Bicicletadas brasileiras de agosto

Veja abaixo uma relação com as cidades que devem realizar suas respectivas Massas Críticas neste final de mês de agosto de 2009. Se o seu município não tiver listada abaixo, procure por informações dela no site da Bicicletada ou, então, ajude a formar a Bicicletada de sua cidade.

Sexta-feira, 28 de agosto

Aracaju, SE

Aracaju geral

Encontro na Praça do Ciclista, na rótula do Sinhazinha, às 18h.

Belo Horizonte, MG

Belo Horizonte 2009-08-28

Brasília, DF

Brasília 2009-08-28

Florianópolis, SC

Essa você já leu aqui.

Porto Alegre, RS

Concentração às 18h30 na Prefeitura Velha de Porto Alegre.

Recife, PE

Saída da Praça do Derby às 19h.

Rio Claro, SP

Saída às 17h, em frente à Igreja Matriz, na Praça da Liberdade.

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro geral novo

Concentração na Cinelândia, em frente ao Odeon, às 19h.

Santos, SP

Santos 2009-08-28 v1

Santos 2009-08-28 v2

São José dos Campos, SP

São José dos Campos 2009-08-28

São Paulo, SP

São Paulo 2009-08-28 Executivos

Vitória, ES

Concentração a partir das 19h na esfera da Praça do Papa. Saída às 20h.

Sábado, 29 de agosto

Belém, PA

Belém 2009-08-29

Bragança, PA

Concentração na Praça das Bandeiras a partir das 16h.

Curitiba, PR

Curitiba geral

Jundiaí, SP

Jundiaí 2009-08-29

Maceió, AL

Maceió geral novo

Osasco, SP

Concentração às 15h na Praça Manoel Coutinho, embaixo do viaduto metálico. Saída às 16h.

Domingo, 30 de agosto

Natal, RN

Natal geral 2009-09-30

Saiba mais:

Bicicletadas de julho
Bicicletadas de maio
Bicicletadas de abril
Bicicletadas de março
Bicicletadas de fevereiro

Anúncios

Para uma descida Graciosa

Aqui vão as dicas do ciclista André Pasqualini para os paulistanos e demais ciclistas que pretendem descer a Serra da Graciosa neste final de semana no Encontro de Bicicletadas do Brasil.

Para quem não vai descer pedalando

Temos a opção do trem que custa cerca de 35 reais. Já tem uma galera que vai descer de trem, portanto acho melhor essa galera, no sábado a tarde ir comprar essa passagem. Dá para ir de bicicleta mas eu sugiro que o pessoal que vai de trem, não leve a sua bicicleta. Isso porque tem uma galera de Curitiba e de Floripa que irão descer pedalando e voltarão de carona no bonde para Curitiba. Portanto, se os que não descerem pedalando puderem ceder seus espaços para essa galera, nós agradecemos.

Outra opção “de grátis” será descer com o Ônibus que irá nos buscar em Morretes. Não sei o horário, mas ele deve sair da cidade por volta das 10h00.

Para quem vai descer pedalando

O que levar para a viagem?

Roupas apropriadas para viagem, pedalar na estrada não é a mesma coisa que pedalar trechos curtos na cidade. A roupa de ciclista pode parecer coisa de viado, mas é assim pois é mais apropriada para pedalar longas distâncias. Não fiquem receosos, temos muitos amigos que já vestiram essas roupas e não mudaram sua preferência sexual. Todos continuaram viados. (brincadeira)

Nas costas apenas mochilas de hidratação, malas no bagageiro sempre.

Comer e hidratar-se durante a viagem. Mochilas de hidratação são ótimas pedidas. Tem bicas, lugares para comprar água, até lugar para mergulhar, mas é bom levar duas garrafinhas no mínimo.

Frutas secas, barras de cereais, gels energéticos, tudo isso ajuda muito a manter o bucho cheio e hidratado durante a viagem.

Levem protetor solar e abusem dele. Excesso de sol e a falta de protetor solar pode levar a uma desidratação e é muito importante que o ciclista identifique possíveis sinais de desidratação. Os principais sintomas de desidratação são: boca seca, dor de cabeça, fraqueza, fadiga, vertigem (tontura), irritabilidade e cãibras musculares (espasmos musculares). Se os sintomas persistirem, ou incluirem desorientação, ondas de calor, calafrios, vômitos, náuseas e/ou alteração da consciência, a coisa tá feia.

Não se assustem, é comum ocorrer pequena desidratação numa atividade física, o que não podemos deixar acontecer é que ela se descontrole. Sempre informar alguém quando ocorrer alguns desses sintomas e sempre se manter hidratado.

Sugiro que todos comprem o Hidrafix, essa caixa vem com dois flaconetes e caso estejam com algum desses sintomas, tomem um flaconete. É um soro caseiro turbinado com glicose, energia pura. Se a pessoa não tem problema de diabetes, pode tomar.

Voltando ao pedal, no seu início pedalaremos cerca 9 km dentro da cidade até a BR. Nessa fase iremos num único grupo. Entraremos então na Estrada da Graciosa que vai seguir beirando a BR e ali o grupo se dividirá. Alguns irão num ritmo um pouco mais rápido e com poucas paradas. Já o grupo do fundão irá mais tranquilamente, parando em cada topo de subida para esperar os mais lentos. Nesse grupo teremos alguns ciclistas experientes e todos com GPS para ninguém correr o risco de se perder.

O grupo da frente terá como meta os tempos estimados no Bikely. Para ver as previsões acessem:

http://www.bikely.com/maps/bike-path/Descida-da-Graciosa-Morretes

Dá para ver os horários avançando pelas setinhas do menu, ou clicando em Show > Cue Sheet.

O grupo do fundão terá duas horas a mais para realizar o mesmo trajeto. Pedalaremos cerca de 25 km de asfalto até o início da estrada de terra. Depois teremos mais 20 km de terra, mais 12 km de descida e 14 km de plano no final da descida até Morretes.

A descida

Toda atenção é pouca em qualquer descida, não dá para abusar da velocidade se você não tem experiência. Metade da descida é em asfalto, a outra metade é de paralelepípedo. Desça em pequenos grupos, mas sem forçar ultrapassagens em outros ciclistas, principalmente próximos das curvas e evite passar muito colado dos ciclistas mais inexperientes. No trecho de paralelepípedos, os carros irão bem mais devagar do que as bicicletas, evite ultrapassá-los e fiquem a uma distância segura do veículo da frente.

Se possível pare no meio da descida para descansar e curtir o visual, principalmente a galera do fundão. Já os acelerados da frente, tenham o máximo de prudência, não se esqueçam que se acontecer algum acidente, não só a sua viagem poderá ser prejudicada como a de todo o grupo, portanto nada de se empolgar e pedalem com o máximo de prudência.

Como proceder nos contratempos

Pneus furados, problemas mecânicos, não tem que parar todo mundo. Parem apenas dois ciclistas no máximo e o resto continuem a pedalada. Parem apenas para esperar nos pontos de parada mais longas. Depois de consertada a bicicleta os atrasados aceleram para alcançar o resto do grupo . Não deixem ninguém sozinho para trás em hipótese alguma. Eu devo ir no grupo da frente, mas teremos muitas pessoas experientes no grupo de trás.

Levem no mínimo, duas câmaras reservas e remendos. O pessoal é sempre solícito, dificilmente você ficará na mão, mas não é legal sempre abusar da boa vontade alheia. Quem não tem blocagem na roda, que sempre carregue uma chave 15 para não depender de ninguém.

Chegada em Morretes

Se tudo der certo, o pessoal da frente deve chegar em Morretes por volta das 13h00 e ficaremos lá até as 15h00 almoçando. Quem chegar até as 14h00 provavelmente poderá aproveitar o Barreado. Todos devem chegar no restaurante Madalozo até as 15h00, hora que embarcaremos de volta para Curitiba.

Saída de Morretes

As 15h00 saímos de Morretes com destino a Curitiba, chegando por volta das 16h00 no hotel. As bikes do pessoal que desceu pedalando já ficarão em definitivo no ônibus, então teremos uma hora para tomarmos banho, fazer as malas e o Checkout no hotel. Todas as despesas do hotel estarão quitadas, exceto o que a galera vier a consumir no frigobar. Por volta das 17h00, saímos de lá com destino a São Paulo, a previsão de chegada na Paulista é entre meia noite e uma hora da manhã.

Destino: Curitiba

Vai ocorrer neste final de semana o segundo Encontro de Bicicletadas do Brasil.

Tradicionalmente, várias cidades do país (veja amanhã a relação delas) realizam suas Massas Críticas na última semana de cada mês. Dentre essas, a grande maioria das Bicicletadas acontece na sexta-feira, com umas poucas cidades pedalando aos sábados ou aos domingos.

Entre as cidades que têm Bicicletada aos sábados está Curitiba (onde há uma promessa de implantação de sistema cicloviário). Logo após suas respectivas Massas Críticas, ciclistas e cicloativistas de cidades como São Paulo e Florianópolis adentrarão em ônibus para a grande confraternização que vai ocorrer na capital paranaense.

Bonde de Curitiba 2009

A programação em si é simples:

Sábado, 29 de agosto

Bicicletada Curitiba.
Concentração a partir das 9h30 no pátio da Reitoria da UFPR (R. Amintas de Barros x R. Dr. Fraivre).
Saída às 10h.

Domingo, 30 de agosto

Cicloturismo na Serra da Graciosa.
Saída pontualmente às 7h do Hotel Garden Curitiba.

O primeiro encontro nacional de Bicicletadas ocorreu em julho de 2008 e contou com a presença de 138 pessoas participando da Bicicletada Curitiba e mais 26 cicloturistas descendo a Graciosa. Quem esteve nessa primeira edição com certeza quer estar presente novamente. Duvida? Dê, então, uma olhada nas fotos e relatos do ano passado.

Origem(1): Florianópolis

Assim como no ano passado, cidadãos residentes em Florianópolis estarão neste sábado em Curitiba. A saída dar-se-á após a Bicicletada Floripa de agosto. O caminho para Curitiba será feito em ônibus de linha. Duas empresas oferecem o traslado entre as duas cidades. A Eucatur terá o seu último ônibus saindo às 20h10, com passagem custando R$27,00. A Auto Viação Catarinense deverá ser a utilizada pela maioria dos participantes. Ela oferece horários às 21h15 e às 23h15. O preço da passagem, entretanto, é R$ 41,26.

Não houve problemas nas últimas vezes que se almejou levar a bicicleta não desmontada nos ônibus de nenhuma dessas duas companhias. Leve consigo, porém, elásticos/cordas/aranhas/correntes para prender a sua bicicleta no interior do ônibus.

Os participantes devem se acomodar parte em casa de amigos e parte no próprio Hotel Garden Curitiba. O hotel estará inteiramente a serviço dos participantes da Bicicletada de São Paulo, mas algumas pessoas de Floripa devem pernoitar por lá a um preço mais camarada (R$25,00 com café-da-manhã), mas sem conforto. Aconselhável levar colchonete ou saco-de-dormir.

Origem(2): São Paulo

Quem pretende vir de São Paulo pode encontrar mais informações sobre a viagem no CicloBR. O pacote inclui traslados entre São Paulo e Curitiba, e Curitiba e Morretes (para quem não quiser passar pela Serra da Graciosa de bicicleta, mas desejar curtir o visual), hospedagem e algumas refeições. O ônibus que os levará para o encontro deve chegar à Praça do Ciclista às 23h30 de sexta-feira.

Outras origens…

Tem-se informações de pessoas vindo de Maringá (PR) para essa confraternização cicloativista. Do mesmo modo, parece que duas pessoas devem chegar a Curitiba saindo de Florianópolis de bicicleta mesmo.

O que fazer em Curitiba

Além de conhecer a cidade de bicicleta, o Pedalante deu uma sugestão para visitação: a I Bienal do Livro de Curitiba.

Fora isso, quem não conhece Curitiba pode encontrar outras sugestões do que visitar aqui ou aqui.

Descendo a Graciosa

As dicas para a descida da Graciosa podem ser encontrada aqui.

Selva de aço – Crônica

Selvaço

Um dia prometeram mudar a forma de se ver o mundo. Uma gaiola protege contra o vento e a chuva, uma série de alavancas garante o controle, um motor ligado às rodas impulsionam o conjunto. Com um pouco de trabalho, qualquer que fosse, todos poderiam juntar dinheiro o suficiente para ter condições de comprar aquela carroça sem cavalos, de 100 cavalos. Poderia se ir mais longe, mais rápido, com mais conforto, com menos esforço. Era uma idéia tentadora, digna do desejo de trabalhadores que precisavam carregar quilos e quilos de materiais por longas distâncias todos os dias, cansando exaustivamente a si próprios e a seus animais. Digna também, porém, da futilidade do sedentarismo antinatural que tomou conta da civilização. Não se cansa mais, não se sua mais, não existe mais esforço senão aquele cujo único objetivo é justamente não mais se esforçar.

Era uma manhã como outra qualquer, acordei cedo. Peguei meu veículo e logo parei para abastecer numa padaria que serve um ótimo combustível. De tanque cheio, tomei meu rumo. Nessa hora, as ruas parecem currais de rinocerontes, búfalos, hipopótamos, elefantes e até dinossauros. São todos grandes, brutos, pesados, fedidos e esfomeados.  Comportam-se como seres irracionais que são, apesar de adestrados por seres teoricamente racionais. Ineficiência temperada a aço e óleo que um dia acabarão. Nas mais variadas formas e tamanhos, essas bestas preenchem cada centímetro dos vastos labirintos que uma vez foram criados para os animais humanos, estes que agora mais parecem presentes troianos. Nessa realidade animalesca, sinto-me um leopardo: leve, esguio, rápido, prático. Eficiência abastecida a arroz e feijão, renovados a cada estação. E um pouco mais racional.

Observava os outros animais de perto, não havia espaço para se ter uma visão de longe. Por entre um e outro, enquanto se moviam lentamente, quase parando, abria meu caminho. A fila de gigantes de aço aumentava, um atrás do outro, como se estivessem esperando a sua vez de poder exibir toda sua força, algo que nunca iria acontecer ou, se acontecesse, por alguns poucos segundos. Frustrados, quase castrados, encouraçam-se aos montes em meio a nuvens de fumaça e poças de sangue terrestre, dejetos do conforto. Imponentes com toda sua potência, impotentes diante de tanta imponência, é um desastre causado por si próprio. A propaganda dizia “Mais liberdade, mais mobilidade, mais velocidade, mais eficiência”. Mais liberdade, mais mobilidade, mais velocidade, mais eficiência. Mais liberdade, mais mobilidade, mais velocidade, mais eficiência. Mais… fila. Já não sei mais de quem estão falando. O ritmo das pedaladas funcionava como um mantra, até que algo interrompeu a concentração:

– Sai daí ô! Fica atrapalhando o trânsito! – disse-me um dos domadores de bestas. Parei, respirei fundo, respondi com calma.

– Quem atrapalha é você. Sua gaiola pesa uma tonelada, ocupa a rua toda e ainda fica parada a maior parte do tempo. Tá vendo eu trancar o caminho de alguém por acaso?

– O meu!

– Não. O seu caminho tá trancado pelo seu colega da frente. Eu vou passar pelo lado e continuar pedalando.

– Então eu vou passar por cima de você e desse seu brinquedo!

– Isso não vai arranhar a pintura e amassar a lataria?

– Ah! Seu %$@#%#…

– Boa sorte, tente me alcançar.

Um dia prometeram mudar a forma de se ver o mundo. Num passado pouco distante, viam-se paisagens, montanhas, árvores, nuvens. Hoje se vê o carro da frente, o carro de trás, o carro de um lado e o prédio do outro. Talvez o plano tenha dado certo demais. Segui meu caminho, vaiado por uma multidão de rosnados artificiais. Nem para reclamar esforça-se mais, está tudo ao alcance de um botão. Uma população inteira investe seu tempo para ter exclusividade, e não se dá conta de que tanta exclusividade só pode resultar numa coisa: exclusão. Exclusão da vida, exclusão da natureza, exclusão do corpo e da vontade que nos é própria, exclusão da sabedoria. Trabalhar para não ter trabalho, trabalhar para ostentar o luxo insustentável e autodestruidor, usar a vida para assegurar a morte – esta sim que deve ser tranqüila -, não me parece fazer sentido. Prefiro suar e não incomodar ninguém.

Por Vinícius Leyser da Rosa

Veja também:

Conto para o Dia dos Pais – leia aqui o conto “Não chore, papai”, de Sérgio Faraco.

Bicicletada de agosto em Florianópolis, antes do Bonde de Curitiba, dia 28

Nesta sexta-feira, 28 de agosto, vai ocorrer em Florianópolis, mais uma edição da Bicicletada local. Como sempre, o ponto de encontro será próximo à Concha Acústica e ao CCE/Básico da UFSC. A concentração começará a partir das 18h/18h30, com o pedal lúdico-educativo saindo às 19h.

O percurso, definido na hora pelos participantes, será feito em ritmo leve, sempre respeitando as condições físicas dos ciclistas presentes e as leis de trânsito. A Bicicletada Floripa ocorre sob qualquer condição climática.

Floripa 2009-08-28 Bonde

Neste mês, logo após a Bicicletada Floripa, alguns dos participantes seguirão, de ônibus, para Curitiba, a fim de participar do Segundo Encontro de Bicicletadas do Brasil. Ainda não sabe do que se trata? Dê uma olhada aqui para uma prévia ou espere até amanhã para ler aqui. 😉

Livro “Ciclismo: Um giro pela Europa”

“Ciclismo: um giro pela Europa” (2ª ed., Editora da UFSC, Florianópolis, 2006, 168p.) conta a história de seu autor, Paulo MS Coelho Santos, que, em 1986, junto com os amigos Hercílio da Costa Neto e Murilo Krüger, concretizou o projeto “Giro ciclístico visitando universidades européias”.

Em uma narrativa corrida e de fácil leitura e compreensão, o livro aborda desde a idéia original, surgida em meio a uma conversa ao acaso, as dificuldades dos então estudantes com apoios e patrocínios na preparação para a viagem até, claro, a conclusão da aventura após mais de 8000 km percorridos em pouco mais de 5 meses, em roteiro que incluiu Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, Itália, San Marino, Vaticano e Mônaco.

O texto relembra causos passados durante a empreitada e, através deles, mostra aspectos da cultura dos povos desses países, bem como a relação destes com os viajantes e com a bicicleta.

Ciclismo - Um giro pela Europa - capa

Passeio ciclístico nos Ingleses

Como parte das atividades do Festival de Inverno do Norte da Ilha, acontecerá amanhã, a partir das 9h, o Passeio Ciclístico de Ingleses. A concentração acontecerá em frente ao Barranorte Shopping, na R. Dom João Becker.

O percurso passará pelas ciclovias da região e seguirá pela R. das Gaivotas, paralela à praia. Está previsto também o sorteio de uma bicicleta entre os ciclistas presentes.

Mapa do Trajeto

Florianópolis implantará ciclovia na Lagoa

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 10 de agosto de 2009 (pág. 23). Você pode ver as matérias no site do DC aqui. O texto também se encontra nos sites da Prefeitura de Florianópolis, JusBrasil e Bicicletada Floripa. Um relato da reunião pode ser lido também no Movimento Ciclovia na Lagoa Já.

Urbanismo

Ciclovias e passeio para melhoria da segurança

Prefeitura da Capital deve investi R$ 1 milhão para revitalização da Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição

A avenida Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição, vai ganhar ciclovia e passeios para pedestres. As obras de revitalização devem custar cerca de R$ 1 milhão e o projeto final será apresentado para os moradores da Capital no início do mês que vem.

A ciclovia Rota 9 terá uma extensão de 3,2 quilômetros, sendo dois de vias exclusivas para bicicletas e 1,2 quilômetro de via compartilhada de baixa velocidade. A faixa vai ligar a Avenida das Rendeiras, principal acesso às praias do Leste de Florianópolis, ao Rio Tavares, na região Sul.

– Essa é uma reivindicação antiga dos moradores. Hoje muita gente passa por aqui pedalando, mas ainda é muito perigoso – afirmou a moradora do Porto do Rio Tavares, Léa Pires, de 38 anos.

Margeando a Lagoa da Conceição, via não oferece segurança para quem costuma usá-la para pedalar ou caminhadas.

Margeando a Lagoa da Conceição, via não oferece segurança para quem costuma usá-la para pedalar ou caminhadas.

O projeto foi assunto do último encontro do vice-prefeito e secretário de Transportes, Mobilidade e Terminais, João Batista Nunes, o secretário de Obras, José Nilton Alexandre, e representantes comunitários da região, no dia 5 de agosto.

Agora, os técnicos do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e a Secretaria de Obras tem até o dia 5 de setembro para concluir o projeto final.

– As ciclovias da Osni Ortiga e a universitária, na bacia do Itacorubi, são prioritárias dentro das questões da mobilidade do município– afirmou o vice-prefeito.

Entre as possibilidade de recursos para a execução da obra, o IPUF destacou um pedido de verbas que já tramita no Ministério das Cidades. Além disso, uma participação público-privado, com compensação ambiental, também foi cogitado.

Projeto prevê instalação de lombadas eletrônicas

Outra preocupação tratada no encontro foi a segurança e a velocidade dos veículos na avenida. De forma emergencial, a Secretaria dos Transportes se comprometeu a viabilizar a colocação de placas de trânsito estabelecendo 60 Km/h como velocidade máxima.

O traçado do projeto

Saiba mais:

Entenda a problemática da Osni Ortiga nas matérias abaixo:

Bicicleta na Rua
Caminhos do Sertão
Jornal da Lagoa
Jornal Notícias do Dia
Movimento Ciclovia na Lagoa Já

Conto para o Dia dos Pais

Dançar tango em Porto AlegreO conto abaixo é de autoria do escritor gaúcho Sérgio Faraco e pode ser encontrado no livro “Dançar tango em Porto Alegre e outros contos” (L&PM Pocket, 1998).

Dica obtida no blogue da Ana Mariano.

Não chore, papai

Embora você proibisse, tínhamos combinado: depois da sesta iríamos ao rio e a bicicleta já estava no corredor que ia dar na rua. Era uma Birmingham que Tia Gioconda comprara em São Paulo e enlouquecia os piás da vizinhança, que a pediam para andar na praça e depois, agradecidos, me presenteavam com estampas do Sabonete Eucalol.

Na hora da sesta nossa rua era como as ruas de uma cidade morta. Os raros automóveis pareciam sestear também, à sombra dos cinamomos, e nenhum vivente se expunha ao fogo das calçadas. Às vezes passava chiando uma carroça e então alguém, querendo, podia pensar: como é triste a vida de cavalo.

Em casa a sesta era completa, o cachorro sesteava, o gato, sesteavam as galinhas nos cantos sombrios do galinheiro. Mariozinho e eu, você mandava, sesteávamos também, mas naquela tarde a obediência era fingida.

Longe, longíssimo era o rio, para alcançá-lo era preciso atravessar a cidade, o subúrbio e um descampado de perigosa solidão. Mas o que e a quem temeríamos, se tínhamos a Birmingham? Era a melhor bicicleta do mundo, macia de pedalar coxilha acima e como dava gosto de ouvir, nos lançantes, o delicado sussurro da catraca!

Tínhamos a Birmingham, mas era a primeira vez que, no rio, não tínhamos você, por isso redobrei os cuidados com o mano. Fiz com que sentasse na areia para juntar seixos e conchinhas e enquanto isso, eu, que era maior e tinha pernas compridas, entrava n’água até o peito e me segurava no pilar da ponte ferroviária.

Estava nu e ali mesmo me deixei ficar, a fruir cada minuto, cada segundo daquela mansa liberdade, vendo o rio como jamais o vira, tão amável e bonito como teriam sido, quem sabe, os rios do Paraíso. E era muito bom saber que ele ia dar num grande rio e este num maior ainda, e que as mesmas águas, dando no mar, iam banhar terras distantes, tão distantes que nem a Tia Gioconda conhecia.

Eu viajava nessas águas e cada porto era uma estampa do cheiroso sabonete.

Senhores passageiros, este é o Taj Mahal, na Índia, e vejam a Catedral de Notre Dame na capital da França, a Esfinge do Egito, o Partenon da Grécia e esta, senhores passageiros, é a Grande Muralha da China – isso sem falar nas antigas maravilhas, entre elas a que eu mais admirava, os Jardins Suspensos que Nabucodonosor mandara fazer para sua amada, a filha de Ciáxares, que desafeita ao pó da Babilônia vivia nostálgica das verduras da Média.

E me prometia viajar de verdade, um dia, quando crescesse, e levar meu irmãozinho para que não se tornasse, ai que pena, mais um cavalo nas ruas da cidade morta, e então vi no alto do barranco você e seu Austin.

Comecei a voltar e perdi o pé e nadei tão furiosamente que, adiante, já braceava no raso e não sabia. Levantei-me, exausto, você estava à minha frente, rubro e com as mãos crispadas.

Mariozinho foi com você no Austin, eu pedalando atrás e adivinhando o outro lado da ventura: aquele rio que parecia vir do Paraíso ia desembocar no Inferno.
Você estacionou o carro e mandou o mano entrar. Pôs-se a amaldiçoar Tia Gioconda e, agarrando a bicicleta, ergueu-a sobre a cabeça e a jogou no chão. Minha Birmingham, gritei. Corri para levantá-la, mas você se interpôs, desapertou o cinto e apontou para a garagem, medonho lugar dos meus corretivos.

Sentado no chão, entre cabeceiras de velhas camas e caixotes de ferragem caseira, esperei que você viesse. Esperei sem medo, nenhum castigo seria mais doloroso do que aquele que você já dera. Mas você não veio. Quem veio foi mamãe, com um copo de leite e um pires de bolachinha-maria. Pediu que comesse e fosse lhe pedir perdão. E passava a mão na minha cabeça, compassiva e triste.

Entrei no quarto. Você estava sentado na cama, com o rosto entre as mãos. “Papai”, e você me olhou como se não me conhecesse ou eu não estivesse ali. “Perdão”, pedi. Você fez que sim com a cabeça e no mesmo instante dei meia-volta, fui recolher minha pobre bicicleta, dizendo a mim mesmo, jurando até, que você podia perdoar quantas vezes quisesse, mas que eu jamais o perdoaria.

Mas não chore, papai.

Quem, em menino, desafeito ao pó de sua cidade, sonhou com os Jardins da Babilônia e outras estampas do Sabonete Eucalol não acha em seu coração lugar para o rancor. Eu jurei em falso. Eu perdoei você.

Propaganda saudável

Essa veio da lista de e-mail do Duas Rodas.

Em Canasvieiras, no norte da Ilha de Santa Catarina, um comerciante trocou sua poluidora motocicleta e passou a fazer propaganda de seu estabelecimento  com uma espécie de “bike sonora”. Na caixa sobre o bagageiro, alto-falantes movidos a bateria para divulgar o empreendimento, que tem o sugestivo nome de Cia da Saúde.

Com a opção, ele passou a se exercitar e poupou o nosso ar, o meio ambiente e ainda economizou uma graninha. Na foto abaixo é o próprio comerciante que se encontra no selim.

Em Canasvieiras, comerciante trocou a moto pela bicicleta. Foto: Alexandre Francisco Souza.

Em Canasvieiras, comerciante trocou a moto pela bicicleta. Foto: Alexandre Francisco Souza.

Bonde Bike Jurerê

Vai acontecer amanhã, dia 8 de agosto, o Bonde Bike Jurerê, um passeio ciclístico pelo bairro de mesmo nome, como parte das atrações do 1º Festival de Inverno do Norte da Ilha. A concentração será no Il Campanario Villaggio Resort, em Jurerê Internacional, a partir das 14h. As inscrições para o passeio, gratuitas, serão feitas na hora. É necessário a utilização de equipamento de segurança e menores de 15 anos deverão estar acompanhados por um responsável.

Durante a concentração e a dispersão deverão ocorrer atividades como massagens, fitness, aquecimento, alongamento e apresentações artísticas. Durante o passeio, que sairá às 15h e percorrerá 6,5km, haverão paradas para a realização de atividades de cunho ambiental, tais como caminhada ecológica, multirão de limpeza, revitalização da orla e plantio de mudas. Essas atividades acontecerão de maneira diferente em cada uma das “bonde stop”, os pontos de parada. Na volta, haverá ainda sorteio de brindes.

Durante o percurso, a idéia é que os ciclistas pedalem próximo, formando um verdadeiro comboio, bonde ou massa crítica.

Percurso

Da concentração no Il Campanario seguir-se-á pela Av. dos Búzios até o Clube Doze de Agosto. Dali, irá se retornar pela mesma avenida até a Av. das Lagostas, passando pela Av. dos Dourados até pouco antes da Rod. Maurício Sirotski Sobrinho (SC-402). A volta será pela Av. dos Dourados, R. das Algas e Av. dos Búzios até o Il Campanario. Veja o mapa no Bikely ou no Google Maps.

Mais informações estão disponíveis em bondebikejurere.blogspot.com.

Outras pedaladas

No sábado, no mesmo horário, haverá a Bicicletada da Lagoa da Conceição, saindo do Porto da Lagoa.

Em Canasvieiras, a pedalada até Ponta das Canas que aconteceria no sábado às 10h não irá se realizar. O evento também faria parte do Festival da Inverno do Norte da Ilha.

Veja também:

Festival de Inverno do Norte da Ilha promove Passeio Ciclístico – matéria da Revista Making Of fala sobre o Bonde Bike e o Festival.

100 vezes Bicicleta na Rua

Esta é a centésima postagem deste blogue! Quando ele foi criado, em novembro do ano passado, mal se poderia acreditar que algum dia o Bicicleta na Rua chegaria a atingir esta marca. E, menos ainda, poder-se-ia imaginar que fossem alcançados alguns dos resultados obtidos.

Em nove meses, durante 7 vezes esteve entre os blogues brasileiros que mais cresce no WordPress.com (Growing Blogs). Em uma oportunidade, foi dos blogues com maior crescimento do mundo, dentre os que utilizam essa plataforma.

Três postagens estiveram entre as mais vistas do Brasil. “Ciclistas pelados pela vida”, que também foi a reportagem mais lida de todo o blogue, divulgou com bastante precisão o clima anterior à Pedalada Pelada (World Naked Bike Ride) paulistana deste ano. A reportagem do Zero publicada em “Florianópolis congestionada” aborda o caos que tomou conta do trânsito catarinense. Já “Bicicleta é destaque no Diário Catarinense” foi uma grata surpresa por abordar o tema na capa de um dos periódicos catarinenses mais lidos. Merece destaque também “10 razões para fazer o Audax Floripa” que foi fundamental quando o Bicicleta na Rua foi dos blogues com maior crescimento mundial.

Desde a última postagem falando sobre  alterações no blogue, tivemos algumas novidades. A principal é a utilização da ferramenta do Twitter, que pode ser conferido ao lado ou no endereço http://twitter.com/bicicletanarua. Algumas coisas que ainda vão demorar a serem postadas no blogue podem ser conferidas por lá.

Outra novidade é que agora você pode avaliar as postagens feitas no Bicicleta na Rua. Basta apenas clicar nas estrelas que existe ao final de cada postagem (isso só é possível, por enquanto, na página individual de cada postagem).

Desde sua criação, foram mais de 11000 visitas de pessoas de mais de 300 cidades e 20 países. Para alguns pode parecer pouco, mas é bem acima da expectativa inicial.

Alguns conteúdos originalmente publicados aqui já foram divulgados ou reproduzidos em outros sites ou blogues. “Reunião pode definir o futuro de ciclovia no Itacorubi” saiu no FloripAmanhã, assim como “Dia de pedalar em silêncio” saiu no Asas de Rodas. Por fim, as matérias sobre Blumenau geraram um bom debate no mês que se passou.

Há muita coisa ainda por se escrever e divulgar. Apenas com o conteúdo prestes a ser publicado, considerando uma postagem diária (tenta-se publicar a cada dois ou três dias), haveria novidade durante mais de um mês e meio. É muita coisa! E muitas delas inéditas! Para sabê-las, basta acompanhar o Bicicleta na Rua.

E obrigado pela leitura!

Pedala, Lagoa da Conceição!

A Bicicletada da Lagoa da Conceição do mês de agosto vai acontecer neste sábado, com saída da sede da Associação de Moradores do Porto da Lagoa (AMPOLA), na R. Laurindo Januário da Silveira nº 5500, às 15h.

A Bicicletada surgiu como uma proposta de pressão permanente dos moradores da região em defesa de melhores condições pela mobilidade por transporte ativo (bicicleta, patins, skate, caminhada) na região da Lagoa da Conceição, com ênfase na construção de passeio e ciclovia na R. Ver. Osni Ortiga, que a região tanto necessita, e é realizada todo segundo sábado de cada mês.

O percurso do pedal lúdico-educativo é definido na hora pelos participantes, mas pode ser feito por qualquer pessoa de qualquer idade ou porte físico. O limite físico é sempre respeitado. Portanto, traga seus amigos e venha festejar ao ar livre a nova conquista da Lagoa da Conceição.

Floripa - Lagoa da Conceição 2009-08-08

A Bicicletada ocorre sob qualquer condição climática, então fazendo um verão fora de época ou tendo chuva e Vento Sul, o pedal está automaticamente confirmado.

Bicicleta é destaque no Diário Catarinense

A edição deste domingo, 02 de julho, do Diário Catarinense está imperdível para quem gosta de pedalar! São quatro páginas inteiras dedicadas à bicicleta no encarte Donna DC. A matéria, que você confere abaixo, encontra-se nos seguintes links: {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7}. Você também pode ler o conteúdo em .pdf: {capa}, {págs. 8 e 9} e {pág. 10}.

DC 2009-08-02 fig.0 DC 2009-08-02 fig.0-1

_

Diário Catarinense

Bom para a saúde, o trânsito e o ambiente. Pedalar é um hábito com cada vez mais adeptos, como Maurício Lima (à frente) e Elyandro Modro. Foto: Ricardo Duarte.

Vá de MAGRELA

Dar boas pedaladas faz bem para a saúde, para o trânsito, para o meio ambiente e pode ser uma fonte de prazer e alívio ao estresse.

Numa tarde fria de domingo, com um vento daqueles de rachar os lábios, o empresário Fabrício Sousa Aragão, 32 anos, nem pensa em ficar em casa, na preguiça. Como todos os dias, faça chuva ou sol, ele veste luvas, equipamentos de segurança e roupa confortável para ter prazer. É esta a sensação provocada por umas boas pedaladas, que ele costuma praticar na parte continental da Capital e cidades próximas, como Antônio Carlos. Com a bicicleta, o empresário encara a friaca sem fazer cara feia.

– O problema é a sensação térmica. Com a velocidade, o vento se torna mais intenso. Mas eu nem sei dizer por que eu pedalo. É por prazer, alivia o estresse – afirma.

Mesmo que a bicicleta seja um veículo individual, um outro motivo que estimula Fabrício a pedalar são os amigos. O empresário participa do grupo Mountain Bike Floripa, ou MTB Floripa, onde divide com empresários, advogados, promotores e outros profissionais o hábito de treinar para competições amadoras.

– A gente não só pedala, mas sai para jantar depois. Fazemos amizades nos grupos – diz Fabrício.

Os grupos, aliás, aparecem como uma alternativa aos que não se sentem seguros para pedalar sozinhos, seja por conta da criminalidade ou devido ao trânsito intenso. Há turmas para quem está mais ou menos preparado, para casais e até um exclusivo para mulheres (veja box).

O programador Elyandro Modro, 36, e o amigo Maurício Lima participaram da fundação do Floripa Bikers, em fevereiro, grupo que reúne entre 15 a 40 ciclistas por saída.

– Em grupo é mais legal e mais seguro, tem aquele compromisso. Às vezes você não está a fim, mas sabe que um monte de gente estará esperando por você, então acaba indo. E em grupo o risco diminui. Pedalamos uniformizados, então, quando os carros veem as bicicletas, parece que nos respeitam mais, sentimos essa diferença – constata Elyandro.

Um vício positivo

No Floripa Bikers há turmas para iniciantes e casais que não têm ritmo de atleta. Uma das participantes é a mulher de Elyandro, a professora de dança Alessandra Lemos Modro, 34. Atividade física, lazer e a companhia do marido foram as razões que a levaram às pedaladas há um ano. A dona de casa Márcia Lemos, 32 anos, integra o grupo desde fevereiro e é viciada nos pedais.

– Não vejo a hora de chegar quarta-feira, dia em que a gente sai.

Na mesma tarde fria de domingo, o estudante Caio Sérgio dos Santos, 15 anos, não hesitou em praticar suas habilidades com a magrela, na pista de skate da Beira-Mar de São José. Saltando e pedalando até de costas, o menino usa o veículo de duas rodas para quase tudo: ir à escola, passear, praticar esportes.

Morador do Bairro Ipiranga, acha que não precisa de ciclovia e se sente seguro para pedalar. Sem professor nem técnico que o ensine as acrobacias, competiu uma única vez na categoria iniciante, num campeonato em Itajaí, no mês passado. Resultado: Caio não caiu da magrela nem por decreto e ganhou o primeiro lugar na competição.

Caio dos Santos, 15 anos, usa a bicicleta como meio de transporte, além de fazer acrobacias e competir. Foto: Daniel Conzi.

Caio dos Santos, 15 anos, usa a bicicleta como meio de transporte, além de fazer acrobacias e competir. Foto: Daniel Conzi.

Pedala, Floripa

O uso da bicicleta como meio de transporte está crescendo nos países desenvolvidos, como constata o diretor da ViaCiclo, André Geraldo Soares. Estimular esse tipo de uso no Brasil é o objetivo das associações de ciclousuários e, mais recentemente, do poder público.

O governo federal, por meio do Ministério das Cidades, lançou em 2004 o programa brasileiro de mobilidade por bicicleta – Bicicleta Brasil – que, entre outras atribuições, incentiva o uso da magrela como meio de transporte, integrando-a aos equipamentos públicos já existentes.

A exemplo do que acontece na Holanda, na França, no Canadá, na Espanha, na Alemanha, entre outros países desenvolvidos, Florianópolis terá este ano um sistema de bicicletas públicas, que serve para o deslocamento de uma estação à outra. Quem afirma é a arquiteta do Ipuf, Vera Lúcia Gonçalves da Silva:

– Será feita uma licitação este mês e, até o final do ano, as bicicletas estarão nas ruas. Num projeto preliminar, haverá 28 estações, a começar pelo Centro da cidade em pontos estratégicos, como a Avenida Hercílio Luz – garante.

Será criado o Portal da Bicicleta, um site no qual o interessado se cadastrará para optar por um dos planos, que pode ser de um dia, seis meses ou um ano. O sistema será automatizado e você poderá liberar o veículo pelo celular.

Mais 10 km até o fim do ano

No Rio de Janeiro, já existe o sistema desde o final do ano passado. Com o simpático nome de Samba – Solução Alternativa para Mobilidade por Bicicletas de Aluguel –, o sistema conta com cerca de 80 bicicletas, com previsão de chegar a 500 até o final do ano, e 19 estações. O cadastro do usuário pode ser feito pelo site http://www.mobilicidade.com.br. Há planos de R$ 10 para um dia de uso, R$ 30 para uma semana e outros para seis ou 12 meses.

A estrutura cicloviária na Capital conta com 24 quilômetros em ciclovias (separadas das vias) e ciclofaixas (pintadas no solo). Até o fim do ano serão 34 quilômetros, pelas contas da Secretaria de Obras. Mas somente a estrutura não basta para garantir a segurança do ciclista. Vera reconhece que a cultura automobilística diminui o cuidado com a parte mais frágil do trânsito, no caso, os ciclistas e pedestres. A prefeitura distribuiu em algumas escolas folderes explicativos sobre as regras de trânsito, mas a formação não pode parar por aí.

– É necessária uma educação contínua. Só a lei penalizando não adianta. Estamos construindo essa política, fazendo parcerias com outras secretarias e a sociedade civil, sem a qual não se implementa nada na cidade – afirma a arquiteta.

– A solução passa pela sinalização, uma interface entre campanha educativa e estrutura. O Conselho Nacional de Trânsito está preparando um manual de sinalização de ciclovias. E a educação tem que começar na escola. Na Holanda, as crianças fazem teste de habilitação, assim como tem para carros – compara Soares.

DC 2009-08-02 fig.3 v2

Faça frio ou calor, Fabrício Sousa Aragão não dispensa as pedaladas diárias, uma fonte de prazer para o empresário. Foto: Daniel Conzi.

Falta um empurrãozinho

Pedaladas em busca de lazer e atividade física. Esse, em geral, é o rumo dos ciclistas que circulam pela Capital. Não há uma pesquisa abrangente com a população de Florianópolis sobre o perfil do ciclista e os motivos que levam ao uso da bicicleta. O que existe são estudos pontuais, como o que o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, o Ipuf, realizou no Bairro Ingleses em 2006, antes da instalação da ciclovia no local. Outros dados foram colhidos por organizações não-governamentais, como a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis, a ViaCiclo, durante eventos na cidade.

É fácil perceber que a maioria dos ciclousuários da Capital usam a magrela para o lazer e atividade física. O uso como meio de transporte, geralmente nos balneários e bairros afastados, fica em terceiro lugar e as principais razões apontadas são: falta de estrutura para a bicicleta e de educação no trânsito.

Elyandro e Joaquim. Foto: Daniel Conzi.

Elyandro e Joaquim. Foto: Daniel Conzi.

– Às vezes vou ao trabalho de bike, mas não é seguro. A cidade não é preparada para a bicicleta – percebe a professora de dança Alessandra Lemos Modro.

– Quando eu morava em São José dos Campos (SP), usava, mas aqui não dá. As ruas são muito estreitas, o trânsito é perigoso – lamenta o empresário Fabrício Sousa Aragão.

Concorrência motorizada

O educador e diretor-administrativo da ViaCiclo, André Geraldo Soares, constata que há uma demanda reprimida, ou seja, muitas pessoas estariam dispostas a fazer uso da bicicleta ou aumentar sua frequência se houvesse condições propícias.

– Falta estímulo e, ao mesmo tempo, há o antiestímulo, que é a promoção da modalidade motorizada. Há uma cadeia produtiva, estrutura política e econômica no país que promove o carro como meio de transporte, associando-o a fatores culturais, como status, poder, diferenciação social – afirma, ao exemplificar a publicidade que vende carros e os incentivos como redução de impostos.

– As pessoas acham que não são benquistas se estão de bike. Na Europa é o contrário. É uma mobilidade moderna e sustentável, que desafoga o trânsito e preserva o meio ambiente – constata o educador.

Alessandra, Elyandro, Joaquim Esteves e Márcia são parceiros de pedalada. Foto: Daniel Conzi.

Alessandra, Elyandro, Joaquim Esteves e Márcia são parceiros de pedalada. Foto: Daniel Conzi.

Bom pra você

Melhora o condicionamento físico
Previne doenças
Aumenta a força e a resistência muscular dos membros inferiores
Melhora o humor e a disposição
Em grupo, favorece a sociabilização (importante para estimular o exercício, em grupo motiva muito mais)

Bom pra todos

Baixo custo financeiro para os cofres públicos
Diminuição das mortes e mutilações no trânsito
Melhora do estado físico e psíquico dos cidadãos
Representa economia doméstica para as famílias
Preserva a qualidade de vida da cidade
Deslocamento individual autônomo
Reduz a poluição sonora e do ar

Fontes: Udesc, ViaCiclo (2008) e Sandro Lemos, personal trainer

OS GRUPOS

Bicicletada – Versão de Floripa do movimento nacional. Ciclopasseatas pela cidade que reivindica melhores condições para as bicicletas no trânsito, toda última sexta-feira do mês (www.bicicletada.org)

Floripa Bikers – promove pedaladas semanais para níveis iniciante, médio e avançado (www.floripabikers.com.br)

Saia de Bike passeio ciclístico para mulheres, promovido pelo Ipuf em parceria com a ViaCiclo (www.viaciclo.org.br)

Fonte: ViaCiclo

PARA LER

Bicycle Diaries - David Bicycle Diaries – O ex-líder da banda Talking Heads, David Byrne, inspirou-se na magrela para lançar seu mais novo livro, Bicycle Diaries. Byrne vive em Nova York e declara fazer uso da bicicleta como principal meio de transporte. O livro reúne as observações do músico sobre o ciclismo nas diversas cidades do mundo por que passou, abordando moda, política, planejamento urbano, arquitetura, entre ou-ros temas. A publicação sairá em agosto no Reino Unido e setembro nos Estados Unidos

PERFIS DE CICLISTAS

ViaCiclo – a maioria dos associados têm entre 20 e 35 anos, nível superior, pedalam em média 50 km por semana por razões diversas e têm foco na bicicleta como meio de transporte

Ipuf (pesquisa realizada no Bairro Ingleses, na Capital) – Boa parte (35%) trabalha em empresa privada, tem segundo grau completo (45%) e usa bike para lazer (67%), compras (65%) e ir ao trabalho (36%)

– A bicicleta é o segundo meio de transporte mais usado pela população (65%), atrás do transporte público (82%)

– Pesquisa feita com homens e mulheres de 14 a 65 anos entre 18 a 20 de março de 2006

CICLOVIAS

Total em Floripa: 24.073 metrosIlha de Santa Catarina

Avenida Beira-Mar Norte e Via Expressa Sul (Costeira): 15.906 metros
Canasvieiras (Avenida das Nações): 1.202 metros
Ingleses: 2.105 metros
Avenida Hercílio Luz: 1.439 metros
Agronômica (Rua Frei Caneca): 2.821 metros
Itacorubi (SC 404): 600 metros

Em execução: 10.400 metros
Campeche (Avenida Pequeno Príncipe): 2.600 metros – só falta sinalização
Rio Tavares (SC 405): 1,2 mil metros – previsão de um mês para conclusão
Ponta das Canas (Avenida Luiz Boiteux Piazza): 2 mil metros – previsão para dois meses
Ribeirão da Ilha (Rodovia Baldicero Filomeno): 4,6 mil – previsão para o final do ano

Fonte: Secretaria Municipal de Obras de Florianópolis

Curiosidades

Cycle ChiDC 2009-08-02 fig.8c (www.copenhagencyclechic.com) – um movimento iniciado em Copenhagen, na Dinamarca, pelo blogueiro Mikael Colville-Andersen. Cineasta, jornalista e fotógrafo, desde 2007 ele publica fotos de pessoas estilosas andando de bicicleta. Escreveu um manifesto defendendo que o ciclismo deve ser encarado como algo natural e prático. Com preceitos sérios, poéticos e divertidos, o manifesto prega a preferência ao estilo e não à velocidade.

Museu da Bicicleta (www.museudabicicleta.com.br) – conhecida como a Cidade das Bicicletas, Joinville conta com um museu DC 2009-08-02 fig.9exclusivamente dedicado à magrela. É considerado o único do gênero na América do Sul, tem mais de 16 mil peças no acervo, com destaque para a vitrine de faróis composta por peças a partir do século 19, uma bicicleta Peugeot 1952 com aros de madeira, uma Durkopp 1934 equipada com eixo cardan (sem corrente), um riquixá indiano todo pintado à mão e uma Rivera 1956, projeto nacional, com suspensão sobre molas nas rodas dianteira e traseira, uma inovação tecnológica espetacular para o período. O museu fica no Complexo Ferroviário de Joinville, Bairro Atiradores, junto à Praça Monte Castelo, zona Sul da Cidade. Contato pelo telefone (47) 3455-0372 ou e-mail: museudabicicleta@terra.com.br.

Por Alícia Alão

Saiba mais:

Uma aliada da boa saúde e do ambiente – reportagem do Diário Catarinense fala sobre bicicleta, saúde, mobilidade urbana, cultura, legislação e dá dicas a quem quer se iniciar no ciclismo urbano.
Manual do Ciclista de Florianópolis – baixe aqui o guia “Pedalando em Florianópolis – Manual do Ciclista”.
Florianópolis ganha novas ciclovias – conteúdo do jornal laboratório Zero fala sobre as mais recentes obras executadas ou em andamento para melhorar a infraestrutura ciclística na capital catarinense.

top-posts_wordpress

%d blogueiros gostam disto: