Para finalizar Setembro

Setembro está acabando. Mas não terminaram as discussões do mês da mobilidade. Entre trancos e solavancos, inovações e retrocessos, segue-se em frente, cada um à sua velocidade. Novas propostas que devem contribuir para a melhoria da mobilidade urbana foram combinadas a outras conservadoras, que nada mais farão do que piorar a situação caótica do trânsito ilhéu. O que emergirá desse paradoxo não há quem consega prever a médio prazo.

Enquanto isso, próxima a completar 9 anos de existência, a Bicicletada Floripa segue seu rumo e promoverá mais uma manifestação ciclística pela vida nesta sexta-feira. A pedalada deste mês terá concentração a partir das 18h, na pista de skate em frente ao Shopping Iguatemi, com saída prevista para às 19h.

 A pedalada, leve, é indicada para pessoas de qualquer faixa etária. O ritmo tranqüilo respeita os limites de todos os participantes.

Em caso de chuva, a Bicicletada deste mês permanece automaticamente confirmada.

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Uma Beira-Mar Norte melhor

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, no bíduo 17 e 18 de setembro de 2011 (pág. 4). Você pode também ver a matéria no site do ND aqui.

 (veja em PDF)

A Beira-mar dos sonhos

Parque. Projeto de 20 anos tem resistência para sair do papel

 Se a revitalização da avenida Beira-mar Norte, inaugurada em março, deu novos ares a um dos principais cartões-postais da Capital, imagine a execução do projeto acima? Moderno? Sim. A ideia é transformar a área de beleza privilegiada no Centro da cidade em parque urbano para práticas esportivas e de lazer. Recente? Não. Foi criado em 1993 pela arquiteta Vera Lúcia Gonçalves da Silva, do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), hoje diretora de Planejamento do órgão. O desafio, passados quase 20 anos, é tirá-lo do papel. Prova de que nem sempre falta planejamento, mas sim execução do que foi planejado.

“A Beira-mar era e continua sendo o ponto mais confortável da cidade para lazer. O projeto era uma antecipação do que mais tarde seria necessário em função do aterro natural da região provocado pelo movimento da maré”, afirma Vera Lúcia. “A intenção era criar faixa de areia suficiente para instalar equipamentos como marina, atracadouro público e privado, quadras de esportes de praia, biblioteca, espaço para feiras e apresentações”, lembra.

“É um sonho que infelizmente não conseguirei realizar no meu governo”, diz o prefeito da Capital, Dário Berger. Segundo ele, projeto dessa natureza pode demandar até quatro anos para obtenção de licenças. Embora não exista orçamento, estima-se que o custo para execução extrapole a capacidade financeira da prefeitura, mas esse não é o maior problema, na avaliação de Berger.

“De dinheiro, após o projeto aprovado, nós corremos atrás. Lamentavelmente ainda há muito preconceito na cidade, fruto do próprio desconhecimento das pessoas”, avalia. “Nós precisamos fazer algo diferente, porque a cidade cresceu, mas ainda não estamos institucionalmente e psicologicamente preparados para um projeto como esse”, relata o prefeito, referindo-se ao que chama de resistência de pessoas e instituições públicas para grandes mudanças na Capital. “A sociedade precisa conhecer o projeto e participar das discussões”, defende Vera Lúcia.

Ilha da Cultura

Para criar a Ilha da Cultura será necessário um grande aterro entre o Beiramar Shopping e o Koxixo’s. Na ilha, haveria um centro de informações turísticas, um farol com visualização em 360° da paisagem local e biblioteca, pontos de atracação de pequenas embarcações, quiosques e restaurantes. O desenho prevê também concha acústica de costas para o Continente. “Assim, o público poderia contemplar o pôr do sol durante uma apresentação”, explica a arquiteta Vera Lúcia.

Ilha da Cultura. Para criá-la é necessário um aterro entre o Beiramar Shopping e o Koxixo’s. Nela haveria centro de informações turísticas, biblioteca, pontos de atracação.

Marina

A proposta é construir uma marina no local onde há um trapiche. Segundo a arquiteta Vera Lúcia, são dois “braços”: um público – porque não se pode impedir o acesso das pessoas – e outro particular. Em um dos braços, poderia ser instalado um restaurante, bar ou café, como opção gastronômica a quem frequentasse o local.

Marina. A proposta é construí-la onde há o trapiche. Segundo a arquiteta Vera Lúcia, são dois “braços”: um público e outro particular.

Esporte e feiras tradicionais

Três quadras para a prática de esportes de praia, como vôlei e futebol, por exemplo. À esquerda, há uma espécie de marco em um terreno circular. Ali poderiam seriam realizadas feiras tradicionais de artesanato e cultura açoriana. À Beira-mar, um pequeno trapiche. A intenção é aproximar a população da água.

Esporte e feiras. Ao centro da imagem, três quadras para esportes de praia. À esquerda, há um marco em um terreno circular para feiras.

Segurança

Em 1993, quando o projeto foi desenvolvido, a Beira-mar Norte ainda tinha característica de Via Expressa, por isso foram colocadas quatro passarelas em toda a extensão da avenida. Hoje, com a instalação de semáforos e faixas de pedestre, a própria arquiteta Vera Lúcia acredita que as passarelas não sejam mais necessárias.

Programa de equipamentos

Aquário Municipal
Concha Acústica
Restaurantes
Quiosques/bares
Trapiches
Plataforma de pesca
Farol da Ilha/Biblioteca
Quadras de esporte
Posto Policial
Coreto
Área para prática de skate
Área coberta para roller (patins)
Play Ground
Ciclovia
Área para Administração do Parque
Área de Estar
Jardins
Área para instalação de equipamentos de feiras (artesanato, antiguidades, etc)

O projeto

* O Parque Urbano da Beira-mar Norte, projeto desenvolvido em 1993, ocuparia uma área de 382 mil metros quadrados e prevê 287 mil metros quadrados de aterro.

* O desenho do aterro já previa a quarta ligação entre Ilha e Continente pela Beira-mar Norte, conforme previsto no Plano Diretor.

* A arborização em toda a extensão é outra marca do projeto.

* Uma das alternativas para a viabilização seria uma PPP (parceria público-privada). Em troca de executar as obras, a iniciativa privada teria a concessão por prazo determinado para explorar atividades comerciais no local.

Maiara Gonçalves

Veja também:

Uma beira-mar sul melhor

Passeio Ciclístico do Floripa Shopping em fotos e vídeo

Veja abaixo um vídeo com o que se passou no 2º Passeio Ciclístico do Floripa Shopping, realizado no último 18 de setembro. Contou com a presença de 68 pessoas em bicicleta.

Todas as fotos podem ser vistas aqui.

Relembrando S. José

Última atividade da Semana da Mobilidade Sustentável na Grande Florianópolis.

 

Suplicy vai de bicicleta ao Senado

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), 70 anos, saiu de sua casa de bicicleta, em Brasília, para chamar atenção para o Dia Mundial Sem Carros, nesta quarta-feira, dia 21 de setembro.

O percurso entre sua residência, na Asa Sul de Brasília, e o Senado Federal foi feito em cerca de 30min. Durante os cerca de 7km, o senador mostrou preparo físico.

— Recomendo a todos que tenham condições que troquem o carro pela bicicleta. É uma maneira de diminuir a poluição e manter a forma — afirmou o senador em sua chegada ao Senado.

Suplicy também fez um convite à população:

— Eu queria convidar as pessoas para que, no Dia Mundial Sem Carro, também utilizem a bicicleta, que é um veículo limpo e muito saudável.

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Dois servidores do Senado que trocaram o carro pela bicicleta em suas rotinas acompanharam Suplicy no trajeto.

Vestido de calça social e gravata (ele apenas trocou o sapato por um tênis), Suplicy saiu de casa antes das 9h, passou na Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima para fazer uma oração, e chegou ao Senado às 9h30, pronto para ir para a reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Ele lamentou a falta de ciclovias e de melhores acessos para os ciclistas, bem como o desinteresse das autoridades em dar prioridade ao deslocamento de bicicleta nas cidades. No trajeto que percorreu, porém, Suplicy destacou que não houve qualquer problema de relacionamento com os motoristas de carros, motocicletas e caminhões com que cruzou. Ainda assim, o senador pediu que sejam promovidas campanhas de conscientização para aumentar o respeito às bicicletas no trânsito.

Uma recompensa por ter trocado o carro pela bicicleta, segundo o senador, foi poder ver a cidade por outra perspectiva, que escapa quando se está dentro de um carro.

– O percurso é muito bonito, passa pelos belos prédios das embaixadas de Brasília e ainda se tem uma vista completa do Lago Paranoá e duas de suas pontes – observou. Durante boa parte do trajeto, fotógrafos e cinegrafistas de diversos órgãos da imprensa registraram a iniciativa do senador.

Pela Beira-Mar Norte, 150 ciclistas

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on line do periódico Diário Catarinense em 24 de setembro de 2011 (às 13h17). Você pode ler a matéria no site do DC aqui.

Tempo bom colaborou com os ciclistas neste sábado em Florianópolis. Foto: Flávio Neves / Agencia RBS.

Passeio ciclístico reúne cerca de 150 participantes na avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis

Alterações no trânsito foram pequenas e não provocaram grandes transtornos

O vento deu uma trégua, e não atrapalhou a manhã ensolarada dos 150 ciclistas, de todas as idades, que participaram de um passeio ciclístico promovido na manhã deste sábado pelas Associações do Colegio Catarinense, em Florianópolis. O passeio correu pela ciclofaixa da Beira-Mar Norte. Os participantes iniciaram o trajeto no Koxixo’s, foram até o início da avenida e retornaram.

Quem também aproveitou o início da primavera para pedalar foram os alunos do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), cujo passeio ciclístico passou pelas ruas que cercam o campus da universidade, nos bairros Pantanal e na Trindade.

Trânsito

De acordo com o chefe de operações da Guarda Municipal nesse sábado, Paulo Soares, as alterações de trânsito para os dois passeios ciclísticos foram mínimas e não criaram grande transtorno para os motoristas.

Na programação da tarde, também há pequenas mudanças no tráfego para o torneio de frescobol em Itaguaçu, para a Cãominhada da Beira Mar Continental, e também para Festa da Família na Tapera, no Sul da Ilha.

Charge – Dia Mundial Sem Carro

A charge acima foi publicada no Jornal Notícias do Dia, edição da Grande Florianópolis, no dia 22 de setembro de 2011. A autoria dela é de Mendes.

Veja também:

Charge – Semana Mundial Sem Carros
Charge – Acessibilidade
Charge – Fins do mundo
(Charges) Atropelamento da Massa Crítica de Porto Alegre
(Charges) Ciclista Noel
Charge – A Faixa de Gaza é mais segura que a faixa de pedestres
Charge – É só não usar como um selvagem!
Charge – Na Ressacada, só de bicicleta
Charge – Não chegue antes na escola, filho!
Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis
Charge – A Ilha tá afundando

De Bike pro Bar no Vinte e Dois

Além da pedalada, um grupo de ciclistas está convidando a todos, neste Dia Mundial Sem Carros, a baterem um papo num bar em Florianópolis, no Quebra-Gelo, à R. Lauro Linhares 1628, a partir das 20h.

Quem quiser ir à pedalada rumo ao sul da Ilha, que começa no mesmo horário, pode ficar tranqüilo que eles ainda estarão por lá na volta.

Não foi possível concluir ainda todas as tarefas do Desafio Intermodal da cidade, mas já é possível adiantar que as bicicletas, pela rota Sul, foram as vencedoras da edição deste ano.

Fotos e relatos e notícias da Semana da Mobilidade ainda aqui no blogue logo mais.

Charge – Semana Mundial Sem Carros

A charge acima foi publicada no Jornal Notícias do Dia, edição da Grande Florianópolis, no bíduo 17-18 de setembro de 2011, e mostra um congestionamento muito mais humano – e, com certeza, menos poluente. A autoria dela é de Mendes.

Veja também:

Charge – Acessibilidade
Charge – Fins do mundo
(Charges) Atropelamento da Massa Crítica de Porto Alegre
(Charges) Ciclista Noel
Charge – A Faixa de Gaza é mais segura que a faixa de pedestres
Charge – É só não usar como um selvagem!
Charge – Na Ressacada, só de bicicleta
Charge – Não chegue antes na escola, filho!
Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis
Charge – A Ilha tá afundando

Mova-se no dia 22!

Atualização da programação do Dia Mundial Sem Carros em Florianópolis em 2011

Campeche, Florianópolis, SC

“Três Escolas, mais de 400 estudantes, equipes pedagógicas engajadas, toda uma comunidade mobilizada: na próxima 5ª-feira, 22 de setembro, mais uma vez o Sul da Ilha manifesta-se pela defesa da mobilidade urbana: Escola da Fazenda, Escola Porto do Rio Tavares e Escola Brigadeiro Eduardo Gomes, juntas, promovem a Pedalada e Caminhada pela Mobilidade Ativa e Sustentável – pelo 9º ano consecutivo!

Com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia Rodoviária Estadual, partiremos às 8 da manhã do Trevo da Avenida Pequeno Príncipe com a SC 405, iremos pela Avenida Pequeno Príncipe até o Campo de Aviação, onde estarão instalados equipamentos recreativos, sistema de som, e barracas das instituições parceiras. Aproveitaremos a pausa para brincadeiras, sorteio de brindes, lanche com frutas e água, para a realização do concurso PEDALANDO PARA MELHORAR O MUNDO, e para, novamente, discutir com a comunidade o uso do transporte coletivo e da bicicleta, a poluição e os problemas decorrentes do uso excessivo dos automóveis em meio urbano.

Contamos com a participação maciça da comunidade para, juntos com a Escola, exercer cidadania na prática!”

Centro e Sul, Florianópolis, SC

Uma pedalada para iniciados, com apoio da Guarda Municipal sairá da Praça XV de Novembro, coração da cidade, rumo ao Aeroporto Internacional Hercílio Luz. A saída do passeio ciclístico, organizado pela Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) e pela Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) será às 20h e terá escolta da Guarda Municipal e participação de diversos grupos de ciclistas da região. O percurso passará por José Mendes, ciclovia da Via Expressa Sul, Trevo da Seta e Av. Dep. Diomício Freitas, no bairro Carianos. Nas proximidades do aeroporto, haverá uma parada para abastecimento antes do retorno, que será pelo mesmo caminho.

Outras notícias

Estreito, Florianópolis, SC

A volta olímpica de bicicletas que estava programada para acontecer no Estádio Orlando Scarpelli antes do jogo Figueirense x Internacional nesta quarta-feira, dia 21, foi cancelada. Estava previsto, na Semana Nacional do Trânsito, que ciclistas, motociclistas e pedestres iriam contornar o estádio, entretanto apenas pessoas a pé – e sem bicicleta – vão fazer alusão à campanha por mais respeito nas ruas.

Praia Comprida, São José, SC

A Bicicletada deste domingo, 25 de março, segue confirmada e contará com a participação de grupos de ciclistas locais, que unirão suas pedaladas do fim de semana à atividade.

Na sexta-feira, também está prevista a blitz da balada  na cidade, uma campanha de conscientização nos points noturnos dos jovens.

Centro, Florianópolis, SC

Uma ação diferente que merece destaque no calendário de atividades da Semana Nacional do Trânsito é a blitz das ciclovias, prevista para ocorrer das 18h às 21h na Rua Bocaiúva, cuja ciclofaixa vira, comumente, estacionamento de automóveis.

A programação SEST/SENAT da Semana Nacional do Trânsito pode ser vista aqui.

Outras atividades da Semana da Mobilidade Sustentável também constam aqui.

(Vídeo) Trailer do Desafio Intermodal de Florianópolis

O vídeo abaixo é apenas para se sentir o gostinho do que está por vir, com cenas exclusivas do Desafio Intermodal deste ano. Um agradecimento especial ao MULETA e aos estudantes do curso de cinema da UFSC pela edição!

Confiram aí abaixo.

Saiba mais:

Percepções e relatos do Desafio Intermodal de Florianópolis
Motos e bicicletas dominam Desafio Intermodal em Florianópolis 
Setembro, mês da mobilidade

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Percepções e relatos do Desafio Intermodal de Florianópolis

“Quando fui convidado pra fazer o percurso, de carro, fiquei bastante chateado, pois no ano passado, por estar de braço quebrado, não tive como escapar da incômoda tarefa de levar a jornalista e a minha bicicleta, dentro da latinha com rodas.

Cheguei na UFSC, um pouco antes do horário, depois de levar uma hora, pra ir do Campeche até ali, em virtude das obras de implicação da SC 405, que faz duplicar o tempo que eu levo de bicicleta. O Fabiano me avisou que eu iria, a pé, pelo Suli. Fiquei feliz, pois passaria, de novo, por um trecho que muitas vezes passei com passeatas e protestos, podendo observar as mudanças da urbanização do Saco dos Limões, nos últimos tempos.

A chuvinha miúda, recém chegada, foi a companheira dos primeiros passos, seguindo junto com os carros, que passavam, lentamente, permitindo que eu interagisse com os passageiros e motoristas, sem que ninguém tivesse me oferecido carona, ou mesmo um questionamento, pelo fato de eu ir caminhando. O trânsito só transitou depois do morro da Carvoeira, quando perdia os carros de vista. O que pude ver é que a maioria deles levava apenas um ser humano, tornando a relação custo/benefício bastante desfavorável a eles. Diferença esta manifesta nas protuberâncias glúteas e abdominais, que, flácidas, circulam preguiçosas, acumulando cólicas, asmas e colesterol. Por isso, preferi seguir pensando em coisas mais agradáveis. 

Lembrava do tempo que havia um pequeno córrego, trazendo água cristalina do alto do Morro da Cruz, rumo ao mangue do Itacorubi, que seguia à estrada até os domínios da Universidade. Isso lá pelos anos que se comprava leite em garrafa de vidro e o padeiro passava de galiota, puxado por um pangaré ensinado. A chegada da moradia vertical, na descida da Carvoeira, diminuiu a área de visibilidade do Saco dos Limões, e o aterro levou o berbigão para mais longe um pouquinho. Não sei se ainda se pode catar berbigão, porque muito cagalhão ainda desce pelos valões, contribuindo para a propagação de microorganismos aquáticos, que alteram sensivelmente a rotina dos diversos comensais que se apropriam daquele ambiente. Chegando no José Mendes, vi que não há mais fábrica de refrigerantes, e a loja de automóveis virou templo ecumênico. Na curva do Penhasco, pude agradecer a Nossa Senhora da Liberdade, pela oportunidade de estar curtindo uma paisagem de cartão postal. Faltava muito pouco pra terminar minha jornada, num final de tarde feito sob medida, pra saber com quantos passos se faz uma jornada.

Depois de atravessar a cracolândia, que estava esvaziada, ganhei a passarela e a parte mais sombria do trecho. Logo quando estava na entrada da Cidade, percebi o quanto aquele local é abandonado. Alguns mendigos, um butequinho e uma escuridão de cemitério compõem a paisagem mórbida do meu momento de chegada. Só aí eu pude perceber porque a maioria das pessoas não faz este trajeto, da forma lúdica e saudável que eu estava fazendo, mais uma vez. Apesar de todo meu prazer de ter feito aquele passeio, as condições das calçadas, o desconforto das perseguições dos carros, que, na ânsia de levar seus motoristas para casa, atropelam o pedestre, este ser tão estranho que insiste em ser humano.

Quando cheguei, fui informado que o secretário ainda não havia chegado, pelo seu sistema de transporte desintegrado. Eu levei menos de uma hora, e apenas quinze minutos a mais que o auto(i)móvel. Com certeza, o estresse que o motora teve, durante seus momentos de estacionalidade, foi muito maior que o meu prazer de ter curtido uma caminhada animada. O problema é que o dele vai para a coluna do custo, enquanto o meu consta como benefício. Portanto, muito mais saudável e sustentável.

Valeu, galera, pelo encontro festivo com todos nós. O Fabiano, o Daniel Biólogo Presidente da Viaciclo, a gurizada animada, o Audálio, que quando chegou saía fumaça por todos os poros, a chuva, os buracos da calçada, a fumaça de olhodisel dos ônibus lotados, e todos os que eu encontrei, que tornaram possível este instante de prazer e curtição.

Huli Huli”

Luiz Carlos Pereira, caminhante pelo sul

“Pena que não sei escrever tão bem como vocês, mas realmente o prazer de ir correndo e interagir com a natureza (poluição) é muito gratificante, ver que não é preciso estar preso às máquinas do progresso, que você pode ser mais rápido e ainda tirar todo o stress de uma semana de trabalho, é muito bom…

Todos os dias eu e meu colega vamos [de bike] – e, às vezes, quando acordamos cedo e conseguimos pegar uma carona com o Audalio, vamos os três  – dos Ingleses até o Itacorubi, ainda não tivemos coragem de fazer a volta, mas já é um começo e, com certeza, uma válvula de escape para toda a pressão e correria do dia a dia, que infelizmente a nossa sociedade continua a aumentar e chamar isso de progresso.

Não sei que progresso é esse que nos tira a segurança, o convívio com a família e a saúde. Como vocês disseram, por causa do progresso a sociedade tem a tendência de ficar sedentária e sem saúde. Onde vamos parar?”

Cássio Engel Vidal, corredor pelo norte (via Agronômica)

Vejam também os seguintes relatos:

Audálio Vieira Junior, corredor pelo Norte (via Av. Beira-Mar Norte).

Daniel Costa, coordenador de chegada.

Marcelo Vardanega, motociclista pelo Sul.

Aproveita-se, também, para atualizar a tabela com os tempos do Desafio.

Saiba mais:

Motos e bicicletas dominam Desafio Intermodal em Florianópolis 
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Veja também:

O Eco – Outras Vias – Deixe seu carro em casa! Programação nacional para o DMSC 2011
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A mobilidade na Ilha

O conteúdo abaixo foi publicado no editorial da edição impressa do periódico Diário Catarinense de 17 de setembro de 2011 (pág. 10). Você pode lê-lo no site do DC aqui ou em pdf aqui. Mas não poderia deixar de republicá-lo aqui.

Editorial

SC-401 e mobilidade

O Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) anunciou, ontem, que a duplicação da SC-401 entre o trevo de Jurerê e o de Canasvieiras estará concluída em dezembro próximo, antes da abertura da temporada de verão. O presidente do órgão, Paulo Meller, ao detalhar as obras em andamento, garantiu que tudo está seguindo conforme o planejado. Em média, 42 mil veículos trafegam, diariamente, por esta rodovia estadual, que dá acesso aos balneários do Norte da Ilha de Santa Catarina. Essas praias, outrora tranquilas e preservadas, se transformaram em bairros movimentados e densamente povoados. No verão, o volume de tráfego salta para quase 60 mil veículos por dia.

Os números bastam para conferir urgência às obras em andamento. Com efeito, a duplicação da SC-401, reivindicação velha de muitos anos, tem crucial importância não apenas para os moradores daquela área da Ilha-Capital, mas para a cidade inteira, cujo trânsito hoje sofre congestionamentos em cadeia. Florianópolis ostenta o título de campeão nacional da falta de mobilidade, e de vice-campeã mundial desta estressante “modalidade”, perdendo apenas para a tumultuada Pukhet, na Tailândia. Não raro, as filas de veículos que se originam na SC-401 nos horários de pico se estendem até a área continental da cidade.

Entretanto, convém anotar que, urgente e impositiva, a duplicação da SC-401, cujos prazos anunciados pelo poder público serão cobrados pela sociedade, é mais uma medida com “prazo de validade”. Para que a qualidade de vida na região seja preservada e ampliada, não bastam providências tradicionais e pontuais, como duplicações de estradas, viadutos, pontes, túneis, cuja capacidade, mais dia, menos dia, também será superada pela demanda.

É fundamental que a sociedade mude de mentalidade, e que os poderes públicos adotem modelos de planejamento e gerenciamento que levem em conta esta mudança de paradigma, estimulando o transporte público de qualidade e o uso de meios alternativos de locomoção, como a bicicleta.

Saiba mais:

Setembro, mês da mobilidade

Programação da Semana da Mobilidade na Grande Florianópolis

Abaixo, seguem alguns eventos já programados para ocorrer durante os próximos dias que fazem parte do calendário da Semana da Mobilidade Sustentável e da Semana da Bicicleta.

Florianópolis, domingo, 18 de setembro

O Floripa Shopping, no bairro Saco Grande, realizará, com apoio da CicloVil, o seu segundo passeio ciclístico, que percorrerá as ruas do bairro a partir das 9h.

 

Saiba mais:

Domingo é dia de pegar a bicicleta – conteúdo publicado no periódico Diário Catarinense.

Florianópolis, quinta-feira, 22 de setembro

A já tradicional Pedalada e Caminhada pela Mobilidade Ativa e Sustentável do Campeche vai começar às 8h, no trevo entre o Campeche e o Rio Tavares. Realizado pela Escola da Fazenda e pela ViaCiclo, espera-se reunir mais de 300 pessoas, que realizarão um percurso pela Av. Pequeno Príncipe.

Haverá sorteio de prêmios e equipamentos recreativos.

O Rio Tavares está tendo a construção de uma nova pista e de acostamento em andamento, em obra que não contempla os anseios dos ciclistas que trafegam pela região.

(clique sobre a imagem para ampliá-la)

 Biguaçu, sábado, 24 de setembro

 Biguaçu vai ter Ciclovia de Sábado! Saúde e lazer a partir das 9h.

 São José, domingo, 25 de setembro

São José terá passeio ciclístico a partir das 9h, saindo da Av. Beira-Mar, na Praia Comprida, ao lado da mini pista. O percurso será circular passando pela própria Av. Beira-Mar e pela Av. Pres. Kennedy. A pedalada não será longa e é indicada, inclusive, para crianças e pessoas que querem voltar a pedalar. Ideal para famílias.

Esse passeio é uma realização das entidades abaixo relacionadas.

 

Tempos preliminares do Desafio Intermodal Floripa 2011

Segue abaixo, a pedidos, os tempos que cada modal levou para completar o Desafio Intermodal deste ano. Alguns tempos ainda estão sendo aferidos, dessa maneira, ainda podem sofrer alterações.

Saiba mais:

Motos e bicicletas dominam Desafio Intermodal em Florianópolis
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Veja também:

Mulher de bicicleta com cestinha vence Desafio Intermodal em Florianópolis

Notícias relacionadas:

Largada para o Desafio Intermodal de Florianópolis Desafio Intermodal em Florianópolis

Links externos relacionados:

Beach Biker Blog – Desafio Intermodal 2011 – Florianópolis – Relato de um dos desafiantes que completou o percurso correndo.
Vice Prefeito participa de maratona de mobilidade urbana

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