(Charge) Ghost bike em homenagem a Róger Bitencourt

charge - Zé Dassilva DC 2015-01-18 Ghost bike Roger

A charge acima foi publicada no Diário Catarinense em 18 de janeiro de 2016 (pág. 4). A autoria dela é de Zé Dassilva.

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(Vídeo) Ghost Bike Róger: “Simplesmente vidas, sendo, novamente, perdidas”

As belas imagens do Felipe Munhoz e as belas palavras de desabafo do Fabiano Faga na homenagem ao ciclista Róger Bitencourt na instalação da Bicicleta Fantasma em sua memória.

“Em um domingo de verão, dia de sol como há meses não se via em Floripa, centenas de pessoas deixaram de fazer o que gostam, para pendurar uma bicicleta branca em um poste da SC 401, local do assassinato do ciclista Róger Bitencourt, por um motorista bêbado.

O que buscam essas pessoas, não é muito, pelo contrário, buscam condições mínimas de mobilidade, de forma segura e humana.

O que parece simples está infelizmente longe de ser atingindo, devido a uma parcela raivosa da população e pela omissão das instituições públicas.

A morte do Róger se tornou notória, devido à forma brutal e banal que ocorreu, também em um domingo, fazendo o que gostava, pedalando com os amigos, no acostamento da SC 401, às 10 horas da manhã.

Apesar disso, a bicicleta, por ser mais humana e, portanto, mais frágil que um carro, de forma alguma é mais perigosa.

Perigosas, são as altas velocidades que matam motoristas, passageiros, ciclistas e pedestres.

Mortes não deveriam ser toleradas no trânsito, simplesmente porque poderiam ser facilmente evitadas.

Usuários de bicicleta sabem disso, e não toleram nenhuma morte, por isso estão nas ruas e não vão sair de lá.”

Felipe Munhoz

(Vídeo) Jornal do Meio Dia: Sete pessoas já morreram pedalando na SC-401, em Florianópolis

Vítimas que sobreviveram após acidentes no local relatam a experiência e a falta de segurança de pedalar na rodovia. Conheça as histórias de sobrevida das atletas Ivone Tarine e Marta Fiorentini.

Conteúdo exibido originalmente no programa Jornal do Meio Dia, edição de Florianópolis, da RIC Record SC, em 29 de dezembro de 2015.

15 razões para pedalar pelado em Florianópolis em 2015

Neste sábado, 14 de março, Florianópolis terá a sua quarta edição do World Naked Bike Ride (Passeio Ciclístico Mundial Sem Roupas). A concentração terá início às 16h, com início da pedalada previsto para cerca de 18h. O roteiro será definido na hora pelos participantes, em ritmo leve e sonoro pelas ruas dos bairros da porção central da capital catarinense.

Conhecido popularmente no país como Pedalada Pelada ou Peladada, o WNBR tem como lema “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”. O idéia é chamar a atenção das pessoas para a fragilidade do corpo humano, conscientizando motoristas a terem mais cuidado com a vida humana alheia no trânsito. A ausência de vestimentas refletiria a falta de proteção do ciclista, que não se vê envolvido por uma proteção metálica, como a carroceria de um automóvel, no caso de algum incidente de trânsito. No Brasil, a ampla maioria dos acidentes que têm a bicicleta como um dos veículos envolvidos não tem o ciclista como culpado.

Seguindo esse pensamento, durante o WNBR, quanto menos roupas o ciclista estiver usando, mais inseguro ele se sente com o transito da cidade. Na prática, como é normal em outras cidades do Brasil, a maioria acaba pedalando com roupas de baixo. Em Florianópolis, são muito mais as pessoas tiram tudo do que aquelas que não tiram nada.

Como é facilmente perceptível, um dos principais objetivos da Pedalada Pelada é chamar a atenção e levar à reflexão tanto de motoristas quanto do poder público, colaborando para que, assim, pedalar pela cidade seja mais seguro e agradável ao ciclousuário.

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Florianopolis 2015-03-14 WNBR

Se você ainda tem alguma dúvida quanto a participar ou não do evento, fornecemos abaixo 15 razões para você não deixar de participar da Pedalada Pelada em 2015:

1. Você pode!

Este artigo mostra claramente, com base na legislação, que nem toda nudez será castigada. Não há obscenidade e muito menos indicativo de promiscuidade ou ofensa alheia em se mostrar o corpo como ele é, sem conotação erótica ou sexual. Inclusive, em diversas cidades, pais levam seus filhos para mostrar como um evento desses realmente é: uma forma de protesto bem humorada e bem evidente, que não apela a baixarias e nem prejudica a autoestima ads pessoas, tão denegrida pelos padrões de beleza ditados pela indústria da moda. É, antes de tudo, um exercício de cidadania e de percepção e respeito às diferenças.

2. É um evento mundial

Como o próprio nome diz, o Passeio Ciclístico Mundial sem Roupas não ocorre só no Brasil. A data oficial para o Hemisfério Sul é o segundo sábado de março, embora, por alguma razão desconhecida, em 2015 ela tenha caído na primeira semana do mês em diversas cidades do mundo. O Brasil, entretanto, permaneceu fiel e, além de Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro também terão sua edição da Pedalada Pelada neste sábado. Além dessas três cidades, houve também Peladada em Porto Alegre. Lá, o WNBR tem ocorrido no dia em que houve o atropelamento coletivo de ciclistas durante a Massa Crítica, em 25 de fevereiro.

3. A Peladada em Florianópolis não é problemática

Florianópolis e Porto Alegre realizam suas edições do WNBR pelo quarto ano consecutivo. No país, estão atrás apenas de São Paulo, que teve sua primeira edição em 2008. Em Santa Catarina, nunca houve um problema devido aos ciclistas – tirando a agressão de funcionário do TITRI contra os ciclistas em 2013. A Polícia Militar freqüentemente acompanha de longe a manifestação, que vira uma grande festa nas ruas, com grande interação do público das ruas e nas sacadas dos prédios. Reiterando, NUNCA houve um problema provocado pelos ciclistas durante as Peladadas de Florianópolis.

No Brasil, houve, por duas ocasiões, ciclistas presos em São Paulo, na primeira e na terceira edição. Nenhum deles hoje tem ficha criminal por ter pedalado pelado. Já os atos de violência da polícia militar paulista foram abundantemente noticiados, não contribuindo em nada para sua reputação já combalida.

4. Você não precisa pedalar pelado!

Apesar do nome, o lema “tão nu quanto você ousar, tão nu quanto você se sentir” apenas provoca o participante a revelar como ele realmente se sente no trânsito do dia a dia. A nudez não é obrigatória, mas opcional. Boa parte das pessoas troca peças de roupa por mensagens ou desenhos no corpo, feitos com tinta.

5. A Av. Madre Benvenuta ainda está sem ciclovia!

Após 9 anos da elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a ciclovia da Av. Madre Benvenuta está finalmente com as obras iniciadas. Caso estivesse ficado pronta antes, poderia ter evitado a morte de José Lentz Neto, que faleceu em seu último dia de trabalho quando voltava da UDESC. Durante todo esse tempo, o Shopping Iguatemi procrastinou enquanto pôde a execução da obra – chegou a enviar ao Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis um projeto que beirou ao ridículo em agosto de 2013. Agora, graças à atuação do Ministério Público Federal a do próprio IPUF, a ciclovia começa a ser feita. Entretanto, não se pode comemorar antes da hora: a cidade tem um histórico de atrasos e imperfeições na execução de infraestrutura cicloviária.

6. A Rodovia SC-401 tem uma ciclofaixa!

Um grande exemplo de que não se pode comemorar de forma antecipada uma obra cicloviária em Florianópolis é a SC-401. Apesar de nos projetos técnicos de execução aparecer a alcunha “ciclovia” na mais perigosa e mortal rodovia de Florianópolis, o que foi feito lá, na realidade, foi uma ciclofaixa. Desde que ela foi construída, há três anos, 3 ciclistas já perderam a vida… na própria ciclofaixa! Apesar de uma ciclovia ter sido prevista nesta rodovia desde 1991, ela até agora permanece um exemplo da desmoralização do Estado de Santa Catarina, que, oficialmente, ainda alega que a estrutura “está dentro das normas”. O caso virou um case negativo no livro “Brasil Não Motorizado”.

7. O Floribike não saiu!

Florianópolis é a cidade do mundo (do mundo!) que mais enrola para implantar o seu sistema de bicicletas compartilhadas. O primeiro projeto da cidade data de 2007! Em 2013, quando finalmente foi lançado o último edital, entre tropeços, a licitação deu vazia. Anunciado durante o Fórum Mundial da Bicicleta para março de 2014, o novo edital, pronto ainda em 2013 (com pequenas modificações posteriores), até hoje não foi lançado. A prefeitura até chegou a anunciar que lançaria um edital que desvirtuaria todo o planejamento de mobilidade ciclística da cidade. Ao que parece, voltou atrás e é provável que tenhamos novidades sobre isso nesta próxima semana.

8. A ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga ainda não está pronta!

O sonho há muito almejado de ciclovia na Lagoa da Conceição está mais perto do que nunca de acontecer! Mas caminha a passos de tartaruga! Na primeira vez que houve uma manifestação pedindo a construção da obra corria o ano de 1997. Em 2009, chegou-se a se anunciar que a obra ficaria pronta em 6 meses (prazo pouco factível). Há quase 18 anos, portanto, a comunidade da região aguarda a construção da ciclovia. Após adiar por alguns anos, o projeto técnico-executivo, razoavelmente fraco, foi concluído no final de 2012. Em julho de 2013, iniciou-se a primeira etapa da obra, envolvendo aterro e enrocamento, com prazo de conclusão de 4 meses. Após 20 meses, em janeiro deste ano, finalmente parece que essa etapa da obra teve fim. Serão, ao todo, de 3 a 4 etapas para a conclusão da ciclovia da Lagoa!

9. Caieira da Barra do Sul não tem nem projeto!

A ciclovia do extremo sul, nos bairros de Caieira e Tapera da Barra do Sul, foi objeto de reuniões, passeios ciclísticos e intervenções educativas no ano de 2012. Os moradores reclamavam da velocidade dos carros e ônibus e temiam pela segurança de seus filhos, em especial aos usuários de skate. Entretanto, até hoje não foi feito nem o projeto conceitual. A ciclovia da Caieira da Barra do Sul tende a ser mais uma das obras cicloviárias que vão se arrastar por décadas até ficar pronta, exceto em caso de real vontade política. A ciclovia é, junto com a Casa Açoriana, uma das obras mais importantes para a região.

10. Microrrede Centro repousa no esquecimento

Projetada ao menos desde 2008, com a colaboração de um dos mais renomados arquitetos brasileiros, a rede cicloviária do bairro Centro teve algumas de suas rotas construídas nos últimos anos. Apesar de ainda não seguir todas as normas municipais, ganharam ciclofaixas as ruas Bocaiúva, Almirante Lamego, Duarte Schuttel, Heitor Luz, Trompowsky, Dom Joaquim e Hercílio Luz. No entanto, as últimas ciclofaixas no Centro foram construídas pela gestão anterior – e inauguradas por ciclistas durante a Bicicletada Floripa de dezembro de 2012. Na atual gestão, houve até recusa em se buscar recursos junto ao Ministério das Cidades! Nem a “Reunião do Milhão” ajudou à Microrrede Centro a surgir no horizonte.

11. “Reunião do Milhão” não teve efeito algum

Em 26 de agosto de 2013, após pedalar com ciclistas, o prefeito anunciou que investiria R$ 1 milhão ainda naquele ano na mobilidade ciclística. Dentre as decisões tiradas numa reunião ampliada da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici), estavam a destinação da verba, principalmente, para reforçar a Microrrede Centro, além de intervenções na passarela da Ponte Pedro Ivo Campos e no Campeche. Além de não ter sido aplicado, o prefeito ainda anulou recursos destinados aos ciclistas previstos no orçamento daquele mesmo ano!

12. Pró-Bici melou

Criada para estreitar laços entre ciclistas e técnicos de carreira, a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) desandou. Tendo que ser atualizada, mesmo com o decreto pronto em março, apenas em outubro de 2013 ela foi melhor redefinida. Esse decreto foi aprovado com muito (muito!) esforço, trazendo um benefício em termos administrativos e burocráticos enormes. Com certa surpresa, um dos responsáveis pelo seu atraso foi o arquiteto e então superintendente do IPUF, Prof. Dalmo Vieira Filho, o mesmo que levou problemas jurídicos pela não participação popular ao Plano Diretor Participativo de Florianópolis. Sendo, por efeito do decreto, presidente dessa comissão, ele nunca fez questão de chamar as reuniões, que, pelo regimento interno, teriam que ser, no mínimo, mensais. Agora, o novo superintendente do órgão tem que assumir essa função, mas até agora não o fez e, antes de ser superintendente, ainda impediu o secretário da Pró-Bici de realizar a sua função.

13. Também pelos 20%

Promessa de campanha, 20% do Fundo Municipal do Trânsito, criado pelo prefeito para centralizar verbas de multas e recursos afins, seria utilizado em prol da bicicleta. Para surpresa, o FMT foi criado sem esse dispositivo e, até hoje, não foi enviado pelo alcaide o projeto de lei que destina os recursos para as ciclovias. Assim, ao menos durante metade da sua gestão, uma promessa que poderia ajudar milhares de florianopolitanos simplesmente ainda sequer começou a tramitar pela Câmara de Vereadores. Para piorar, investigação da Polícia Federal que resultou no afastamento do então presidente da Câmara descobriu que verbas dos radares de trânsito tinham destinação imprópria: corrupção.

14. Carta Sem Compromisso

Durante as eleições, o prefeito eleito assinou o Termo de Compromisso com os Ciclistas, feito pela ViaCiclo, Bike Anjo Floripa, Bicicletada Floripa e Bicicleta na Rua. Até agora, praticamente nenhuma promessa foi cumprida, incluindo a única que previa uma data. A construção de 40km de ciclovias nos primeiros 18 meses foi simplesmente ignorada, tendo sido construído cerca de um quarto disso, apenas – e de forma pontual. Para o Movimento Floripa Te Quero Bem, formado pela RBS, Instituto Guga Kuerten, Instituto Comunitário Grande Florianópolis (Icom) e Instituto Vilson Groh, o prefeito prometeu 40km em 4 anos de governo. Eleito, entretanto, no Plano de Metas consta apenas 20km até 2016. Ou seja, metade do que era para ser feito em 18 meses deverá ficar pronto em quase o triplo do tempo.

15. Desplanejamento cicloviário reina

Durante todo o mandato atual, hoje um desplanejamento enorme em termos de mobilidade urbana na cidade, com projetos pontuais desconectados da realidade e da necessidade da cidade! O teleférico e o projeto de canaletas para Bus Rapit Transit (BRT) são exemplos perfeitos dessa ausência de gestão e vontade. Em vez de tirar uma pista para automóveis, o BRT vai circular onde hoje existe a melhor ciclovia da cidade, a da Av. Beira-Mar Norte, que vai ficar onde hoje existe o passeio, que vai ficar onde hoje fica o mar! Há apenas 4 anos, o passeio da Beira-Mar foi revitalizado, ao custo de R$ 9 milhões, contando com nova pavimentação, arborização, mobiliário urbano e pérgolas, além de melhorias no enrocamento do aterro! Um dos itens principais do Termo de Compromisso com os Ciclistas, a criação de uma diretoria para tratar da bicicleta, pouco avançou. Prevista em trabalhos acadêmicos do  Projeto Pedala Floripa, do Grupo CicloBrasil, situado na UDESC, como fundamental desde 2004, a Diretoria de Mobilidade Ativa chegou a ser encaminhada ao prefeito através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável para ser parte constituinte da Secretaria de Mobilidade Urbana. Após ser desidratada por assessores do prefeito, a Diretoria foi simplesmente ignorada nas reformas administrativas posteriores. Sem ela, e com os projetos do IPUF sendo historicamente ignorados pela Secretaria de Obras, com a Secretaria de Mobilidade Urbana sendo meramente espectadora, não se pode planejar obras cicloviárias a médio e longo prazo com eficiência e racionalidade. Tampouco se pode vislumbrar a existência de obras não pontuais, mas sim conectadas por um eixo orientador das reais demandas da cidade e da sociedade.

Como se pode ver, existem sim motivos para você pedalar pelado neste sábado.

Novidades ciclísticas #3

Após um final de semana cicloviajando, voltam neste sábado as novidades ciclísticas da semana. Confira!

Governo do Japão estuda criar Ministério da Promoção da Bicicleta – O País do Sol Nascente pretende ampliar seus atuais 11 ministérios para permitir a uniformização e simplificação de legislação ciclística, além da implantação de estruturas cicloviárias para promover o uso da magrela no país, que será sede dos Jogos Olímpicos de 2020.

O custo das ciclovias

Prefeitura garante R$ 22 milhões para a ampliação de ciclovias – Em tempos de discussão da Lei Orçamentária Anual, é sempre bom relembrar esta matéria do ano passado, referente a Curitiba. Enquanto em Florianópolis, todas as obras cicloviárias estão paradas, os recursos buscados em Brasília não contemplam os ciclistas e sequer se viu a aplicação do R$1 milhão comprometido a partir de setembro para este ano, em Curitiba um valor extremamente maior constava já no orçamento.

Eduardo Euzebio

Mais uma tragédia. Infelizmente Eduardo Euzébio, ciclista da seleção brasileira, morreu atropelado – O ciclista catarinense de 18 anos havia sido recentemente chamado para a seleção brasileira. Praticante do esporte havia 9 anos, treinava em Curitiba e fazia parte da equipe Fundação Municipal de Esportes de Criciúma (FME)/Hidrorepell Tintas/Bike Point. Havia ganho duas medalhas de ouro no brasileiro de ciclismo júnior. Foi atropelado quando pedalava sozinho na BR-277 entre Curitiba e o litoral do Paraná, no dia 13.

Motorista de caminhão passa no sinal amarelo e mata ciclista de 14 anos – Alexander tinha 14 anos quando foi atingido por um motorista de 25 que acelerou para cruzar no sinal amarelo em Curitiba. Neste artigo, Alexandre Costa Nascimento questiona a falta de ação e de fiscalização, fatores que levam à Indústria da Morte.

Ciclista é atropelado na SC-401, em Florianópolis – Valtrik Leopoldo Pinheiro, de 53 anos, foi atropelado por um automóvel quando tentava cruzar a rodovia SC-401, a Rodovia das Mortes, que desde 1991 deveria ter ciclovia. O atropelamento aconteceu no km4, às 21h30 do dia 13. O motorista fugiu e o ciclista foi levado para o Hospital Celso Ramos.

SC-401 em uma mobilização por ciclovia

A situação caótica da SC-401 parece não ter sensibilizado os gestores públicos, no que tange à mobilidade universal. Mais uma obra está sendo feita sem a MENOR consideração com os ciclistas e os pedestres. Como se não bastasse o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (DEINFRA) ter justificado a ciclofaixa implantada no trecho de Jurerê a Canasvieiras mostrando uma rodovia italiana com ciclofaixa com o dobro da largura e apenas a metade da quantidade de faixas de rolamento da SC-401, num dos trechos mais perigosos para a circulação de ciclistas uma obra feita para os automóveis simplesmente ignora o transporte ativo.

Ao fazer uma obra num dos locais com maior número de acidentes de automóveis, esqueceram os gestores que a 200m dali morreu Emílio. Esqueceram eles que outros veículos também trafegam por ali. Simplesmente criaram obstáculos à circulação da bicicleta, em vez de justamente criar facilidades.

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Ghost Bike Ratones

Foto: Daniel de Araújo Costa.

Foto: Daniel de Araújo Costa.

Everton Luis Machado adorava pedalar. Quando nasceu, deveria estar em construção uma ciclovia na rodovia SC-401, em Florianópolis.

Vinte e dois anos depois, andando de bicicleta, não viu a ciclovia sequer ser iniciada e, nela, foi atingido por um motorista “supostamente” ébrio.

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Charge – Nunca se lembram dos passarinhos

charge - Armandinho DC 2013-08-01

A charge acima, de autoria do cartunista Alexandre Beck, foi publicada na pág. 6 do caderno Variedades do periódico Diário Catarinense de 1º de agosto de 2013. Veja em PDF aqui

Saiba mais:

Charge – Tá tudo congestionado!
Charge – Alternativas ecológicas de transporte
Charge – Armandinho na Pedalada Pelada

Veja também:

Charge – Os Valores do Século XXI
Charge – Andar de bicicleta no mangue é a minha especialidade

Prefeitura de Florianópolis volta a receber demandas de ciclistas

Neste primeiro sábado de julho foi realizada no bairro da Costeira do Pirajubaé mais uma edição da Prefeitura do Bairro, iniciativa na qual os cidadãos podem ter acesso direto com seus representantes do executivo e do legislativo, levando até eles demandas e necessidades das comunidades nas quais estão inseridos.

Nesta edição, mais uma vez houve demandas de ciclistas. Ao me verem com uma camiseta com o símbolo da bicicleta no peito, as pessoas já logo pediam por ciclovias na Costeira, sentidos pelo fato de que a única ciclovia que corta o bairro fica é quase inacessível por se localizar após as pistas da Via Expressa Sul.

Veja também:

Prefeitura no Bairro recebe demandas de ciclistas – Em janeiro, a prefeitura ouviu propostas em evento no bairro Pantanal.

Confira abaixo um resumo com as conversas.

Secretaria de Transportes, Mobilidade e Terminais

Está previsto para ser lançado em setembro a licitação do transporte coletivo. Ao mesmo tempo, esta tem sido foco constante de manifestações nas últimas três semanas. A Frente de Luta pelo Transporte Coletivo quer que seja revisto o modelo de funcionamento, visando à implantação da tarifa zero a todos os moradores. Independente da forma como for transcorrer o serviço de transporte de passageiros, existe uma recomendação do Ministério Público de Santa Catarina para que se veja a possibilidade de inclusão de racks para se levar bicicleta nos novos ônibus. A respeito disso, a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) enviou em ofício, ainda em 2011, com sugestões para a implantação desses racks.

Foi exatamente uma cópia deste documento que eu levei ao secretário Valmir Humberto Piacentini. Ele gostou muito das sugestões, em especial dos racks dianteiros. Fiquei de re-encaminhar cópia deste ofício a ele e acredito que seja um item que será considerado na formulação da nova composição de empresas de transporte coletivo.

Transporte de bicicleta em ônibus em Santa Rosa, Califórnia. Foto: Eduardo Green Short (24/10/2008).

Transporte de bicicleta em ônibus em Santa Rosa, Califórnia. Foto: Eduardo Green Short (24/10/2008).

Secretaria de Obras

O secretário João Amin (PP) poderia ter perguntado: “o que esse cara faz aqui DE NOVO?”. E, de fato, perguntou! Com a secretaria de Obras, como ciclistas, temos muitas coisas para conversar e a resposta tem sido, até agora, bem produtiva. Cumprimentei-o pelo início das obras da ciclovia na Lagoa da Conceição. Sobre essa pista ciclável, na R. Ver. Osni Ortiga, paira uma dúvida sobre os ciclistas. Ninguém ainda teve acesso ao projeto técnico-executivo da obra e algumas informações dão conta de que a ciclovia será em paver. O secretário falou que são muitas as compensações ambientais necessárias para tirar as obras do papel, como não poderiam deixar de ser as que mexem com as delicadas águas da nossa lagoa formosa.Entretanto, dependendo do paver, pode prejudicar a circulação de alguns modais cicloviários, como o patins e o skate, ambos em franco crescimento na cidade. Talvez algum outro tipo de concreto com maior porosidade possa ser utilizado nessa ciclovia. Como a primeira fase da obra envolve apenas o aterro e enrocamento, o secretário disse que iria ver se o piso da ciclovia poderia ser modificado.

Passamos a falar sobre o PAC Pavimentação. Recentemente, Florianópolis deixou de tentar captar um montante de R$ 3.624.883,16 para ciclovias. Segundo o secretário, entretanto, duas outras obras que incluem ciclovia foram pedidas. Uma é a R. Dep. Antônio Edu Vieira, no Pantanal, ainda envolta em discussão do projeto final. A outra é a revitalização da R. Padre Rohr, entre os bairros de Santo Antonio de Lisboa e Sambaqui. Apenas por curiosidade, existem duas versões para esse projeto. Na versão desenvolvida pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, considerada superior, está prevista a inclusão de ciclovia bidirecional com 2,5m de largura.

Para conhecer melhor os diversos projetos cicloviários que estão dentro da pasta, João Amin reiterou o trânsito livre que os ciclistas têm por lá e que podemos aparecer por lá para conhecer melhor as obras por lá encampadas.

Por fim, levantei novamente a solicitação da ViaCiclo pra a retirada das tachas luminosas nas faixas laterais da R. Dep. Antônio Edu Vieira, colocadas na última reforma da via e que vêm prejudicando o tráfego de ciclistas.

Câmara de Vereadores

Havia poucos vereadores nesta edição da Prefeitura no Bairro. Desta vez, falei apenas com o Vanderlei Farias, o Lela (PDT). O assunto não poderia deixar de ser outro: SC-405. Desde que foi inaugurada, a ampliação desse trecho do Rio Tavares, além de não resolver o problema de mobilidade – sequer passou perto -, teve aumento no número de acidentes com pedestres e ciclistas, que triplicaram. As soluções apontadas por ciclistas e moradores, um ano e meio após reunião com o secretário de Estado de Infraestrutura, Valdir Cobalchini (PMDB), ainda não foram tomadas. Nem ainda a licitação das lombofaixas e ciclovias foram relançadas! Além disso, passou-se o prazo dado pela justiça para a construção de ciclofaixa (seis meses, em junho de 2012) e, após, ciclovia (um ano, em dezembro de 2012). Além disso, o projeto feito era para obra emergencial e até mesmo ele tem sua validade e eficácia questionada devido a essa nova demora.

O vereador afirmou que já falou sobre isso três vezes na Câmara. Ainda assim, não houve um movimento por parte do órgão estadual responsável, o DEINFRA. Sendo assim, novidades ruins podem surgir para os moradores a qualquer instante.

Prefeitura Municipal

Alguns dos assuntos mais importantes foram tratados diretamente com o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD). O primeiro foi sobre a possível influência da lei da paisagem no sistema de aluguel de bicicletas. Em 2012, foi sancionada pela Câmara Municipal uma Lei da Paisagem, a LCM 422/12. Essa lei apresentou vários problemas legais e jurídicos, tanto que foi movida Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN). Os itens que tratam tanto de anúncios em bicicletas quanto em motocicletas infringem normativas federais, por exemplo. Independente disso, um novo projeto de lei está sendo elaborado pelo executivo.

Quando questionado sobre como isso influenciaria no sistema de bicicletas coletivas que a cidade pretende implantar, ele foi taxativo: “Isso não influencia de forma alguma!”. O artigo que salvaguarda o Floribike é o art. 46, que trata das inovações.

Perguntei-lhe também sobre a criação da coordenadoria de mobilidade alternativa e a Pró-Bici. Esta última tem sofrido pressões para mudança de composição, visando à diminuição da participação popular, com menor número de membros dos diferentes movimentos do ciclismo municipal, e aumento do número de cadeiras de órgãos públicos, alguns dos quais não aparentam apresentar capacidade técnica e/ou funcional para tratar a bicicleta como componente da mobilidade urbana. Sobre a Pró-Bici, o prefeito afirmou que mantém constantes conversas com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Dalmo Vieira Filho. Para minha surpresa, apresentou um dado importantíssimo: na proposta de reformulação da administração pública, está prevista a criação da coordenadoria de mobilidade alternativa, promessa de campanha e primeiro item do Termo de Compromisso com os Ciclistas de Florianópolis.

Além disso, sobre o convite para pedalar com o Bike Anjo Floripa, o prefeito lembrou do acidente com a estudante de Oceanografia da UFSC e solicitou para colocar em sua agenda ainda durante esta semana um horário.

Secretaria de Administração e Previdência

Ao secretário Gustavo Miroski, não podia deixar de perguntar sobre uma das maiores dúvidas que pairam sobre a cabeça dos ciclistas da cidade: a quantas anda as bicicletas públicas. Ele afirmou que fora feito alguns pedidos de impugnações, mas que o processo estava rolando e que, até o final deste mês, ele iria ter continuidade.

Fabiano Faga Pacheco

Secretário diz que rodovia em Florianópolis terá CICLOFAIXA

A rodovia SC-403, que liga o bairro dos Ingleses até a SC-401 em Canasvieiras está próxima de ser duplicada. Vai ganhar duas faixas de rolamento para cada sentido, além de novos acostamentos e pistas laterais. A surpresa ficou por conta da divulgação de que o local ganhará ciclofaixas, em vez de ciclovias.

Não se tem dúvida de que o secretário de Estado de Infraestrutura de Santa Catarina, Valdir Cobalchini (PMDB), tem tirado do papel obras viárias (em especial rodoviárias) importantes para o fluxo de mercadorias e pessoas. Entretanto, o acabamento geral dessas obras, em especial as que cruzam o perímetro urbano, tem deixado muito a desejar.

Em Florianópolis, duas obras são exemplos. A SC-401 foi duplicada, mas ao lado de onde os carros trafegam a 80km/h, os ciclistas contam com uma ciclofaixa que, em alguns trechos, chega a apenas 80cm e sem cuidado algum nos cruzamentos. Embora o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (DEINFRA) Paulo Meller tenha defendido a ciclofaixa como solução técnica, ela foi rechaçada por diversos técnicos de Florianópolis, do Brasil e até do mundo, envergonhando os catarinenses – mais pelas declarações do que pela obra em si, que também é lastimável.

Por outro lado, a SC-405, no Rio Tavares, que deveria ter ciclovia, foi ampliada, sendo que a nova pista sequer foi destinada à exclusividade do transporte coletivo. Previstas como obras fundamentais para acabar com os congestionamentos, ambas obras apenas jogaram o gargalo do trânsito poucos quilômetros à frente. Prova disso é que, logo no primeiro dia de semana, a SC-405 parou novamente. Hoje, os veículos ficam presos em duas faixas de rolamento, em vez de uma. E não será o elevado do Rio Tavares que vai adiantar.

Em janeiro de 2012, em reunião com ciclistas, junto ao secretário adjunto Paulo França, foram exibidas as normas técnicas consideradas adequadas pelos padrões nacionais (e internacionais) de pistas cicláveis dependendo do tipo de via. Além disso, tanto a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) quanto a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) dispuseram-se a ajudar nos projetos rodoviários que cortassem o município de Florianópolis.

Até hoje, não saiu a pista ciclável da SC-405, embora o projeto tenha sido feito de forma a implantar algo seguro às crianças das escolas da região num prazo de até seis meses. Quase um ano e meio depois, nada. Agora, novamente a parte técnica está sendo colocada de lado nos Ingleses. E mesmo os projetos solicitados pelos ciclistas, com a finalidade de auxílio, não foram mostrados.

No local, as faixas terão de 3,5m a 4m. Nas pistas para carros, claro. Com essas medidas, mesmo a velocidade máxima sendo de 80km/h, os veículos podem transitar a 120km/h. É uma solução de engenharia para possibilitar isso. Já para os ciclistas, que pedem 2,8m de ciclovias  em ambos os lados, que é a solução técnica propagada pelo Ministério das Cidades, não haverá isso. As ciclovias dos Ingleses não terão continuidade na SC-403. Num lugar onde poderia haver até arborização, optou-se por se fazer ciclofaixa. Na SC-401 foram 2 mortes de ciclistas somente ano passado e somente onde foi feita ciclofaixa. Pergunto-se: será que o governo de Santa Catarina espera que o aumento no número de mortes de ciclistas extenda-se às planícies da Vargem Grande e Ingleses do Rio Vermelho?

Confira abaixo a declaração de Valdir Cobalchini em seu Facebook:

ATENÇÃO:
O lançamento do edital para duplicação da SC 403, previsto para acontecer amanhã às 15 hs na rodovia será às 16 hs no gabinete do Governador Raimundo Colombo.

A duplicação da rodovia SC 403 terá 5,2 quilômetros de extensão, com um orçamento previsto de R$ 36.259.332,08, dos quais R$ 28 milhões serão do Governo, através do Ministério do Turismo. O trecho terá três elevados, sendo um na Vargem Grande, outro na Vargem do Bom Jesus e o terceiro para acesso a Cachoeira do Bom Jesus. Toda a via terá duas faixas de tráfego, dividas por uma mureta de concreto, e ainda 3,2 mil metros de vias laterais para atender o trânsito local.

O projeto ainda prevê duas passagem subterrâneas, sendo uma em frente a escola básica Luiz Cândido da Luz, eliminando o radar existente no local. E outra, será construída na Vila União. A nova SC 403 terá ainda dez paradas de ônibus e uma espera central para retorno, além de ciclofaixa para pedestres e ciclistas. A previsão de conclusão da obra é em 15 meses.

Vale a pena relembrar duas inserções publicadas aqui no Bicicleta na Rua:

“Nenhum ciclista até hoje obteve acesso aos projetos de pistas cicláveis na Transavaiana nem da SC-403. E os temores se justificam: basta olhar a ineficiência técnica da ciclofaixa da SC-401. E o aumento dos acidentes com ciclistas e pedestres na SC-405, no Rio Tavares. Nenhum acesso, nenhuma conversa, sequer passou por consulta da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) ou mesmo pela coordenação de projetos cicloviários da prefeitura de Florianópolis.

Temem os ciclistas que virem a trafegar por essas rodovias, inseridas dentro da urbe.” [Um ano e nada mudou]

Isso é uma ciclovia

Saiba mais:

Ciclofaixa na SC-401: Deinfra diz que está dentro das normas. Ciclistas protestam.

Charge – Pedalando com segurança na SC-401

(Vídeo) Pedestres têm dificuldade no Rio Tavares 

Lembranças de um ano atrás

Há um ano começavam e terminavam as minhas férias.

O corpo já me pedia descanso. O ano praticamente sem parar o cansara. Vi uma trilha para fazer com amigos no domingo, nos Ingleses. Pensei em ir de bike, mas o pouco sono e a chuva da véspera fizeram-me repensar a opção. Deixei a moto de lado e fui de ônibus. Gostava de pegar ônibus para fazer trilhas. Nos terminais, já reencontrava conhecidos e íamos papeando até o ínicio da trilha. Mas naquele domingo foi diferente. Ninguém no terminal central, nem o ônibus. Não me lembrava de os horários serem tão espaçados, mesmo numa linha que leva à praia em pleno domingo aberto de verão.

Sentado junto à janela direita do ônibus, peguei um jornal para ler – um informativo já meio antigo alusivo ao aniversário de Palhoça. Mas por volta das 10h uma concentração de ciclistas chamou-me a atenção pela janela do ônibus. Em menos de um minuto vi ambulância, bombeiros, duas bicicletas retorcidas largadas à grama, inúmeros ciclistas com camiseta da IronMind, um jovem ensangüentado sobre uma maca no asfalto.

A primeira coisa que se passou pela minha cabeça foi uma repetição do acidente com Rodrigo Machado Lucianetti, que treinava triatlo pela IronMind quando foi atropelado na SC-402, em Jurerê. As camisetas vermelhas dos ciclistas da equipe me induziram a isso. Domingo pela manhã era dia de treino.

Liguei ao Milton Carlos Della Giustina, na treinava com sua bicicleta pela BR-101 naquele momento. Telefonei ao Daniel de Araújo Costa, presidente da ViaCiclo, e à Lúcia Mendonça, diretora de Operações da Secretaria de Transportes, Mobilidade e Terminais. As primeiras notícias que me chegaram não eram animadoras, mas davam esperanças. Acidentes com dois ciclistas, um com maior gravidade, mas sem óbito.

Fui fazer a trilha, relaxando a cabeça. Voltei ao mundo real ainda antes de chegar em casa, quando as notícias já não escondiam o fato de que o sangue de uma daquelas pessoas não iria mais pulsar. Não eram da IronMind, o que não melhorava em nada a situação.

O estudante de Medicina da UFSC, então no terceiro semestre, Emílio Delfino Carvalho de Souza não resistiu. Seu colega Nicolas Paolo Zanella sobreviveu.

Os fatos que surgiram nos dias seguintes, com relatos de quem presenciou a cena, deram contornos ainda mais dramáticos.

Protestos na SC-401 mobilizaram mais de 200 pessoas.

O resto já se sabe: mais de duzentas pessoas fizeram um protesto pelo fim da violência no trânsito e uma bicicleta-fantasma (ghost bike) foi instalada no local.

Nicolas Zanella, irmão de uma caloura minha que se encontrava em viagem de intercâmcio, hoje se encontra melhor, já tendo voltado a pedalar, participando, inclusive, da instalação da terceira bicicleta-fantasma na SC-401 em 2012, no Cacupé.

Bicicleta-fantasma homenageia ciclista morto por motorista embriagado na SC-401.

Bicicleta-fantasma homenageia ciclista morto por motorista embriagado na SC-401.

A essa ponto, minhas férias já haviam definitivamente acabado.

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

Um ano e nada mudou  – um balanço sobre as promessas feitas logo após o acidente e a realidade um ano depois.
Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana –  A ghost bike de Hector Cesar Galeano foi a segunda do final de semana.
Florianópolis terá duas Bicicletadas neste fim de semana – Divulgação oficial da  Mobilização por mais segurança e menos mortes na Ilha de Santa Catarina.
Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
“Os ferimentos do meu filho não foram leves”, diz mãe de ciclista atingido na SC-401 – Desabafo da mãe de Nicolas Paolo Zanella, o outro ciclista atropelado na SC-401.
Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Charge – Pedalando com segurança na SC-401 – Autoria de César Nogueira.
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do acidente de Emílio Delfino no Jornal Notícias do Dia.

Veja também:

SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – Reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.
Bicicletas-fantasmas em Florianópolis para o mundo saber – As primeiras ghost bikes da Grande Florianópolis são divulgadas para o mundo. A cidade foi a terceira cidade brasileira a contar com essa homenagem.

Um ano sem Emílio

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Homenagem ao Emílio Delfino Carvalho de Souza, morto em 05/fev/2012, vítima da imprudência e descaso pela vida alheia por parte de um motorista e das condições inseguras de nossas vias, a cargo dos nossos administradores públicos e políticos, que permitem fartamente acontecimentos desse gênero.

O encontro será na pista de skate em frente ao shopping Iguatemi. Em seguida iremos de bike até o local do acidente, sito a Rodovia SC-401 na subida do morro, logo após o acesso ao bairro João Paulo.

Ao chegar, fazer uma oração e colocar flores ao pé da ghost bike. Silenciosamente e em homenagem.

Precisamos da ajuda de vocês para que isso aconteça.

Recomenda-se o uso dos acessórios de iluminação para bicicletas.

As pessoas que forem de carro poderão acompanhar as bicicletas onde ocorrer circulação compartilhada, ou estacionar próximo do destino e seguir a pé.

Saiba mais:

Um ano e nada mudou

Um ano e nada mudou

Um ano após o atropelamento de dois ciclistas na SC-401, no qual faleceu o estudante de Medicina Emílio Delfino Carvalho de Souza, muito pouca coisa se modificou de fato em Florianópolis para permitir maior segurança aos ciclistas que transitam na principal rodovia estadual catarinense.

Apesar do endurecimento da Lei Seca, por parte do governo federal, e da maior fiscalização da Polícia Militar Rodoviária, ambas atitudes dignas de eloqüentes elogios, o tráfego de bicicletas nas rodovias que cortam o território urbano catarinense ainda não teve a atenção que merece.

Apenas no ano passado, três ciclistas morreram na SC-401, número superior a qualquer outro desde a vigência da Lei Seca, no segundo semestre de 2008. Durante o ano de 2012, a SC-401 chegou a ficar mais de 100 dias sem acidentes fatais, fato pelo qual a morte de ciclistas se torna ainda mais preocupante.

Uma dessas mortes, inclusive, ocorreu em local onde os técnicos do Departamento de Infraestrutura (DEINFRA) acataram a instalação de uma ciclofaixa. Projetada desde 1991, a ciclovia da SC-401 até hoje não saiu do papel em nenhum de seus 19,6km.

E nem parece ter havido articulação para sair.

Fala-se apenas na implantação de ciclovias quando algum trecho de rodovia está para ser duplicado ou implantado. Sem as obras para carros, as obras para bicicletas não saem. Em Florianópolis, é o caso da Transavaiana e da SC-403. Mas igualmente não é o caso do acesso ao ParqTec Alfa, Tecnópolis.

Nenhum ciclista até hoje obteve acesso aos projetos de pistas cicláveis na Transavaiana nem da SC-403. E os temores se justificam: basta olhar a ineficiência técnica da ciclofaixa da SC-401. E o aumento dos acidentes com ciclistas e pedestres na SC-405, no Rio Tavares. Nenhum acesso, nenhuma conversa, sequer passou por consulta da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) ou mesmo pela coordenação de projetos cicloviários da prefeitura de Florianópolis.

Temem os ciclistas que virem a trafegar por essas rodovias, inseridas dentro da urbe.

A promessa que não saiu

Além da não-discussão de ciclovias decentes na SC-401, há que se salientar o não-cumprimento de uma das promessas feitas pelo então superintendente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e braço direito do então prefeito municipal, Dário Elias Berger (PMDB). Em uma entrevista ao Jornal do Almoço por conta do ocorrido, por sinal bastante criticada, o gestor máximo do órgão de planejamento anunciou o investimento do município de R$4 milhões de reais na construção de ciclovias na cidade para o ano de 2012. Conforme demonstrado aqui no blogue, esse investimento referia-se à requalificação do espaço público das ruas Bocaiúva e Almirante Lamego.

Sabem quantos desses R$ 4 milhões foram empenhados? Zero. Absolutamente nada. O projeto de requalificação sequer teve seu projeto executivo feito e as ciclofaixas que surgiram nos últimos meses nada tiveram a ver com a construção de ciclovias, mas sim com a repavimentação pré-eleição que botou asfalto em diversas ruas das cidades.

Outras obras cicloviárias nem chegaram a ter um começo, como o caso da ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição, ou tiveram apenas um tímido início, como a da Rod. João Gualberto Soares, iniciada após 6 seis anos no Rio Vermelho.

É com extrema infelicidade que se constata que algumas figuras públicas queriam apenas aparecer perante à tragédia anunciada que custou a vida de um jovem universitário, ciclista, morador de Santa Catarina.

Saiba mais:

Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
“Os ferimentos do meu filho não foram leves”, diz mãe de ciclista atingido na SC-401 – Desabafo da mãe de Nicolas Paolo Zanella, ciclista atropelado na SC-401.
Florianópolis terá duas Bicicletadas neste fim de semana – Divulgação oficial da Mobilização por mais segurança e menos mortes na Ilha de Santa Catarina.
SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – Reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes na SC-401 aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.

Veja também:

Charge – Pedalando com segurança na SC-401

Alvo emudecimento – Crônica

A crônica abaixo, de autoria de Marco Vasques, foi originalmente publicada no periódico Notícias do Dia, versão impressa, edição de Florianópolis, na segunda-feira, 18 de junho de 2012, na página 3 do caderno Plural. Pode ser lida também neste link.

Crônica - Marco Vasques ND 2012-06-18 SC-401, SC-402 e o silêncio branco

(Veja em PDF)

SC-401, SC-402 e o silêncio branco

 Voz e o corpo, mudos, pronúncia do silêncio. A morte é mesmo um emudecimento que fala. Um desenho preto sobre outro desenho preto. Algo se perde e se aloca em algum espaço, sobre outra camada: multiplicação da epiderme. As mortes se acumulam assim: escuro que é clarão, clareira. Quase fogueira. Início de dor e memória, ausência, medo e autorretrato. A vida? Vela em permanente luz até que o silêncio nos toque.

Quem, quando criança, não atirou uma pedra certeira num pássaro? Era a ave cair ao chão e o silêncio alcançava os ouvidos. Ficávamos mudos de cantos. Em que lugar andarão os cantos e as vozes de nossos mortos? Sabemos de pais que morderam a escuridão de seus filhos. Plantaram canto e voz à beira do asfalto. Um atropelamento, um monte de ferro agride a carne. Depois a ausência, a fratura. E os mil silêncios se acumulam: um lugar a menos na mesa, um sorriso perdido no porta-retratos, cama e guarda-roupas inertes e um timbre a menos nos dias.

Arte: César Nogueira.

Quem nunca viu umas cruzes solitárias à beira do asfalto? Certo dia, vimos cinco cruzes cravadas numa curva. Três minúsculas e duas maiores. A solidão e o silêncio da cena gritavam: somos túmulos vivos. Há um silêncio branco que liga a SC-401 à SC-402. No início da primeira, uma bicicleta branca, de criança, desenha lágrimas nas nuvens; na segunda, outra bicicleta, de adulto, igualmente pintada de cor branca, abriga uma garça e sua exuberância triste.

Esses silêncios brancos das bicicletas, sem suas pedaladas, sem seus movimentos, sem colorido, sem um rosto apanhado pelo vento, emolduradas pelo azul-céu dos dias de verão, são aterradores e imponentes.  O percurso por essas rodovias faz lembrar os versos do W. H. Auden – “Já não me importam as estrelas: fique o céu todo apagado./ Empacotem e embrulhem a lua; seja o sol desmantelado./ Esvaziem os oceanos, do mundo sejam as florestas varridas./ Porque agora, para mim, nada resta de bom nesta vida.”

E o que resta na ossatura daquelas paisagens? O grito-silêncio que a imagem provoca, o silêncio vermelho, o branco sobreposto ao branco e a difícil arte de carregar as vozes na memória da pele. As bicicletas? Continuam ali, na SC- 401 e na SC-402, com a sua brancura voando, estática, ao longo do asfalto. Estão vivas céu afora arranhando todas as estações do ano e espalhando sua ferrugem nos olhares. As bicicletas brancas, que foram utilizadas em manifestações pacifistas e ecológicas na Europa, estão ali e são túmulos sangrando o asfalto negro de nossas rodovias. São partituras dos sonoros silêncios brancos.

Audiência pública em cima da hora sobre o Rio Tavares

Está marcada para hoje (isso mesmo, HOJE), às 19h, no Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares, audiência pública para tratar do assunto relacionado a SC-405, calçadas, ciclovias, retornos e demais solicitações da comunidade.

Foram convidados a estar presentes: Polícia Rodoviária, Secretaria de Estado de Infraestrutura, Deinfra, SulCatarinense, entre outros. Até onde se sabe, nenhum dos membros da Comissão Pró-Segurança da SC-405, formada por moradores das comunidades e ciclistas, foi avisado com antecedência. Na reunião ordinária da Pró-Bici, Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta, realizada ontem, houve posicionamento contrário ao pré-projeto apresentado há 3 semanas.

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