15 razões para pedalar pelado em Florianópolis em 2015

Neste sábado, 14 de março, Florianópolis terá a sua quarta edição do World Naked Bike Ride (Passeio Ciclístico Mundial Sem Roupas). A concentração terá início às 16h, com início da pedalada previsto para cerca de 18h. O roteiro será definido na hora pelos participantes, em ritmo leve e sonoro pelas ruas dos bairros da porção central da capital catarinense.

Conhecido popularmente no país como Pedalada Pelada ou Peladada, o WNBR tem como lema “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”. O idéia é chamar a atenção das pessoas para a fragilidade do corpo humano, conscientizando motoristas a terem mais cuidado com a vida humana alheia no trânsito. A ausência de vestimentas refletiria a falta de proteção do ciclista, que não se vê envolvido por uma proteção metálica, como a carroceria de um automóvel, no caso de algum incidente de trânsito. No Brasil, a ampla maioria dos acidentes que têm a bicicleta como um dos veículos envolvidos não tem o ciclista como culpado.

Seguindo esse pensamento, durante o WNBR, quanto menos roupas o ciclista estiver usando, mais inseguro ele se sente com o transito da cidade. Na prática, como é normal em outras cidades do Brasil, a maioria acaba pedalando com roupas de baixo. Em Florianópolis, são muito mais as pessoas tiram tudo do que aquelas que não tiram nada.

Como é facilmente perceptível, um dos principais objetivos da Pedalada Pelada é chamar a atenção e levar à reflexão tanto de motoristas quanto do poder público, colaborando para que, assim, pedalar pela cidade seja mais seguro e agradável ao ciclousuário.

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Florianopolis 2015-03-14 WNBR

Se você ainda tem alguma dúvida quanto a participar ou não do evento, fornecemos abaixo 15 razões para você não deixar de participar da Pedalada Pelada em 2015:

1. Você pode!

Este artigo mostra claramente, com base na legislação, que nem toda nudez será castigada. Não há obscenidade e muito menos indicativo de promiscuidade ou ofensa alheia em se mostrar o corpo como ele é, sem conotação erótica ou sexual. Inclusive, em diversas cidades, pais levam seus filhos para mostrar como um evento desses realmente é: uma forma de protesto bem humorada e bem evidente, que não apela a baixarias e nem prejudica a autoestima ads pessoas, tão denegrida pelos padrões de beleza ditados pela indústria da moda. É, antes de tudo, um exercício de cidadania e de percepção e respeito às diferenças.

2. É um evento mundial

Como o próprio nome diz, o Passeio Ciclístico Mundial sem Roupas não ocorre só no Brasil. A data oficial para o Hemisfério Sul é o segundo sábado de março, embora, por alguma razão desconhecida, em 2015 ela tenha caído na primeira semana do mês em diversas cidades do mundo. O Brasil, entretanto, permaneceu fiel e, além de Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro também terão sua edição da Pedalada Pelada neste sábado. Além dessas três cidades, houve também Peladada em Porto Alegre. Lá, o WNBR tem ocorrido no dia em que houve o atropelamento coletivo de ciclistas durante a Massa Crítica, em 25 de fevereiro.

3. A Peladada em Florianópolis não é problemática

Florianópolis e Porto Alegre realizam suas edições do WNBR pelo quarto ano consecutivo. No país, estão atrás apenas de São Paulo, que teve sua primeira edição em 2008. Em Santa Catarina, nunca houve um problema devido aos ciclistas – tirando a agressão de funcionário do TITRI contra os ciclistas em 2013. A Polícia Militar freqüentemente acompanha de longe a manifestação, que vira uma grande festa nas ruas, com grande interação do público das ruas e nas sacadas dos prédios. Reiterando, NUNCA houve um problema provocado pelos ciclistas durante as Peladadas de Florianópolis.

No Brasil, houve, por duas ocasiões, ciclistas presos em São Paulo, na primeira e na terceira edição. Nenhum deles hoje tem ficha criminal por ter pedalado pelado. Já os atos de violência da polícia militar paulista foram abundantemente noticiados, não contribuindo em nada para sua reputação já combalida.

4. Você não precisa pedalar pelado!

Apesar do nome, o lema “tão nu quanto você ousar, tão nu quanto você se sentir” apenas provoca o participante a revelar como ele realmente se sente no trânsito do dia a dia. A nudez não é obrigatória, mas opcional. Boa parte das pessoas troca peças de roupa por mensagens ou desenhos no corpo, feitos com tinta.

5. A Av. Madre Benvenuta ainda está sem ciclovia!

Após 9 anos da elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a ciclovia da Av. Madre Benvenuta está finalmente com as obras iniciadas. Caso estivesse ficado pronta antes, poderia ter evitado a morte de José Lentz Neto, que faleceu em seu último dia de trabalho quando voltava da UDESC. Durante todo esse tempo, o Shopping Iguatemi procrastinou enquanto pôde a execução da obra – chegou a enviar ao Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis um projeto que beirou ao ridículo em agosto de 2013. Agora, graças à atuação do Ministério Público Federal a do próprio IPUF, a ciclovia começa a ser feita. Entretanto, não se pode comemorar antes da hora: a cidade tem um histórico de atrasos e imperfeições na execução de infraestrutura cicloviária.

6. A Rodovia SC-401 tem uma ciclofaixa!

Um grande exemplo de que não se pode comemorar de forma antecipada uma obra cicloviária em Florianópolis é a SC-401. Apesar de nos projetos técnicos de execução aparecer a alcunha “ciclovia” na mais perigosa e mortal rodovia de Florianópolis, o que foi feito lá, na realidade, foi uma ciclofaixa. Desde que ela foi construída, há três anos, 3 ciclistas já perderam a vida… na própria ciclofaixa! Apesar de uma ciclovia ter sido prevista nesta rodovia desde 1991, ela até agora permanece um exemplo da desmoralização do Estado de Santa Catarina, que, oficialmente, ainda alega que a estrutura “está dentro das normas”. O caso virou um case negativo no livro “Brasil Não Motorizado”.

7. O Floribike não saiu!

Florianópolis é a cidade do mundo (do mundo!) que mais enrola para implantar o seu sistema de bicicletas compartilhadas. O primeiro projeto da cidade data de 2007! Em 2013, quando finalmente foi lançado o último edital, entre tropeços, a licitação deu vazia. Anunciado durante o Fórum Mundial da Bicicleta para março de 2014, o novo edital, pronto ainda em 2013 (com pequenas modificações posteriores), até hoje não foi lançado. A prefeitura até chegou a anunciar que lançaria um edital que desvirtuaria todo o planejamento de mobilidade ciclística da cidade. Ao que parece, voltou atrás e é provável que tenhamos novidades sobre isso nesta próxima semana.

8. A ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga ainda não está pronta!

O sonho há muito almejado de ciclovia na Lagoa da Conceição está mais perto do que nunca de acontecer! Mas caminha a passos de tartaruga! Na primeira vez que houve uma manifestação pedindo a construção da obra corria o ano de 1997. Em 2009, chegou-se a se anunciar que a obra ficaria pronta em 6 meses (prazo pouco factível). Há quase 18 anos, portanto, a comunidade da região aguarda a construção da ciclovia. Após adiar por alguns anos, o projeto técnico-executivo, razoavelmente fraco, foi concluído no final de 2012. Em julho de 2013, iniciou-se a primeira etapa da obra, envolvendo aterro e enrocamento, com prazo de conclusão de 4 meses. Após 20 meses, em janeiro deste ano, finalmente parece que essa etapa da obra teve fim. Serão, ao todo, de 3 a 4 etapas para a conclusão da ciclovia da Lagoa!

9. Caieira da Barra do Sul não tem nem projeto!

A ciclovia do extremo sul, nos bairros de Caieira e Tapera da Barra do Sul, foi objeto de reuniões, passeios ciclísticos e intervenções educativas no ano de 2012. Os moradores reclamavam da velocidade dos carros e ônibus e temiam pela segurança de seus filhos, em especial aos usuários de skate. Entretanto, até hoje não foi feito nem o projeto conceitual. A ciclovia da Caieira da Barra do Sul tende a ser mais uma das obras cicloviárias que vão se arrastar por décadas até ficar pronta, exceto em caso de real vontade política. A ciclovia é, junto com a Casa Açoriana, uma das obras mais importantes para a região.

10. Microrrede Centro repousa no esquecimento

Projetada ao menos desde 2008, com a colaboração de um dos mais renomados arquitetos brasileiros, a rede cicloviária do bairro Centro teve algumas de suas rotas construídas nos últimos anos. Apesar de ainda não seguir todas as normas municipais, ganharam ciclofaixas as ruas Bocaiúva, Almirante Lamego, Duarte Schuttel, Heitor Luz, Trompowsky, Dom Joaquim e Hercílio Luz. No entanto, as últimas ciclofaixas no Centro foram construídas pela gestão anterior – e inauguradas por ciclistas durante a Bicicletada Floripa de dezembro de 2012. Na atual gestão, houve até recusa em se buscar recursos junto ao Ministério das Cidades! Nem a “Reunião do Milhão” ajudou à Microrrede Centro a surgir no horizonte.

11. “Reunião do Milhão” não teve efeito algum

Em 26 de agosto de 2013, após pedalar com ciclistas, o prefeito anunciou que investiria R$ 1 milhão ainda naquele ano na mobilidade ciclística. Dentre as decisões tiradas numa reunião ampliada da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici), estavam a destinação da verba, principalmente, para reforçar a Microrrede Centro, além de intervenções na passarela da Ponte Pedro Ivo Campos e no Campeche. Além de não ter sido aplicado, o prefeito ainda anulou recursos destinados aos ciclistas previstos no orçamento daquele mesmo ano!

12. Pró-Bici melou

Criada para estreitar laços entre ciclistas e técnicos de carreira, a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) desandou. Tendo que ser atualizada, mesmo com o decreto pronto em março, apenas em outubro de 2013 ela foi melhor redefinida. Esse decreto foi aprovado com muito (muito!) esforço, trazendo um benefício em termos administrativos e burocráticos enormes. Com certa surpresa, um dos responsáveis pelo seu atraso foi o arquiteto e então superintendente do IPUF, Prof. Dalmo Vieira Filho, o mesmo que levou problemas jurídicos pela não participação popular ao Plano Diretor Participativo de Florianópolis. Sendo, por efeito do decreto, presidente dessa comissão, ele nunca fez questão de chamar as reuniões, que, pelo regimento interno, teriam que ser, no mínimo, mensais. Agora, o novo superintendente do órgão tem que assumir essa função, mas até agora não o fez e, antes de ser superintendente, ainda impediu o secretário da Pró-Bici de realizar a sua função.

13. Também pelos 20%

Promessa de campanha, 20% do Fundo Municipal do Trânsito, criado pelo prefeito para centralizar verbas de multas e recursos afins, seria utilizado em prol da bicicleta. Para surpresa, o FMT foi criado sem esse dispositivo e, até hoje, não foi enviado pelo alcaide o projeto de lei que destina os recursos para as ciclovias. Assim, ao menos durante metade da sua gestão, uma promessa que poderia ajudar milhares de florianopolitanos simplesmente ainda sequer começou a tramitar pela Câmara de Vereadores. Para piorar, investigação da Polícia Federal que resultou no afastamento do então presidente da Câmara descobriu que verbas dos radares de trânsito tinham destinação imprópria: corrupção.

14. Carta Sem Compromisso

Durante as eleições, o prefeito eleito assinou o Termo de Compromisso com os Ciclistas, feito pela ViaCiclo, Bike Anjo Floripa, Bicicletada Floripa e Bicicleta na Rua. Até agora, praticamente nenhuma promessa foi cumprida, incluindo a única que previa uma data. A construção de 40km de ciclovias nos primeiros 18 meses foi simplesmente ignorada, tendo sido construído cerca de um quarto disso, apenas – e de forma pontual. Para o Movimento Floripa Te Quero Bem, formado pela RBS, Instituto Guga Kuerten, Instituto Comunitário Grande Florianópolis (Icom) e Instituto Vilson Groh, o prefeito prometeu 40km em 4 anos de governo. Eleito, entretanto, no Plano de Metas consta apenas 20km até 2016. Ou seja, metade do que era para ser feito em 18 meses deverá ficar pronto em quase o triplo do tempo.

15. Desplanejamento cicloviário reina

Durante todo o mandato atual, hoje um desplanejamento enorme em termos de mobilidade urbana na cidade, com projetos pontuais desconectados da realidade e da necessidade da cidade! O teleférico e o projeto de canaletas para Bus Rapit Transit (BRT) são exemplos perfeitos dessa ausência de gestão e vontade. Em vez de tirar uma pista para automóveis, o BRT vai circular onde hoje existe a melhor ciclovia da cidade, a da Av. Beira-Mar Norte, que vai ficar onde hoje existe o passeio, que vai ficar onde hoje fica o mar! Há apenas 4 anos, o passeio da Beira-Mar foi revitalizado, ao custo de R$ 9 milhões, contando com nova pavimentação, arborização, mobiliário urbano e pérgolas, além de melhorias no enrocamento do aterro! Um dos itens principais do Termo de Compromisso com os Ciclistas, a criação de uma diretoria para tratar da bicicleta, pouco avançou. Prevista em trabalhos acadêmicos do  Projeto Pedala Floripa, do Grupo CicloBrasil, situado na UDESC, como fundamental desde 2004, a Diretoria de Mobilidade Ativa chegou a ser encaminhada ao prefeito através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável para ser parte constituinte da Secretaria de Mobilidade Urbana. Após ser desidratada por assessores do prefeito, a Diretoria foi simplesmente ignorada nas reformas administrativas posteriores. Sem ela, e com os projetos do IPUF sendo historicamente ignorados pela Secretaria de Obras, com a Secretaria de Mobilidade Urbana sendo meramente espectadora, não se pode planejar obras cicloviárias a médio e longo prazo com eficiência e racionalidade. Tampouco se pode vislumbrar a existência de obras não pontuais, mas sim conectadas por um eixo orientador das reais demandas da cidade e da sociedade.

Como se pode ver, existem sim motivos para você pedalar pelado neste sábado.

Pedalada Pelada mostra que Florianópolis ainda está longe de atender às demandas dos ciclistas

Florianopolis 2014-03-08 WNBR v0

A terceira edição florianópolitana do World Naked Bike Ride, ou Passeio Ciclístico Mundial Sem Roupa, conhecido no Brasil como Pedalada Pelada ou Peladada, deverá acontecer na tarde deste sábado, 8 de março. A concentração para pintura dos corpos começará às 15h, na pista de skate da Trindade, em frente ao Shopping Iguatemi, com saída para pedalar às 19h.

A capital catarinense não será a única cidade brasileira a ter a sua edição no WNBR. Ainda hoje, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre irão se juntar a outras 30 cidades do mundo nas comemorações e provocações da data do WNBR para o Hemisfério Sul. São Paulo deve realizar a sua sétima edição no sábado que vem, dia 15.

Muito distante de fazer uma apologia ao sexo, o lema da Pedalada Pelada é “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”. A nudez é a representação da fragilidade do corpo humano e passa uma mensagem clara: o ciclista é um componente bastante frágil no trânsito. Desmunido de air bags ou uma carroça metálica ao seu redor, o pedalante conta com muito pouco para se defender num país no qual, anualmente, mais de 50.000 pessoas morrem devido a “acidentes” nas ruas e rodovias.

A repetição dos mesmos motes, ano trás ano, parece pouco ter mudado (ainda) na vida do ciclista cotidiano em Florianópolis, demonstrando a inação e omissão também do poder público. Isso é relevante quando se relembra que este evento tem a proposta difusa de conscientização dos demais componentes do trânsito.

Se o respeito por parte dos motoristas parece estar aumentando ao longo dos últimos anos, parece ter sido mais obra dos próprios ciclistas e suas ações de rua do que de uma campanha de conscientização propriamente feita pelos órgãos do poder executivo. São os ciclistas que estão à frente também das campanhas com motoristas das empresas de ônibus. Tomaram a frente num vácuo inaceitável deixado pelos gestores após uma morte de ciclista por um coletivo e o surgimento de diversos relatos correlatos.

Em pleno Dia Internacional da Mulher, o que os ciclistas querem é uma pauta comum com o movimento feminista: fugir da opressão e se mostrarem como iguais. Neste caso, mostrarem o tamanho da desigualdade que se apresenta nas ruas, mas também o tamanho da desigualdade na hora dos gestores priorizarem obras. Avenida das Rendeiras, SC-401, SC-403, SC-405, Av. Paulo Fontes, R. Padre Rohr, Elevado do Rio Tavares, Elevado de Capoeiras, Elevado do Rita Maria, Elevado do Trevo da Seta e até mesmo a ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga: todas são obras, conclusas, em andamento ou em projeto, na qual o ciclista e o pedalar foram desconsiderados em seus deslocamentos. Isso inclui até mesmo esta última, ciclovia da Lagoa da Conceição, cujo material impossibilitará a circulação adequada de patins, skates e patinentes e ainda, segundo informações de arquitetos apresentadas durante o Fórum Mundial da Bicicleta, prejudicar o coração do ciclista que por ela trafegar! Até uma obra de beleza cênica e voltada para o ciclista não foi pensada para a circulação sobre bicicleta.

Assim, deverão existir muitas outras edições da Pedalada Pelada para que os ciclistas possam fazer no WNBR um evento mais festivo e menos reivindicativo.

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Imagens da Pedalada Pelada de Florianópolis 2013

A segunda edição Pelada de Florianópolis ocorreu neste sábado, 09 de março. Ciclistas tiraram a roupa como forma de protesto pela violência no trânsito, demonstrando a fragilidade do corpo humano. A primeira Pedalada Pelada de Florianópolis ocorreu neste sábado, 10 de março. Ciclistas tiraram a roupa como forma de protesto pela violência no trânsito, demonstrando a fragilidade do corpo humano.

O evento World Naked Bike Ride acontece em dezenas de cidades do mundo inteiro. Em março de 2013, em cerca de 70 cidades, a maioria do Hemisfério Sul, a metáfora de como os ciclistas se sentem desprovidos de proteção tomou conta das ruas. No Brasil, participaram São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre.

Seguem abaixo links para fotos.

Anderson Pinheiro / Futura Press/Terra (20 a 21)

Alvarélio Kurossu / Agencia RBS/Diário Catarinense

Caniggia / Bicicleta na Rua

Clarice Araujo Cheuiche / Floripa Quer Mais

Eduardo Valente / Futura Press/Terra

Fabiano Faga Pacheco / Bicicleta na Rua

Fabricio Escandiuzzi / Terra (27 a 30)

Felipe Zuri

Pedro Caetano / Coletivo Sem Fronteiras

Thiago Skárnio / SARCASTiCOcomBR

Milhares de pessoas apoiaram a passagem da Pedalada Pelada pelas ruas de Florianópolis

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Texto: Fabiano Faga Pacheco. Fotos: Caniggia.

A passagem dos ciclistas pelas ruas de Florianópolis rendeu grande apoio da população em geral, que acompanhou, das sacadas, janelas e mesas de bares, a passagem dos cerca de 100 ciclistas que participaram da segunda edição catarinense do World Naked Bike Ride ou “Passeio Ciclístico Sem Roupa”, também chamado de Pedalada Pelada ou Peladada.

Apesar das chuvas fortes que caíram ao longo de todo o dia, chegando, inclusive, a ser anunciado que o evento seria adiado, desde o começo da concentração, às 18h, os ciclistas compareceram ao ponto de encontro, na pista de skate da Trindade. Camisetas e bermudas eram logo retiradas para dar espaço a frases como:

Gaste calorias, não gasolina

Sinto-me assim todo dia

Respeito ao corpo e ao pedal

+ Amor – Pudor

Só assim você me vê!

Sua pressa vale 1 vida?

[Bicicleta] não polui

Às 20h, os ciclistas sairam e foram pela Av. Madre Benvenuta, passando pela bicicleta-fantasma em homenagem ao ciclista falecido José Lentz Neto. Na volta, passaram também pelo Shopping Iguatemi, onde fizeram uma série de protestos, aos gritos de “Ô Iguatemi, cadê a ciclovia?”, em referência à pista ciclável que deveria ter sido construída na Av. Madre Benvenuta há 6 anos.

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Durante todo o percurso, que passou pelos bairros Santa Mônica, Itacorubi, Trindade, Agronômica e Centro, a pedalada chamou a atenção. Sob olhares curiosos e aplausos, os ciclistas convidavam os moradores a participarem. “Você aí parado, vem pedalar pelado!”, entoavam em coro.

A nudez, presente em dezenas de corpos a girar os pedais, não continha nenhum apelo à sexualização presente na sociedade brasileira. Segundo os participantes, o estar pelado representava uma metáfora de como os ciclistas se sentiam cotidianamente no trânsito: frágeis, sem proteção, contando apenas com seus corpos na batalha desigual em que se transformou o trânsito nas cidades de grande e médio porte de Santa Catarina.

Tanto em áreas residenciais quanto comerciais, diversas câmeras e celulares eram vistos nas mãos. Meninas, mulheres, homens, jovens, pessoas mais velhas, foram comuns os manifestos de apoios, os braços erguidos, os olás nas faces ou nas pontas dos dedos.

As bicicletas erguidas em meio à R. Altamiro Guimarães, esquima do Beiramar Shopping, sob os olhares atentos dos bares do entorno, consistiram no momento apoteótico desta edição do World Naked Bike.

A Polícia Militar, que acompanhou de longo todo o evento, não encontrou problemas com a Pedalada Pelada. A utilização das ciclofaixas da Agronômica, Bocaiúva, Almirante Lamego e Duarte Schutel, estas duas últimas recém-construídas, merece destaque, bem como a passagem pela histórica Travessa Ratclif. O retorno até o local da concentração utilizou-se de uma faixa da marginal da Av. Beira-Mar Norte, chamando muita atenção dos motoristas, que buzinavam constantemente em demonstração de apoio.

Bicicletário do CIC

A passagem pelo Centro Integrado de Cultura (CIC) rendeu pedidos de “Bicicletário! Bicicletário!”. Os poucos paraciclos disponíves estão em um local considerado ruim e inseguro, além de ter um modelo inadequado “entorta-roda”.

TITRI

O ponto negativo da Pedalada Pelada ocorreu devido a um não-ciclista. Na saída do Terminal de Integração Trindade (TITRI), um dos vigias terceirizados agrediu uma moça que pedalava, antes de tacar o cassetete em outro participante e declamar palavras de baixo calão, agredindo verbalmente e fisicamente outros participantes. Nenhuma das palavras foi dirigida nem à bicicleta e tampouco à nudez, consistindo em ato impróprio num serviço público por motivo fútil. Quatro participantes devem registrar a ocorrência nesta terça-feira, além de comunicarem, na segunda-feira, a Secretaria Municipal de Transportes, Mobilidade e Terminais e a Companhia Operadora dos Terminais de Integração (COTISA). De acordo com o procedimento padrão, o funcionário, citado por moradores da Trindade como o mesmo que agride os mendigos da região, deve ser afastado do convívio público por dois meses, passar por curso de reciclagem e, em caso de nova infração, deixar de prestar o serviço nos terminais de transporte coletivo.

Percurso

Os ciclistas pegaram a Av. Madre Benvenuta (bairros Trindade, Santa Mônica, Itacorubi) e retornaram por ela até a R. Prof. Henrique da Silva Fontes, adentrando a R. Santa Mônica, R. Pedro Lessa (Santa Mônica), dando volta no Shopping Iguatemi, retornando à  Av. Madre Benvenuta e passando por R. Lauro Linhares (Trindade), R. Delminda Silveira, R. Rui Barbosa, R. Frei Caneca, R. Heitor Luz (Agronômica), R. Bocaiúva, R. Almirante Lamego, R. Duarte Schutel, R. Hoepcke, R. Conselheiro Mafra, R. Francisco Tolentino, R. Deodoro, R. felipe Schmidt, Praça XV de Novembro, R. João Pinto, Trav. Ratclif, R. Tiradentes, Praça XV de Novembro, R. dos Ilhéus, R. Visconde de Outro Preto, Praça Getúlio Vargas, Av. rio Branco, R. Almirante Alvim, R. Vitor Konder, R. Altamiro Guimarães, Av. Jornalista Rubens de Arruda Ramos, Av. Mauro Ramos, R. Germano Wendhausen, R. Altamiro Guimarães, com o levante de bicicletas, Av. Jornalista Rubens de Arruda Ramos (Centro), R. Comandante Constantino Nicolau Spyrides, R. Delminda Silveira, R. Antônio Carlos Ferreira, Av. Governador Irineu Bornhausen (Agronômica), Av. Prof. Henrique da Silva Fontes, TITRI, R. Iracema Nunes da Silva,  R. Prof. Milton Roque Ramos Krieger, R. Lauro Linhares e Av. Madre Benvenuta (Trindade), totalizando cerca de 25km.

Obstáculos ao pedal

Foi grande o número de pneus furados nesta edição da Pedalada Pelada. No total, foram cinco câmaras trocadas durante o evento, quase todas nos primeiros cinco quilômetros. Os participantes aguardaram até que todas estivessem trocadas para prosseguir. Ao chegar em casa, outras pessoas também relataram problemas com pneus vazios. A situação do espaço público após as chuvas e as garrafas jogadas às ruas são apontados como os principais fatores para tantos obstáculos ao pedalar.

Mandalas

Mania surgida em Curitiba e disseminada em São Paulo, as mandalas, quando ciclistas ficam girando em torno de uma rotatória, parece ter chegado em Florianópolis para ficar. Uma das cenas mais impactantes para quem acompanhava dos prédios foi a mandala feita no cruzamento da R. Lauro Linhares com a Av. Madre Benvenuta. A mandala durou cerca de 40s.

Saiba mais:

A Pedalada Pelada e a lei

Veja também:

Confira como foi a primeira edição da Pedalada Pelada de Florianópolis:

Pedalada Pelada leva bom humor às ruas de Florianópolis na busca por respeito no trânsito
Fotos da Pedalada Pelada de Florianópolis
Charge – Pedalada Pelada
Divulgação da Pedalada Pelada no Jornal Notícias do Dia
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (III)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (II)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (I)
Ciclistas realizam a primeira edição da Pedalada Pelada em Florianópolis

Veja também como foi a primeira Pedalada Pelada de Porto Alegre:

Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito

Pedalada Pelada permanece confirmada em Florianópolis

A segunda edição do World Naked Bike Ride, também chamado de Pedalada Pelada ou Peladada, permanece confirmado para este sábado, 09 de março, na capital catarinense.

Recentemente, a rede de notícias ClicRBS chegou a noticiar o adiamento da edição catarinense da pedalada em seu site:

Atenção: devido à chuva intensa que caiu em Florianópolis neste sábado, a Pedalada Pelada foi adiada. Ainda não há informações sobre novas datas para realização do evento.

Apesar disso, Florianópolis, bem como Porto Alegre e São Paulo, irão se juntar a dezenas de cidades do Hemisfério Sul para participar do World Naked Bike Ride.

O evento permanece confirmado no Facebook

Embora leve o nome de Pedalada Pelada, a nudez não é obrigatória. O lema é “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”. A ausência de roupas serviria para escancarar a falta de segurança do ciclista no trânsito. Como não estão protegidos por armaduras, as carrocerias de metal dos automóveis, eles pedem urgência quanto ao respeito no trânsito, para que a convivência nas ruas seja pacífica e não resulta em acidentes que, invariavelmente, afetem aqueles que são menos protegidos: os ciclistas e pedestres, nus ou com uma fina camada de roupa.

Florianopolis 2013-03-09 WNBRArte: João Ricardo Lazaro

Saiba mais:

A Pedalada Pelada e a lei

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Confira como foi a primeira edição da Pedalada Pelada de Florianópolis:

Pedalada Pelada leva bom humor às ruas de Florianópolis na busca por respeito no trânsito
Fotos da Pedalada Pelada de Florianópolis
Charge – Pedalada Pelada
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Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (III)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (II)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (I)
Ciclistas realizam a primeira edição da Pedalada Pelada em Florianópolis

Veja também como foi a primeira Pedalada Pelada de Porto Alegre:

Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito

Fotos da Pedalada Pelada de Florianópolis

A primeira Pedalada Pelada de Florianópolis ocorreu neste sábado, 10 de março. Ciclistas tiraram a roupa como forma de protesto pela violência no trânsito, demonstrando a fragilidade do corpo humano. Seguem abaixo links para fotos.

Caniggia / Bicicleta na Rua

Carine Bergmann / Portal Sul Notícias (atualmente indisponível)

Charles Guerra / Agencia RBS/Diário Catarinense

Circuito Fora do Eixo

Eduarto Valente / Photo Press

Fabiano Faga Pacheco / Bicicleta na Rua

Fabrício Escandiuzzi / Terra

Marco Dutra / UOL

Merlim Miriane Malacoski / Cotidiano/UFSC

Roney G. Pereira

Viviane Lima Ferreira / Subversivos

Atualizado em 11 de março de 2013, às 3h13min.

A Pedalada Pelada e a lei

O artigo abaixo tem caráter meramente opinativo.

Nem toda nudez será castigada

A PM impediu a Pedalada Pelada deste ano. A justificativa do major Senaubar é risível: “Aqui não é Sambódromo. Não estamos no carnaval. Se alguém mostrar o bumbum, pode ser detido”.

“Bumbum”… É sintomático que o major utilize termos infatilizantes. Apenas uma concepção autoritária e paternalista de Estado justificaria as dezenas de PMs reunidos para defender a população inocente dos cem ciclistas malvados que queriam subverter a ordem com suas pálidas bundas – ou devo dizer “popôs”?

Não por acaso a ameaça de prisão feita pelo membro da PM tem fundamento no crime de ato obsceno, previsto no código penal de 1940 do então ditador Getúlio Vargas. Diz o artigo 233 do código: “Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa”.

Mas o que é “ato obsceno”? A lei, como qualquer um pode perceber, é absurdamente vaga e serve de cheque em branco para os juízes de moralidade mais sensível. O crime deve ter seus contornos bem delineados a fim de que o cidadão saiba quais seus limites, e isso é tanto mais verdadeiro porque uma condenação pode afetar gravemente a vida do indivíduo.

O major deu voz ao senso comum quando disse que nudez tem lugar e hora marcada – ficar nu no metrô às 8 da manhã não é razoável. No entanto, faltou-lhe bom senso em imaginar que os ciclistas ferem o pudor da sociedade com sua bicicletada. Eles participaram de uma manifestação pacífica, como outros milhares de ciclistas no resto do mundo, e despem-se para chamar a atenção, como forma de estratégia política legítima. Qual o perigo que algumas genitálias balançando sobre bicicletas oferecem aos costumes e ao pudor do país que, algumas semanas antes, parara para assistir corpos nus desfilarem em sambódromos (espaços públicos, mantidos com dinheiro público), como bem lembrou o oficial da PM? Como se pode falar em ofensa à moralidade se jornais publicaram fotos dos ciclistas seminus?

Situação semelhante já passou pelo Supremo Tribunal Federal: o diretor de teatro Gerald Thomas fora acusado de cometer ato obsceno por ter mostrado a bunda e simulado masturbar-se após receber vaias. Os membros da mais alta corte brasileira – ainda que em decisão apertada – entenderam que o contexto do suposto ato obsceno não ensejava ofensa ao pudor público. Ora, o contexto da pedalada pelada tampouco permite presumir obscenidade!

Parece ser um caso clássico de sopesamento de valores constitucionais: há dano à moralidade pública ou à liberdade de expressão, de reunião e locomoção? Sendo evidente a resposta, não haveria crime, seja porque não há tipicidade material, seja porque se exerce regularmente o direito de reunião e manifestação.

Assim, qualquer associação de ciclistas, de proteção aos direitos civis ou a própria defensoria pública estadual poderia promover um hábeas corpus coletivo preventivo, antes da realização da próxima edição do evento em 2010, a fim de impedir que as autoridades públicas desperdicem dinheiro do contribuinte com o cerceamento de direitos constitucionais dos cidadãos-ciclistas. Em opção mais conservadora e menos heterodoxa, os manifestantes poderiam eles mesmos impetrar hábeas corpus, individualmente, já que o HC não exige advogado.

Mas e se não for concedida a ordem pelo judiciário? O corajoso ciclista terá pouco a temer: ainda que o flagrante autorize que PMs conduzam o ciclista coercitivamente a juizado ou delegacia, a prisão só ocorrerá se o ciclista recusar-se a comparecer, em um outro dia, perante o magistrado.

O texto da lei é bastante claro: “Ao autor do fato [o ciclista] que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança” (JEC: 69, par. único), ou seja: os PMs podem levar os ciclistas para o juizado ou autoridade policial e relatar o ocorrido em um termo circunstanciado (relatório do PM sobre o flagrante), mas NÃO podem prender o ciclista se ele se comprometer, por escrito, a aparecer noutra oportunidade.

O pior já passou. Esse termo circunstanciado não “suja ficha” ou aparece em folha de antecedentes. Daqui em diante, caberá ao Ministério Público encaminhar o processo, podendo pedir sua suspensão se o ciclista nunca tiver sido condenado criminalmente nem tiver processo criminal correndo contra ele. Se ficar comprovado que o acusado não oferece risco algum à sociedade, nem outro processo criminal for instaurado contra o acusado nesse período, o processo termina sem complicações para o ciclista.

De qualquer forma, recebida a denúncia pelo juiz, o ciclista poderá a qualquer momento procurar seu advogado ou a defensoria pública estadual a fim de impetrar um hábeas corpus para impedir que o processo continue, demonstrando-se a falta de justa causa da ação com argumentos semelhantes aos já mencionados.

Na remotíssima hipótese de condenação, o ciclista poderá sofrer a pena de multa (cujo valor varia de acordo com a situação econômica do condenado) ou detenção por até um ano. “Detenção” significa que a pena deverá ser cumprida inicialmente em regime semi-aberto, ou seja, em colônia agrícola ou estabelecimento parecido. Como há pouquíssimos desses estabelecimentos, o condenado deverá cumprir a pena em regime domiciliar. Assim, para a tão temida prisão, o ciclista desnudo não poderá ir. Enfatizamos que a possibilidade de condenação à pena de detenção é ínfima.

Muitos devem ter receio quanto a perder a primariedade. Lembre-se que apenas no muito improvável caso de condenação à detenção – ou seja, apenas se o juiz entender, no final do processo, que o ciclista realmente cometeu o crime de ato obsceno e mandar o réu cumprir pena de detenção – o ciclista perderia sua primariedade e, mesmo assim, apenas por cinco anos após o cumprimento da pena.

Por fim, não custa repetir o óbvio: os PMs dificilmente se darão ao trabalho de prender uma centena de ciclistas pelados, ou seja, se todos tirarem a roupa, há muito mais chances de que ninguém sofra amolação. Os ciclistas não podem se acostumar com essa dupla falta de espaço público: as ruas lhes pertencem, seja para se manifestarem, seja para se locomoverem.

Por Felipe Oliva*

*Felipe Oliva é advogado.
 

Saiba mais:

Ciclistas pelados pela vida – matéria de divulgação do Bicicleta na Rua que antecipou a cena que seria encontrada pelos ciclistas na concentração da Pedalada Pelada.

World Naked Bike Ride São Paulo 2009 – confira os relatos, fotos, vídeos e reportagens sobre a Pedalada Pelada deste ano.

Ciclistas pelados pela vida

Ocorrerá neste sábado, 14 de março, com concentração a partir das 12h e  saída às 14h, a segunda versão do World Naked Bike Ride São Paulo, ou Pedalada Pelada, como ficou popularmente conhecida. O passeio dos ciclistas pelados é uma forma de eles expressarem como se sentem pedalando diariamente pelas ruas da cidade. Enquanto automóveis possuem cintos de segurança e air bags para protegerem seus ocupantes, os ciclistas possuem apenas o próprio corpo para se defenderem. É praticamente como se os ocupantes dos veículos (geralmente, constituído apenas pelo motorista) estivessem livres e à salvo, sem riscos de sofrerem intentos à própria vida, enquanto os ciclistas não teriam essa proteção e vissem-se apenas dependendo da vontade dos demais motoristas para sobreviverem. Afinal, é unânime entre os ciclousuários: a maioria não enxerga  o ciclista quando este está na rua. Parece que ele simplesmente não existe. Como não se consegue observar a vida ao seu redor, muitos são os motoristas que não a respeita. Os manifestantes esperam que, pelados, possam finalmente serem vistos como membros do trânsito e, assim, poderem pedalar pela cidade sendo respeitados pelos demais.

Cartaz de divulgação do WNBR São Paulo v1

Apesar de se sugerir, e até mesmo se incentivar, os ciclistas ali presentes a ficarem desnudos, não é obrigatório tirar a roupa. O lema do WNBR é “as bare as you dare”, ou seja, “tão nu quanto você ousar”. Ninguém vai te impedir de você manter-se com roupa.

Na última edição, o maior constrangimento para que as pessoas estivessem na Av. Paulista assim como vieram ao mundo veio por parte dos jornalistas. Muitas mulheres, em especial, não se sentiram seguras para ficarem completamente nuas devido ao assédio da mídia e a comentários machistas feitos por membros da imprensa. As mais sérias equipes de reportagem que farão a cobertura do evento aconselharam os seus jornalistas a não interferirem na evolução da Pedalada Pelada e a não assediarem os participantes. Os homens foram instruídos a não fazerem provocações machistas. Fiquem atentos às credenciais dos jornalistas que cometerem esses abusos. Se houver problemas ou sentir-se constrangido, denunciem-nos.

Cartaz do World Naked Bike Ride São Paulo, v2

Com que roupa eu vou?

Aqui está disponibilizado um texto ótimo sobre como tirar a roupa em público, além de dicas ótimas para quem ainda está em dúvida se vai pedalar pelado ou não.

Entre elas está uma das mais vistas: é legal pedalar nu? Segundo os participantes, dá uma sensação muito boa. Mas a lei garante-nos esse direito? Considerando que não estamos no Afeganistão nem no Iraque, e levando em conta o que assistimos durante o Carnaval, e lembrando que os ciclistas não irão lá para realizarem nenhum ato de cunho sensual, erótico ou pornográfico, sim, as leis brasileiras permitem que você possa pedalar pelado. Se você espera fotografar algo indecente, não adianta ir para o ponto de encontro. Mas se quiser ver imagens obscenas, clique aqui.

A polícia estará na Praça do Ciclista e recebeu ordens verbais de não cometer as gafes do ano passado. Figuras políticas como o prefeito paulistano Gilberto Kassab apoiam a realização do World Naked Bike Ride.

Não nos esqueçamos de que o WNBR ocorre em várias localidades do mundo. No dia 14, dezenas de cidades do hemisfério Sul terão ciclistas nus em suas ruas.

Então o que está esperando? Pegue a sua magrela e dirija-se à Praça do Ciclista para prestigiar São Paulo em uma brilhante edição de mais uma Pedalada Pelada.

Saiba mais:

Nus diante do tráfegoApocalipse Motorizado

Valeu a pena ser preso pelado? Valeu sim!!! – CicloBR (depoimento do único ciclista pelado que foi preso na primeira edição do WNBR São Paulo)

World Naked Bike Ride São Paulo 2008 – matérias, relatos, fotos e vídeos da primeira edição

OBS: as pessoas ligadas a este blogue até organizam alguns eventos, algumas até estarão lá, mas a Pedalada Pelada não tem líderes nem organizadores. E também não está diretamente relacionada à Bicicletada. Ela é melhor definida como uma manifestação rizomática.

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