Skate leva suporte e educação para crianças em países marcados pela guerra

Oliver Percovich é o fundador e responsável pela Skateistan. Foto: Divulgação / Skatistan.

Oliver Percovich é o fundador e responsável pela Skateistan. Foto: Divulgação / Skatistan.

A rotina do medo e a incerteza restringem a infância de crianças e a esperança dos pais que vivem em países marcados pela guerra. Com o skate, porém, o australiano Oliver Percovich , de 39 anos, consegue mudar um pouco esta realidade.

Ele é o fundador e responsável pela Skateistan, uma organização sem fins lucrativos que une educação ao esporte e leva diversão e perspectiva para crianças do Afeganistão e do Camboja. Em entrevista ao UOL Esporte, Percovich falou sobre o projeto e sobre as dificuldades de mantê-lo atuante.

“Eu não viajei para o Afeganistão com a ideia do Skateistan, ela surgiu a partir da consciência de que as crianças são a parcela mais importante a se trabalhar no Afeganistão. Eu estava morando em Cabul [capital afegã] e, dos muitos projetos que vi, poucos trabalhavam com crianças ou eram voltados para a educação”, afirmou.

A partir desta observação e do interesse que seu skate despertava nas crianças quando andava pelas ruas de Cabul, começou a surgir a ideia do Skateistan. Oliver então deixou o trabalho como pesquisador de gestão de emergências na Universidade de Melbourne para se dedicar às aulas deste esporte.

E, da pista improvisada em uma fonte vazia de água em Cabul até a construção da primeira escola, ele se tornou o diretor do projeto de skate. Atualmente, o Skateistan já ajuda mais de 400 jovens no Afeganistão e se estendeu para o Camboja, em um trabalho que ocupa 100% do tempo de Oliver.

“São países que foram atingidos negativamente pela guerra. Muitas crianças têm muito pouco a esperar na vida. Criar oportunidades em educação é essencial para desenvolver o país”, explicou.

O QUE É O SKATEISTAN?

Skateistan une educação ao esporte e leva diversão e perspectiva para crianças do Afeganistão e do Camboja. Foto: Divulgação / Skateistan.

Skateistan une educação ao esporte e leva diversão e perspectiva para crianças do Afeganistão e do Camboja. Foto: Divulgação / Skateistan.

O Skateistan é uma organização sem fins lucrativos que trabalha com crianças entre 5 e 18 anos no Afeganistão e no Camboja.

O intuito da entidade é ajudar crianças carentes que sofrem com problemas de guerra e a pobreza vividas em seus países através do skate.

Nas escolas da Skateistan os jovens aprendem a andar de skate e outros esportes, têm aulas de reforço escolar, e participam de atividades culturais.

Atualmente, o projeto, que existe desde 2007, conta com o trabalho de 40 pessoas, divididas entre o Afeganistão, o Camboja e Berlim (cidade onde fica a sede administrativa da organização).

A organização é totalmente dependente de doações e do lucro proveniente da venda de produtos da marca Skateistan, como camisetas, além do livro recém-lançado, motivo de orgulho para Oliver. A publicação conta a história do projeto em 320 páginas com fotos e algumas histórias de crianças e da própria organização.

“Fizemos o livro todo sozinhos e estamos muito orgulhosos do resultado. O estafe da Skateistan escreveu o texto, tirou as fotos, criou o layout e organizou a publicação e a distribuição”.

Esta dependência, porém, deixa Oliver preocupado. O projeto ainda não tem nenhum financiamento para o ano que vem, o que gera incertezas. “Então, comprar o nosso livro iria nos ajudar muito!”, apelou.

Mas não é só o lado financeiro que traz dificuldades para o trabalho da organização. Em um país como o Afeganistão, em que as garotas precisam cobrir seus rostos com um véu aos 11 anos, e práticas esportivas, como andar de bicicleta, são proibidas às mulheres, o trabalho com meninas por meio do esporte enfrenta preconceitos.

Segundo Oliver, há famílias que proíbem as meninas de praticar qualquer tipo de esporte e de ir à escola. Assim, é preciso realizar um trabalho também com os pais das crianças, para convencê-los de permitir a participação de suas filhas no projeto.

“Nós trabalhamos com as famílias e as comunidades dando muitos incentivos para que as meninas se envolvam. Fornecemos transporte gratuito a elas e não para os meninos, e todas as aulas para meninas são exclusivas. Sempre é uma professora e a nenhum menino é permitido estar presente ou assistir às aulas femininas. Estas modificações possibilitam o sucesso das aulas. Nós damos bastante suporte para as estudantes e então elas comparecem”, explica.

O trabalho com as famílias é feito pelos agentes de suporte estudantil da Skateistan. Eles visitam cada uma das famíllas para encorajá-las a apoiar essas meninas na educação e no esporte. “Trabalhamos muito para superar todas as dificuldades de ter um programa para meninas”.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Mesmo com a barreira cultural, o Skateistan trabalha efetivamente com as garotas afegãs e divulga com orgulho que 40% dos seus alunos são mulheres, número superior a todos os outros esportes mistos (praticados por ambos os sexos juntos) no Afeganistão, o que, segundo Oliver, torna o skate a maior organização de esporte feminino no país.

A jovem Hanifa, de 14 anos, é fruto do sucesso do programa entre as garotas. Ela começou a participar do projeto apenas para estudar, mas acabou se apaixonando e se destacando nas pistas de skate.

“Eu gosto sempre de ir alto nas rampas. Quando estou lá, me sinto livre, como se estivesse voando. Gosto muito desta sensação”, descreveu a garota em depoimento ao site oficial do projeto.

O sentimento de Hanifa  exemplifica o que Oliver e sua equipe de quarenta colaboradores tentam buscar com o Skateistan, unir o direito de diversão das crianças a uma capacitação e inclusão de jovens. Segundo ele, o skate é perfeito para tal objetivo, já que, por ser divertido, é um atrativo para as crianças e, ao mesmo tempo, por ser difícil e perigoso, cria “uma batalha contra você mesmo”.

“Aprender a andar de skate pode lhe trazer confiança e amizades e traz oportunidades para crianças desamparadas que nunca tiveram acesso formal à educação e redes de apoio como outras crianças costumam ter. Criatividade, autoestima e persistência são qualidades que você pode aprender com o skate. Quando você cai e se levanta de novo milhares de vezes, isto lhe proporciona uma vantagem psicológica sobre outras pessoas”.

Júlia Caldeira

Fonte: UOL, em 22 de julho de 2013, às 6h.

OMS lança campanha para redução de mortes no trânsito

‘Cristo amarelo’ marcará entrada do Brasil em campanha por redução de mortes no trânsito

Brasil é oitavo país em vítimas fatais. Traumas de trânsito são a nona causa de mortalitade no mundo.

Rio de Janeiro – A Organização das Nações Unidas (ONU) lança amanhã (11) uma campanha mundial em favor das ações propostas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para reduzir o número de vítimas do trânsito. De acordo com a OMS, o trânsito mata, por ano, 1,3 milhão de pessoas e deixa cerca de 50 milhões de feridos em todo o mundo.

No Brasil, o lançamento ocorrerá às 18h, no Rio de Janeiro, quando o monumento do Cristo Redentor será iluminado de amarelo, cor de algumas placas do trânsito. “É exatamente para celebrar esse lançamento mundial que o Cristo Redentor, a Torre Eiffel em Paris, a Muralha da China, Times Square em Nova York e outros pontos do mundo vão ficar iluminados de amarelo”, explicou o consultor da OMS no Brasil para a área de traumato-ortopedia, Marcos Musafir.

“Os números [de vítimas do trânsito] não estão caindo. Por isso, a OMS sensibilizou a ONU que, em março, definiu em assembleia geral, que o período entre 2011 e 2020 fo batizado “Década de Ações para Redução de Traumas no Trânsito”, disse Musafir. A meta da organização é reduzir pela metade o número de mortes.

“A produção de veículos vai crescer, mas é preciso melhorar o transporte urbano, dar mais segurança ao usuário, principalmente o mais vulnerável, que são o pedestre, o ciclista e o motociclista. É preciso melhorar a atenção hospitalar e pré-hospitalar com a criação de centros de trauma. É preciso que leis sejam aplicadas, fortalecidas, e que a fiscalização atue bem”, indicou o consultor da OMS.

Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, recebe iluminação amarela na noite desta quarta-feira (11). A mudança na coloração faz parte de uma campanha mundial da OMS (Organização Mundial de Saúde) para reduzir as mortes no trânsito. Foto: Júlio Guimarães / UOL.

Com base nessas diretrizes gerais, cada país poderá criar suas ações e aprimorar o ambiente do trânsito, de modo a deixá-lo mais seguro e mais saudável. Pesquisa feita pela OMS em 178 países, com base em dados de 2008, mostrou que mais de 90% das mortes decorrentes de acidentes no trânsito são registradas em países de baixo ou médio desenvolvimento e que metade dessas vítimas são pedestres, ciclistas ou motociclistas. Essa proporção é ainda maior nas economias mais pobres, diz o estudo.

Marcos Musafir informou que o Brasil, Rússia, Índia e China estão entre os oito países que mais registram mortes no trânsito em todo o mundo. O Brasil ocupa a oitava posição nesse rol. Isso ocorre, segundo o ortopedista, “porque ainda há uma certa negligência, uma certa displicência no cumprimento do Código de Trânsito. Não há respeito à velocidade, ainda se usa álcool e drogas e se dirige, não se usa totalmente o cinto de segurança, não há uma fiscalização muito efetiva”.

Para ele, há uma grande parcela de responsabilidade do Poder Público. “Se o Estado não der condições de locomoção adequada para a população, não pode cobrar multa ou pegar o dinheiro da multa e não utilizar de volta no trânsito”. Essa é uma das recomendações da ONU, para que haja atenção na aplicação dos recursos advindos do trânsito, entre os quais, impostos sobre venda de carros, combustíveis e peças, além dos tributos sobre propriedade de veículos, as multas e as taxas de seguros.

A OMS prevê que em 2030 os traumatismos por acidentes de trânsito passarão a ser a quinta causa principal de mortalidade no mundo. Em 2004, eles ocupavam a nona posição no ranking.

Alana Gandra
Da Agência Brasil

Fontes: UOL, 10 de maio de 2011 (texto) e 11 de maio de 2011 (foto).

Saiba mais:

Campanha de trânsito da ONU ‘pinta’ Cristo Redentor de amarelo – reportagem da Folha de S. Paulo afirma que, no Brasil, 145,9 mil pessoas, a maioria homens jovens e adultos da Região Sudeste, foram tratadas pelo SUS em decorrência de acidentes de trânsito, a um custo de cerca de R$ 187 milhões.

%d blogueiros gostam disto: