa e educação no trânsito.

Faz-se necessário, assim, que Florianópolis pense sua ciclofaixa de lazer de modo a que vários de seus trechos sejam transformados, de fato, em ciclovias para o ano inteiro. Aproveitar trechos de projetos que já existam, como é o caso de Coqueiros e da Av. Madre Benvenuta, e interligá-los à malha cicloviária já existente é imperial.

É fundamental também a pesquisa de coleta de dados. Ela deve ser fundamental para embasar tanto a efetivação das futuras pistas cicláveis quanto para que sejam feitas correções de traçado ou de atrativos. Como disse Guillhermo Peñalosa, no Fórum Internacional de Mobilidade nas Cidades, realizado em Florianópolis em 2011, precisamos pegar números que mostrem o antes e o depois, verificar a eficácia da ciclofaixa de lazer para o aumento do número de ciclistas e aí sim tomar a decisão de implementar de vez uma ciclovia ou ciclofaixa permanente.

Fundo Municipal de Trânsito

Parte das promessas do prefeito eleito Cesar Souza Júnior, a destinação de 20% do futuro Fundo Municipal de Trânsito para a construção de ciclovias não poderá ser usada para as ciclofaixas de lazer se não forem seguidas estas recomendações.

A criação de um fundo para gerir a mobilidade faz parte da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei Federal 12.587/2012). A destinação desses 20%, hoje estimados em cerca de R$8 milhões por ano, para a implantação de pistas cicláveis voltadas exclusivamente ao lazer não se insere dentro da lei federal.

Entretanto, se for parte de um processo para a consolidação da infraestrutura cicloviária urbana, envolvendo desde o início pesquisas de contagem volumétrica e entrevistas com usuário de bicicleta, esse recurso poderá ser parcialmente utilizado para essa destinação.

Os 74% dos habitantes que compõem a demanda reprimida no que tange ao uso da bicicleta apenas esperam que, ao contrário de São Paulo, essa efetivação não demore mais que 3 anos.

Fabiano Faga Pacheco

Uma beira-mar sul melhor

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 2 de maio de 2010 (págs. 26 e 27). Você pode ler a matéria no site do DC nos links a seguir: {1} {2} {3} {4} {5}.

ENTERRO DO ATERRO

ATERRO DA BAÍA SUL

Era para lazer. Virou asfalto

Prédios ou parques? Projeto de Burle Marx mostra que a área de 440 mil m2 poderia ser melhor aproveitada pela população

Uma polêmica traz à tona uma discussão de quatro décadas e mostra que os 440 mil m2 de aterro na Baía Sul, em Florianópolis, poderiam ter sido bem mais aproveitados. O espaço, projetado para o lazer da população, acabou tomado por asfalto e concreto. Situado numa região privilegiada da cidade, é usado como estacionamento, abriga o Direto do Campo e apresenta um visual que beira o abandono.

O mar saiu de cena e deu lugar ao asfalto. A obra foi feita durante o governo Colombo Salles (1971-1974). Era preciso uma via para receber a ponte, de mesmo nome do governador, concluída em 1975. A necessidade de uma ligação entre Ilha e Continente já era evidente desde 1960.

O historiador Reinaldo Lohn lembra que o país vivia sob regime militar e passava pelo “milagre econômico”. A classe média queria carros e apartamentos. Cidades estavam se modernizando e construíam muitos prédios. Florianópolis estava fora do perfil de uma capital. O governador da época aproveitou o embalo do Plano Nacional de Desenvolvimento para construir o que a cidade pedia: outra ponte e mais vias.

Com a finalização do aterro e da ponte, veio a cobrança sobre o que fazer com o resto da área. A ideia inicial era que ali ficassem prédios da administração pública. Mas havia os que eram contra. Queriam espaços verdes e transformar a região no novo centro da cidade. Venceu o lazer, mas só no papel.

Quando Konder Reis assumiu o governo (1975-1979), contratou o paisagista Burle Marx para fazer um parque, inspirado no Aterro do Flamengo, do Rio. As obras começaram, mas, deste projeto, sobraram apenas resquícios do que seria o aterro da Baía Sul. Na idéia do paisagista, o bem-estar das pessoas e uma bela paisagem estariam em primeiro lugar.

Década de 1960, sem o aterro.

Como era

O peixe era entregue de barco no Mercado Público, que tinha como calçada o mar. Até a década de 1970, a única ligação entre Ilha e Continente era a Ponte Hercílio Luz, que não dava mais conta dos carros.

Além disso, o historiador Reinaldo Lohn lembra que, em 1960, uma ponte muito parecida com essa caiu nos Estados Unidos.

– Ficou o alerta de que uma nova ligação precisava ser feita.

O local para a construção da ponte foi bastante discutido. Cogitaram a possibilidade de ligar o Sul da Ilha com Palhoça. Optaram por construir ao lado da Ponte Hercílio Luz, o que pedia um aterro na Baía Sul.

Década de 1970, início da obra.

Como ficou

Com o aterro, começou a discussão do que fazer com o espaço. O parque pensado por Burle Marx não chegou a ser usado pela população.

– Quiseram juntar parque e pedestres num único local, que tinha um impedimento físico para a circulação de pessoas: uma avenida muito larga – observa Lohn.

Nas palavras do historiador Carlos Humberto Correa, o espaço foi ocupado de acordo com o interesse de cada governo. A briga entre vereadores deixou ali um mosaico de serviços: estacionamento de carro e ônibus, feira, camelódromo, avenida, estação de tratamento de esgoto, passarela de samba e um centro de eventos.

Como ficou.

 A inspiração no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro

Na capital fluminense, o Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, popularmente conhecido como Aterro do Flamengo, tem 1.200 m2 de área verde à beira-mar e é um dos mais visitados espaços de lazer da cidade. A idealização do parque foi de Lota Macedo Soares, uma ex-aluna de Cândido Portinari, que, com o aval do então governador, Carlos Lacerda, reuniu um grupo de amigos como o paisagista Roberto Burle Marx, o botânico Luiz Emygdio de Mello Filho e os arquitetos Affonso Eduardo Reidy, Sérgio Bernardes e Jorge Moreira para criar o projeto.

O parque foi inaugurado no dia 12 de outubro de 1965, Dia da Criança. O lugar é iluminado à noite e conta com quadras polivalentes, campos de futebol, playground, anfiteatro, pistas de skate e aeromodelismo. Há ainda um restaurante e quiosques, a Marina da Glória e o Museu de Arte Moderna (MAM). Apesar de ser um parque urbano, o lugar conta com 11.600 árvores de 190 espécies, nativas e exóticas. Aos domingos e feriados, suas pistas são interditadas e liberadas para o lazer do público.

E foi neste espaço que Burle Marx se inspirou para criar o projeto engavetado do aterro da Baía Sul, em Florianópolis.

A inspiração no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Como poderia ter sido

O espaço projetado por Burle Marx trazia quadras de esporte, canchas polivalentes, espelhos d’água e mais de duas mil árvores. Chegou a receber o nome de Parque Metropolitano Dias Velho. De acordo o historiador Carlos Humberto Correa, a ideia era fazer um novo aterro do Flamengo.

O arquiteto e urbanista César Floriano estudou os trabalhos de Marx para sua tese de doutorado, apresentada na Universidade Politécnica de Madri. O trabalho dedicou um dos capítulos ao aterro da Baía Sul de Florianópolis. Para ele, ainda é possível resgatar parte do parque, que chegou a ser construída entre final da década de 1970 e começo da de 1980. Do projeto inicial, apenas uma, das três passarelas, não foi feita.

– O que não pode ser aceito é um prédio. É preciso criar espaços de acolhimento da população e não um lugar que fecha aos finais de semana – ressalta Floriano.

O arquiteto observa que no Plano Diretor, que está para ser entregue à Câmara dos Vereadores, o aterro aparece como área de interesse paisagístico. Isso significa que prédios não poderão ser construídos ali:

– Não dá para cometer mais nenhum equívoco. O aterro já foi muito impactado.

(veja em PDF)

Júlia Antunes Lorenço

Saiba mais:

AN Capital – “Colcha de Retalhos” – Elaborado pelo paisagista Roberto Burle Marx, projeto original do aterro da Baía Sul acabou sendo totalmente desvirtuado

Veja também: 

Uma Beira-Mar Norte melhor

Uma Beira-Mar Norte melhor

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, no bíduo 17 e 18 de setembro de 2011 (pág. 4). Você pode também ver a matéria no site do ND aqui.

 (veja em PDF)

A Beira-mar dos sonhos

Parque. Projeto de 20 anos tem resistência para sair do papel

 Se a revitalização da avenida Beira-mar Norte, inaugurada em março, deu novos ares a um dos principais cartões-postais da Capital, imagine a execução do projeto acima? Moderno? Sim. A ideia é transformar a área de beleza privilegiada no Centro da cidade em parque urbano para práticas esportivas e de lazer. Recente? Não. Foi criado em 1993 pela arquiteta Vera Lúcia Gonçalves da Silva, do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), hoje diretora de Planejamento do órgão. O desafio, passados quase 20 anos, é tirá-lo do papel. Prova de que nem sempre falta planejamento, mas sim execução do que foi planejado.

“A Beira-mar era e continua sendo o ponto mais confortável da cidade para lazer. O projeto era uma antecipação do que mais tarde seria necessário em função do aterro natural da região provocado pelo movimento da maré”, afirma Vera Lúcia. “A intenção era criar faixa de areia suficiente para instalar equipamentos como marina, atracadouro público e privado, quadras de esportes de praia, biblioteca, espaço para feiras e apresentações”, lembra.

“É um sonho que infelizmente não conseguirei realizar no meu governo”, diz o prefeito da Capital, Dário Berger. Segundo ele, projeto dessa natureza pode demandar até quatro anos para obtenção de licenças. Embora não exista orçamento, estima-se que o custo para execução extrapole a capacidade financeira da prefeitura, mas esse não é o maior problema, na avaliação de Berger.

“De dinheiro, após o projeto aprovado, nós corremos atrás. Lamentavelmente ainda há muito preconceito na cidade, fruto do próprio desconhecimento das pessoas”, avalia. “Nós precisamos fazer algo diferente, porque a cidade cresceu, mas ainda não estamos institucionalmente e psicologicamente preparados para um projeto como esse”, relata o prefeito, referindo-se ao que chama de resistência de pessoas e instituições públicas para grandes mudanças na Capital. “A sociedade precisa conhecer o projeto e participar das discussões”, defende Vera Lúcia.

Ilha da Cultura

Para criar a Ilha da Cultura será necessário um grande aterro entre o Beiramar Shopping e o Koxixo’s. Na ilha, haveria um centro de informações turísticas, um farol com visualização em 360° da paisagem local e biblioteca, pontos de atracação de pequenas embarcações, quiosques e restaurantes. O desenho prevê também concha acústica de costas para o Continente. “Assim, o público poderia contemplar o pôr do sol durante uma apresentação”, explica a arquiteta Vera Lúcia.

Ilha da Cultura. Para criá-la é necessário um aterro entre o Beiramar Shopping e o Koxixo’s. Nela haveria centro de informações turísticas, biblioteca, pontos de atracação.

Marina

A proposta é construir uma marina no local onde há um trapiche. Segundo a arquiteta Vera Lúcia, são dois “braços”: um público – porque não se pode impedir o acesso das pessoas – e outro particular. Em um dos braços, poderia ser instalado um restaurante, bar ou café, como opção gastronômica a quem frequentasse o local.

Marina. A proposta é construí-la onde há o trapiche. Segundo a arquiteta Vera Lúcia, são dois “braços”: um público e outro particular.

Esporte e feiras tradicionais

Três quadras para a prática de esportes de praia, como vôlei e futebol, por exemplo. À esquerda, há uma espécie de marco em um terreno circular. Ali poderiam seriam realizadas feiras tradicionais de artesanato e cultura açoriana. À Beira-mar, um pequeno trapiche. A intenção é aproximar a população da água.

Esporte e feiras. Ao centro da imagem, três quadras para esportes de praia. À esquerda, há um marco em um terreno circular para feiras.

Segurança

Em 1993, quando o projeto foi desenvolvido, a Beira-mar Norte ainda tinha característica de Via Expressa, por isso foram colocadas quatro passarelas em toda a extensão da avenida. Hoje, com a instalação de semáforos e faixas de pedestre, a própria arquiteta Vera Lúcia acredita que as passarelas não sejam mais necessárias.

Programa de equipamentos

Aquário Municipal
Concha Acústica
Restaurantes
Quiosques/bares
Trapiches
Plataforma de pesca
Farol da Ilha/Biblioteca
Quadras de esporte
Posto Policial
Coreto
Área para prática de skate
Área coberta para roller (patins)
Play Ground
Ciclovia
Área para Administração do Parque
Área de Estar
Jardins
Área para instalação de equipamentos de feiras (artesanato, antiguidades, etc)

O projeto

* O Parque Urbano da Beira-mar Norte, projeto desenvolvido em 1993, ocuparia uma área de 382 mil metros quadrados e prevê 287 mil metros quadrados de aterro.

* O desenho do aterro já previa a quarta ligação entre Ilha e Continente pela Beira-mar Norte, conforme previsto no Plano Diretor.

* A arborização em toda a extensão é outra marca do projeto.

* Uma das alternativas para a viabilização seria uma PPP (parceria público-privada). Em troca de executar as obras, a iniciativa privada teria a concessão por prazo determinado para explorar atividades comerciais no local.

Maiara Gonçalves

Veja também:

Uma beira-mar sul melhor

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