Massas Críticas catarinenses – junho de 2014

Chega final de junho, trazendo consigo o ano pela metade. Um ano recortado, por sinal. Foi-se o Carnaval, permanece ainda a Copa do Mundo e, em breve, ter-se-ão as eleições que definirão os próximos quatro anos do país.

Pelo sul brasileiro, o Pacto por Santa Catarina esqueceu-se de procurar pelos ciclistas. Mas a sociedade reagiu e formou a Rede Vida no Trânsito. Em homenagem ao acompanhamento contínuo, foi aos ciclistas ofertado o direito de representar a sociedade civil na cerimônia de seu lançamento.

Mas esses atos de grande amplitude ainda escondem os interesses obscuros que pairam nas altas esferas do poder. O projeto que cria a Lei do Sistema Cicloviário Catarinense, tão debatido por diversos grupos, sumiu da Assembléia Legislativa desde novembro, diretamente do gabinete do líder parlamentar do governo. Além disso, ciclofaixas estão sendo construídas em rodovias onde, quando respeitam as leis, os motoristas correm a 80km horários.

Algumas cidades fecham, em dias, seus períodos de atrasos de promessas não cumpridas. Florianópolis deverá ser uma delas – a aguardar mais três dias para se confirmar. Apesar de anunciar – e até licitar – 6 novas ciclovias, a vontade política dúbia retirou R$500.000,00 de uma reivindicação de 17 anos para ser aplicado na construção de – pasmem – mais um elevado. Mais um estímulo ao uso do transporte individual e individualista, do qual poucos usufruem e cujos danos coletivos todos pagamos.

Continua a oferecer Santa Catarina, portanto, todos os requisitos para que as Bicicletadas continuem a existir. Confira abaixo se vai ocorrer na sua cidade e participe!

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Torcedor vem de bicicleta do México para assistir a sua sétima Copa

Elias de Souza foi às Copas desde 1986. Foto: Rubem Berta / O Globo.

Elias de Souza foi às Copas desde 1986. Foto: Rubem Berta / O Globo.

Elias de Souza Aguiar, de 48 anos, é sul-matogrossense e faz shows pelo mundo em cima da bicicleta

Do alto de uma bicicleta de 3,3m, Elias de Souza Aguiar, brasileiro de Corumbá fala em espanhol a frase “Pátria não é onde nasce, mas o que sente no coração” na Avenida Beira-Mar, em Fortaleza, em frente ao hotel da seleção mexicana, neste domingo. Ele veste a camisa verde do país que escolheu para chamar de pátria em 1986. E conta como chegou até sua sétima Copa do Mundo.

Ele tinha 14 anos quando começou a produzir bicicletas “malucas”. Não tinha dinheiro para ter carro. O jeito era ter bicicleta”. Com uma de suas invenções deixou o Brasil para viajar ao México onde for torcer pela seleção brasileira. Foram 12 mil quilômetros percorridos. No país que viria a ser adotado por ele, conheceu a mulher que viria a ser esposa.

“A convidei para subir na bicicleta. Ela caiu, quebrou a perna, e cuidei dela por duas semanas. Foi amor à primeira queda”, brincou. Com ela viajou à Copa da Itália para torcer pelo Brasil (o México não se classificou) e na Itália “fabricou” Elias, o filho de 23 anos que o acompanha nas suas viagens. Há quatro anos se separou. “Ela se cansou de viajar. Eu não”. Hoje ele viaja fazendo números circenses.

Cercado de torcedores mexicanos, ele se destaca. Não era para menos com sua bicicleta. “Venho para minha sétima Copa do Mundo. Vim torcer pelo México, meu país”. Desde 1986 só não foi ao Japão, em 2002. Na viagem ao Brasil, que começou em fevereiro de 2013, percorreu 2,5 mil quilômetros até o Panamá escoltado pelo filho em uma caminhonete. Lá teve de mudar os planos. “A aduana apreendeu tudo que uso nos meus shows. Não deixou eu passar. Então viemos só com a bicicleta de avião até Recife. Mas vamos pegar de volta”.

Elias de Souza Aguiar, sua bicicleta e outros torcedores receberam o México em Fortaleza. Foto: Igor Resende / ESPN.

Elias de Souza Aguiar, sua bicicleta e outros torcedores receberam o México em Fortaleza. Foto: Igor Resende / ESPN.

Elias e o filho chegaram a Recife a tempo de assistir ao primeiro jogo do México em Natal, sexta-feira. Depois foram a Fortaleza, mas não sabem se conseguirão ver o jogo no Castelão. Não conseguiram ingressos ainda. Depois voltam a Recife para a partida contra a Croácia, dia 23.

O brasileiro-mexicano sustenta sua viagem vendendo pulseiras artesanais a R$ 2. Produziu 20 mil para vir ao Brasil e vendeu, de acordo com suas contas, 8 mil até agora. “É uma ajuda. Nos shows ganhamos um pouquinho mais. Mas sempre contamos com nossos fãs”, conta.

Depois de voltar ao Panamá, onde pretendem pegar de voltar a caminhonete e outras parafernálias de seu show, vendido no facebook como “Super Bike: Show de Bicicletas Más Grandes del Mundo”, a intenção é voltar ao Brasil para ficar um tempo. O destino é Matelândia, no interior do Paraná, onde Elias tem parentes. Fará seus shows pelo interior do Brasil. “Mas sempre com o México no coração”.

Bruno Winckler

Fonte:  Texto originalmente publicado no portal IG, em 15 de junho de 2014, às 13h59.

Saiba Mais:

O Globo - Em sua sétima Copa, torcedor faz de bicicleta gigante o seu ganha-pão: a reportagem de Rubem Berta, o mesmo autor da foto no início desta postagem, aborda como o brasileiro tem conseguido se manter na estrada por 1,5 ano, além dos seus planos para os próximos anos.

ESPN - Bicicleta gigante, muita festa e jogadores na janela dos quartos: México chega a Fortaleza: a matéria de Igor Resende.

Veja também:

Em 2010, Elias foi também destaque em matérias da imprensa brasileira. Confira abaixo a nota publicada no Globo Esporte em 15 de junho de 2010.

Na sua sexta Copa, brasileiro desfila de bicicleta por Joanesburgo

Sem hotel, Elias Aguiar dorme de favor e passa frio nos postos de gasolina

Foto: Zé Gonzalez / Globo Esporte.

O brasileiro Elias de Souza Aguiar, de 44 anos, desfila diariamente por Joanesburgo com uma bicicleta especial que ele mesmo construiu. Paulista da cidade de Lins, o torcedor mora no México e está na sua sexta Copa do Mundo. Elias não tem reserva de hotel na cidade e dorme de favor em postos de combustível, sofrendo com frio da madrugada. Ele viajou de avião do México até a África do Sul, com a bicicleta desmontada, fazendo uma escala na Alemanha (Foto: Zé Gonzalez / Globo Esporte).

 

Moradores do Carianos terão atividades em local de futura praça

Florianopolis 2014-06-21 OcupAPraca Carianos

Acontece neste sábado, a partir das 9h da manhã, uma sequência de atividades para a primeira edição do OcupAPraça, no bairro do Carianos, em Florianópolis. Estão previstos jogos de vôlei e atividades para crianças, como piscinas de bolinhas e cama elástica, na área onde os moradores reivindicam há anos a implantação de uma praça, na Av. Dep. Diomício Freitas, na altura da lombada eletrônica.

Além disso, haverá também atividades de educação e ensino a quem quiser aprender a andar de bicicleta ou a se portar em meio ao trânsito sobre as duas rodas.

O OcupAPraça está sendo organizado pela Associação de Moradores e Amigos do Carianos (AMOCAR) e pela Associação dos Moradores Recreio Santos Dumont (AMOSAD/Cuidando do Carianos). Segundo Maikon Costa, presidente da AMOCAR,  “a futura praça do Carianos será o local ideal práticas esporte e atividades físicas, proporcionando aos moradores saúde e lazer, além de segunça comunitária já que terão a oportunidade de se conhecerem com mais intensidade e compartilhar experiências. Um local para onde as pessoas vão convergir”.

Assista abaixo matéria veiculada no quadro “Ação e Reação” do programa “SBT Meio Dia”, do SBT Santa Catarina, em 13 de abril de 2011.

Massas Críticas catarinenses

Maio de 2014. Quase um ano e meio após os prefeitos assumirem e 3,5 anos de os catarinenses terem um novo governador, em que pese o início de obras cicloviárias, o mês foi mais de discórdias do que de casamentos.

Com prazo de término para a época das eleições, teve início, enfim, a ciclovia na SC-405, no Rio Tavares, em Florianópolis. Após mais de dois anos dificultando a vida dos estudantes das escolas da região, uma obra que deveria ter sido feita até junho de 2012 enfim há de começar. Uma vitória da sociedade? Nem tanto. Além da demora, a largura de 3m onde não haverá postes e pontos de ônibus colocará em conflito pedestres e ciclistas. É um avanço, sem dúvida. Tímido e sem resolução de pontos de conflitos, mas um avanço.

Como tem se tornado constante, maio também foi um mês de perdas. Constância essa que não se fez sentir nos movimentos de bastidores para mudar e melhorar a situação cicloviária catarinense.

Muito pelo contrário. Na capital, o prefeito vetou projeto de lei que extendia para locais de ensino, cultura, lazer e estacionamentos a necessidade de possuir paraciclos ou bicicletários. E seu braço direito, secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano e superintendente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) foi categórico ao dizer:

- As pessoas falam muito da ditadura do automóvel, mas existe também a ditadura da ciclovia, que oprime o pedestre!

Uma fala absurda para momentos de inação tanto para os pedestres quanto para os ciclistas. Ignorando as próprias comissões do IPUF, como a Pró-Bici e o Floripa Acessível, e o histórico da ViaCiclo e da própria Bicicletada Floripa, que sempre lutaram por melhorias para pedestres e para o transporte coletivo – exemplos clássicos constam com a Vidal Ramos e a R. Ver. Osni Ortiga. Talvez o secretário baseie-se na SC-405, que teve seu projeto denunciado reiteradamente, inclusive em instâncias jurídicas, pelos ciclistas.

Se na cidade algumas obras devem sair com infraestrutura cicloviária – inferior – , como na Av. Gov. Ivo Silveira, na própria R. Ver. Osni Ortiga e da R Dep. Antônio Edu Vieira, a própria prefeitura prejudica tanto pedestres quanto ciclistas na R. Padre Rohr, em Santo Antônio de Lisboa… e simplesmente ignora a implementação de uma cicloestrutura em plena Av. das Rendeiras, no coração da Lagoa da Conceição. Sem estudos numéricos de tráfico minimamente decentes, a opção foi pela manutenção de estacionamentos para o veículo particular. Um soco no estômago do planejamento cicloviário municipal, que previa há mais de dez anos a passagem de uma ciclovia por uma das mais cênicas paisagens ilhoas.

Sabendo que desde que assumiu, o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD) ainda não construiu nem 10km de infraetrutura cicloviária decente e adequada percebe-se que vai ser muito difícil que ele cumpra, até o próximo mês, os 40km prometidos em 18 meses durante sua campanha eleitoral e sabatina. E o que deixa os ciclistas ainda mais nervosos é que parece cada vez mais distante que essa cifra seja atingida…

Mas é por isso, afinal, que existem as Bicicletadas!

Confira se vai haver na sua cidade e participe!

Blumenau

Saída da Prefeitura da Blumenau, na Praça Victor Konder, às 18h30.

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Brusque

Brusque 2014-05-30

Ao final da Bicicletada, palestra com Thiago Fantinatti, autor do livro “Trilhando Sonhos”, na Praça da Cidadania – Fundação Cultural.

Brusque 2014-05-30 Trilhando Sonhos

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Florianópolis

Florianopolis 2014-05-30Arte: Flora Neves

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Massas Críticas catarinenses

Março chegou com um alvoroço carnavalesco. Sem pudor, mas temendo por sua vida, os ciclistas pedalaram pelados, mostrando as fragilidades de seus corpos às pessoas e pedindo proteção. As autoridades olharam e viram passar. E só.

Atitudes de omissão como essas é que alimentam a permanências das Massas Críticas em Santa Catarina. A depender das autoridades muitas delas ainda vão ocorrer em território barriga-verde.

Nota: prefeito da Capital, Cesar Souza Júnior (PSD) anunciou um Plano de Metas para 2014, que engloba a construção de 20km de ciclovias e ampliação das ciclofaixas de lazer na cidade. Só faltou contar que não realocou recursos para isso. No ano de 2013, as metas eram mais ousadas: 30km até o final do ano. Cerca de 10% disso foi construído, no bairro da Tapera. Pouco mais de 8km estão em fases de projetos na Caieira da Barra do Sul e José Mendes e o trecho da R. Ver. Osni Ortiga teve sua fase 2 lançada, sem a conclusão do aterro na Lagoa da Conceição da fase 1.

Com essa meta de 20km, a prefeitura praticamente detona o Termo de Compromisso com os Ciclistas, firmado às vésperas das Eleições de 2012. O acordado com os cidadãos era a conclusão de 40km de pistas cicláveis decentes até o final de junho de 2014. Os méritos dessa desconquista são compartilhados também com o superintendente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, arquiteto Dalmo Vieira Filho.

Enquanto isso, perdemos ciclistas no Estado, com destaque para o garoto João Vitor, atropelado por um motorista bêbado no Travessão do Rio Vermelho, numa via em que os habitantes pedem ciclovia desde 2009.

Blumenau

Blumenau 2014-03-28Arte: Yasna Muñoz Catalán

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Brusque

Brusque 2014-03-28

Florianópolis

Florianopolis 2014-03=28

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Anotações do Fórum Mundial da Bicicleta 2014

Após vários pedidos de compartilhamento de informação derivado de nossas anotações das palestras do Fórum Mundial da Bicicleta, cuja terceira edição ocorreu em fevereiro deste ano em Curitiba, digitalizamos as anotações do nosso editor para quem quiser relembrar, saber sobre apresentações que não pôde estar presente ou simplesmente ter um gostinho de como foi um dos melhores encontros do ciclismo urbano e cicloativismo que aconteceu em território brasileiro.

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(Veja em PDF)

Poesia – Bicicleta Fantasma

“Esta poesia é dedicada a todos os ciclistas mortos por atropelamento nesse país e, em especial, ao nosso companheiro ciclístico Egon Koerner Júnior, que falecei atropelado por um motorista bêbado quando participava de uma prova de superação – Audax na cidade de Curitiba.” 

BICICLETA FANTASMA

Cabisbaixa às margens da estrada, subjugada, punida, ignorada, batida pelo tempo.
Sou bicicleta fantasma, minha morte faz te lembrar
Que hoje sou bicicleta sem alma; muitas outras eu tento salvar.
Dividida, atônita, aturdida, pressa ao teu passado; sofro só de vê-los passar sem um corpo a me pedalar.
Sou bicicleta branca, fantasma, sabe lá o nome que querem me dar,
Sou calada, amordaçada, indefesa e não posso falar.

Sou bicicleta sem alma, minha morte faz te lembrar
Ninguém sabe agora és morta.
Nem disso eu posso falar.
Amordaçam minhas rodas, não posso gritar.
Entre amarras e presilhas, meu corpo minhas rodas estão livres mas não posso tu levar.
Sou bicicleta morta, o significado de estar morta só eu posso lhes mostrar.

Sou uma velha, desprezada, reciclada, remontada sabe lá, o nome que querem me dar,
Mas sou bicicleta morta e da morte te fazer lembrar.
Sou menina, sou menino, não importa! Sou simplesmente bicicleta morta.

Fui roubada, ultrajada para outro me usar, mas sou bicicleta morta e pro meu lugar devo voltar.
Vejo amigos, vejo estranhos, vejo a vida me rondar.
Vejo as lágrimas da amada que se curva a chorar.
Vejo luas, tempestades, vejo o inverno passar.
Vejo flores de saudades, lembranças a me acalentar.
Represento vida e morte daqueles que vejo passar.

Sou bicicleta morta, e morta estou,
Sou bicicleta branca, e branca estou,
Sou fantasma sem alma, sabe lá o nome que ainda terei
Fantasma sem alma; morta está… e branca me tornei.
Tu que me fizeste fantasma, branca sem alma, de ti sempre lembrarei.

Nicolau Marques Júnior
[Florianópolis, 2014]

Pedalada Pelada mostra que Florianópolis ainda está longe de atender às demandas dos ciclistas

Florianopolis 2014-03-08 WNBR v0

A terceira edição florianópolitana do World Naked Bike Ride, ou Passeio Ciclístico Mundial Sem Roupa, conhecido no Brasil como Pedalada Pelada ou Peladada, deverá acontecer na tarde deste sábado, 8 de março. A concentração para pintura dos corpos começará às 15h, na pista de skate da Trindade, em frente ao Shopping Iguatemi, com saída para pedalar às 19h.

A capital catarinense não será a única cidade brasileira a ter a sua edição no WNBR. Ainda hoje, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre irão se juntar a outras 30 cidades do mundo nas comemorações e provocações da data do WNBR para o Hemisfério Sul. São Paulo deve realizar a sua sétima edição no sábado que vem, dia 15.

Muito distante de fazer uma apologia ao sexo, o lema da Pedalada Pelada é “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”. A nudez é a representação da fragilidade do corpo humano e passa uma mensagem clara: o ciclista é um componente bastante frágil no trânsito. Desmunido de air bags ou uma carroça metálica ao seu redor, o pedalante conta com muito pouco para se defender num país no qual, anualmente, mais de 50.000 pessoas morrem devido a “acidentes” nas ruas e rodovias.

A repetição dos mesmos motes, ano trás ano, parece pouco ter mudado (ainda) na vida do ciclista cotidiano em Florianópolis, demonstrando a inação e omissão também do poder público. Isso é relevante quando se relembra que este evento tem a proposta difusa de conscientização dos demais componentes do trânsito.

Se o respeito por parte dos motoristas parece estar aumentando ao longo dos últimos anos, parece ter sido mais obra dos próprios ciclistas e suas ações de rua do que de uma campanha de conscientização propriamente feita pelos órgãos do poder executivo. São os ciclistas que estão à frente também das campanhas com motoristas das empresas de ônibus. Tomaram a frente num vácuo inaceitável deixado pelos gestores após uma morte de ciclista por um coletivo e o surgimento de diversos relatos correlatos.

Em pleno Dia Internacional da Mulher, o que os ciclistas querem é uma pauta comum com o movimento feminista: fugir da opressão e se mostrarem como iguais. Neste caso, mostrarem o tamanho da desigualdade que se apresenta nas ruas, mas também o tamanho da desigualdade na hora dos gestores priorizarem obras. Avenida das Rendeiras, SC-401, SC-403, SC-405, Av. Paulo Fontes, R. Padre Rohr, Elevado do Rio Tavares, Elevado de Capoeiras, Elevado do Rita Maria, Elevado do Trevo da Seta e até mesmo a ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga: todas são obras, conclusas, em andamento ou em projeto, na qual o ciclista e o pedalar foram desconsiderados em seus deslocamentos. Isso inclui até mesmo esta última, ciclovia da Lagoa da Conceição, cujo material impossibilitará a circulação adequada de patins, skates e patinentes e ainda, segundo informações de arquitetos apresentadas durante o Fórum Mundial da Bicicleta, prejudicar o coração do ciclista que por ela trafegar! Até uma obra de beleza cênica e voltada para o ciclista não foi pensada para a circulação sobre bicicleta.

Assim, deverão existir muitas outras edições da Pedalada Pelada para que os ciclistas possam fazer no WNBR um evento mais festivo e menos reivindicativo.

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Massas Críticas carnavalescas catarinenses

Fevereiro chegou em ritmo de Carnaval. Mas foi sem agitação que o ano passou na maioria das cidades catarinenses, para sincero desespero de seus ciclistas. Na administração pública, parece que as coisas só começam mesmo após o período sabático do Carnaval, mesmo num ano enxuto por Copa do Mundo e eleições.

Se Santa Catarina, em especial Florianópolis, deu show no Fórum Mundial da Bicicleta, em Curitiba, na cidade mesmo não se observou mudanças estruturais e planejamento estratégico para este 2014. Um mês perdido, como tantos outros. Mas com vidas perdidas também, como ocorreu em São José.

Enquanto os gestores se afastam da vida nas cidades, Santa Catarina e seus municípios continuam dando maus exemplos. E, ao contrário dos especialistas de fora que levantaram questões e debates em Curitiba, por aqui pouca coisa se apreende, e muito menos ainda se faz.

Que março comece com ventos melhores. No cenário atual, tem tudo para isso.

E é justamente essa inatividade grandiosa do Poder Público que continua a alimentar as Massas Críticas.

Confira se a sua cidade contará com uma Bicicletada e participe!

Blumenau

Blumenau 2014-02-28Arte: Fran Schmitz

Brusque

Brusque 2014-02-28

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Florianópolis

Florianopolis 2014-02-28 CarnavalArte: Lucas Seara Medeiros

Catarinense é eleito presidente da União de Ciclistas do Brasil

Após duas sessões e quase 4 horas de duração, a União de Ciclistas do Brasil tem um novo presidente. A eleição aconteceu no auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, como parte da programação do 3° Fórum Mundial da Bicicleta para este sábado, 15 de fevereiro.

A partir de agora, André Geraldo Soares, da Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú (ACBC) toma posse como novo representante do órgão, constituído por ciclistas e associações ciclísticas de todo o país. Yuriê Baptista César, do Clube de Cicloturismo do Brasil, com sede em Cristais Paulistas (SP), ficou com o cargo de diretor financeiro, enquanto Rodolfo Brandão de Proença Jaruga, da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu), com sede em Curitiba, é o novo diretor administrativo da instituição.

Foram eleitos também os membros do Conselho Fiscal da UCB. São eles: Fabiano Faga Pacheco, da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), Hamilton Takeda, do Instituto CicloBR de Fomento à Mobilidade Sustentável, e Giovani Rafael Seibel, da Associação Blumenauense Pró-Ciclovias (ABC Ciclovias).

Das 18 entidades com direito a voto, 11 se fizeram presente no Fórum Mundial da Bicicleta. Além das seis já citadas, estiveram presentes a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (CicloCidade), de São Paulo, a Rodas da Paz, de Brasília, a Transporte Ativo, do Rio de Janeiro, a Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida), da capital cearense, e a Associação dos Ciclistas urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo), da capital mineira. A direção da União de Ciclistas do Brasil foi eleira com 10 votos a favor e uma abstenção. A BH em Ciclo não se julgava capaz de emitir uma opinião durante o Fórum sem fazer consulta ao coletivo de ciclistas mineiros.

Apesar desses cargos, necessários para manter a UCB como entidade apta a dialogar diretamente do Poder Público e a cobrar desses ações em prol dos usuários da magrela, pessoas de qualquer outra associação afiliada à UCB podem desenvolver trabalhos junto a ela.

Para o Brasil, espera-se um incentivo à formação de entidades de ciclistas em municípios e a articulação para a defesa dos direitos dos ciclistas em nível federal. Talvez agora também, Santa Catarina seja ouvida e possa ser um exemplo a ser irradiado para o resto do Brasil de comunicação, proposição e articulação efetiva entre as sociedades civis, representantes de extratos da sociedade, e aqueles que possam colaborar para sanar deficiências históricas que os ciclistas enfrentam no Estado.

Atualizado em 18 de fevereiro de 2013, às 10h28.

Pedala Curitiba já percorreu o equivalente a mais de 13 voltas em torno da Terra

Desde que foi criado, em 2008, o Pedala Curitiba, evento criado pela prefeitura da cidade para proporcionar atividade física e de lazer já percorreram mais de 554.000 km sobre bicicleta, o que seria equivalente a dar 13,83 voltas em torno do Planeta Terra. Pelo menos essas são as estatíticas apresentadas por Marcelo Luis Miranda e Eduardo Galeb Junior, funcionários da Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude de Curitiba. Os dados foram passados durante palestra na manhã desta quinta-feira, 13 de fevereiro, no Fórum Mundial da Bicicleta, cuja sede da terceira edição acontece na capital paranaense.

Confira abaixo a apresentação da palestra na íntegra:

APRESENTACAO PEDALA CURITIBA NO FORUM MUNDIAL DA BICICLETA 02.2014

Para quem pedala eventualmente, fotos de diversas pedaladas podem ser vistas pelo site Cicloativismo.Com

Apresentação da Oficina de Planejamento Cicloviário do 3° Fórum Mundial da Bicicleta

Confira abaixo a parte teórica da Oficina de Planejamento Cicloviário, ministrada pelo arquiteto Antonio Miranda durante a atividade de estréia da terceira edição do Fórum Mundial da Bicicleta.

Oficina de Planejamento Cicloviário - Palestra 4Tenha acesso neste link a todo o material da oficina, incluindo guias para construção de ciclovias e manuais para implementação de política cicloviária.

Participantes do Fórum Mundial da Bicicleta terão desconto em livro

A Editora InVerso topou o desafio de publicar o livro “Minha Garagem é uma Sala de Estar”, de Luis Claudio Brito Patricio, pesquisador do Grupo Transporte Humano e cicloativista reconhecido nacionalmente. Luis Patricio é um dos membros fundadores da União de Ciclistas do Brasil e, além da coordenação da terceira edição do Fórum Mundial da Bicicleta, que vai acontecer em Curitiba durante os dias 13 e 16 de fevereiro deste ano, participou dos primeiros Encontros Nacionais de Bicicletada do Brasil.

O livro foi lançado oficialmente em 28 de setembro, na Bicicletaria.net, no Centro Cívico de Curitiba, um espaço não convencional que promove a interação entre pessoas. Em novembro, o livro esteve também no Seminário de Integração Ciclística de Camboriú e Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

E para os participantes no Fórum Mundial da Bicicleta existe um motivo a mais para não sair de Curitiba sem as 159 páginas do livro: quem estiver inscrito no evento terá desconto de 30% para levar o seu exemplar!

CAPAS MINHA GARAGEM É UMA SALA DE ESTAR LIVRO 13X19 CM 04 09 20

Confira mais sobre o livro

O trânsito de Curitiba é maior a cada dia e abrir mão do carro é uma opção cada vez mais atraente. Luis Patricio e sua família contam em “Minha Garagem é uma Sala de Estar” como se adaptaram com a vida na cidade sobre as duas rodas de suas bicicletas e as mudanças de mentalidade que essa escolha incentivou.

“Minha Garagem…” apresenta a família Patricio – pai, mãe e dois filhos – e sua curiosa rotina na capital do Paraná: não possuem carro e fazem a maioria dos seus trajetos de bicicleta. A garagem, como revela o título do livro, foi concebida desde o início para ser uma sala de estar ao ar livre, mas muitos outros valores surgiram da opção de um veículo sustentável. A preocupação com o meio ambiente, com a saúde e com relacionamento humano são alguns dos temas abordados nessa brilhante história real.

“Ao escrever este livro, a intenção não foi convencer ninguém a vender o carro e sair por aí pedalando. Nós esperamos apenas poder ser um dos muitos pontos verdes que existem por aí,” conta Luis.

Sobre a Editora InVerso

A Editora InVerso surgiu em 2004, em Curitiba (PR), com o objetivo de oferecer ao público produções com qualidade gráfica e editorial dos mais diversos gêneros literários. Está presente nas principais livrarias do Brasil e também realiza distribuição e divulgação de produtos em toda a América Latina.

Com a missão de oferecer aos leitores um maior número de opções de títulos, a Editora InVerso tem em sua essência, além da característica de identificar e lançar novos autores no mercado literário, o relacionamento de proximidade entre escritor e editora. O catálogo de produtos da Editora conta com obras de literatura infanto-juvenil, autoajuda, negócios, arte, fantasia, contos, romance, poemas, históricos, educação financeira, diário, religioso, teatral, biografia, entre outros.

Bonde Sul rumo ao Fórum Mundial da Bicicleta

Curitiba sediará, durante os dias 13 e 16 de fevereiro de 2013, a terceira edição do Fórum Mundial da Bicicleta, contando com a participação de figuras conhecidas no meio cicloativista mundial, como a cartunista Mona Caron ou o fundador do que se tornou o “Critical Mass”, em português traduzido mais comumente como “Bicicletada”.

Será muito bom voltar a ter Curitiba como centro do cicloativismo nacional mais uma vez. Entre 2008 e 2010, a cidade sediou o Encontro Nacional de Bicicletadas do Brasil. Por sinal, um resquício desse encontro estará presente no Fórum deste ano: a descida da Serra da Graciosa, circuito de cicloturismo de nível fácil que ocorrerá na segunda-feira, dia 17 de fevereiro.

Além disso, como é comum em eventos fora do país, e mesmo já ocorreu no Brasil durante a Semana Internacional da Bicicleta em Florianópolis (2008), o arquiteto Antonio Miranda, conhecido no Brasil por seus projetos cicloviários, realizará no dia 12 uma Oficina de Planejamento Cicloviário.

A partir deste sábado (8/2), ciclistas de diversos locais sairão de Florianópolis de bicicleta rumo a Curitiba para poder participar do Fórum. Além de moradores da capital catarinense, ciclistas de São Paulo devem fazer o roteiro. Alguns deles, inclusive, com renome no cicloativismo nacional. Mais uma vez, desconhece-se a participação de algum funcionário público da área da mobilidade, da saúde, do empreendedorismo ou do lazer a participar do Fórum, para tornar práticos os ensinamentos nas cidades catarinenses.

O roteiro deve passar o máximo possível longe das rodovias, utilizando-se das estradas secundárias ou mesmo de terra – a exemplo da Estrada do Café entre Biguaçu e Tijucas.

Mapa - Viagem FMB 2014

Massas Críticas catarinenses 2014

O ano de 2014 começou da mesma forma que 2013, mas com menos esperança. De fato, quanto a ações e efetividade, é como se muitos prefeitos catarinenses não tenham assumido ainda os seus mandatos. Afora as manifestações de junho e julho nas ruas, em diversas cidades do Estado os ciclistas externaram o seu descontentamento com as condições desumanas do trânsito. Muito pouco foi feito. Criciúma ganhou seus primeiros quilômetros de ciclofaixas, enquanto que Florianópolis e Jaraguá do Sul viram crescer um pouco a sua malha cicloviária, nem sempre da melhor maneira possível – ou da mais efetiva, ou da mais eficaz.

Muitos ciclistas, infelizmente, tombaram em 2013. Ou melhor, foram tombados! Florianópolis, Blumenau, Joinville, Brusque, Jaraguá do Sul, Balneário Piçarras, Barra Velha e tantas outras cidades tiveram no ano passado o sangue de um ciclista derramado em suas estatísticas. Uma cidade civilizada – uma cidade humana! -, cuja mobilidade urbana exerce a sua função de traslado de pessoas, tem que ter esse índice igual a zero. Zero mortes e nem uma a mais! Porque uma cidade boa para se locomover é aquela em que o indivíduo possa fazer a sua opção de modal sem temer pela sua segurança, sem a preocupação de não retornar à casa e à família. Sob este ponto de vista, é triste ver que essas cidades citadas falharam, enormemente, em promover a mobilidade ciclística. Falharam elas e, em muitos lugares, falharam também Santa Catarina (mortes em rodovias estaduais) e o Brasil (rodovias federais). Uma falha que custa, todos os anos, muito à coletividade e que não tem um valor que se possa precificar nos corações  e lembranças que sobre a terra ficaram, saudosos.

O que mais gera receio, entretanto, é ver muito pouca coisa realmente sendo feita para melhorar a vida “das pessoas”. É ausência de projetos bons e falta de vontade em ir atrás deles. É o colapso do trânsito sendo gestado *ou não) agora pelos administradores.

O povo, sofrido, pede, portanto, mais. E, como tem feito nos últimos onze anos e meio, vão às ruas. Até porque o Brasil não acordou apenas em 2013. Os ciclistas, ao menos, estão nessa sina há muito mais tempo!

Veja, portanto, com atraso admite-se, a relação de Bicicletadas que estavam previstas para ocorrer na última sexta-feira do mês de janeiro em solo barriga-verde.

Blumenau

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Artes: Yasna Muñoz Catalán

Os ciclistas de Blumenau têm um motivo extra para protestar. A Rua Fritz Spernau, popularmente conhecida como Rua da Coca-Cola, um importante eixo entre os bairros Itoupava Norte e Fortaleza ainda não teve a sua ciclofaixa implantada, quase quatro meses após o término das obras carrocráticas de sua revitalização.

Brusque

Brusque 2014-01-31

Notícia triste é que um participante da Bicicletada Brusque fora atropelado na quinta-feira, 30 de janeiro, véspera da pedalada. Ele encontra-se hospitalizado.

Chapecó

Chapeco geral v2

Com concentração a partir das 18h30 na praça da Catedral, a Bicicletada de Chapecó assumiu seu protagonismo em prol da cidadania e seguiu até o Centro de Convenções, onde haveria a audiência pública final para a aprovação do Plano Diretor do município.

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Florianópolis

A Massa Crítica da Capital teve como tema o verão. Saída às 19h da pista de skate da Trindade. Concentração a partir das 18h.

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Joinville

Joinville realiza a sua Massa Crítica com relativa regularidade, embora não tenha sido possível obter com precisão se em janeiro seria realizada a pedalada na maior cidade catarinense.

Mas o município mal comemorou a lei que cria a Semana Municipal da Bicicleta e já houve um incidente muito mais grave envolvendo os ciclistas joinvillenses. Apesar de a legislação federal pregar a intermodalidade, e embora fosse consenso entre os demais usuários do ônibus envolvido, um ciclista foi agredido por policiais na cidade após adentrar o coletivo com a sua bicicleta. A entrada do ciclista no ônibus aconteceu logo após um protesto contra o aumento da tarifa do transporte público, em pleno mês de janeiro.

A Bicicletada Joinville lançou uma Nota Oficial de repúdio sobre o ocorrido. O atual prefeito de Joinville, o empresário Udo Döhler (PMDB), cancelou a licitação do transporte na cidade. Nas audiências públicas, a intermodalidade foi levantada por diversos cidadãos, que foram solenemente ignorados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (IPPUJ).

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