(VI) Especial Floribike: Conheça as concorrentes – Serttel

bicicleta_na_rua3-joel pacheco

Três empresas estão habilitadas a concorrer à implantação do sistema de bicicletas coletivas de Florianópolis. Uma delas é pioneira no Brasil em oferecer o serviço automatizado de compartilhamento de bicicletas. A Serttel tem origem em Recife, mas ganhou  destaque no Rio de Janeiro. Apesar de seus 23 anos de existência, apenas em 2009, quando firmou parceria com a prefeitura carioca para implantar o SAMBA (Sistema Alternativo de Mobilidade por Bicicletas de Aluguel) obteve reconhecimento nacional.

Com oito locais para se retirar e devolver bicicleta na zona sul do Rio de Janeiro, o sistema, que contava com a necessidade de uso de celular para se efetuar o aluguel, chamou atenção para esse nicho de mercado até então quase inexistente no país.

Ainda nessa época, a empresa chegou a ser cotada para oferecer o mesmo serviço em Florianópolis, em negociações que se mostraram infrutíferas.

Em 2011, a empresa passou por uma grande reformulação. O aporte de patrocínio do banco Itaú possibilitou uma melhora tecnológica do sistema de bicicletas coletivas e a expansão a outras cidades do país. Hoje, o BikeRio conta com 600 bicicletas em 60 estações na região de Copacabana, Vieira Souto e Lagoa Rodrigo de Freitas, nas quais são feitas mais de 125.000 viagens mensais.

BikeRio. Foto: Sebrae.BikeRio

Em compensação, os sistemas que existiram em Blumenau e João Pessoa não deram certo. Na cidade catarinense, as cinco estações instaladas em 2009 até estavam localizadas em bons pontos, mas eram em número insuficiente para gerar uma demanda atrativa ao serviço.

SAMBA Blumenau. Foto: Jaime Batista da Silva.SAMBA Blumenau

Já na orla paraibana, o Pedala João Pessoa mostrou-se um sucesso, mas o clima do nordeste prejudicou a durabilidade das bicicletas e, no início de 2012, o projeto foi retirado para ser reestruturado e recolocado em operação com foco nos moradores da cidade – o principal uso era por turistas. Até agora, o Pedala João Pessoa não foi reativado.

Pedala João Pessoa. Foto: Rogério Leite / Pedalando e Olhando.Pedala João Pessoa

Recentemente, a empresa adquiriu os direitos para implantar e operar os sistemas de bicicletas coletivas de diversas outras cidades brasileiras.

Confira a abordagem das bicicletas coletivas pela Serttel durante o Bicicultura 2010

Em março de 2011, a empresa disponibilizou em Petrolina (PE) o empréstimo de bicicletas, local onde opera já o sistema de estacionamentos rotativos (equivalente à Zona Azul).

SAMBA Petrolina. Foto: Plantão do Vale.SAMBA Petrolina

Em 2012, entrou em operação o BikeSampa. A capital paulista hoje possui 96 estações e 1152 bicicletas passíveis de circulação. Já na Baixada Santista, o BikeSantos conta com 30 estações e até 360 bicicletas.

BikeSantos. Foto: A Tribuna.BikeSantos

Além disso, venceu as licitações para Porto Alegre e Sorocaba. No Rio Grande do Sul, também são 30 as estações já em operação no BikePoA.

BikePoA. Foto: Deb Dorneles / Porto Alegre Cycle Chic.BikePoA

Já em Sorocaba, cidade-modelo quando se trata de mobilidade por bicicleta, o aluguel de bicicletas é gratuito. Para pegarem bicicletas em algumas das 18 estações do IntegraBike, o usuário deve utilizar um dos cartões de transporte coletivo.

Integrabike. Foto: Eu Vou de Bike.IntegraBike

Em Recife, no começo deste ano, começou a operar o Porto Leve, um projeto da incubadora tecnológica pernambucana Porto Digital. São 10 estações e 100 bicicletas em funcionamento, número que deve dobrar em três anos.

Porto Leve. Foto:  Rhayana Fernandes / LeiaJá.Porto Leve

Saiba mais:

(I) Especial Floribike: Edital de concorrência será lançado no aniversário da cidade
(II) Especial Floribike: São Paulo e Rio de Janeiro foram pioneiros
(III) Especial Floribike: Projeto de bicicletas coletivas vem de 2009
(IV) Especial Floribike: Conheça as concorrentes – Compartibike
(V) Especial Floribike: Conheça as concorrentes – Movement Barcelona
(VI) Especial Floribike: Conheça as concorrentes – Serttel
(VII) Especial Floribike: As empresas que ficaram pelo caminho
(VIII) Especial Floribike: A opção por Nova York
(IX) Especial Floribike: Compartilhamento universitário
(X) Especial Floribike: Iniciativa do interior do Paraná é premiada
(XI) Especial Floribike: Bicicletas coletivas que salvam vidas
(XII) Especial Floribike: Como funcionará em Florianópolis

Veja também:

Floribike: encaminhamento do edital homenageou os 10 anos da Bicicletada em Florianópolis
Apenas duas empresas são habilitadas a concorrer ao sistema de bicicletas públicas de Florianópolis
Aberto edital de pré-qualificação do sistema de bicicletas públicas de Florianópolis
Aluguel de bicicletas de Florianópolis é tema de Podcast
Embora pronto, edital das bicicletas públicas de Florianópolis não será lançado em 2011
Ata da Audiência Pública do Sistema de Bicicletas Públicas de Florianópolis (Floribike)
Florianópolis dá primeiro passo para implantação de bicicletas coletivas
Audiência pública debaterá aluguel de bicicletas em Florianópolis
Aluguel de bicicletas de Florianópolis deve ficar pronto em novembro de 2012
Florianópolis espera contar com bicicletas públicas em 2012

Bicicletadas pelo Brasil

As Bicicletadas que ainda vão ocorrer…

Sexta-feira, 30 de abril

Aracaju, SE

Belo Horizonte, MG

Brasília, DF

Florianópolis, SC

Fortaleza, CE

Lorena, SP

Maceió, AL


Maringá, PR

Niterói, RJ

Porto Alegre, RS

Recife, PE

São José dos Campos, SP

São Paulo, SP

Vitória, ES

Sábado, 1º de maio

Campinas, SP

Saída da Praça Arautos da Paz às 8h.

Joinville, SC

____________________ ~ ____________________

E as que já ocorreram este mês…

Sexta-feira, 23 de abril

Santo André, SP (Grande ABC)


Sábado, 24 de abril

Belém, PA


Concentração no Mercado de São Brás a partir das 16h. Saída às 17h.

Curitiba, PR


Jundiaí, SP

Natal, RN

Santos, SP

Saída às 17h da Praça das Bandeiras, no Gonzaga.

Uma justa homenagem

Amanhã, sábado, 19 de dezembro, ocorrerá o primeiro teste oficial do que vai se tornar o primeiro percurso de cicloturismo do Estado de São Paulo. O projeto de lei que o institui já foi aprovado na Câmara Municipal paulistana e leva o nome de Rota Cicloturística Márcia Prado.

É uma justa homenagem à cicloativista Márcia Prado, que acabou morrendo após ser atropelada por um ônibus em plena Av. Paulista em 14 de janeiro deste ano. Três dias antes, um domingo, nós e mais 16 ciclistas fizéramos grande parte do percurso dessa rota, saindo da mesma estação Grajaú da linha esmeralda da CPTM, cruzando a represa Billings de balsa duas vezes, trasladando-nos pela Ilha do Bororé, que então sentia os primeiros impactos das obras do Rodoanel e adentrando a Estrada de Manutenção (ou Estrada de Serviço da Dersa).  Ousadamente, sinalizamos suas bifurcações, seus caminhos, suas entradas e saídas principais.

Com a nova sinalização, não havia mais como se perder nas bifurcações da Estrada de Manutenção.

Apesar de a Manutenção já ter sido planejada para, no futuro, virar um atrativo cicloturístico, a previsão não se concretizara. Ciclistas, pedestres, corredores, a nenhum deles foi planejada uma maneira segura de cruzar as escarpas entre a metrópole e o mar. Enquanto as opções “peabiríticas” lhes eram fechadas, surgiam na paisagem enormes obras de aço e concreto, destinadas ao meio mais ineficiente de locomoção.

Durante a sinalização, divertiamo-nos e imaginávamo-nos no futuro. Observávamos os detalhes da Estrada de Manutenção. Devaneávamos sobre os locais onde os ciclistas poderiam fitar a paisagem, contemplando-a. Sugeríamos pontos onde poderiam ser instalados paraciclos para os viajantes fatigados recomporem seus fôlegos em meio a uma refeição.

Um mirante para contemplar-se a natureza nos arredores da metrópole.

No fundo, pensávamos que tudo o que estávamos fazendo não era ainda para ser desfrutado em nossa geração, mas sim pela de nossos filhos e netos. Pensávamos vírgula. Alguém não achava isso.

– Eu vou poder descer de bike pela Imigrantes!

Márcia dissera, com todas as letras, que ela mesma teria o gosto de ver o fruto de nosso trabalho. Quase passamos a acreditar nisso quando, ao finalizarmos a sinalização, saímos pelo último acesso à Imigrantes e tivemos a pista toda só para nós (iria começar a Operação Subida, invertendo parte do sentido do fluxo de automóveis; foi bem nessa hora que reaparecemos na Imigrantes).

Márcia Prado em local por onde passará a Rota Cicloturística Márcia Prado. É uma das últimas fotos que tenho dela.

A última lembrança que tenho dela em vida foi retratada num quadro do Marcelo Siqueira, pintado enquanto descansávamos numa praia de Santos.

Três dias depois, vi-a pela televisão, recoberta por um saco negro, desfalecida, imóvel, sem vida. Ao seu lado, a mesma bicicleta e o mesmo capacete vermelho com os quais ela pôde ter a onírica sensação de que seus desejos – os nossos desejos – fossem virar realidade.

Hoje somos mais confiantes: eles realizar-se-ão.

No asfalto: "Futuro acesso". Profecia ou não, será por aí que adentraremos a Estrada de Manutenção no NIP Bike.

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

CicloBR >> Rota Márcia Prado

Apocalipse Motorizado >> Rota Cicloturística Márcia Prado, o novo caminho do mar

Destak >> A história da Rota Márcia Prado

Clipping Rota Cicloturística Márcia Prado

Bicicletadas de novembro

Veja abaixo uma relação com as cidades que devem realizar suas respectivas Massas Críticas neste final de mês de agosto de 2009. Se o seu município não tiver listada abaixo, procure por informações dela no site da Bicicletada ou, então, ajude a formar a Bicicletada de sua cidade.

Sexta-feira, 27 de novembro

Aracaju, SE

Belo Horizonte, MG

Brasília, DF

Campinas, SP

Cuiabá, MT


Florianópolis, SC

Goiânia, GO

Saída da Praça Cívica, a partir das 18h30.

Lorena, SP

Rio de Janeiro, RJ

Concentração na Cinelândia, em frente ao Odeon, às 19h.

São José dos Campos, SP

São Paulo, SP

Vitória, ES

Sábado, 28 de novembro

Belém, PA

Blumenau, SC

Saída do Parque Ramiro Ruediger, às 10h.

Curitiba, PR

Jundiaí, SP

Maceió, AL

Osasco, SP

Santos, SP

Concentração na Praça das Bandeiras, às 17h.

Domingo, 29 de novembro

Natal, RN

Obs.: o atraso na publicação desta postagem foi um oferecimento de nossos eficientíssimos provedores.

Saiba mais:

Bicicletadas de agosto
Bicicletadas de julho
Bicicletadas de maio
Bicicletadas de abril
Bicicletadas de março
Bicicletadas de fevereiro

Bicicletadas brasileiras de agosto

Veja abaixo uma relação com as cidades que devem realizar suas respectivas Massas Críticas neste final de mês de agosto de 2009. Se o seu município não tiver listada abaixo, procure por informações dela no site da Bicicletada ou, então, ajude a formar a Bicicletada de sua cidade.

Sexta-feira, 28 de agosto

Aracaju, SE

Aracaju geral

Encontro na Praça do Ciclista, na rótula do Sinhazinha, às 18h.

Belo Horizonte, MG

Belo Horizonte 2009-08-28

Brasília, DF

Brasília 2009-08-28

Florianópolis, SC

Essa você já leu aqui.

Porto Alegre, RS

Concentração às 18h30 na Prefeitura Velha de Porto Alegre.

Recife, PE

Saída da Praça do Derby às 19h.

Rio Claro, SP

Saída às 17h, em frente à Igreja Matriz, na Praça da Liberdade.

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro geral novo

Concentração na Cinelândia, em frente ao Odeon, às 19h.

Santos, SP

Santos 2009-08-28 v1

Santos 2009-08-28 v2

São José dos Campos, SP

São José dos Campos 2009-08-28

São Paulo, SP

São Paulo 2009-08-28 Executivos

Vitória, ES

Concentração a partir das 19h na esfera da Praça do Papa. Saída às 20h.

Sábado, 29 de agosto

Belém, PA

Belém 2009-08-29

Bragança, PA

Concentração na Praça das Bandeiras a partir das 16h.

Curitiba, PR

Curitiba geral

Jundiaí, SP

Jundiaí 2009-08-29

Maceió, AL

Maceió geral novo

Osasco, SP

Concentração às 15h na Praça Manoel Coutinho, embaixo do viaduto metálico. Saída às 16h.

Domingo, 30 de agosto

Natal, RN

Natal geral 2009-09-30

Saiba mais:

Bicicletadas de julho
Bicicletadas de maio
Bicicletadas de abril
Bicicletadas de março
Bicicletadas de fevereiro

Bicicletadas brasileiras do final de julho

Neste final de mês, as Bicicletadas de algumas cidades já deram as caras, enquanto as demais estão previstas para ocorrerem hoje. Por curiosidade, uma lista das Bicicletadas do Brasil deste mês.

Sábado, 25 de julho

Belém, PA

Belém 2009-07-25

Curitiba, PR

Curitiba 2009-07-25 - geral

Jundiaí

Jundiaí 2009-07-25

Maceió, AL


Maceió geral novo

Maringá, PR

Cartaz_Bicicletada_25-julho

Domingo, 26 de julho

Carapicuíba, SP

Carapicuíba 2009-07-26

Natal, RN

Natal 2009-07-26

Sexta-feira, 31 de julho

Aracaju, SE

Aracaju 2009-07-31 22

Belo Horizonte, MG

Belo Horizonte 2009-07-31

Brasília, DF

Brasília 2009-07-31 Inverno

Florianópolis, SC

Confira aqui.

Lorena, SP

Lorena 2009-07-31

Porto Alegre, RS

Concentração às 18h30 na Prefeitura Velha de Porto Alegre.

Rio Claro, SP

Saída às 17h, em frente à Igreja Matriz, na Praça da Liberdade.

Rio de Janeiro, RJ

Rio de Janeiro 2009-07-31

Santos, SP

Concentração às 18h na Cadeia Velha (em frente à rodoviária, na Praça dos Andradas). Saída em torno das 18h30. Será a primeira Bicicletada de Santos.

São José dos Campos, SP

São José dos Campos 2009-07-31

São Paulo, SP

São Paulo 2009-07-31 Mobilidade

Vitória, ES

Concentração a partir das 19h na esfera da Praça do Papa. Saída às 20h.

Saiba mais:

Bicicletadas de maio
Bicicletadas de abril
Bicicletadas de março
Bicicletadas de fevereiro

Por falar em Imigrantes…

eco?vias_logoÉ uma pena que mentalidades demoram a mudar. Que o diga a Rede Globo, em cujo programa SPTV 2ª Edição de 03 de março, veiculou a triste matéria de uma pessoa atropelada no acostamento da Imigrantes e, ao final dela, cometeu equívocos lastimáveis ao afirmar que ciclistas e pedestres não devem transitar pelo acostamento, o que contradiz o Código de Trânsito Brasileiro (lembremos que não há calçadas e muito menos ciclovias nas pistas do Sistema Anchieta-Imigrantes).

Muita gente acredita que o acostamento da rodovia é um lugar inseguro para se realizar atividades de transporte ativo, seja caminhar, seja  pedalar. Entretanto, a maioria simplesmente se esquece de que não são as pessoas que representam o perigo às suas próprias vidas, mas sim os motoristas desatentos que colocam outras vidas em risco, a Polícia Militar Rodoviária paulista que não coibe os excessos de velocidade praticados na Imigrantes e até mesmo coloca vidas em perigo (sem contar que ela desconhece a legislação pertinente), a ARTESP que se contradiz sobre o assunto e não protege os seus usuários (além de não respeitar os seus princípios) e a Ecovias que impede ilegalmente os ciclistas de pedalarem até a Baixada Santista.

Sugestões

O que se pode fazer para não oferecer riscos aos pedestres e ciclistas que necessitem utilizar as rodovias, direito que lhes é garantido? Em primeiro lugar, campanhas de educação no trânsito são fundamentais. A fiscalização em cima de veículos automotores são importantes para coibir infrações de trânsito que possam acarretar em acidentes ou diminuir a fluidez das vias. Em questão de infraestrutura, a descida aos municípios do litoral central paulista conta com um grande aliado: a Estrada de Manutenção, que já foi projetada visando a, no futuro, ser um roteiro cicloturístico. Há três pontos na rodovia dos Imigrantes que são emblemáticos para o ciclista alcançar a Estrada de Manutenção. Talvez o mais emblemático – e provavelmente mais perigoso – seja justamente no km 40,8, onde há a Via de Acesso à Anchieta. O que a Ecovias pode fazer aí são elevados que permitam aos ciclistas chegarem em segurança 500m à frente, no mesmo acostamento da pista que desce ao litoral. Nesse lado, há uma das entradas para a Manutenção.

Outras possibilidades levam em consideração a construção de passarelas  interligadas com 4 saídas: em cada uma das duas pistas antes e logo depois da Via de Acesso. Isso evitaria os pontos mais críticos do km 41, não expondo os ciclistas a riscos, e, ao mesmo tempo, não prejudicaria o fluxo dos demais veículos na rodovia.

Sonho. Imaginação. Devaneio.

Veja mais:

Bicicletada Interplanetária 2008

Mais da Interplanetária – Esses motoristas…

Sabem, às vezes as pessoas assistem aos nossos vídeos postados no Youtube. Apesar de o vídeo sobre a Bicicletada Interplanetária mais visto ter sido aquele em que a própria Ecovias se enrola (pelo menos dentre aqueles que disponibilizei),  um comentário no primeiro vídeo, quando eu ainda estava a alguns quilômetros dos mais de 200 ciclistas que íam ao litoral, obrigou-me a fornecer uma resposta, que replico abaixo.

é divertidoo né? voces gostam de bicicleta. néé?
eu quero não quero nem ver a hora que um caminhão ou um carro sair pro acostamento pra desviar de algo na pista ou até mesmo sem querer e matar uns 3 de voces por acidente. Será que só assim vocês ciclistas vão tomar conciencia que estrada não é lugar de voces ficarem se divertindo de bicicleta. Não to aqui pra dar lição de moral, cada um sabe o que faz, é só um conselho de Amigo.

Diante disso, resolvi fazer-lhe um conselho e uns lembretes:

Na verdade, é divertido sim! Andar de bicicleta é muito mais divertido (e rápido) do que estar em um automóvel parado nos 21km de congestionamento que teve a mesma via dia desses. Sendo sincero, eu também não quero ver essa hora. Afinal, não quero ver um crime cometido na minha frente.

Será que vocês, motociclistas, motoristas e caminhoneiros vão ler os livrinhos da autoescola e saber que os ciclistas (e skatistas e patinadores e pedestres) têm direitos e preferências em relação a vocês? A gente estava sim se divertindo, mas ainda mais: estávamos nos deslocando! Eu, pelo menos, saí de Florianópolis para ir para a Praia Grande, cheguei no mesmo dia e, coincidentemente, encontrei centenas de ciclistas. Se tivesse ônibus de Florianópolis para Praia Grande, até pensava em ir de busão, mas na falta dele, vou fazer cumprir os meus direitos. A estrada não é lugar de motoristas irresponsáveis e motociclistas idem realizarem suas manobras “radicais” que colocam vidas de outrem em risco. A rodovia só é perigosa porque as pessoas desrespeitam a vida de outrens. É praticamente impossível um ciclista colocar a vida de outra pessoa em risco.

Eu queria muito que cada um soubesse o que faz, assim eu poderia ir de bicicleta a Santos sem que tivesse um policial transgressor de regras em meu caminho e com a certeza de que os automóveis me respeitariam e não atentassem contra a minha vida.

Se por ventura, você passar, seja numa rodovia ou numa rua tranqüila por um ou vários ciclistas, reduza a velocidade de seu automóvel, passe a 1,5m dele(s) e – por que não? – cumprimente-o(s).

Num futuro não muito distante, é você quem pode estar de bicicleta naquela mesma situação. Provavelmente seus filhos e seguramente seus netos passarão por situação semelhante apoiados no selim de uma bicicleta.

Não estou aqui para dar lição de moral, é só um conselho de amigo.

Por Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

Cobertura completa do “Bicicleta na Rua”

(I) Interplanetária – O período precedente
(II) Interplanetária – Rodas a girar rumo ao litoral
(III) Interplanetária – As primeiras infrações da PMR e os bloqueios
(IV) Quantos ciclistas tinham, afinal?
(V) Interplanetária – Perseguição policial
(VI) Interplanetária – Ciclistas são impedidos de pedalarem até o litoral
(VII) Interplanetária – Policiais cumprem horas extras para bloquear descida de ciclistas ao litoral
(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis
(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral
(X) Interplanetária – Bares amigo e não amigo dos ciclistas
(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos
(XII) Interplanetária – Bloqueio dos Caminhos do Mar
(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca
(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção
(XV) Interplanetária – Santos, enfim!
(XVI) Interplanetária – Faltam bicicletários no Litoral Plaza Shopping
(XVII) Interplanetária – O retorno a São Paulo

Veja também

Bicicletada Interplanetária 2008

Relatos:

Aninha
CicloBR (chegou a Santos)
Ecologia Urbana
Eu vou voando…
MTV Pública
Nicolas Lechopier (em francês) (chegou a Santos)
Sampa Bike Tour {Parte 1} {Parte 2}
TAS Cidade
Vá de Bike!
XpK

Fotos:

Bruno Gola
Ciclista Fabiano (chegou a Santos)
CicloBR (chegou a Santos)
Ecologia Urbana
Limão
Macaco Véio (chegou a Santos)
Mila Molina
Rodrigo Navarro (chegou a Santos)
silviobikersp
XpK

Vídeos:

Brudut
ederson araujo
Ecologia Urbana {1} {2} [3} {4} {5} {6} {7}
Fabiano Faga Pacheco {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7} {8} {9} {10} {11} {12} {13} {14} {15} {16} {17} {18} {19} {20} {21} {22} {23} {24} {25} {26} {27} {28} {29} {30} {31} {32} {33} {34} (chegou a Santos)
Guilherme Sanches
jlpinha {1} {2} {3} {4}
Limão
lucmut {1} {2}
Renata Falzoni – ESPN
Mathias (chegou a Santos)
TASCidade
Tinho {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7} {8} {9} {10} {11} {12} {13} {14} {15} {16} {17} {18} {19} {20} {21} {22} {23} {24} {25}
TV Record

(XV) Interplanetária – Santos, enfim!

Fui seguindo as placas em direção a Santos. Vários trechos possuem acostamento, inclusive algumas pontes. Mas vários outros, incluindo  outras pontes, não o apresentam. Cheguei a Santos.

Ciclista Fabiano.

Limites entre os municípios de Santos e Cubatão. Foto: Ciclista Fabiano.

Prossegui na rodovia e ela se transformou numa avenida. No meio do nada, no canteiro central, surge uma ciclovia (mas demorei a encontrar um acesso para ela). Vi vários ciclistas, inclusive em grupos, transitando por lá. Saí da ciclovia próximo à rodoviária. Em outra oportunidade, falarei melhor sobre essa ciclovia e também sobre a estrutura cicloviária de Santos (mas vale a pena conferir a opinião do Nicolas, em francês).

Ciclista Fabiano.

Ciclistas pedalam por uma ciclovia em Santos. Foto: Ciclista Fabiano.

No túnel próximo à rodoviária (que dá no Canal 2), onde o trânsito de bicicletas é proibido, pedalei pela passarela de pedestres. Indo em direção ao mar, encontrei o McDonald’s. Vegetariano, parei para tomar um sorvete.

Ciclista Fabiano.

Túnel de Santos proíbe a passagem de ciclistas. Foto: Ciclista Fabiano.

O McDonald’s tinha paraciclos ruins, de um modelo onde somente se prende a bicicleta pela roda dianteira. Mesmo assim, deixei a bike lá e arrumei uma mesa onde ficaria de olho nela.

Saí de lá e fui no sentido do Porto. Na Av. Ana Costa, parei para comprar um lanche no Extra. Lá, para a minha surpresa, encontrei este bicicletário.

Ciclista Fabiano.

Bicicletário do Extra, em Santos. Foto: Ciclista Fabiano.

Ele tem capacidade para cerca de 35 bicicletas. Um funcionário fornece-lhe uma senha, anota seu nome num caderno e fica a tomar conta do seu veículo.

Ao sair de lá, rumei para a praia. Peguei a ciclovia à beira-mar. Interessei-me em assistir a um dos filmes que iria passar num cinema pequeno que fica entre a ciclovia e a praia. Enquanto ele não começava, fui de bike procurar por algum lugar onde tivesse caldo de cana (só encontrei depois do Canal 4) e também uma hidratante água-de-coco. Assisti ao filme e segui para a Praia Grande.

Ciclista Fabiano.

Ciclovia à beira-mar em Santos. Foto: Ciclista Fabiano.

Ao cruzar a ponte pênsil de São Vicente, qual não foi a minha surpresa ao perceber que ela estava fechada para os automóveis no sentido Praia Grande! Como eu sou ciclista, passei tranqüilo e andei sozinho pela rua, vendo os carros que íam sentido Santos parados num congestionamento quilométrico. Nem me preocupei em pegar a ciclovia, que estava do outro lado dos carros – só fui nela próximo ao pórtico que me anunciava “Bem-vindo à Praia Grande!”.

Cheguei à Praia Grande. Foto: Ciclista Fabiano.

Às 19h, estava em frente ao meu prédio a telefonar aos meus pais para avisar que, enfim, já chegara.

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

Cobertura completa do “Bicicleta na Rua”

(I) Interplanetária – O período precedente
(II) Interplanetária – Rodas a girar rumo ao litoral
(III) Interplanetária – As primeiras infrações da PMR e os bloqueios
(IV) Quantos ciclistas tinham, afinal?
(V) Interplanetária – Perseguição policial
(VI) Interplanetária – Ciclistas são impedidos de pedalarem até o litoral
(VII) Interplanetária – Policiais cumprem horas extras para bloquear descida de ciclistas ao litoral
(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis
(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral
(X) Interplanetária – Bares amigo e não amigo dos ciclistas
(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos
(XII) Interplanetária – Bloqueio dos Caminhos do Mar
(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca
(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção
(XV) Interplanetária – Santos, enfim!
(XVI) Interplanetária – Faltam bicicletários no Litoral Plaza Shopping
(XVII) Interplanetária – O retorno a São Paulo

Veja também

Bicicletada Interplanetária 2008

Relatos:

Aninha
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Fotos:

Bruno Gola
Ciclista Fabiano (chegou a Santos)
CicloBR (chegou a Santos)
Ecologia Urbana
Limão
Macaco Véio (chegou a Santos)
Mila Molina
Rodrigo Navarro (chegou a Santos)
silviobikersp
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Vídeos:

Brudut
ederson araujo
Ecologia Urbana {1} {2} [3} {4} {5} {6} {7}
Fabiano Faga Pacheco {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7} {8} {9} {10} {11} {12} {13} {14} {15} {16} {17} {18} {19} {20} {21} {22} {23} {24} {25} {26} {27} {28} {29} {30} {31} {32} {33} {34} (chegou a Santos)
Guilherme Sanches
jlpinha {1} {2} {3} {4}
Limão
lucmut {1} {2}
Renata Falzoni – ESPN
Mathias (chegou a Santos)
TASCidade
Tinho {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7} {8} {9} {10} {11} {12} {13} {14} {15} {16} {17} {18} {19} {20} {21} {22} {23} {24} {25}
TV Record

(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção

No Rancho da Pamonha, exaustos, paramos. Tiramos ambas rodas da minha bicicleta. O pneu dianteiro, que até então estava bom, foi para o lugar do traseiro. O André procurou por mais furos na câmara do outro pneu. Foram-se os últimos remendos.

Ciclista Fabiano.

Remendos no Rancho da Pamonha. Foto: Ciclista Fabiano.

Esperávamos poder tomar café e descansar lá no Rancho da Pamonha, mas ele só abriria às 10h30min. Limpamos um pouco nossas magrelas, sujas de terra, e apenas esperamos o policial rodoviário que fica na base da PMR improvisada em frente ao Rancho atender um viajante motorizado e seguimos para a Manutenção. Eram quase 7h.

Ciclista Fabiano.

Bicicleta enlameada. Foto: Ciclista Fabiano.

Pela contramão, seguimos no acostamento até o começo da Estrada de Manutenção, hoje sinalizada. Com facilidade e velocidade, seguimos por ela.

A Estrada de Manutenção, também conhecida pelas comunidades lindeiras como Estrada de Serviço, ou ainda como Estrada do Dersa, é percorrida todo final de semana por dezenas de cicloturistas. Um de seus começos situa-se a cerca de 2km do Rancho da Pamonha, na Imigrantes. Ela termina em uma das sedes do Parque Estadual da Serra do Mar (Núcleo Itutinga-Pilões).

O começo da Manutenção é ruim, com várias bifurcações, chão pedregoso e, até então, nenhuma sinalização. Depois vira uma estrada asfaltada, com pequenos trechos de paralelepípedos e com uma cobertura de limo em vários pontos.

Ciclista Fabiano.

Começo da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Pois bem, pouco antes de começar o asfalto liso, meu pneu furou mais uma vez. Era o mesmo pneu, agora na roda dianteira. Utilizamos uma câmara velha remendada que o André carregava consigo. Teria que torcer para mais nada acontecer.

Ciclista Fabiano.

Câmara furada bastante remendada. Foto: Ciclista Fabiano.

Mas realmente não era meu dia de sorte. Logo após a primeira descida vi que meus freios não estavam funcionando direito. O André deu uma ajeitada. Mais próximo do nível do mar, ficamos sabendo o que estava ocorrendo.

Acontece que meus freios estavam nas últimas. Dois deles já estavam mostrando seus suportes de ferro. Um desses ferros havia feito um corte na lateral do pneu. Por isso, a câmara furava com qualquer coisinha. O problema não era ela, era o pneu, que não estava utilizável devido às péssimas condições dos freios.

Esta era a situação em que se encontrava o melhor dos freios.

Esta era a situação em que se encontrava o melhor dos freios.

Diante dessas circunstâncias, o inevitável aconteceu. O pneu furou mais uma vez. Não me restavam mais câmaras ou remendos. Sorte foi que o André havia lido um livro sobre o que fazer nessas situações extremas. Retiramos a câmara. Pegamos folhas secas, abundantes às margens da Manutenção, e enchemos o pneu com elas. Deu certo. E pude, de fato, descer ao litoral.

Ciclista Fabiano.

Pneu Vegano. André insere folhas secas no pneu. Foto: Ciclista Fabiano.

A estrada tem apenas uma pista para subir e uma para descer, mas praticamente não circulam automóveis por ela (vimos apenas quatro). Sem contar que a velocidade máxima permitida chega a apenas 40km/h. Entretanto, o visual dela é incrível! As escarpas da Serra do Mar entrecortadas pelo concreto que sustenta as pontes da Anchieta e da Imigrantes. Ao longe, as povoações a habitar à beira do Atlântico.

Ciclista Fabiano.

Paisagem vista ao longo da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Ciclista Fabiano.

Estrada eleva-se por entre os morros da Serra do Mar. Foto: Ciclista Fabiano.

Volta e meia, você cruza, por baixo, as autopistas. Em um dos trechos você fica na mesma altura delas. Mas seja lá onde você estiver, a natureza estará te acompanhando.

Ciclista Fabiano.

Por sob as pontes, o verde impera. Foto: Ciclista Fabiano.

Ciclista Fabiano.

É muito mais belo pedalar-se pela Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Do meu pneu, as folhas saíam aos poucos. Passamos a preenchê-lo com folhas verdes, em especial de helicônias e bananeiras, cujas folhas têm grande dimensão. Meu pneu esvaziava-se cada vez mais rápido. Eu já deixava até minhas espátulas nos bolsos de meu agasalho, tamanha era a freqüência com que as necessitava.

André Pasqualini.

Folhas de bananeira salvaram o dia. Foto: André Pasqualini.

Há muitas fontes de água ao longo da Manutenção. Essas fontes, bicas e cachoeiras possuem água própria para o consumo. Elas abastecem os municípios da Baixada Santista. Uma das grandes fontes de contaminação dessas águas deriva dos rituais de macumbaria, cujos vestígios podem ainda ser vistos em vários pontos da estrada.

Ciclista Fabiano.

A melhor vista da fonte d’água. Ainda assim, notam-se requícios de macumbaria. Foto: Ciclista Fabiano.

Um dos pontos pelos quais se passa, que pode até ser visto pelos motoristas ao longe, é uma fantástica e refrescante cachoeira, onde é possível até banhar-se (apesar de não ser recomendado pelo autor deste blogue).

Ciclista Fabiano.

Cachoeira ao lado da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Ciclista Fabiano.

Cachoeira ao lado da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.

Faltando poucos quilômetros para a saída da Imigrantes, meu pneu estava bastante deformado. Uma meia-volta na roda e o pneu – e as folhas – saía para um lado. Mais meia-volta e o resto do pneu saía para o lado oposto. Tentei pôr mais folhas, mas não adiantou. Passei algumas centenas de metros a carregar a bicicleta apenas com sua roda traseira apoiada no asfalto, empinada, conduzida por mim a pé.

Ciclista Fabiano.

Não era possível nem completar uma volta na roda sem que o pneu saísse. Foto: Ciclista Fabiano.

O André estava na minha frente. Ele chegou na sede do Parque Estadual da Serra do Mar, onde foi proibido de passar (leia o relato dele) e retornou, terminando por me encontrar.

Ele colocou folhas de bananeira para preencher todo o pneu. Não deu certo. Enquanto colocávamos mais folhas, quem nós encontramos? O Nicolas! Francês residente em São Paulo, ele estivera na Interplanetária. Voltara com um grupo pela Imigrantes, mas não agüentou. Enfiou-se no mato, próximo à represa, jantou num tipo de Pesque & Pague e dormira lá perto (leia o relato dele, em francês). Junto dele estava um rapaz que viera de Araraquara para descer ao litoral. Ele estava num grupo de uns 40 ciclistas. Estes vieram de ônibus até o Rancho da Pamonha. De lá, foram pelo acostamento na contramão até a Manutenção. Ele quisera ir um pouco mais rápido que os demais.

A idéia que este ciclista de Araraquara teve foi improvisar um manchão com uma das câmaras usadas. Primeiro, retiramos todas as folhas do pneu. Depois, com um remendo que me foi cedido, arrumamos uma das câmaras furadas. Outra câmara foi cortada. Inflou-se um pouco a câmara recém-remendada e ajeitou-se no pneu. Nos pontos críticos, como onde o freio fizera um rasgo e onde havia calombos, envolveu-se a câmara com a outra que fora cortada, protegendo-a. Por fim, fechou-se o pneu e encheu-se-o. Deu certo!

Ciclista Fabiano.

André, Nicolas e o ciclista de Araraquara improvisando um manchão. Foto: Ciclista Fabiano.

Seguimos pedalando nós quatro. Era muito bom não sentir as ondulações do pneu e da disposição das folhas nele. Enfim, era bom não ficar balançando para cima e para baixo com a bicicleta com pneus veganos.

Uma pessoa que passara por mim quando eu estava a pé avisara-me em qual das inúmeras saídas da Manutenção teríamos que subir para as rodovias. Dito e feito. Saímos ao final do último túnel da Imigrantes nova.

Lá, os carros saíam a cerca de 80km/h. Tínhamos acostamento, mas este desapareceria pouco à frente. Depois, ainda havia uma trifurcação: à direita, iríamos para Praia Grande, Mongaguá ou Itanhaém. No centro, o rumo era Cubatão, Guarujá e litoral  norte. À esquerda, Santos, São Vicente ou Praia Grande (de novo).

Fomos pela esquerda e, logo após a trifurcação, meu pneu furou – só para variar… Perguntando para os moradores, soubemos que ali perto havia uma bicicletaria. Fui para lá sozinho enquanto o André e o Nicolas foram para Santos. Eram 11h30.

Dirigi-me à bicicletaria. Passei por ruelas de areia e terra batida em meio a uma população de baixa renda.

A bicicletaria, na verdade, era um dono de bar. Em princípio, ele queria apenas trocar a câmara. Eu, já ciente de meu problema, insisti num pneu novo (os freios troquei depois). Ele mandou uma pessoa ir buscar lá em outra loja um modelo parecido com o meu. Eu aproveitei a sombra do bar de Cubatão. Refresquei-me por lá  e descansei (quase cochilei).

Gastei R$ 25,00 pelo pneu dianteiro e mais R$ 10,00 pela câmara. Vi depois que a câmara que me foi colocada não é a mais apropriada para o meu tipo de pneu (26×1.5), mas, mesmo após outras duas pedaladas até Santos, ela não me deu problemas.

Às 12h30, voltei à estrada. Iria para Santos antes de dormir na Praia Grande.

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

Cobertura completa do “Bicicleta na Rua”

(I) Interplanetária – O período precedente
(II) Interplanetária – Rodas a girar rumo ao litoral
(III) Interplanetária – As primeiras infrações da PMR e os bloqueios
(IV) Quantos ciclistas tinham, afinal?
(V) Interplanetária – Perseguição policial
(VI) Interplanetária – Ciclistas são impedidos de pedalarem até o litoral
(VII) Interplanetária – Policiais cumprem horas extras para bloquear descida de ciclistas ao litoral
(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis
(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral
(X) Interplanetária – Bares amigo e não amigo dos ciclistas
(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos
(XII) Interplanetária – Bloqueio dos Caminhos do Mar
(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca
(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção
(XV) Interplanetária – Santos, enfim!
(XVI) Interplanetária – Faltam bicicletários no Litoral Plaza Shopping
(XVII) Interplanetária – O retorno a São Paulo

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Bicicletada Interplanetária 2008

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(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca

Retornei junto com os demais ciclistas, mas atento à qual das entradas poderia ser aquela da Estrada da Xiboca. Segundo os vigilantes do parque, ao retornar, eu veria a estrada de terra à minha esquerda. Ela costumava ser usada por jipeiros e, como não chovia havia mais de 2 dias, deveria estar não muito lamacenta, o suficiente para não precisarmos desmontar-nos de nossas bikes. Ela iria dar na Anchieta, após o pedágio.

Ao avistar o que me parecia ser a entrada da estrada, fui lá me aventurar. Já nela, o André Pasqualini (do CicloBR; leia o relato), após insistência do artista plástico e cicloativista Marcelo Siqueira, falou-me para esperá-lo que ele iria junto comigo. O André era outro que teria que ir para o litoral de qualquer jeito; a mulher e o filho estavam no Guarujá a esperá-lo.

A poucos metros da entrada, poças de lama fizeram-me descer da bike. Bem que tentei montá-la em outras oportunidades, mas não pedalaria muitos metros de cada vez. Sob o luar cada vez mais fraco e a luz da lanterna da minha bike, fomos clareando o caminho. Na terceira bifurcação (coisa que não deveria ter), o André consultou seu GPS e viu que nos encontrávamos num beco sem saída: qualquer dos caminhos que seguíssemos, mergulharíamos na represa de Guarapiranga! Era a nossa primeira roubada (veja mapa).

Enlameados, retornamos.

Estávamos voltando para Riacho Grande quando, em meio a casas bem iluminadas, a vimos: estava lá, bem explicitada por uma placa de madeira, a Estrada da Xiboca!

O André conferiu seu GPS e aquele caminho dava mesmo às autopistas da Ecovias. Adentramos.

O começo da estrada era razoavelmente bom até mesmo para a minha bicicleta, com seu pneu semi-slick (1.5), prosseguir. Era de uma terra batida aplainada.

Ciclista Fabiano.

Estrada da Xiboca. Foto: Ciclista Fabiano.

A iluminação acompanhou-nos até o trecho em que dois cachorros quase atacaram o André, que estava à minha frente. Quando passei por eles, surpreendentemente não me ocorreu nada.

Minutos depois estávamos num caminho todo cheio de poças de lama, ladeados por árvores e fauna da Mata Atlântica. Ficarmos ainda mais enlameados era apenas questão de tempo. E esse tempo não tardou a chegar. Durante poucos quilômetros, fomos empurrando nossas bikes, desviando-as das poças, tendo como praticamente única fonte de luz uma lanterninha de bicicleta. Era a nossa segunda roubada.

Aproximadamente às 4h, após subir um barraco de terra muito íngreme e irregular, observamos a Anchieta. Cruzamos uma ponte e, em breve, estávamos no acostamento. O maior susto nessa parte foi que um carro nos seguiu. Mas era apenas uma viajante perdida…

Na Anchieta, a idéia do André era descer a serra por ela mesma. Os problemas decorriam da falta de acostamento. Teríamos que manter uma velocidade próxima dos 80km/h nos trechos de descida.

A idéia foi abortada instantes depois. Meu pneu (o mesmo pneu, mas com câmara nova) furou duas vezes seguidas. E não dava a idéia de que  pararia de furar… (e não parou mesmo, como se vê aqui).

Com três (de cinco) remendos a menos, a solução foi deixar o pneu semimurcho e ir reinflando-o conforme ele se esvaziava mais. Enchendo-o a cada 2 ou 3 km, comigo sentindo todas as imperfeições do asfalto do acostamento, pedalamos pela Interligação até a Imigrantes.

O maior cuidado que tivemos foi apagar nossos piscas, de forma a não sermos vistos ou percebidos pelas câmeras.

Cruzamos transversalmente a Imigrantes até a pista contrária e pedalamos no acostamento pela contramão até o Rancho da Pamonha. Estava começando a clarear o dia.

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(XII) Interplanetária – Bloqueio dos Caminhos do Mar

Estávamos em 17 ciclistas. Nossa idéia era descer ao litoral pela Estrada Velha de Santos. A nós, juntou-se o Silas, que não estivera na Interplanetária, mas já pedalara até Santos usando o caminho almejado.

Depois das 23h, saímos do restaurante, montamos em nossas bikes e voltamos à estrada. Começamos indo em pequenos grupos de 3 a 5 ciclistas. Faróis desligados, capacetes escondidos. Logo no começo, meu pneu furou. Seria o primeiro de muitos furos.

Chegamos a nos agrupar, mas desagrupamos quando observamos a polícia militar apartando uma briga numa festa à beira da estrada. Sabe como é, eles sabiam que não íamos desistir de ir ao litoral. Todas as câmeras da Ecovias estavam à busca de ciclistas. Se bobear, até o tenente Caria estaria fazendo hora extra só para garantir que mais ninguém desceria ao litoral.

Passada a viatura, seguimos em direção ao Pólo Ecoturístico Caminhos do Mar, por onde a estrada passa, e recolocamos nossos capacetes e nossos piscas. A estrada não era totalmente iluminada. Num certo trecho, olhei para trás e, maravilhado, observei uma fila de lanternas piscando na escuridão.

A iluminação urbana começou a escassear até tornar-se inexistente. Apesar das lanternas que brilhavam, elas não eram tão necessárias. O luar possibilitava-nos enxergar ao redor. Os ruídos da cidade não eram ouvidos ali. Na estrada, quase deserta, escutava-se a brisa leve, as folhas movendo-se, as cigarras cimbaleando, os sapos coaxando, as rodas girando.

img-2020

Ciclistas trafegam na escuridão rumo ao Pólo Ecoturístico Caminhos do Mar. Foto: André Pasqualini.

Passamos pessoas a acampar e, pouco à frente, uma iluminação clareava uma curva à esquerda. Antes de chegar à fonte, tivemos que traspassar uma cerca de arame. Para nosso susto, piscou a luz de uma viatura. Estávamos bem diante da entrada do parque.

Diferentemente de anos atrás, agora o parque tem uma portaria. Notícia ótima para um biólogo, que passa a ter a reserva melhor fiscalizada e os excessos coibidos – parece que muita gente ia se embebedar por lá e que um dos patrimônios do parque, a Casa de Pedra, fora bastante deteriorado.

Ciclista Fabiano

Vigilantes na portaria do Pólo Ecoturístico Caminhos do Mar. Foto: Ciclista Fabiano.

Até que tentamos fazer algum acordo. Poderíamos percorrer os 10km que nos separavam de Santos na boléia de uma das picapes da vigilância do parque, mas não deu. Ainda poderíamos tentar falar com os guias, que chegariam no parque às 6h. Durante um tempo, ficamos em frente à entrada de lá. A galera uniu-se para se esquentar. Eu queria mesmo era dar uma pedalada até a Estrada da Xiboca, que os seguranças afirmaram estar a 6km daquela portaria.

Às 2h30, os ciclistas estavam dispostos a retornarem, seja para suas casas, seja para um hotel em Riacho Grande, mas eu me mantive firme na idéia de adormecer apenas na Praia Grande.

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(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos

Durante o jantar, fiquei sabendo que alguns dos ciclistas haviam chegado a Santos. Àquela hora da noite, eles já haviam retornado a São Paulo.

Eles haviam conseguido fugir dos bloqueios da Polícia Militar Rodoviária utilizando-se das faixas mais à esquerda da rodovia. Pegaram vácuo de caminhão, foram ofuscados pelos carros em volta e, assim, conseguiram chegar ao Rancho da Pamonha. Mal tendo tempo para descansar, adentraram a Estrada de Manutenção , onde encontraram um grupo de ciclistas que viera de Santos para recepcionar-nos.

Abaixo, esses intrépidos ciclistas:

Mathias, Alessandro, Jorge e Lukamikaze.

Mathias, Alessandro, Jorge e Lukamikaze em Santos.

Confira abaixo a reportagem de O Globo, uma das melhores feitas pela imprensa sobre a Bicicletada Interplanetária.

Publicada em 08/12/08 às 7h50min.

Só quatro ciclistas conseguiram completar ‘bicicletada’ até Santos

Tribuna Digital 

SÃO PAULO – Apenas quatro ciclistas conseguiram completar um passeio de bicicleta da Avenida Paulista a Santos, programado para sábado. O grupo, de 300 ciclistas, saiu às 7h da capital rumo à Rodovia dos Imigrantes no passeio batizado de Bicicletada Interplanetária. O percurso foi idealizado pelo movimento Bicicletada, que busca divulgar a bicicleta como um meio de transporte e criar condições favoráveis para o uso.

De acordo com uma participante, policiais militares escoltaram os ciclistas até a Rodovia dos Imigrantes. No entanto, quando chegou à rodovia, o grupo foi impedido de seguir viagem pela Polícia Rodoviária, que bloqueou o local. Segundo os ciclistas, os policiais alegavam que, por se tratar de um evento, a Polícia deveria ter sido previamente comunicada. Os ciclistas se aglomeraram no acostamento e o congestionamento chegou a 16 km.

– Não se tratava de um evento. Não havia organização nem lista de inscrição – disse uma participante.

Os ciclistas, que foram liberados após algumas horas, enfrentaram novo bloqueio policial no pedágio. Cerca de 20 viaturas da Polícia Rodoviária, com policiais armados, esperavam o grupo no local.

– Foi um absurdo. Parecia que éramos bandidos. Tinha até batalhão de choque, policiais com armas e escudos – conta a participante.

O grupo estava no Km 40 da Imigrantes quando, em mais um bloqueio, os policiais proibiram o prosseguimento da viagem. Apenas quatro furaram o bloqueio e chegaram a Santos.

Neste domingo, nenhum membro da Polícia Militar Rodoviária quis comentar o assunto.

Código de Trânsito Brasileiro O Artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro dispõe: “Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”.

A Bicicletada é um movimento no Brasil e em Portugal inspirado na Massa Crítica, onde ciclistas se juntam para reinvidicar seu espaço nas ruas. Segundo o site da organização, não há líderes ou estatutos, o que leva a variações de postura e comportamento, de acordo com os participantes de cada localidade ou evento.

Dentre a pluraridade de motes, está o lema “um carro a menos”, usado principalmente para tentar obter um maior respeito dos veículos motorizados que trafegam nas ruas saturadas das grandes cidades. Outro slogan do grupo é o “Nós somos o trânsito”. A idéia é deixar claro aos motoristas que a bicicleta é apenas mais um componente da mobilidade urbana e que merece o devido respeito.

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(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral

Logo Bicicleta na Rua

Baixada Santista deixa de receber quase R$13 mil.

Fabiano Faga Pacheco para o Bicicleta na Rua

O Governo do Estado de São Paulo, através da Polícia Militar Rodoviária paulista, desembolsou cerca de R$ 16 550,00 para impedir cerca de 200 ciclistas de irem pedalando de São Paulo a Santos. Eles se reuniram num encontro chamado Bicicletada Interplanetária, combinado pela internet, e pretendiam chegar à Baixada Santista de bicicleta pela rodovia dos Imigrantes.

Para se chegar a esse valor, foram considerados apenas os ônus com combustível e com o salário dos funcionários. Considerou-se que cada viatura percorria 10km com 1L de gasolina. Para as motocicletas, o rendimento estimado foi de 35km/L. O preço da gasolina foi dado como R$2,30. O salário foi estimado com base em uma jornada de trabalho semanal de 40h, utilizando-se os valores dispostos aqui.

Segundo os cálculos, o McDonald’s e as demais lojas localizadas próximas ao Frango&Fritas deixaram de arrecadar R$ 2 100,00 , aproximadamente. Seria lá onde os ciclistas almoçariam antes de prosseguirem viagem até Santos.

Já a Baixada Santista deixou de arrecadar cerca de R$ 12 775,00 no final de semana. Foram levados em conta gastos com refeições, transporte intermunicipal (com a passagem de ônibus fixada em R$ 15,00), hospedagem e com consertos de bicicletas. Considerando apenas os gastos com alimentação até a manhã de domingo 7 de dezembro, a região deixou de receber mais de 7,7 mil reais. A rede hoteleira deixou de faturar mais de R$ 2 300,00.

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

Cobertura completa do “Bicicleta na Rua”

(I) Interplanetária – O período precedente
(II) Interplanetária – Rodas a girar rumo ao litoral
(III) Interplanetária – As primeiras infrações da PMR e os bloqueios
(IV) Quantos ciclistas tinham, afinal?
(V) Interplanetária – Perseguição policial
(VI) Interplanetária – Ciclistas são impedidos de pedalarem até o litoral
(VII) Interplanetária – Policiais cumprem horas extras para bloquear descida de ciclistas ao litoral
(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis
(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral
(X) Interplanetária – Bares amigo e não amigo dos ciclistas
(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos
(XII) Interplanetária – Bloqueio dos Caminhos do Mar
(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca
(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção
(XV) Interplanetária – Santos, enfim!
(XVI) Interplanetária – Faltam bicicletários no Litoral Plaza Shopping
(XVII) Interplanetária – O retorno a São Paulo

Veja também

Bicicletada Interplanetária 2008

Relatos:

Aninha
CicloBR (chegou a Santos)
Ecologia Urbana
Eu vou voando…
MTV Pública
Nicolas Lechopier (em francês) (chegou a Santos)
Sampa Bike Tour {Parte 1} {Parte 2}
TAS Cidade
Vá de Bike!
XpK

Fotos:

Bruno Gola
Ciclista Fabiano (chegou a Santos)
CicloBR (chegou a Santos)
Ecologia Urbana
Limão
Macaco Véio (chegou a Santos)
Mila Molina
Rodrigo Navarro (chegou a Santos)
silviobikersp
XpK

Vídeos:

Brudut
ederson araujo
Ecologia Urbana {1} {2} [3} {4} {5} {6} {7}
Fabiano Faga Pacheco {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7} {8} {9} {10} {11} {12} {13} {14} {15} {16} {17} {18} {19} {20} {21} {22} {23} {24} {25} {26} {27} {28} {29} {30} {31} {32} {33} {34} (chegou a Santos)
Guilherme Sanches
jlpinha {1} {2} {3} {4}
Limão
lucmut {1} {2}
Renata Falzoni – ESPN
Mathias (chegou a Santos)
TASCidade
Tinho {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7} {8} {9} {10} {11} {12} {13} {14} {15} {16} {17} {18} {19} {20} {21} {22} {23} {24} {25}
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(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis

Antes, gostaria de mostrar como foi a chegada à balança no km 28:

Pois bem, ficamos cerca de duas horas parados, ouvindo as maiores besteiras possíveis. Os policiais viviam a mudar seus discursos. Falaram que os organizadores deveriam ter comunicado a Ecovias do evento. Mas não era um evento organizado, eram apenas vários ciclistas deslocando-se para o litoral com o meio de transporte mais racional que existe! Enquanto ficávamos todos sem sombra ou água fresca, terminando com a pouca água envasada da balança de caminhões, e 4 pessoas passavam mal, o coronel Eliziário falava que era seu dever zelar pela vida das pessoas. Concordo! Enquanto motos e automóveis passavam acima da velocidade máxima permitida em frente aos nossos olhos, os policiais viravam a face, diziam os absurdos que bicicleta não podia circular em rodovias e esqueciam-se do óbvio em questão de segurança: quando quer se proteger efetivamente alguém, deve-se eliminar a ameaça e não o ameaçado. Em outras palavras: se os carros impingem perigo à vida das pessoas, que se providencie que estes não as ameacem mais, em vez de proibi-las de andar – ou pedalar – nas ruas. Mas, pela velocidade com que os condutores passavam à nossa frente, dá para se perceber a ignorante opção dos policiais.

Mila Molina.

Ciclistas divertem-se com uma bola de rúgbi. Foto: Mila Molina.

Ciclista Fabiano

A única fonte d’água potável da balança. Foto: Ciclista Fabiano

Silvio DM.

Estas eram praticamente os únicos locais sombreados para os 200 ciclistas aglomerados na balança. Foto: Silvio DM.

http://picasaweb.google.com/ciclista.fabiano/BicicletadaInterplanetRia0607122008#5278353693762547394

Fileira de bicicletas na balança da Imigrantes. Foto: Ciclista Fabiano.

Aproximadamente às 11h30, aqueles que ainda restavam (mais de 100) foram escoltados até o km 40,8 , no acesso à Interligação (Via de Acesso Imigrantes-Anchieta), após o McDonald’s.

Rodrigo Navarro.

Ciclistas deixam a balança da Imigrantes. Foto: Rodrigo Navarro.

Pouco à frente, havia uma placa R-12 (as temidas R-12!). A jornalista Renata Falzoni foi uma das que sugeriu que desmontássemos de nossas bicicletas e, como pedestres, prosseguíssemos. A polícia rodoviária, conhecedora da lei como só ela, declarou que quem passasse da placa com a bicicleta, a pé ou sobre o selim, seria preso. Era lei nova, recém-inventada. Uma versão do abuso de autoridade policial, o qual deixava de ser proibido.

Ciclista Fabiano.

Ciclistas são bloqueados no km 41 da Imigrantes. Foto: Ciclista Fabiano.

Como visto, a gente não poderia seguir de bicicleta. Para continuar com nossas magrelas, teríamos que voltar. Inclusive pela contramão no acostamento. Sim, era mais uma lei recém-inventada.

Vários voltaram para São Paulo ou seguiram para Santos embarcados em um dos ônibus da Expresso Brasileiro que foram chamados pelos ciclistas. A maioria pagou R$11,80, pôs a bike no bagageiro e ajeitou-se numa das poltronas do ônibus.

Ciclista Fabiano.

Ciclistas colocam as bicicletas no ônibus. Foto: Ciclista Fabiano.

Eu fiquei. Não tinha outra opção afinal. Teria que repousar na Praia Grande.

Às 14h40min, após conversas com políticos e administradores via celular, recebemos a notícia de que a Secretaria do Meio Ambiente havia nos liberado para poder descermos a Imigrantes de bicicleta.

Pouco mais de quatro horas depois, chegou a ordem da Secretaria dos Transportes para que os criminosos policiais que ainda nos impediam de descer nos escoltassem até Santos. Entretanto, o 2º tenente da PM Luís Antonio Caria Cajaíba avisou-nos que não iria cumprir a determinação de seus superiores. É, mais uma nova lei tinha acabado de surgir na mente dele, e ele a estava apenas cumprindo. Avisou pelo rádio de que não havia mais nenhum ciclista ali. Puxa, que legal, além de criminoso e mentiroso policial, ele estava a trabalho não fazendo nada de útil à sociedade que lhe fornece o soldo.

Mas ele tinha lá seus motivos. Semanas antes, ele havia trocado as seguintes mensagens com a cicloativista Márcia Regina de Andrade Prado (saudosa Márcia, quantas saudades de ti!):

“SECRETARIA DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DA SEGURANÇA PÚBLICA
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
São Bernardo do Campo, 07 de novembro de 2008.
MENSAGEM Nº 1BPRv-010/114/08
Do Comandante do 4º Pelotão da 1ª Companhia  do 1º Batalhão de Polícia Rodoviária
À Sra Marcia Regina de Andrade Prado
Assunto: Resposta a reclamação.

Em resposta à reclamação efetuada por Vossa Senhoria em 07 de agosoto de 2008 à Ouvidoria da Polícia, informamos que:

– o tráfego de bicicletas pela SP 160 (Rodovia dos Imigrantes) é permitido do seu início ao quilômetro 40,8 (início da descida da serra), pois a partir deste quilômetro há uma sinalização vertical de regulamentação R-12, proibindo o trânsito de ciclistas, restrição esta imposta pela Autoridade de trânsito competente, que no caso das rodovias estaduais em nosso estado é o Superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem-DER.

– as normas de circulação obedecem o Código de Trânsito Brasileiro em seu artigo 58.

– caso o grupo de ciclistas do qual a senhora faz parte queira descer o trecho de serra terá que solicitar autorização para o Superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem nos termos da Portaria SUP/DER-100-08/10/1998, portaria esta que está em harmonia com os artigos 67 e 95 da lei nº 9503 de 23 de setembro de 1997-CTB.


– ocorrendo qualquer abuso por parte de Policiais Militares do Estado de São Paulo em desacordo com a lei, solicito anotar data, horário, local, nome do policial e prefixo da viatura e de imediato nos fornecer tais informações para as medidas legais a serem adotadas.

LUIS ANTONIO CARIA CAJAÍBA
2º TENENTE PM COMANDANTE

Transmissão:
Sd PM 116175-0 Damasceno
Aux P/1 – 3º e 4º Pel

Obviamente, ele não poderia deixar que os ciclistas o humilhassem, obrigando-o, após 12h proibindo-os de descerem, a escoltá-los até Santos. Não, isso não era nem um pouco bom para o seu ego. Afinal, qual era a importância de cumprir seu dever para com os cidadãos se o seu ego estava sob ameaça?

Note-se também que é permitida a prática do ciclismo até o quilômetro 40,8. Por que, então, fomos barrados no km 28?

Por que, então, esse fiel cumpridor da lei que protege a vida alheia quase tirou a minha? (mais aqui)

É, fiquei surpreso ao voltar para casa e, ao olhar os vídeos, notar que foi esse mesmo criminoso policial que estava na viatura que quase me atropelara.

Pois bem, já havia mais de quatro horas que saíra a liberação para que pudéssemos ir à praia. Nesse meio tempo, vários ciclistas já haviam voltado. Apesar de vários policiais terem afirmado que quem retornasse a São Paulo teria uma viatura escoltando-o, vários pequenos grupos retornaram desacompanhados. Alguns voltaram pela Estrada de Itaquaquecetuba, como o Alexandre Loschiavo, passando pela represa de Guarapiranga. Outros tantos foram até o McDonald’s e logo depois retornaram para onde estávamos.

Ciclista Fabiano.

Ciclistas resistem até quase às 19h na Imigrantes. Foto: Ciclista Fabiano.

Resolvemos recuar um pouco; nós, 17 sobreviventes, fomos pela Interligação. Mal havíamos saído e havia uma viatura no retorno à Imigrantes (a gente seguiria reto). Eles implicaram alguns minutos conosco. Deu tempo para as viaturas que de longe nos seguiriam sem sabermos surgirem atrás de nós.

Escoltaram-nos, então, 3 viaturas. Uma em especial, a de número R-01190 (placa EAZ 8035), era péssima!

O vídeo foi feito após eles simplesmente deixarem alguns ciclistas sem proteção num trecho de ponte sem acostamento. Sobre o resto dessa escolta, dê uma olhada aqui.

O fato foi que nos deixaram no começo do trecho urbano do bairro Riacho Grande, em São Bernardo do Campo.

Leonardo Américo Cuevas Neira.

Ciclistas pedalam até Riacho Grande. Foto: Leonardo Américo Cuevas Neira.

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

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