Moradores querem ciclovia na Caieira da Barra do Sul

Em reunião realizada no último dia 24 de maio, no Salão Paroquial anexo à Igreja Bom Jesus dos Pescadores, na Tapera da Barra do Sul, extremo sul da Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis, os moradores foram unânimes em apontar a ciclovia como opção ideal para ser implementada junto à revitalização que começa a ser projetada para o local.

O projeto de “Reordenamento do Sistema Viário da Caieira da Barra do Sul”, feito pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) em parceria com a comunidade, foi apresentado pelos arquitetos Joel Pacheco e Vera Lúcia Gonçalves da Silva e pelo estagiário Leandro Pieper Nunes.

Vera Lúcia fez um histórico da região e apresentou para as três dezenas de pessoas presentes as opções viáveis tecnicamente, dentre as quais pseudociclofaixa, passeio compartilhado, ciclofaixa unidirecional em ambos os lados da via e ciclovia bidirecional voltada para o morro, bem como as vantagens e desvantagens de cada uma delas.

Vera Lúcia faz uma comparação das opções possíveis para os ciclistas.

A proposta de revitalização abrange cerca de 4km da Rodovia Baldicero Filomeno, entre as localidades de Caieira da Barra do Sul e Tapera da Barra do Sul. O local não apresenta condições seguras para pedalar ou caminhar. O projeto também contempla passeios e iluminação, além de mobiliário urbano.

– Acho que está bem claro que ciclovia é o que a comunidade quer. Mas precisamos amadurecer a ideia – pondera a moradora Adenides Lopes.

Já Kátia Vieira vai além:

– Ciclovia da Lupércio [Escola Desdobrada Lupércio Belarmino da Silva] à Caieira eu já acho pouco! Desde que asfaltaram a região eu já vi muita gente chegando [para morar] e mais: muita bicicleta, um aumento muito grande do número de ciclistas e cicloturistas. Muita gente pedalando.

Caso todo o trecho passe a ter ciclovia, 224 propriedades precisariam de pequena adaptações, a maioria pequenos recuos de muros, que poderiam ser trocados por índices construtivos.

Moradores discutem revitalização da Caieira da Barra do Sul.

Histórico

Insatisfeitos com a insegurança no trânsito gerada após o asfaltamento da região, que permitiu excessos de velocidades tanto dos automóveis quanto dos ônibus, os moradores organizaram um abaixo-assinado.

A partir dele, houve o envolvimento do vereador Celso Sandrini (PMDB), que se mobilizou junto ao IPUF para pensar as melhorias na região. Essa foi a terceira reunião na comunidade. As primeiras ocorreram em 20 de dezembro e em 28 de fevereiro.

A próxima reunião aberta será nesta quarta-feira, 13 de junho, às 20h, no Salão Paroquial da Tapera da Barra do Sul.

Fabiano Faga Pacheco

Atualização em 13 de junho de 2012, às 13h16min: a reunião foi procrastinada, ainda sem data definida.

Veja também:

Moradores vão atrás de calçada e ciclovia para o sul de Florianópolis

Ciclistas de Florianópolis, Itapema e Porto Alegre inconformados

O último mês tem sido extremamente difícil para os ciclistas das cidades catarinenses de Itapema e Florianópolis e da capital gaúcha Porto Alegre. Seguidos acontecimentos na política e nos tribunais contribuíram muito para essa situação.

Florianópolis, SC

Os ciclistas de Florianópolis permanecem indignados. Além de perderem ciclovias durante o ano, vêm obras anunciadas em acabamento sofrível para se pedalar. A ciclovia do Rod. Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, está sendo feita sem respeitar o projeto executivo, com claro prejuízo aos ciclistas. A ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus foi retirada devido a obras de recapeamento e implantação de dutos de saneamento básico e não será reimplementada até o final do ano. Além disso, a ciclovia da Rod. Admar Gonzaga, no Itacorubi, que está sendo feita pela CELESC e deveria ter ficado pronta em janeiro de 2010, está sofrível a ponto de metade dos ciclistas pedalarem nas ruas. No Campeche, a Polícia Militar Rodoviária Estadual manda os carros estacionarem da ciclofaixa da Av. Pequeno Príncipe e hostiliza os ciclistas que passam pelo trecho nesse período, chegando a gritar “atropela mesmo” aos veículos automotores, sem fornecer opção ao deslocamento por bicicleta, conforme denúncias que chegaram a este blogue.

Como se não bastasse tudo isso, o governo do Estado não está implantando ciclovia na SC-405, no Rio Tavares, mesmo com determinação judicial para isso e, na SC-401, entre Canasvieiras e Ingleses, o acostamento foi dividido para dar lugar a uma ciclofaixa, em total contrasenso e inobediência ao projeto executivo e às normas internacionais. Nessa via, a velocidade máxima, de 80km/h, não é respeitada por 93% dos motoristas, que comumente trafegam a mais de 100km/h, com a anuência da fiscalização da própria Polícia Militar Rodoviária Estadual que põe ciclistas em risco também no sul da Ilha.

Esse é o clima pesado com que se iniarão as comemorações da Bicicletada Floripa de Natal, cuja concentração será na praça de skate em frente ao Shopping Iguatemi, a partir das 18h, com saída prevista para às 19h em ritmo tranqüilo e destino definido na hora pelos participantes. Festeje essa pedalada com sua família, seus amigos e aqueles que você quer que estejam sempre ao seu lado!

As leis de trânsito são respeitadas e, em caso de chuva, a Bicicletada está automaticamente CONFIRMADA.

Itapema, SC

Itapema já foi citada aqui como cidade amiga da bicicleta, justamente pela ciclofaixa da Avenida Nereu Ramos. Pois bem, a ciclofaixa de parte dessta rua foi retirada num projeto urbanístico que não se pode chamar de pífio, mas que certamente contém equívocos importantes que, a médio prazo, prejudicarão o trânsito da cidade e não vai resolver o problema de mobilidade dela, como já se poderá observar nesta temporada de verão. A ciclofaixa foi retirada para abertura de nova pista de automóveis, mantendo-se vagas de estacionamento e criando-se um corredor para ônibus, táxis, veículos de emergência e motocicletas. Os ciclistas podem utilizar-se, nesse trecho, de ciclofaixa do Parque Calçadão, à beira-mar.

Em outras palavras, Itapema, sem dúvida, deu um passo na contramão da história. Rebaixou a bicicleta de veículo de deslocamento para brinquedo de lazer, dificultando e tornando perigoso o trânsito de bicicletas em plena área comercial e de serviços da cidade. Deve-se salientar, também, que a audiência pública que definiu essas alterações não contou com presença participativa de ciclistas e que a decisão da prefeitura não se baseia em sólido estudo técnico, uma vez que são desconhecidos os números de veículos automotores e de transporte ativo que transitam na cidade nesse trecho e nem se conhecem os impactos que essas alterações trarão às vias adjacentes.

Se bem fiscalizadas, essas alterações ainda deixarão Itapema à frente da maioria das cidades catarinenses em termos de mobilidade, mas ainda assim se constitui num retrocesso em termos de política pública. O ideal era que a implantação da pista exclusiva para ônibus e veículos oficiais e coletivos ocorrer no leito carroçável, utilizando-se, para isto, uma das pistas utilizadas pelos veículos automotores.

Saiba mais:

População de Itapema decide mudanças na Avenida Nereu Ramos

Porto Alegre, RS

Parece piada, mas não é! Mais uma dessas pérolas surgiuvinda direta do caso do bancário Ricardo José Neis, que atropelou e feriu ao menos 16 ciclistas durante a Bicicletada de Porto Alegre, num ato que provocou manifestaçõesem prol das vítimas em vários países.

O promotor de justiça Fábio Roque Sbardellotto, do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, enviou o seguinte ofício abaixo em que escreveu:

Senhor Comandante:
Com a honra de cumprimentá-lo, e com o escopo de instruir o Inquérito Civil supra, instaurado para “investigar potencial infração a ordem urbanística em razão de irregularidades nos eventos organizados pelo grupo de ciclistas Massa Crítica, nesta Capital”, solicito que informe, no prazo de 30 dias, o nome de todos os componentes do grupo e do representante, se houver, bem como indique de que maneira o grupo atua e comprove, conforme preceitua o artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, a prévia comunicação às autoridades competentes antes da realização dos encontros, com a indicação de trajetos, para possibilitar a organização do trânsito local.”

Oras, para bom entendido, o desconhecimento de causa do promotor chega a provocar risos. A começar pelo fato de que não existe um grupo de ciclistas chamado Massa Crítica, que é uma coincidência rizomática. Não existe necessidade de comunicação às autoridades, ao contrário do que afirma o juiz, e nem representantes e nem componentes de grupo, até pelo fato de não haver grupo.

Os motoristas saindo de seus trabalhos ou residências, inúmeros ao mesmo tempo, por uma coincidência da organização econômica e social vigente não precisam avisar às autoridades que ajudarão a provocar congestionamentos no trânsito. As “autoridades competentes” já sabem disso! Quando vizinhos vão a uma mesma festa, ou os torcedores saem dos estádios de futebol, não comunicam sua saída. Simplesmente o fazem. Que sentido faria, então, os ciclistas comunicarem que vão se deslocar pelas ruas da cidade, por ventura com outros ciclistas? Nenhum!

Enquanto isso, Ricardo Neis segue livre em sua casa. O seu processo deve acabar em júri popular.

Os ciclistas, como não poderia deixar de ser, aproveitaram-se das palavras do promotor para inspirarem-se no tema da Bicicletada de dezembro, que deve ocorrer nesta sexta-feira.

A concentração ocorrerá no Largo Zumbi dos Palmares, a partir das 18h30. A saída será às 19h, aproximadamente, em destino que qualquer um pode escolher na hora.

Saiba mais:

AI-5 de novo? MP investiga a Massa Crítica de Porto Alegre

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