Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias

Os manuais internacionais e até mesmo os brasileiros expressam bem que em locais onde a velocidade máxima permitida for superior a 50km/h, a pista ciclável deve ser segregada da via por meio de barreiras físicas contínuas.

As explicações para isso estão, em parte, relacionadas a pesquisas sobre índice de letalidade em acidentes. A 30km/h as chances de uma pessoa sobreviver a um acidente variam de 85% e 95%. Já entre 60km/h e 80km/h, esses índices variam de 30% a 15% apenas.

Mas, ao contrário do que recomendam as normas técnicas nacionais e internacionais, observamos a implantação inadequada de algumas vias ciclísticas em plena capital catarinense, Estado eleito pela quinta vez o melhor destino turístico do Brasil, razão pela qual fica incompreensível o desprezo no tratamento de sua infraestrutura cicloviária.

Na recém-inagurada ciclofaixa da rodovia SC-401, observamos, além de irregularidades legais no que diz respeito ao tratamento de pistas cicláveis nas chamadas “obras de arte” (leia-se: pontes e viadutos), um total desconhecimento de como inserir a bicicleta numa rodovia. O projeto de duplicação da pista, feito pela empresa SOTEPA – Sociedade Técnica de Estudos, Projetos e Assessoria, contém falhas, no mínimo, grosseiras e que, indiscutivelmente, contribuiu para que um ciclista perdesse a vida apenas duas semanas depois da inauguração da obra.

Morador de Canasvieiras, Hector Cesar Galeano, de 54 anos, nascido na Argentina, foi vítima de sua escolha pelo uso da bicicleta, da negligência e falta de contingente da Polícia Militar Rodoviária Estadual em coibir abusos e da execução de um projeto de engenharia pífio que não permitiu a segurança de um ciclista em casos, infelizmente tão comuns, de embriaguez ao volante.

Clique sobre a imagem para ver a matéria do Jornal Notícias do Dia de 5 de janeiro deste ano (pág. 4) ou aqui para ler o conteúdo on line Diário Catarinense.

Infelizmente, a Rodovia das Mortes vai continuar fazendo de ciclistas suas vítimas por ainda mais algum tempo.

Fazenda do Rio Tavares

Recentemente, as ciclofaixas da Fazenda do Rio Tavares e do Campeche têm sido alvos de constantes críticas quanto à atuação da Polícia Militar Rodoviária Estadual, em especial durante as operações de reversão de faixas.

Infelizmente, a presença constante de policiais não inibe situações como a presenciada no vídeo abaixo:

O celta branco não se envergonhou em se utilizar do mísero acostamento, cuja largura também é incompatível com a velocidade da via, outrossim não seguindo padrões tanto nacionais quanto internacionais, e da pequena ciclofaixa, inaugurada oficialmente em 23 de março de 2010, mas que, quase dois anos depois, ainda não foi completada e apresenta inúmeros postes no caminho.

Indignante.

Atualizado em 13 de fevereiro de 2012, às 23h46.

Veja também:

Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.

Rio Tavares: comissão de moradores e ciclistas reúne-se nesta segunda

A reunião entre moradores e técnicos do DEINFRA e da Secretaria de Estado de Infraestrutura que ocorreu no dia 4 de janeiro deu origem a duas comissões para solucionar os conflitos na reigão.

A comissão de moradores e ciclistas tem como componentes representantes das associações de moradores do Rio Tavares, Fazenda do Rio Tavares, Cachoeira do Rio Tavares e Porto da Lagoa, além de ciclistas da Bicicletada Floripa, da ONG ViaCiclo e da comissão municipal Pró-Bici. A reunião deles vai ocorrer nesta segunda-feira, 9 de janeiro, às 20h, no Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares, próximo ao Terminal de Integração do Rio Tavares (TIRIO). Em reunião anterior que contava com esses mesmos membros foi elaborado um documento, já encaminhado à Secretaria de Estado de Infraestrutura, com assinatura de cerca de 450 moradores, com as solicitações abaixo:

 – Quatro retornos ao longo da Comunidade da Cachoeira do Rio Tavares [onde ocorreu a obra de ampliação da SC-405]
– As marquises dos pontos de ônibus

– Calçadas e acostamento adequados para que todos possam ter acesso
– Ciclovia
– Lombada eletrônica
– Sinalização

A reunião entre os técnicos ainda não possui data marcada, bem como não há previsão de nova reunião envolvendo os técnicos e a comunidade.

Saiba mais:

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Nova pista no Rio Tavares trouxe riscos a ciclistas e pedestres em Florianópolis

O conteúdo abaixo foi originalmente produzido pela versão on line do jornal Hora de Santa Catarina em 05 de janeiro de 2012 (às 11h21). Você pode ler a matéria no site do Hora aqui.

Nova pista da SC-405, no Sul da Ilha, oferece riscos para pedestres e ciclistas em Florianópolis

Uma hora no local é o suficiente para revelar diversas imprudências

Ciclistas se arriscam para a travessar a via. Foto: Fernando Salazar / Especial / Agência RBS.

Um copo de água com açúcar para diminuir o nervosismo e, antes de abrir a porta, uma palavra de incentivo do marido. A quarta-feira seria um dia de desafio para a aposentada Aide Costa da Cruz, 65 anos. Ela tinha contas para pagar, mas não era essa a angústia que lhe apertava o peito. Era a primeira vez que Aide atravessaria a SC-405 após a inauguração, em dezembro, da terceira faixa na rodovia que leva ao Sul da Ilha.

Ela encheu-se de coragem e lançou-se à aventura. A velocidade dos carros formava rajadas de vento. Alguns buzinavam. Ela se encolhia.

Terceira pista alongou distância

Na hora de atravessar, um susto: nervosa, Aide esqueceu que havia a terceira faixa. Ficou parada no meio da via, correndo o risco de ser atropelada, enquanto esperava uma brecha.

— Eu moro aqui há 30 anos e não era desse jeito. Agora tô morta de medo — desabafa.

O assombro de Aide com o risco iminente para pedestres é compartilhado entre os moradores da região. Para entender o motivo, basta caminhar por lá. Foi o que fez a equipe da Hora durante 60 minutos, ontem, enquanto conversava com a comunidade.

Só motor tem vez

Para atravessar a rodovia na faixa de pedestres, tivemos que correr, pois poucos veículos paravam. Os motoristas buzinavam, impacientes, e as motos sequer diminuíam a velocidade. Duas pessoas escaparam por centímetros de serem atropeladas, e um carro que parou para um pedestre atravessar na faixa levou uma batida na traseira.

Na pista fixa em sentido bairro-Centro, praticamente não há acostamento. Foi onde encontramos o administrador Cláudio Schramm Schenkel, 53, voltando do trabalho em sua bicicleta. Ele mora no Campeche e tem um escritório no Centro. Pedala 30 km todos os dias.

— Eu tenho experiência, sou cuidadoso e minha bike é equipada. Mas não recomendo que uma pessoa sem prática ande de bicicleta aqui — alerta.

Depois do Verão

Mobilizada, a população do Rio Tavares conquistou com protestos uma vitória junto ao poder público. O governo do Estado anunciou ontem que vai construir calçadas e ciclovias na extensão da SC-405 contemplada pela terceira pista. De acordo com a Secretaria de Infraestrutura, as obras devem iniciar após o fim da temporada de Verão.

O secretário adjunto de Infraestrutura no Estado, Paulo França, reuniu-se ontem com lideranças comunitárias e representantes de movimentos de ciclistas da Capital para discutir um modelo de projeto a ser implantado.

E durante as aulas?

Ainda faltam semanas para começar o período escolar, mas as famílias com filhos já estão aflitas com a possibilidade de ter crianças circulando em meio ao fluxo intenso do trânsito.

— Como as crianças vão fazer para atravessar? Não dá para deixar. É muito perigoso — preocupa-se o pedreiro Valdemir do Prado, que tem um filho de dois anos e outro de sete.

Ele faz questão de levar pessoalmente o menino mais velho para a escola, deixando o corpo entre o filho e os carros, para protegê-lo no trajeto.

Sinalização

Os cinco semáforos que vão indicar o sentido da terceira pista da SC-405 devem começar a funcionar hoje, a partir das 9h. A Polícia Militar Rodoviária será responsável pelo acionamento manual dos equipamentos.

Retorno

O presidente do Conselho Comunitário do Rio Tavares, Cedenir Silva, aponta a falta de locais para que os veículos passem de uma pista a outra, o que é possível só no Elevado da Seta ou no Campeche.

Laís Novo

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A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on line do periódico Diário Catarinense em 04 de janeiro de 2012 (às 20h06). Você pode vê-la no site do DC aqui.

Trânsito

Calçada e ciclovia na terceira faixa da SC-405 em Florianópolis devem ser feitas após temporada

Governo, comunidade e ciclistas estão discutindo o projeto

O trecho da SC-405, onde foi construída a terceira faixa, deve receber calçadas e ciclovia após a temporada, no Sul da Ilha, em Florianópolis. A obra é uma reivindicação dos moradores e foi anunciada pelo governador Raimundo Colombo na inauguração no final do ano.

A Secretaria de Infraestrutura, lideranças comunitárias do Sul da Ilha e de movimentos de ciclistas da Grande Florianópolis discutiram o projeto para privilegiar a segurança dos pedestres.

Os moradores devem formar uma comissão para acompanhar a elaboração do projeto.

— No período de temporada vamos elaborar o projeto, discutindo com os moradores e assim que a temporada terminar as obras iniciam — explica o engenheiro Paulo França, secretário adjunto de Infraestrutura.

Moradores devem formar uma comissão para acompanhar a elaboração do projeto. Foto: Julio Cavalheiro / Agência RBS.

Mudanças em área urbana

Conforme o engenheiro, o modelo adotado na SC-405 será levado para outras rodovias do Estado que também passam por áreas urbanas.

— A questão da SC 405 é um conflito porque ela é uma rodovia em área urbana, por isso vamos buscar uma solução, com os técnicos do Deinfra e com os moradores para que ela atenda os interesses de todos.

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Reunião para discutir ciclovia na SC-405

Será realizada nesta quarta-feira, 4 de janeiro, na Secretaria de Estado de Infraestrutura, no Edifício das Diretorias, R. Tenente Silveira nº162, Centro, em Florianópolis, às 14h, reunião para discussão sobre construção de ciclovias, calçadas/passeios, faixas de pedestres e iluminação na SC-405, no Rio Tavares

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O presente de Natal que os ciclistas de Florianópolis sonhavam receber

Arte: Ana Paula Becker e Cheyenne Caruso.

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(Charges) Ciclista Noel

(Vídeo) Ciclistas protestam na inauguração da SC-405 no Rio Tavares, em Florianópolis

Conteúdo exibido originalmente no Jornal do Almoço, da RBS TV SC,  em 22 de dezembro de 2011. Assista aqui à reportagem no site.

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A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on line do periódico Diário Catarinense em 22 de dezembro de 2011 (às 12h51). Você pode vê-la no site do DC aqui.

Trânsito

Terceira pista da SC-405 é inaugurada no Sul da Ilha e moradores protestam por ciclovias e calçadas

Trânsito fluiu sem problemas e não houve o mesmo congestionamento dos dias anteriores

O trânsito fluiu com mais tranquilidade para quem vinha do Sul da Ilha em direção ao Centro de Florianópolis ás 9h30min desta quinta-feira, por conta da terceira pista da SC-405, inaugurada nesta manhã. Apesar disso, ainda faltam ciclovias e calçadas. Um dia antes da inauguração, moradores protestaram com cartazes e faixas.

Não houve registro de filas em direção ao Centro, diferentemente dos dias anteriores, quando os motoristas precisavam de muita paciência para cruzar o trecho entre o trevo do Rio Tavares e a Via Expressa Sul.

Pela manhã, o governador Raimundo Colombo esteve no local e chegou a ser convidado pelos moradores que também compareceram à cerimônia desta manhã. Ele afirmou que reconhece como legítima a reivindicação da comunidade.

Sob protestos de moradores que pedem segurança na rodovia, terceira pista da SC-405 foi inaugurada no Sul da Ilha. Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS.

Contraponto

Sobre os protestos da comunidade, o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), Paulo Roberto Meller, lembra que a obra foi executada de acordo com o projeto e as demais necessidades serão avaliadas nas próximas semanas. Os pedidos da comunidade que puderem ser atendidos, serão feitos.

— Reconheço a questão dos pedestres, mas não podemos esquecer que se trata de uma rodovia estadual, a segunda mais movimentada e a prioridade é para quem circula por ela — disse Paulo.

O presidente lembra que até o dia 30 serão colocadas cinco novas sinaleiras de reversão e não para o trânsito.

— Assim que as sinaleiras entrarem em funcionamento, o tráfego será liberado em duas faixas sentido bairro-centro, das 6h até às 15h e, no sentido inverso, das 15h às 6h do dia seguinte — explica.

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A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on line do periódico Diário Catarinense em 21 de dezembro de 2011 (às 21h31). Você pode vê-la no site do DC aqui ou do Floripa Te Quero Bem aqui.

Mobilidade Urbana

Moradores protestam por melhorias na SC-405 em Florianópolis

Manifestação ocorreu no fim da tarde desta quarta-feira

Indignados com a falta de espaço para os pedestres na rodovia da SC-405 no Sul da Ilha, em Florianópolis, que está sendo inaugurada, moradores do local protestaram, no fim da tarde desta quarta-feira. Com faixas e cartazes eles interromperam o tráfego por várias vezes. Populares reivindicam mais faixas de pedestres, ciclovias e acostamentos para que eles possam trafegar pela via com mais segurança. Moradores também pedem mais retornos na rodovia, para os motoristas que moram na região.

A moradora Nelsiane da Silva Pereira, 21 anos, mostra as cicatrizes deixadas nos braços, após ser atropelada na faixa de segurança da rodovia.

— Agora tenho medo. Com meu filho, não me arrisco a atravessar — conta Nelsiane.

Com faixas e cartazes, moradores interromperam o tráfego por várias vezes. Foto: Jessé Giotti.

Deinfra

O presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), Paulo Roberto Meller, lembra que a obra foi executada de acordo com o projeto e as demais necessidades serão avaliadas nas próximas semanas. Os pedidos da comunidade que puderem ser atendidos, serão feitos.

— Reconheço a questão dos pedestres, mas não podemos esquecer que se trata de uma rodovia estadual, a segunda mais movimentada e a prioridade é para quem circula por ela — disse Paulo.

O presidente lembra que até o dia 30 serão colocadas cinco novas sinaleiras de reversão e não para o trânsito.

— Assim que as sinaleiras entrarem em funcionamento, o tráfego será liberado em duas faixas sentido bairro-centro, das 6h até às 15h e, no sentido inverso, das 15h às 6h do dia seguinte — explica.

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Ciclistas de Florianópolis, Itapema e Porto Alegre inconformados

O último mês tem sido extremamente difícil para os ciclistas das cidades catarinenses de Itapema e Florianópolis e da capital gaúcha Porto Alegre. Seguidos acontecimentos na política e nos tribunais contribuíram muito para essa situação.

Florianópolis, SC

Os ciclistas de Florianópolis permanecem indignados. Além de perderem ciclovias durante o ano, vêm obras anunciadas em acabamento sofrível para se pedalar. A ciclovia do Rod. Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, está sendo feita sem respeitar o projeto executivo, com claro prejuízo aos ciclistas. A ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus foi retirada devido a obras de recapeamento e implantação de dutos de saneamento básico e não será reimplementada até o final do ano. Além disso, a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga, no Itacorubi, que está sendo feita pela CELESC e deveria ter ficado pronta em janeiro de 2010, está sofrível a ponto de metade dos ciclistas pedalarem nas ruas. No Campeche, a Polícia Militar Rodoviária Estadual manda os carros estacionarem da ciclofaixa da Av. Pequeno Príncipe e hostiliza os ciclistas que passam pelo trecho nesse período, chegando a gritar “atropela mesmo” aos veículos automotores, sem fornecer opção ao deslocamento por bicicleta, conforme denúncias que chegaram a este blogue.

Como se não bastasse tudo isso, o governo do Estado não está implantando ciclovia na SC-405, no Rio Tavares, mesmo com determinação judicial para isso e, na SC-401, entre Canasvieiras e Ingleses, o acostamento foi dividido para dar lugar a uma ciclofaixa, em total contrasenso e inobediência ao projeto executivo e às normas internacionais. Nessa via, a velocidade máxima, de 80km/h, não é respeitada por 93% dos motoristas, que comumente trafegam a mais de 100km/h, com a anuência da fiscalização da própria Polícia Militar Rodoviária Estadual que põe ciclistas em risco também no sul da Ilha.

Esse é o clima pesado com que se iniarão as comemorações da Bicicletada Floripa de Natal, cuja concentração será na praça de skate em frente ao Shopping Iguatemi, a partir das 18h, com saída prevista para às 19h em ritmo tranqüilo e destino definido na hora pelos participantes. Festeje essa pedalada com sua família, seus amigos e aqueles que você quer que estejam sempre ao seu lado!

As leis de trânsito são respeitadas e, em caso de chuva, a Bicicletada está automaticamente CONFIRMADA.

Itapema, SC

Itapema já foi citada aqui como cidade amiga da bicicleta, justamente pela ciclofaixa da Avenida Nereu Ramos. Pois bem, a ciclofaixa de parte dessta rua foi retirada num projeto urbanístico que não se pode chamar de pífio, mas que certamente contém equívocos importantes que, a médio prazo, prejudicarão o trânsito da cidade e não vai resolver o problema de mobilidade dela, como já se poderá observar nesta temporada de verão. A ciclofaixa foi retirada para abertura de nova pista de automóveis, mantendo-se vagas de estacionamento e criando-se um corredor para ônibus, táxis, veículos de emergência e motocicletas. Os ciclistas podem utilizar-se, nesse trecho, de ciclofaixa do Parque Calçadão, à beira-mar.

Em outras palavras, Itapema, sem dúvida, deu um passo na contramão da história. Rebaixou a bicicleta de veículo de deslocamento para brinquedo de lazer, dificultando e tornando perigoso o trânsito de bicicletas em plena área comercial e de serviços da cidade. Deve-se salientar, também, que a audiência pública que definiu essas alterações não contou com presença participativa de ciclistas e que a decisão da prefeitura não se baseia em sólido estudo técnico, uma vez que são desconhecidos os números de veículos automotores e de transporte ativo que transitam na cidade nesse trecho e nem se conhecem os impactos que essas alterações trarão às vias adjacentes.

Se bem fiscalizadas, essas alterações ainda deixarão Itapema à frente da maioria das cidades catarinenses em termos de mobilidade, mas ainda assim se constitui num retrocesso em termos de política pública. O ideal era que a implantação da pista exclusiva para ônibus e veículos oficiais e coletivos ocorrer no leito carroçável, utilizando-se, para isto, uma das pistas utilizadas pelos veículos automotores.

Saiba mais:

População de Itapema decide mudanças na Avenida Nereu Ramos

Porto Alegre, RS

Parece piada, mas não é! Mais uma dessas pérolas surgiuvinda direta do caso do bancário Ricardo José Neis, que atropelou e feriu ao menos 16 ciclistas durante a Bicicletada de Porto Alegre, num ato que provocou manifestaçõesem prol das vítimas em vários países.

O promotor de justiça Fábio Roque Sbardellotto, do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, enviou o seguinte ofício abaixo em que escreveu:

Senhor Comandante:
Com a honra de cumprimentá-lo, e com o escopo de instruir o Inquérito Civil supra, instaurado para “investigar potencial infração a ordem urbanística em razão de irregularidades nos eventos organizados pelo grupo de ciclistas Massa Crítica, nesta Capital”, solicito que informe, no prazo de 30 dias, o nome de todos os componentes do grupo e do representante, se houver, bem como indique de que maneira o grupo atua e comprove, conforme preceitua o artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, a prévia comunicação às autoridades competentes antes da realização dos encontros, com a indicação de trajetos, para possibilitar a organização do trânsito local.”

Oras, para bom entendido, o desconhecimento de causa do promotor chega a provocar risos. A começar pelo fato de que não existe um grupo de ciclistas chamado Massa Crítica, que é uma coincidência rizomática. Não existe necessidade de comunicação às autoridades, ao contrário do que afirma o juiz, e nem representantes e nem componentes de grupo, até pelo fato de não haver grupo.

Os motoristas saindo de seus trabalhos ou residências, inúmeros ao mesmo tempo, por uma coincidência da organização econômica e social vigente não precisam avisar às autoridades que ajudarão a provocar congestionamentos no trânsito. As “autoridades competentes” já sabem disso! Quando vizinhos vão a uma mesma festa, ou os torcedores saem dos estádios de futebol, não comunicam sua saída. Simplesmente o fazem. Que sentido faria, então, os ciclistas comunicarem que vão se deslocar pelas ruas da cidade, por ventura com outros ciclistas? Nenhum!

Enquanto isso, Ricardo Neis segue livre em sua casa. O seu processo deve acabar em júri popular.

Os ciclistas, como não poderia deixar de ser, aproveitaram-se das palavras do promotor para inspirarem-se no tema da Bicicletada de dezembro, que deve ocorrer nesta sexta-feira.

A concentração ocorrerá no Largo Zumbi dos Palmares, a partir das 18h30. A saída será às 19h, aproximadamente, em destino que qualquer um pode escolher na hora.

Saiba mais:

AI-5 de novo? MP investiga a Massa Crítica de Porto Alegre

Rio Tavares: obras começam sem ciclovia

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 31 de maio de 2011 (pág. 25). Você pode ler a matéria no site do DC aqui. Faz parte de uma série de matérias e conteúdos relativos ao descaso com os ciclistas que transitam pela região. Erratas e situações reversas serão bem vindas.

Dois fatos importantes aconteceram após a publicação dessa reportagem. O Tribunal de Justiça deu ganho de causa à ação movida pela ViaCiclo. O Deinfra recorreu e não há previsão de ciclovia. Segundo o projeto conceitual do IPUF, estava prevista a nova pista e o acostamento em apenas um dos lados, que é o que está efetivamente sendo feito. Além disso, ciclovia, arborização e passeios constavam nos planos no órgão municipal.

E DAÍ?

Começa a ampliação na SC-405

Projeto da terceira pista com 2,3 quilômetros, que vai ligar o Trevo da Seta e o Bairro Rio Tavares, não prevê uma ciclovia

Começaram ontem as obras para a ampliação da SC-405. O projeto, orçado em R$ 3 milhões, não prevê uma ciclovia. De acordo com a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), a lei determina que toda obra de reforma ou expansão de rodovias tenha um espaço para a circulação de pedestres e ciclistas.

Por isso, a ViaCiclo entrou com ação civil pública pedindo ciclovias e ciclofaixas na SC-405. O Deinfra foi intimado a prestar esclarecimentos e, segundo informou, o órgão não é obrigado a fazer a ciclovia até a decisão final do Tribunal de Justiça.

O presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura, Paulo Meller, diz que as obras da SC-405 só incluem acostamentos e bolsões para ônibus. Meller defende que a licitação, sem previsão de espaço para a circulação de bicicletas, foi feita há dois anos. Segundo ele, não se pode fugir “uma linha” do projeto. Mas ele destaca que as obras para a duplicação da Diomício de Freitas, que leva ao Aeroporto Internacional Hercílio Luz, incluirão ciclovias.

Segundo a Polícia Rodoviária, apesar da obra da SC-405 não exigir desvios no trânsito, ontem, o congestionamento no local chegou a 5 quilômetros por volta das 9h.

Obra, orçada em R$ 3 milhões, deve ficar pronta em dezembro.

Para o presidente do Deinfra, Paulo Meller, o fluxo de carros deve ficar mais complicado na região até o fim das obras, previsto para dezembro.

– Além dos carros, terão as máquinas trabalhando, o que dificulta ainda mais o trânsito. Mas será um transtorno momentâneo – afirma.

As obras envolvem a construção de uma terceira faixa em 2,3 quilômetros de extensão entre o Trevo da Seta e o Bairro Rio Tavares. Serão três faixas de 3,5 metros e dois acostamentos de 1,5 metros cada um. Ontem, iniciou-se a fase de limpeza da região e os muros no entorno começaram a ser demolidos para, depois, os postes de energia elétrica serem retirados. A sinalização do local está a cargo da empresa vencedora da licitação, a Sulcatarinense. A ordem de serviço para os trabalhos foi assinada com a empresa em fevereiro de 2009.

O atraso de quase dois anos, segundo Meller, deveu-se aos processos judiciais para a indenização das terras dos moradores da região. Das 93 desapropriações, cinco ainda estão da Justiça, mas não devem atrapalhar as obras. A PMRv recomenda cautela redobrada para os motoristas que trafegam na região e pede para que os curiosos não parem no local. Quando as obras estiverem prontas, duas pistas devem ficar no sentido bairro-Centro, enquanto uma faixa ficará no sentido Centro-bairro. A ampliação deve faciliar a circulação dos 33 mil carros que passam pela rodovia diariamente.

Bicicletada dupla em Florianópolis – Em prol dos ciclousuários do Rio Tavares

A Bicicletada, por definição, não tem um roteiro pré-definido. Vai dos participantes que estiverem no ponto de encontro a sua definição. Entretanto, desde 2009 não se via tamanha insatisfação dos ciclistas de Florianópolis como se observa agora. Naquele ano, a comunidade da Lagoa da Conceição apareceu em peso, exigindo ciclovia na Av. Ver. Osni Ortiga, no Porto da Lagoa. As últimas notícias dessa ciclovia são animadoras: em setembro, a Secretaria de Obras entregou o Relatório Ambiental Preliminar (RAP) à Fundação do Meio Ambiente (FATMA). Dessa maneira, logo após a temporada de verão devem começar as obras do passeio e ciclovia.

Este ano, apesar de tudo, as insatisfações dos ciclistas têm aumentado enormemente deste meados do ano. Uma seqüência de omissões têm sido a responsável por tudo. Apesar de inaugurada em 2010, a ciclofaixa do Rio Tavares ainda não foi finalizada – há nove postes em trechos de poucas centenas de metros – e estudos feitos este ano colocam em dúvida se o lado da pista escolhido é aquele que o ciclista usa no dia a dia.

A ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus enfrenta problemas similares: postes ainda estão no meio da pista, que enfrenta, ainda, problemas de acessibilidade no principal cruzamento. Além disso, a pista foi, recentemente, quebrada para a instalação de importantes obras de saneamento básico.

A demora na apresentação dos projetos da ciclovia circum-universitária deixa apreensivos os estudantes da Bacia do Itacorubi, que convivem com situações diárias em que suas vidas são colocadas em risco. Ademais, a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga está muito, mas muito mesmo, aquém das expectativas suscitadas nos ciclistas em 2009.

Ciclistas não reconhecem a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga, no Itacorubi, como pista ciclística. A preferência de vários por se usar a rua indica que a ciclovia não cumpre adequadamente sua função. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Some-se a isto a omissão da fiscalização, que permite que automóveis estacionem em todas as vias ciclísticas da cidade, e está pronta toda uma situação tensa, prestes a entrar em ebulição.

O estopim da revolta dos ciclistas está na não construção de ciclovia na ampliação da rodovia SC-405 no Rio Tavares. Apesar de estar nos projetos municipais, os órgãos estaduais rejeitaram a mobilidade por bicicleta, colocando, dessa maneira, a vida dos ciclistas que trafegam pelo bairro em risco, não dando opção para o tráfego em ambos os sentidos da via, e optando por estacionamento do que por ciclovia e calçada. Os ânimos exaltaram-se ainda mais depois que o Estado de Santa Catarina recorreu de decisão do Ministério Público que incluía ciclovia na obra. Não é por outro motivo que não buscarem permanecer vivos que os ciclistas estão tremendamente descontentes.

Ciclistas arriscam-se por simplesmente deslocarem-se no Rio Tavares. A situação para eles tende a piorar. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Tal situação gerou que o trajeto da Bicicletada Floripa de dezembro não poderia ser outro que não aquele que passasse pelo Rio Tavares. É o que diz o “inconsciente coletivo”, para citar as palavras do cicloativista André Pasqualini, fundador do Instituto CicloBR.

Assim é que a Bicicletada do Bigode, tema escolhido para festejar mais esta edição,  acaba sendo ainda mais significativa. O “bigode”, sugerido para ser utilizado pelos participantes das intervenções lúdicas, proporciona ainda mais significações. Espera-se que Santa Catarina seja muito mais do que um Maranhão do Sul, e ouça os apelos pela vida de seus habitantes.

O ritmo da pedalada é leve, respeitando os limites físicos de todos os participantes. As leis de trânsito serão todas respeitadas no que vale ao conceito de Massa Crítica.

A saída será às 19h da praça de Skate em frente ao Shopping Iguatemi, na Trindade. A concentração tem início às 18h. Para quem vier do sul da Ilha ou da Lagoa da Conceição, a concentração será na Igreja São João Vianey, ao lado do Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares, às 18h. Às 19h, eles sairão em direção ao Trevo da Seta, próximo do qual ambos os grupos devem se encontrar.

Na ocasião, a deputada estadual Angela Albino (PCdoB) garantiu presença no evento, que é aberto a todos, sejam políticos ou não. A Bicicletada também conta com o apoio do Conselho Local de Saúde da Fazenda do Rio Tavares.

No sábado, a pedalada continua

“Gostaríamos de convidá-lo a participar da Mobilização pela Ciclovia na SC-405!

Como sabemos, o trecho do Rio Tavares está atualmente em obras, com a construção de uma nova pista pelo governo de Santa Catarina, que insiste em executar obras impensadas em todo o contexto da mobilidade urbana da região. A ausência de estudos do tráfego, a não construção de ciclovias, a não destinação da terceira pista para utilização exclusiva pelo transporte coletivo mostram que o planejamento urbano foi voltado exclusivamente para o automóvel, criando barreiras ao comércio local, prejudicando os ciclistas, pedestres e os usuários de transporte público.

Sabemos que a solução para a mobilidade urbana passa pelo binômio bike+ônibus, e não é o que está acontecendo na região. Como prova disso, o governo recentemente recorreu de Ação Civil Pública que determinou a implantação de ciclovia no trecho em obras em um ano, apesar de manifestações dos moradores, ciclistas, urbanistas e arquitetos. Além disso, nosso governador tem ignorado uma lei estadual (Lei 15168/2010) que OBRIGA a inclusão de ciclovia nas reformas de rodovias estaduais, indo na contramão de exemplos bem sucedidos em outros estados brasileiros e em outros países.

Precisamos nos mobilizar contra esse descaso com os ciclistas e com todos os meios de transporte coletivo em Florianópolis!”

Saiba mais:

Site, Facebook, Orkut e Blogue da Bicicletada Floripa.

(Vídeo) Debatendo mobilidade urbana em Florianópolis

Programa exibido pela TV Câmara de Florianópolis, em 24 de setembro de 2011, na Semana da Mobilidade Sustentável, com um debate sobre a mobilidade urbana, em especial a feita através de bicicleta, com o presidente da Frente Parlamentar pela Mobilidade Urbana Sustentável, vereador Ricardo Camargo Vieira, e o secretário da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) e membro da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), Fabiano Faga Pacheco.

A mobilidade na Ilha

O conteúdo abaixo foi publicado no editorial da edição impressa do periódico Diário Catarinense de 17 de setembro de 2011 (pág. 10). Você pode lê-lo no site do DC aqui ou em pdf aqui. Mas não poderia deixar de republicá-lo aqui.

Editorial

SC-401 e mobilidade

O Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) anunciou, ontem, que a duplicação da SC-401 entre o trevo de Jurerê e o de Canasvieiras estará concluída em dezembro próximo, antes da abertura da temporada de verão. O presidente do órgão, Paulo Meller, ao detalhar as obras em andamento, garantiu que tudo está seguindo conforme o planejado. Em média, 42 mil veículos trafegam, diariamente, por esta rodovia estadual, que dá acesso aos balneários do Norte da Ilha de Santa Catarina. Essas praias, outrora tranquilas e preservadas, se transformaram em bairros movimentados e densamente povoados. No verão, o volume de tráfego salta para quase 60 mil veículos por dia.

Os números bastam para conferir urgência às obras em andamento. Com efeito, a duplicação da SC-401, reivindicação velha de muitos anos, tem crucial importância não apenas para os moradores daquela área da Ilha-Capital, mas para a cidade inteira, cujo trânsito hoje sofre congestionamentos em cadeia. Florianópolis ostenta o título de campeão nacional da falta de mobilidade, e de vice-campeã mundial desta estressante “modalidade”, perdendo apenas para a tumultuada Pukhet, na Tailândia. Não raro, as filas de veículos que se originam na SC-401 nos horários de pico se estendem até a área continental da cidade.

Entretanto, convém anotar que, urgente e impositiva, a duplicação da SC-401, cujos prazos anunciados pelo poder público serão cobrados pela sociedade, é mais uma medida com “prazo de validade”. Para que a qualidade de vida na região seja preservada e ampliada, não bastam providências tradicionais e pontuais, como duplicações de estradas, viadutos, pontes, túneis, cuja capacidade, mais dia, menos dia, também será superada pela demanda.

É fundamental que a sociedade mude de mentalidade, e que os poderes públicos adotem modelos de planejamento e gerenciamento que levem em conta esta mudança de paradigma, estimulando o transporte público de qualidade e o uso de meios alternativos de locomoção, como a bicicleta.

Saiba mais:

Setembro, mês da mobilidade

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