Cow Parade Cycle Tour – Percurso Oeste

6 fevereiro 2010

Antes de seguir para o percurso que faria de bicicleta olhando e fotografando as esculturas da Cow Parade, recebi a notícia: eu iria fazê-lo sozinho. Meu colega de aventuras ficara, na véspera, preso no trânsito vindo de Itu para São Paulo. Fê-lo de carro e chegou cansado tarde demais em casa. Tivesse feito de bike, teria chegado apenas cansado! :P

Pois bem, segui para o percurso oeste pré-definido. Comecei pegando a Radial Leste e, para minha surpresa, ela estava completamente parada já no local onde a adentrei. Costumo pegar a pista externa e o semáforo para pedestres nesse ponto (não há entrada para veículos na pista externa lá) é completamente desregulado. Costumo esperar duas viradas de semáforo, a primeira da qual passo três pistas (umas 9 faixas de rolamento), só para começar a pedalar na Radial. Desta vez, não tive problemas com isso. Como a pista estava parada, entrei prontamente.

Segui para a Praça da Sé e, depois, para a Praça do Ciclista. Uma coisa que me impressionou foi a quantidade de ônibus parados. Mais da metade dos que vi não andavam. Li depois que houve uma paralisação parcial na Zona Sul, mas foi na Zona Leste, próximo ao Terminal Parque Dom Pedro II onde as filas de ônibus mais me chamaram a atenção. A Av. Paulista, bem como as demais ruas, estava lenta para os automóveis, mas rápida às centenas de milhares de pessoas que passavam por lá à pé no começo da manhã.

Viaduto na R. do Paraíso para acesso à Av. Paulista completamente congestionado.

A primeira obra do dia foi a Soja e MUUUito Mais. Por incrível que pareça ela era que estava próxima à Praça do Ciclista, e não a Cicowvia. Ela mostra um bovino esverdeado bebendo um suco de caixinha de canudinho.  Em seu abdomên, várias frutas eram visíveis por trás de uma barreira transparente.  Todos detalhes causavam  a sensação de estarmos em meio a um recanto da natureza dentro da selva de pedra, de algo bem natural mesmo. Não achei que o nome tivesse muito a ver com o que a obra representava, bem como ele e os desenhos na caixa de suco me parecem constituir um apelo mercadológico enorme à AdeS, que patrocinou a obra. Ok, eu confesso que adoro os sucos AdeS, mas creio que não precisava de tanto para divulgar a marca, ainda mais da maneira forçada como foi. O suco combina com elementos naturais, mas, da maneira como ficou, fica até distorcida a proposta de arte de rua da Cow Parade.

A vaca Soja e MUUUito Mais já tem grande visibilidade por estar na Av. Paulista.

Como não estava de carro, passei a R. da Consolação e entrei com facilidade pela Av. Dr. Arnaldo. Até o acesso à Rodovia Castelo Branco, era mais uma das ruas tomadas por automóveis parados, com a desvantagem de ter uns bons buracos no asfalto. Fiz um desvio na R. Oscar Freire e não encontrei nada. Depois que fui checar descobri por quê. A 18 Cowlates era uma das vacas em manutenção naquele dia. Peguei a Paulo VI e Sumaré e entrei pela Av. Dr Arnaldo novamente. Como bom conhecedor da cidade que não sou, peguei o sentido errado e só percebi várias quadras depois já na Av. Rebouças. Recomecei, então.

Peguei a R. Heitor Penteado até as imediações do Metrô Vila Madalena. Lá perto estava a Kowlômetros, toda ornamentada. Estradas sem fim percorrem todo o corpo da vaca, e nelas se vêem alguns carrinhos e várias árvores. Detalhe para a idéia de simulação de túneis nos cascos. Ah, como nós ciclistas, que somos sempre obrigados a dividir o terreno com bons e maus motoristas, gostamos da idéia de deixar os carros embaixo da terra, deixando a superfície livre para árvores e pessoas respirarem um ar não poluído. De uma maneira geral, fiquei satisfeito com essa vaca (mas claro que ficaria mais ainda se os Kowlômetros fossem percorridos de bicicleta; passariam-me a sensação de liberdade que experimentamos ao pedalar pelas estradas sem fim em meio à natureza, procurando contemplação e autoconhecimento).

A Kowlômetros fica num posto de combustível...

Lá no posto onde a Kowlômetros estava perguntei sobre a outra obra que estava próxima. Ela ficava a um quarteirão dali, mas ninguém a tinha visto. Fui até o UseBike da Vila Madalena e nem a atendente de lá sabia onde aquela estava. O endereço que tinha não mentia: a escultura teria que estar na praça diante da qual estava o bicicletário. O que eu não imaginava é que ela estaria debaixo da praça! Ela estava num dos corredores da estação do metrô.

Era a Vaca Telúrica, representando o bovino deitado na relva. Havia um espaço onde as pessoas poderiam descansar, sentando num espaço destinado a isso no dorso da escultura. Depois de um tempo, fiquei a pensar em qual seria a origem do nome. Telúrico, na astronomia, é relacionado à Terra e usado para designar, por exemplo, planetas rochosos, com grande densidade, assim como a Terra, em contrapartida aos gigantes gasosos como Júpiter, a estrela que não vingou. Da mesma maneira que é se relaciona com o nosso planeta, relaciona-se também com a terra, o solo. Isso explicaria o porquê de a vaca estar deitada e também as figuras que adornavam as “paredes” da “cadeirinha”. Pesquisando na internet, místicos divulgam a existência de uma radiação telúrica, que teria origem nas águas subterrâneas e das quais teríamos que entendê-la para fugir de seus efeitos nocivos à nossa saúde. Se fosse esse o motivo do nome, as pinturas poderiam indicar o quanto teríamos que entender sobre o nosso planeta cada vez mais doente por inconseqüência nossa.

O origem do nome da Vaca Telúrica ainda é um mistério, mas de onde veio esse capacete não.

Ali no UseBike, a atendente me falou que saiu uma reportagem no Metro sobre a Cow Parade. Mostrou-me-a e, para a minha surpresa, era justamente a vaca ciclista que ilustrava a matéria.

A próxima escultura avistada era uma das mais esperadas do dia: a Cowgestionamento. Estava toda protegida, provavelmente porque o pessoal interagia até demais com ela. Estava repleta de fusquinhas de brinquedo. Provavelmente, aliás, não cabia mais nenhum sequer ali. Isso acontece tanto em São Paulo quanto em Florianópolis. Não há como manter o atual volume de vendas de  automóveis simplesmente porque não há mais espaço disponível para eles nas ruas e não há como abrir vias indefinidamente num planeta finito.

Um detalhe curioso é que foi um rapaz de bicicleta quem tirou minha foto ao lado da escultura, após uma pessoa de maior idade ter-se enfezado por não conseguir manipular câmera.

A Cowgestionamento observa os formadores de engarrafamento a entupir as vias.

Dali, peguei a R. Aurélia e a R. Guaicurus até o Terminal Lapa. Fiquei parado em quase todos os semáforos da R. Aurélia, que não estão sincronizados para os ciclistas. O lado bom é que os automóveis também não adquirem grande velocidade nessa via. Desmontei da bicicleta para poder entrar no terminal e fui até onde estava exposta a Cowmarim, uma vaca com… corcova! Não, não era um dromedário ou algum outro camelídio. Do dorso da Cowmarim sai um espelho, no qual os passageiros podem se ajeitar enquanto esperam pelo ônibus.

Aposto que o espelho dessa vaca esperava refletir uma imagem mais bonita.

Em vez de fazer o caminho pré-programado e subir para o Planalto Paulista, sugeriram-me margeá-lo para chegar ao Bourbon Shopping pela R. Faustolo em vez de subir para descer novamente. Pois bem, foi o que fiz. Peguei duas quadras pela contramão  para chegar à Av. Francisco Matarazzo. Vi como é ruim cruzar a R. Turiassu com a Av. Pompéia, pela falta de sinaleiras luminosas.

No shopping, deixei a bicicleta no UseBike dentro do estacionamento. Subi três andares até visualizar a Vaca Bumba, a mais enfeitada dentre as vistas naquele dia. Vários detalhes numa profusão de cores. Imaginando os dias seguidos de chuva que a metrópole tem enfrentado, até que fiquei contente por ela estar abrigada das avarias que o clima pode proporcionar. E triste ao mesmo tempo por não estar visível para quem está na rua simplesmente a caminhar.

Três rapazes olham a fêmea pronta para o Carnaval, imaginando-a ser mais uma vaca. Dessa vez, eles acertaram.

Cruzei o Vd. Pompéia e entrei na Av. Mq. de São Vicente. Era incrível como, naquelas ruas nos arredores do Estádio Palestra Itália não faltavam áreas verdes, inclusive palmeiras. Olhava para baixo e asfalto brilhava, olhava acima o Sol à pino. Até veio a calhar encontrar a Leite de Pedra, localizada à beira da sarjeta. Já tinham me avisado que parecia que a vaquinha estava voltada para os motoristas verem e realmente está. A placa dela está bem de frente à sarjeta. Resolver essa questão é fácil, basta apenas girá-la 180º que resolve boa parte desse mau posicionamento. Metade das minhas fotos foram feitas na rua, algumas na segunda faixa da pista.

A Leite de Pedra fez-me lembrar Baco, deus romano do vinho – e de outras coisinhas mais… hmmm -, com sua pintura em alusão ao suco fermentado da uva. Outra coisa ruim quanto ao fato de ela estar voltada a quem estar de carro é essa associação perigosa entre bebida e direção.

Um brinde com garrafinha de água ao protetor dos parreirais. De bicicleta não tem Lei Seca, mas preste atenção na sarjeta!

Peguei a Av. Sumaré e parei numa feirinha para tomar suco de laranja. Durante todo o dia eu bebi muita água, inclusive de torneira (quase toda a água encanada de São Paulo, inclusive a da descarga da privada, é potável). Ingeri bastante líquido para evitar a desidratação. Lembrava da sensação que tive durante uma pré-insolação ao subir a Serra Geral catarinense e sabia que, se a tivesse novamente, começaria a perder gradativamente a coordanação motora, correndo riscos em meio ao trânsito.

Enfim, cheguei à vedete do dia, a vaca mais almejada pelos ciclistas, a Cicowvia. Por mais incrível que possa parecer, ela não pedalava uma bicicleta. Numa das patas traseiras, uma caramanhola. Na cabeça, um capacete. Nas aurículas, fones de ouvido ligados a um MP4 player ou similar preso na pata dianteira. Ela simbolizaria tanto uma vaca andando de bicicleta quanto de patins ou até mesmo de skate. O único indicativo de ser um bovino pedalante era uma tatuagem de bicicleta na nádega esquerda. Convenhamos de que é um bom indicativo… Um alerta que esta vaca lembra-me  fazer é justamente quanto ao uso de fones de ouvido. Não se deve pedalar com som muito alto ou atendendo ao telefone celular. Tanto uma quanto outra ação distraem o ciclista quanto aos indicativos sonoros do trânsito.

Quem vai mais rápido: a vaca ciclista ou o cara fantasiado de ciclista?

Como estava com disposição, enfrentei a subida da R. Bartori para chegar à R. Cayowaá e depois as ladeiras desta rua para encontrar o local indicado no mapa para visitar a próxima obra. Para a minha surpresa, não havia nenhuma vaca lá. Esta vaca, bem como aquela localizada no meio da Av. Pompéia, estão colocadas erroneamente no mapa oficial da Cow Parade. Encontrei-as pela localização precisa do número da rua. Antes de procurar pela Cayowaá segui à Pompéia. Começou a chover forte, uma chuva que avistei desde a Cicowvia e que parecia ser rápida, e logo parei num restaurante natural para comer um açaí na tigela, que seria o meu almoço. A chuva parou antes de eu finalizá-lo. Ainda bem! Estava quase atrasado para chegar ao Museu do Futebol às 16h. Descobri lá o erro na posição da vaca da Pompéia e pedalei umas quadras morro abaixo, os quais subi posteriormente.

À minha frente, uma ode à São Paulo acolhedora. A Vaca Tatoo mostrava o coração a pulsar em São Paulo, relação de amor e ódio à metrópole multicultural expressa no “couro” mamífero.

O coração pulsa no coração do paulistano. Ainda mais se ele estiver de bicicleta!

Voltei à R. Cayowaá e desci-la. Próximo à Turiassu, muito perto de onde eu já havia passado, estava a Princesa da Primavera, vaca rosada com motivos florais e inúmeras borboletas, sem esquecer dos corações que enrubrecem os namorados após gélidos invernos. Há alguns danos na pintura e na decoração dessa vaca. Observados por policiais de, pelo menos, cinco viaturas estacionados num posto de gasolina, três rapazes  lá de Francisco Morato ou Franco da Rocha puxaram conversa comigo sobre a vaca. Depois de um tempo, pedi para um deles me fotografar. Depois disso, segui meu caminho enquanto eles voltavam a fazer malabarismos no semáforo fechado.

Será que os garanhões daqueles policiais gostaram da vaca? (Observação: como o irmão do Fabiano achou a legenda muito homossexual, é bom frisar que os policiais estão à cavalo e são estes os garanhões!)

Pegando a Av. Sumaré novamente encontrei a Vá Carbono e a chuva. Demorei o dia inteiro para perceber que eu deveria tê-la pronunciado VACArbono. Coitadinha, ela estava bem escondida em meio ao estacionamento do posto de gasolina. Mal havia espaço para fotografá-la direito. As patas tinham tons marrons lembrando os troncos de árvores, que cresciam e mostravam a copa no corpo bovino. Acima disso, colorações azuis-claras davam a dimensão do céu. As árvores nutrem-se e expandem-se consumindo o carbono que lançamos diariamente na atmosfera. Nas cidades, o principal emissor de carbono é o ineficiente transporte motorizado. O incrível é que uma alimentação vegetariana, como as das vacas (herbívoras), emite também menos gases-estufa do que uma alimentação carnívora, que consome as vacas (literalmente…).

Comparação de eficiências. O que emite menos carbono: um ciclista, uma vaca ou um automóvel?

A chuva começou a apertar. Segui a sugestão de chegar ao Pacaembu por dentro, evitando grandes vias e, principalmente, morros. Durante poucos minutos, molhei-me um tanto. Passei ao lado de uma voçoroca, onde  se via claramente o deslizamento de terra. Tive também a primeira das duas aquaplanagens do dia. Foi perigoso e… legal.

Cheguei ao Museu do Futebol, no Estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), e abriguei-me lá da chuva. Estacionei meu veículo no bicicletário e peguei o ingresso gratuito para visitar as atrações. Fui direto para as alas onde menos tempo passara da última vez. Não tive sorte: acabou a eletricidade em quatro oportunidades. Mesmo assim vi o s campos virtuais de futebol, aliás, melhores que o da Campus Party, e tirei a tradicional foto após o gol.

O ciclista marcou um gol, mas não foi de bicicleta.

Bicicletário. Há espaço para bicicleta no Museu do Futebol.

Ao sair do Museu, as boas notícias: parava de chover e ainda estava claro. Fui em direção à Praça Vilaboim encontrar-me com a última vaca do dia, Pegue Sua MUUUchila e Vá Surfar. Ok, o nome foi um pouco forçado, mas achei a idéia dessa escultura bem legal e ajuda, indiretamente, a promover a loja de roupas e acessórios de surfe que a patrocina (Rusty) sem descaracterizar tanto a arte urbana quanto a Soja e Muuuito Mais. Ficou instigante, ao mesmo tempo em que não ficou por demais mercadológico.

Eu gostei da localização desta escultura também, apesar de a plaquinha dela estar virada para a rua. Mesmo com o trânsito intenso do horário do rush, o movimento de automóveis não era tão intenso por ali. Havia uma pracinha dali há apenas uma faixa de rolamento, o que facilitava na hora de tirar foto sem se pôr em perigo. Do lado virada à Praça Vilaboim, é difícil fotografá-la, devido às barras de ferro que circundam os jardins, mas isso não é um grande impedimento. De uma maneira geral, ela se integrou muito bem à paisagem.

Há duas bicicletas atrás dessa vaca. Será que ela vai usar uma para ir até a praia? Se ela for, eu vou junto! Só não vale fazer pneu vegano no meio da Serra do Mar. Até porque ela vai comer todas as folhas do pneu...

Peguei a R. Sergipe antes de seguir pela R. da Consolação. Chegando no Vd. Jacareí, uma perua branca (ECP 3674 cf.) foi o veículo que mais perto passou de mim em minha vida. Pena que ela estava indo em direção à Zona Leste. Margeei a Praça da Sé e peguei a Av. Rangel Pestana. Minha intenção era ir na R. Piratininga e pegar a Radial Leste junto à R. dos Trilhos e segui daí para casa. Mas acabei passando a entrada e, quando vi, já estava na R. Bresser. Acontece que é muito mais sossegado ir por esta rua; eu não imaginava que ambas se cruzavam. No Vd. Bresser, vários carros buzinavam e quatro passaram a alta velocidade perto de mim. Resolvi ir mais ao meio da pista. Um carro buzinou, acenei que não iria dar passagem (nem dava, iria ser outro louco passando rápido rente a mim para ficar no sinal fechado à frente). Ele mudou de pista (como é difícil, não?), acelerou e parou no semáforo. Sei que saí antes dele, ele ficou parado num semáforo mais à frente e eu segui em frente, chegando pouco depois em casa.

O que mais me entristece é que é provável que eu tenha estudado com alguns desses motoristas ou caronas. Se acontecer um grave acidente, não quero nem imaginar a cara do motorista.

Veja mais (e melhores) fotos do percurso oeste da Cow Parade.

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

Cow Parade – site oficial do evento.

Veja também:

Curtomentário Cow Parade SP – Cicowvia
Curtomentário Cow Parade SP – Cowgestionamento

Notícias relacionadas:

(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção


Cow Parade, o Circuito das Vacas

3 fevereiro 2010

No dia de seu aniversário, a cidade de São Paulo se viu tomada por dois seres distintos, nas quais as pessoas  ditas “normais” não costumam prestar muita atenção. Próximo ao Estilingão à Ponte Estaiada Octávio Frias de Oliveira, famosa por ter sido construída para ligar um congestionamento a outro, nenhum carro trasladava-se ao outro lado do agonizante Rio Pinheiros. As pistas estavam fechadas para a passagem de cerca de 6500 ciclistas, estes seres corajosos que insistem em não se fechar para o mundo, em não se autopunir trancafiando-se em veículos cerrados. Estes cavaleiros em bicicletas puderam, durante algumas horas, serem plenamente notados, constituindo uma massa crítica de alegria contagiante, ganhando o respeito e a admiração de todos os que os viam. Até mesmo dos motoristas que, cotidianamente, não percebem a existência de milhares de ciclousuários espalhados pela cidade dia-trás-dia.

Apesar de animais de carga serem proibidos de circularem pelo centro expandido paulistano, dezenas de vacas ali se instalaram e prometem lá ficar até final de março. As esculturas de mais de 70 bovinos foram às ruas para mais uma edição da Cow Parade. As vacas, feitas em fibra de vidro, despertaram logo no início curiosidade nas pessoas que se deslocavam pelas ruas e calçadas da metrópole. A Cow Parade é um dos maiores eventos de arte de rua do mundo, apesar de críticas quanto à qualidade das obras expostas e do apelo mercadológico de algumas das esculturas, que dariam mais atenção aos anseios propagandísticos do patrocinador (cada vaca tem o apoio de uma empresa) do que à estética ou ao poder de reflexão e interação que a arte é capaz de gerar nas pessoas.

E o quê esses eventos têm em comum? Nossa idéia é conhecer de perto cada uma das esculturas e, para isso, será utilizado o veículo mais eficiente energeticamente já inventado: a bicicleta. Analizando a localização das vacas, a relação entre obra e empresa patrocinadora, o próprio tema de cada uma delas, podemos fazer uma crítica fortemente embasada e formular uma opinião pela construção e desconstrução de nossos próprios conceitos.

Faremos o Cow Parade Cycle Tour em quatro dias, um para cada um dos percursos abaixo:

- Oeste
- Centro-Leste (incluindo Zona Norte)
- Centro-Sul
- Sul

Confira o mapa oficial de localização das vacas da Cow Parade São Paulo e sobreponha aos mapas dos caminhos sugeridos para ter uma noção das rotas.

Após cada vaquejada, ir-se-á a algum ponto cultural ou de lazer. Estão previstas passagens pelo Museu do Futebol, Museu dos Transportes, Parque do Ibirapuera e Jardim Zoológico. Nem sempre as rota indicam os melhores caminhos para todas as pessoas, são apenas sugestões pessoais para os deslocamentos, de acordo com o previsto para cada dia. Há também que se considerar que, com as chuvas que castigam São Paulo há mais de 40 dias seguidos, volta e meia as obras voltam ao galpão para retoques e retificação de avarias. Através do Twitter (@cowparadebrasil), a organização tem informado sobre quais vacas não estarão às ruas paulistanas.

A primeira boiada será fotografada já nesta quinta-feira, seguindo o percurso oeste, aproveitando que, às quintas-feiras, o Museu do Futebol tem entrada franca.

Para saber quando sairemos para os demais percursos, acompanhe o nosso Twitter (@bicicletanarua), ou veja na barra ao lado as novidades postadas lá.

Fabiano Faga Pacheco


Bom exemplo para o trânsito de Ganchos

26 janeiro 2010

A reportagem abaixo foi originalmente publicado no Jornal Notícias do Dia, versão de Biguaçu, em 08 de janeiro de 2010 (pág. A3). A matéria pode ser vista em .png aqui.

Notícias do Dia - logo

Ganchos. Quem estacionar em local proibido será multado

Mais segurança para os turistas

Reunião que durou quase  três horas na Casa Paroquial de Governador Celso Ramos, em Ganchos do Meio, entre as autoridades do município e o 24º Batalhão da Polícia Militar, serviu para definir ações para manter o balneário como o mais seguro do Estado pela quarta temporada consecutiva, segundo relatório da Santur. “Queremos manter o balneário do município como o mais seguro. Para isso, colocaremos mais um trailer na Praia de Palmas e teremos a presença permanente do capitão Sandro. O município comprou 200 placas de sinalização de ruas e virá mais uma moto para ajudar nos trabalhos”, afirma o tenente-coronel Heriberto Rocha Peres.

De acordo com o prefeito Anísio Soares (PMDB), a partir de hoje serão colocadas 100 placas de proibido estacionar. “As pessoas que estacionarem em local proibido e atrapalharem o trânsito da cidade serão multadas e guinchadas. Por isso, peço aos policiais que deem a atenção necessária para esses casos e todos os outros que prejudicam o turismo da nossa bela cidade”, afirmou.

Prevenção. Com mais de três horas de duração, reunião entre autoridades e PM definiu reforços no policiamento.

O comandante da PM (Polícia Militar) na Comarca de Biguaçu definiu como positivo o encontro em que estiveram presentes autoridades e representantes da comunidade. Segundo o comandante, o prefeito Anísio pretende delimitar os horários para o comércio na cidade para até 24h na Operação Veraneio. “É uma postura radical que deve servir de exemplo para outros municípios; uma medida antipática, mas que salvará muitas vidas”, avalia Peres.

Veja também:

Governador Celso Ramos (SC): estrada boa para que tráfego?


Palhoça: Pedestres em segundo plano no Aririú

25 janeiro 2010

O recorte de reportagem abaixo foi originalmente publicado no Jornal Notícias do Dia, versão de Palhoça, em 15 de dezembro de 2010 (pág. A2). A matéria, na íntegra, pode ser vista  em .png aqui.

Notícias do Dia - logo

Pedestres ignorados nas ruas

Lombadas. Motoristas aproveitam a falta de fiscalização e abusam da velocidade na área urbana

Há quase dois meses desligadas, as lombadas eletrônicas fazem falta para o processo de humanização do trânsito na área central e bairros de Palhoça, principalmente aos pedestres que transitam pela avenida São Cristóvão, no Aririú. Comerciantes e moradores locais reclamam da alta velocidade dos motoristas na via, aumentando os riscos de acidentes.

Aririú. Avenida São Cristóvão, a principal do bairro, não tem fiscalização contra motoristas apressados. Foto: Washington Fidélis/ND.

De acordo com relato de moradores, já houve dois atropelamentos desde que o equipamento parou de funcionar. “Às vezes, a gente tem que ajudar algumas pessoas mais velhas a atravessar, é um perigo”, relata Marilene da Silva Pinho, 36 anos. Segundo ela, até mesmo alguns motoristas de ônibus têm exagerado na velocidade. “Por causa da alta velocidade, eles nem param nos pontos para os moradores. Não dá tempo”, diz Marilene. Ela também reclama da ausência de faixas de pedestres.

Pressa. Marilene da Silva Pinto diz que nem os ônibus param no ponto. Foto: Washington Fidélis/ND.

A comerciante Ana Cláudia Truppel, 26 anos, também está insatisfeita com a situação. Segundo ela, a proximidade com um santuário faz com que a rua seja movimentada. “Eles querem que a gruta seja ponto turístico, mas não pensam na viabilidade disso”, comenta, insatisfeita. Ainda neste ano, segundo Truppel, foi solicitada à prefeitura a criação de um redutor de velocidade, a 100 metros da lombada eletrônica desligada. Atualmente, há uma placa indicativa no local, mas a lombada ainda não foi implantada.

Faixa. Ana Cláudia Truppel confirma que falta segurança aos pedestres. Foto: Washington Fidélis/ND.

De acordo com o superintendente de trânsito, Luiz Carlos Duncke, a previsão é de que as lombadas voltem a funcionar em janeiro do próximo ano [2010]. “Anteriormente, a população reclamava das lombadas, dizendo que eram caça-níqueis, agora todos reclamam para que voltem a funcionar”, diz. As 18 lombadas eletrônicas arrecadavam, em média, R$ 80 mil por mês. Para o próximo ano, mais 20 equipamentos devem ser instalados.


Para não esquecer – Ciclovia na Lagoa da Conceição é urgente

21 janeiro 2010

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal da Lagoa, na segunda quizena do mês de agosto de 2009. Você pode conferir a reportagem em .png aqui.

Ciclovia é urgente

Movimento. A ciclovia pode ser uma possibilidade de via para transporte

O Movimento Ciclovia da Lagoa Já é o resultado de 12 anos de organização dos moradores do Porto da Lagoa através da AMPOLA (Associação dos Moradores do Porto da Lagoa), pela construção de ciclovias ao redor da orla da Lagoa da Conceição, em especial na Rua Osni Ortiga. Os responsáveis pela direção do movimento são Gilson Ruiz, Luis Amilton Moura Ferro e Daniel Costa.

A Avenida Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição, vai ganhar ciclovia e passeios para pedestres. As obras de revitalização devem custar cerca de R$ 1 milhão e o projeto nal será apresentado para os moradores da Capital no dia 5 de setembro.

A ciclovia Rota 9 terá uma extensão de 3,2 quilômetros, sendo dois de vias exclusivas para bicicletas e 1,2 quilômetro de via compartilhada de baixa velocidade. A faixa vai ligar a Avenida das Rendeiras, principal acesso às praias do Leste de Florianópolis, ao Rio Tavares, na região Sul.

O Poder público decide construção

O vice-prefeito e secretário de Transportes, Mobilidade e Terminais, João Batista Nunes, e o secretário de Obras, José Nilton Alexandre, reuniram-se com representantes comunitários da região da Lagoa da Conceição para discutir a obra de revitalização da avenida Osni Ortiga. O encontro aconteceu no gabinete do vice e contou ainda com a presença do vereador Renato Geske (PR) e técnicos do IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), órgão responsável pela elaboração do projeto final.

Segundo Gilson Ruiz, ainda não foi decidido nada na audiência de 5 de agosto. “A verba já esteve programada no orçamento, mas na hora da execução é direcionada para outras necessidades. A Ampola já entregou abaixo assinado e uma cópia do anteprojeto nas mãos do prefeito”, diz o militante.

União. Bicicletada já é tradicional. Foto: Jonatha Junge/Divulgação/JL.

O projeto para construção da ciclovia já existe há 15 anos e não é isolado. A Lagoa da Conceição é o segundo cartão postal de Florianópolis, cando atrás somente da ponte Hercílio Luz. O bairro não tem um passeio decente, com iluminação ou segurança na orla.

A ciclovia pode ser um meio de transporte. A Lagoa é um centro comercial, com mão-de-obra, estudantes, escolas. O projeto da ciclovia vai além do lazer. Com a ciclovia é possível levar as crianças à escola. Os carros estão invadindo as ruas. Todo o planejamento da cidade está em função do carro, o programa Tapete Preto visa favorecer somente o carro. “É uma tentativa de inverter a visão, humanizando o transporte. Florianópolis tem potencial para construção de ciclovias, encher a capital de estradas não adianta nada”, diz Luiz Moura.

Para o movimento a luta é muito ampla. Quem anda de bicicleta pode usar para trabalhar ou para o lazer, passeio e não favorece nenhuma classe social. Até mesmo cadeirantes podem usar o espaço ou pais com seus
carrinhos de bebê.

Projeto prevê instalação de lombadas eletrônicas

Outra preocupação tratada no encontro foi a segurança e a velocidade dos veículos na avenida. De forma emergencial, a Secretaria dos Transportes se comprometeu a viabilizar a colocação de placas de trânsito estabelecendo 60 Km/h como velocidade máxima.

É preciso mobilizar a comunidade para pressionar as autoridades para que forneçam uma resposta. O movimento Ciclovia na Lagoa Já é apartidário, mas não é apolítico. Todo o segundo sábado de cada mês é realizado o bicicletaço. Dia 26 de setembro irá acontecer o passeio ciclístico da Primavera. Venha, participe!

Saiba mais:

Os avanços da ciclovia
Audiência Pública na Lagoa
Projeto da Ciclovia da Rua Osni Ortiga
Projeto da Ciclovia
Florianópolis implantará ciclovia na Lagoa
A reunião com os secretários da Prefeitura
A audiência pública na AMPOLA

Veja também:

Veja como foi o primeiro Passeio Ciclístico da Lagoa.

Relatos:

Bicicleta na Rua
Jornal da Lagoa
Jornal Notícias do Dia
Movimento Ciclovia na Lagoa Já

Fotos:

Ana Carolina Vivian
Caminhos do Sertão
Ciclista Fabiano

Vídeos:

Bicicleta na Rua
Daniel de A. Costa
Lagoa Virtual
Patrola – RBS TV/Globo

Problemática:

Bicicleta na Rua
Caminhos do Sertão
Jornal da Lagoa
Jornal Notícias do Dia
Movimento Ciclovia na Lagoa Já


Museu da Bicicleta

20 janeiro 2010

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no caderno Plural do Jornal Notícias do Dia, versão de Joinville, em 06 de janeiro de 2010. A matéria pode ser vista também em .pdf aqui.

Memória. Museu da Bicicleta de Joinville completa uma década de fundação este ano

Pedaladas pela história

O paulista Valter Busto, coordenador do Mubi (Museu da Bicicleta de Joinville), é apaixonado pelas bicicletas desde quando ganhou sua primeira, aos seis anos de idade. A sensação de liberdade e de poder descobrir o mundo em cima de uma magrela mexeu com a cabeça de Valter, que passou a colecionar bicicletas e tudo a elas relacionado.

Esta história que começou em São Paulo e acabou em Joinville, com a criação do Museu da Bicicleta, inaugurado em 9 de março de 2000, será contada em uma exposição que comemora os dez anos de implantação do Mubi na cidade. “Os joinvilenses têm uma ideia de como o acervo foi montado, mas não sabem de tudo, das peculiaridades”, fala Valter.

Enquanto morava na capital paulista, Valter Busto guardava as bicicletas dentro da própria casa. “Era uma bagunça. Tinha bicicletas no quarto, na cozinha, não conseguia nem me mexer direito”, lembra. “Os donos de bicicletarias em São Paulo me ligavam dizendo que tinham coisas para mim. Eu ia buscar de Gurgel XTR 1979 e colocava as bikes em cima”, conta.

Essas lembranças e tantas outras estão fotografadas e vão compor a mostra fotográfica que reproduzirá imagens captadas pelo coordenador enquanto era colecionador e formava o acervo que tem hoje, no qual nem Valter tem uma noção exata do número de peças.

“Em exposição temos 102 bicicletas, mas ainda temos centenas na reserva técnica, sem contar as coleções de miniaturas, buzinas, faróis e quadros”, enumera Valter. A exposição ainda não tem data para ser inaugurada, mas deve ser aberta ao público nas comemorações do aniversário de Joinville.

Além disso, a mostra vai apresentar outras exposições feitas pelo coordenador, como da primeira vez em que esteve na cidade, em 1996. “Criei a exposição Clunker: a História da Montain Bike, realizada na Expoville”, çembra. A partir daí, surgiram os primeiros contatos com o Instituto Joinville 150 Anos, que trouxe Valter Busto e seu acervo para o município, em 1999.

Coleção. Valter Busto criou o museu com o acervo de centenas de bicicletas que guardava em sua casa, em São Paulo. Foto: Joyce Reinert/ND.

Para os próximos dez anos

Valter Busto se diz muito feliz pela cidade ter aceitado tão bem o museu, que, apesar das dificuldades, é reconhecido internacionalmente. “Sou muito grato aos joinvilenses”, agradece o coordenador. Para o futuro, Valter gostaria de ter um espaço ainda maior do que o museu tem hoje.

“Tenho muitos catálogos, fôlderes, projetos de bicicleta e papéis históricos. Pretendo abrir uma biblioteca especializada e mais espaço para expor ainda mais peças”, sonha o coordenador. “Espero, ainda, os novos monitores de museus, para podermos acabar com o problema de o Mubi ficar fechado para visitação aos fins de semana”, acrescenta.

A exposição que celebra os dez anos do museu no município vai, ainda, apresentar novas bicicletas que fazem parte do acervo. Uma delas é a Soft Ride, pedalada pelo triatleta Fernanda Keller durante o Iron Man do Havaí, em 1994. “Na ocasião, ela conquistou o terceiro lugar, sendo a melhor brasileira no Iron Man do Havaí”, ressaltaValter.

Esporte. Bicicleta usada no Iron Man disputado no Havaí. Foto: Joyce Reinert/ND.

Outras novidades são as bikes criadas pelo artista paulista Israel Nicolau. Uma delas foi elaborada com 580 porcas de 28 milímetros, soldadas umas às outras. Valter Bustos já experimentou todas as bicicletas expostas e diz ter o prazer de poder pedalar “uma Peugeot 51, uma Peugeot 54, uma Caloi 10 e uma Monark 1956, que tem uma caixa para quando eu preciso carregar água ou compras”.

Arte sobre rodas. Criação do artista paulista Israel Nicolau. Foto: Joyce Reinert/ND.

Serviço | Funcionamento
O quê: Museu da Bicicleta de Joinville
Onde: rua Leite Ribeiro, s/n, ao lado da Estação Ferroviária
Visitação: neste mês de janeiro, de segunda a sexta das 12 às 18h

Fernanda Ourique

Saiba mais:

Museu da Bicicleta de Joinville – site do MuBI

Veja também:

Museu da Bicicleta de Joinville – texto do site Ciclovenção Urbana.

serviço Funcionamento
O quê: Museu da Bicicleta de
Joinville
Onde: rua Leite Ribeiro, s/n, ao
lado da Estação Ferroviária
Visitação: neste mês de janeiro,
de segunda a sexta das 12 às 18h

1 ano sem Márcia

17 janeiro 2010

Homenagem à ciclista Márcia Prado, feita na última quinta-feira, 14 de janeiro, nas praias do Jardim Guilhermina, na Praia Grande, SP.

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

Márcia Prado, presente! – Apocalipse Motorizado
Márcia Vive! 1 ano de saudades – CicloBR

Veja também:

Uma justa homenagem – hoje, a rota cicloturística que leva os paulistanos ao mar leva o nome de Márcia Prado.
A última viagem com a Márcia – vídeo da última cicloviagem da Márcia, realizada apenas 3 dias antes do acidente.


Tijucas adotará medidas de redução de velocidade

13 janeiro 2010

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, versão do Vale do Rio Tijucas, em 7 de janeiro de 2010 (pág. A1). A matéria pode ser vista também em .png aqui.

Notícias do Dia - logo

Trânsito.

Segura o acelerador

Secretaria define até amanhã como reduzir a velocidade na Bayer Filho

Depois de tantos acidentes e contratempos a prefeitura de Tijucas definiu dois dos quatro pontos onde serão implantadas as lombadas eletrõnicas na avenida Bayer Filho. Um deles ficarpa antes do cruzamento com a rua Luiz Hipólito da Cruz. Já o outro, deve ser instalado antes da avenida Hercílio Luz. Até o final da semana a Secretaria de Obras, Transportes e Serviços Públicos deve definir como os equipamentos serão adquiridos.

Palco de inúmeros acidentes em 2009, a avenida ganhou fama de autódromo Bayer Filho após a conclusão do asfaltamento. A velocidade máxima na via é de 60km/h, mas, sem qualquer tipo de sinalização ou mecanismo de redução, motoristas excedem os limites de velocidade. No último acidente, um carro e uma motocicleta bateram na pista e pararam somente depois de colidir com uma bomba de gasolina em um posto.

Segundo o secretário de Obras, Transportes e Serviços Públicos, Elói Geraldo, a prefeitura já entrou em contato com empresas para definir a forma de compra dos equipamentos. “Existem duas possibilidades para a instalação das lombadas. Na primeira, o município compra os equipamentos e administra as multas. Na segunda, uma empresa instala os equipamentos e faz a manutenção. Em troca, recebe parte dos recursos arrecadados pelas infrações”, explica Geraldo.

ABUSO
Velocidade máxima na via é de 60km/h, mas não há, hoje, meios de fazer o controle.

O secretário afirma que, depois da licitação realizada, o prazo para a conclusão da instalação das lombadas é de até 60 dias. O custo médio para adquirir os produtos é de R$ 100 mil. Caso o município compre os instrumentos, os recursos serão destinados pelo Fundo de Fiscalização do Trânsito da cidade.

Comum. Um dos acidentes na avenida, ocorrido em 17 de dezembro. Foto: Alex W. Farias/ND.

Tachões

Sem ter uma solução pelo menos até março, o secretário viu sua dor de cabeça aumentar em novembro de 2009. Uma normativa do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) proíbe o use de tachões para reduzir a velocidade. Hoje, os tachões ou “tartarugas”, como são popularmente conhecidos, ajudam a amenizar o problema em alguns trechos da Bayer Filho. No entanto, deverão ser removidos.

Apesar da proibição, dois pontos com o equipamento estão instalados ao longo da avenida: em frente ao Colégio Ondina Maria Dias e próximo à Praça do Expedicionário. Para o secretário, os redutores de velocidade ficarão na via até a implantação das lombadas eletrônicas.

Se o processo de licitação se estender por um período mais longo que o previsto, o secretário pretende tomar uma medida drástica para solucionar o problema. “Se o processo demorar, vamos fazer lombadas de asfalto”, promete Geraldo.

Everton Palaoro

Veja também:

Tachões….?!?!?!? – A instalação desses equipamentos não tornou a vida dos ciclistas de Florianópolis mais segura.


Crônica – Dia de Sol

10 janeiro 2010

A crônica abaixo é de autoria de Celso Leal e foi publicada no Jornal Notícias do Dia, versão do Vale do Rio Tijucas, em 7 de janeiro de 2010 (veja em .png).

Dia de Sol

Calor intenso. O rio descia ao mar. A capivara pastava no local de costume. Inacreditável a mansidão dela na margem contrária. As gaivotas voavam e pousavam no barco ancorado. A cidade se movimentava e o povo trabalhava. Poucos se importavam com as belezas naturais do lugar. Um homem se aproximou do cais. Desceu da bicicleta. Não havia ninguém. Ele fitou o rio. Muito quente. Nenhum vento. O homem passou a gesticular. Parecia dar de dedo no rio. Apontava e conversava. Eu nada ouvia. Apenas via o corpo fazendo trejeitos direcionados ao rio. Em certo momento ele batia no peito e agia como se lançasse algo no rio. Não sei se beijos ou o coração. Repentinamente a bicicleta caiu. Com fúria ele passou a chutar a magrela. Insatisfeito jogava0se com o peso do corpo sobre o veículo. Ato de fúria ou insanidade! Tudo muito rápido.

Ele pegou a bicicleta e a jogou no rio. Ela afundou e ele prosseguiu gesticulando e falando com o rio. Os carros passavam, o sol ardia, o homem fazia teatro e eu acompanhava. Fato real. Qual a intenção dele? Uma pessoa que deveria saber o que estava fazendo. Caso contrário teria se atirado ao rio. Perdera a bicicleta. Talvez pelo fato de ter ela interrompido a conveersa inicial entre ele e o rio. Ou dele com os peixes? Quem sabe a bicicleta tenha sido entregue como oferenda ao senhor das águas? Ou emprestada para os peixes transitarem sob as águas barrentas do rio poluído?

A capivara entrou na água. Mansamente. Eu decidi ir ao encontro do homem. Desci e encontrei quem havia chegado para falar comigo. Atendi e ao sair na rua não avistei o homem. Fui ao local em que ele deveria estar e nenhum sinal. Procurei ao redor. Olhei ao longe e nada de encontrá-lo. Tentei visualizar a bicicleta. Fiquei a pensar. Estaria eu enganado? Seria insolação? Quando mirei para a ponte reconheci quem estava no meio dela. Era ele! As cores da camisa e da calça não deixavam dúvidas. Pensei em segui-lo. De nada adiantaria. Ele continuou o caminho. Venceu a ponte, passou frente à entrada do Pernambuco e seguiu para Morretes. A vida contínua prossegue graças aos mistérios do cotidiano. Ainda bem…

Veja também:

Selva de aço – Crônica – leia a íntegra da crônica “Selvaço”, de Vinícius Leyser da Rosa.
Conto para o Dia dos Pais – leia aqui o conto “Não chore, papai”, de Sérgio Faraco.


São José, quarta maior cidade catarinense, enfrenta desafios de mobilidade

9 janeiro 2010

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, versão de São José, no bíduo 2 e 3 de janeiro de 2010 (pág. A1). A matéria pode ser vista também em .png aqui.

Notícias do Dia - logo

Mobilidade.

Ano inicia com velhos pedidos

Moradores esperam melhorias no trânsito e lazer

O ano de 2010 já começou e com ele planejamentos, promessas e esperanças renovadas. Além de pedidos pessoais, quem mora em São José também se preocupa com a cidade, desejando que neste novo ano questões como trânsito caótico, as calçadas mal cuidadas e a falta de áreas de lazer possam ser solucionadas, ou, pelo menos, amenizadas.

O trânsito já deixou de ser problema apenas de quem anda de carro ou ônibus, garante a professora universitária Rosângela Fenili, 52 anos. “Está um caos o tempo todo, se você está de carro, precisa enfrentar as filas; e se está a pé, tem que tomar cuidado redobrado para atravessar as ruas sem ser atropelado”, reclama a professora, que defende a instalação de mais sinaleiras e melhorias na sinalização, principalmente no Kobrasol. “Moro em um prédio de esquina e o tempo todo eu vejo batidas, é muito perigoso”, alerta.

Segurança

Mas o perigo não fica apenas no trânsito, garantem os moradores da cidade. Andar nas ruas, seja durante a noite ou mesmo à luz do dia, requer cuidado redobrado. “Precisamos de mais policiamento nas ruas, o prédio em que eu moro já foi arrombado diversas vezes, eu fico com um pouco de receio de morar aqui, diz a moradora do bairro Kobrasol, Gilsela Stringari, 28 anos, técnica de radiologia. Contrapondo a opinião de Gisela, a moradora Rosângela Alves, 59 anos, digitadora, lembra que hoje não existe lugar totalmente seguro. “É maravilhoso morar aqui, e não tem mais como fugir da violência, ela está espalhada por todos os cantos. O que precisamos é aprender a ter mais cuidado”, frisa a digitadora, que elogia a quantidade de opções de lazer na cidade. “Aqui é sempre muito movimentado, ficou um bairro muito bonito, com gente jovem e animada, um calçadão maravilhoso”, conta, ressaltando os bares e casas noturnas instaladas no Kobrasol.

Kobrasol. Calçadão central é defendido por uns e criticado por outros. Foto: Marcelo Bittencourt/ND.

Crianças são mais prejudicadas

Apesar dos elogios à quantidade de opções em festas no Kobrasol, o morador Sérgio Madeira, 44, analista de sistemas, critica a falta de parques para as crianças brincarem. “Em toda a cidade precisamos de espaços ao ar livre, seguros e acessíveis a todas as crianças”, aponta o morador, pai de uma criança com deficiência mental, e que por esse motivo deixa muitas vezes de levá-la para passear.

Segundo ele, a falta de condições para mobilidade urbana é um dos principais problemas da área central e do bairro Kobrasol. “As calçadas são muito ruins, como ele precisa de uma cadeira de rodas, é um transtorno bem grande levá-lo para brincar aqui na avenida central, por exemplo”, revela.

Sem opções de diversão nas praias, quem mora em São José precisa se virar da maneira que pode, garantem os moradores. Além da beira-mar, onde muitos aproveitam para fazer seus exercícios físicos, o único shopping center da cidade também é ponto de encontro de adolescentes e adultos. “Sempre vamos lá para fazer compras ou aproveitar um cinema”, diz a professora Rosângela. Ela também faz questão de aproveitar o calçadão da avenida central do Kobrasol, outro local onde muitos reservam seu tempo livre para descansar à sombra das árvores ou mesmo aproveitar o comércio intenso do local.