AMoBici posicionou-se contra o aumento da tarifa de ônibus em Florianópolis

No dia 18 de dezembro, houve reunião do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana (CONMURB) de Florianópolis, tendo como pauta a explicação e votação do cálculo da tarifa do transporte coletivo de Florianópolis. Até aquele momento, os conselheiros não tinham os dados dos componentes da revisão tarifária, de forma a prejudicar a avaliação pelas instituições que o constituem. Essas e outras questões foram levantadas no parecer da Associação Mobilidade por Bicicleta e Modos Sustentáveis (AMoBici), que pode ser conferido em PDF ou lido na íntegra abaixo.

O CONMURB, por 4×3, votou pela aceitação do cálculo tarifário, que previa um aumento na passagem de ônibus de até R$ 0,17. No entanto, na aplicação da política tarifária, a definição de fato, houve uma redução ou manutenção dos valores para a maioria das faixas de preço.

Parecer para o CONMURB
– Avaliação da tarifa do transporte coletivo –

A AMoBici – Associação Mobilidade por Bicicleta e Modos Sustentáveis tem como um de seus objetivos promover o uso da bicicleta e da sustentabilidade nas formas de deslocamento urbano. Vemos com responsabilidade a nossa participação como integrante do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana (CONMURB).

É visível que houve melhorias no funcionamento do atual Conselho. Deixou-se se apreciar os recursos das multas de trânsito e pôde-se começar a falar em mobilidade urbana de fato. Alguns dos temas pelos quais nos manifestamos em carta a este Conselho ao longo dos últimos dois anos finalmente foram encarados de frente, dentre eles a qualificação dos conselheiros de mobilidade urbana para o cálculo da tarifa do transporte coletivo e o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, que estava parado desde finais de 2015.

É nossa opinião que a Secretaria de Mobilidade e Planejamento Urbano da Prefeitura Municipal de Florianópolis agiu para beneficiar a mobilidade urbana sustentável através do Calçada Certa, +Pedal, +Pedestres e o planejamento da Ponte Viva para a reabertura da Velha Senhora, a Ponte Hercílio Luz, para as pessoas. Contudo ainda enxergamos muito trabalho relacionado à qualidade das obras e conectividade da malha cicloviária. Agradecemos o esforço visível este ano passado e olhando para frente esperamos poder contribuir com o trabalho da Secretaria de Mobilidade e Planejamento Urbano e deste Conselho.

O Conselho, instituído originalmente pela Lei Complementar nº 34/1999 e alterado pela Lei Complementar nº 606/2017, tem papel preponderante sobre a avaliação do reajuste da passagem de ônibus municipal. Está lá expresso claramente no inciso III do parágrafo 2º do art. 3º da Lei Complementar nº 34/199:

“§ 2º Compete ao Conselho Municipal de Mobilidade Urbana (CONMUB) [tsc]: […]
III – aprovar o reajuste tarifário e a revisão do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de prestação dos serviços de transporte coletivo de passageiros, executivo, especiais (turismo, fretamentos e escolar), marítimo, lacustre e individual por táxi[grifos nossos]

A Lei Orgânica de Florianópolis, em seu Título VI, quando aborda a Ordem Econômica, expressa:

“Art. 92 O Município, atendendo o seu interesse, organizará a ordem econômica, baseado no respeito e valorização do trabalho humano, conciliando a liberdade de iniciativa com os interesses da coletividade, tendo por fim assegurar a todos a existência digna e prevalência da solidariedade e justiça e social.”

Recai igualmente sobre o transporte coletivo:

“Art. 96 A execução de serviços públicos, sob competência municipal, será efetuada diretamente ou por delegação, sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação. […]
I – a qualidade do serviço prestado aos usuários;
II – política tarifária socialmente justa, que assegure aos usuários o direito de igualdade, melhoramento e a expansão de serviços, a justa remuneração do capital empregado e o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.” 

Tendo em vista a suma importância do assunto, a AMoBici realizou, no dia 16 de dezembro do ano corrente, reunião ordinária do Conselho Deliberativo tendo como uma de suas pautas nosso posicionamento sobre o assunto.

O transporte é um Direito Social, assim descrito na Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 6º, após a Emenda Constitucional nº 90/2015. Está no mesmo rol de direitos que o direito à saúde, à educação, à alimentação e à moradia e deve ser tratado com a mesma seriedade.

E apesar das melhorias nas explicações sobre o cálculo tarifário, ainda tem-se que melhorar o repasse antecipado de informações para que uma análise adequada seja feita pelas associações que compõem o Conselho. A Lei Federal nº 12.527/2011 – Lei de Acesso à Informação garante o acesso a informações do poder público que afetem a coletividade. Apesar de as empresas de capital fechado terem a possibilidade de resguardarem informações financeiras estratégicas, os dados econômicos, societários, jurídicos, contábeis e fiscais das empresas concessionárias de serviços públicos, relevantes para a determinação dos preços das tarifas cobradas dos usuários, são informações de interesse público. Dessa forma, percebe-se a necessidade de ainda maior transparência sobre os dados que compõem o cálculo tarifário do transporte coletivo de Florianópolis. É necessário publicizar fluxo de caixa e investimentos capitais da concessão, bem como pesquisas de qualidade do serviço de ônibus e os indicadores dessa qualidade.

Sabemos que um declínio de renda e aumento de tarifa tende a reduzir o número de passageiros. E que um aumento de renda tende a aumentar a demanda. É impossível fazer gestão de uma concessão de mobilidade urbana e alcançar metas de viagens por transporte público sem apreciar as leis dos mercados. Deve ser providenciado – ou publicizado -, portanto, um estudo da capacidade de pagamento da população de Florianópolis, a fim de avaliar o impacto da variação do preço e da renda sobre o volume de passageiros pagantes transportados no sistema de ônibus.

Observamos que, nos últimos anos, houve diminuição do número de usuários do transporte coletivo municipal de Florianópolis. Apesar de a redução ser inferior ao de outras cidades, fica evidente o padrão de declínio. Isso, inevitavelmente, nos levará a um caos urbano ainda maior pela imobilidade. O município deve ter claro um plano de metas para aumento do número de usuários de transporte coletivo, sob o risco que seguir o atual círculo vicioso que compreende o aumento das tarifas seguido pela fuga dos usuários, gerando, consequentemente, um novo aumento nas passagens. Essas condições têm que ser alteradas e para isso um plano de metas é urgente.

Entendemos que a qualidade do transporte público (pontualidade, frequência de saídas, tempo de viagem, conforto e segurança) tem um peso grande na escolha do uso de transporte público ou individual. Para tanto, a Prefeitura deve se esforçar para criar faixas exclusivas aos ônibus, providenciar amplos bicicletários de qualidade nos terminais de ônibus, entre outras melhorias. Locais com faixas exclusivas já foram divulgados na imprensa, sem êxito atual, como nas pontes de acesso à Ilha e na BR-282/Via Expressa. Nesta última, o acostamento foi suprimido sob a alegação de nova faixa exclusiva para ônibus, o que não ocorreu até o dia de hoje. Outro trecho que nós, ciclistas, solicitamos que fosse transformado em corredor exclusivo foi a terceira faixa da SC-405, no Rio Tavares. A ineficiência da nova faixa para agregar novos passageiros ao transporte coletivo ficou evidente quando se comparava o número de ônibus que transitavam quando a era totalmente interrompida em um dos lados. Sem a preferência aos ônibus, não surpreendentemente passavam menos veículos de transporte coletivo quando as vias ficavam em sentido único enquanto o número de automóveis quadruplicava.

Compreendemos que o cálculo tarifário deve considerar o equilíbrio-econômico financeiro dos contratos. E apesar do avanço em relação à planilha do GEIPOT, usada anteriormente, novas ferramentas devem ser atreladas para avaliação do cômputo da tarifa, visando sempre a aumentar o número de passageiros e assegurar acessibilidade aos cidadãos. Devemos abusar de instrumentos de modelagem de dados, validando os modelos sempre que possível. Os custos das passagens, por exemplo, deveriam ser baseadas na capacidade de pagamento das pessoas que necessitam usar o transporte coletivo. Os fatores, condicionantes, usos e subsídios dessas pessoas podem ser modelados para se chegar ao melhor acordo socialmente e legalmente aceito. Sempre, claro, visando a trazer mais pessoas para o transporte coletivo. Essa modelagem deve incluir e prever, inclusive, mais linhas em regiões ainda carentes de seu direito ao transporte. Oferta gera demanda. E existem demandas que não estão contempladas com o transporte coletivo e que têm sido ocupadas por outros nichos, a exemplo das saídas de festividades noturnas.

Uma modelagem bem feita também pode evidenciar as reduções de gastos com manutenção e operação de frotas com as faixas exclusivas para ônibus, a exemplo de trabalho recente defendido por Victor Marques Caldeira para infraestrutura cicloviária.

A gestão de subsídios deve ser também melhor compreendida. Houve incremento de 15% para 17% de usuários subsidiados de 2017 para 2018 em relação ao total. Não que não defendamos subsídios ao transporte coletivo – muito longe disso! Junto com o caminhar e o pedalar, o transporte coletivo tem passado longe de receber o volume de investimentos e atenção que merece.

Por fim, cabe salientar que o contrato inicialmente firmado foi indevidamente alterado em alguns pontos e não acreditamos que tal medida tenha sido correta. Todos os ônibus de Florianópolis deveriam propiciar condições de acessibilidade. Reiteramos: todos! A substituição dessa condição mínima de dignidade a pessoas com deficiência por vans para o Programa Porta a Porta configura-se uma mudança indevida e que deveria, a priori, ter passado por este Conselho. Essa alteração dificultou inúmeras vidas e afastou ainda mais usuários com deficiência física do contato com as pessoas e lhes tirou opções fáceis de acesso. A eles também está garantido o direito constitucional ao transporte propagado pela nossa Constituição.

Situações dentro da legislação poderiam ser englobadas nessa revisão do equilíbrio econômico-financeiro. A Lei Complementar nº 654/2018, que prevê a implantação de bike racks nos ônibus pode ser adiantada em 15 anos, de forma a, aos poucos, englobar desde linhas troncais a coletoras. Outra questão que pode ser alterada é o período para análise dos dados, a fim de gerar menos açodamento na confecção do relatório final. Obter os dados em novembro, para compilar, apreciar e votar até dezembro para valer a partir de janeiro não é uma boa estratégia. O período de análise de dados pode ser antecipado em um mês ou ainda o período para apreciação poderia se estender por mais do que apenas 30 dias (18 dias este ano).

Ao final, cabe também relatar que é necessário se fazer uma gestão metropolitana do transporte coletivo, evitando sobreposição de linhas e dando maior eficácia ao deslocamento regional da Grande Florianópolis.

Considerando nosso papel como conselheiros de mobilidade urbana, tendo em vista essas exposições e considerações, a AMoBici declara seu posicionamento contrário ao aumento da tarifa de ônibus de Florianópolis.

Florianópolis, 18 de dezembro de 2019

CAROLINA CRISTINA GRIGGS
Conselheira Titular do CONMURB
Conselheira Fiscal da AMoBici

FABIANO FAGA PACHECO
Conselheiro Suplente do CONMURB
Diretor-Geral da AMoBici

(Vídeo) Como funciona o bike rack em ônibus

Muitas pessoas têm dúvidas sobre a facilidade em se transportar a bicicleta num ônibus municipal. Várias pessoas acreditam que o tempo para se colocar a bicicleta é exageradamente demorado, que é de complicado manuseio ou que pode danificar a bicicleta.

No vídeo abaixo, feito em parceria com o Go Maine, é mostrado em etapas todo o procedimento, desmistificando as dificuldades e sanando várias dúvidas para quem ainda não conhece o funcionamento de um “bike rack“.

Veja também:

(Vídeo) Bike rack em ônibus em Florianópolis

(Vídeo) Bike rack em ônibus em Florianópolis

Programa exibido primeiramente pela TV Câmara Florianópolis em 25 de julho de 2015.

A repórter Amanda Santos entrevista o vereador Professor Felipe (PDT) e o conselheiro da União de Ciclistas do Brasil (UCB) Fabiano Faga Pacheco. O vereador foi proponente do Projeto de Lei Complementar 1415/2015, que trata da inclusão do “bike rack” como parte do sistema cicloviário do município.

Após a entrevista, em diálogos com integrantes da UCB, do Bike Anjo Floripa e da ViaCiclo, o projeto foi alterado para poder abranger todas as modalidades de transporte coletivo que forem ser implantadas ou licitadas.

Preparativos para a gravação do "Impressões", em 16 de julho. Foto: Luis Antônio Peters/ViaCiclo.

Preparativos para a gravação do “Impressões”, em 16 de julho. Foto: Luis Antônio Peters / ViaCiclo.

 

Veja também:

(Vídeo) Bicicletas-fantasmas em Florianópolis
(Vídeo) Conversas Cruzadas: Ciclovias em Florianópolis
(Vídeo) Debatendo mobilidade urbana em Florianópolis

 

Projeto do Senado incentiva implantação de bicicletas públicas

O Projeto de Lei do Senado nº262/2013, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), recebeu parecer positivo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) dessa casa legislativa no dia 6 de novembro. Agora, o PLS segue para a Comissão de Infraestrutura de Serviços em caráter terminativo.

Além de conceituar o sistema cicloviário, o projeto determina a inclusão do serviço de compartilhamento de bicicletas nas políticas de mobilidade urbana dos municípios brasileiros

O que faz o Projeto de Lei do Senado nº262/2013

a) inclui no rol das assim denominadas “infraestruturas de mobilidade urbana”, no âmbito do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana, as “bicicletas públicas de uso compartilhado”;

b) conceitua “sistema cicloviário” como a “infraestrutura física e operacional de apoio à mobilidade cicloviária, incluindo ciclovias, ciclofaixas, semáforos, estacionamentos, sinalização e bicicletas públicas de uso compartilhado”;

c) atribui aos municípios a prerrogativa de “disponibilizar à população bicicletas públicas de uso compartilhado”;

d) acresce às atribuições mínimas dos “órgãos gestores dos entes federativos incumbidos respectivamente do planejamento e gestão dos sistemas de mobilidade urbana” a de “implantar sistema cicloviário”;

e) adita aos instrumentos de gestão dos sistemas de transporte e de mobilidade urbana, passíveis de utilização pelos entes federativos, a “disponibilização de bicicletas públicas de uso compartilhado, que poderão ser utilizadas por qualquer pessoa, por tempo determinado, gratuitamente ou mediante pagamento módico”; e, por fim,

f) determina que “o sistema cicloviário” passe a ser considerado na elaboração do Plano de Mobilidade Urbana.

O texto da proposta destaca a importância de ter o transporte cicloviário como complemento  do transporte coletivo, buscando na mesma medida, desestimular o uso do automóvel, incentivando a ampliação e barateamento do transporte coletivo, e favorecendo o uso da bicicleta. De acordo com o senador, a crise de mobilidade que afeta as cidades brasileiras é um dos mais graves desafios da nossa sociedade.

:: Acompanhe a tramitação do projeto

Randolfe lamentou que enquanto os tributos totais cobrados na produção de carros populares no Brasil alcance atualmente 32% do preço final, para as bicicletas os impostos chegam a 40,5% em média. Tal excesso de tributação faz com as  bicicletas fabricadas no Brasil, explicou, estejam entre as mais caras do mundo.

— Uma bicicleta de aro comum, de 26 marchas, vendida, em média, por R$ 400 no Brasil, é cerca de 54% mais cara que uma similar nos Estados Unidos — disse.

Na Semana Nacional da Mobilidade Urbana, durante o Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro, o senador Ranfolde Rodrigues (PSOL-AP), juntamente com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), usou a bicicleta para se deslocar para os trabalhos no Senado. Foto: Divulgação / Senado.

Na Semana Nacional da Mobilidade Urbana, durante o Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro, o senador Ranfolde Rodrigues (PSOL-AP), juntamente com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), usou a bicicleta para se deslocar para os trabalhos no Senado. Foto: Divulgação / Senado.

De acordo com o relator da CCJ, o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), a proposição representa uma contribuição de alta relevância para o aprimoramento da Lei de Mobilidade Urbana. Ao ressaltar a relevância do projeto “como alternativa ao mais grave problema vivencial e ambiental da atualidade – os congestionamentos no trânsito urbano”, Luiz Henrique alertou para a necessidade de instaurar no Brasil a cultura do uso da bicicleta como meio de transporte preferencial, a exemplo dos países desenvolvidos. Ele admitiu que faltou decisão política para ampliar o modelo alternativo de transporte e as construções de ciclovias, como já ocorre timidamente nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. E informou ter sido pioneiro, como prefeito de Joinville, a determinar a construção dos primeiros quatorze quilômetros de ciclovias em Santa Catarina.

:: Leia o parecer completo da CCJ

Luiz Henrique citou também, políticas exitosas de estímulo ao uso da bicicleta, adotadas em países europeus como a França. Ele citou como exemplo, a cidade de Paris, onde já se instalaram 3,8 mil quilômetros de ciclovias e o sistema de compartilhamento, denominado “Vélib”(nome  escolhido a partir das palavras: vélo (bicicleta) + liberté (liberdade), já conta com 20 mil bicicletas, distribuídas por 1.450 estações. No Brasil, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro começam a replicar o sistema parisiense.

OPINIÃO BICICLETA NA RUA

Menos discursos e mais ações

Falar sobre bicicleta virou moda – e, para isso, este site cumpriu o seu papel ao longo dos últimos 5 anos! Entretanto, discursos sem a tomada de decisões torna vazio o parlatório, ainda mais quem fala é quem tem o poder de decisão. Em Santa Catarina, observamos uma dificuldade imensa na implantação de projetos cicloviários, em especial quando se faz necessária a atuação e ação do Estado para a proteção dos indivíduos mais frágeis.

Quando foi governador, Luiz Henrique promoveu forte estímulo ao uso do automóvel particular, com a execução de milhares de quilômetros de asfaltamento. Entretanto, muitas poucas rodovias estaduais contêm sequer acostamentos decentes. Ciclovias adequadas, nenhuma. Os índices de atropelamentos de ciclistas subiram nessas rodovias, registrando-se, inclusive, inúmeros casos fatais. Além disso, o próprio Luiz Henrique entrou na justiça com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei Promulgada Estadual nº 15.168/2010 (Lei da Mobilidade Não Motorizada). Enquanto recursos eram dirigidos para duplicação, reforma ou ampliação de rodovias, nenhum era alocado para a segurança viária do ciclista. Como consequência disso, apenas em Florianópolis, cortada por rodovias estaduais e então administrada pelo mesmo partido, o déficit de infraestrutura cicloviária chegou a 40km, o dobro da quantidade atual de ciclovias e ciclofaixas da cidade.

O projeto do senador Randolfe é fundamental para o ordenamento jurídico brasileiro, no sentido de regulamentar alguns aspectos da mobilidade urbana por bicicleta. Entretanto, mais do que boas leis, precisamos de boas práticas administrativas, com seriedade de gestão, de projetos e de execução. É isso que a sociedade brasileira aguarda de seus representantes presentes e futuros.

Fontes: Agência Senado (06/11/2013, às 22h40), Blog do Randolfe (06/11/2013) e Portal do Senador Luiz Henrique da Silveira (06/11/2013).

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Suplicy vai de bicicleta ao Senado

Pesquisa sobre mobilidade urbana mostra que Santa Catarina está longe de enfrentar o problema com seriedade

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Entidades discutem lei do sistema cicloviário catarinense

A mobilidade e as cidades: as lições de Bogotá

DC 2013-09-28 As licoes de Bogota(Veja em PDF)

Veja o artigo completo enviado para o Fronteiras do Pensamento, do qual participará o ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa. A Versão reduzida foi publicada no caderno Cultura do periódico Diário Catarinense em 28 de setembro de 2013.

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Comece hoje!

Um dia sem carro

Veja também:charge - Mendes ND 2011-09-22 DMSC

Charge – Dia Mundial Sem Carro

Charge – Semana Mundial Sem Carros

Bicicletário do TILAG será reformado e ampliado

Saiu no site da Prefeitura Municipal de Florianópolis em 13 de setembro de 2013.

O bicicletário do TILAG é um dos projetos prioritários para obter recursos ainda deste ano. As discussões sobre seu destino acontecem desde fevereiro deste ano, levando em conta um levantamento feito pelo Bicicleta na Rua em setembro de 2011.

Bicicletário anexo ao TILAG deve ser reativado

Local deve estar em funcionamento até início do verão

Na tarde desta sexta-feira (13), o secretário de mobilidade urbana Valmir Piacentini, o secretário adjunto Adriano Mafra e o vereador  Pedro de Assis estiveram junto à representante da ViaCiclo, Karla Simm no bicicletário anexo ao Terminal de Integração da Lagoa da Conceição (TILAG).

A ideia é reativar, reformar e expandir o bicicletário, que atualmente tem 49 vagas. A previsão é que até o início do verão o local esteja funcionando, podendo atender especialmente os ciclistas que querem fazer o restante do trajeto utilizando ônibus.

“É um incentivo ao uso desse modal que está cada vez mais sendo utilizado na cidade, facilitando os deslocamentos e contribuindo para a melhoria da mobilidade urbana”, conclui Piacentini.

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TILAG: um terminal problemático

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Relato do Passeio Ciclístico da Lagoa

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Prefeitura de Florianópolis pretende reativar bicicletário do terminal da Lagoa da Conceição

Entrevista com Carme Miralles-Guasch

Na passagem da professora Dra. Maria Carme Miralles-Guasch por Florianópolis, na qual ela ministrará a disciplina condensada “Mobilidade Urbana Sustentável”, pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGG) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a repórter Carolina Dantas, do Diário Catarinense, lançou questões para a pesquisadora, cujas respostas você confere a seguir.

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Relação carro-ônibus-bicicleta

Relacao carro-onibus-bicicleta

Considerações básicas rapidamente rabiscadas por Vinícius Leyser da Rosa.

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Ônibus & ciclistas: bom exemplo e mau exemplo

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Reflexos da má conduta de coletivos

Empresas de ônibus mexem-se após morte de ciclista

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(Mobilidade nas Cidades) “As pessoas devem usar o transporte público pelos seus benefícios”

Guia Rápido de Mobilidade de Florianópolis

É isso mesmo! O parceiro Mobfloripa lançou este ano a sua quarta edição do Guia Rápido de Mobilidade e ela veio repleta de novidades.

Vejam um enxerto das informações desta página explicativa do MObfloripa e clique sobre a imagem abaixo para baixar o guia.

Desenhado para ser prático na visualização das informações, o Guia Rápido aponta as melhores opções de locomoção em Florianópolis em termos de serviços públicos e privados. Os transportes coletivos, ordenados por origem e destino, apresentam as principais linhas existentes com seus respectivos terminais. Da mesma forma, as informações sobre táxi são ordenadas por origem e destino, dispondo uma lista das distâncias, tarifas aproximadas e tempos médios de uma corrida de táxi de um ponto a outro.

A seção Rotas do Sol é uma novidade que vai auxiliar os turistas a conhecer os quatro cantos da Ilha de Santa Catarina utilizando apenas o transporte coletivo. Nela estão dispostos quatro opções de passeios completos – para o Sul, Leste, Norte e Nordeste da Ilha -, listados com os horários de saída dos ônibus dos terminais correspondentes. São passeios que começam de manhã e terminam no final da tarde, sempre com o ônibus retornando para o TICEN (Terminal de Integração do Centro).

O Guia Rápido de MObilidade também dispõe de informações sobre passeios turísticos, transporte aéreo e aluguéis de carros, motos, vans e bicicletas. O destaque vai para o mapa da mobilidade da Ilha que aponta a localização das melhores praias, das áreas de ciclovia existentes na cidade, as principais saídas de barco, os postos de combustíveis e o posicionamento dos terminais de transporte, entre outros detalhes úteis ao visitante. A publicação tem detalhes em inglês e espanhol, auxiliando o turista estrangeiro, e lista ainda telefones úteis para dar mais segurança a quem o utiliza.

Os parceiros do MObfloripa para esta edição são Prefeitura Municipal de Florianópolis, Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Esporte, Secretaria Municipal de Transportes, Mobilidade e Terminais, Convention and Visitors Bureau, ViaCiclo, Setuf, Petrobrás, Biguaçu e Emflotur, FITZZ E-Bikes, Loco Motos, Floripa Express, Aerotáxi e Floripa by Bus.

Guia Rapido 2013 MObfloripa Guia Rápido de Mobilidade

Como se pode perceber, a reportagem da Band Santa Catarina, publicada em 5 de março de 2013, já dava sinais de como o manual facilitaria a vida dos turistas e moradores de Florianópolis.

Manual do Ciclista de FlorianópolisVeja também:

Manual do Ciclista de Florianópolis

Manual do Ciclista de Brasília

(Vídeo) Debatendo mobilidade urbana em Florianópolis

(Vídeo) Conversas Cruzadas: Ciclovias em Florianópolis

(Vídeo) Motoristas fazem treinamento para melhorar convivência com ciclistas

Conteúdo exibido originalmente no Jornal do Almoço, da RBS TV SC,  em 31 de julho de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

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(Vídeo) Band: Investimentos para a mobilidade urbana de Joinville

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Ônibus & ciclistas: bom exemplo e mau exemplo

Desde o abalroamento que acabou resultando na morte da estudante de Oceanografia Lylyan Karlinski Gomes, no primeiro dia deste mês, muitas movimentações foram feitas a fim de se equacionar a relação complementar que o transporte coletivo e a bicicleta deveriam ter no dia a dia.

Se a avaliação das articulações desse último mês são positivas, vemo-nos ainda distante de uma situação ideal.

Confira o seguimento do bom exemplo que a Canasvieiras vem conduzindo e a péssima atitude de um motorista da Insular neste fim de julho.

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Ciclistas e motoristas de ônibus juntos em Florianópolis

Está prevista para a manhã deste sábado uma ação conjunta entre ciclistas e uma das empresas que operam o sistema de transporte coletivo da capital catarinense. O evento a acontecer no dia 20 de julho, às 11h, no Jurerê Sports Center, será apenas o primeiro dentre os muitos que a Canasvieiras Transportes Ltda. pretende realizar para melhorar a convivência entre os seus funcionários e os ciclistas que percorrem as ruas de seus trajetos.

Florianopolis 2013-07-20 Canasvieiras TC

As conversas entre ciclistas e a empresa tiveram início há cerca de dois meses. Dentre as ações que devem ocorrer estão a implementação de um curso de direção defensiva para motoristas de ônibus exclusivamente voltados para ciclistas. A confecção de uma camisa com os dizeres abaixo, que a empresa pretende junto ao prefeito que possa ser usada como uniforme de trabalho durante um período,

Também foi obtido apoio institucional para anúncios na traseira de parte da frota de ônibus e uma pedalada deve aproximar ainda mais motoristas e ciclistas.

Compartilhe o seu caminho é a mensagem nas camisetas confeccionadas pela Canasvieiras.

Compartilhe o seu caminho é a mensagem nas camisetas confeccionadas pela Canasvieiras.

Cerca de 350 motoristas devem passar pelo treinamento de Direção Defensiva com Foco nos Ciclistas, que teve início em julho. No curso, são discutidas atitudes simples que protegem a vida do ciclista, orientando sobre as melhores atitudes para a harmonia dessa relação. Em parceria com os pedalantes, foi criada uma cartilha de convivência entre ciclistas e motoristas que está sendo distribuída a todos motoristas que participam do treinamento.

O trajeto de diversas linhas da Canasvieiras são também percorridos por atletas de ciclismo e de triatlo durante os seus treinos.

Empresas de ônibus mexem-se após morte de ciclista

As empresas-irmãs Transporte Coletivo Estrela e Insular Transporte Coletivo lançaram, em 11 de julho, nota à imprensa informando que os ônibus que fizerem as linhas UFSC passaram a contar com monitoramento por câmeras de segurança. Ela foi lançada 10 dias após a morte da jovem Lylyan Karlinski Gomes, que faleceu após ser atingida por um coletivo da empresa Insular.

Segue abaixo a nota das empresas na íntegra:

Buscando pela melhoria de atendimento e segurança dos nossos usuários, a Empresa Insular implantará em todos os veículos que fazem as linhas UFSC o sistema de câmeras.

A solicitação destes equipamentos já foi e em breve todos estes veículos estarão sendo monitorados.

Quais as vantagens de um veículo monitorado para você, usuário de transporte coletivo?

– A empresa estará sempre ciente da forma que foi executado todo o percurso diariamente. Podendo assim efetuar uma cobrança maior de seus colaboradores envolvidos.

– O motorista que opera em um sistema monitorado busca sempre a melhor forma de conduzir o veículo. O que aumenta a segurança e o conforto de todos os usuários

– O sistema atua como inibidor de assaltos. O que trará mais segurança para você.

– Qualquer evento que ocorrer durante a viagem poderá ser apurado de forma concreta.

Assessoria de imprensa.
Transporte Coletivo Estrela
Insular Transporte Coletivo

Segundo membros de movimentos por melhorias no transporte coletivo, as câmeras não melhorarão as condições de trabalho para motoristas e cobradores. Apesar de úteis para evitar furtos, elas serviriam apenas para avaliar o comportamento dos empregados das empresas. Se, por um lado, isso é bom para se evitar imprudências ao volante, por outro não modifica a lógica que leva alguns motoristas a cometerem infrações de trânsito para conseguirem cumprir os curtos horários entre duas viagens subseqüentes.

Ainda assim, vale lembrar que diversas reclamações perante motoristas da empresa Insular ocorrem em trajetos do sul da Ilha de Santa Catarina, não nas proximidades da UFSC.

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Carta dos alunos da Oceanografia à Reitoria

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Bicicleta branca será afixada na Trindade

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