Poesia – Bicicleta Fantasma

“Esta poesia é dedicada a todos os ciclistas mortos por atropelamento nesse país e, em especial, ao nosso companheiro ciclístico Egon Koerner Júnior, que falecei atropelado por um motorista bêbado quando participava de uma prova de superação – Audax na cidade de Curitiba.” 

BICICLETA FANTASMA

Cabisbaixa às margens da estrada, subjugada, punida, ignorada, batida pelo tempo.
Sou bicicleta fantasma, minha morte faz te lembrar
Que hoje sou bicicleta sem alma; muitas outras eu tento salvar.
Dividida, atônita, aturdida, pressa ao teu passado; sofro só de vê-los passar sem um corpo a me pedalar.
Sou bicicleta branca, fantasma, sabe lá o nome que querem me dar,
Sou calada, amordaçada, indefesa e não posso falar.

Sou bicicleta sem alma, minha morte faz te lembrar
Ninguém sabe agora és morta.
Nem disso eu posso falar.
Amordaçam minhas rodas, não posso gritar.
Entre amarras e presilhas, meu corpo minhas rodas estão livres mas não posso tu levar.
Sou bicicleta morta, o significado de estar morta só eu posso lhes mostrar.

Sou uma velha, desprezada, reciclada, remontada sabe lá, o nome que querem me dar,
Mas sou bicicleta morta e da morte te fazer lembrar.
Sou menina, sou menino, não importa! Sou simplesmente bicicleta morta.

Fui roubada, ultrajada para outro me usar, mas sou bicicleta morta e pro meu lugar devo voltar.
Vejo amigos, vejo estranhos, vejo a vida me rondar.
Vejo as lágrimas da amada que se curva a chorar.
Vejo luas, tempestades, vejo o inverno passar.
Vejo flores de saudades, lembranças a me acalentar.
Represento vida e morte daqueles que vejo passar.

Sou bicicleta morta, e morta estou,
Sou bicicleta branca, e branca estou,
Sou fantasma sem alma, sabe lá o nome que ainda terei
Fantasma sem alma; morta está… e branca me tornei.
Tu que me fizeste fantasma, branca sem alma, de ti sempre lembrarei.

Nicolau Marques Júnior
[Florianópolis, 2014]

Poesia – Dê um rolê

Pedi minhas contas, viajei e caí no mundão
Vou ver o mundo tendo o mundo como anfitrião
Florestas, rios, cidades e litorais
Pessoas, sentimentos, tradições e rituais
Colocarei meus pés em trilhas, pedras, manguezais
Fazendo o elo entre meus filhos e meus ancestrais
Serei sincero com o meu verdadeiro ser
Quero servir, quero ensinar, eu vim pra aprender

Tainah Lunge

CONEXÃO SUL 2013

Relatos

Dia 1 – Florianópolis à Cachoeira do Amâncio
Dia 2 – Cachoeira do Amâncio a Nova Trento
Dia 3 – Nova Trento

Fotos

Camila Claudino de Oliveira

Fabiano Faga Pacheco / Bicicleta na Rua
Dia 1:FacebookIpernity
Dia 2:FacebookIpernity
Dia 3:FacebookIpernity

João Ricardo Lazaro

Patricia Dousseau

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Hoje as lágrimas lubrificam as correntes
Poesia – Bicicletar é o verbo
Poesia – Descoberta
Poesia – Culto à caixa
Poesia – Peabiru

Poesia – Bicicletar é o verbo

Uma nova onda está surgindo
E não pode mais parar
Todo mundo aderindo
Pra mãe natureza ajudar
Purificar a atmosfera
Tornar melhor nossa terra
Vamos todos pedalar.

Bicicleta é o transporte
De quase todo lugar
Na reta e nas subidas
Nas montanhas e além mar
Serve pro corpo e mente
Torna o sangue mais quente
Vamos todos pedalar.

Jovens, crianças, idosos
Correndo ou devagar
Saem felizes com suas bikes
Alegres a passear
Fazer amigos então
Uns a outros dando as mãos
Vamos todos pedalar.

Tem bike de todo tipo
Se começa vai viciar
É uma linda paixão
Que você tem que abraçar
Te leva a vários lugares
Vais respirar novos ares
Vamos todos pedalar.

Tem muitas competições
Nas estradas a trilhar
Os ciclistas se esforçam
Pelo primeiro lugar
É muito bonito de ver
Bikes coloridas a correr
Vamos todos pedalar.

As mulheres também são feras
Querem sua garra mostrar
Se vestem com muita elegância
De acordo com o lugar
Tem Elas no Pedal
Nas roças de sisal
Vamos todos pedalar.

Grandes viagens são feitas
Nas montanhas e beira mar
Com sua mochilas nas costas
Por esse mundão a trilhar
São os guerreiros ciclistas
Que ganham sem medo as pistas
Vamos todos pedalar.

Seja no deserto de sal
Na Bolivia ou no Pará
Nas trilhas de lama e pedras
Por esse mundo a acampar
Andando em duas rodas
Em linhas retas ou tortas
Vamos todos pedalar.

Tem também os apetrechos
Pra nossa vida salvar
Luvas e capacetes
Óculos pra proteger nosso olhar
Apetrechos obrigatórios
Tem bússolas e tem relógios
Vamos todos pedalar.

É muito gostoso esse esporte
Se você começa vai amar
Brisa fresca no seu rosto
Cabelos no vento a despentear
O cheiro verde do alecrim
A rosa vermelha carmim
Vamos todos pedalar.

Termino aqui meu cordel
Não tenho mais o que falar
O verbo meu bem no momento
É o verbo bicicletar
Eu bicicleto daqui
Você bicicleta dalí
Vamos todos pedalar.

Vamos formar as equipes
Sair por aí a trilhar
Incentivar as pessoas
A natureza preservar
Ela feliz agradece
Nosso coração enriquece
Vamos todos pedalar.

Tenho 63 anos de vida
Só tenho que me alegrar
Tenho uma grande equipe
Que aprendi a amar
TRILHAR SAÚDE E AVENTURA
É adrenalina pura
Vamos todos pedalar.

Minha cidade é guerreira
No sertão ela está
Minha amada Santa Luz
Eu amo esse lugar
Sou Marlene A poetisa
Sou vento, sou fogo, sou brisa
Vamos todos pedalar.

Cordel de Marlene Araújo, “A Poetisa”

Retirado do Vá de Bike.

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Hoje as lágrimas lubrificam as correntes
Poesia – Descoberta
Poesia – Culto à caixa
Poesia – Peabiru

Hoje as lágrimas lubrificam as correntes

Na minha cabeça tem duas rodas e dois pedais
e o tudo ao meu redor está girando

Um frear de rodas grandes
uma caixa gigante verde e uma flor ao lado, caída

Tem lágrimas pelos corredores
e tem um coração parado na esquina…

Simplesmente muito entristecida.
A vida é muito linda e ao mesmo tempo muito frágil.

Tainah Lunge

Título por Thaís Suzana Schadech

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Poesia – Descoberta

Renas Barreto

“Descobri o esconderijo da alegria
No dia em que segui o sol.”

Renas Barreto

(Via Facebook)

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Poesia – Peabiru

Poesia – Peabiru

Aprendi que rias
são braços de mar
que parecem rios.

Por um deles, em tempo
distante, seguiu o hispano
Cabeza de Vaca.

Depois adentrou a mata
em caminhos que os índios
diziam peabiru.

Se foi a ria do Itapocu
ou a ria, mais ao norte,
do Três Barras, pouco importa.

Importa que adiante foi,
descobrindo, passo a passo,
a terra com sua gente.

Por onde andou, até
o Paraguai e além,
buscou a paz
de índios e brancos.

Plantou e colheu.
Mas tal qual rias
não são rios, perdeu
no embate das forças
que, à revelia dos povos,
governam o mundo.

Deixou, no entanto,
a lição: há sempre caminhos
por onde se chega
à riqueza maior
de cada nação, seja ela
letrada ou não:
o respeito sem fronteiras;
a vida acima de tudo.

Alcides Buss

Retirado daqui.

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