Projeto de revitalização do José Mendes será apresentado

Nesta segunda-feira, 11 de janeiro, será apresentado o projeto que pretende transformar o bairro José Mendes, em Florianópolis. O evento ocorrerá na EBM Jurema Cavallazzi, na Rua Aníbal Nunes Píres, situada num aclive perto da praia principal do bairro, às 18h30.

Desenvolvido por arquitetos a partir de 2007, a expectativa é que as vias principais do bairro passem a dar prioridade a ciclistas e pedestres, com a construção de ciclovias de mão dupla e passeios compartilhados nos trechos mais estreitos.Florianopolis 2016-01-11 Jose Mendes(Veja em PDF)

O atual projeto tem sido gestado desde o início de 2013 por servidores de carreira dentro do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), para confecção do projeto final técnico-executivo.

Em 2015, o orçamento municipal previa a destinação R$ 2,16 milhões para drenagem e pavimentação das ruas José Maria da Luz e Jerônimo José Dias, envolvidas no projeto. Em 14 de agosto, atráves do Decreto nº 14.995, parte da dotação orçamentária foi anulada. O prefeito vem afirmando que apenas com aporte do governo federal a revitalização será feita.

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Artigo: Integração ciclística entre Balneário Camboriú e Camboriú

As cidades de Camboriú e Balneário Camboriú são marcadas pelo fenômeno da conurbação, entendido como a fusão de duas ou mais áreas urbanas, ou seja, onde os limites político-administrativos entre as cidades não são bem definidos, constituindo uma única mancha urbana.

A conurbação potencializa outro fenômeno urbano, conhecido como “cidade dormitório” – quando uma parte considerável da população residente em uma cidade realiza suas atividades cotidianas, principalmente o trabalho, em outra cidade. No processo de urbanização do Brasil, esse fenômeno foi reforçado pela especulação imobiliária, realidade esta que caracteriza Balneário Camboriú e que reflete diretamente na cidade vizinha.

Quando estes fenômenos ocorrem, cabe aos municípios membros constituírem políticas públicas que solucionem problemas comuns, como é o caso da mobilidade. A mobilidade urbana é um importante atributo da cidade, é o resultado da relação entre o movimento das pessoas e de bens e a facilidade de acesso à cidade. Ela deve assegurar as necessidades e os desejos das pessoas, quer de forma individual ou coletiva, quer de forma motorizada ou não-motorizada. Dessa forma, entendemos que no âmbito do planejamento urbano ambas as cidades devem ser tratadas como uma, na perspectiva de construir uma planejamento integrado.

O deslocamento da população das cidades de Camboriú e Balneário Camboriú dá-se tanto de forma motorizada quanto de forma não motorizada, sendo que esta última carece de atenção por parte do agente público. Devido à proximidade entre as cidades em questão, o uso da bicicleta como forma de deslocamento é comum, porém a infraestrutura existente é bastante precária. Um indicador desta deficiência é, segundo a ACBC, a pequena extensão das vias destinadas exclusivamente aos ciclistas. Balneário Camboriú possui 16.770 m (15,51 cm/habitante) e Camboriú menos ainda, apenas 2.410 m (3,87 cm/habitante). No que toca à questão da conurbação, é mais relevante ainda constatar que não existe uma ligação cicloviária contínua entre as duas cidades, tornando o deslocamento entre uma e outra uma ação perigosa.

Os benefícios do uso da bicicleta como meio transporte são inúmeros, tanto no âmbito coletivo quanto individual, sendo possível citar dentre eles: diminuição da poluição do ar; redução dos gastos públicos com construção e manutenção do sistema viário; redução dos congestionamentos e da perda de tempo no trânsito; ampliação do acesso aos espaços públicos; diminuição da quantidade de acidentes; promoção da saúde; favorecimento da autonomia individual de deslocamento; contribuição para a economia da renda familiar.

Além da bicicleta ser utilizada como meio de transporte, ela também é um recurso e uma prática de turismo. Em 2009 foi implantado nos municípios da foz do Rio Itajaí o Circuito de Cicloturismo Costa Verde & Mar. Passando pelo território de 11 cidades, inclusive Camboriú e Balneário Camboriú, é uma iniciativa do Citmar – Consórcio Intermunicipal de Turismo Costa Verde e Mar e da Amfri – Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí, sendo atualmente administrado pela ACBC – Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú.

O cicloturismo é uma prática turística que usa a bicicleta não somente como um meio de transporte, mas como uma companheira de viagem e que permite o acesso a lugares que não são acessíveis aos demais meios de transporte. Está associada ao convívio ao ar livre, ao respeito ambiental e às paisagens naturais. Uma das condições para o êxito do cicloturismo é a segurança para seus usuários, o que só pode ser garantido com políticas públicas que ofereçam infraestrutura adequada, programas de educação para o trânsito e interferência fiscalizatória por parte dos agentes de trânsito.

A bicicleta também faz interface com o turismo de modo indireto, pela constatação de que grande parte dos trabalhadores de Camboriú e de Balneário Camboriú estão envolvidos com este ramo de atividade. Não obstante a importância do turismo para a economia local, a sua mão de obra em geral é precarizada, sazonal e com condições contratuais inseguras – em suma, a economia da renda familiar é uma questão importante para as famílias que trabalham com o turismo, ressaltando a importância da bicicleta, veículo amplamente reconhecido de baixo custo de aquisição, operação e manutenção.

Apesar de que uma das principais diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, Lei Federal 12.587/2012, seja priorizar os modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado, não é essa a realidade que se observa no tratamento das gestões públicas.

Sabemos que leis desacompanhadas de programas locais são insuficientes para mudar um modelo de cidade construído historicamente. Para mudar o paradigma de mobilidade urbana é preciso que as gestões públicas assumam medidas permanentes de incentivo ao uso da bicicleta nas cidades. Nesse sentido, o Seminário Intermunicipal Camboriú e Balneário Camboriú de Mobilidade Ciclística apresenta-se como um instrumento fundamental para a construção de políticas públicas voltadas a mobilidade ciclística, ao fomentar o debate entre os três importantes setores da sociedade: poder público, sociedade civil organizada e a academia.

Por Roberta Raquele André Geraldo Soares**

* Roberta Raquel é professora de Geografia e coordenadora de Extensão do Instituto Federal Catarinense – Campus Camboriú
** André Geraldo Soares é coordenador de Mobilidade da Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú – ACBC.

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Seminário de Mobilidade Ciclística agitará Camboriú e Balneário

Programação do Seminário de Mobilidade Ciclística de Camboriú e Balneário

Livro “Brasil Não Motorizado” será lançado em Santa Catarina

Debate na ESAG: “Mobilidade urbana: pode ser diferente?”

Florianopolis 2013-09-24 Mobilidade Urbana

A mobilidade urbana é hoje, inegavelmente, um dos maiores problemas sociais das cidades, tendo sido o estopim das chamadas “Jornadas de Junho”.

Testemunhamos cotidianamente congestionamentos cada vez maiores, deslocamentos ineficientes e excludentes, o incentivo constante ao uso do transporte individual, a precariedade e inadequação do transporte coletivo, com quantidade reduzida de frota, limitação de linhas, longa duração de viagens e o alto preço da tarifa.

O diagnóstico de caos urbano é evidente, porém nesse contexto local de renovação da concessão do transporte coletivo, de manifestações exigindo serviços públicos de qualidade e de desconsideração da participação popular, a Juventude Socialismo e Liberdade (JSOL) convida a todos e todas para uma reflexão sobre o modelo de cidade atual, seu reflexo na mobilidade urbana e se há alternativas para uma outra cidade.

Será que a mobilidade urbana pode ser diferente?

Debatedores:

Elson Pereira, professor do Departamento de Geografia e dos cursos de pós-graduação de Geografia e de Arquitetura e Urbanismo da UFSC.

Afrânio Boppré, Vereador do PSOL em Florianópolis, Doutorando em Geografia na UFSC e autor do Projeto de Lei Mobilidade Solidária.

Pedrão, Vereador de Florianópolis e acadêmico de Administração Pública na UDESC/ESAG

O debate vai ser realizado no Auditório da ESAG na UDESC.

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(Via release)

Relação carro-ônibus-bicicleta

Relacao carro-onibus-bicicleta

Considerações básicas rapidamente rabiscadas por Vinícius Leyser da Rosa.

Saiba mais:

(Vídeo) Motoristas fazem treinamento para melhorar convivência com ciclistas

Ônibus & ciclistas: bom exemplo e mau exemplo

Ciclistas e motoristas de ônibus juntos em Florianópolis

Reflexos da má conduta de coletivos

Empresas de ônibus mexem-se após morte de ciclista

3 Segundos

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(Mobilidade nas Cidades) “As pessoas devem usar o transporte público pelos seus benefícios”

Projeto Viva a Cidade mostra raridades ciclísticas

No último sábado, 27 de julho de 2013, ocorreu em Florianópolis a primeira edição do projeto Viva a Cidade.

Nessa parceria entre a prefeitura da cidade, a Câmara de Dirigentes Lojistas e os comerciantes, as mesas, as araras, os mostruários, enfim, os produtos vão às ruas, excedendo o limite das vitrines. Ruas são fechadas e a população é convidada a aproveitar aquele espaço da cidade.

Continue lendo…

(Vídeo) Estacionamento para bikes no subsolo japonês

O Japão apresenta vários problemas por suas cidades terem elevada densidade populacional. Por lá, tudo é precioso e qualquer pedaço de terra faz falta.

Uma das soluções que eles encontraram para minimizar o impacto na paisagem do excesso de bicicletas nas ruas e, ao mesmo tempo, redefinir e potencializar o uso de seus espaços foi a guarda de bicicletas no subsolo, deixando a superfície para espaços de convivência e caminhabilidade.

Com uma engenhosa tecnologia, o usuário cadastrado pode deixar sua bicicleta a salvo de furtos e das intempéries climáticas quando não a estiver pedalando. Basta você fazer a identificação da sua bicicleta, por meio de um chip, e aproximá-la de um dos suportes dos bicicletários que ele automaticamente a leva debaixo da terra e a guarda em segurança.

Veja no vídeo abaixo como funciona essa genial sacada:

O ECO Cycle foi desenvolvido pela empresa Giken.

Foto: Culture Japan.

Vista esquemática do interior do bicicletário. Foto: Culture Japan.

Saiba mais:

Japan Underground Bicycle Parking Systems

(Mobilidade nas Cidades) Vídeos sobre o Fórum Internacional

Diversas matérias em redes de televisão foram gravadas durante a realização do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, que aconteceu nos dias 3 e 4 de abril em Florianópolis. Assista abaixo a algumas delas:

Entrevista com o organizador Hamilton Lyra Adriano. Conteúdo exibido originalmente no programa SC no Ar, da RIC Record SC,  em 2 de abril de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

Entrevista com Halan Moreira, presidente da Associação Brasileira de Monotrilhos. Conteúdo exibido originalmente no Bom Dia Santa Catarina, da RBS TV SC,  em 3 de abril de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

Ton Daggers fala sobre a necessidade segurança viária aos ciclistas, com a construção de ciclovias e medidas de acalmia de tráfego, bem como apóia a implantação do Floribike. Conteúdo exibido originalmente no Jornal do Almoço, da RBS TV SC,  em 3 de abril de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

Entrevista com Guillermo Peñalosa, citando exemplos de Nova York, Copenhagen, Melbourne e Bogotá. Conteúdo exibido originalmente no RBS Notícias, da RBS TV SC,  em 3 de abril de 2013. Assista aqui à reportagem no site.

Florianópolis entra na moda das ciclofaixas de lazer

DC 2013-01-10 p.6 Ciclofaixas de Lazer

A reportagem abaixo foi publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense, em 10 de janeiro de 2013. Você pode lê-la também no site do DC aqui ou aqui. Veja em PDF. Pequenos erros já foram corrigidos ao longo do texto.

PEDALADAS INICIAIS

Meta é mais 30km de ciclovias em um ano

Plano da Secretaria de Desenvolvimento Urbano representa um aumento de 70% da atual malha.

Se depender da vontade dos técnicos da prefeitura, Florianópolis deve chegar em janeiro de 2014 com 30km a mais de ciclovias, um aumento de 70% em relação à atual malha cicloviária de 43km da Capital. A meta foi estipulada pelo prefeito Cesar Souza Junior (PSD) e pelo secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Dalmo Vieira Filho.

Segundo o secretário, a equipe de técnicos da pasta deve começar nos próximos dias a detalhar os projetos de criação das chamadas ciclofaixas de lazer, que reservam trechos de ruas e avenidas para o ciclismo em determinados horários e dias da semana, e das ciclovias fixas que serão reformuladas ou construídas nos próximos anos.

– Já fizemos várias reuniões para discutir o assunto, e creio que não teremos dificuldades em criar as ciclofaixas. Nossa maior preocupação é garantir segurança e infraestrutura de qualidade para os ciclistas, estimulando mais gente a pedalar. Acidentes não poderão acontecer – afirma o novo secretário.

Pelos planos da prefeitura, serão criadas ciclofaixas no Continente, no Centro, na Trindade e nas regiões do Saco da Lama e de Cacupé. Entre as ciclovias, a prioridade total é o trecho da chamada Bacia do Itacorubi, que atenderia à demanda de alunos da Udesc e da UFSC que usam a bicicleta como meio de transporte.

Antes de concluir os projetos, Dalmo diz que pretende conversar com entidades e associações que atuam na área, pedindo conselhos e ideias de melhorias às propostas.

– Já temos vários projetos que estão sendo desenvolvidos no Ipuf, mas precisamos conversar com essas entidades antes de começar nossas ações. Temos pessoas pensando em como deve ficar o trânsito, para evitar reclamações dos motoristas, por exemplo. Tudo precisa ser muito bem pensado e planejado – explica Dalmo.

DC 2013-01-10 Ciclofaixas de Lazer fig.1 (Veja em PDF)

Para o integrante do grupo de ciclistas Bike Anjo Fabrício Sousa, qualquer medida que atenda à demanda reprimida na cidade é bem-vinda, ainda que considere haver demora em executar projetos relativamente simples e baratos.

– Claro que o ideal é haver mais ciclovias com separação dos carros, mas a colocação de ciclofaixas de lazer já é uma ação a se comemorar. Floripa tem todo o jeito para isso, o próprio turismo seria beneficiado com mais ciclovias – afirma.

Militante questiona ciclofaixa de lazer

O presidente da ViaCiclo, principal entidade de ciclousuários do município, Daniel de Araújo Costa, diz que a criação de ciclofaixas de lazer não é a solução ideal para ajudar a melhorar os gargalos de mobilidade urbana da Capital catarinense.

– É uma coisa meio estranha, para funcionar só aos domingos. Você acaba sem a opção de se deslocar de bicicleta como um meio de transporte no seu dia a dia. A ciclofaixa não deve servir só com fins de entretenimento, é preciso termos mais ciclovias de transporte urbano – argumenta.

Larissa Guerra

Saiba mais:

A polêmica da ciclofaixa de Curitiba
São Paulo amplia sua ciclofaixa de lazer
Campinas inaugurará ciclofaixa de lazer para os domingos e feriados

Veja também:

Charge – Na inauguração da ciclofaixa de lazer…
Setembro, mês da mobilidade

Os novos paraciclos da Vidal Ramos

A inauguração do Vidal Ramos Open Shopping, centro de compras a céu aberto que marca a revitalização de uma das mais tradicionais ruas comerciais de Florianópolis, está marcado para a manhã desta quinta-feira, 15 de março. As atividades começam às 9h, com apresentação do saxofonista Fábio Schlosser, e seguem ao longo do dia, com show da cantora Marjory Porto e sorteios de brindes. A cerimônia oficial será realizada às 11h.

A revitalização desta área no coração da cidade já é citado como um case de sucesso no urbanismo. Trouxe benefícios aos seus freqüentadores e aos comerciantes, tornando o espaço mais seguro e agradável. A sua implementação teve apoio dos lojistas da região, da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF), Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), Prefeitura Municipal de Florianópolis, além do apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/SC) e da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc).

Vidal Ramos Open Shopping humanizou a região. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

A revitalização da Vidal Ramos contará, também, com paraciclos novos. Será o segundo caso na cidade em que melhorias urbanísticas vieram em conjunto com espaços para estacionamento de bicicletas na cidade. O boulevard da Av. Hercílio Luz foi o pioneiro a incluir bicicletários, já em seu projeto original.

Os paraciclos da R. Vidal Ramos terão dupla função. Por um lado, pretende-se coibir que motoristas estacionem sobre os passeios, fato que infelizmente ainda demonstra o desrespeito de parcela da população. Por outro, pretende atrair tanto novos consumidores, que se deslocam por bicicleta para chegar à região, quanto permitir que atuais freqüentadores utilizem-se desse veículo, precavendo-se problemas futuros de mobilidade urbana.

É justamente nesses novos paraciclos que aparece a contribuição do Bicicleta na Rua para o Open Shopping Vidal Ramos. O modelo a ser implantado na região, que será diferente do adotado oficialmente pela Prefeitura de Florianópolis, passou por avaliação do Bicicleta na Rua, que sugeriu algumas alterações.

A revitalização da Vidal Ramos conta com fachadas padronizadas e mobiliário urbano com linhas características, as quais o modelo de estacionamento de bicicletas adotado por Florianópolis (“R” invertido) não se encaixava. Dessa maneira, foi necessária uma alteração em seu modelo, que ficou a cargo do designer e arquiteto Joel Pacheco.

Pré-modelo de paraciclo na Vidal Ramos. Foto: L. Silva.

No final de janeiro deste ano, uma prévia do que seria o paraciclo foi implantada na região, ainda sem fixação ao solo. O fato de não estar presa aumentou a sua altura e possibilitou uma avaliação mais precisa de sua eficiência como paraciclo. Foram sugeridas alterações no seu tamanho, de modo a ter entre 70cm e 80cm de altura, sem destoar do mobiliário urbano, melhorias nas junções e fixações ao solo, de forma a evitar furtos, além de alterações no material, como a utilização de inox, aumentando a sua durabilidade. Além disso, o “anel” interno vai ser aumentado, possibilitando, além de uma melhor acomodação da bicicleta, um apoio ao nível do pedal. Foi também mostrada outra opção de design que se alia aos contornos curvilíneos das fachadas, que poderá ser adotada em uma futura ocasião.

Pré-modelo passa por avaliação. Foto: L. Silva.

Novo modelo de paraciclo para a Vidal Ramos.

Mesmo com suas deficiências, o pré-modelo já é usado por pessoas que trabalham na região. Para esta quinta-feira, a Prefeitura Municipal de Florianópolis custeou dois paraciclos, feitos de aço inox, implantados da esquina da Vidal Ramos com a R. Trajano, também incluída da revitalização. Outros seis paraciclos foram doados por comerciantes e devem ser colocados na manhã desta quinta-feira.

O Vidal Ramos Open Shopping mostra também a eficiência de um diálogo aberto entre órgãos públicos e a comunidade, bem como mostra a capacidade do IPUF, órgão criado para pensar o futuro da cidade, mas que tem os seus projetos constantemente ignorados pelo Poder Público.

O deslocamento das pessoas

O texto abaixo foi publicado na edição impressa do periódico Diário Catarinense de 08 de novembro de 2011 (pág. 14). Você pode vê-lo no site do DC aqui ou em PDF aqui.

Artigo

Se esta rua fosse minha…

Tratar o trânsito e o transporte como faces de uma mesma moeda significa apropriar as vantagens de uma administração única das ações, de forma a garantir maior eficácia e potencializar os resultados das intervenções. Os investimentos no sistema viário precisam priorizar as necessidades de melhoria do serviço de transporte coletivo. Contraditoriamente, investimentos são feitos para equacionar o problema da circulação dos veículos particulares, muitas vezes com prejuízo para o sistema de transporte coletivo.

A formulação de políticas integradas de transporte e trânsito no conceito mais amplo de mobilidade ainda é travada por conceitos sedimentados na formação e treinamentos de agentes promotores dessas políticas públicas. Faz parte da cultura dos planejadores o entendimento do trânsito como o tratamento da infraestrutura viária e a regulamentação de seu uso e, como transporte, o suprimento dos meios para locomoção de pessoas que não têm a possibilidade de prover a sua mobilidade a partir dos próprios meios. O planejamento do transporte público é operacional e não estratégico e, neste cenário, torna-se mais um elemento de disputa do espaço viário, onde a opção pelos meios de locomoção é ditada por fatores econômicos.

Comumente, as políticas de planejamento urbano reforçam modelos de cidades altamente dependentes do transporte motorizado. Somente a integração da gestão do trânsito e do transporte e do planejamento territorial com a adoção dos princípios da cidade sustentável poderá dar respostas aos conflitos de mobilidade e garantir o direito de ir e vir dos cidadãos, o direito à cidade, hoje os grandes depreciadores da qualidade de vida urbana.

Na construção de um novo paradigma, o deslocamento das pessoas deverá ser colocado como foco principal. O trânsito das pessoas deverá substituir o padrão do trânsito dos veículos e o conceito de circular deverá ser substituído pelo direito de acessar. A mobilidade precisa ser concebida como um direito social. A cidade deverá ser interpretada como um sistema de relações sociais entre o homem e o suporte físico que irá propiciar a sua mobilidade.

Por Lúcia Maria Mendonça Santos*

* Lúcia Maria Mendonça Santos é engenheira de transporte e trânsito

Uma beira-mar sul melhor

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 2 de maio de 2010 (págs. 26 e 27). Você pode ler a matéria no site do DC nos links a seguir: {1} {2} {3} {4} {5}.

ENTERRO DO ATERRO

ATERRO DA BAÍA SUL

Era para lazer. Virou asfalto

Prédios ou parques? Projeto de Burle Marx mostra que a área de 440 mil m2 poderia ser melhor aproveitada pela população

Uma polêmica traz à tona uma discussão de quatro décadas e mostra que os 440 mil m2 de aterro na Baía Sul, em Florianópolis, poderiam ter sido bem mais aproveitados. O espaço, projetado para o lazer da população, acabou tomado por asfalto e concreto. Situado numa região privilegiada da cidade, é usado como estacionamento, abriga o Direto do Campo e apresenta um visual que beira o abandono.

O mar saiu de cena e deu lugar ao asfalto. A obra foi feita durante o governo Colombo Salles (1971-1974). Era preciso uma via para receber a ponte, de mesmo nome do governador, concluída em 1975. A necessidade de uma ligação entre Ilha e Continente já era evidente desde 1960.

O historiador Reinaldo Lohn lembra que o país vivia sob regime militar e passava pelo “milagre econômico”. A classe média queria carros e apartamentos. Cidades estavam se modernizando e construíam muitos prédios. Florianópolis estava fora do perfil de uma capital. O governador da época aproveitou o embalo do Plano Nacional de Desenvolvimento para construir o que a cidade pedia: outra ponte e mais vias.

Com a finalização do aterro e da ponte, veio a cobrança sobre o que fazer com o resto da área. A ideia inicial era que ali ficassem prédios da administração pública. Mas havia os que eram contra. Queriam espaços verdes e transformar a região no novo centro da cidade. Venceu o lazer, mas só no papel.

Quando Konder Reis assumiu o governo (1975-1979), contratou o paisagista Burle Marx para fazer um parque, inspirado no Aterro do Flamengo, do Rio. As obras começaram, mas, deste projeto, sobraram apenas resquícios do que seria o aterro da Baía Sul. Na idéia do paisagista, o bem-estar das pessoas e uma bela paisagem estariam em primeiro lugar.

Década de 1960, sem o aterro.

Como era

O peixe era entregue de barco no Mercado Público, que tinha como calçada o mar. Até a década de 1970, a única ligação entre Ilha e Continente era a Ponte Hercílio Luz, que não dava mais conta dos carros.

Além disso, o historiador Reinaldo Lohn lembra que, em 1960, uma ponte muito parecida com essa caiu nos Estados Unidos.

– Ficou o alerta de que uma nova ligação precisava ser feita.

O local para a construção da ponte foi bastante discutido. Cogitaram a possibilidade de ligar o Sul da Ilha com Palhoça. Optaram por construir ao lado da Ponte Hercílio Luz, o que pedia um aterro na Baía Sul.

Década de 1970, início da obra.

Como ficou

Com o aterro, começou a discussão do que fazer com o espaço. O parque pensado por Burle Marx não chegou a ser usado pela população.

– Quiseram juntar parque e pedestres num único local, que tinha um impedimento físico para a circulação de pessoas: uma avenida muito larga – observa Lohn.

Nas palavras do historiador Carlos Humberto Correa, o espaço foi ocupado de acordo com o interesse de cada governo. A briga entre vereadores deixou ali um mosaico de serviços: estacionamento de carro e ônibus, feira, camelódromo, avenida, estação de tratamento de esgoto, passarela de samba e um centro de eventos.

Como ficou.

 A inspiração no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro

Na capital fluminense, o Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, popularmente conhecido como Aterro do Flamengo, tem 1.200 m2 de área verde à beira-mar e é um dos mais visitados espaços de lazer da cidade. A idealização do parque foi de Lota Macedo Soares, uma ex-aluna de Cândido Portinari, que, com o aval do então governador, Carlos Lacerda, reuniu um grupo de amigos como o paisagista Roberto Burle Marx, o botânico Luiz Emygdio de Mello Filho e os arquitetos Affonso Eduardo Reidy, Sérgio Bernardes e Jorge Moreira para criar o projeto.

O parque foi inaugurado no dia 12 de outubro de 1965, Dia da Criança. O lugar é iluminado à noite e conta com quadras polivalentes, campos de futebol, playground, anfiteatro, pistas de skate e aeromodelismo. Há ainda um restaurante e quiosques, a Marina da Glória e o Museu de Arte Moderna (MAM). Apesar de ser um parque urbano, o lugar conta com 11.600 árvores de 190 espécies, nativas e exóticas. Aos domingos e feriados, suas pistas são interditadas e liberadas para o lazer do público.

E foi neste espaço que Burle Marx se inspirou para criar o projeto engavetado do aterro da Baía Sul, em Florianópolis.

A inspiração no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Como poderia ter sido

O espaço projetado por Burle Marx trazia quadras de esporte, canchas polivalentes, espelhos d’água e mais de duas mil árvores. Chegou a receber o nome de Parque Metropolitano Dias Velho. De acordo o historiador Carlos Humberto Correa, a ideia era fazer um novo aterro do Flamengo.

O arquiteto e urbanista César Floriano estudou os trabalhos de Marx para sua tese de doutorado, apresentada na Universidade Politécnica de Madri. O trabalho dedicou um dos capítulos ao aterro da Baía Sul de Florianópolis. Para ele, ainda é possível resgatar parte do parque, que chegou a ser construída entre final da década de 1970 e começo da de 1980. Do projeto inicial, apenas uma, das três passarelas, não foi feita.

– O que não pode ser aceito é um prédio. É preciso criar espaços de acolhimento da população e não um lugar que fecha aos finais de semana – ressalta Floriano.

O arquiteto observa que no Plano Diretor, que está para ser entregue à Câmara dos Vereadores, o aterro aparece como área de interesse paisagístico. Isso significa que prédios não poderão ser construídos ali:

– Não dá para cometer mais nenhum equívoco. O aterro já foi muito impactado.

(veja em PDF)

Júlia Antunes Lorenço

Saiba mais:

AN Capital – “Colcha de Retalhos” – Elaborado pelo paisagista Roberto Burle Marx, projeto original do aterro da Baía Sul acabou sendo totalmente desvirtuado

Veja também: 

Uma Beira-Mar Norte melhor

A mobilidade e as cidades

O texto abaixo foi publicado na edição impressa do periódico Diário Catarinense de 08 de setembro de 2011 (pág. 12). Você pode vê-lo no site do DC aqui ou em pdf aqui.

Artigo

Carros e cidades

O problema do trânsito nas grandes cidades é um tema que cada vez mais frequente. Muitos são os motivos apontados para o caos, que parece não ter mais solução. Mas o que alguns ainda não atentaram é que os setores da construção e arquitetura também influenciam o crescimento das cidades e também a quantidade de carros que circulam nelas. Há espaço para toda a frota de veículos? Buscando atender a esta demanda, escritórios de arquitetura e construtoras têm projetado prédios que contemplam um número maior de vagas, por exigência da legislação, agravando ainda mais a já complicadíssima situação do trânsito.

Órgãos governamentais solicitam, quase sempre, a construção de garagens com um número maior de vagas. Para diversos empreendimentos, a justificativa usada é a de que grande parte das pessoas virá trabalhar usando automóvel. Isto nos remete a outro problema. São Paulo, por exemplo, tem menos de 20% de seu território verticalizado. Com um mercado imobiliário altamente inflacionado, tanto em novas unidades quanto usadas, as pessoas são obrigadas a sair da região central da metrópole, em função dos altos preços praticados, e a procurar alternativas fora de São Paulo. Elas vêm à capital somente para trabalhar, fazer compras, cumprir compromissos… Isso causa um aumento da circulação de carros e, consequentemente, maiores congestionamentos, mais poluição do ar e uma significativa diminuição da qualidade de vida.

Bons exemplos estão mais próximos de nós do que imaginamos. Saindo do lugar comum que toma como referência grandes metrópoles como Paris, Londres ou Nova York, que são de países desenvolvidos, podemos citar a Cidade do México. A capital possui um sistema de metrô com mais de 200 quilômetros de trilhos, que atende a 5 milhões de pessoas diariamente e a passagem custa menos do que R$ 0,40. Já a malha do metrô paulistano tem modestos 70,5 quilômetros. Com um transporte público bem estruturado e com incentivo ao uso regular de bicicletas por meio de ciclovias, a Cidade do México conseguiu tirar milhares de carros das ruas e, assim, sair da lista das 10 cidades mais poluídas do mundo.

Por Itamar Berezin*

* Itamar Berezin é arquiteto e urbanista

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