Jornal comete gafes ao criticar cicloativismo de Florianópolis

A edição de setembro do Jornal Ilha Capital, que circula pelo norte e leste da Ilha de Santa Catarina, trouxe estampada em sua capa a curiosa matéria intitulada “A ditadura do cicloativismo na mobilidade urbana”. O jornal, de tendência direitista, com sua matéria extremamente tendenciosa, divulgou inúmeras informações falsas que colocam em cheque o potencial dele como veículo de disseminação de informações confiáveis.

Abaixo, pretende-se demonstrar sem sombras de dúvidas em como as inverdades disseminadas na sua última edição para o jornal o colocam num patamar de quase completo ilogismo e de como as suas idéias propagadas podem colaborar com mortes devido à ativa omissão de entes públicos pseudoinformados.

Você pode ter acesso à edição completa do jornal aqui ou aqui.

CAPA

Uma análise da chamada na capa já permite revelar ao leitor de que o assunto não será adequadamente tratado nas páginas internas do periódico. Observe atentamente a montagem, de autoria não identificada:

IC 2015.09 fig.0

Facilmente se percebe o distanciamento da montagem perante o conteúdo que se pretende mostrar. As únicas 3 bicicletas da figura são bicicletas esportivas, distantes das que comumente se vê nas ruas de Florianópolis no dia a dia. Em outras palavras, não são bicicletas frequentemente utilizadas na mobilidade urbana dos ciclistas cotidianos da cidade. Selins esportivos, aros duplos, capacetes… tudo isso passa ainda distante do usuário médio da bicicleta na cidade, sendo mais freqüentes em situações em que a magrela é utilizada para esporte ou para lazer. Segundo a pesquisa “Transporte por bicicleta em cidades catarinenses: metodologia para levantamento da realidade e recomendações para incremento da sua participação na mobilidade urbana” (Pq Bici SC), coordenada pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), campus de Joinville, 64% das viagens de bicicleta em Florianópolis são feitas para atividades cotidianas, como ir à escola, ao trabalho ou fazer compras. Em outras palavras, as 3 bicicletas da imagem que ilustra a capa muito pouco tem a ver com a realidade de quem pedala por Florianópolis tendo a bicicleta como opção para mobilidade urbana.

O sobretítulo também foi deveras interessante e leva a crenças acerca do posicionamento do jornal: “Cidade refém de grupos de pressão”. Oras, isso leva a crer que ciclistas não têm o direito de exercer a sua cidadania, de cobrar do poder público as melhorias necessárias à sua circulação em segurança. Contraditoriamente, no dia a dia, os ciclistas são os principais reféns do trânsito. São, junto com pedestres, as principais vítimas de um trânsito desumano. São os ciclistas reféns por serem forçados a se deslocar apenas nos bordos das pistas de alta velocidade.

Perto da sede formal do jornal, em Canasvieiras, um ciclista faleceu em uma ciclofaixa de péssima qualidade (virou até case nacional de como não se fazer ciclovia em uma rodovia, segundo um artigo do livro “Brasil Não Motorizado”) em menos de 1 semana após a inauguração da duplicação da SC-401. Emílio não teve oportunidade de sobreviver mesmo pedalando na grama em trecho da mesma SC-401. No dia a dia, são os ciclistas reféns dos maus condutores. Até porque, como grita ritmadamente a Bicicletada, “o bom motorista é amigo do ciclista”.

Apenas quem pedala consegue ter uma noção da pressão se o trânsito mal planejado exerce sobre o nosso corpo. Até o próprio prefeito sentiu medo com a pressão que os veículos em alta velocidade lhe impingiram passando cerca do ombro. Isso mesmo com dois carros de apoio e 7 ciclistas batedores… São os ciclistas que se sentem, portanto, reféns e historicamente são impelidos a mudarem de modal para melhor sobreviver. Reféns as pessoas que, em sentindo vontade de pedalar, não o fazem por serem amedrontadas pelo trânsito catarinense. Na Itália e na Alemanha, de onde tantos migrantes aportaram em terras barrigas-verdes, isso é inadmissível!

“Ninguém tem nada contra a bicicleta”.

Bem diz Willian Cruz, editor do Vá de Bike, eleito o melhor blogue em língua portuguesa na Deutsche Welle Blog Awards 2011, e ex-morador de Florianópolis, que, quando aparece essa afirmação, já se pode esperar que alguém vai falar alguma besteira contra quem anda sobre duas rodas. Mais uma vez, ele estava certo.

À primeira frase do texto da capa seguiu-se outra pérola: “Todos têm o direito de curtir o esporte ou lazer de sua livre escolha”. Novamente, o jornal reitera a ficção de que quem anda de bicicleta em Florianópolis o faz apenas por diversão, ignorando abissalmente a realidade. E, claro, embutindo a idéia subliminar de que quem se desloca pela cidade não teria o direito de livre escolher pela bicicleta.

A essas icônicas e nada originais idéias, seguiu-se uma perigosa: “O problema, é querer transformar em interesse público o que não passa de gosto pessoal”.  Nem se vai comentar a separação do sujeito do verbo. A gramática incorreta pega mal, mas é de fácil correção. Já o difícil é fazer perceber que interesse público não significa o interesse da maioria, como preconizado na frase seguinte: “O que se contesta é a forma autoritária como o tema vem sendo tratado e implementado, como se fosse uma questão de estado que, no entanto, só diz respeito aos minoritários da turma do pedal”.

Poucas frases escritas na imprensa catarinense nas últimas décadas foram mais fabulosas do que esta, que foge completamente a qualquer noção de realidade de uma mente sã. Mas vai-se por parte. Muitos ciclistas de Florianópolis queriam que a autoridade, tanto estadual quanto municipal, tratassem o tema com o afinco que ele merece. O Deinfra tem fechado quase todas as opções de diálogo com os ciclistas desde 2013, gerando obras monstruosamente ruins, como as pistas cicláveis das rodovias SC-405 e a SC-403. Paradoxalmente, o ciclista é posto como refém pelas autoridades que deveriam, por lei e por direito, lhes proteger a vida – e existe algo mais básico do que a vida? Já o governo municipal está longe de cumprir os compromissos firmados tanto com ciclistas quanto com o Movimento Floripa Te Quero Bem, do qual faz parte o Instituto Guga Kuerten.

Dizer que o sistema cicloviário não é uma questão de Estado é contrariar diversas leis, em especial o Código de Trânsito Brasileiro e a Política Nacional de Mobilidade Urbana. É um erro crasso ao qual um jornal não deve induzir o seu leitor. Para piorar, mais uma vez, percebe-se que o jornal quer marginalizar o cidadão que usa de sua bicicleta, evitando que este cobre dos políticos o que estes prometeram durante as eleições. Sob esse ponto de vista, a manchete é, outrossim, um atentado à cidadania do desterrense!

A bicicleta é de interesse público. A promoção desse modal é uma das formas de contribuir para o aumento de renda, para a diminuição dos gastos em saúde pública e para possibilitar autonomia para jovens e adolescentes. Usando dados locais para exemplificar:

A promoção do uso da bicicleta, além de ser uma obrigação legal como questão de Estado, dizem respeito, então, à ampla maioria da população, ao contrário do que o jornal pretende fazer crer.

HADDAD

De forma bem pouco original, o personagem fictício e também pouco original Joselito Muller optou por, na página 3, fazer uma ironia às ciclovias de São Paulo. O título: “Após atropelamentos de pedestres, Haddad pensa em proibir bicicletas nas ciclovias”. Claro que a paródia remete a querer gerar um conflito entre pedestres e ciclistas após a morte de um idoso próximo ao Minhocão. O assunto era tão previsível que já foi brilhantemente tratado aqui. O factóide não levou em conta que, em São Paulo, no ano passado, das 538 mortes de pedestres por atropelamento apenas 2 tiveram um ciclista envolvido, contra 200 automóveis e 90 motos. Afora isso, o desleixo da revisão ficou aparente ao deixar passar um “ciclitas”. E a confusão entre planejamento mal feito e projeto mal feito também transparece no texto em “Ele nega que as ciclovias tenham sido mal planejadas. ‘Todas têm a mesma cor e espessura e todas foram projetadas para funcionarem na horizontal’, explicou”. Se em termos de pesquisa e opinião a coluna ficou devendo, ao menos no humor ela saiu-se bem.

FLORIBIKE

O conteúdo interno da matéria de capa já abre com equívocos logo em sua segunda palavra:

A terceira tentativa do IPUF – Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis de implantar compartilhamento e aluguel de bicicletas na cidade com o projeto Floribike, também fracassou. […]

As duas primeiras tentativas de licitação foram feitas em julho de 2013 e 2015 (após dois meses de correção de erros que, depois de dois anos, ainda persistiam no edital). A terceira ocorreu na manhã terça-feira, 25 de agosto.”

O que está errado nesses parágrafos cruciais da matéria? TUDO. O primeiro é que não foi o IPUF que tentou implementar o compartilhamento de bicicletas. Entre 2011 e 2013, tal tarefa ficou a cargo da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável. Em 2015, a tarefa cabe à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana.

A primeira licitação foi dividida em duas partes, lançadas em março de 2012 e março de 2013. Consistiu numa única primeira tentativa. A consulta pública lançada em agosto de 2013 mostrou que os principais problemas apontados pelas empresas eram o alto custo inicial envolvido, com um valor alto para elas mesmas implantarem certa quilometragem de ciclovias da Microrrede Centro, além do custo com mídia. Uma das empresas também questionou a densidade de bicicletas e outra, de fora do país, queria subvenção para implantar o seu sistema na cidade. Esses problemas, ao contrário do que a matéria faz parecer, não estavam nos editais subsequentes, que podem ser baixados e comparados aqui.

A segunda licitação foi lançada em maio de 2015 e, como se pode perceber, é exatamente a mesma que a terceira. O que ocorreu não foi uma nova licitação, mas um adiamento do prazo de entrega e abertura dos envelopes.

Não custa lembrar – mas o jornal não considerou – que o sistema de aluguel de bicicletas de Florianópolis começou a ser pensado em 2007, sem que houvesse interesse político em fazê-lo sair do papel. De acordo com o livro “A Bicicleta no Brasil 2015”, que foi apresentado internacionalmente no Fórum Mundial da Bicicleta 2015, em Medellín, Colômbia, será lançado na capital catarinense no dia 17 de setembro, trata-se do sistema de compartilhamento de bicicletas mais enrolado do mundo para sair do papel. Culpar quem o está tentando viabilizar não parece ser uma boa estratégia para quem visa ao interesse público. Ainda mais porque um estudo internacional mostrou, levando em conta diversas variáveis, que esse sistema salva vidas!

Pulando o erro repetitivo de separação de sujeito e oração observado novamente acima, continua o texto:

“Não há empresa interessada porque, ao contrário do que tentam convencer com resultados obscenos de pesquisa cuja metodologia e conteúdo são tratados como segredo para o cidadão comum, não há clientela.

A Prefeitura já avisou que a comissão de licitação vai reunir-se novamente em regime de urgência para reavaliar todo o processo licitatório, que começou em 2011. E vai tentar de novo, é claro. É natural que os sete membros da comissão estejam dispostos a ficar tentando indefinidamente: cada um deles recebe uma “gratidão de exercício” no valor de um salário mínimo mensal – R$ 788 – para manter viva a ideia do Floribike. Nem que seja no respirador artificial…”

Quem lida cotidianamente com o assunto não pode deixar de sentir vergonha pela distorção do fato jornalístico. É de se esperar: a autora do texto não fez bacharelado em jornalismo e, mesmo com os anos de experiência, é perceptível a falta de técnica jornalística. Estudos existem e estão disponíveis ao público, inclusive na internet. A falta de pesquisa é um dos mais graves problemas da matéria em questão. Não se faz jornalismo com achismo! Não se criam fatos quando não se procuram as fontes! As pesquisas internas serão mostradas no final da reportagem, junto a um parágrafo emblemático, mas, por agora, pode-se citar que as bases para o edital consolidado coincidiram com os mesmos resultados aos quais chegou o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) para a formulação de seu “Guia de Planejamento de Sistemas de Bicicletas Compartilhadas”.

Por uma enorme coincidência, durante a reunião da Comissão de Licitação do Floribike, realizada em 31 de agosto, portanto, antes de o jornal começar a circular, em 4 de setembro, foi-se falado justamente em mudar o regime de gratificação, pois alguns membros, os mais freqüentes, não almejavam serem pagos por seus trabalhos nessa comissão. Apesar disso, a gratificação que eles recebiam era perfeitamente legal, em consonância com a Lei Complementar Promulgada nº 63/2003, que trata do Estatuto dos Servidores Públicos de Florianópolis. Apenas isso já é suficiente para invalidar os argumentos apresentados pelo jornal.

Além disso, como já comentado, a prefeitura planeja implantar o sistema desde 2007, e não desde 2011.

Prossegue:

“Todos os membros da comissão licitatória são vinculados ao Ipuf.”

Já deu para perceber que, se o Floribike está locado dentro da Secretaria de Mobilidade Urbana, soa completamente estranho o jornal insistir no órgão de planejamento, não? Não é de hoje que o jornal parece não gostar do bom planejamento da cidade. Se, por um lado, defende reiteradamente grandes empreendimentos, independentemente de eles causarem problemas urbanísticos, ele também ataca o planejamento sempre que foca em outro problema urbano: as construções irregulares que não advém de grandes construtoras locais. Ambas as situações causam problemas que afetam a todos os cidadãos de Florianópolis, sendo, portanto, de interesse público. Mas as críticas sempre ficaram voltadas a dois órgãos municipais que foram, ao longo dos anos, tornados propositadamente desfuncionais. Um deles é o IPUF. O outro é a Fundação do Meio Ambiente (FLORAM). As críticas recaem freqüentemente sobre aqueles que tentam levar as boas ações desses órgãos para frente e não sobre os responsáveis pelas omissões de planejamento e fiscalização. Como nota, cabe relembrar uma ressalva: o causo do pedido de exoneração da geógrafa Elisa Rehn. Curioso que, mesmo nessa situação, o jornal tentou fazer uma ligação entre um ciclistas que afirmou que um vereador não estava envolvido na operação, levantando dúvidas sobre a idoneidade tanto do ciclista quanto do vereador em questão. Poucos dias depois da matérias, a divulgação da lista dos vereadores envolvidos mostrou que os comentários contidos no jornal foram impertinentes.

Com relação aos membros da comissão de licitação observa-se que Luiz Américo Medeiros está na Secretaria de Obras. Eleonora Franzoni da Cruz, Geovanni Antonio Reis e Marcelo Roberto da Silva são da Secretaria de Mobilidade Urbana, enquanto Ivan Grave é da Secretaria de Administração e Aline Chaves de Andrade é da Secretaria de Comunicação. Apenas Vera Lúcia Gonçalves da Silva está ligada ao IPUF. Tais informações foram facilmente encontradas no Portal Transparência da Prefeitura.

Nota-se, portanto, mais uma vez, que, na tentativa de desqualificar o processo do Floribike, o jornal se valeu da manipulação caluniosa da informação, prestando um grande desserviço aos seus leitores.

Agora uma parte boa:

“[..] a autora do projeto e coordenadora do grupo é a arquiteta cicloativista Vera Lúcia Gonçalves da Silva. A ex-diretora de planejamento e atual coordenadora de projetos cicloviários é o braço da causa dentro do Ipuf. E não é de hoje que Vera luta para ‘reverter o conceito de que os carros podem tudo numa via’.”

Nessa parte o jornal presta um enorme elogio a Vera, embora com imprecisões em relação a suas atribuições (i.e., ela não é coordenadora nem da comissão e de projetos cicloviários, visto, inclusive, que essas funções sequer existem).

Continua-se:

“Essas comissões existem só para homologar decisões direcionadas às diretrizes postas pelos cicloativistas. Como veremos, nelas vigoram simulacros de democracia representativa, com os agentes públicos servindo de “testa-de-ferro” da militância”

É muito interessante notar que pouquíssima coisa se avançou na cidade nos últimos anos em termos de questão cicloviária. Isso implica que sequer a lei foi cumprida em inúmeros casos, incluindo aí, na abertura de ruas sem infraestrutura cicloviária em loteamentos, regulares ou não. Se realmente os ciclistas tivessem esse poder que o jornal diz que deles emana, certamente Florianópolis estaria muito mais humana e em melhores condições para se pedalar do que está hoje. A próxima parte é dedicada aos argumentos.

COMISSÃO MUNICIPAL DA BICILETA

Não, não foi sem propósito que você leu “bicileta”. É assim mesmo o título dessa manchete no jornal. Como já se percebeu em inúmeras situações acima, faltou revisão gramatical e de conteúdo ao jornal, mostrando a pouca importância que este tem para com o seu leitor.

Sob intensa pressão do ativismo cicloautoritário politicamente correto, em março de 2011 a Prefeitura baixou um decreto de duas páginas criando a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (codinome Pró-Bici), “para promover o uso da bike na cidade”. Na ocasião, foram nomeados os membros de quatro órgãos municipais: […] João Batista Nunes (prefeito em exercício na época, que assinou o decreto) […]”

O Decreto Nº 8.867, de 23 de março de 2011, que criou a Pró-Bici, não tem duas páginas! No link, você pode baixar o decreto no Diário Oficial e ver como ele é sucinto. De forma a enganar os seus leitores sobre o suposto poder dos cicloativistas de Florianópolis, o jornal mente dizendo que o decreto tem duas páginas, sendo que ele ocupa duas páginas do Diário Oficial simplesmente por questão de espaço. Está no final de uma página e início da seguinte. Bem diferente do que o jornal faz seus leitores acreditarem.

Mais falho do que isso é que quem assinou o decreto foi o então prefeito Dário Elias Berger. Afinal, que prefeito não estaria em atividade em pleno dia do aniversário da cidade? O então vice-prefeito foi esquecido nesse decreto, entrando na Pró-Bici apenas após alguns dias, a partir do Decreto Nº 8.922, de 04 de abril de 2011, ou seja, 55 decretos depois.

A citação entre aspas não faz o menor sentido. Não consta da ementa e nem do conteúdo do decreto.

A história por trás da criação da Pró-Bici é um pouco mais obscura do que o jornal quer se fazer crer. A Pró-Bici, uma instituição de diálogo entre poder público e cicloativistas, sendo meramente CONSULTIVA, ou seja, sem poder prático algum, foi interpretada por alguns ciclistas como uma forma de o então prefeito obter respaldo e apoio para suas obras, sendo que, de fato, pouco adiantou. Na gestão atual, não há reunião desde agosto de 2013, o que se caracteriza como uma omissão afrontante. Com isso, fica colocada em séria dúvida o tema principal da matéria, de que os ciclistas seriam uma ameaça à cidade, que estaria refém de grupos de pressão. A criação da Pró-Bici partiu por vontade expressa do então prefeito, caindo longe da pressão dos grupos de ciclistas. Importante, NENHUM MEMBRO DA PRÓ-BICI RECEBE DINHEIRO PARA PARTICIPAR DELA.

Por falar em “ativismo cicloautoritário politicamente correto” percebe-se claramente o desconhecimento da autora do texto (este site recusa-se a considerá-la jornalista) sobre a organização do movimento cicloativista de Florianópolis. A Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), bem como a própria Pró-Bici, a União de Ciclistas do Brasil e o Bike Anjo Floripa, age dentro do “politicamente correto”. E não há razões para não se agir assim. É a área de atuação de uma ONG, de uma entidade de diálogos entre poder público e ciclistas e também de um coletivo que ensina ciclistas a pedalar e a transitar pelas ruas. O mais próximo do “ativismo cicloautoritário” seria a forma de atuação da Bicicletada Floripa, o grupo mais radical de cicloativistas, que realizam ativismo de rua durante suas edições, incluindo entrega de panfletos a motoristas e gritos e canções pertinentes.

No trecho seguinte, o artigo cita os componentes da Pró-Bici, tanto do poder público quanto da sociedade civil organizada. O jornal debocha da frase “Construa e os ciclistas virão!”. Tal situação mostrou-se ser evidente em São Paulo, em que, logo após a construção da ciclovia da Avenida Paulista, o número de ciclistas quadruplicou. A importância das ciclovias foi demonstrada em Florianópolis ainda em 2010, durante o Fórum das Américas sobre Mobilidade nas Cidades. Dados de Psicologia de Trânsito demonstravam que, quanto maior o incentivo dado, mais pessoas passavam a se utilizar da bicicleta. Na época, era difícil de mencionar a realidade de Florianópolis, entretanto o livro “A Bicicleta no Brasil 2015” mostra dados de Florianópolis em que se percebe claramente uma retomada do pedalar com o advento nas novas ciclofaixas. Além disso, como mostrar-se-á posteriormente, hoje os dados de demanda reprimida na cidade comprovam essa tese que o jornal desdenha: “faça as ciclovias e as pessoas ocupá-las-ão”.

“A ViaCiclo foi criada por [Milton Carlos] Della Giustina, que foi o seu primeiro presidente. Giselle [Noceti Ammon Xavier], Daniel [de Araújo Costa] e Fabiano [Faga Pacheco] também já comandaram a ONG, que atualmente é presidida por Luis Antônio Schmitt Peters. Os três primeiros formam a troika do cicloativismo em Florianópolis.

A quantidade de erros é impressionante. Seria até mais, caso não houvesse, ao longo dos parágrafos anteriores, situações equivalentes de ausência de bom jornalismo. A ViaCiclo teve sua origem em 1997, sendo formalizada em 2001 por então estudantes e ciclistas da cidade. Tal história está brevemente contada em “A Bicicleta no Brasil 2015”.

A afirmação de que Della Giustina foi o primeiro presidente é, novamente, enganosa. O jornal tem se utilizado dessa mais descarada mentira para tentar fazer colar a falsa idéia de que a ViaCiclo é a ONG do Della Giustina. Abaixo, uma relação dos membros da primeira diretoria da ViaCiclo. Como se pode notar, o primeiro presidente foi Eduardo Green Short. Della Giustina foi presidente na terceira diretoria que a associação teve.

1ª Diretoria: 16 de maio de 2001 a 28 de agosto de 2002
¨   Presidente: Eduardo Green Short
¨   Vice-presidente: Edemar Marcelo Ratkiewicz
¨   Conselheiros Fiscais: Clóvis Lopes Colpani, Milton Carlos Della Giustina e Érika Debatista Pereira (Suplente)

Giselle e Daniel já foram presidentes da ViaCiclo, mas Fabiano nunca compôs parte de nenhuma diretoria. O atual presidente não é Peters. Desde julho de 2014, o cargo é ocupado novamente por Daniel Costa.

Em contato, Fabiano agradeceu o elogio do jornal às suas atitudes como cidadão, embora reitere que muito mais pessoas fazem parte da “troika do cicloativismo”.

De qualquer forma, o jornal também volta a enganar os seus leitores ao pré-julgar, nos parágrafos seguintes, falando da atuação desses seres humanos como “movimentos no círculo do poder”. Della Giustina, como é sabido, desde 2013 dedica-se quase exclusivamente ao ciclismo esportivo, algo natural para um ex-atleta multicampeão. Realiza provas de Audax no Estado de Santa Catarina. Giselle está doente, afastada das atividades laborais e do cicloativismo desde finais de 2011. Daniel cumpre função meramente protocolar, estando desde 2014 afastado efetivamente de ações que requerem maior dedicação. Fabiano, por sua vez, passou mais tempo em São Paulo do que em Santa Catarina no último ano. De que forma, assim, essas pessoas seriam capazes de manobrar a mídia, circular como “eminências pardas” e ainda ir às ruas criar factóides? O jornal não deixa isso claro. E, convém-se dizer, nem conseguirá, visto travestir-se de inverdades.

FUNDAÇÃO MUNICIPAL DA BICICLETA

Novo título para velhas táticas de enganar o leitor.

“Em outubro de 2013 (apenas três meses depois do primeiro edital fracassado) um novo decreto, de quatro páginas – o dobro de 2011 -, foi assinado, alterando o anterior para ampliar a fortalecer os poderes da Comissão Pró-Bici. […] Tenho certeza de que o eleitor já está percebendo como a coisa se encaminha a passos rápidos para o surgimento de uma “Fundação Municipal da Bicicleta” ou algo do gênero, que vai acabar empurrando para o orçamento da cidade o custeio para a implantação e manutenção do tal serviço de compartilhamento e aluguel de magrelas, que a iniciativa privada não demonstra interesse em operar. Aliás: por que será que a empresa manezinha Della Bikes/ Cicle Della Giustina ainda não participou do certame?”

Detalhes técnicos, mas importantes para o nível de detalhamento que a autora do texto quis passar para ganhar confiança dos seus desinformados leitores: o novo decreto da Pró-Bici (Decreto Nº 12.177, de 1º de outubro de 2013) tinha, fisicamente, 3 folhas e não quatro. E era muuuito mais do que o dobro do anterior. Basicamente, ele expressava em forma de decreto o que já constava como Regimento Interno. Ou seja, não houve alteração significativa de atribuições em relação ao que a Pró-Bici já fazia. E que nunca mais foi feito após a publicação desse decreto!

Os estudos da própria professora Giselle Xavier apontavam que, já em 2004, a cidade estava atrasada em termos organizacionais para lidar com a questão cicloviária. Seus estudos, apresentados durante o Fórum das Américas sobre Mobilidade nas Cidades, mostravam a necessidade de o município possuir não uma fundação e nem uma gerência, mas uma DIRETORIA que lidasse com a mobilidade ativa. Por mobilidade ativa, entenda-se calçadas acessíveis e adequadas ao trajeto de pessoas com deficiência, ao de crianças e pessoas idosas, espaços às pessoas com bicicleta, patins, skate e patinete. Se 11 anos depois ainda estamos longe de ter essa diretoria – que foi promessa de campanha do atual gestor -, Florianópolis não está a passos rápidos de ter uma Fundação da Bicicleta.

Em diversas cidades do mundo, incluindo Barcelona, é a cidade que paga para implantar os serviços de aluguel de bicicletas. Isso acontece porque é ela mesma a maior interessada em colher os benefícios que o sistema geraria, incluindo aí a diminuição da emissão de poluentes e, como demonstrado anteriormente, salvando vidas. Esse é um benefício que não interessa diretamente à empresa concessionária. Aqui se vai ficar apenas nesse exemplo para não alongar em demasia.

E por que a empresa citada não participou é algo que está bem claro no edital, seja na primeira ou na segunda tentativa: só podem concorrer empresas que já implantaram o sistema em alguma outra cidade. O Floribike é baseado basicamente em tecnologia e não no comércio de bicicleta, situação pela qual nenhuma bicicletaria do país jamais participou sozinha de um edital assim. Como se pôde perceber, o jornal tem algum problema pessoal com Della Giustina, algo que parece fazê-lo abster de exercer suas funções jornalísticas com lisura.

Cabe também destacar de que o decreto de substituição da Pró-Bici visou dar mais agilidade à comissão, que antes só tinha membros definidos nominalmente por decreto, desburocratizando, assim, a gestão pública. Apesar de ter sido assinado apenas em outubro, ele já estava pronto em março, sofrendo, por pressão do poder público, através do então superintendente do IPUF, aumento considerável e desnecessário em julho.

Ao final desse tópico, a autora lista todas as entidades do decreto da Pró-Bici e, curiosamente, tenta colocar em lados opostos dois segmentos empresariais: de um lado, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e, de outro, empresa de turismo por bicicleta e empresa comercial de bicicleta. Isso, além de ser, por si só, incoerente, também ignora as parcerias entre ciclistas e a CDL ao longo dos anos.

UMAS PEDALADAS DA HISTÓRIA

Talvez sem saber, o jornal presta uma importante homenagem a uma figura ilustre do cicloativismo latino-americano:

“Para recuperar a forma depois de ter o terceiro filho, a médica Giselle Noceti Ammon Xavier (especializada em prática desportiva e professora efetiva do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (CEFID) da UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina) [Nota do Editor: que falta de padronização no uso das siglas e dos parênteses] resolveu ír para o trabalho de bike. Ela se aborreceu com maus motoristas e falta de lugar para guardar a magrela. Então, em meados de 1998, inspirada em exemplos paulistanos, Giselle Noceti criou o seu Movimento Pedala Floripa, depois transformado em entidade. Ela convocou a mídia engajada, sempre disponível para registrar para a história as “atividades” das ONGs […] e passou a divulgar o movimento apresentando suas propostas para facilitar a prática do ciclismo em Florianópolis. Giselle reivindicou a criação de escolinhas de bicicleta para crianças no Detran, implantação de departamentos de transporte não motorizados nas administrações municípais, estaduais e Federal (porque “não se pode simplesmente pensar só em carro”) e a aprovação de uma lei municipal obrigando a inclusão de verba para a causa que defende, no orçamento de Florianópolis.

Um repórter fez questão de publicar a declaração da técnica do Ipuf Vera Lúcia da Silva em apoio às reivindicações de Giselle, quando Vera reclamou que “um lugar medonho é o Beiramar Shopping, você não consegue ir com teu filho de bicicleta. Logo na entrada tem uma placa dizendo que é proibido”. Giselle justificou as suas reivindicações: “sem dinheiro não temos como colocar em prática nossos projetos”.

Afora os erros de gramática e ortografia, qualquer munícipe de Florianópolis que quer o bem da cidade e a almeja com maior qualidade de vida viraria automaticamente fã da Giselle. Pena que, por desinformação – algo que o jornal mostrou ser capaz de disseminar ao longo de seu texto – ou ausência de vontade, nem tudo o que a Giselle queria saiu do papel.

Como qualquer jornalista que vai atrás das fontes seria capaz de saber, não foi criada uma lei municipal que obriga o uso de dinheiro para ciclovias. Essa verba recai sempre na mesma lei orçamentária e, como demonstrou Fabiano Faga Pacheco recentemente, desparelha perante as formas de deslocamento possíveis em Florianópolis.

A fala da Vera, com o contexto subjacente, pode ser encontrada aqui. Naquela época, ainda não havia o bicicletário do Beiramar Shopping, que sofreu constantes aumentos e melhorias de segurança desde então. O ciclista simplesmente não era tratado como consumidor por estar de bicicleta. Felizmente é uma situação que tem mudado em todo o comércio da cidade, que viu que ciclistas lhes trazem benefícios econômicos.

“Ah, tá. (Com quanto será que o Beiramar Shopping colabora com o cicloativismo fora de suas dependências? E a Prefeitura? Devia apresentar um relatório total das verbas repassadas nos últimos 20 anos para que entes do cicloativismo promovam a sua causa.)”

Mostrando mais uma dessincronicidade entre a realidade e o quadro pintado, a autora almeja nesta seção criar um factóide, querendo dizer que os cicloativistas recebem dinheiro da prefeitura. Nada mais distante da realidade. O orçamento investido pela prefeitura em suas atividades pode ser facilmente verificado na Secretaria Municipal da Administração. Ao menos nos últimos 5 anos não houve nenhum repasse da Prefeitura para cicloativistas! Não que isso seja imoral ou ilegal. Muito longe disso. A ViaCiclo é uma entidade declarada de utilidade pública e, portanto, apta a receber recursos do município para realizar atividades em que esse se mostra carente, incluindo educação no trânsito e aulas para crianças aprenderem a pedalar. A informação é pública e, mais uma vez, a autora optou por criar um factóide em vez de ir direto às fontes.

No parágrafo seguinte, o jornal volta a soltar pérolas como “Milton Della Giustina criou a ViaCiclo”, sendo que a falta de revisão do texto e a gramática tortuosa fez com que o ano de criação da ViaCiclo passasse a ser, pelo jornal, 1988.

“Giselle Noceti Xavier também criou na Udesc o grupo Ciclo Brasil, que realiza ‘eventos, cursos, seminários, conferências, clínicas, passeios ciclísticos, cicloturismo e pesquisa científica’ e ‘estimula a criação de associações e redes de entidades promotores do uso da bicicleta’. Na apresentação, a médica militante ressalta que ‘um dos objetivos principais das ações do programa é a busca do aumento da segurança para deslocamentos a pé e por bicicleta, em especial no transporte de crianças e adultos nas imediações da escolas’.

É um tipo de desonestidade: a intelectual. Porque o que menos os cicloativistas fazem é pensar nas criancinhas. O foco de sua atuação tem sido o de furtar espaço precioso de circulação de veículos, pedestres e estacionamentos nos locais de maior movimento e no entorno de points nas várias regiões da cidade.”

Em negrito, ficou mais um registro elogioso à Giselle. Em seguida, o jornal contradiz-se mais uma vez: chama de desonestidade intelectual algo real e não avisa aos seus leitores que está omitindo, mentindo e enganando-os ao mesmo tempo em que difama uma das mais ilustres cidadãs desterrenses!

A maior obra do cicloativismo de Giselle é justamente o relatório do “Projeto Rotas Inteligentes para a Escola”, algo solenemente ignorado pelo jornal, que tem sede em um dos locais onde há maior circulação de crianças ciclistas. É estranho que a autora não tenha se atentado a esse detalhe crucial da biografia de Giselle. Sendo contrário a ele, o jornal posiciona-se de forma contrária ao futuro de Florianópolis. Ele ignora, outrossim, que bicicleta é um veículo, um meio de transporte. Assim como o pedestre tem o seu espaço e o ônibus pode circular em faixas exclusivas, a ciclovia é o local que dará maior segurança ao usuário da bicicleta. São obviedades que o jornal se recusa a olhar, meramente para fazer a sua crítica mesquinha a um movimento social que tem utilidade pública! Ele se recusa a olhar que ciclovias foram feitas pela direita e pela esquerda no espectro político, sendo apenas mais um aspecto para dar dignidade ao cidadão. Curioso é que semana passada o consultor em mobilidade Emilio Merino, peruano radicado em Porto Alegre, ainda perguntou se fazia sentido as pessoas falarem que ciclovias são importantes. Vendo uma declaração dessas, caluniosa, em um jornal de bairro, percebe-se que, destarte o grande avanço em anos recentes, ainda há um longo caminho a ser percorrido. É quase uma antítese que contribui para que os movimentos cicloativistas se fortaleçam e acabem durando por mais tempo. Enquanto as condições de tráfego continuarem opressoras e fizerem os ciclistas reféns de bordos míseros, o movimento cicloativista existirá.

E sobre o espaço precioso de circulação de veículos, ele é exatamente isso! Um espaço público destinado à circulação de PESSOAS que merece tratamento diferenciado de acordo com as necessidades de inclusão de cada modal, o que, por si só, já é de interesse público.

Por fim, cabe lembrar o que inúmeros moradores de Florianópolis e do Brasil já sabem. A Escola Bike Anjo e o Projeto Bicicleta na Escola auxiliam crianças, sendo importantes componentes para a autonomia do indivíduo.

SEM PARTICIPAÇÃO POPULAR

O jornal inicia essa seção criticando a a ausência de isenção dos grandes veículos de mídia. Quanta ironia para o seu leitor! Com os fatos narrados aqui, não só a ausência de isenção, mas também a omissão, a calúnia e a mentira estiveram presentes na edição setembrina do jornal do leste ilhéu!

“A Ilha de Santa Catarina tem geografia montanhosa e ao longo dos séculos infiltrou-se na morraiada. Os bairros são longe do Centro e os caminhos são acidentados. Muito já se disse que, a não ser para circulação local, esta não é uma cidade fácil para curtir a bicicleta – para ir trabalhar todo dia, muito menos.”

Quem não quer fazer algo inventa desculpas. Quem quer, faz acontecer. Todos esses argumentos são basicamente as desculpas inventadas por quem não quer pedalar. Uma pesquisa publicada em 2015 demonstrou que a geografia acidentada é apenas a sétima das causas que faz um cidadão evitar pedalar. Quem pedala no dia a dia não coloca o morro como dificuldade. Até porque eles não são muitos. Segundo a Pesquisa Bici SC, apenas 3% dos entrevistados citou o relevo de Florianópolis como um problema para usar a bicicleta no dia a dia. Existe até uma pedalada semanal que vai Morro da Cruz acima. O Nesse Morro eu Não Morro tem o intuito de mostrar que praticamente qualquer pessoa com qualquer bicicleta com marchas minimamente utilizáveis consegue subir um dos aclives mais místicos da cidade

A ampla maioria dos deslocamentos na cidade – em especial nas regiões mais afastadas – ocorre numa mesma planície cicloviária ou entre planícies cicloviárias adjacentes. São regiões aplainadas de até 8km de raio em que a bicicleta se torna o veículo mais rápido nos deslocamentos cotidianos. Não é todo mundo que faz deslocamentos maiores do que essa distância. Na Pesquisa Bici SC, 74% dos deslocamentos sobre bicicleta eram feitos em distâncias de até 6km e 88% até 10km. Considerando todos os veículos, 49% das pessoas faziam deslocamentos de até 6km e 66,7% percorriam no máximo 10km por viagem. Dessa forma, fica evidente que, sem ser atleta, dois terços das pessoas podem passar a utilizar a bicicleta.

A matéria continua, afirmando que quem bem quer se utilizar da bicicleta pratica um “ativismo de grupos minoritários organizados e sustentados com verbas públicas”, uma mentira que pode ser confirmada com uma simples visita à Secretaria de Administração e a verificação de que nos últimos anos não houve verba municipal destinada a cicloativistas. O jornal critica as falas da Vera, por não compreender que, apesar da demanda altíssima por infraestrutura cicloviária, ainda existem maus motoristas e mesmo veículos de comunicação (vide o próprio jornal) que não conseguem pensar da coletividade. Como parte das ações de que não há consulta a quem não anda de bicicleta, o jornal citou dois casos icônicos. Um deles foi de um abaixo-assinado em que moradores teriam pedido para não se construir ciclovia na Av. Hercílio Luz. Não foi possível confirmar a veracidade dessa história. A revitalização do boulevard da Av. Hercílio Luz, projeto do Instituto de Planejamento Urbano, foi mais uma das obras que demonstraram que o interesse da maioria nem sempre é o interesse público. Hoje, o boulevard é um dos cases de urbanismo pelo qual a cidade obteve premiação internacional!

Outro caso emblemático refere-se à ciclofaixa instalada na R. Bocaiúva. Não houve participação popular para a sua implantação. Esse é um fato! Sequer ciclistas foram chamados para participar e a revitalização da via repousa ainda hoje nas gavetas do IPUF. Em compensação, por ser próximo a uma escola, a estrutura para ciclistas, que ainda está em condições precárias, já é palco de cenas maravilhosas e que foram perdidas pelo clamor pela alta velocidade: mães buscando os seus filhos sobre duas rodas entre o casario antigo próximo a um antigo fortim. Entretando, não se pode afirmar desconhecimento dos projetos para a R. Bocaiúva. O projeto Microrrede Centro existe desde 2007, já tendo sido apresentado em diversas ocasiões.

Por fim, o jornal mostra o desrespeito ao seu leitor:

“Já o militante da ViaCiclo Daniel de Araújo Costa não tem nenhum constrangimento em assegurar que na Grande Florianópolis há uma “demanda reprimida” de mais de 70% de pessoas que gostariam de usar a bicicleta. E os jornalistas engajados, que já saem da academia esquerdopatas com doutorado em mistificação dessas baboseiras nos textos, publicam e fazem cara de paisagem. Como se – do ponto de vista do estrito exercício profissional – não devessem ter apurado de qual pesquisa de qual instituição teria vindo a informação, que é uma empulhação à primeira vista.”

Os grifos se fizeram pertinentes para demonstrar a ausência de lógica e mesmo de compromisso com o “estrito exercício profissional” do jornal em questão, que parece fazer seus leitores carecerem de importância. Em mais uma situação, a bravata toma conta do texto, e o achismo faz a autora simplesmente ignorar os preceitos que tanto cobra dos colegas de classe.

Duas pesquisas diferentes feitas em 2011 mostram que a demanda reprimida gira entre 70% e 74% da população de Florianópolis. A já citada Pesquisa Bici SC, coordenada pela UDESC de Joinville, estimou a demanda em 74%. Já o Fórum de Indicadores de Mobilidade Urbana foi promovido na ALESC pela RBS e pelo Instituto MAPA, em que este apresentou o seu estudo, que indica uma demanda reprimida de 70%.

demanda reprimida bici scComo se pode ver, são estudos públicos, disponíveis para qualquer pessoa que se disponha a ir atrás das informações. Disponível a jornalistas que queiram ir direto a fontes primárias e, pelo estrito exercício jornalístico, deixar de colocar seus achismos como parte de uma verdade que é irreal.

Quem é fiel à verdade vai atrás das fontes. Quem não quer procurá-la, inventa desculpas e lança achismos. Achismos que nem sempre – quase nunca – estão em acordo com a realidade.

15 razões para pedalar pelado em Florianópolis em 2015

Neste sábado, 14 de março, Florianópolis terá a sua quarta edição do World Naked Bike Ride (Passeio Ciclístico Mundial Sem Roupas). A concentração terá início às 16h, com início da pedalada previsto para cerca de 18h. O roteiro será definido na hora pelos participantes, em ritmo leve e sonoro pelas ruas dos bairros da porção central da capital catarinense.

Conhecido popularmente no país como Pedalada Pelada ou Peladada, o WNBR tem como lema “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”. O idéia é chamar a atenção das pessoas para a fragilidade do corpo humano, conscientizando motoristas a terem mais cuidado com a vida humana alheia no trânsito. A ausência de vestimentas refletiria a falta de proteção do ciclista, que não se vê envolvido por uma proteção metálica, como a carroceria de um automóvel, no caso de algum incidente de trânsito. No Brasil, a ampla maioria dos acidentes que têm a bicicleta como um dos veículos envolvidos não tem o ciclista como culpado.

Seguindo esse pensamento, durante o WNBR, quanto menos roupas o ciclista estiver usando, mais inseguro ele se sente com o transito da cidade. Na prática, como é normal em outras cidades do Brasil, a maioria acaba pedalando com roupas de baixo. Em Florianópolis, são muito mais as pessoas tiram tudo do que aquelas que não tiram nada.

Como é facilmente perceptível, um dos principais objetivos da Pedalada Pelada é chamar a atenção e levar à reflexão tanto de motoristas quanto do poder público, colaborando para que, assim, pedalar pela cidade seja mais seguro e agradável ao ciclousuário.

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Florianopolis 2015-03-14 WNBR

Se você ainda tem alguma dúvida quanto a participar ou não do evento, fornecemos abaixo 15 razões para você não deixar de participar da Pedalada Pelada em 2015:

1. Você pode!

Este artigo mostra claramente, com base na legislação, que nem toda nudez será castigada. Não há obscenidade e muito menos indicativo de promiscuidade ou ofensa alheia em se mostrar o corpo como ele é, sem conotação erótica ou sexual. Inclusive, em diversas cidades, pais levam seus filhos para mostrar como um evento desses realmente é: uma forma de protesto bem humorada e bem evidente, que não apela a baixarias e nem prejudica a autoestima ads pessoas, tão denegrida pelos padrões de beleza ditados pela indústria da moda. É, antes de tudo, um exercício de cidadania e de percepção e respeito às diferenças.

2. É um evento mundial

Como o próprio nome diz, o Passeio Ciclístico Mundial sem Roupas não ocorre só no Brasil. A data oficial para o Hemisfério Sul é o segundo sábado de março, embora, por alguma razão desconhecida, em 2015 ela tenha caído na primeira semana do mês em diversas cidades do mundo. O Brasil, entretanto, permaneceu fiel e, além de Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro também terão sua edição da Pedalada Pelada neste sábado. Além dessas três cidades, houve também Peladada em Porto Alegre. Lá, o WNBR tem ocorrido no dia em que houve o atropelamento coletivo de ciclistas durante a Massa Crítica, em 25 de fevereiro.

3. A Peladada em Florianópolis não é problemática

Florianópolis e Porto Alegre realizam suas edições do WNBR pelo quarto ano consecutivo. No país, estão atrás apenas de São Paulo, que teve sua primeira edição em 2008. Em Santa Catarina, nunca houve um problema devido aos ciclistas – tirando a agressão de funcionário do TITRI contra os ciclistas em 2013. A Polícia Militar freqüentemente acompanha de longe a manifestação, que vira uma grande festa nas ruas, com grande interação do público das ruas e nas sacadas dos prédios. Reiterando, NUNCA houve um problema provocado pelos ciclistas durante as Peladadas de Florianópolis.

No Brasil, houve, por duas ocasiões, ciclistas presos em São Paulo, na primeira e na terceira edição. Nenhum deles hoje tem ficha criminal por ter pedalado pelado. Já os atos de violência da polícia militar paulista foram abundantemente noticiados, não contribuindo em nada para sua reputação já combalida.

4. Você não precisa pedalar pelado!

Apesar do nome, o lema “tão nu quanto você ousar, tão nu quanto você se sentir” apenas provoca o participante a revelar como ele realmente se sente no trânsito do dia a dia. A nudez não é obrigatória, mas opcional. Boa parte das pessoas troca peças de roupa por mensagens ou desenhos no corpo, feitos com tinta.

5. A Av. Madre Benvenuta ainda está sem ciclovia!

Após 9 anos da elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a ciclovia da Av. Madre Benvenuta está finalmente com as obras iniciadas. Caso estivesse ficado pronta antes, poderia ter evitado a morte de José Lentz Neto, que faleceu em seu último dia de trabalho quando voltava da UDESC. Durante todo esse tempo, o Shopping Iguatemi procrastinou enquanto pôde a execução da obra – chegou a enviar ao Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis um projeto que beirou ao ridículo em agosto de 2013. Agora, graças à atuação do Ministério Público Federal a do próprio IPUF, a ciclovia começa a ser feita. Entretanto, não se pode comemorar antes da hora: a cidade tem um histórico de atrasos e imperfeições na execução de infraestrutura cicloviária.

6. A Rodovia SC-401 tem uma ciclofaixa!

Um grande exemplo de que não se pode comemorar de forma antecipada uma obra cicloviária em Florianópolis é a SC-401. Apesar de nos projetos técnicos de execução aparecer a alcunha “ciclovia” na mais perigosa e mortal rodovia de Florianópolis, o que foi feito lá, na realidade, foi uma ciclofaixa. Desde que ela foi construída, há três anos, 3 ciclistas já perderam a vida… na própria ciclofaixa! Apesar de uma ciclovia ter sido prevista nesta rodovia desde 1991, ela até agora permanece um exemplo da desmoralização do Estado de Santa Catarina, que, oficialmente, ainda alega que a estrutura “está dentro das normas”. O caso virou um case negativo no livro “Brasil Não Motorizado”.

7. O Floribike não saiu!

Florianópolis é a cidade do mundo (do mundo!) que mais enrola para implantar o seu sistema de bicicletas compartilhadas. O primeiro projeto da cidade data de 2007! Em 2013, quando finalmente foi lançado o último edital, entre tropeços, a licitação deu vazia. Anunciado durante o Fórum Mundial da Bicicleta para março de 2014, o novo edital, pronto ainda em 2013 (com pequenas modificações posteriores), até hoje não foi lançado. A prefeitura até chegou a anunciar que lançaria um edital que desvirtuaria todo o planejamento de mobilidade ciclística da cidade. Ao que parece, voltou atrás e é provável que tenhamos novidades sobre isso nesta próxima semana.

8. A ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga ainda não está pronta!

O sonho há muito almejado de ciclovia na Lagoa da Conceição está mais perto do que nunca de acontecer! Mas caminha a passos de tartaruga! Na primeira vez que houve uma manifestação pedindo a construção da obra corria o ano de 1997. Em 2009, chegou-se a se anunciar que a obra ficaria pronta em 6 meses (prazo pouco factível). Há quase 18 anos, portanto, a comunidade da região aguarda a construção da ciclovia. Após adiar por alguns anos, o projeto técnico-executivo, razoavelmente fraco, foi concluído no final de 2012. Em julho de 2013, iniciou-se a primeira etapa da obra, envolvendo aterro e enrocamento, com prazo de conclusão de 4 meses. Após 20 meses, em janeiro deste ano, finalmente parece que essa etapa da obra teve fim. Serão, ao todo, de 3 a 4 etapas para a conclusão da ciclovia da Lagoa!

9. Caieira da Barra do Sul não tem nem projeto!

A ciclovia do extremo sul, nos bairros de Caieira e Tapera da Barra do Sul, foi objeto de reuniões, passeios ciclísticos e intervenções educativas no ano de 2012. Os moradores reclamavam da velocidade dos carros e ônibus e temiam pela segurança de seus filhos, em especial aos usuários de skate. Entretanto, até hoje não foi feito nem o projeto conceitual. A ciclovia da Caieira da Barra do Sul tende a ser mais uma das obras cicloviárias que vão se arrastar por décadas até ficar pronta, exceto em caso de real vontade política. A ciclovia é, junto com a Casa Açoriana, uma das obras mais importantes para a região.

10. Microrrede Centro repousa no esquecimento

Projetada ao menos desde 2008, com a colaboração de um dos mais renomados arquitetos brasileiros, a rede cicloviária do bairro Centro teve algumas de suas rotas construídas nos últimos anos. Apesar de ainda não seguir todas as normas municipais, ganharam ciclofaixas as ruas Bocaiúva, Almirante Lamego, Duarte Schuttel, Heitor Luz, Trompowsky, Dom Joaquim e Hercílio Luz. No entanto, as últimas ciclofaixas no Centro foram construídas pela gestão anterior – e inauguradas por ciclistas durante a Bicicletada Floripa de dezembro de 2012. Na atual gestão, houve até recusa em se buscar recursos junto ao Ministério das Cidades! Nem a “Reunião do Milhão” ajudou à Microrrede Centro a surgir no horizonte.

11. “Reunião do Milhão” não teve efeito algum

Em 26 de agosto de 2013, após pedalar com ciclistas, o prefeito anunciou que investiria R$ 1 milhão ainda naquele ano na mobilidade ciclística. Dentre as decisões tiradas numa reunião ampliada da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici), estavam a destinação da verba, principalmente, para reforçar a Microrrede Centro, além de intervenções na passarela da Ponte Pedro Ivo Campos e no Campeche. Além de não ter sido aplicado, o prefeito ainda anulou recursos destinados aos ciclistas previstos no orçamento daquele mesmo ano!

12. Pró-Bici melou

Criada para estreitar laços entre ciclistas e técnicos de carreira, a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) desandou. Tendo que ser atualizada, mesmo com o decreto pronto em março, apenas em outubro de 2013 ela foi melhor redefinida. Esse decreto foi aprovado com muito (muito!) esforço, trazendo um benefício em termos administrativos e burocráticos enormes. Com certa surpresa, um dos responsáveis pelo seu atraso foi o arquiteto e então superintendente do IPUF, Prof. Dalmo Vieira Filho, o mesmo que levou problemas jurídicos pela não participação popular ao Plano Diretor Participativo de Florianópolis. Sendo, por efeito do decreto, presidente dessa comissão, ele nunca fez questão de chamar as reuniões, que, pelo regimento interno, teriam que ser, no mínimo, mensais. Agora, o novo superintendente do órgão tem que assumir essa função, mas até agora não o fez e, antes de ser superintendente, ainda impediu o secretário da Pró-Bici de realizar a sua função.

13. Também pelos 20%

Promessa de campanha, 20% do Fundo Municipal do Trânsito, criado pelo prefeito para centralizar verbas de multas e recursos afins, seria utilizado em prol da bicicleta. Para surpresa, o FMT foi criado sem esse dispositivo e, até hoje, não foi enviado pelo alcaide o projeto de lei que destina os recursos para as ciclovias. Assim, ao menos durante metade da sua gestão, uma promessa que poderia ajudar milhares de florianopolitanos simplesmente ainda sequer começou a tramitar pela Câmara de Vereadores. Para piorar, investigação da Polícia Federal que resultou no afastamento do então presidente da Câmara descobriu que verbas dos radares de trânsito tinham destinação imprópria: corrupção.

14. Carta Sem Compromisso

Durante as eleições, o prefeito eleito assinou o Termo de Compromisso com os Ciclistas, feito pela ViaCiclo, Bike Anjo Floripa, Bicicletada Floripa e Bicicleta na Rua. Até agora, praticamente nenhuma promessa foi cumprida, incluindo a única que previa uma data. A construção de 40km de ciclovias nos primeiros 18 meses foi simplesmente ignorada, tendo sido construído cerca de um quarto disso, apenas – e de forma pontual. Para o Movimento Floripa Te Quero Bem, formado pela RBS, Instituto Guga Kuerten, Instituto Comunitário Grande Florianópolis (Icom) e Instituto Vilson Groh, o prefeito prometeu 40km em 4 anos de governo. Eleito, entretanto, no Plano de Metas consta apenas 20km até 2016. Ou seja, metade do que era para ser feito em 18 meses deverá ficar pronto em quase o triplo do tempo.

15. Desplanejamento cicloviário reina

Durante todo o mandato atual, hoje um desplanejamento enorme em termos de mobilidade urbana na cidade, com projetos pontuais desconectados da realidade e da necessidade da cidade! O teleférico e o projeto de canaletas para Bus Rapit Transit (BRT) são exemplos perfeitos dessa ausência de gestão e vontade. Em vez de tirar uma pista para automóveis, o BRT vai circular onde hoje existe a melhor ciclovia da cidade, a da Av. Beira-Mar Norte, que vai ficar onde hoje existe o passeio, que vai ficar onde hoje fica o mar! Há apenas 4 anos, o passeio da Beira-Mar foi revitalizado, ao custo de R$ 9 milhões, contando com nova pavimentação, arborização, mobiliário urbano e pérgolas, além de melhorias no enrocamento do aterro! Um dos itens principais do Termo de Compromisso com os Ciclistas, a criação de uma diretoria para tratar da bicicleta, pouco avançou. Prevista em trabalhos acadêmicos do  Projeto Pedala Floripa, do Grupo CicloBrasil, situado na UDESC, como fundamental desde 2004, a Diretoria de Mobilidade Ativa chegou a ser encaminhada ao prefeito através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável para ser parte constituinte da Secretaria de Mobilidade Urbana. Após ser desidratada por assessores do prefeito, a Diretoria foi simplesmente ignorada nas reformas administrativas posteriores. Sem ela, e com os projetos do IPUF sendo historicamente ignorados pela Secretaria de Obras, com a Secretaria de Mobilidade Urbana sendo meramente espectadora, não se pode planejar obras cicloviárias a médio e longo prazo com eficiência e racionalidade. Tampouco se pode vislumbrar a existência de obras não pontuais, mas sim conectadas por um eixo orientador das reais demandas da cidade e da sociedade.

Como se pode ver, existem sim motivos para você pedalar pelado neste sábado.

A mobilidade e as cidades: as lições de Bogotá

DC 2013-09-28 As licoes de Bogota(Veja em PDF)

Veja o artigo completo enviado para o Fronteiras do Pensamento, do qual participará o ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa. A Versão reduzida foi publicada no caderno Cultura do periódico Diário Catarinense em 28 de setembro de 2013.

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Prefeitura de Florianópolis define novas diretrizes para a Pró-Bici

O primeiro decreto assinado pelo vice-prefeito eleito de Florianópolis e prefeito em exercício, João Antônio Heinzen Amin Helou (PP), beneficiou as discussões em prol da mobilidade ciclística da cidade.

Na manhã desta terça-feira, 1° de outubro de 2013, João Amin, por meio do Decreto n°12.177, atualizou a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici), que estava desde o começo do ano sem vários dos membros das diversas entidades da prefeitura.

Consolidação da Pró-Bici foi o primeito decreto assinado por João Amin. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Consolidação da Pró-Bici foi o primeito decreto assinado por João Amin. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

A Pró-BIci é uma comissão mista entre a sociedade civil e os técnicos do município, servindo como canal de diálogo perante o Poder Público. Com a nova formação, passam a fazer parte dela representantes do coletivo Bike Anjo Floripa e da União de Ciclistas do Brasil, além de entidades ligadas à mobilidade de pessoas com deficiência (Floripa Acessível), à patinação (Federação Catarinense de Hóquei e Patinação) e ao skatismo (Associação de Skate da Grande Florianópolis).

Pelo lado da Prefeitura, passam a ter cadeira as secretarias de Educação e de Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável, além das fundações de Esportes (FME), de Meio Ambiente (FLORAM) e Franklin Cascaes (FCFFC). As secretarias de Mobilidade Urbana e de Obras, além da Guarda Municipal e do Instituto de Planejamento Urbano (IPUF) já faziam parte da Pró-Bici.

Com a assinatura, a prefeitura cumpre o item 6 do Termo de Compromisso com os Ciclistas, na qual os candidatos se comprometiam a:

6) Manter formas de diálogo entre os técnicos e a comunidade, de maneira a facilitar a recepção de demandas relativas à bicicleta

Compareceram à assinatura, além da sociedade civil, os vereadores Edinho Lemos (PSDB), Roberto Katumi (PSB) e assessor do vereador Pedro de Assis Silvestre, o Pedrão (PP), os secretários da Casa Civil, Eron Giordani, e de Administração e Previdência, Gustavo Miroski, o procurador geral do município, Julio Cesar Marcellino Jr, o gerente de Emprego e Renda da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável, Maikon da Costa, e o diretor técnico do IPUF, Dácio Medeiros.

Mais de 20 pessoas, entre membros da comunidade e do poder público, estiveram presentes na assinatura do decreto da Pró-Bici. Foto: Henrique Gualberto Brüggemann.

Mais de 20 pessoas, entre membros da comunidade e do poder público, estiveram presentes na assinatura do decreto da Pró-Bici. Foto: Henrique Gualberto Brüggemann.

Palestras da audiência pública sobre sistema cicloviário de Florianópolis

Confira as apresentações na íntegra das palestras apresentadas na audiência pública sobre o sistema cicloviário, que ocorreu em 13 de agosto de 2013, na Câmara de Vereadores de Florianópolis.

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Começa a funcionar o projeto Ciclofaixa de Domingo

Saiu no site da Prefeitura Municipal de Florianópolis em 28 de julho de 2013:

Ciclofaixa de Domingo é inaugurada no Continente

Projeto da Prefeitura tem como objetivo humanizar a cidade

Um cenário diferente pôde ser desfrutado no Bairro de Coqueiros, na região continental de Florianópolis,  neste domingo, 28 de julho: a inauguração da Ciclofaixa atraiu das 8 às 17 horas públicos de todas as idades.

Crianças, jovens, adultos e pessoas da terceira idade puderam circular no espaço de lazer com segurança, apoiados pelos monitores contratados e pela Guarda Municipal. A iniciativa da Prefeitura Municipal e do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, nas palavras do prefeito Cesar Souza Júnior, é a primeira virada no sentido de humanizar a cidade.

“Esperamos criar uma cultura nova, que não sirva apenas ao automóvel, levando a população a percorrer os espaços públicos.”

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Prefeitura de Florianópolis volta a receber demandas de ciclistas

Neste primeiro sábado de julho foi realizada no bairro da Costeira do Pirajubaé mais uma edição da Prefeitura do Bairro, iniciativa na qual os cidadãos podem ter acesso direto com seus representantes do executivo e do legislativo, levando até eles demandas e necessidades das comunidades nas quais estão inseridos.

Nesta edição, mais uma vez houve demandas de ciclistas. Ao me verem com uma camiseta com o símbolo da bicicleta no peito, as pessoas já logo pediam por ciclovias na Costeira, sentidos pelo fato de que a única ciclovia que corta o bairro fica é quase inacessível por se localizar após as pistas da Via Expressa Sul.

Veja também:

Prefeitura no Bairro recebe demandas de ciclistas – Em janeiro, a prefeitura ouviu propostas em evento no bairro Pantanal.

Confira abaixo um resumo com as conversas.

Secretaria de Transportes, Mobilidade e Terminais

Está previsto para ser lançado em setembro a licitação do transporte coletivo. Ao mesmo tempo, esta tem sido foco constante de manifestações nas últimas três semanas. A Frente de Luta pelo Transporte Coletivo quer que seja revisto o modelo de funcionamento, visando à implantação da tarifa zero a todos os moradores. Independente da forma como for transcorrer o serviço de transporte de passageiros, existe uma recomendação do Ministério Público de Santa Catarina para que se veja a possibilidade de inclusão de racks para se levar bicicleta nos novos ônibus. A respeito disso, a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) enviou em ofício, ainda em 2011, com sugestões para a implantação desses racks.

Foi exatamente uma cópia deste documento que eu levei ao secretário Valmir Humberto Piacentini. Ele gostou muito das sugestões, em especial dos racks dianteiros. Fiquei de re-encaminhar cópia deste ofício a ele e acredito que seja um item que será considerado na formulação da nova composição de empresas de transporte coletivo.

Transporte de bicicleta em ônibus em Santa Rosa, Califórnia. Foto: Eduardo Green Short (24/10/2008).

Transporte de bicicleta em ônibus em Santa Rosa, Califórnia. Foto: Eduardo Green Short (24/10/2008).

Secretaria de Obras

O secretário João Amin (PP) poderia ter perguntado: “o que esse cara faz aqui DE NOVO?”. E, de fato, perguntou! Com a secretaria de Obras, como ciclistas, temos muitas coisas para conversar e a resposta tem sido, até agora, bem produtiva. Cumprimentei-o pelo início das obras da ciclovia na Lagoa da Conceição. Sobre essa pista ciclável, na R. Ver. Osni Ortiga, paira uma dúvida sobre os ciclistas. Ninguém ainda teve acesso ao projeto técnico-executivo da obra e algumas informações dão conta de que a ciclovia será em paver. O secretário falou que são muitas as compensações ambientais necessárias para tirar as obras do papel, como não poderiam deixar de ser as que mexem com as delicadas águas da nossa lagoa formosa.Entretanto, dependendo do paver, pode prejudicar a circulação de alguns modais cicloviários, como o patins e o skate, ambos em franco crescimento na cidade. Talvez algum outro tipo de concreto com maior porosidade possa ser utilizado nessa ciclovia. Como a primeira fase da obra envolve apenas o aterro e enrocamento, o secretário disse que iria ver se o piso da ciclovia poderia ser modificado.

Passamos a falar sobre o PAC Pavimentação. Recentemente, Florianópolis deixou de tentar captar um montante de R$ 3.624.883,16 para ciclovias. Segundo o secretário, entretanto, duas outras obras que incluem ciclovia foram pedidas. Uma é a R. Dep. Antônio Edu Vieira, no Pantanal, ainda envolta em discussão do projeto final. A outra é a revitalização da R. Padre Rohr, entre os bairros de Santo Antonio de Lisboa e Sambaqui. Apenas por curiosidade, existem duas versões para esse projeto. Na versão desenvolvida pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, considerada superior, está prevista a inclusão de ciclovia bidirecional com 2,5m de largura.

Para conhecer melhor os diversos projetos cicloviários que estão dentro da pasta, João Amin reiterou o trânsito livre que os ciclistas têm por lá e que podemos aparecer por lá para conhecer melhor as obras por lá encampadas.

Por fim, levantei novamente a solicitação da ViaCiclo pra a retirada das tachas luminosas nas faixas laterais da R. Dep. Antônio Edu Vieira, colocadas na última reforma da via e que vêm prejudicando o tráfego de ciclistas.

Câmara de Vereadores

Havia poucos vereadores nesta edição da Prefeitura no Bairro. Desta vez, falei apenas com o Vanderlei Farias, o Lela (PDT). O assunto não poderia deixar de ser outro: SC-405. Desde que foi inaugurada, a ampliação desse trecho do Rio Tavares, além de não resolver o problema de mobilidade – sequer passou perto -, teve aumento no número de acidentes com pedestres e ciclistas, que triplicaram. As soluções apontadas por ciclistas e moradores, um ano e meio após reunião com o secretário de Estado de Infraestrutura, Valdir Cobalchini (PMDB), ainda não foram tomadas. Nem ainda a licitação das lombofaixas e ciclovias foram relançadas! Além disso, passou-se o prazo dado pela justiça para a construção de ciclofaixa (seis meses, em junho de 2012) e, após, ciclovia (um ano, em dezembro de 2012). Além disso, o projeto feito era para obra emergencial e até mesmo ele tem sua validade e eficácia questionada devido a essa nova demora.

O vereador afirmou que já falou sobre isso três vezes na Câmara. Ainda assim, não houve um movimento por parte do órgão estadual responsável, o DEINFRA. Sendo assim, novidades ruins podem surgir para os moradores a qualquer instante.

Prefeitura Municipal

Alguns dos assuntos mais importantes foram tratados diretamente com o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD). O primeiro foi sobre a possível influência da lei da paisagem no sistema de aluguel de bicicletas. Em 2012, foi sancionada pela Câmara Municipal uma Lei da Paisagem, a LCM 422/12. Essa lei apresentou vários problemas legais e jurídicos, tanto que foi movida Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN). Os itens que tratam tanto de anúncios em bicicletas quanto em motocicletas infringem normativas federais, por exemplo. Independente disso, um novo projeto de lei está sendo elaborado pelo executivo.

Quando questionado sobre como isso influenciaria no sistema de bicicletas coletivas que a cidade pretende implantar, ele foi taxativo: “Isso não influencia de forma alguma!”. O artigo que salvaguarda o Floribike é o art. 46, que trata das inovações.

Perguntei-lhe também sobre a criação da coordenadoria de mobilidade alternativa e a Pró-Bici. Esta última tem sofrido pressões para mudança de composição, visando à diminuição da participação popular, com menor número de membros dos diferentes movimentos do ciclismo municipal, e aumento do número de cadeiras de órgãos públicos, alguns dos quais não aparentam apresentar capacidade técnica e/ou funcional para tratar a bicicleta como componente da mobilidade urbana. Sobre a Pró-Bici, o prefeito afirmou que mantém constantes conversas com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Dalmo Vieira Filho. Para minha surpresa, apresentou um dado importantíssimo: na proposta de reformulação da administração pública, está prevista a criação da coordenadoria de mobilidade alternativa, promessa de campanha e primeiro item do Termo de Compromisso com os Ciclistas de Florianópolis.

Além disso, sobre o convite para pedalar com o Bike Anjo Floripa, o prefeito lembrou do acidente com a estudante de Oceanografia da UFSC e solicitou para colocar em sua agenda ainda durante esta semana um horário.

Secretaria de Administração e Previdência

Ao secretário Gustavo Miroski, não podia deixar de perguntar sobre uma das maiores dúvidas que pairam sobre a cabeça dos ciclistas da cidade: a quantas anda as bicicletas públicas. Ele afirmou que fora feito alguns pedidos de impugnações, mas que o processo estava rolando e que, até o final deste mês, ele iria ter continuidade.

Fabiano Faga Pacheco

(Vídeo) Projeto prevê aluguel de bicicletas para moradores de Florianópolis

Conteúdo exibido originalmente no Jornal do Almoço, da RBS TV SC,  em 27 de março de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

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(III) Especial Floribike: Projeto de bicicletas coletivas vem de 2009
(IV) Especial Floribike: Conheça as concorrentes – Compartibike
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(X) Especial Floribike: Iniciativa do interior do Paraná é premiada
(XI) Especial Floribike: Bicicletas coletivas que salvam vidas
(XII) Especial Floribike: Como funcionará em Florianópolis

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Bicicleta pública para criar a cultura na cidade

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, no dia 19 de março de 2013 (pág. 3). Você também pode ler a matéria no site do ND aqui. As correções necessárias foram feitas no meio do texto abaixo, uma mescla das versões impressa e digital.

           

Bicicleta pública

 

Floribike

Floripa Bike Floribike terá edital lançado no sábado

Mobilidade. Projeto idealizado há 10 5 anos por arquitetos do IPUF prevê a instalação de 68 pontos de aluguel de 1395 664 bicicletas, distribuídas em 11 estações.

O projeto Bicicleta Pública para Florianópolis, idealizado por arquitetos do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) há mais dez cinco anos, finalmente terá o edital lançado no próximo sábado, no dia do aniversário de Florianópolis. O projeto inicialmente intitulado Floribike, prevê de 68 pontos de aluguel de bicicletas na Capital. Ao todo, serão 664 bicicletas distribuídas em 111 estações de aluguel no Centro e nos bairros Agronômica, Trindade, Santa Mônica, Itacorubi e Córrego Grande.

Agora, além da instalação e administração dos pontos de aluguel de bicicleta, a empresa que vencer a concorrência ficará responsável por terminar ciclovias previstas nos projetos da prefeitura que ainda não saíram do papel. Ano passado cinco empresas concorreram ao processo de pré-qualificação, mas apenas três – M2 Soluções em Engenharia Ltda (Barra Mansa, RJ), Serttel Ltda (Recife) e Movemente Barcelona (Espanha) – foram aprovadas e poderão apresentar suas propostas durante o processo licitatório.

Rui Gonçalves, gestor da Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, pasta responsável pelo projeto, afirmou que não há um critério único, serão observados diversos aspectos na escolha da empresa vencedora. “Será um mix de itens que pontuarão a empresa. Menor preço, prazo, valor de implantação e o término das ciclovias”, explicou.

Apesar do projeto se tratar de um serviço público, o cofre da prefeitura não terá nenhum ônus, o sistema será desenvolvido por meio de um contrato de concessão. A empresa vencedora da licitação ficará responsável pelo investimento em equipamentos, sistema de locação e controle de uso, em contrapartida poderá explorar os equipamentos com publicidade.

Comissão define últimos detalhes do edital até sexta-feira

Os pontos de aluguel já estão estabelecidos, mas o valor e a tecnologia empregada não estão definidos. Segundo o secretário Rui Gonçalves, uma comissão formada por integrantes do Ipuf, Secretaria de Transportes e Secretaria Municipal de Meio ambiente e Desenvolvimento Urbano, ainda trabalha nos últimos detalhes do edital  que será divulgado no sábado, mas adiantou que a proposta da prefeitura é incialmente realizar o serviço com pelo menos 40 minutos de  gratuidade “para criar a cultura na cidade”.

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Requisito. Empresa que vencer a licitação terá que concluir as ciclovias em Florianópolis. Foto: Alexandro Albornoz / ND.

Florianópolis possui 20 vias ciclísticas com 41.640 metros de extensão, distribuídas pela cidade, a maioria não é interligada.  Se o plano inicial for mantido conforme a divulgação em 2011, o projeto será dividido em duas etapas. Na primeira, o Centro da Capital será beneficiado com 41 pontos de aluguel e 66 estações. Em um segundo momento, outros 27 pontos seriam instalados na região universitária. “É um programa com ampla participação da comunidade e de diversas pastas do poder público. Queremos garantir a segurança jurídica e dar suporte para que seja um projeto sustentável e uma alternativa de mobilidade efetiva para o cidadão”, apontou o secretário.

[Nota: na data da matéria, o edital estava finalizado. Ao contrário do que sugestionava o site da Prefeitura Municipal de Florianópolis, ambos os módulos – Centro e Universitário -, serão implantados conjuntamente, conforme consta nos editais de habilitação e concorrência].

Junto com o lançamento da licitação no sábado, a prefeitura ViaCiclo promove um passeio ciclístico que sairá às 15h30 do Koxixo’s na Beira-mar norte. Também são parceiras da iniciativa a Secretaria Municipal de Obras e a Comissão de Mobilidade Urbana por Bicicleta de Florianópolis.

Saiba mais sobre o Floribike:

– Serão 68 pontos de aluguel de bicicletas, 111 estações, 664 bicicletas, além de 1.328 suportes para colocação dos equipamentos.

 – Qualquer pessoa poderá ter acesso ao aluguel de uma bicicleta realizando um cadastro prévio

– A pessoa pode retirar a bicicleta em qualquer um dos pontos de aluguel e devolver em qualquer um desses pontos.

Perspectiva. Cidade ganhará 111 estações e 1328 suportes para as bicicletas.Perspectiva. Cidade ganhará 111 estações e 1328 suportes para as bicicletas.

Letícia Mathias

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A matéria abaixo foi originalmente exibida no RIC Notícias, da RIC TV Record, em 22 de março de 2013 e pode ser vista também aqui.

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(XII) Especial Floribike: Como funcionará em Florianópolis

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Sistema de bicicletas coletivas de Florianópolis deve se tornar um dos melhores da América Latina

O Floribike, que prevê a implantação de um total de 664 bicicletas compartilhadas em 111 estações, contemplando 68 pontos da capital catarinense, tem sido discutido desde 2011. O projeto, abarcado dentro da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável (SMCTDES), vem sendo resultado de debates e avaliações dentro do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici), com apoio da Secretaria Municipal de Transportes, Mobilidade e Terminais (SMTMT).

Estão previstos dois módulos. No Centro, o projeto segue a microrrede cicloviária planejada desde 2008, com estações distantes no máximo 400m entre si, próximo ao padrão europeu. A empresa que for implantar as 66 estações, com 810 suportes para 405 bicicletas nos  41 pontos de aluguel do Centro, também pode colaborar para a implantação desta microrrede, cujo projeto sairá do IPUF.

Na Bacia do Itacorubi, estão previstas 45 estações, com 518 suportes e 259 bicicletas em 27 locais. Como a rede cicloviária integrada está defasada em relação ao Centro, foram contemplados os principais pontos de origem e destino.

FloribikeConcepção de como pode vir a ser o Floribike

Três empresas estão na disputa: Movement Barcelona, Serttel e Compartibike, que já tem projetos em funcionamento em outras cidades do país, e até no exterior.

A vencedora do edital ficará responsável, também, pela futura ampliação do sistema, cujas discussões ficarão a cargo do corpo técnico do IPUF e da Pró-Bici. O aumento no número de bicicletas e na quantidade de estações por pontos também passarão por avaliação destes órgãos. O adensamento das estações na Bacia do Itacorubi pode ocorrer com a construção de determinadas estruturas cicloviárias na região, bem como a ampliação do sistema para bairros do continente e para o sul da Ilha, como a planície do Campeche, serão objetos de estudos específicos.

O usuário terá que se cadastrar no sistema antes de usá-lo. Ele poderá pegar a bicicleta numa estação e deixá-la em outra. Ao menos os primeiros 40min de uso serão gratuitos.

Os valores, bem como as formas de aquisição de créditos e características dos sistemas, são objetos da licitação. Ela prevê também uma futura integração com os demais sistemas de transporte coletivo.

Atualmente, a demanda reprimida de ciclistas em Florianópolis é de 74%, segundo a pesquisa “Transporte por bicicleta em cidades catarinenses: metodologia para levantamento da realidade e recomendações para incremento da sua participação na mobilidade urbana” (Pesquisa Bici SC). São pessoas que passariam a utilizar mais esse meio de transporte se houvesse melhores condições para o seu usufruto.

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Prefeitura no Bairro recebe demandas de ciclistas

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No último sábado de janeiro, a Prefeitura Municipal de Florianópolis recebeu mais de 300 reivindicações de seus cidadãos. Pela quarta vez em 2013, a “Prefeitura no Bairro” aproximou políticos e moradores na tentativa de aprimorar a gestão pública e conhecer mais de perto os anseios de quem habita a capital catarinense.

Em duas das versões anteriores, em Canasvieiras e no Campeche, já tinha havido reivindicações por parte de pessoas que andam de bicicleta. Dessa vez, no bairro Pantanal, eu fui lá levar diversas demandas dos mais variados segmentos ciclísticos para serem apreciados pelos secretários, vereadores e pelo chefe do Executivo. De bicicleta, pouco após às 10h30, cheguei à tenda montada no terreno da Eletrosul.

Prefeitura no Bairro recebeu demandas por ciclovias em Florianópolis.

Prefeitura no Bairro recebeu demandas por ciclovias em Florianópolis.

Confira abaixo um resumo com as conversas.

Secretaria do Continente

O atual secretário João Batista Nunes (PSDB) reconheceu-me logo de chegada. Propus-lhe um planejamento de curto, médio e longo prazo para a melhoria das condições ciclísticas nos bairros não-ilhéus.

A curto prazo, pode-se realizar a instalação de bicicletários adequados em parques e prédios públicos, além de se realizar os acessos à única ciclovia urbana da região, a Av. Poeta Zininho (Beira-mar do Estreito). Por incrível que pareça, a obra, inaugurada no último aniversário da cidade após anos de construção, não contempla os acessos à ciclovia em seu começo nem em seu final.

Para médio prazo, a retirada da gaveta de projetos como a revitalização da orla de Coqueiros, por sinal uma das promessas de campanha do ex-prefeito Dário Berger (PMDB), e o aproveitamento dos estudos cicloviários feitos por técnicos holandeses possibilita uma ampliação importante da malha cicloviária em uma região densamente ocupada.

Por fim, o sistema de bicicletas coletivas de Florianópolis (Floribike) pode sofrer sua primeira ampliação agregando a porção continental e a definição de pontos de aluguel de bicicletas por lá é uma medida de longo prazo que pode, desde já, tomar forma.

O secretário afirmou que no final de fevereiro pretende se reunir com o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e com ciclistas para alavancar a questão.

Secretaria de Obras

O secretário de Obras e vice-prefeito João Amin (PP) recebeu de braços abertos para poder falar sobre diversos problemas que hoje afligem os ciclistas de Florianópolis.

Primeiramente, entreguei cópia de um ofício da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) solicitando a retirada das tachas laterais da R. Dep. Antonio Edu Vieira, a principal rua do Pantanal. Instaladas após o asfaltamento da via, esses refletores instalados na linha branca próxima ao meio-fio são desnecessários, não cumprindo função para o tráfego automotor, mas prejudicando enormemente o fluxo de ciclistas. Em determinados locais, os ciclistas chegam a perder 40cm de uma faixa onde poderiam transitar, tendo que conduzirem suas bicicletas mais para o meio da rua, colocando-se em risco maior e prejudicando, também, o fluxo de automóveis. Na véspera mesmo, minha caramanhola caíra da bicicleta por causa da trepidação que essas tachas ocasionam.

Tratando ainda do Pantanal, solicitei uma revisão do projeto de pseudoduplicação da R. Dep. Antonio Edu Vieira, que certamente mais afetar negativamente o tráfego de ciclistas e pedestres.

Tachas prejudicam o trânsito de bicicletas no bairro Pantanal.

Tachas prejudicam o trânsito de bicicletas no bairro Pantanal.

Sobre o bicicletário do Campeche, cujos paraciclos são sofríveis, a resposta foi rápida: “Vamos arrumá-los!”, falou. Um dos técnicos da Obras ao seu lado, afirmou que eles não haviam encontrado um modelo para o Brasil, tendo tido bastante dificuldade em definir um estacionamento de bicicletas melhor. Falei-lhe sobre o modelo padrão de Florianópolis, no qual chega a caber mais bicicletas, no mesmo espaço ocupado pelos paraciclos atuais, e com um custo aproximadamente igual.

Paraciclo no Campeche é considerado inadequado pelos ciclistas.

Paraciclo no Campeche é considerado inadequado pelos ciclistas.

A reformulação da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) também foi motivo de conversa, visto que é quase certa a presença alguém da secretaria de Obras nela.

O secretário pediu ajuda para a resolução dos problemas com as ciclofaixas na região central, dispôs-se a receber-me e a um grupo variado de ciclistas em sua secretaria e afirmou que em finais de fevereiro vai tratar com o IPUF sobre os projetos que já existem lá para poderem ser implantados em Florianópolis.

A legislação municipal, que prevê a implantação de pista ciclável em todas as novas ruas de Florianópolis, foi tema de debate também. Desrespeitada veementemente pelo governo anterior, e Lei Complementar Nº 78/2001 foi sancionada pela mãe do atual vice-prefeito, Angela Amin.

Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano

Por uma questão de viagem do titular Dalmo Vieira Filho, Rodolfo Matte ocupou-se em ouvir os moradores pela SMDU e por suas divisões e autarquias, incluindo a Secretaria Executiva de Serviços Públicos (SESP), a Fundação de Meio Ambiente (FLORAM) e o IPUF.

Levei-lhe ao conhecimento este artigo sobre as ciclofaixas de lazer, contendo diretrizes para que a implantação do projeto tenha sucesso.

Relembrei também um pedido de ciclistas que fora prometido ser cumprido até outubro do ano passado: a instalação de placas de advertência para a manutenção da distância de 1,5m do ciclista nas pistas com mais de uma faixa de rolamento por sentido.

Falamos brevemente sobre a Pró-Bici, situada dentro do IPUF, que pode contribuir enormemente para a ampliação decente das pistas cicláveis em Florianópolis.

Câmara de Vereadores

O vereador Celso Sandrini (PMDB) é um dos apoiadores do processo de revitalização da Caieira da Barra do Sul e da Taperinha, em projeto que prevê a implantação de ciclovias, calçadas e áreas verdes. Afirmou que a comunidade está ansiosa pelo projeto. Disse ainda que as pessoas de seu gabinete estão em férias e que após fevereiro vai agendar reunião no IPUF para essa revitalização e para a implantação da Casa Açoriana.

Prefeitura Municipal

Fui o penúltimo a conversar com o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD). Levei-lhe o convite de campanha do Bike Anjo Floripa de pedalar na cidade com integrantes do grupo, ao que disse com honestidade a uma assessora: “Tou devendo isso. Foi compromisso da campanha ainda. Anota aí! Estou precisando mesmo pedalar um pouquinho.”

Prefeito conversa com a comunidade. Ao fundo, ciclista em conversa com o secretário de Obras e vice-prefeito, com técnicos atentos. Foto: Martinho Ghizzo / PMF.

Prefeito conversa com a comunidade. Ao fundo, ciclista em conversa com o secretário de Obras e vice-prefeito, com técnicos atentos. Foto: Martinho Ghizzo / PMF.

Sobre o edital do Floribike, que estava em sua mesa pronto para publicação, afirmou que estava encaminhando para a área jurídica tudo o que havia sobre editais e licitação. Por sinal, poucos dias depois, uma reunião foi agendada pela administração municipal para dar encaminhamento ao projeto.

Por fim, sobre a necessária atualização da Pró-Bici, disse-lhe que uma proposta de composição deve chegar em suas mãos em março, permitindo agilidade nos processos que envolvem a circulação de bicicletas

Fabiano Faga Pacheco

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bicicleta_na_rua3-joel pacheco

Agora três empresas estão na disputa.

O edital de qualificação para o sistema de bicicletas coletivas de Florianópolis, pré-denominado Floribike, foi oficialmente encaminhado pela Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) para a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável (SMCTDES) no dia 29 de outubro de 2012, uma segunda-feira. Foi o primeiro dia útil após a Bicicletada Floripa de outubro, realizada na última sexta-feira daquele mês, dia 26. Esta data marcou a edição comemorativa dos dez anos da Massa Crítica em Florianópolis.

Em discussão desde meados de 2011, as bicicletas coletivas de Florianópolis dependem apenas da publicação desse edital para ter seguimento. O documento determina as características que devem constar para que o aluguel de bicicletas na cidade ocorra, bem como dá providências para a classificação das empresas interessadas em implantar o sistema.

Desde julho o documento se encontrava na Pró-Bici para análise técnica. “Foram feitas mais de quatro dezenas de correções para se adequar o edital à legislação”, ponderou Fabiano Faga Pacheco, secretário da Pró-Bici. As alterações foram apresentadas durante a reunião ordinária da Comissão de 24 de outubro e, logo após, encaminhadas por sua coordenadora técnica, a arquiteta e urbanista Vera Lúcia Gonçalves da Silva.

Um mês depois, o edital foi encaminhado à Secretaria Municipal de Administração e Previdência e dependia apenas de uma assinatura do então prefeito, Dário Berger (PMDB), para ser publicado no Diário Oficial do Município, fato que acabou por não ocorrer.

Empresa espanhola ganha direito de concorrer

O edital depende, ainda hoje, apenas da assinatura do prefeito eleito, Cesar Souza Júnior (PSD), para ser lançado. Durante sabatina no segundo turno da campanha eleitoral, ele afirmou ser completamente favorável à implantação do aluguel de bicicletas, constando como uma das promessas de seu “Termo de Compromisso com os Ciclistas”, assinado junto à Bicicletada Floripa, Bike Anjo Floripa, ViaCiclo e Bicicleta na Rua. Seu vice-prefeito, João Amin (PP), inclusive esteve na audiência pública sobre o tema.

Mas agora, não serão mais apenas duas empresas que concorrem para obterem o direito de implantar as bicicletas coletivas. Após análise de recurso, a Comissão Permanente de Licitações habilitou a empresa espanhola Movement Barcelona, responsável, dentre outros, pelo sistema Bicing, de Barcelona. A empresa havia sido desclassificada por critérios burocráticos, como não tradução de atestados de capacidade técnica e de certidão de débitos. Ela se junta à CompartiBike e à Serttel.

Confira abaixo a nota completa no Diário Oficial.

Diario Oficial de Florianopolis 2012-08-31

SECRETARIA MUNICIPAL DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL

RESULTADO DO PROCESSO LICITATÓRIO DE PRÉ-QUALIFICAÇÃO Nº. 147/SMAP/DLC/2012.
O Município de Florianópolis, por intermédio da Comissão Permanente de Licitações para Cadastro e Habilitação, após análise do recurso interposto pela empresa MOVEMENT BARCELONA 2005 S2, torna público aos interessados:

EMPRESAS PRÉ-QUALIFICADAS:

– M2 SOLUÇÕES EM ENGENHARIA LTDA.;
– SERTTEL LTDA.;
– MOVEMENT BARCELONA 2005 S2.

Florianópolis, em 27 de agosto de 2012.
A Comissão.

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Feliz Aniversário, Desterro!

Esta sexta-feira, 23 de março, Florianópolis comemora 286 anos de sua emancipação política. Como nos últimos anos, esta data é escolhida por seus representantes para se fazer inaugurações de obras. E algumas delas têm a ver com bicicleta.

Beira-Mar Continental

A Avenida Poeta Zininho, popularmente conhecida como Beira-Mar Continental ou Beira-Mar do Estreito, leva, nos 2,3km sem poesia de sua extensão, o nome do autor do hino oficial da cidade, o popular “Rancho de Amor à Ilha”. Neste novo aterro de um povo que infelizmente ainda não trata seus mares com carinho, constam ciclovias bidirecionais margeando o mar. Os ciclistas contam com iluminação, mas a arborização continua praticamente inexistente, diferindo muito da orla bastante freqüentada dos municípios paulistas de Santos e Praia Grande.

Os novos 2,3km de pistas cicláveis começam e terminam dispersos de outras estruturas cicloviárias, mas sem dúvida é uma opção interessante para os deslocamentos de passagem feitos em bicicleta. A maior parte de quem mora no antigo Balneário do Estreito, cuja balneabilidade ainda deixa a desejar, verá o trecho mais como uma opção de lazer do que de deslocamentos no dia a dia. Para esses, pistas cicláveis no binário R. Fulvio Aducci e R. Gen. Eurico Gaspar Dutra seriam essenciais.

Prevista para ser inaugurada em 2009, a obra demorou 8 anos para ser concluída. Em 2011, no Fórum das Américas sobre Mobilidade nas Cidades, Guillermo Peñalosa sugeriu que um trecho como aquele deveria ter a metade da quantidade de pistas, com a parcela restante recoberta por áreas verdes e de lazer.

De fato, não deve resolver a mobilidade do automóvel a médio e longo prazo, até por não estar integrada aos estudos que visam implantar um novo modelo de transporte coletivo (BRT, VLT ou monotrilho, segundo o secretário de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Renato Hinnig), mas para os ciclistas contribui de fato como uma opção nova tanto de lazer quanto de deslocamento.

A Beira-Mar Continental já foi oficialmente inaugurada, nesta quinta-feira, 22.

Nova iluminação na Beira-Mar Norte

Numa atitude que pegou os ciclistas de surpresa, a Prefeitura Municipal de Florianópolis anunciou:

“No Centro da cidade uma surpresa para os amantes da bicicleta: iluminação em led da ciclovia da Beira-Mar Norte.”

De fato, a iluminação é benvinda, proporciona melhor visão a um menor custo aos cofres públicos. Entretanto, deve-se considerar que a iluminação só deveria ser instalada após um projeto paisagístico que contemplasse arborização de seus canteiros, de forma a não atrapalhar a sinalização semafórica e não gerar sombreamento na nova iluminação.

Ciclovia na Lagoa

A revitalização da R. Ver. Osni Ortiga, no Porto da Lagoa, foi anunciada. Após a captação de recursos do Ministério das Cidades, será assinada, nos próximos dias, a ordem de serviço para iluminação, passeios, daques e ciclovia. É um antigo anseio da comunidade que tomou a forma que tem hoje em 2009, quando surgiu o Movimento Ciclovia na Lagoa Já.

Saiba mais:

Ciclovia da Osni Ortiga – Daniel Biólogo

Passeio Ciclístico

O SESC-SC convida a todos os interessados para o I Encontro de Ciclistas SESC. A saída e a chegada serão no SESC Prainha, na Travessa Syriaco Atherino nº100. A pedalada deve sair à 9h e seguir por um percurso de 4km pelo Centro da cidade, num trajeto fácil para pessoas de qualquer idade ou condição física.

Em outros aniversários

Em 23 de março de 2010, foi inaugurada, ainda incompleta, a ciclofaixa da Fazenda do Rio Tavares. Com nove postes de eletricidade no caminho dos ciclistas, até hoje nenhuma outra intervenção foi feita no local, permanecendo os obstáculos em seus mesmíssimos locais de dois anos atrás.

No ano passado, após um passeio ciclístico que contou com dezenas de pessoas, foi assinada a criação da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta, contendo atores da sociedade e representantes de entidades públicas de Florianópolis. A iniciativa foi elogiada em cidades como Tijucas, Recife e São Paulo. Completando um ano desde sua criação, a Pró-Bici deverá ser reformulada, a fim de melhor cumprir sua função sob os olhares constantes dos ciclistas da capital.

Rio Tavares ganhará ciclovia! Projeto executivo será elaborado neste mês.

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on line do periódico Diário Catarinense em 02 de fevereiro de 2012 (às 22h06). Você pode vê-la no site do DC aqui.

Trânsito na Capital

Semáforos na SC-405, em Florianópolis, começam a funcionar no domingo

Controle será feito manualmente pelos policiais

A segunda rodovia mais movimentada de Santa Catarina e a primeira com pista reversível poderá ficar mais segura este ano. Nesta semana, o secretário de Infraestrutura do Estado, Valdir Cobalchini, anunciou que irá resolver dois entraves da terceira pista da SC-405, no Sul da Ilha, em Florianópolis, até o final de 2012. A previsão é de que as obras iniciem logo após a temporada de verão.

O Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) também promete ligar os semáforos de reversão da pista até domingo. Os problemas encontrados ao longo do trecho de 2,4 quilômetros da rodovia foram enumerados há 20 dias em uma reportagem do DC.

Segundo Cobalchini, o projeto de execução será elaborado neste mês e prevê a construção de uma ciclovia e calçada com 2,5 metros de largura do lado direito da terceira pista (no sentido praia-Centro) com uma extensão de 2,4 quilômetros.

A medida irá solucionar o conflito existente entre pedestres e veículos e pode aumentar a segurança dos moradores que circulam a pé e de bicicleta. O segundo problema, que o secretário promete resolver este ano, é a distância de 400 metros entre as faixas de pedestre. Ele garante que serão construídas faixas com lombadas ao longo da via.

O novo modelo é uma espécie de lombada que fica acima do nível normal da rua sinalizada com pintura em solo que permite a travessia mais segura de pedestres já que os veículos precisam diminuir a velocidade ao passar por elas.

O secretário de Infraestrutura diz que depois do Carnaval irá se reunir com os engenheiros responsáveis pelo projeto para definir quantas serão construídas e onde elas estarão posicionadas na pista.

— Estas medidas são emergenciais, os outros problemas tentaremos resolver ao longo do ano junto à Polícia Rodoviária Estadual — diz.

Cobalchini se refere à falta de retornos na rodovia e a possibilidade de diminuir a velocidade permitida de 60km/h para 40km/h. Para estes, não há previsão de início das obras.

A previsão é de que as obras iniciem logo após a temporada de verão. Foto: Fernando Salazar / Especial / Agencia RBS.

As melhorias atendem à reivindicação dos moradores que formaram a Comissão Pró-Segurança da SC-405. Entre os pedidos estão as faixas com lombadas, a redução da velocidade na via e os retornos.

— Na segunda-feira, vamos percorrer todo o trecho da rodovia para ajudar a definir qual espaço que será destinado aos pedestres e aos ciclistas. Esperamos que os demais problemas ganhem soluções — diz Anselmo Döll, integrante da comissão.

Outro problema que ganhou um prazo para solução é o funcionamento dos cinco semáforos (que indicam o sentido do fluxo de veículos). Eles permanecem desligados desde o dia da inauguração, em dezembro do ano passado. De acordo com o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), a empresa responsável pelo serviço deve instalar as baterias nos aparelhos até domingo, quando eles passam a funcionar. Hoje, a reversão do tráfego é feita manualmente por quatro policiais rodoviários estaduais

A SC-405 é considerada pelos moradores da região como “rodovia perigo”. O trecho está sem acostamento, sem calçadas, sem ciclovia e sem retorno. O fluxo de veículos atinge até 40 mil/dia na temporada de verão em uma localidade que concentra mais de 4 mil moradores e um intenso movimento de comércio.

Os sete nós da SC-405

1 – Pedestres em conflito com os veículos

Solução para 2012: hoje há uma faixa de pedestre a cada 400 metros. Com a distância muitos pedestres se arriscam atravessando a rodovia em meio aos veículos. Por isso, serão instaladas faixas com lombadas. Com elas, os motoristas se obrigam a diminuir a velocidade e os pedestres cruzam a via com mais segurança.

2 – Na teoria é rodovia, na prática é uma avenida

Solução para 2012: para o trecho se tornar mais humanizado e seguro a rodovia precisa receber calçadas e ciclovias. Elas deverão ser concluídas ainda este ano.

3 – Semáforos sem bateria e sem controle remoto

Solução prevista para domingo, 5: os cinco pórticos com semáforos ainda não funcionam. Mas o Deinfra promete que eles voltam a funcionar no domingo.

4 – Sem possibilidade de retorno ao longo do trecho

Solução prevista, mas sem prazo: o secretário de Infraestrutura diz que a intenção é fazer um retorno no meio do trecho, mas ainda não sabe informar como e quando ele será feito.

5 – Falta de espaço

Sem solução prevista: o Departamento Estadual de Infraestrutura afirma que para a melhoria do fluxo de veículos na região o ideal é duplicar a rodovia. Para isso, seria necessário desapropriar 70% do comércio local o governo, até o momento, não tem intenção de iniciar esta desapropriação.

6 – Sem horário fixo para reversão

Sem solução prevista: o projeto da pista reversível previa que a mudança do sentido ocorreria duas vezes ao dia, sempre às 6h e às 15h.

Mas, como o fluxo durante a temporada de verão é variável, até março não há um horário fixo. Quatro policiais militares continuam no local para orientar o trânsito.

7 – Uma obra provisória

Sem solução prevista: a terceira pista da SC -405 sozinha não elimina os congestionamentos na região. Ela ainda depende da duplicação dos 11km da SC-401 Sul (Diomício Freitas). O edital deve ser lançado até fevereiro e a entrega das obras é para o final de 2014.

Aline Rebequi

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