(Bicicultura) Palestra do prefeito de Sorocaba dá um show de gestão pública

“A gente sabe que a melhor cidade para a gente viver é uma cidade bem planejada”.

Essas foram das primeiras palestras proferidas por Vitor Lippi, prefeito de Sorocaba, cidade de 600 mil habitantes a 85km de São Paulo, cuja economia é baseada nas indútrias metal-mecânica e automobilística, mas que, mesmo assim, tem sido considerada um exemplo da inserção e valorização da bicicleta nas cidades.

“Uma secretaria só não muda uma cidade”, afirmou o prefeito. “Mas todas juntas sim”. A intersetorialidade foi fundamental para que todo o governo se mobilizasse e tomasse atitudes conjuntas para beneficiar a população como um todo. Não são apenas os órgãos ligados ao trânsito que são responsáveis pela execução de políticas públicas ligadas à bicicleta. Os órgãos de saúde, educação, meio ambiente e até de finanças trabalham unidos para que a cidade seja um espaço educador e promotor da saúde. Ou, nas palavras do prefeito, para que Sorocaba não siga o estigma da ampla maioria das cidades que “crescem perdendo qualidade de vida”.

Saúde & Bicicleta

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo atinge mais de 50% da população que vive nas cidades. Como resultado disso, mais de 40% da população está acima do peso, sendo 10% dela obesa. Na capital paulista, o sedentarismo atinge níveis alarmantes, com quase 70% dos habitantes da metrópole não realizando atividades físicas freqüentemente.

Dentre as doenças mais comuns em adultos, a hipertensão (40% de prevalência) e a diabetes (9%) estão diretamente relacionados a casos de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, amputações, insuficiência renal e doenças vasculares, que oneram a saúde pública. Dos casos de hipertensão e diabetes, 70% estão relacionados ao estilo de vida das pessoas. Assim, a única solução eficiente é a adoção de um estilo saudável de vida. Ou seja, realizar atividades físicas, ter hábitos alimentados saudáveis e combater o tabagismo.

Deve o poder público atuar eficientemente na promoção da saúde da população, e é aí que as ciclovias  e o caminhar se inserem.

Os benefícios da caminhada

Trinta minutos de caminhada por dia promove:

– Controle da pressão arterial;
– Controle da diabetes;
– Redução do risco de infarto e AVCs;
– Redução na velocidade da osteoporose;
– Redução dos riscos de câncer (30% nos cânceres de intestino e de mama);
– Melhora a imunidade;
– Reduz estresse, ansiedade, depressão;
– Melhora a autoestima do idoso;
– Melhora o humor, a disposição, o bem-estar e a qualidade de vida.

A depressão é considerada pela OMS a doença deste século. E isto se deve ao isolamento social e à frustração provocada pelo consumismo induzido.

As cidades devem combater o sedentarismo, transformando espaços ociosos em espaços promotores da saúde, com a criação de parques, pistas de caminhada, ciclovias, melhoramento de calçadas e áreas de esportes e de lazer.

A herança sorocabana

Sorocaba tem hoje 65km de ciclovias e o projeto da cidade tem como meta chegar aos 100km até 2012. Ela possui até um Plano Diretor de Ciclovias, no qual constam ciclovias na maioria das avenidas e a interligação entre bairros e regiões. Com isso, está à frente de praticamente todos os outros municípios, preparando-se para um futuro em que as pessoas estejam em primeiro lugar para o usufruto da cidade com saúde e real qualidade de vida.

Pedalar para o trabalho fortalece o coração

O hábito de ir de bicicleta ao trabalho ajuda a previnir problemas cardiovasculares, apontou  o trabalho de conclusão de curso intitulado “Comparação da modulação autonômica cardíaca entre indivíduos sedentários e ciclistas”, de Henrique Machert Pereira Bruno e Hidalina Rodrigues de Macedo, do curso de Educação Física da Universidade São Judas Tadeu.

No estudo, foram avaliadas 8 pessoas sedentárias e 7 ciclistas que utilizam a bicicleta em seu cotidiano. Eles tiveram que ficar 24h sem realizar atividade física para a realização dos exames sangüíneos e de avaliação cardíaca.

Não houve diferença significativa entre sedentários e ciclistas quanto a colesterol, glicemia, triglicérides e pressão arterial, mas foi observada uma redução na freqüência dos batimentos cardíacos nos ciclistas, explicitada no aumento dos intervalos R-R (entre assístoles cardíacas) no eletrocardiograma, bem como um menor balanço simpato-vagal. Isto ocorreu devido ao aumento da ação do sistema nervoso parassimpático. A diminuição da freqüência cardíaca previne diversos problemas do coração, como infarto.

A prática regular de exercício físico tem se mostrado eficaz na proteção ao sistema cardiovascular. O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A realização de atividades moderadas, como pedalar 30min por dia, diminui a incidência delas.

Ciclistas na Av. Paulista: pedalar ao trabalho, além de prazeroso, faz bem ao coração. Foto: Polly Rosa.

Ciclistas na Av. Paulista: pedalar ao trabalho, além de prazeroso, faz bem ao coração. Foto: Polly Rosa.

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